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55 Capítulo 55 — Retorno.
Notas iniciais
Capítulo 55 — Retorno.
— E aí, Theo? Ele te ligou? — Susannah perguntava ao amigo, assim que se sentaram à mesa para o café da manhã.
— Ligou. — Abriu um largo sorriso.
— E o que vocês conversaram?
— De tudo! Inclusive, desligamos tem pouco tempo, passamos a madrugada inteira conversando...
— Sério?! — Ela gritou, exaltando a animação.
— Cuidado. — Sussurrou. — Eu não quero que seus pais ou a Gio fiquem sabendo.
— Tá bom. — Passou os dedos sobre a boca como se a fechasse igual zíper. — Mas me conta, vocês chegaram a ter algum assunto, sabe... Íntimo?
— Nós estamos na seca tem um milênio, Su, o que você acha que falamos ao telefone?
— Sei lá, eu espero de tudo, até sexo por telefone.
— Acertou. — Mordeu o lábio.
— Não creio! — Exclamou.
— Fala baixo. — Insistiu mais uma vez. — Mas sim, é verdade, acabou que foi inevitável, eu fiquei excitado só com a voz dele.
— Eu achei que nada poderia me surpreender mais. — Ela encheu um copo de suco. — E aí você me aparece com uma fofoca dessas!
— Pode parecer esquisito, Su, mas foi incrível. — Pegou um biscoito. — Ouvir o gemido dele de novo depois de tanto tempo foi, uau.
— Do jeito que você suspirou agora, imagino. — Ela riu.
...♕...
Christopher olhava para o teto branco do quarto, pensando na conversa com o garoto, que tinha lhes custado uma noite de sono. Porém, um sorriso dominava seus lábios, seu coração ainda palpitava de felicidade, não se importava por não ter dormido.
Mesmo se recusando a pegar no sono, o cansaço já pesava suas pálpebras, sendo praticamente impossível não tirar uma soneca.
Chris acordou com o interfone tocando, assustado também com os latidos de Dora. Se levantou da cama e pegou a pequena cachorra no colo, descendo as escadas com ela em mãos.
Caminhou até a porta de entrada e já conseguiu ouvir vozes familiares, abriu-a e recebeu os amigos.
— Surpresa! — Emmet escandalizou.
— Já almoçou? — Michael perguntou, segurando duas caixas de pizza.
— Não, acordei agora. — O professor respondeu.
— Dá para ver mesmo, tá com a cara amassada. — Emmet brincou.
Foram até a cozinha e Michael colocou as caixas sobre o balcão, falando:
— Espero que tenha cerveja aí, porque não nos lembramos de comprar.
— Tenho, bem geladas. — Christopher colocou Dora ao chão e retirou três garrafas de dentro da geladeira. — Mas então, ao que se deve essa visita com direito a pizza?
— Você sabe, estamos curiosos para saber o que houve ontem no casamento...
— Deu tudo certo. — Chris lavou as mãos antes de abrir as cervejas. — Ninguém pegou a gente, pudemos conversar bastante.
— É sério mesmo? Você estava há uns sete meses sem ver o Theo e ficou somente conversando com ele? Cadê o Christopher de antigamente que arregaçava esse garoto sete dias por semana?
— Emmet! — O professor riu alto. — De qualquer forma, eu não disse que ficamos somente conversando, disse?
— Acho bom!
— Nós nos beijamos mais do que conversamos praticamente, infelizmente não saímos da zona do beijo, mas já foi incrível...
— E sobre você dar seu celular para ele? Deu certo? — Michael perguntou.
— Sim, viramos a noite conversando inclusive. — Deu um gole na cerveja. — Ah! E vocês não sabem... Ele me mandou umas fotos que olha, meu queixo foi parar no chão.
— Que tipo de fotos?! Ele te mandou nudes?! — Emmet indagou, curioso.
— Fotos nu, não, mas me mandou umas fotos sem camisa que, meu Deus! O corpo dele tá incrível!
— Quero ver! — Emmet pediu.
— Que história é essa? — Michael fingiu ciúme. — Não vai ver corpo do macho dos outros, nem pensar, Sr. Emmet.
— Idiota! — O namorado gargalhou.
Christopher tirou o celular antigo do bolso, abrindo as fotos de Theodore na galeria.
— Vejam. — Entregou o aparelho na mão dos amigos.
— Meu pai amado! — Emmet arregalou os olhos. — Esse garoto mudou da água para o vinho! Eu pegava.
— Pegava o cacete, Emm, tira os olhos do meu homem. — Chris riu alto.
— Ele tá bem bonito. — Michael elogiou. — Deve ter se esforçado muito.
— Era isso ou ficar louco por não ter o que fazer dentro da própria casa. — Emmet pensou.
— Realmente, ele malhava todo dia. — Christopher concordou.
— Ei, é impressão minha ou sua casa é mal assombrada? — Michael observou uma caixa de papelão se movimentar pelo chão em direção a eles.
— Filha! — Chris gargalhou, caminhando até a caixa e a levantando, revelando Dora por baixo dela. — Como foi parar aí, hein, danada?
...♕...
Algumas horas depois do café da manhã, Theodore e Susannah juntaram-se na sala de estar para um filme que Megan e James escolheram. Gioconda preparou pipoca e assim a levou para eles.
Poucos minutos depois do filme começar, ouviram a campainha e ficaram curiosos para saber quem seria. A governanta atendeu a porta e levou a visitante até a sala de estar.
— Lizzie! — Theodore se animou ao ver a prima. — Vem, senta aqui com a gente!
Elizabeth os cumprimentou e tirou as sandálias, juntando-se no sofá em meio ao garoto e a Susannah. A prima sentiu os braços da amiga de Theo atrás de seu pescoço, como se quisesse a aproximar de seu corpo.
O coração de Lizzie acelerou com a proximidade, deixando um sorriso escapar por seus lábios, laçando a cintura de Susannah. Theodore notou que as duas ficaram ainda mais próximas, não conseguindo disfarçar a expressão sugestiva.
Megan e James estavam no outro sofá, abraçados, olhando para a tela, enquanto apreciavam a pipoca. Theo agarrou uma das almofadas por não ter quem abraçar, se sentia como se estivesse segurando vela.
Assistiram ao filme durante quase duas horas completas, quando viram as notas finais, James foi o primeiro a se levantar, se esticando.
— Ah, até que eu gostei do filme, mesmo o final parecendo que terá uma continuação. — Theodore comentou.
— Eu também gostei. — Susannah afirmou. — Mas tô com fome...
— E se saíssemos para comer? — Megan sugeriu.
— Eu quero, mãe!
— Vamos, amor? — A mulher indagou ao marido.
— É uma boa. — James concluiu.
— Quer sair com a gente, Elizabeth? — Megan convidou.
— Eu adoraria!
Assim se levantaram e avisaram Gioconda que não precisaria se preocupar em preparar o almoço, pois iriam comer fora. Trocaram de roupa e se arrumaram, partindo para um restaurante que Theodore indicou.
Após chegarem ao local, fizeram seus pedidos e jogaram conversa fora; falaram sobre o casamento, da comida, das músicas que tocaram durante a festa e até mesmo sobre o local que Alba tinha escolhido para passar a lua de mel.
Chegaram os pratos de cada um, pediram uma segunda rodada de bebidas e ainda aproveitaram para pedirem a sobremesa.
Quando estavam totalmente saciados, voltaram para a casa animados, cantando no carro as músicas mais conhecidas da estação de rádio. Estacionaram e assim desceram, rindo das maluquices da cada um.
— Esses sapatos estão me matando! — Megan reclamou, quando entraram na casa.
— Por que você os usa então? — Susannah perguntou.
— Porque são lindos. — A mulher retirou-os dos pés. — Vou guardá-los no quarto e aproveitar para cochilar um pouco, você vem, amor?
— Vou sim. — James respondeu, seguindo a esposa.
— E o que querem fazer agora? — Theodore perguntou, virando-se para as meninas.
— Não estou com vontade de fazer nada, na verdade. — Susannah reclamou. — Preguiça...
— Eu tô de boa também. — Elizabeth respondeu.
— Então venham. — Pediu para ambas o seguirem.
O garoto andou pelo corredor e abriu a porta, descendo as escadas para o seu quarto.
— Na época que minha mãe pegou meu celular, ela não pegou o carregador dele, então deixei o celular que o Christopher me emprestou, carregando aqui. — Theo retirou o aparelho da tomada. — Vou ver se ele mandou mensagem...
— E aí?
— Ainda nada, Su. — Respondeu. — Ele deve ter ido dormir.
— Verdade, vocês dois não dormiram essa noite, né? — Susannah indagou.
— Sim, tô morrendo de sono também. — Theodore se jogou na cama.
— Não dormiram?! — Elizabeth surpreendeu-se.
— Conversamos demais. — O garoto riu. — Mas foi bom...
— Depois quero que me conte tudo! — A prima se deitou ao lado dele.
— Não vou contar, curiosa. — Brincou, mostrando a língua.
— Ah, vai sim! — Fez cócegas em Theo, que gargalhou, tendo que se levantar da cama para fazer com que ela parasse.
— Eu vou contar, só que agora vou tomar um banho. — Theodore revelou, pegando poucas peças de roupa dentro de uma das cômodas.
— Tá bom, eu espero. — Elizabeth se sentou na cama, puxando Susannah para se acomodar ao lado dela.
— Já volto. — Falou ele, adentrando o banheiro da suíte.
— Então, Su... — A prima do garoto sussurrou. — Estamos a sós agora.
— Nem vem. — Susannah riu, tirando as mãos de Lizzie de sua cintura.
— Tá bom, nem tento. — Elizabeth se deitou, ajeitando um travesseiro debaixo de si.
— Ei, Liz. — A outra se deitou ao seu lado. — Quero te perguntar uma coisa...
— Pergunte.
— O que você acha de mim?
— Hã?
— Você entendeu, sabe, o que você pensa sobre mim?
— Eu gosto de você, na verdade, é bem mais do que gostar.
— Eu sei disso, mas... — Mordeu o lábio. — Sei lá, eu não sei o que pensar.
— Não pensa, simples.
— Só você, mesmo. — Susannah se levantou, sentando-se sobre o corpo de Elizabeth.
— O que tá fazen... — Lizzie foi interrompida por um beijo repentino de Su.
Deitando-se completamente sobre o corpo da prima do garoto, tocou seus cabelos, trazendo-a mais uma vez para seus lábios. Elizabeth juntou-se ao beijo sem relutar, levando suas mãos até as coxas de Susannah.
Suas mãos se engalfinharam no cabelo uma da outra, enquanto suas pernas se encaixavam e os corpos se roçavam. Elizabeth desceu suas mãos pelas costas de Susannah, que aprofundava o beijo com sua língua, aproveitando o gosto da garota.
Lizzie trancou-a em suas pernas e assim rolou com ela na cama, subindo e sentando-se em seu colo. Continuaram o beijo por longos minutos, sentindo a respiração quente uma da outra e ouvindo os pequenos grunhidos que escapavam de seus lábios.
— Se quiserem, eu deixo vocês a sós. — Theodore saía do banheiro, enxugando os cabelos com uma toalha.
— Theo! — Elizabeth se surpreendeu, quase caindo de cima da Susannah. — Você foi rápido!
— Foi só uma ducha, não entrei na banheira.
Vestindo apenas uma bermuda, o garoto caminhou até seu armário, pegando nele seu desodorante e tirando uma regata da gaveta. Ao terminar de borrifar o produto, passou uma colônia e terminou de se vestir.
— Podem continuar, não vão parar só porque eu cheguei, né? — Theodore se deitou na cama, ao lado delas.
— Se você diz... — A prima agarrou o quadril de Susannah, que riu alto.
— Chega, Liz. — A outra pediu, ainda rindo, virando-se para o lado do amigo na cama.
— Vocês se importariam se eu dormisse um pouco? — Theo bocejou. — Eu não aguento mais de sono, não sei como não dormi em pé no banho.
— Pode dormir. — Susannah o abraçou.
— A Lizzie vai ficar com ciúme. — Theodore riu, não se importando em ser envolvido pelos braços da amiga.
— Vou nada. — Elizabeth aproveitou que a garota estava de costas para ela e a abraçou.
O garoto fechou os olhos, sentindo o sono o dominar. As meninas fizeram silêncio, percebendo que a respiração dele havia ficado pesada, continuaram abraçadas e também fecharam os olhos, tirando um cochilo.
...♕...
Naquela mesma tarde, após Elizabeth se despedir, Theodore se encaminhou até a cozinha, pegando uma maçã da fruteira e assim retornando para a sala de estar.
— Filha, você sabe que eu confio no Theodore mais do que tudo, mas tem certas coisas que tem limites, Susannah. Além de tudo, ele continua sendo um homem, você tem que tomar cuidado com certos tipos de liberdade...
O garoto se afastou quando ouviu Megan falar com a amiga, para ouvir a conversa sem ser percebido.
— Mas o que eu fiz de errado?
— Você mesma me disse que dormiram todos juntos lá no quarto dele.
— Sim, foi, inclusive com a Elizabeth junto. — Susannah rebateu.
— Não importa se a prima dele estava com você, Susannah, você sabe que um menino nessa idade é... Perigoso.
— Perigoso? — Theodore se aproximou, perguntando.
— Ah, você está aí, Theo? — Megan se envergonhou. — Olha, eu não quis ofender...
— Eu entendi o que quis dizer, mas só quero que saiba que não precisa se preocupar. — Mordeu a maçã. — Eu adoro a Su, acredite, se eu não fosse gay, já estaríamos namorando há séculos.
— Oi? — A mulher engasgou.
— A Su provavelmente nunca te contou, né? — Soltou uma risada.
— Estou liberada do sermão? — Susannah riu.
...♕...
Duas semanas depois.
O paraíso de Theodore chegou ao fim quando Megan e James se despediram, tinha sido incrível ficar um bom tempo com Susannah, mas já sabia que em breve, teria enfrentar sua nova “família”.
Alba agradeceu ao casal por terem cuidado e feito companhia ao garoto durante toda a estadia. Então quando eles partiram, uma pontada invadiu o peito de Theo, como se a amiga levasse um pedaço do seu coração com ela. Todos acenaram até verem o carro desaparecer na esquina.
— Vem, vamos entrar, filho. — Alba tocou o ombro de Theodore, na entrada da casa.
Assim que passaram pela porta, um calafrio percorreu o garoto quando Sidney se aproximou, sussurrando em seu ouvido.
— A partir de agora, sua vida começará a ser bem divertida.
— Tem razão, vai ser divertido. — Theodore deu um sorriso misterioso, fazendo o homem erguer uma das sobrancelhas.
Mesmo abalado com aquelas palavras, não se deixou levar por elas.
A promotora colocou seus pertences em seu quarto, logo voltando para a sala de estar, onde o filho e o marido se encontravam.
— Ah, como é bom estar em casa... — Alba se jogou no sofá, já sem as sandálias. — Você não concorda, querido?
— Não importa o conforto dos hotéis, nosso lar é sempre o mais confortável. — Sidney sentou-se ao lado da esposa.
— E então, como foi a viagem? — Theo deu alguns passos, se ajeitando no sofá do outro lado da sala.
— Foi ótima! Tiramos milhares de fotos, te mostro mais tarde! — A promotora respondeu, animada.
— Só tem uma coisa que eu não entendo. — O garoto deu um sorriso travesso. — Por que durou tão pouco tempo?
— Duas semanas são mais do que necessárias, também tenho que trabalhar, você sabe disso, por acaso gostou da nossa ausência? — Alba soltou uma risada.
— Não é isso. — Rebateu. — É que pra uma lua de mel, achei que foi pouco tempo, se bem que... Eu realmente ficaria surpreso se com a idade do Sidney, ele ainda conseguisse ter uma ereção.
— Theodore! O que está dizendo?! — A promotora esbravejou.
— Apenas a verdade, se a viagem demorou tão pouco tempo, quer dizer que...
— Saiba que eu não sou tão velho assim, garoto. — O homem o interrompeu, tentando não demonstrar nervosismo. — Tudo em mim está funcionando perfeitamente bem.
— Com pílulas, é claro. — Theo riu indisfarçadamente.
— Já chega! — Alba exclamou. — Sidney, por favor, posso ter uma conversa a sós com o Theodore?
— É claro. — O marido se levantou. — Com licença.
Assim que ele se retirou do local, a mulher se levantou do sofá, colocando ambas as mãos na cintura
— O que foi que deu em você, Theodore?!
— Em mim? Nada! Não fui eu que me casei com um maluco!
— Eu sabia! Eu sabia que esse assunto ainda não estava encerrado! O que você tem contra o Sidney?!
— Você é mesmo ingênua... — Abaixou o tom de voz. — Esse cara descobriu que eu era gay antes mesmo de você, me fez chantagem emocional, me agrediu, inventou aquela desculpa medíocre da gangue de ladrões quando arrebentou a minha cara! Me ameaçou, inclusive citou acabar com seu emprego como plano dele! Depois você vem me perguntar o que eu tenho contra ele? Você só pode ser muito babaca ou cega mesmo para não enxergar.
— Para, Theodore! — Exigiu. — Por que você continua inventando essas coisas?! O Sidney é um ótimo homem! E ele te adora! Para com esse ciúme doentio e de tentar acabar com a minha felicidade!
— Ninguém pensou na minha felicidade quando eu estava em uma maca de hospital, não é?
— Eu não tenho culpa se você escolheu fazer aquela bobagem!
— Bobagem? — Perguntou, incrédulo. — Eu chamo aquilo de tentativa de suicídio, tentativa de me livrar de todas as ameaças que ele estava me fazendo e da vida de merda que eu tinha! E esse homem que você chama de marido, foi a causa dessa “bobagem”.
— Não culpe o Sidney por uma irresponsabilidade sua!
— Certo. — Se levantou, ficando em frente a ela. — Mas eu posso culpar você, por acreditar em tudo o que ele diz...
— Eu não sei como você pode ser tão cínico.
— Cínico? Eu?
— Eu não te ensinei a ser assim, meu filho. — Meneou com a cabeça, se entristecendo.
— Falsa.
— O que disse?
— Você escutou! Falsa! — Exclamou. — A única pessoa cínica nessa história toda é você, como é que pode uma mulher tão inteligente como você, não conseguir ver o que está bem diante dos seus olhos?! Me diz!
— Olha o jeito que você fala com a sua mãe...
— Uh, que medo! E o que você pode fazer? Tirar todos os meus meios de contato com o mundo exterior e me trancafiar? Não, espera... Você já fez isso!
— Theodore!
— E o pior é que... — A interrompeu. — Você não só mexeu comigo, mas com a pessoa que eu mais amo nessa vida, o Christopher.
— Esse homem de novo não!
— Por que não? Hein? O fato de eu gostar tanto de dar o cu vai fazer alguma diferença na sua vida? Porque se fizer, olha, eu tenho péssimas notícias pra você...
— Pelo amor de Deus, cala essa boca!
— Eu só vou ficar quieto quando você retirar a queixa contra ele.
— Como ficou sabendo? Meteu a coitada da Elizabeth nisso de novo?! — Inquiriu. — Eu já havia dito para ela não ceder às suas vontades...
— Não adianta meter medo nas pessoas ao seu redor, Sra. Alba, quanto mais você pressiona essas pessoas, mais elas fogem de você! — Fechou a cara. — Mas se você prefere ser temida do que ser amada, eu não tenho culpa.
— Eu só quero te proteger, você está cansado de saber.
— Me proteger de quê? Do amor?
— De ser usado!
— Se é isso o que o Christopher quer comigo, eu não estou nem aí, porque eu adoro ser usado por ele!
— É cada absurdo que eu sou obrigada a ouvir...
— É tão difícil assim pra você entender que a gente se ama? Só porque ele tem poucos anos a mais que eu, não significa que ele está abusando de mim, nem nada do tipo...
— Chega, Theodore!
— Eu que deveria dizer chega! Já estou de saco cheio disso tudo! Aguentei mais do que deveria!
— E o que você quer que eu faça?!
— Não se faça de idiota. — Franziu o cenho. — Você sabe que com a continuidade desse processo, você terá que ir ao tribunal, mas não sozinha, eu também terei que depor... E você acha que serei a favor de quem? Da pessoa que eu amo, ou da mulher que me isolou do mundo por quase oito meses?
— Você não pode ser contra a sua própria mãe...
— Ou você retira essa queixa, ou eu não sou mais o seu filho.
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