Fade Out Lines
28 Capítulo 28 — Fênix.
Notas iniciais
Capítulo 28 — Fênix.
Christopher recebia carícias em seu rosto e afagos em seus cabelos, vindos das delicadas mãos de Theodore. O professor estava deitado no sofá e com a cabeça repousada no colo do garoto.
— Eu achei que isso nunca mais aconteceria... — Theo murmurou.
— Não pensa nisso, não.
— Christopher...
— Diga. — Levantou a cabeça.
— O que nós somos agora? — Encarou-o. — Estamos juntos ou não?
— O que você quer que sejamos?
— Não é isso que eu queria ouvir... — Bufou. — Queria que você estivesse certo do que quer.
— Eu achei que já estivesse claro...
— Não está, eu ainda não sei qual é a nossa relação no momento, se é só coisa casual ou algo mais sério...
— Eu quero muito que seja pra valer dessa vez. — Entrelaçou os dedos com os do garoto. — E você?
— Eu também, não vou ficar satisfeito em só ficar com você de vez em quando, entende?
— Claro que sim. — Sorriu.
— Eu quero ser seu namorado...
Christopher se sentou.
— Se isso foi um pedido ou não, saiba que a resposta é sim. — Se aproximou ainda mais. — Eu quero isso mais do que tudo, Theo.
Os braços do garoto correram para as costas do professor e suas bocas se encaixaram mais uma vez, sincronizando os movimentos com perfeição. O som dos estalos e gemidos de quando sentiam os lábios serem mordidos, se uniam, numa melodia de deleitar os ouvidos.
— Eu te amo... — Theodore agarrou o quadril de Christopher.
— Eu também amo você... — Tentou dizer, em meio aos selinhos.
— Fala de novo, eu preciso ouvir... — O garoto implorou. — Só mais uma vez...
— Eu amo você! Demais, muito mesmo, é coisa de louco... — Christopher deitou a cabeça na curva de seu ombro. — Ah, Theo, passe a noite aqui comigo...
— Eu não posso...
— E no dia do seu aniversário? Eu sei que talvez seja difícil convencer sua mãe, mas...
— Na sexta? Tudo bem.
— Hã? Sério?
— Ela vai viajar e ficar o fim de semana fora...
— Podemos tirar proveito disso.
— Verdade... — Olhou para baixo. — Mas você não iria querer minha presença te atazanando, acredite.
— Eu quero sim, faço questão aliás. — O professor ergueu o queixo de Theodore. — Me irrite o quanto for, faça birra, fique bravo comigo e encolha o nariz daquele jeitinho irresistível que deixa o cenho franzido. Me xingue e faça tudo o que quiser comigo, só não fique longe de mim, nunca mais.
...♕...
— Então, o que era essa novidade tão bombástica que queria nos contar? — Michael exigiu, entrando no apartamento do amigo.
— É quase uma da manhã, espero que valha a pena. — Emmet reclamou.
— Preciso da ajuda de vocês. — Christopher revelou.
— Desde que não envolva gente morta e não deixar rastros, eu topo.
— É o seguinte... — O professor observou os amigos se sentarem. — Eu e o Theodore voltamos.
— Oi? — Emmet espantou-se.
— É sério, Chris? Quando foi isso? — Michael quis confirmar.
— Hoje ele veio pedir desculpas, conversamos um pouco, discutimos, mas acabou ficando tudo bem depois. — Riu. — Quando nos demos conta, já estávamos nos beijando...
— Olha só! — Emmet gargalhou.
— E você está feliz com isso? — Michael Inquiriu. — Era o que você queria? Porque você estava furioso com ele...
— Eu fui um idiota, Mikey. E outra, eu não sei como ele fez isso, mas ele conseguiu. — Christopher desabou no outro sofá. — Eu estou ainda mais apaixonado por ele...
— De verdade, achei que superaria ele, não que voltariam...
— Eu também achei que conseguiria esquecer o Theo. — Sorriu, abobalhado com as lembranças. — Mas quando eu o visitei, quando soube de tudo o que houve com ele, meu coração se partiu em pedaços, me senti como se de alguma maneira, fosse a causa daquele sofrimento todo...
— Christopher, sobre a tentativa de suicídio dele, já conversamos com você, o Theodore tem um padrasto miserável e isso não é sua culpa.
— Não é por isso que fico triste, é porque se ao menos eu estivesse com ele, tudo isso poderia ter sido diferente, o Theo poderia estar feliz e nunca teria pensado em fazer aquilo. — Explicou. — Mas vamos esquecer e voltar ao assunto, eu preciso da ajuda de vocês...
— Vamos, diga.
— Eu sei que o Theo sofreu e eu quero que ele comece uma nova etapa, então pensei que nada melhor para comemorar isso do que o aniversário dele. — Colocou a mão no queixo. — Pensei em fazer uma festa surpresa, o que vocês acham?
— Gostei da ideia...
— Você já tem quem convidar?
—Esse é o problema, eu só tenho mais amanhã para planejar e comprar tudo, o aniversário dele é nessa sexta-feira.
— Olha, é arriscado, o tempo é curto. — Michael preocupou-se. — Mas fica tranquilo, a gente te ajuda.
Os amigos ajudaram Christopher a criar uma lista do que precisavam fazer e as responsabilidades foram divididas. Emmet e Michael ficaram responsáveis por comprar as decorações, enquanto Chris procuraria o que servir na festa.
...♕...
Quinta-feira.
Theodore se espreguiçou naquela manhã, se levantou contente, se arrumando como antes fazia, sua vida tinha novamente dado uma reviravolta, agora tinha motivos para sorrir. Pegando o celular que estava sobre a cômoda, riu quando viu trinta e sete mensagens acumuladas da amiga.
O garoto havia deixado mensagens para Susannah na noite passada, avisando sobre a novidade, mas ela não tinha o respondido até então. Leu tudo o que ela tinha escrito, rindo da sua reação exagerada. E após alguns minutos sentiu o celular vibrar.
— Alô? — Atendeu. — Susannah?
— Theodore! — A voz da garota soou estridente. — Meu Deus! Por que você não me ligou na noite passada?! Meu Deus! Meu Deus! Eu não estou acreditando, você tá brincando comigo?! Porque se for, olha...
— Ei, calma! — Riu. — E eu não estou brincando, tá? Só não precisava me ligar às sete horas da manhã...
— Mas eu sei que você já estava acordado! Então me diga, quero saber de tudo!
— Eu vou chegar atrasado se for te contar tudo agora...
— Não tem problema!
— Claro que tem, ainda tenho que tomar banho, me arrumar e tomar café da manhã. — Sentou-se na cama. — E além do mais, vou ver o Chris hoje na aula.
— Me promete que vai me contar tudo quando chegar? Cada detalhe!
— Prometo, prometo. — Sorriu.
— Se você por acaso se esquecer, saiba que vou te infernizar até você me contar.
— Eu sei disso, mas eu estou ansioso para te contar também.
— Então tá certo!
— Até mais, Su!
— Beijos, nos falamos depois!
Assim que desligaram, o garoto se apressou para tomar um banho rápido e se trocou às pressas. Após se arrumar, ajeitou os cabelos com gel em um topete despojado como sempre fazia.
Notou que os ferimentos estavam sumindo aos poucos, o seu lábio não estava mais machucado e as manchas eram fracas, deu um sorriso com aquilo. Passou a colônia na região do pescoço e guardou o frasco na mochila.
Na cozinha tomou um breve desjejum, logo depois retirou a chave do carro do bolso e assim guiou-se até a garagem. Era sempre maravilhoso entrar no veículo que não se cansava de chamar de “seu”.
...♕...
Aquele dia se passou num piscar de olhos, Nicholas reparou que o amigo estava diferente, reluzente como nunca antes. Omitiu uma pergunta do que poderia ter acontecido com ele, mesmo que estivesse curioso, de qualquer forma, era bom ver Theodore sorrindo independentemente do que fosse.
Percebeu também que o amigo repassou o perfume poucos minutos antes de ir para a última aula do dia, a de Christopher. Estranhou ainda mais quando entraram na classe e Theodore quis se sentar na frente, como antes.
Pensou se ele tinha deixado de lado o constrangimento que tinha passado, no entanto, era um pouco suspeito. Nicholas permaneceu calado, não era somente o garoto sardento que estava diferente, o professor também havia mudado e os demais alunos notaram.
A expressão antes carrancuda de Christopher, agora estava limpa e o bom humor era nítido. A sala de aula exalava uma aura completamente diferente, Nick estava confuso, poucos exercícios tinham sidos passados naquele dia e simplesmente nenhum dever de casa.
Assim que Nicholas finalizou as equações, levantou a cabeça e pode ver claramente Christopher sorrindo para Theodore. Nesse instante, o professor desviou os olhos, mas o amigo ao seu lado estava com as bochechas coradas, não conseguindo disfarçar que olhava fixamente para o homem a sua frente.
Tirou as próprias conclusões do que estava acontecendo ali, então quando o sinal bateu, Nick recolheu suas coisas rapidamente e se retirou sem se despedir do amigo. Aquela era a única maneira de descobrir se o que pensava era realmente verdade.
Theodore permaneceu sentado, observou surpreso ele se levantar e ir embora. Os outros alunos se retiravam do local, mas o garoto arrumava o material vagarosamente.
— Não está com pressa de ir embora? — O professor questionou. — Todos já foram.
— Não, não estou. — Sorriu.
— Ah, é? — Christopher se aproximou e se abaixou perto do aluno. — E qual o motivo?
— O motivo? — Riu. — Eu ter um professor arrasador de corações, esse é o motivo.
— Olha...
Não conseguiu completar a frase, Theo agarrou seu rosto e roubou-lhe um beijo rápido.
— Alguém podia nos ver. — Christopher se levantou, afastando-se dali.
— Eu sei, mas foi você que chegou tão perto. — O garoto recolheu os cadernos e arrastou a cadeira para trás, andando até Chris.
— Como você consegue, Theo... — Ele desviou o caminho, como se evitasse a aproximação repentina.
— Como consigo o quê? — Perguntou, preocupado.
O sardento logo o observou fechar a porta para terem privacidade.
— Fazer com que eu não resista a você. — Agarrou a cintura do garoto e o encostou contra a parede.
Theodore se assustou quando sentiu o baque, entretanto, aquilo não tirou a vontade imensa que tinha de provar a boca deliciosa do professor novamente. Trouxe-o para perto e encaixou os braços detrás de seu pescoço.
O que era proibido deixava tudo ainda mais prazeroso, as línguas sedentas uma pela outra, as coxas se esfregando e os toques quentes das mãos de Christopher, que deslizavam debaixo do tecido da camiseta do garoto.
— Isso é muito errado. — Falou, grunhindo ao sentir a boca de Theo guiar-se ao lóbulo de sua orelha. — Muito errado...
— E daí? — Mordeu levemente a região. — Eu amo você...
Chris soltou um gemido com os sussurros e provocações, sabia que estava totalmente rendido a ele.
— Queria te perguntar algo pervertido...
— Pode perguntar, Theo.
— Você já sonhou em fazer sexo na sala de aula? — Riu com a própria pergunta. — Quero dizer, como fetiche, sabe?
— Não, por quê? Você já?
— Ah, fala sério, eu namoro um professor e não posso pensar nessas coisas?
— Você é terrível... — Mordeu a bochecha do sardento e livrou-o de seus braços.
— Onde você vai? — Theodore o acompanhou até sua mesa, um tanto decepcionado.
— Pra casa.
— Vai fazer alguma coisa hoje?
— Vou fazer umas compras e prometi que mais tarde sairia com os meninos.
— Ah, tá certo. — Entristeceu-se. — Queria ficar com você hoje...
— E eu queria muito te levar comigo, mas tenho que comprar o seu presente...
— Ah, Chris, não precisa disso.
— Eu quero. — Sorriu, mas a expressão no rosto do garoto não havia mudado. — Ah meu amor, não faz essa cara, por favor, eu prometo que amanhã passaremos a noite toda juntos e o fim de semana também...
— Tá bom. — Theodore sentiu o coração pulsar ao ser chamado de “amor” novamente.
...♕...
— É sério, eu não consigo pensar em nada... — Christopher bufou. — Não encontro nada que o Theo gostaria de ganhar.
— É, ninguém mandou namorar um mimado. — Emmet provocou.
— Não fala assim.
— Tá, mas o garoto ganhou um carro da mãe dele, como vai superar isso?
— Não vou, mas queria dar um presente que ele não se esquecesse. — Pensou.
— Então não pode ser nada convencional, como roupas ou sei lá. — Michael sugeriu.
— É isso, tem que ser algo simbólico, com valor sentimental.
— Tipo o quê?
— Vocês verão... — Deu um sorriso. — Vou ir para a loja agora mesmo, antes que feche!
Ele correu com pressa até onde o carro estava estacionado e Emmet gritou, ao longe:
— Ei, espera, Chris! — Chamou o amigo. — Qual loja?!
— É, acho que ele não ouviu... — Michael deduziu. — Mais tarde a gente liga pra ele.
Ambos continuaram com as compras, faltavam poucas decorações, a maioria já estava riscada da lista. Assim que partiram para a próxima loja, pensaram no presente que dariam para Theodore.
— Mikey, será que Christopher ficaria bravo se eu desse algum presente erótico para o Theo?
— O quê?! Você tá louco?!
— O que foi?! Seria para os dois usarem juntos...
— Isso é sério mesmo?
— Ah, vai... — Fez bico. — Não é uma má ideia, nós mesmos temos os nossos brinquedinhos.
— Não fala isso em voz alta, idiota. — Michael franziu o cenho, dando-lhe um tapa no ombro.
— Não vou descansar enquanto não for no sex shop. E você sabe como consigo ser insistente.
— Ah, fala sério, Emm. — Bufou. — O menino vai fazer dezessete anos...
— É por isso mesmo, nessa idade os hormônios ficam à flor da pele, tenho certeza que esses dois transam mais do que a gente.
— Por que você acha que todos são pervertidos como você?
— Chega de papo, você vai comigo ou não?
...♕...
Chris chegou no apartamento e colocou as compras sobre o balcão, mandou mensagens para Emmet e Michael, avisando de que já havia chegado e que precisaria das decorações.
Guardou o presente de Theodore — que já estava embrulhado — em um local seguro, Christopher estava satisfeito com o que havia escolhido, mesmo que estivesse um pouco receoso pela reação do garoto, sabia que ele gostaria.
Sentou-se no sofá e procurou nas redes sociais o contato com Nick, assim ligando para ele, que atendeu rapidamente.
— Alô?
— É o Nicholas falando?
— Sim, é ele.
— Aqui é o Christopher, desculpe o horário, já são quase oito da noite...
— Professor? — O garoto pareceu confuso. — Ahn, tá tudo bem?
— Sim, tudo ótimo. — Pensou no que falar. — Então... Queria te perguntar uma coisa, sobre o Theodore.
— Aconteceu alguma coisa com o Theo?!
— Não, não. — Fez uma pausa. — É que eu estou planejando uma festa surpresa para ele, amanhã a noite.
— Sério? Isso é o máximo!
— Enfim, eu queria saber se mesmo em cima da hora, você viria...
— É claro que sim!
— Eu conheço poucos amigos dele, você por acaso sabe de alguém que o Theo tenha amizade?
— Olha, tem a Alison, minha namorada, que é bem afeiçoada a ele, sabe? E a Susannah, que é a melhor amiga dele... — Nick confirmou. —Fora isso, ele nunca me falou de mais ninguém.
— Falarei com a Susannah... E se a Alison estiver livre, a chame para vir também, vou te passar o endereço por mensagem, pode ser?
— Claro! Onde é?
— Aqui em casa, bom, apartamento na verdade, não é difícil de achar.
— Tá certo...
— Desculpe novamente pelo horário, Nicholas. — Chris ressaltou. — Nos falamos amanhã...
— Ei professor!
— Pode me chamar de Chris. — Afirmou. — Diga.
— Ahn, Chris... — Gaguejou. — Tem algo que eu quero te perguntar.
— Pode falar.
— Por favor, não se assuste... — Ponderou. — Mas é que eu sei sobre você e o Theo, vocês estão juntos de novo, não estão?
— O-Oi? — Engasgou. — Como?
— Vocês estão namorando, não é? — Repetiu. — Ele me disse que vocês tinham terminado, mas eu percebi que vocês estavam diferentes hoje, então pensei que pelo jeito...
— Olha, Nicholas... — Christopher passou a mão sobre o rosto.
— Prof... Quer dizer, Chris, fica tranquilo, eu vou guardar essa informação comigo, eu sei dos problemas que isso pode causar a vocês, mas saiba que eu os apoio totalmente.
— Valeu, garoto. — Suspirou. — Mas fui pego de surpresa, realmente, não sei o que dizer.
— Não se preocupa. — Riu descontraído. — Só não fique bravo com o Theo...
— Bravo com ele? Por quê?
— Ah, às vezes você pode pensar que ele fofocou sobre a vida de vocês, mas não foi bem assim, então não quero causar mal entendidos. — Completou. — É que teve um dia que a Alison perguntou dos namoros dele, assim ele nos contou do único relacionamento sério que teve, mas não citou quem era. Então alguns dias depois eu descobri por conta própria.
— Se não for muita curiosidade da minha parte, como conseguiu essa proeza?
— Bom, aquele dia que você passou o desafio, ele saiu da classe correndo porque estava envergonhado. Fui atrás dele, eu nunca tinha visto o Theo ficar tão triste, ele chorava tanto por uma coisa tão boba, foi então que percebi que não era pela vergonha de ter errado e sim por você.
— Eu também me senti horrível naquele dia... — Ouviu a porta de entrada ser aberta. — Nicholas, tenho que desligar agora, meus amigos chegaram para me ajudar com os preparativos...
— Tá okay, até depois!
Desligaram a ligação, Christopher cumprimentou Emmet e Michael.
— Duas pessoas confirmadas, com mais vocês dois, quatro convidados no total. Deprimente...
— Ei... — Michael retrucou. — Não diga isso, Chris.
— Isso vai ser um desastre.
— Nem pense em desistir agora.
— Chris, eu queria saber, você vai chamar o Victor?
— Eu não sei, não pensei nisso, não acha que seria estranho chamá-lo?
— Ele já sabe que você e o Theo voltaram, não seria surpresa.
— Como ele soube? — Estreitou os olhos. — Emmet!
— Então... — O amigo envergonhou-se.
— Foi você, não é?
— Desculpa...
— Tá, fazer o quê... — Suspirou. — Só que isso não muda o fato de ele ser meu ex.
— Ah, chame por educação então.
— Mas o Theo nem o conhece...
— É, então deixa quieto.
— Estou pensando em chamar o Lucas e o Mark, eles estão na cidade, vão ficar até o fim de semana. — Christopher anunciou. — E eles já sabem sobre essa história toda do Theo...
— Isso é bom! E eu gosto deles dois.
— Então vou ligar para eles, depois só falta confirmar com a Susannah, se lembram dela?
— Ah, sim! É aquela garota que mora longe?
— Sim. E este é o problema. — Chris pegou a garrafa de uísque. — Ela é a melhor amiga do Theo, mas é bem provável que ela não virá.
— Ei, larga isso! — Emmet protestou. — Nade de ficar bêbado, viemos para te ajudar com as decorações e não para fazer tudo sozinhos, só vai beber quando a gente acabar!
— Tá certo. — Guardou-a no devido lugar. — Por onde começaremos?
...♕...
— Desculpa a demora, Theo! — Susannah atendeu a chamada por vídeo. — Ah meu Deus! Seu rosto está bem melhor!
— É verdade. — Concordou.
— Então, faltam algumas horas para a meia noite, mas quero ouvir tudo o que o meu aniversariante tem a dizer!
— Então... — Riu. — Eu não sei nem por onde começar.
Theodore conversou com a melhor amiga por duas longas horas, tomando cuidado para falar baixo durante os momentos que contava sobre Christopher. Seu coração pulsava somente ao se lembrar, as emoções ainda estavam vívidas em sua mente, cada minuto tinha sido perfeito.
Quando o relógio marcou quinze minutos para a meia noite, a garota se despediu, os pais eram rigorosos com seu horário de sono.
Então Theo ficou flutuando em pensamentos, jogado em sua cama e olhando para o teto branco. Sorriu mais uma vez, deixando as lembranças dominarem sua mente. Foi despertado de seus devaneios pelo celular, que vibrava incansavelmente sobre a cômoda.
Pegou-o e atendeu.
— Oi amor. — Ouviu a voz suave de Chris do outro lado da linha.
— Oi... — Respondeu, um tanto tímido.
— Espera um pouco, falta um minuto. — Fez uma pausa. — Pronto, agora sim, feliz aniversário...
— É sério? — Riu, olhando no relógio que acabava de sinalizar meia noite. — Obrigado, você foi o primeiro.
— Era o que eu queria. — Concluiu. — Ei, eu estou ansioso para amanhã...
— Eu também, estou com saudade.
— Nem me fale, se eu pudesse, iria correndo até aí e te raptaria no meio da noite. — Gargalhou.
— Não me dê ideias, hein.
— Ah, Theo... — Lembrou-se. — Quero muito saber o que vai achar do meu presente, foi difícil encontrar algo pra você, sabia?
— Sério? — Envergonhou-se. — Eu não queria te dar trabalho.
— Amor, já disse para não falar esse tipo de coisa.
— Desculpa, desculpa. — Sorriu. — O que você está fazendo agora?
— Indo para o banho.
— Tarde assim?
— É, meu dia foi cheio.
— Ah, você saiu com o Emmet e o Michael, né?
— Sim, saí.
— Então vê se descansa...
— Tá bom, mas Theo, tenho só mais uma coisa pra te falar antes de ir.
— O quê?
— Eu amo você...
— Eu também te amo. — Sua voz saiu trêmula. — Muito.
Ainda com os batimentos acelerados e mãos suadas, Theodore se despediu, desligando a chamada com muita dificuldade. Dormir seria uma tarefa difícil.
O sono chegou repentinamente, trazendo sonhos bons, o garoto dormiu bem naquela noite e se levantou disposto na manhã seguinte.
Se espreguiçou e caminhou até o banheiro. Após escovar os dentes, guiou-se até a cozinha, onde sua mãe arrumava a mesa para o café.
— Meu bebê! — Alba foi em sua direção. — Feliz aniversário, filhote!
— Não consigo respirar... — Theodore queixou-se com o abraço apertado.
— Você sabe que eu te amo mais do que tudo, não sabe? — Ela livrou-o do aperto, mas agarrou-lhe a face e encarou-o de perto. — Você é um filho maravilhoso, que continue sendo assim: inteligente, carinhoso e com seu jeitinho engraçado... Ah, seu pai teria tanto orgulho de você!
Em todos os aniversários ele se sentia da mesma maneira, nunca sabia como reagir quando alguém desejava-lhe parabéns de uma forma tão inusitada, não conseguia responder, se sentia sem saída.
— Acha mesmo? — O sardento sorriu.
— É claro que sim querido... E sabe do que mais? — Ela acariciou suas bochechas. — Ele se gabava muito de quando te exibia para os amigos ou quando passeava com você pelo shopping, sempre teve orgulho do quão lindo você era. O garotinho dele, o menino que ele sempre quis...
— Mãe... — Abraçou-a mais uma vez, tentando disfarçar que seus olhos estavam marejados.
— Theo, eu sei que você sabe disso, mas... — Alba fungou, emocionada. — Você é a cópia dele, não só na aparência, filho, mas também em personalidade. Os dois alegres, empolgados e determinados. Seu futuro será brilhante...
— Obrigado. — Agradeceu, quase em um sussurro, enquanto sua mãe enxugava suas lágrimas.
...♕...
— Você está lindo hoje, sabia? — Christopher se aproximou de Theodore, ao findar a última aula daquele dia. Ninguém mais estava na classe.
— Olha quem fala... — O garoto sorriu.
— Você tem planos para hoje?
— Você sabe que sim, vou ficar com você. — Theo respondeu. — Mas agora a tarde minha mãe quer sair comigo para almoçar, porque logo depois ela vai para o aeroporto.
— Entendi, vou ficar te esperando, então. — Afirmou.
— Eu tenho que ir, tá? — Theodore terminou de guardar o material. — Mas te mando mensagem quando chegar em casa...
Christopher observou o garoto sorrir e acenar quando passou pela porta. Sentia-se extremamente feliz em ver novamente um sorriso em seus lábios e faria de tudo para mantê-lo ali.
Voltando ao seu apartamento, aproveitou para terminar com as decorações, espalhou bexigas coloridas por todas as partes, serpentinas e confetes pelo chão. Mesmo sabendo que daria um grande trabalho para limpar tudo aquilo depois, valeria a pena.
O bolo que havia encomendado já estava guardado na geladeira, os petiscos seriam entregues na hora prevista e as bebidas, no frigobar. Ficou aliviado ao ver que grande parte já tinha sido feita, tentaria então manter tudo sob controle.
O início da festa estava previsto para o começo da noite e caso Theodore questionasse sobre chegar antes do horário combinado, já tinha as desculpas que daria para atrasá-lo.
Michael e Emmet chegaram algumas horas depois, já trocados e com embalagens de presente em mãos.
— E aí, precisa de ajuda? — Emmet perguntou, adentrando o local.
— Não, tudo perfeito, eu só espero que todos venham. — Christopher ressaltou. — Com exceção da Susannah, ela disse que não poderia vir, pelo que parece, ela esteve aqui semana passada e os pais dela não deixaram que viesse novamente.
— É uma pena. — Disse Emmet. — Ela parece tão ligada ao Theo.
— Mas o que importa é a intenção, Christopher, você está se esforçando ao máximo. — Michael continuou. — Falando nisso, você vai ficar assim?
— Hã?
— Já tomou banho? Você tá suado...
— Ah, não, ainda não tomei. — Respondeu. — Preciso ir agora, se alguém chegar vocês podem abrir a porta?
— Claro, vai lá.
Chris correu ao seu quarto, deixando sobre a cama a roupa que usaria.
Com pressa, tomou um banho e se arrumou após sair do chuveiro, penteando os cabelos molhados para trás — que cismavam em cair para os lados, por terem ficado um bom tempo sem corte.
Ao sair do banheiro, vestiu-se e passou uma boa quantidade de perfume. Notou vozes diferentes na sala de estar, caminhou até lá e viu Mark e Lucas enquanto os amigos os recepcionavam. Christopher se aproximou e os cumprimentou, pedindo desculpas por estar no banho quando chegaram.
Ofereceu-os uma bebida e sentaram-se todos para conversar. Rapidamente o local foi preenchido com assuntos alheios.
Passaram-se vários minutos quando ouviram mais batidas na porta, Chris se levantou e recebeu Nicholas e a namorada, pedindo para que entrassem. Apresentou-os aos amigos e Alison deixou os presentes na mesa de centro da sala de estar.
A garota olhou atentamente para todos os homens daquela sala, não soube dizer qual era o mais atraente, seu coração queria explodir de felicidade ao ver aqueles casais. Olhou para Emmet e Michael, que estavam abraçados em um sofá, quis tirar uma foto de ambos, achou os dois extremamente adoráveis.
No outro sofá, pensou que seu nariz fosse sangrar ao olhar para Mark e Lucas, que se beijavam lentamente. Seus batimentos estavam acelerados e Nick reparou que a namorada não estava em seu estado normal, ela sorria de orelha a orelha.
Christopher informou-os de que havia recebido uma mensagem de Theodore, o garoto tinha avisado que saía de casa e o professor concluiu que não demoraria mais do que dez minutos para ele chegar.
Quando alguns minutos se passaram, todos se prepararam para a chegada de Theo ficando em silêncio, Chris sentiu o coração pulsar mais forte ao ouvir a campainha. Andou até a porta de entrada e desligou a luz. Todos se esconderam no cômodo ao lado.
Abriu a porta e recebeu um beijo casto do garoto. Convidou-o para entrar e Theodore colocou a mochila no chão.
— Está escuro aqui.
— Espera, vou ligar a luz. — Christopher bateu a mão no interruptor.
Todos apareceram e gritaram “surpresa” em uníssono. Com os olhos arregalados e a mão tapando a boca, Theo estava admirado e incrédulo ao mesmo tempo.
— Eu não acredito! — Começou a rir descontroladamente enquanto recebia um abraço apertado de Chris.
— Parabéns, baixinho. — Beijou-lhe a testa.
— Nick! — Surpreendeu-se quando os amigos se aproximaram. — Ally!
O garoto abraçou Alison, seguido por Nicholas, que envolveu-os com os braços. Assim por diante Emmet e Michael também se juntaram, aconchegando-se no abraço em grupo.
— Você desconfiou de alguma coisa? — Christopher indagou-o, assim que deixaram Theodore respirar.
— Eu nem imaginava, nossa... — Suspirou. — Vocês me pegaram...
— Bom, a Susannah pediu desculpas por não poder vir... — Chris coçou a nuca. — Eu conversei com ela, mas confesso que fiquei com medo de que ela revelasse tudo para você.
— Ela não me disse nada! — Sorriu, logo após olhando para o casal que se aproximava. — Olha! Vocês também estão aqui!
— Parabéns, Theo! — Lucas abraçou-o com força e logo após apertou suas bochechas. — Eu sempre desconfiei que você era mais jovem...
O garoto riu, pedindo-lhe desculpas e Mark também o cumprimentou.
— Vamos começar essa festa, gente! O aniversariante chegou! — Emmet escandalizou.
Após todos caminharem até a sala, Christopher segurou o corpo de Theodore, trazendo-o para perto e o abraçou mais uma vez, longe de todos os outros olhares. Se beijaram, envolvidos no momento, se esquecendo de tudo ao redor.
Longe de todos os olhares até onde era possível, pois Alison espiava-os entusiasmada, pensava que todos os seus sonhos de fujoshi haviam se realizado ao ver uma história real de uma relação entre aluno e professor.
Guiaram-se abraçados até a sala e quando viram que todos os sofás estavam ocupados, Chris se sentou na poltrona enquanto Theo assentava-se no braço dela.
— Theo, tem um espaço vago aqui do meu lado. — Emmet sinalizou.
Quando o garoto fez menção em levantar, Christopher puxou-o pelo antebraço, fazendo Theodore cair em seu colo — que riu ao ouvir Emmet o chamando de ciumento.
As conversas prosseguiram novamente, Mark dividia uma bebida com Michael, Emmet e Chris falavam com o aniversariante, enquanto Nicholas ouvia a namorada conversar empolgada com Lucas.
Pouco tempo depois deram a iniciativa para Theo abrir os presentes, enquanto Michael filmava a pedido de Christopher. A primeira embalagem que o garoto abriu, revelou um bracelete marrom de couro, de Nicholas, a seguir foi o de Alison, que comprou-lhe uma regata com estampa listrada.
Michael lhe presenteou com um kit especial de chocolates, com uma coleção de várias porcentagens diferentes de cacau, Theodore ficou empolgado, com vontade de experimentar todos, mas colocou-o de lado para continuar abrindo os presentes.
O próximo era de Lucas, abriu a caixa e viu um lindo par de óculos de sol, que adorou logo de cara, o de Mark era um perfume italiano, passou um pouco em seu pulso para conferir o aroma e agradeceu, tinha se apaixonado pelo cheiro.
Faltava o presente de Emmet, o garoto retirou os laços e abriu a embalagem, logo todos do local começaram a rir imediatamente quando viram o que era. Theo segurou o riso, mas não por muito tempo.
— O que é isso?! — Perguntou Chris, horrorizado.
— Algemas de pelúcia, não tá vendo? — Emmet respondeu, com toda a normalidade.
— Eu sei, mas... — Continuou a rir. — Emmet! Não é a primeira vez que você dá presentes indesejados...
— Eu sei que vocês irão usar isso, não finjam que não... — Rolou os olhos. — E falando nisso, cadê a Dora?
— No quarto de hóspedes...
— Você a deixou sozinha lá?! — Levantou-se.
— Não tenho muito espaço, ela detona tudo que vê pela frente, não tive escolha.
— Dora? — Indagou Theo.
— A cachorra que eles me deram...
— Você não a conhece? Vou buscá-la. — Emmet caminhou ao quarto.
— Ah, Theo... — Christopher pegou a última caixa e lhe entregou. — Ainda não acabou, falta o meu presente.
Theodore abriu a tampa e seus olhos brilharam.
— É um medalhão, tá vendo essa fênix estampada? — Chris apontou o ornamento. — Ela tem uma história, Theo, você já ouviu?
O garoto sacudiu a cabeça negativamente, ainda fascinado pelo adorno.
— Quando a fênix de fogo morre, ela ressurge das suas próprias cinzas... — Todos pararam atentamente para ouvir. — E eu queria te dar algo que mostrasse não só o quanto você é forte, mas por ter me aceitado de volta, renascendo assim uma nova pessoa em mim.
Theodore enxugou discretamente a lágrima que escapou e Christopher pendurou a corrente em seu pescoço.
Se abraçaram em seguida, o professor o envolvia com tanta força a ponto de sentir as batidas aceleradas de Theo contra o seu peito. Beijou delicadamente pescoço do sardento e sussurrou-lhe ao pé do ouvido.
— Eu estava morto, foi você quem me salvou...
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