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64 Capítulo 64 — Aceitando.
Notas iniciais
Capítulo 64 — Aceitando.
— Sério, eu não gostei desse filme. — Elizabeth reclamou. — Só porque ele estava paraplégico, não deveria ter feito aquilo com ela...
— Eu chorei horrores. — Susannah afirmou.
— Mas eu entendo o ponto de vista do cara, poxa, ele se sentia um fardo pra todo mundo... — Theodore contornou.
— Quero esquecer que vi esse filme. — A prima reclamou mais uma vez. — O que vocês querem fazer agora?
— Eu tava pensando em passar na loja de doces, o que vocês acham? — O garoto perguntou.
— Eu quero! — A amiga entusiasmou-se.
— Eu topo também. — Lizzie concordou.
Conforme saíam da área do cinema e passavam pela bilheteria, caminhavam pelo shopping em busca da loja de guloseimas. Susannah percebia o olhar constante de Elizabeth sobre si, isso a deixava sem graça, mas mesmo assim, tentava não esboçar expressão alguma.
Theodore também se sentia um pouco incomodado em estar no meio das duas, principalmente por saber o que acontecia com a amiga e não poder revelar para a prima, pois sabia que teria que deixá-las se resolverem sozinhas.
Chegaram na loja e assim entraram, animados. O garoto olhava tudo em volta, com os olhos brilhantes, enquanto Elizabeth continuava a admirar Susannah.
— Olha isso, Su! — Theodore apontou para uma infinidade de cores de alcaçuz. — Quero todos!
— Eu acho que vou sair daqui com uns dez quilos a mais. — A amiga respondeu, rindo.
— Como se isso fosse fazer diferença com esse corpo de tábua que você tem. — O sardento mostrou a língua para ela.
— Ei! Isso é bullying!
Elizabeth continuou os assistindo, até o primo se aproximar, reparando o seu estado.
— O que foi, Liz? — Sussurrou.
— Nada, Theo, por quê?
— Você parece triste.
— Eu tô legal.
— Certeza? — Insistiu.
— Aham.
— Então vem, vamos comprar uns doces pra melhorar essa sua cara...
Susannah reparou o momento que o garoto se aproximou de Lizzie e cochichou, ficando curiosa para saber o que estavam falando.
Examinaram as várias estantes abarrotadas de guloseimas juntos, com variados tipos de chicletes, balas, pirulitos, biscoitos e tudo o que amantes de doces poderiam imaginar. Theodore nunca se sentiu tão perdido e feliz ao mesmo tempo, olhava para uma das fileiras de chocolates, vendo tanta diversidade que queria levar tudo e de todos.
— Su, o que você acha de levar esse aqui para o Chris? — Ele mostrou uma caixa de chocolates em formato de coração.
— Chocolate belga com recheio cremoso de chocolate branco e coberto com amêndoas... — Susannah leu a embalagem que o amigo mostrava. — Parece muito bom, acho que ele vai gostar, caso não goste, me dê, adoro amêndoas!
— Eu compro uma pra você também, gulosa. — Riu. — Mas acho que ele vai gostar sim, na casa dele tem dessas coisas, sabe? Nozes, amêndoas, amendoim...
— Então ele com certeza vai gostar!
— Acho que eu já tenho tudo o que preciso. — Elizabeth se aproximou, com poucas coisas em sua cestinha de compras.
— Eu também acho que já me decidi. — Theo colocou duas caixas daquele chocolate em sua cestinha, além dos muitos outros doces que havia pego. — Querem ir para onde depois?
— Por mim, qualquer coisa que decidirem está bom. — Lizzie seguiu-os até os caixas.
— Querem ir lá pra casa? — O garoto inquiriu.
— Pode ser. — A prima concordou.
— Quer ir em algum lugar, Su?
— Não, Theo, por mim podemos ir também.
Passaram as compras e do shopping saíram, rumo ao prédio novamente.
— Então, o Chris vai vir pra cá mais tarde? — Susannah perguntou, ao saírem do elevador, chegando na cobertura.
— Ele tá na casa da irmã dele agora, tá passando a tarde lá, mas daqui a pouco ele vem.
— Ele deve estar babando na Chloe, né?
— Você nem imagina como. — O garoto riu, retirando as chaves do bolso e assim abrindo a porta de entrada.
— Você já a conheceu pessoalmente? — A amiga perguntou, enquanto ele encostava a porta, após entrarem.
— Ainda não, mas ele diz que a Avalon quer muito me conhecer, não sei o porquê.
Ao chegarem na sala de estar, perceberam conversas vindas do quarto de Alba e com curiosidade, caminharam até lá, vendo a porta aberta; Molly conversava com a promotora, que aparentava nervosismo em seu olhar.
— Mãe? O que você tá fazendo aqui? — Elizabeth indagou.
— Eu a chamei. — Alba respondeu. — Uma coisa muito séria aconteceu...
— Ai meu Deus, não me fala que alguém morreu. — Theodore falou, apreensivo.
— Não, não é isso, mas talvez estejamos em perigo. — A promotora pegou a carta de mais cedo e a entregou para o filho.
Quando os três terminaram de ler, arregalaram os olhos, não sabiam nem o que dizer. Theo tinha sido mais afetado por aquelas palavras, seu queixo tremia e sua respiração havia ficado pesada.
— Não pode ser, esse cara tá preso, ele não... Ele não pode sair de lá né? — Perguntou, ainda espantado.
— A minha única conclusão até o momento foi que ele provavelmente enviou alguém para entregar isso, no entanto, não sei o que pensar a respeito de como ele teria ficado sabendo da gravidez.
— Isso não pode estar acontecendo...
— Você já foi à delegacia? Já ligou pra polícia, tia? — Lizzie preocupou-se.
— Sua mãe foi comigo até lá, eles vão analisar o caso, vão entrar em contato com a segurança do prédio para pegarem as imagens das câmeras e em até uma semana vamos saber quem fez isso. A minha única certeza é que na cadeia ele está e de lá ele não sai tão cedo.
— Uma semana? Ele provavelmente vai enviar alguém pra nos matar até lá. — O garoto exclamou.
— Theodore! — A promotora o repreendeu. — Não diga essas coisas.
— Prometeram que iriam reforçar a segurança aqui no condomínio. — Molly afirmou.
— Mas eu não confio nele, o Sidney é capaz de tudo, se enviou alguém para nos atormentar com isso, não foi à toa... — Theo continuou.
— Eu só penso em qual seria o propósito dele pra fazer isso. — Susannah acrescentou.
— Ele é maluco, não precisa de um propósito. — Theodore retrucou.
— Bom, precisamos manter a calma e esperar essas imagens pra ver quem está fazendo isso. — Molly aconselhou.
— Eu só não sei como vou conseguir dormir em paz essa noite... — Alba massageou as têmporas.
— Se você quiser, eu posso te fazer companhia a noite. — Susannah se aproximou da promotora, sorrindo. — E para o bebê também.
— Eu adoraria, Su. — Segurou a mão da garota.
— Alguém quer chá? — Molly perguntou, ouvindo a chaleira apitar.
— Eu vou precisar. — Alba admitiu.
Ao chegarem todos à cozinha, a tia de Theo preparou as canecas e o açúcar, passando o chá para um bule de porcelana, após o deixar em infusão.
— O que vocês compraram? — Alba questionou, ao ver as sacolas sobre o sofá.
— Doce, doce... E mais doce. — O filho respondeu, rindo.
— Não vá comer tudo de uma vez, hein?
— Pode deixar, só a metade.
— Não brinca com essas coisas. — Soprou a caneca, antes de dar o primeiro gole. — Então, o Christopher virá hoje?
— Ele vem sim.
— Quem é esse? — Molly indagou.
— Meu namorado, tia.
— Ah, verdade! Alba comentou comigo... É aquele bonitão que tá com você na sua foto de perfil?
— Ele mesmo! — Theodore riu alto.
— Você tem sorte.
— Eu sei. — Deu um sorriso envergonhado.
Susannah também pegou uma caneca com chá, sentando-se na banqueta ao lado do amigo, apoiando-se no balcão. Os papos continuaram, logo distraindo Alba dos pensamentos inoportunos sobre Sidney, que era o que ela mais precisava naquele momento.
— A Liz era uma criança terrível, Deus me livre, ainda bem que hoje ela se aquietou na dela. — Molly recordou-se da infância da filha. — Mas o Evan é igualzinho.
— O Theodore sempre foi um amor de menino, só fazia bagunça quando o pai o chamava para brincar, aí eles faziam a farra em casa, deixando um rastro de brinquedos por onde quer que passassem.
— É impressão minha ou você está me elogiando? — O garoto ergueu uma das sobrancelhas.
— Você acha que eu só sei falar mal? Mães também elogiam os filhos...
— Raridade. — Riu. — Mas eu me lembro de todas as vezes que o papai tentava me ensinar a jogar futebol, fazer embaixadinhas... Nada funcionava, até hoje eu não sou bom.
— Eram bons tempos, tenho muita saudade disso tudo. — A promotora sentiu os olhos lacrimejarem.
— A vida tem os seus planos traiçoeiros. — Molly tentou confortá-la com um sorriso meigo.
Theodore beliscava um dos cookies quando ouviu o interfone da portaria, todos na cozinha se perguntavam quem era enquanto ele corria para atender. Confirmou o nome de Christopher com o porteiro e permitiu a subida do visitante.
O garoto esperou ansiosamente a porta do elevador se abrir e recebeu o namorado com um abraço apertado ao vê-lo, depois, ainda agarrados, foram juntos até a entrada.
Theo o pegou de surpresa com um beijo demorado, antes de o guiar para onde todas as mulheres se encontravam. Conforme se aproximavam da cozinha, Chris elogiava o apartamento, maravilhando-se da vista e do requinte.
— Boa noite, Alba, Elizabeth, Susannah... — Christopher cumprimentou-as.
— Essa é a minha tia Molly, mãe da Lizzie. — Theodore apresentou-a.
— Prazer, Molly. — Christopher sorriu.
— O prazer é todo meu. — A mulher retribuiu. — Ouvi bastante ao seu respeito.
— Espero que nada ruim. — Riu, um tanto envergonhado.
— Só coisas boas.
— Aceita um chá? — Alba ofereceu.
— Não, obrigado. — Recusou. — Acabei de sair da casa da minha irmã, ela não me deixa sair de lá até estar estufado de comida.
— Minha avó é igualzinha. — Susannah riu.
— Theo, você quer mostrar a carta a ele? — A promotora sugeriu, seriamente.
— Que carta? — O professor perguntou.
— Ah, Chris, é que aconteceu uma coisa hoje... — O garoto iniciou. — Eu acho melhor você ler do que eu falar.
— Calma, gente, assim vocês matam ele do coração! — Elizabeth exclamou.
— Eu vou pegar. — Alba caminhou até seu quarto e em pouco segundos retornou. — Aqui está.
— Lê isso e me diz o que você acha. — Theodore pediu.
Christopher segurou o papel e passou os olhos por ele duas ou três vezes, para ter a certeza do que estava lendo, não conseguindo entender aquela atrocidade.
— Mas o que é isso?
— Nem nós entendemos. — Theo ergueu os ombros.
— Isso é um absurdo. — Chris passou a mão pela testa. — Como ele soube que vocês estão morando aqui? E a gravidez?
— Esse é o grande mistério. — Alba gesticulou afirmativamente. — Já recorremos à delegacia, eles estão investigando, vão avaliar as imagens de segurança do prédio e em até uma semana saberemos quem está por trás disso.
— Ao menos nos deram certeza que ele está preso. — Theodore pegou mais um cookie.
— É um presídio de segurança máxima, ficamos tranquilos, mas isso não impede que ele tenha mandado alguém. — A promotora concluiu. — Vão aumentar a segurança no prédio e ainda assim não me sinto segura.
— Eu concordo, todo cuidado é pouco nesse tipo de situação. — O professor devolveu a carta.
— Bom, gente, eu vou indo, tenho que pegar o Evan na mamãe. — Molly afirmou.
— Manda um abraço pra ela por mim. — Alba deu um beijo no rosto da irmã. — E ah, evite falar sobre a carta, não quero que ela fique preocupada...
— Não falarei. — Concordou. — Vamos, Lizzie?
— Ah, mãe... Eu queria ficar.
— Já está ficando tarde, Elizabeth.
— Se quiser, ela pode dormir aqui. — A promotora sugeriu.
— Sério, tia?!
— É claro que sim, tem bastante espaço aqui.
— Ela não vai te atrapalhar, Alba?
— Ela já está grandinha, não me dá trabalho algum. — Riu.
— Certo, então qualquer coisa me ligue, tá?
— Fica tranquila.
— Então vou indo. — Despediu-se mais uma vez.
A irmã a acompanhou até a porta e logo depois retornou, enchendo mais uma caneca de chá.
— Vocês querem assistir algum filme? — O garoto indagou.
— Eu topo. — Susannah aceitou.
— O que vocês querem ver? — Theo guiou-se para a sala, dando alguns passos ao lado.
— Qualquer coisa é melhor do que o filme que vimos hoje... — Elizabeth reclamou.
— É mesmo, vocês foram ao cinema, né? — Christopher lembrou-se. — E o filme, como foi?
— Uma bosta. — Lizzie retorceu o nariz.
— Não foi tão ruim assim. — Susannah contornou.
— Ah, eu gostei do filme, mesmo sendo dramático. — Theodore explicou.
Elizabeth se sentou em um dos sofás e Susannah se ajeitou na outra ponta, com Alba as separando, enquanto Chris e Theodore se sentavam em outro sofá, com dois lugares, depois do garoto ter pego as sacolas de compras de cima dele.
— Comprei uma coisa pra você... — Theo retirou a caixa de chocolates em forma de coração de dentro de uma das sacolas. — Espero que goste.
— Divide comigo? — O professor perguntou, após o agradecer com um beijo.
Alba tentava ignorar os beijos do filho no outro sofá, enquanto passava os canais da televisão, procurando um filme para assistirem.
— Tia, quer um chocolate? — Elizabeth perguntou.
— Não meu bem, obrigada.
— E você, Su, quer?
— Não, vou pegar alcaçuz.
Theodore pouco se importava com os canais que a mãe procurava, beijava Christopher ao mesmo tempo que derretia o chocolate na boca, deliciando-se dos lábios do namorado e das amêndoas ao mesmo tempo.
Assim que o filme foi escolhido, Theo desligou as luzes e voltou a se sentar ao lado de Chris, envolvendo-o com os braços e dando beijos leves em sua nuca, fazendo uma trilha de volta à sua boca.
— Quer mais chocolate? — O garoto indagou, com a voz abafada pelo beijo.
— Quero só sua boca. — Christopher respondeu, sugando seus lábios doces para si.
— Agora é a minha vez de repetir o que você sempre diz pra mim... — Theodore murmurou.
— O quê? — Perguntou, em baixo tom.
— Que você poderia passar a noite comigo... — Sussurrou, perto do ouvido do professor, aproveitando para dar uma leve mordida em sua orelha.
— Não posso, sua mãe já deve estar querendo me matar... — Falou em voz baixa, sentindo as mãos de Theo descerem por seu ombro, tomando sua boca novamente.
— Só por estarmos agarradinhos? Não se preocupa não, bobinho... — Riu entre o beijo. — Vem, deita aqui.
A pedido do Theodore, Chris esticou o corpo e repousou sua cabeça sobre o colo do garoto, sendo mimado com massagens em seus cabelos.
...♕...
— Já vou indo, obrigada pelo café da manhã, tia. — Elizabeth agradeceu. — Tava tudo uma delícia.
— Quanta pressa, não quer ficar mais um pouco? — Alba questionou.
— Minha mãe já está me esperando lá embaixo.
— Você vai voltar mais tarde? — Theodore perguntou.
— Talvez amanhã eu venha, por hoje vou deixar vocês em paz. — Ela sorriu.
Após escovar os dentes e lavar o rosto, Christopher saiu do quarto do garoto, encontrando-se com ele na cozinha.
— Também já me despeço. — O professor iniciou.
— Como assim? Não vai tomar o café da manhã com a gente? — Theo entristeceu-se.
— Já me aproveitei demais passando a noite aqui. — Riu fraco.
— O quê? Nada disso, faço questão que sente aqui conosco. — Alba afirmou. — Theodore, sirva ele enquanto eu vou com a Liz até a porta.
— Ordens da sogra. — O garoto deu um sorriso travesso, pegando um prato para o namorado.
— Posso descer com você? — Susannah perguntou a Elizabeth, que gesticulou positivamente com a cabeça.
A promotora abriu a porta de entrada e deixou que as duas meninas fossem até o elevador, logo voltando para a cozinha com o filho e o genro.
A prima de Theo não sabia o que pensar, formulava frases mentalmente, já se preparando para o que Susannah provavelmente lhe falaria. O silêncio permaneceu até a porta do elevador se fechar, que foi o momento de Elizabeth respirar fundo e dizer:
— Olha, não precisa me dizer nada, tá bom?
— Oi?
— Eu sei que você tá pensando em um jeito meigo de me dar um fora, mas eu te poupo disso.
— O Theo te falou alguma coisa?
— Se você está perguntando isso, eu provavelmente acertei o palpite. — Sorriu com o canto dos lábios, esboçando uma expressão derrotada.
— Olha, Liz...
— É sério, Su. — Encarou-a. — Eu sei que você não tá afim de mim, você deixou isso na cara ontem, quando fingiu que não me conhecia durante o dia todo.
— Não foi bem assim!
— Ah, não? — Ergueu uma das sobrancelhas. — Olha, mesmo que você estivesse falando diretamente comigo, era como se tivéssemos regressado tudo o que já passamos... Você fingia que éramos somente amigas, nada mais.
— Eu não queria te magoar, não sabia como agir, porque não tive coragem de te falar isso antes!
— Não precisa. — Concluiu, vendo a porta do elevador se abrir.
— Me desculpa! — Segurou no braço de Elizabeth. — Por favor.
— Eu não tenho o que desculpar, Susannah, não tem nada de errado em se arrepender de algumas decisões.
— Eu não queria que fosse assim, eu queria ter mais tempo pra te explicar! — Saiu do elevador, a seguindo.
— Teremos tempo pra isso, mas por enquanto, eu só preciso ir pra casa...
— Lizzie, é sério...
— Não se sinta mal por mim, tá bom? — Elizabeth salientou. — Não é a primeira vez que isso acontece comigo, então eu vou ficar bem.
— Você não vai parar de falar comigo, vai?
— Não posso prometer que serei a melhor amiga do mundo pra você, mas eu não vou fingir que você não existe só por você não gostar de mim.
— Perdão... Eu deveria ter falado isso antes, mas achei que falar pela internet seria ruim.
— Você estava certa, foi melhor me ver pessoalmente para fingir que não me conhecia.
— Desculpa, eu não queria passar essa impressão pra você...
— Fica fria, eu entendo.
— É sério, deixa eu te explicar...
— Minha mãe tá me esperando, Su.
— É rápido!
— Então diga.
— Você é ótima, eu adoro você, mesmo! Mas eu sinto que isso não é pra mim, só de pensar em viver algo desse tipo para o resto da vida, eu não consigo me imaginar feliz, dá pra entender?
— Eu não estou entendendo as suas metáforas: “isso” algo “desse tipo”, por que não ser logo específica e dizer que você não é bissexual, nem lésbica?
— Porque soa um pouco frio...
— Não, Susannah, o que ofende mesmo é usar termos vazios.
— Eu não queria te magoar, queria saber falar de uma forma o que eu sinto sinceramente por você, que é mais do que uma amizade, mas não sei se é um relacionamento amoroso.
— Especifique-se.
— Não dá! Eu gosto de você, eu te amo, mas não desse jeito! Você é uma ótima pessoa, Liz, eu não quero que isso nos afete.
— Eu te prometo, não vai. — Mordeu o lábio, segurando o choro.
— Tá bom, fico mais aliviada com isso.
— Tenha um ótimo dia, Su.
...♕...
Naquela mesma tarde, a promotora ouve o seu celular tocando e o pega no mesmo instante, atendendo:
— Alô?
— Sra. Brandford?
— Ela mesma.
— Aqui é o oficial Turner, temos notícias a respeito das imagens da segurança de seu prédio e do suspeito, gostaríamos de convocá-la à delegacia, assim que possível.
— Estarei aí hoje mesmo, Sr. Turner.
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