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65 Capítulo 65 — Festejando.
Notas iniciais
Capítulo 65 — Festejando.
— Então era só um engraçadinho do prédio que estava fazendo isso? Tá de sacanagem, né? — Theodore exclamou, irritado.
— Ele será punido por isso, não se deve assustar as pessoas, mesmo que seja só uma brincadeira, ele cometeu um crime. — Alba explicou. — Sinto pena da mãe dele.
— Fala sério... — O garoto soltou um muxoxo.
— Isso ainda é um pouco irreal pra mim. — Susannah afirmou. — Será que ele não mentiu aos oficiais que somente uma pegadinha? Será que ele não está realmente envolvido com o Sidney?
— Estão investigando, mas essa probabilidade é mínima, esse garoto não tem nem sinal de conhecer ele. — Suspirou. — É cada coisa que temos que aguentar...
— E você viu a cara dele, mãe?
— Me mostraram por trás do espelho, enquanto o interrogavam, é só um moleque.
— E o que você vai fazer agora, tia? — Susannah perguntou.
— Eu não vou fechar a ocorrência, por mais que a mãe dele possa achar ruim, quero que ele aprenda a ter responsabilidade sobre os seus atos.
— Se eu que não fiz nada de errado, acabei ficando em cárcere privado por uns sete meses, imagine o que você está pensando em fazer com esse cara... — O filho soltou uma risada.
— Theodore, eu não gosto que você toque nesse assunto.
— Desculpa, mãe, foi só uma brincadeira.
— Bom, mas o pior já passou. — A promotora arrumou os cabelos para trás. — Eu estou exausta...
— E eu não irei mais atrapalhar vocês, já fiquei o bastante. — Christopher se manifestou.
— Obrigada por nos dar apoio nesse momento. — Alba agradeceu.
— Eu fiquei preocupado, estou aliviado que agora que tudo está sob controle, mas qualquer notícia me mantenha informado. — O professor acrescentou.
— Iremos sim. — A promotora salientou. — Agora vou tomar um banho pra descansar um pouco, com licença.
— Me acompanha até a porta? — Chris pediu ao garoto.
— Não quer ficar mais um pouco mesmo? — Theo murmurou.
— Não posso, amor, além de que eu preciso trocar essa roupa. — Deixou uma risada escapar.
— Tá bom. — Entrelaçou o braço com o do professor, indo até a entrada.
— Ganho um beijo daqueles? — Perguntou, ao ficarem em frente a porta.
Theodore abriu um sorriso, ficando na ponta dos pés e enlaçando o pescoço de Christopher, o trazendo para um beijo demorado. De início suas línguas não participaram, mas conforme seus lábios se massageavam e mordiscavam-se, deixaram que elas os envolvessem ainda mais.
Susannah espreitou-se em um canto para os espionar, vendo-os com os olhos fechados e colados um no outro, com as mãos inquietas, que passeavam e arranhavam embaixo de suas camisas. Adorava ver cenas como aquela, mas os daria privacidade.
Foi então ao quarto de hóspedes, onde suas coisas estavam; a garota pegou sua mochila e abriu-a, pegando seu celular dali. Olhando pelo menu, abriu a galeria de fotos do aparelho e admirou por alguns minutos as imagens, muitas delas com Elizabeth e Theodore.
— Su? — Theo deu dois toques no batente da porta, antes de entrar.
— O Chris já foi?
— Sim. — Sentou-se na cama, ao lado da amiga. — O que está vendo aí?
— Só umas fotos.
Ele passou seus olhos pela tela do celular, logo dizendo:
— Você falou com a Lizzie, né?
— Falei. — Abaixou a cabeça.
— Posso perguntar como foi?
— Um desastre... — Desabou no ombro do amigo, suspirando.
— Mas você disse tudo o que precisava dizer?
— Sim, mas ela ficou chateada comigo.
— O que você disse?
— Ah, tudo aquilo que eu já tinha te falado, que não tinha certeza que queria aquilo pra mim, essas coisas... — Encarou o amigo novamente. — Eu tô me sentindo mal por ela ter tido a impressão de que eu estava a ignorando ontem...
— Bom, eu também ficaria magoado, seria impossível não ficar.
— Isso me ajudou muito. — Susannah o olhou com desdém.
— Desculpa, Su, mas é que eu não sei como ajudar. — Justificou. — Ela é a minha prima, não gosto de vê-la triste, só que eu também não quero te ver mal.
— Sei que você fica dividido, mas eu realmente não podia continuar com isso, foi melhor assim do que enganá-la, sabe?
— É, eu concordo.
— Você me ajuda a falar com ela? Não quero que nossa amizade se perca, eu gosto muito da Lizzie, Theo.
— Pode deixar comigo, vou tentar animá-la. — Sorriu.
— Eu queria que tudo tivesse sido diferente, eu queria ter tido coragem de falar com ela antes, eu poderia ter feito isso de outro jeito. — Bufou. — Fico mal quando me lembro da expressão dela de tristeza...
— Fica fria, tá? Vai ficar tudo bem.
— Espero que sim. — Ela deitou-se.
— Ah, você ficou sabendo do noivado do Emmet e do Michael? — O garoto mudou de assunto.
— A Alison me contou.
— A Ally?
— É, por quê?
— É que eu me esqueço que ela e o Emm estão bem próximos, mas então, o que mais ela te disse?
— Falou que eles pretendem se casar no final do ano.
— Disso nem eu sabia! — Animou-se. — Será que ela e o Nick serão padrinhos também?
— Como assim “também”?
— Ah, eu achava que tinha te contado que eu e o Christopher seremos os padrinhos deles.
— Sério?! Que máximo!
— Provavelmente será simbólico, mas acho que o que vale é a intenção. — Também se deitou, ao lado da amiga.
— E você e o Chris? Não pensam em se casar?
— Meu Deus, Susannah! — Riu alto.
— Ué, o que foi?! Não foi uma pergunta absurda...
— É só que eu não penso nisso, sei lá, acho um pouco irreal.
— Irreal? De novo com essa história? Vocês se amam poxa, tenho certeza que ele não pensa assim.
— Um dia, quem sabe? — Sorriu. — Mas eu ainda acho muito cedo.
— Olha só, você ficou todo vermelho! — Ela apertou uma de suas bochechas, gargalhando.
...♕...
Após alguns dias, Susannah partiu, somente depois da ida da garota, que Elizabeth tornou a visitar o primo, ele consolava-a, enquanto ouvia seus desabafos em relação a amiga. Theodore já havia se acostumado com as idas de Lizzie em sua casa, ficava até mais tranquilo em saber que a prima já estava superando Susannah — ou pelo menos era o que ela dizia.
Os dias do garoto começaram a se agitar a partir do momento que se matriculou na faculdade que desejava entrar, pois logo depois disso, Christopher lhe fez um convite para conhecer a sua irmã e sobrinha, queria aproveitar o seu tempo livre antes que suas aulas começassem.
Alguns minutos após Theo terminar de se trocar, recebeu uma mensagem do namorado, avisando de que já havia chegado ao prédio e que estaria o esperando no hall de entrada. Theodore se despediu de Alba e encontrou com Chris no térreo.
Se encaminharam até a casa de Avalon — que era poucos quilômetros de distância do prédio e ao chegarem, já eram esperados por ela na entrada da casa, com a pequena Chloe nos braços.
— Oi pequenininha do tio! — Christopher correu para agarrar a sobrinha, tomando-a em seus braços, após dar um beijo na bochecha de sua irmã.
— Não vai me apresentar a esse rapaz lindo? — Ela riu da empolgação do irmão com Chloe.
— Avalon, esse é o Theo. — Sorriu, enquanto fungava a sobrinha, sentindo o perfume suave da colônia para bebês. — Theo, essa é a Avalon.
— Então, esse é famoso Theodore? — Ela animou-se.
— De famoso não tenho nada. — O garoto riu, sem jeito.
— Vem, vamos entrar... — Avalon convidou-os.
— O chato do seu marido tá aí? — Chris perguntou, fazendo a irmã torcer a boca.
— O Greg tá sim, mas deixa ele ouvir isso...
Theo riu da maneira que o namorado falava com a mulher, pensando em como seria diferente uma vida tendo uma irmã ou irmão.
— Quer segurá-la um pouco? — Avalon indagou ao garoto, quando Christopher devolveu Chloe.
— Eu gostaria, mas não levo jeito... — Theodore respondeu, timidamente.
— Veja como esse meu braço está passando por baixo do corpo dela, não deixando que a coluna dela fique torta, tá vendo? É simples...
Tomando coragem, Theo recebeu Chloe, que pareceu sorrir após ser acomodada em seus braços. Era tão pequena e conseguia esbanjar tanto charme; trajava um vestido rodado e um laço grande na cabeça, ambos na cor vermelha, que conseguiam deixá-lo ainda mais encantado por ela.
Pensando bem, uma vida com uma irmãzinha ou irmãozinho não poderia ser tão ruim.
...♕...
Algumas semanas depois, início de julho.
— Sim, eu já comprei as decorações. — Christopher afirmou, ao telefone. — Eu e o Theo já começamos a arrumar aqui...
— Tá certo, chegamos em cinco minutos, até daqui a pouco. — Michael concluiu, logo desligando a chamada.
— Espero que eles não atrasem. — Chris guardou o celular, retomando a cerveja em mãos.
— Qualquer coisa paramos por aqui e deixamos que eles arrumem o resto. — Theodore soltou uma risada.
— Você é um gênio. — Aproximou-se do garoto e o agarrou pela cintura. — Quer ouvir música?
— Não era bem isso que eu estava pensando em fazer, mas...
— Eu sei bem no que você estava pensando em fazer. — Christopher viu um sorriso travesso se formar no rosto do garoto.
— Me dá um gole? — Theo pediu, apontando para a garrafa que o namorado segurava.
— Só não fala pra sogra. — Riu, entregando-lhe.
— Não vou. — Tomou a cerveja de suas mãos.
— O que quer ouvir? — Chris caminhou até o seu novo som estéreo e o ligou. — Ou não quer ouvir nada?
— Pode escolher. — Theodore se sentou no sofá, dando o primeiro gole na garrafa.
— Então vou colocar nessa estação que só toca os sucessos de antigamente, quando você nem era nascido.
— Falou “o” idoso. — Gargalhou.
— Há-há. — Mostrou a língua, se aproximando dele.
— Me dá um beijo então, ancião da barba branca. — Theo puxou-o para seu colo.
Christopher pôs uma perna em cada lado do corpo do garoto, ajeitando-se sobre ele e beijando seus lábios, saboreando o gosto da cerveja de sua língua.
Theodore segurava a garrafa com uma mão e com a outra tocava a nuca de Christopher, enquanto deliciava-se de sua boca, apreciando seus lábios carnudos. Subiu os dedos para os seus cabelos, ouvindo grunhidos escaparem dos lábios do professor, entre o beijo.
— Que gemidos são esses? — Theo riu baixinho.
O interfone tocou e Chris se levantou no mesmo instante, com um sorriso sacana.
— Ah, é injusto eles chegarem bem agora... — O garoto reclamou, o seguindo até a entrada. — Ainda quero que me responda mais tarde, hein?
— Pode deixar. — Christopher roubou-lhe um beijo antes de abrir a porta.
— Espero que não tenhamos atrapalhado nada. — Emmet se manifestou, assim que passou pela porta, acompanhado de Michael.
— Por que acha que sempre estamos fazendo algo obsceno? — Chris indagou.
— São só palpites. — Emmet falou, olhando Theodore dos pés à cabeça, passando os olhos vagarosamente na região genital.
Theo puxou a barra camiseta ainda mais para baixo, tentando cobrir o volume na bermuda.
— Então vamos, temos muito trabalho pela frente. — Christopher voltou para a sala onde o noivado aconteceria.
Todos o acompanharam e quando Michael olhou em volta, viu a diferença no cômodo, o amigo havia afastado os sofás, abrindo mais espaço e começado a decorar, espalhando algumas velas e vasos de flores.
— Olha só, ficou muito bom! — Emmet elogiou.
— Falta só ver o que vocês querem que eu faça com a mesa de centro, se querem deixar aqui ou não, vocês decidem. — Chris concluiu.
— Acho que ela pode ficar. — Michael encarou a pequena mesa. — O que acha, Emm?
— Também acho que ela fica boa aqui.
— E essa música que está tocando, é no CD? — Michael perguntou.
— Não, é daquela estação de músicas antigas, quer que eu troque?
— Ah, sei qual é, às vezes eu ouço, pode deixar tocando porque eu adoro.
— E o bufê, já chegou? — Emmet indagou.
— Já falei com eles, estão vindo. — Christopher afirmou.
— Bom, vocês deram uma bela adiantada, o que nós podemos fazer agora? — Michael inquiriu.
— Ah, falta ver onde os convidados vão ficar, se querem que todos fiquem nessa sala, ou se é melhor irem ao quintal, porque tem bastante espaço lá fora, além das mesas que eu aluguei.
— Não precisava se preocupar tanto... — Emmet ressaltou.
— Tenho que me preocupar sim, se esse noivado não ficar impecável, sua mãe corta minha cabeça fora. — Chris soltou uma risada.
— É, ela está mais ansiosa para isso do que a gente! — Emmet o acompanhou nas risadas. — Imagine quando for o casamento! Quero nem pensar nisso.
— Olha só o que começou a tocar... — Michael avisou, ouvindo a introdução de piano da música.
— É I Will Survive?! Eu não creio, é o meu hino! Eu preciso de um microfone!
— Toma isso. — Theodore entregou-lhe a garrafa de cerveja já vazia, em meio a risos.
Emmet tomou a garrafa em mãos e começou o seu show, fazendo-a de microfone, cantando juntamente à cantora. Michael também cantava, enquanto Chris puxava Theo para dançar; o garoto gargalhou, subindo com o namorado na mesa de centro quando a parte agitada da música começou.
Ambos mexiam os corpos no ritmo da música, enfeitiçados pelo hit dos anos oitenta, não deixando de cantarolarem e escandalizarem no refrão. Enquanto os noivos cantavam, riam com a agitação dos amigos em cima da mesa.
Emmet aumentou o som, tornando a farra ainda maior, empolgando-se e assim chamando Michael para subirem no sofá.
Theodore tinha suas mãos levantadas para o alto pelo namorado, que sacudiam-nas com as batidas do som, cantando cada vez mais alto com ele. O garoto não conseguia parar de rir, já sentindo o corpo esquentando, começando a transpirar, já perto do fim da música.
Pulavam sobre a mesa sem o medo de quebrá-la, ainda empolgados, fazendo finalmente o grand finale.
— Mãe?! — Theo assustou-se.
— A porta estava aberta então eu entrei. — Alba falou, segurando um riso. — Estou aqui desde o começo do show.
— Desculpe a nossa empolgação. — Christopher desceu da mesa, abaixando o som do rádio.
Chris sentia as bochechas em chamas, não pelo cansaço da dança, mas sim pelo constrangimento. Logo tratou de disfarçar, apresentando os amigos para a sogra:
— Alba, esses são Emmet e Michael, serei o anfitrião deles essa noite.
— É um prazer conhecê-los. — A promotora sorria, acenando.
— O Mikey tem medo de você. — Emmet revelou.
— Como? — A promotora assustou-se.
— Ele está brincando. — Michael cutucou o noivo pelas costas.
— É uma piada interna nossa. — Emmet contornou a situação, abrindo um sorriso traquina.
— Bom, eu não mordo. — Alba riu, caminhando até o filho, lhe entregando uma sacola. — Eu já vou indo, só vim trazer as roupas que pediu.
— Valeu, mãe.
— Você não quer ficar? — Christopher perguntou à mulher.
— Não posso, já marquei de sair com minha irmã.
— Tá certo.
— Mais tarde eu volto pra buscar o Theo, já que ele não quis vir de carro...
— Eu quero beber, mãe, já te disse.
— Mas você sabe que nem deve, né? — Soltou um muxoxo. — Você não tem jeito mesmo. Fica de olho pra ele não passar da conta, Chris?
— Pode deixar. — O professor riu.
A mulher apertou o nariz do filho e se despediu, sendo acompanhada pelo genro até a porta.
— Que história foi aquela de que eu tenho medo dela, Emm? — Michael reclamou com o noivo.
— Eu só tava brincando! — Emmet ria. — Mas olha, ela não parecia ser a mesma mulher que vocês viviam falando.
— Eu assumo que minha mãe mudou muito nessas últimas semanas. — Theodore afirmou.
— Meu Deus, que vergonha... — Christopher retornava.
— Ela disse alguma coisa da nossa empolgação com a música? — Theo perguntou.
— Não, ainda bem, mas não quero nem imaginar o que ela deve estar pensando agora.
— Quatro viados em uma sala, não podia sair coisa que preste disso, né, gente? — Emmet gargalhou. — Ainda mais quando começa a tocar I will survive.
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