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54 Capítulo 54 — Enlace.
Notas iniciais
Capítulo 54 — Enlace.
O principal da cerimônia já tinha se encerrado: a entrada da noiva e o enlace matrimonial, restaria a recepção dos noivos e o jantar.
— Ele está terminando de tirar as últimas fotos com a família dele. — Elizabeth afirmou. — Quer que eu o chame quando ele terminar?
— Sim, acho que já esperei o suficiente. — Christopher respondeu, impaciente.
— Lizzie! O Theo está te procurando! — Susannah se aproximou, arregalando os olhos ao ver o professor. — Chris! Há quanto tempo! Como vai?
— Oi, Su, eu tô bem, só estou um pouco ansioso. — Christopher recebeu um abraço apertado da garota. — E você está linda!
— Obrigada. — Sorriu, vendo como a camisa preta social ficava bem nele, com as mangas puxadas até o cotovelo. E da mesma cor, um par de calças e sapatos combinando. — Você também tá o maior gato! Quero só ver a cara do Theo quando te ver aqui!
— Espero que ele não fique bravo...
— Por que ele ficaria?
— Digamos que ele não espera que eu esteja aqui, além de eu ser um intruso.
— Que bobagem! — Elizabeth exclamou. — Mas já que se preocupa com isso, logo saberemos! Quando eu voltar, vou trazer ele comigo.
— Vamos, Lizzie? — Susannah cruzou o braço com a prima do garoto.
— Não saia daí hein, Chris!
— Pode deixar, ficarei esperando.
As duas saíram com os braços dados, praticamente saltitando de felicidade, voltando para o salão onde os convidados tinham se locomovido depois da cerimônia. Assim que acharam Theodore, correram até ele, sem conseguirem segurar os risos.
— Tava me procurando? — A prima inquiriu.
— Eu quero tirar fotos com você. — O garoto respondeu.
— Achei que não tivesse gostando do casamento...
— A pior parte já passou, Liz. — Theo revelou. — Nada será pior do que tirar foto com os recém-casados.
— É, nisso eu concordo!
— Olha, o fotógrafo tá logo ali. — Susannah avistou-o.
— Ei moço! Pode tirar uma foto nossa? — Lizzie exclamou, chamando atenção do homem com a câmera.
Eles se juntaram e posaram para o fotógrafo, que tirou cinco ou seis fotos antes de afirmar que haviam ficado boas e assim se retirar.
— Sem querer parecer xereta, mas quando vi vocês, reparei que estavam com uma cara um tanto suspeita.
— Que cara, Theo? — Elizabeth perguntou. — Não posso estar feliz? A Susannah está aqui!
— O que estavam fazendo lá fora? E já saibam que não vou aceitar um “nada demais” como resposta.
— Você está certo. — A prima admitiu. — Tem uma coisa...
— Eu sabia! — Se vangloriou. — Mas o quê?
— Nós não podemos dizer, mas podemos mostrar. — Susannah completou.
— Pra que todo esse suspense? — Theodore reclamou. — Não vão se agarrar na minha frente, né? Caso seja isso que estiveram fazendo...
— Só vem! — Elizabeth o puxou.
O garoto foi levado por elas, que saíram do salão e caminharam ao jardim. Após já estarem perto dos quiosques de madeira, Susannah tapou os olhos de Theodore com as mãos.
— Pra que isso?! — Reclamou. — Eu vou cair desse jeito!
— Não vai não, bobo. — A amiga riu.
Continuaram caminhando enquanto ele ia devagar, receoso a cada passo por não estar enxergando. Quando as garotas avistaram Christopher, perceberam a felicidade nítida no rosto do professor, que se levantou de um dos bancos do local e caminhou até elas.
— Dá para me falar agora o que é? — Perguntou ao notar que elas haviam parado de o guiar, mas não o responderam. — Lizzie? Su? O que foi?
As meninas ficaram encantadas com a maneira que Christopher olhava para o garoto, os olhos do professor cintilavam e ele parecia paralisado. Quando Susannah percebeu que já estava mais do que na hora de libertar os olhos do amigo, recolheu suas mãos e Theodore abriu os olhos.
— Oi, amor. — Christopher falou, quase sem voz.
O garoto deu um passo para trás, assustado.
— C-Chris?
— Eu não queria te assustar. — Riu, ainda fascinado por vê-lo, segurando nas mãos de Theo. — Você tá lindo.
— O que você está fazendo aqui? — Theodore indagou, fazendo com que ele soltasse suas mãos.
— Era o único jeito de te ver. — Deu um passo à frente, ficando mais próximo a ele.
— Não. — Se afastou. — Você não deveria.
Elizabeth e Susannah se entreolharam, estranhando a reação do garoto.
— Como assim, Theo?
— Você tem que ficar longe de mim. — Colocou sua mão no peito de Christopher, quando ele se aproximou ainda mais.
— Por que está dizendo isso? — Envolveu os dedos de Theodore com os seus. — Você quer que eu vá embora?
— N-Não... — Gaguejou, sentindo o coração pulsar forte quando sua mão foi levada até o rosto de Chris.
— Ainda é difícil acreditar... — O professor fechou os olhos por poucos segundos, sentindo os dedos gelados do garoto em sua bochecha. — Vamos esquecer de tudo, pelo menos por cinco minutos, tá bom?
Theo gesticulou afirmativamente com a cabeça, não impedindo quando Christopher novamente se aproximou, tomando-o num abraço apertado.
— Eu amo tanto você, branquelo... — Fungou nos cabelos bem penteados de Theodore, em meio ao abraço. — Senti tanta falta do seu cheiro...
— Vem, vamos deixar eles sozinhos — Elizabeth sussurrou para Susannah.
As meninas se retiraram dali sem serem percebidas, enquanto o casal continuava abraçado, não se soltariam tão facilmente.
— Me perdoa? — O garoto pediu, com a voz trêmula.
— Te perdoar? — O professor acariciou as costas de Theodore, sentindo ele se agarrar ao tecido de sua camisa.
— Por tudo o que eu te fiz passar, pelo o tempo que você perdeu me esperando...
— Eu não perdi tempo algum, Theo. — Afirmou. — E tudo o que eu aguentei até agora foi por esse momento, mesmo que dure pouco.
Christopher sentiu o garoto se mexer, que levantou a cabeça de seu ombro e o olhou em seus olhos. Quando Chris percebeu que ele estava chorando, enxugou uma lágrima de Theodore com seu polegar e se aproximou do seu rosto.
— Posso? — O professor perguntou, centímetros de distância dos lábios de Theodore.
— Deve. — Fechou os olhos, mas logo os abriu ao sentir o indicador de Chris sobre sua boca.
— Com uma condição. — Christopher deu um sorriso travesso. — Se você me prometer que isso não for uma despedida.
— N-Não posso...
— Assuma, Theo. — Exigiu. — Fala pra mim que quer terminar e eu te deixo em paz, dou meia volta e nunca mais te procuro.
— Eu não consigo.
— Então fala. — Aconchegou seu rosto na curva do pescoço de Theodore. — Diz que me ama, do mesmo jeito que eu sou maluco por você, diz.
— Chris... — O garoto se arrepiou com a respiração quente do professor em sua nuca.
— Eu quero ouvir da sua boca. — Encorajou-o mais uma vez, com beijos delicados em seu pescoço, fazendo-o se estremecer dentro do seu abraço.
— O que quer ouvir exatamente?
— Para de me enrolar, Theo. — Sussurrou, mordiscando sua orelha. — Fala o que você tá sentindo agora...
— Algo maior que eu. — Theodore fechou os olhos, suspirando a cada toque. — O motivo que mesmo já tendo passado cinco minutos como você pediu, eu ainda não queira me lembrar de tudo o que aconteceu com a gente. O motivo de eu ter me arrependido amargamente da minha última carta e também de eu não querer me soltar desse abraço... E esse motivo é eu amar tanto você.
Christopher o envolveu ainda mais forte, quase o levantando do chão.
— Isso foi lindo, amor.
— Constrangedor. — O garoto abaixou os olhos.
— Por que diz isso?
— As coisas que eu te disse naquela carta foram cruéis.
— Olha, eu não me lembro de nenhuma vírgula sequer, assim que eu coloquei os olhos em você, me esqueci de tudo. — Christopher sorriu, tocando o queixo do sardento. — Ei, olha pra mim...
— Não dá. — Theodore resmungou, manhoso. — Eu fico envergonhado por tudo o que falei, é difícil te encarar depois de escrever que queria desistir de você, quando na verdade, não consigo te tirar da minha cabeça.
— Então fica assim mesmo. — O professor não insistiu. — Não tem problema, porque para fazer o que eu quero, você não precisa olhar para mim, nem estar de olhos abertos.
Abaixou o rosto até encaixar sua boca com a de Theo, puxando os lábios do garoto com pressa para os seus, sugando com saudade o seu gosto doce. As mãos de Theodore correram para atrás de seu pescoço, como se o prendesse e trouxesse desesperadamente para mais perto de seu corpo.
Christopher colou-se em Theodore, descendo suas mãos pelas costas do garoto, sem se importar se aquilo amarrotaria o smoking que ele usava. Sentiu o corpo do sardento se contorcer e se derreter em arrepios, enquanto suspirava entre poucos momentos que suas bocas se afastavam.
Theo teve o lábio inferior mordido e sugado por Chris, que ainda passeava com suas mãos pelo corpo do sardento, por cima do tecido da roupa, como se quisesse tirá-la. O garoto arqueou as costas quando as mãos do professor o puxaram contra seu corpo mais uma vez.
Eles não queriam comentar, mas sentiam o volume um do outro quando se esfregavam intencionalmente, o desejo misturando com a saudade só aumentava o fogo que crescia dentro deles, passando toda essa vontade para o beijo.
Theodore abriu os olhos e se afastou por um instante, olhando para Christopher, vendo um sorriso iluminado em seu rosto.
— Eu falei de novo, mas repito. — Chris acariciou as bochechas do sardento. — Você está incrivelmente lindo.
— Você também. — O garoto sorriu, encarando-o. — Tem tanta coisa que eu quero te falar...
— Quer se sentar? — Christopher perguntou.
Theodore aceitou, tendo sua mão enlaçada pela dele e assim caminhando até o banco de madeira do jardim, onde se ajeitaram.
— Chris? — Chamou-o. — O que eu faço agora?
— Eu quero que fique com uma coisa, Theo. — O professor retirou seu smartphone de dentro do bolso da calça. — Aqui, toma.
— Seu celular?
— Esconda ele, eu vou te ligar de outro número. — Observou o garoto olhar para o aparelho, um tanto tímido.
— Posso mesmo ficar com ele?
— É claro que sim, vamos nos falar todos os dias a partir de hoje!
— Tudo bem. — Deu um sorriso e guardou o celular dentro de um dos bolsos de seu smoking.
— Só não deixa ninguém descobrir, tá? — Beijou a testa de Theodore.
— Pode deixar. — Sentiu o braço de Christopher passar atrás de seu pescoço.
— O que você queria me falar, amor? — Chris perguntou.
— Eu não sei. — Soltou uma risada. — Muita coisa, só não consigo pensar em nada...
— Sabe, Theo, eu tenho que confessar uma coisa.
— O quê?
— Depois dessa última carta sua, fiquei um pouco preocupado quando você terminou comigo, não exatamente por esse motivo, porque eu sabia que você ainda me amava, mas teve outra coisa que dominava a minha cabeça. — Segurou a mão dele. — Fiquei receoso com o que você poderia fazer consigo mesmo, como naquela vez do hospital... Perdi noites de sono, sempre perguntava para a Elizabeth se você estava bem...
— Ela não me disse isso.
— Pedi para que ela não falasse, ela sabia do meu medo, eu pedia para ela cuidar de você pra mim.
— Eu tive muitas recaídas, também confesso que às vezes perdia a vontade de viver. — Suspirou. — Mas sempre que isso acontecia, eu tirava o medalhão debaixo da roupa, olhava para ele e me lembrava da sua frase... Isso sempre me deu forças, Chris.
— Você ainda o usa? — Sorriu.
— Nunca deixei de usar. — Levou a mão dele ao seu peito, por cima da camisa. — Tá sentindo ele aqui?
— Estou sim, eu nem imaginava que tinha gostado tanto dele, fico mesmo feliz por isso.
— É o presente mais valioso que eu poderia ter ganhado. — Olhou em seus olhos. — Não precisa se preocupar mais, eu te prometo que vou enfrentar tudo isso e não vou desanimar.
— É tão bom ouvir isso. — Christopher colou suas testas. — Também me senti aliviado por poder te dizer, mesmo não sabendo como você reagiria.
— Também gostei de desabafar um pouco, às vezes isso me sufocava.
— Temos realmente muita coisa para botar em dia, né, Theo? Quero te falar tanta coisa, a maioria delas só para falar mesmo, sabe? Eu sinto tanta saudade de me abrir com alguém, coisas que Michael e Emmet achariam triviais e assuntos que eu não poderia falar com eles...
— Eu também sinto isso, até falo sozinho às vezes. — Riu alto.
— E eu falo com a Dora, coitadinha, é obrigada a ouvir minhas maluquices.
— Ah... — Theodore se aproximou dele. — É tão ruim ficar longe de você, nós perdemos tanta coisa um do outro, sinto que eu devo aproveitar cada segundo que você está aqui.
— A gente precisa mesmo colocar o assunto em dia, mas não precisa ser hoje, concorda?
Theo gesticulou afirmativamente e o envolveu com seus braços mais uma vez, sentindo o professor deitar a cabeça em seu ombro. Ficaram em silêncio, somente apreciando os ruídos do vento nas folhas das árvores e do cantar dos pássaros.
O sol já baixava e eles admiraram a coloração alaranjada nas nuvens, enquanto sentiam o calor um do outro, envoltos naquele abraço reconfortante. O garoto sabia que ali ninguém poderia vê-lo, a menos que realmente procurassem por ele, mas não estava preocupado.
Theodore entrelaçava seus dedos nos fios castanhos claros de Christopher, em um cafuné carinhoso, que fez com que Chris fechasse os olhos.
— Não vai dormir, hein? — Theo brincou.
— Não vou. — Abriu os olhos, desencostando-se do garoto.
— Não precisava levantar a cabeça, pode deitar aqui.
— Eu sei, mas onde eu estava, não poderia fazer isso... — O professor ergueu o queixo de Theodore, deliciando-se dos lábios dele mais uma vez.
O garoto tocou o rosto de Christopher em meio ao beijo, sugando com vontade a língua que o invadia atrevidamente. Seus cabelos que antes estavam arrumados, agora eram bagunçados por Chris, que aproximava-se ainda mais dele, com uma mão em meio aos fios de Theo e com a outra subindo pela sua coxa.
Theodore grunhiu ao sentir o toque em sua perna, gemendo quando os dedos do professor apertaram sua coxa, sob o tecido da calça.
— Por que parou? — O garoto perguntou, quando o beijo foi interrompido.
— Me desculpa por isso. — Christopher envergonhou-se. — Eu não devia...
— Bobo. — Roubou um selinho. — Não tem problema nenhum, assuma vai, eu sei que você quer me levar correndo daqui pra cama.
— Acertou. — Soltou uma risada.
— Uma pena que não temos uma cama aqui, mas temos uma moita, logo ali, serve? — Theo exclamou, gargalhando.
— Theodore, Theodore, você não tem noção do perigo! — Chris se levantou, puxando o garoto do banco, fazendo com que ele se levantasse.
Assim cambalearam e se escoraram um no outro, tropeçando em seus próprios pés. Christopher sentiu as costas doerem quando foi de encontro ao chão, porém ignorou a dor do baque quando Theo caiu sobre si, em meio a risos.
— Isso tudo é pressa? — Theodore o provocou, fazendo Chris mostrar a língua para ele.
— Nossa, as coisas estão boas por aqui! — Elizabeth admirou-se, encarando o primo deitado sobre o corpo do professor.
— Caímos. — O garoto se retirou de cima dele, ajeitando a sua roupa.
— Nós vimos. — Susannah riu. — Pelo clima que vocês estão, acho que alguém retomou o namoro...
— Para mim, nós nunca terminamos. — Chris também se levantou, recebendo um beijo de Theo.
— Que coisa linda! — A amiga derreteu-se.
— Só que eu tenho uma má notícia. — Elizabeth iniciou. — Sua mãe estranhou seu sumiço, me perguntou umas três vezes se eu havia te visto, então acabei tendo que dar uma desculpa...
— Que desculpa? — Theodore indagou.
— Tem certeza que quer saber?
— Na verdade eu preciso, né.
— É o seguinte, como eu tinha dito para ela que você provavelmente tinha ido ao banheiro, quando ela retornou perguntando sobre você novamente, tive que dizer que você estava com problemas intestinais, digamos assim.
— Não tinha uma desculpa melhor? — Theo caiu em risadas.
— Nada que viesse em mente tão rápido.
— Não tem problema, se você falou, já foi.
— Me desculpe Chris, não queria que fosse obrigado a ouvir essas coisas. — Susannah riu.
— Eu tenho o Emmet e o Michael, esse tipo de coisa para mim é fichinha. — Entrou na brincadeira.
— E ela tá mesmo determinada a falar comigo? Não dá para enrolar um pouco? — Theo inquiriu.
— Pode até dar, mas pensei que você poderia ir lá só um pouco e voltar, só pra ela não achar que você fugiu, sei lá. — A prima respondeu.
—Acho melhor eu ir agora. — Christopher falou.
— Ah, não. — O garoto se agarrou em seu braço. — Fica...
— A gente já arriscou demais, amor, melhor você voltar pra festa. — Levou uma de suas mãos até o ombro de Theodore.
— Ela não vai saber. — Pediu. — Fica comigo.
— Não faz isso. — Chris abraçou-o. — Você sabe que eu tenho coração de manteiga.
— Mas eu vou ficar com saudade...
— Eu também vou, branquelo. — Sentiu a respiração de Theodore em seu pescoço, ainda envolvendo-o com os braços.
— Você não pode ficar nem mais um pouquinho?
— Quanto mais eu adiar, menos vou querer sair do seu lado, Theo.
— Ah... — Suspirou.
— Você vai me dar um beijo daqueles de despedida?
O garoto deu um sorriso travesso e puxou o rosto do professor contra o seu.
Susannah admirava a cena, enquanto Elizabeth olhava para os lados, vigiando o local.
Os dois estavam agarrados há alguns minutos e não conseguiam se soltar, porém o que é bom durava pouco e logo Christopher teve que se despedir definitivamente, com dificuldade de se desgrudar dos lábios de Theo.
Deu um beijo no rosto das meninas e deixou um último abraço em Theodore, que lhe custou mais alguns minutos, tendo que respirar fundo e retomar coragem para dizer tchau e sair de seus braços.
Sussurrou no ouvido do sardento uma frase romântica antes de ir embora, que deixou o garoto com um sorriso bobo e que não sairia tão cedo de seu rosto.
...♕...
— Você está com um sorriso de orelha a orelha. — Elizabeth olhou para o primo, quando já estavam dentro do salão. — Ainda estou curiosa para saber o que ele te disse antes de ir.
— Ele só disse que ia sentir saudade. — O garoto mentiu.
— Se fosse isso ele não sussurraria. — Insistiu ela.
— Lizzie, se ele não quer contar, é melhor não querer saber. — Susannah afirmou, quando chegaram até a mesa que estavam antes e se sentaram.
— É assunto íntimo então, estou certa? — A prima voltou a perguntar.
— Exatamente. — Theodore esboçou uma expressão maliciosa.
— Não é pra menos, há quanto tempo vocês estão na seca? — Elizabeth riu alto.
— Um século. — Theo reclamou.
— Gente, é melhor mudar de assunto, olha só quem está vindo aí. — Susannah falou em voz baixa, disfarçadamente.
Olhando para a frente, a mãe do garoto se aproximava, segurando a frente da saia do vestido longo de noiva, para não pisar na barra.
— Theodore, eu estava te procurando! — Alba caminhou até o filho e o abraçou, lhe dando um beijo na bochecha. — Eu mal te vi hoje, como você está?
— Legal. — Sorriu, dessa vez não precisando disfarçar sua felicidade. — Você está bonita, não deu tempo de falar com você antes com tanta gente te rodeando.
— Você também está bonito, só o seu cabelo que tá um pouco bagunçado... — Arrumou os cabelos do filho com as mãos.
— Alba! — Nancy a chamou, fazendo-a se virar.
— Meninas! — Alba abriu um sorriso ao se deparar com as amigas de trabalho. — Maggie, Nancy, Loren! Vocês estão todas radiantes!
— Olha só quem fala! — Maggie abraçou-a. — Você está lindíssima! E o casamento mais ainda!
— Obrigada por virem, é muito bom ver vocês aqui! Estão aproveitando?
— Muito! — Maggie falou e todas concordaram.
— E esse rapaz lindo é seu filho? — Loren perguntou, quando a noiva pousou a mão no ombro do garoto.
— É sim, o Theodore.
— Oi. — Theo cumprimentou-as com um sorriso introvertido.
— Prazer, Theodore. — A mulher lhe lançou um sorriso carismático.
— Tira uma foto com a gente, Alba? — Maggie pediu.
— É claro que sim!
As mulheres puxaram a noiva para uma foto, então o garoto observou a mãe ser levada por elas e assim virou para as amigas, dizendo:
— É impressão minha ou elas me olhavam como se soubessem de todos os meus pecados?
— Com certeza é impressão sua. — Susannah deduziu.
...♕...
Assim que Theodore chegou em casa, respirou aliviado, sua mãe e Sidney haviam partido para um hotel e na manhã seguinte viajariam.
Os pais de Susannah estavam mais do que exaustos, ambos foram para o quarto de hóspedes acompanhados pela garota, que também caía de sono. Deram boa noite para Theo e assim colocaram seus pijamas.
O garoto caminhou pelo corredor, abriu a porta para o seu quarto e assim trancou-a, antes de descer as escadas. Se jogou em sua cama, respirando fundo por alguns segundos antes de cair em risadas.
Mal acreditava em tudo o que tinha acontecido naquele dia, era como se o casamento de sua mãe com o homem que não a amava não importasse mais.
Sentiu seu peito tremer, quando se deu conta, era o celular que Christopher havia lhe dado, vibrando no bolso interno do smoking. Theodore pegou o aparelho e atendeu a ligação sem mesmo ver quem era, esperando que fosse o namorado.
— Alô?
— Theo? Atendeu rápido. — Chris afirmou, contente.
— Oi amor! — Sentou-se na cama, praticamente pulando.
— Liguei numa hora ruim?
— Não, não! Eu cheguei tem pouco tempo, já tô no meu quarto. — Falou, retirando os sapatos. — Podemos passar a noite toda conversando, se você não estiver ocupado, é claro.
— Não estou fazendo nada... — Christopher deitava em sua cama. — Ah, é tão bom ouvir sua voz de novo, mas posso abusar? Eu queria muito uma foto sua, tem como tirar pra mim?
— Quer que eu tire com smoking? Ainda estou vestido...
— Como você quiser.
— Tá bom, só espera um pouco.
Theodore levantou-se e ficou de frente ao espelho que pegava o seu corpo todo, tirou o smartphone da orelha e procurou o aplicativo da câmera no menu, assim tirando uma foto pelo reflexo do espelho.
Tirou mais algumas e enviou todas elas para Christopher, no mesmo número que ele tinha o ligado.
— Prontinho. — Theo retornou com o celular na orelha, sentando-se na cama. — Já chegaram?
— Acabaram de chegar, deixa eu dar uma olhada...
— Nem sei se ficaram borradas, espero que estejam boas.
Por estar com os fones de ouvido, Chris não precisou interromper a conversa para admirar as fotografias do garoto. Passou algumas fotos, vendo-o com smoking, mas aos pés, só meias pretas, sem os sapatos.
Na próxima foto de Theodore, seu coração disparou, vendo-o com a camisa aberta, já sem o terno do smoking; passou para a outra, ainda mais curioso, viu-o sem a camisa branca, somente com a gravata borboleta e a calça social com o zíper aberto.
— Você só pode estar querendo me matar... — Christopher mordeu o lábio inferior. — Você está parecendo um gogo boy sem camisa e com essa gravata borboleta.
— Sério? — Theo soltou uma risada. — Não acho isso.
— E que corpo é esse? Você tá diferente, seu abdômen tá definido...
— Eu te disse que estava levando os meus treinos a sério, mas não exagera, mal dá pra ver a diferença, não estou tão definido assim.
— Deixa de bobagem. — Babou mais uma vez na imagem de sua tela. — Que vontade de te agarrar, você tá gostoso demais...
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