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53 Capítulo 53 — Decisão
Notas iniciais
Capítulo 53 — Decisão
— Eu não acredito que você disse isso, Theodore. — Alba finalmente falou, após ficar alguns segundos em choque.
— Foi apenas a verdade. — O garoto rebateu.
— Vamos ver se você ainda continuará amando esse homem quando ele estiver atrás das grades.
— Tenta, vá frente! Quero só ver o que você vai achar quando eu pedir emancipação de você!
— Não seja ridículo, você sabe que precisaria da minha autorização e eu nunca permitiria isso.
— Tente fazer alguma coisa contra o Christopher e eu destruo a sua vida!
...♕...
Eles voltaram para a casa em silêncio, o garoto não falaria com sua mãe tão cedo, principalmente enquanto ela não devolvesse a carta de Chris.
Dois dias depois.
Elizabeth decidiu visitar o primo e preferiu escolher um horário que sabia que sua tia não estaria presente.
— Oi, Theo. — A garota se sentou ao lado dele, no sofá. — O que foi? Que carinha é essa?
— Nada não, Lizzie.
— Não é o que parece.
— Eu só não estou no meu melhor dia.
— Sabe, eu não falei com você depois daquele dia do ensaio, como está se sentindo?
— Horrível, Liz. — Deitou a cabeça no ombro da prima.
— Você não conseguiu participar de mais nada depois da discussão com a sua mãe, né? E o que virou disso tudo?
— Eu não vou mais entrar com ela na cerimônia, já está decidido, ela vai entrar sozinha.
— E a carta?
— Ela ainda não me devolveu. — Franziu o cenho. — Eu estou preocupado, tinha o endereço novo do Christopher lá... Eu sei bem do que ela é capaz.
— Bom, tenho algo que talvez possa te animar. — Retirou um envelope de sua bolsa. — Outra carta do Chris.
— Mas eu não escrevi nada para ele...
— Bom, parece que é bem urgente, porque ele pediu para me encontrar e entregar isso a você o mais rápido possível.
— Sério? — Theodore preocupou-se, abrindo o envelope. — Vou ler.
A prima prestou atenção aos olhos do garoto enquanto percorriam o papel, ele parecia desesperado e sua expressão não melhorou ao terminar a leitura.
— E aí? — Ela perguntou.
— Isso só confirma o meu terror, Elizabeth.
— Como assim?
— Minha mãe foi realmente atrás dele, não necessariamente na casa dele, mas sim na escola, ela armou o maior barraco na diretoria, dizendo que já o processou e também gritou com o diretor, fez a pior baixaria que alguém possa imaginar.
— Meu Deus, Theo! Quando foi isso?
— Na segunda-feira, um dia depois do ensaio. — Esfregou o rosto com raiva. — Ela nem sequer esperou, eu não acredito nisso...
— E o que mais ele diz aí?
— Disse que foi afastado do trabalho, algo com uma medida cautelar, sei lá. — Bufou. — Eu não tô acreditando nisso, Lizzie...
— Eu também não consigo acreditar que a tia Alba fez isso. — Entristeceu-se. — Sério, tão perto do casamento dela, por que ela não poderia simplesmente ignorar isso tudo, hein?
— Porque ela é a minha mãe, simples. — Fechou a cara. — Eu não esperaria menos dela.
— Theo, vai ficar tudo bem... — Tentou trazer o primo para seu ombro novamente, que recusou.
— Não, Elizabeth, não vai, eu sei que não vai!
— Não pensa assim.
— Eu não vou me iludir mais com pensamentos positivos. — Desviou o olhar do dela. — Eu não sei se isso vai se resolver, tenho que tomar uma atitude.
— Sim, nisso eu te apoio.
— Você não entendeu, Lizzie.
— Então o que quis dizer?
— Quis dizer que ela venceu.
— Hã?
— Eu desisto. — Levantou os ombros. — Não tenho mais o que fazer, se eu continuar insistindo nisso, posso arruinar a vida do Christopher.
— Ela não seria capaz disso, Theo.
— Não seria capaz? Elizabeth, ele foi afastado do cargo! Ela já o processou, é só uma questão de tempo! E se eu continuar a bater de frente com ela, isso só vai piorar...
— Mas então... E agora? O que você quer fazer?
— Desistir dele. — Sentiu os olhos lacrimejarem. — É o único jeito.
— Não! Não pode ser o único jeito!
— Eu quero escrever para ele, você pode esperar um pouco?
— Claro, posso sim...
Se guiaram até o quarto do garoto, onde passaram vários minutos em silêncio, enquanto o primo escrevia, Elizabeth somente observava.
Theodore pausava a escrita somente para enxugar as lágrimas, quando elas deixavam a sua visão turva. A garota se preocupava cada vez mais, pensando em quais palavras ele estaria usando agora.
— Acho que acabei. — Falou ele, com a voz fanha pelo choro.
— Eu posso ler?
— Até pode, mas você não concordará com o que eu escrevi.
— Eu não me importo.
— Toma aqui. — Entregou-lhe a carta.
Elizabeth sentou-se para ler, mesmo que não tivesse muitas palavras naquele papel. Ficou chocada ao passar os olhos pela última frase, era visível a perplexidade em sua expressão.
— Como assim “não quero te dar falsas esperanças”, Theodore?! O que significa isso?
— Eu acho que fui bem claro na carta.
— Você não pode terminar com ele, não mesmo! Vocês se amam, poxa! Não desista tão fácil!
— Lizzie, você não entende. — Sentou ao lado dela. — Eu não aguento mais viver com isso, olha quantos meses isso está custando a ele! Não posso o prender dessa maneira! E outra coisa, eu não conseguiria viver com a culpa de ser a causa da prisão dele!
— Mas isso não vai acontecer!
— Como pode ter tanta certeza, hein? Eu não posso arriscar, nem quero.
— Ele vai ficar arrasado, Theo...
— E eu não? Estou me sentindo péssimo, Liz! Mas eu sei que ele vai me superar, tá bom? Leve o tempo que for, ele vai.
— Você quer mesmo que eu entregue isso a ele? — Bufou.
— Quero. — Afirmou. — E quero também que diga que será a última carta, que eu não irei mais escrever e que também não quero mais receber nada dele.
— M-Mas...
— Não insista, Elizabeth.
— E se ele tiver mais uma carta para te dar?
— Eu só quero que você entregue essa e que não traga nenhuma na volta, fui bem claro?
— Sim. — Choramingou.
...♕...
Emmet e Michael chegavam ao local onde Christopher estava os esperando, logo notando que o amigo estava sentado junto à uma das mesas ao ar livre de um bistrô.
— Chegamos! — Emmet anunciou, despertando o professor do transe. — Eita, o que aconteceu, hein? Você tá com uma cara horrível.
— O que é isso? — Michael perguntou, se referindo ao papel que Chris segurava.
— Elizabeth acabou de me trazer, é do Theo...
— O que ele diz aí?
— Ele está terminando comigo. — Respondeu, seriamente.
— Hã?
— É isso mesmo, ele rompeu tudo comigo.
— Mas por quê?! — Emmet indignou-se.
— Ele diz que é para o meu bem, que não aguenta mais viver com esse peso na consciência...
— Deixa eu ler. — Michael retirou o papel da mão de Christopher.
— Me explica isso direito, Chris! — Emmet pediu, enquanto o namorado lia a carta.
— Nem eu sei dizer o que houve, a Elizabeth me jurou que ninguém tinha feito a cabeça dele, que tudo isso foi por vontade própria.
— Isso não faz sentido... — Emmet se queixou.
— Até que faz. — Michael terminou a leitura. — Olha, o Theo tá realmente preocupado com você, dá para ver o desespero dele nessa carta.
— Não era pra isso tudo acabar assim, não era. — O professor sentiu os lábios ficarem trêmulos. — Tudo o que está se passando na minha cabeça agora é o quanto eu queria ir correndo vê-lo.
— Não faça isso, você sabe que ele tem um padrasto maluco e uma mãe doida varrida.
— Eu sei. — Suspirou. — Por favor, eu preciso da ajuda de vocês...
— Olha, na carta está escrito que o casamento da mãe dele será daqui a dois dias, nesse sábado, então talvez, você poderia estar camuflado entre os convidados, o que acha? — Michael deduziu.
— Isso é genial! — Emmet aderiu à ideia.
— Só não temos o endereço do lugar onde será o evento. — Michael acrescentou.
— Eu também acho que pode dar certo. — Christopher admitiu. — E não se preocupem com o endereço, eu posso conseguir isso com a Elizabeth.
...♕...
Ao chegar em sua nova casa, Christopher procurou por Dora, que logo apareceu, ouvindo o dono chegar.
— Oi filha... — Pegou-a no colo e assim trancou a porta de entrada.
Caminhou pela sala de estar ainda vazia, somente com latas de tintas ainda fechadas espalhadas por ela. Cada passo que dava ecoava pelos cômodos vazios e largos.
— Você se sentiu sozinha hoje? — Falou com a pequena cachorra, enquanto a acariciava. — Me desculpe por te deixar aqui... Quer me ajudar a pintar a sala?
O professor subiu as escadas e caminhou ao seu quarto, onde tinha várias fileiras de caixas espalhadas, com todos os seus pertences dentro. Por ser o único cômodo já pronto e sem precisar de reformas, precisou colocá-las ali.
Christopher trocou de roupa, vestindo peças velhas, não se importaria assim caso as sujasse de tinta. Retornou ao primeiro andar e deixou Dora passar o tempo com seus brinquedos no quintal, não queria que ela ficasse incomodada com o cheiro da tinta.
Forrou o chão com jornais velhos, para que assim não respingasse e estragasse o chão de madeira da sala. Preparou o que precisaria e trouxe todos os pincéis que usaria.
Após diluir a tinta e começar o trabalho, sua mente voava longe dali. E mesmo que concentrado no que fazia, não conseguia tirar Theodore da cabeça.
Seus amigos haviam lhe aconselhado para não aceitar o que o garoto tinha escrito, também disseram que não seria bom pensar muito no assunto enquanto Christopher não falasse pessoalmente com ele.
Mas de nada tinha adiantado, o professor não conseguia esquecer as palavras usadas na carta, Theo já parecia cada vez mais amargurado em viver naquela situação conforme as últimas cartas dele, mas nunca imaginava que ele se renderia.
Suspirou, ainda usando o rolo de pintura e continuando a passar uma tinta clara nas paredes desbotadas da antiga casa.
A possibilidade de ser barrado naquele casamento veio em sua mente e não conseguiu pensar em outra forma de ver o garoto, isso o derrubou. Parou o trabalho e deixou o pincel de lado, precisava esfriar a cabeça e a pintura não estava o ajudando.
Partiu para a cozinha e abriu o armário onde havia guardado suas bebidas. Colocou uma dose dupla de vodca e entornou o copo em sua garganta; sentindo que não era o suficiente, levou a garrafa para o cômodo ao lado.
A pequena sala que parecia funcionar antigamente como um escritório, foi pouco mobiliada, até então tinha somente uma poltrona e um sofá, onde o professor se deitou, esticando as pernas. Percebeu que não tinha trazido o copo, mas ignorou, levando o gargalo até a boca.
Christopher olhava para o teto branco, procurando nele alguma resposta para o que tanto se passava em sua cabeça. Deu mais um gole na vodca, fazendo careta pela ardência que lhe percorreu.
Se sentia frustrado por estar de mãos atadas, sabia que Theodore não queria se separar dele, mas ainda assim, o pior era imaginar o que o garoto tinha sentido na pele quando botou tudo aquilo no papel.
O conteúdo da garrafa estava perto do fim quando a entornou pela última vez, já não estava tão cheia quando tirou-a do armário, podendo-se dizer que havia tomado um pouco menos da metade, porém, seria o suficiente para o deixar com uma bela dor de cabeça no dia seguinte.
Se sentiu tão confortável que pegou no sono ali mesmo.
Christopher tateou procurando o celular dentro do próprio bolso ao ouvir o seu toque, mas logo percebeu que o aparelho havia caído ao chão conforme ele tinha se mexido durante a noite.
— Alô? — Atendeu, bocejando.
— Chris? Te acordei? — Emmet perguntava, do outro lado da linha.
— Que horas são? — O professor colocou a mão na testa, sentindo a cabeça latejar.
— Quase dez horas, você já devia ter levantado.
— Olha só quem fala, desde quando você acorda cedo, Emm?
— Só tava brincando com você, mal humorado... — Reclamou. — Enfim, tô te ligando para saber, que horas posso passar aí?
— Hã?
— Nós não combinamos de ir ao centro escolher uma roupa para você ir ao casamento?
— Olha, Emm, não tô legal pra sair, sinto que minha cabeça vai explodir a qualquer momento.
— Toma um analgésico que passa. — Exigiu. — Ninguém mandou tomar todas ontem.
— Nem bebi tanto assim.
— Ah, tá. — Debochou. — E eu sou a Madre Teresa de Calcutá.
— Idiota... — Chris colocou a mão na testa. — Não me faça rir, só piora a dor.
— Vai, levanta daí, toma um remédio e um banho que eu já estou indo!
— Tá bom. — Sentou-se no sofá, sentindo as costas doerem.
Assim que desligaram a chamada, o professor obedeceu ao amigo e tomou um remédio para a dor de cabeça, partindo em seguida para um banho.
Ao terminar, se trocou rapidamente e procurou por Dora no quintal, vendo que ela estava dormindo dentro de sua casinha. Ao se aproximar, a pequena cachorra despertou com o barulho de seus passos, latindo para o dono.
Christopher acariciou-a e lhe deu um pouco de atenção. Depois de brincar um pouco com Dora, conversou com ela enquanto trocava a água e comida de suas tigelas.
— Você vai se comportar enquanto eu estiver fora, né filha? Promete que não vai me deixar uma surpresa no tapete como da última vez?
Ouviu-a latir como se o respondesse e o professor deu risada.
O interfone tocou, Christopher imaginou que seria Emmet e assim guiou-se até a porta de entrada.
Recebeu o amigo, que ao vê-lo, abriu uma cara de espanto.
— O que foi?
— Você tá horrível. — Emmet observou-o.
— Obrigado pela sinceridade.
— Eu achei que você ao menos faria a barba, o casamento já é amanhã.
— Ela cresce rápido, então prefiro raspar no mesmo dia em que eu tiver um compromisso importante, assim pinica menos.
— Vai fazer amanhã?
— Vou.
— Promete?
— Prometo.
— Mas ainda precisamos dar um jeito nesse seu cabelo, você precisa ir ao salão Emmet imediatamente!
— Emm, você disse que só iríamos comprar uma roupa e pronto. — Se queixou. — Eu já estou trocado...
— Nós vamos comprar, mas primeiro precisamos cortar essa juba!
— Vai demorar muito? Não podemos fazer depois das compras?
— Não, não posso mais permitir que saia assim em público! E a sua sorte é que eu trouxe o meu kit de tesouras!
...♕...
Um dia depois, sábado. Dia do casamento.
Alba havia acordado cedo e já ido para o salão, a cerimônia seria a tarde. Theodore pouco se importava, por ele, nem mesmo iria para o casamento, mas Sidney já tinha ficado encarregado de levá-lo.
O garoto só estava feliz porque em breve, Susannah e seus pais chegariam, eles pousariam ali até a volta de Alba da lua de mel. O garoto se encaminhou até a cozinha, onde Gioconda terminava de servir o café e Sidney já se sentava.
— Bom dia! — Sidney falou ao garoto, mostrando animação.
Theodore juntou-se à mesa, ignorando-o.
— Não vai falar bom dia para o seu futuro pai?
— Só nos seus sonhos. — Theo ergueu uma das sobrancelhas, indignado.
— Nos meus pesadelos, você quis dizer. — O homem retribuiu. — A primeira coisa que eu farei ao voltar da lua de mel, é te mandar para um externato bem longe daqui, se possível, em outro continente.
— Saiba que eu também não aguento olhar para essa sua cara de merda.
— Me agradeça se sua mãe voltar viva dessa viagem podre de lua de mel. — Sidney levantou-se, se retirando do local.
O garoto permaneceu estático, assustado com a última fala daquele homem.
— Gio, você ouviu o que ele disse?
— Sim, Theo. — Aproximou-se dele. — Mas ele só ameaça, ele não é capaz de fazer nada contra ela...
— Tudo bem que eu não concordo com o que minha mãe está fazendo em relação ao Christopher, mas... Ela ainda é minha mãe. — Murmurou.
— Esquece isso, ele só quer te abalar. — Tocou o ombro de Theodore. — Nada vai acontecer, tá?
— Mas não é isso que eu tô pressentindo, eu sei que alguma coisa boa não vai sair dessa viagem.
— Não se preocupa, tá? — Deu um sorriso reconfortante. — Eu estarei aqui caso ele tente qualquer coisa.
O garoto terminou o seu café da manhã a muito custo, era difícil comer sem apetite, mas não faria desfeita ao que Gioconda havia preparado com todo o cuidado naquela manhã.
A governanta retirou a mesa e retornou aos seus afazeres, aquele dia seria cheio. Depois de arrumar o quarto de hóspedes para as visitas que chegariam mais tarde, prepararia o almoço para todos eles e prepararia a roupa de Theodore e Sidney para a cerimônia.
Era perto de meio-dia quando Gioconda ouviu a campainha tocar, fazendo com que parasse tudo o que fazia e se encaminhasse até a entrada. Theodore já estava atrás da porta quando a governanta abriu-a, doido para ver a amiga.
— Susannah! — O garoto abraçou-a, apertado como nunca.
— Olá a todos, sejam bem-vindos. — Gioconda cumprimentou-os, pedindo para que entrassem.
Sidney se aproximava do local, dizendo:
— É uma honra ver vocês novamente, sintam-se em casa!
— Sidney, como vai? — Megan deu um sorriso, saudando-o. — Muito ansioso para o casório?
— Bastante. — Respondeu.
— Aproveite bem a fase que se seguirá na lua de mel, porque depois, é só ladeira abaixo. — James falou, rindo alto.
— Eu não deixava, hein, mãe. — Susannah gargalhou.
— Bom, fiquem à vontade, irei cuidar do almoço. —A governanta se retirou, partindo para a cozinha.
— A Gio já preparou o quarto de vocês. — Theodore falou, ajudando-os com as malas.
— Pode deixar, Theo, a gente cuida disso. — Megan falou, pegando as bagagens, com ajuda do marido.
— Ah, Theo, você tem que ver o vestido que eu comprei para o casamento! É maravilhoso! — Susannah animou-se.
— Em uma escala de um a dez, o quanto a Elizabeth te acharia gostosa? — Perguntou, recebendo um tapa leve da amiga.
— Cuidado com o que fala, meus pais podem escutar. — Repreendeu.
— Tá bom, desculpa aí.
— Mas eu não sei se ela vai gostar...
— Aposto que vai, só pelo fato de estar em você.
— Bobo.
O garoto reparou que as bochechas da amiga ficaram coradas, achando isso adorável.
Poucos minutos depois, Gioconda serviu a mesa e anunciou o almoço. Todos se sentaram e o assunto que reinou durante toda a refeição, foi sobre a cerimônia.
Theodore não aguentava mais ouvir sobre aquilo, mas sabia que não tinha mais escolha, ser contra tudo aquilo naquele nível do campeonato não lhe traria nenhum benefício.
Quando terminaram seus pratos, Megan e James decidiram tirar um cochilo para descansar da viagem, enquanto Susannah e Theo se reuniram no quarto do garoto para conversar.
— Su, você falou com a Elizabeth nesses últimos dias?
— Falei, ela me disse também que você terminou com o Chris, é verdade mesmo?
— É.
— Poxa, eu nem consegui acreditar, eu sei que você ama ele, Theo, por que fez isso?
— Foi por isso, Su, por eu o amar tanto...
— Mas, isso não faz sentido pra mim!
— Eu quero o proteger! E isso não é possível se eu não desistir dele, como minha mãe quer!
— Eu até entendo, mas, ah sei lá, poderia ter sido de outra forma.
— Eu não consegui achar outra alternativa. — Bufou. — A Elizabeth também não concordou muito com isso...
— Não é pra menos, né? Ela levava e trazia cartas de vocês, deve ter ficado indignada ao ver você desistindo assim!
— Susannah, foi preciso, sabe? Foi difícil sim, mas foi a melhor opção.
— Deve ter sido difícil mesmo. — Abraçou o amigo.
— Ah, Su... — Lembrou-se. — Falando na Elizabeth, ela anda meio estranha nesses últimos dias, meio suspeita sabe? Acho que ela tá planejando alguma coisa...
— Como assim?
— Acho que tem a ver com essa história da minha última carta ao Chris, não sei dizer. Ela não te disse nada?
— Não. — Susannah mentiu, sabia muito bem do que ele estava falando.
...♕...
Todos já haviam terminado de se arrumar para o casamento, Sidney foi o primeiro a ficar pronto, indo adiantado para a cerimônia. Theodore ficou aliviado ao ver que não precisaria mais ir junto ao crápula, mas isso também não o deixou menos nervoso.
— Theo, vai ficar tudo bem. — Susannah o encorajou, enquanto terminava de ajustar a gravata borboleta em seu traje. — Você está lindo, mas saiba que uma cara emburrada não combina com smoking.
— Como posso ficar feliz consentindo com esse casamento, Su? É uma farsa...
— E o que você pode fazer, hein?
— Só esperar pelo dia que direi para minha mãe “eu te avisei”.
— Exatamente.
— Tá, né. — Suspirou.
— E eu? Como estou? — A garota girou.
— Maravilhosa. — Elogiou, olhando para o seu vestido amarelo de renda longo, com um decote profundo nas costas. — Sua maquiagem tá bonita também, eu gosto quando você passa esse treco escuro no olho.
— Delineador? — Riu.
— É, isso aí, eu acho.
— Vamos, crianças? — Megan apareceu, também trajando um vestido longo, na cor vermelha. — Não podemos nos atrasar.
Após James colocar o endereço no GPS, seguiram até o salão em uma viagem que durou poucos minutos. Assim que chegaram, estacionaram o carro e já viram algumas pessoas bem vestidas entrando no salão.
Entraram e quando acharam um bom lugar para sentar, acomodaram-se e assim esperaram pelo começo da cerimônia.
Quando Elizabeth viu o primo entrar, praticamente saltitou de alegria; correu até detrás de um dos quiosques de madeira que decoravam o local e ao encontrar quem procurava, falou:
— Ele chegou, quer que eu o chame?
— É melhor esperar um pouco.
— Por quê, Chris?
— Eu tenho muita coisa para conversar com o Theo, mas durante o casamento alguém pode sentir a falta dele, caso isso aconteça, poderiam achá-lo comigo e isso seria arriscado...
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