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52 Capítulo 52 — Ensaio.
Notas iniciais
Capítulo 52 — Ensaio.
Theodore já não tinha mais lágrimas para derrubar, permaneceu deitado no pequeno sofá do escritório, quando então, percebeu que não estava sozinho no local.
— Eu estava te procurando... — Alba deu alguns passos, se aproximando dele. — Imaginei que estivesse aqui.
— Por um momento senti a presença dele. — Theodore murmurou, enquanto a mãe sentava-se ao seu lado, notando os olhos inchados do garoto.
— Oh, meu filho. — Tocou os ombros dele, o trazendo para perto. — Eu sei o quanto é difícil, mas acredite em mim, seu pai está olhando para nós agora.
— Quando eu penso que superei... — Falou, com a voz abafada, em meio ao abraço. — Tudo vem à tona.
— É assim comigo também. — Afirmou. — Mas vamos evitar pensar em coisas ruins, tá certo? Vamos pensar nas coisas boas, como nas pessoas maravilhosas que estão aqui, felizes em nos ver.
— Mãe, a Susannah sabe que estamos aqui?
— Eu me esqueci desse pequeno detalhe. — Alba deu um sorriso desajeitado. — Mas fica tranquilo que iremos vê-la, só queria que você visitasse outra pessoa antes de ir para a casa da Su.
— Quem?
— Se lembra do barbeiro Charles? — Ela indagou. — Quando você era pequeno, ia na barbearia dele com seu pai.
— Nossa, me lembro sim!
— Você está um pouco cabeludo, então pensei que, talvez, pudesse ir fazer uma visita a ele, que tal? Tenho certeza que ele ia adorar te ver novamente.
— Por mim tudo bem. — Theodore deu um sorriso tímido, mal acreditando que estava conseguindo ter uma conversa normal com sua mãe.
— Bom, você prefere ir hoje ou amanhã?
— Não tem que ter hora marcada lá?
— Não, é só chegar e esperar a vez.
— Então eu prefiro ir hoje, se eu for deixar para depois, é capaz de acabar esquecendo.
— Tá bom, eu te levo lá e depois se quiser, já partimos para a casa da Susannah.
...♕...
— Você tinha que ver como ele ficou surpreso em me ver! — Theodore entrou no carro de sua mãe, após sair do barbeiro.
— Eu imagino, queria ter ficado para ver. — Alba afirmou, logo olhando para o novo corte do filho. — Eu gostei de como ficou, Charles é caprichoso.
— Não quis mudar muita coisa, mas já deu uma diferença enorme em só cortar um pouco em cima e deixar mais curto nas laterais. — Theo afirmou, olhando-se no espelho do tapa-sol do carro.
— Então, quer ir para a Susannah agora?
— Precisa mesmo perguntar?
Guiaram-se para a casa de Megan e James, os pais de Su, que os receberam assim que tocaram o interfone.
— Olha só quem está aqui! — A mãe de Susannah os cumprimentou. — Que surpresa boa! Como vocês estão?!
— Muito bem, graças a Deus. — Alba respondeu.
— Vem, vamos entrando...
— Estão com fome? — James indaga.
— Não se preocupe, nós já almoçamos.
— Cadê a Susannah? —Theodore perguntou, já na sala de estar.
— Ela está praticando piano, lá na sala dela. — Megan afirmou. — Por que não vai lá a interromper um pouquinho?
— Tá bom. — O garoto deu um sorriso travesso.
Theo deixou todos conversando na sala e subiu as escadas, já sabia o caminho. Entrou na sala com isolamento acústico, onde viu Susannah de costas para ele, sentada na banqueta, enquanto tocava piano graciosamente.
— Eu adoro essa música. — Theodore falou, pegando a amiga de surpresa.
— Theo! — Ela se virou bruscamente. — Meu Deus! O que você está fazendo aqui?!
— Eu estava com saudade de te encher o saco, então decidi te fazer uma visita. — Anunciou, recebendo um abraço apertado de Susannah.
— Eu não acredito! Como sua mãe deixou?!
— Ela veio comigo. — Sorriu. — E o melhor, sem o Sidney.
— Isso é ótimo!
— Só que ficaremos apenas até domingo.
— Ah, é pouco tempo. — Fez bico. — Mas você vai pousar aqui, né?
— Se os seus pais deixarem, minha mala está no carro.
— Eu não preciso perguntar, você vai dormir aqui e ponto! — Exclamou. — Vem, vamos pegar suas coisas.
— Mas já? — Theodore soltou uma risada.
— Não podemos adiar, temos muita coisa para conversar e é melhor prevenir!
Susannah desceu as escadas rapidamente, puxando o amigo pelo braço e assim passaram pela sala de estar, onde James indagou:
— Aonde estão indo com essa pressa toda?
— Vamos lá fora pegar as malas do Theo.
— Você vai dormir aqui? — Alba questionou.
— Eu convidei. — Susannah explicou.
— Me empresta as chaves do carro? — Pediu Theodore.
— Aqui. — Lhe entregou.
Eles foram com pressa para onde o carro estava estacionado e retiraram a única bagagem do garoto do porta-malas, logo levando-a para o interior da casa novamente.
— Vou deixar no quarto de hóspedes. — A garota pegou a pequena mala e caminhou para o cômodo no segundo andar.
Theo a seguiu, vendo como ela parecia animada, como se houvesse tomado uma dose de adrenalina.
— Su, o que foi? Por que está tão agitada?
— Pelo jeito você não está pensando no mesmo que eu. — Susannah falou, em baixo tom.
— Não mesmo, o que foi?
— Não parou para pensar que sua mãe não deu nenhuma ordem agora para você? E nem tem como, afinal, você vai ficar na minha casa e ela não pode te vigiar aqui! — Atropelou as palavras.
— Hã? Vai com calma, não entendi nada.
— Aqui você vai ter internet, aparelhos eletrônicos deste século que auxiliam na comunicação, já se esqueceu de tudo isso? — Brincou. — Ou preciso desenhar?
— Você é mesmo um gênio! — Admirou, boquiaberto.
— Eu tô achando que alguém vai ficar muito feliz em poder ouvir sua voz hoje. — Ela deu um sorriso. — Um professor bonitão, sarado, de olhos verdes... Quem será?
— Susannah! — Gargalhou.
— Então, por enquanto esperamos a sua mãe ir embora pra depois a gente falar com ele, tá certo?
— Também acho melhor assim.
— Vem, vamos lá participar da conversa daqueles coroas.
...♕...
— Qualquer problema que o Theodore der, já sabem. — Alba falou, já na porta de entrada.
— Fica tranquila, eu sei lidar com esses dois. — Megan concluiu, rindo. — E outra, você aturou a Su por muito tempo lá em São Francisco, não é mesmo?
— Ei! Eu sou um anjo, tá bem? — A garota se defendeu.
— É verdade, ela sempre se comporta direitinho. — A promotora elogiou. — Bom, então vou indo... Juízo, hein, mocinho.
— Pode deixar.
Alba se despediu e então, quando Susannah a viu partir, arrastou o amigo para o seu quarto; onde trancou a porta e caminhou até a sua escrivaninha, sentando-se em frente ao seu notebook.
— Theo, pensei numa coisa melhor do que simplesmente ligar para o Chris.
— Que coisa?
— Fazer uma surpresa.
— Como?
— Eu vou entrar e procurar saber se ele está online... — Abriu o site, procurando pelo nome do professor. — E para a nossa sorte, ele está.
— Sério? — Theodore se aproximou da tela.
— Agora vou chamá-lo no bate-papo e perguntar se ele está disponível para uma chamada em vídeo comigo. — Deu um sorriso sugestivo. — Já entendeu onde eu quero chegar, né?
— Su, pela segunda vez, você é um gênio!
— Agora eu só preciso pensar em uma desculpa, porque ele vai perguntar o motivo disso, já que eu nunca o chamei para uma chamada em webcam.
— Fala que é urgente, que é sobre mim.
— Tá bom, vou falar.
— Enquanto isso, eu preciso de um espelho... — O garoto se dirigiu até a penteadeira de Susannah.
— Para quê? Você está lindo assim! — Ela rebateu. — Se melhorar, estraga.
— Acha mesmo?
— Confia em mim, ele vai babar em você, inclusive nesse seu novo corte.
— Espero que sim. — Respondeu, envergonhado.
— Vai, senta aqui em frente ao notebook. — Ela se levantou e deu a cadeira para o amigo.
— E o que eu faço? — Sentou-se.
— Só espera ele responder e clica em aceitar a chamada quando ele enviar, aí assim que a janela da câmera se abrir e ele te ver, vamos torcer para não dar um treco nele! — Riu alto.
— Ele tá chamando... — A voz de Theodore quase não saiu, seu coração deu um sobressalto na mesma hora.
— Atende logo!
— Tá. — O garoto mordeu o lábio pelo nervosismo, clicando em aceitar a chamada.
— Fala aí, Susan... — Christopher interrompeu a frase, cobrindo a boca com a mão, não acreditando no que via.
— Oi. — O sardento deu um sorriso tímido ao se deparar com o namorado.
— Theo... — O professor riu, abobalhado. — Meu Deus, é você mesmo?
— Eu não disse que era urgente? — A garota apareceu no vídeo.
— Susannah, por que não me avisou? Olha o meu estado! — Falou, ainda surpreso, se referindo ao fato de estar desarrumado.
— Você tá lindo. — Theodore sorriu, com os olhos brilhantes. — O seu cabelo tá longo!
— Tô parecendo o Tarzan, né, eu sei. — Riu de si mesmo.
— Que nada.
— E o seu cabelo tá bonito assim. — Christopher o elogiou, ainda encantado por vê-lo.
— Eu cortei hoje. — O garoto coçou a nuca, envergonhado.
— Vou deixar vocês a sós um pouco, tá bom, pombinhos? — Susannah deu um beijo na bochecha de Theo. — Até depois, Chris!
— Até. — Acenou de volta.
Theodore observou a amiga sair do quarto e logo ouviu o professor dizendo:
— Que inveja desse beijo.
— E eu estou com inveja da Dora. — Falou, ouvindo-a latir. — Ela está aí perto, né?
— Tá bem aqui. — Christopher pegou-a no colo, segurando em uma de suas patas e fazendo-a acenar para o garoto.
— Oi filha! — Theodore riu, ainda não acreditando no que via, apaixonado pela sua visão.
— Ah, Theo, tenho uma novidade...
— Me conta!
— Se lembra que eu te disse que seria tio?
— Me lembro sim.
— Então, serei tio de uma menina. — O professor abriu um largo sorriso. — Avalon fez a ultrassom esses dias, já completou quatro meses de gestação.
— Sério?!
— Sim, ela se chamará Chloe.
— É um nome bem bonito!
— Eu sei, fui eu que sugeri. — Se vangloriou.
— Olha só, que bom gosto... — Ergueu uma das sobrancelhas.
— Ah, Theo, você está em Roseville, certo?
— Estou, por quê?
— Elizabeth me avisou que você viajaria, mas eu nem pensei na possibilidade de poder te ver.
— Nem eu, a Susannah que teve a ideia.
— A agradeça mais tarde por mim.
— Pode deixar.
— Esse é o quarto dela, né?
— Sim, olha só isso. — Theodore pegou um porta-retratos de cima da escrivaninha e o colocou na frente da câmera do notebook. — Essa foto é da festa de debutante dela, do aniversário de dezesseis.
— A princesa da foto é bonita, mas eu ainda prefiro o príncipe que está ao lado dela. — Soltou uma risada.
— Babaca. — O garoto envergonhou-se, guardando a foto onde estava ao lado da amiga. — Eu fui o par dela...
— Você estava uma graça com essa farda de realeza, sabia?
— Ela que escolheu, foi o tema da festa.
— Ah, Theo, sabe quando a gente sente que tem um milhão de coisas para dizer? Eu me sinto assim agora, mas acabo ficando mudo quando olho pra você. — Christopher admitiu.
— É a mesma coisa comigo, acredite.
— Não conseguimos trocar cartas nessas últimas semanas, então me conte, Theo, como foi o seu natal?
— Foi bom, passei na casa da minha avó. — Sorriu. — E aí, como foi?
— Passei o natal na casa do Emmet e do Michael, o Victor e o David também estavam lá.
— Ganhou algum presente indecente do Emmet?
— Dessa vez não. — Riu. — E você? O que ganhou?
— Uns livros, chocolates, nada demais.
— E como foi o seu ano novo?
— O ano novo passei com minha família também, fomos todos para o Iate Clube. — O garoto respondeu.
— A minha virada foi parecida, tirando a parte do iate... E do clube.
— Bobo! — Gargalhou.
Chris o admirou, apoiando o rosto em sua mão, ficando ainda mais perto da tela.
— Você fica ainda mais bonito quando ri, como consegue, Theo?
— Eu que te pergunto como consegue me deixar envergonhado em tão pouco tempo. — Olhou para baixo, evitando olhar para os olhos de Christopher.
— Para de bobagem, você fala como se fôssemos estranhos.
— É que é, sei lá... — Levantou a cabeça novamente. — Parece que estou há um século sem te ver.
— Pra mim é quase isso. — O professor deu um sorriso tímido.
— Mas então, você tá dando aulas ainda?
— Já voltei das férias, infelizmente. — Chris deixou Dora ao chão. — Ah, eu comecei a visitar algumas casas com meu pai, decidi que quero mesmo me mudar.
— Isso é ótimo! Já se interessou por alguma?
— Por várias. — Riu alto. — Mas nenhuma dentro do meu orçamento, eu estava planejando escolher uma casa um pouco esquecida na questão de acabamentos, porque assim o preço não estaria tão valorizado e a reforma seria um gasto à parte.
— Parece um pouco arriscado.
— Eu sei, mas colocando na ponta do lápis, é o jeito.
— O que você está procurando em uma casa?
— Um bom espaço verde é o mais importante, depois, não seria nada mal ter um segundo andar. — Respondeu. — E Theo, imagine só, você acordando comigo, tomando um café da manhã na sacada, admirando a vista...
— Não podemos pular logo para essa parte? — O garoto sorriu, acariciando a tela do notebook, na altura das bochechas de Christopher.
— Bem que eu queria, amor, queria mesmo.
...♕...
— Eu percebi que ainda está usando a pulseira que a Lizzie te deu. — Theodore observou o pulso de Susannah.
— Eu realmente gostei dela. — Deu um sorriso tímido.
— Da pulseira ou da Elizabeth? — O garoto indagou, fazendo-a corar ainda mais.
— Idiota!
— Sabe, a Liz tá com saudade de você, ela não fala mais de outra coisa...
— Eu assumo que também sinto um pouquinho de saudade.
— Um pouquinho?
— Tá, eu tô com muita saudade dela! Tá feliz?
— Estou. — Confessou.
— E a conversa com o Chris? Como foi?
— Susannah, foi tão bom falar com ele... — Theodore revelou para a amiga, deitando em sua cama.
— Imagino, o papo de vocês durou horas! — Ela deu um sorriso malicioso. — Do que tanto falaram, hein?
— Não seja boba, não falamos de nada explícito... Demais.
— Seu safado! — Deu uma risada, golpeando-o uma vez com seu travesseiro.
— Ah... — O garoto suspirou, abraçando o travesseiro. — É sério, eu não aguento mais ficar sem ele, Su.
— Fica tranquilo, você sabe que tudo vai ficar bem, não sabe?
— Eu espero que sim. — Fez uma breve pausa. — E que seja isso rápido.
— Você tá com sono, Theo? — Bocejou.
— Um pouco... — Fechou os olhos. — Estou com preguiça de levantar.
Eles pegaram no sono juntos, como nos velhos tempos.
Os dias em Roseville passaram rápido para Theodore, que permaneceu o fim de semana todo na casa da amiga. Enquanto Alba, havia ficado hospedada na casa de Anthony.
A promotora tinha aproveitado os poucos dias da viagem para distribuir os convites de seu casamento pessoalmente, os parentes já estavam cientes de seu noivo há um tempo e concordavam com a ideia de ela se casar novamente.
...♕...
Três meses depois. Início de maio.
— O meu vestido está impecável, o smoking do Theo também, todas as flores estarão chegando na semana que vem, bem a tempo de serem montadas no salão... — Alba andava em círculos, desabafando com Gioconda. — Eu não consigo acreditar! Está tão perto! E esse ensaio só serve para me deixar mais ansiosa ainda!
— Como você mesma disse, não há com o que se preocupar, sei que o nervosismo aumenta, mas tenta relaxar um pouco. — A governanta aconselhou.
— Você tem razão. — Alba ajeitou os cabelos atrás da orelha. — Acho que vou me preocupar com o que realmente importa... O Theodore.
— O que ele acha do ensaio do casamento?
— Não sei como vou convencê-lo a participar, mas ele não pode recusar, afinal, ele entrará comigo.
— Então tente conversar com ele, vai dar tudo certo.
Gioconda retornou aos seus afazeres e Alba procurou pelo filho, notando que ele estava em seu quarto. A porta para o porão estava somente encostada, então assim desceu as escadas e chamou por Theodore.
— O que foi? — O garoto respondeu, interrompendo os abdominais, deitando-se no colchonete.
— Os exercícios estão fazendo efeito. — Ela elogiou, olhando o abdômen levemente definido do filho. — Está malhando há quanto tempo?
— Desde o começo do cárcere, uns sete meses talvez, me diz você.
— Bom, Theodore... — Respirou fundo. — Eu queria falar com você sobre o ensaio...
— O que é que tem?
— Será amanhã e eu gostaria muito que fosse ensaiar, já te disse que quero que entre comigo, não disse?
— Já, um milhão de vezes. — Se levantou.
— E então?
— Eu não quero ir.
— Olha, Theo, não quero te obrigar, só queria que você fosse por vontade própria.
— Não acordei me sentindo um bom samaritano, valeu?
— Eu faço qualquer coisa que quiser se você for.
— Qualquer coisa? — Ergueu uma das sobrancelhas.
— Qualquer coisa.
— Então eu vou com uma condição.
— Qual?
— Você devolver minha liberdade. — Theodore propôs.
— Eu vou pensar, pode ser?
— Você vai me enrolar, isso sim.
— Se tudo ocorrer bem no ensaio e na cerimônia, quando eu voltar da lua de mel, pensarei melhor nisso.
— Como posso acreditar em você?
— Eu dou a minha palavra.
— Ah, tá bom, sei.
— Só me diga que vai amanhã ao ensaio.
— Tá, eu vou. — Deu os ombros.
...♕...
No outro dia, todos se reuniram no salão onde seria a cerimônia; o local havia um grande campo e jardins bem cuidados, perfeito para casamentos ao ar livre, que era o desejado por Alba.
Os padrinhos e madrinhas estavam presentes, um dos casais eram os pais de Elizabeth, tios de Theodore, então quando o garoto avistou-os, saiu a procura da prima.
— Lizzie! — O garoto a chamou, enquanto ela ia em direção ao pergolado em meio ao jardim.
Ela virou-se para o cumprimentar.
— Não achei que viria.
— Pois é, nem eu.
Ambos se acomodaram no banco de madeira dali e a garota falou:
— Então, tenho uma novidade para você, Theo.
Elizabeth abriu a bolsa, tirando algo de dentro dela que fez os olhos de Theodore brilharem.
— Ele já escreveu?!
— Pois é, ele foi rápido essa semana.
— Deve ser pela casa nova, depois de alguns meses pesquisando, ele disse que estava quase fechando negócio.
— Então abre logo que estou curiosa também!
Theo abriu o envelope e percorreu os olhos pelo papel rapidamente, sedento por cada mísera vírgula escrita por Christopher.
— E então? — Perguntou ela, ao ver que ele tinha terminado a leitura em poucos minutos.
— Ele está falando que deu certo, que já conseguiu o financiamento e tudo mais, até anotou o novo endereço dele aqui. — Estendeu-lhe a carta. — Quer ler?
— Eu quero. — Alba retirou o papel de sua mão.
A voz da promotora fez um arrepio percorrer a espinha de Theodore, o garoto não tinha notado que ela havia se aproximado deles por trás do banco.
— É uma carta do meu namorado, tia. — Elizabeth tentou contornar a situação.
— Olha só, que maravilha... — Alba terminou a leitura. — Financiando uma casa? Seu namorado é um pouco velho para você, não acha?
— A-Ah, não muito... — A garota gaguejou.
— Qual de vocês irá me dizer o significado disso?
— T-Tia, eu posso explicar!
— Ah, eu sei que pode, você que está trazendo essas coisas para ele, não é?
— Não culpe a Elizabeth por nada. — Theo pediu. — Por favor, Lizzie, deixe que eu resolva isso sozinho.
— M-Mas...
— Por favor, Liz.
A prima se levantou, se retirando a pedido do garoto, ainda com uma expressão aflita em seu rosto.
— Desde quando você está recebendo esse tipo de carta?
— Olha, isso não é da sua conta.
— Ah, não é da minha conta? — Riu, incrédula. — É para isso que você quer tanto sua liberdade, Theodore? Você não vê que esse Christopher só quer se aproveitar de você?! Esses homens mais velhos só pensam em uma coisa! Ele só diz essas coisas bonitas para te levar para a cama! Pare de se iludir!
— Quer saber de uma coisa, Sra. Alba? Não é ele, sou eu, eu que o procuro! Ele não tem culpa de nada, sabe por quê? Porque todas as vezes era eu que pedia! Eu que gritava “me fode” e pedia por mais depois! E você não tem a mínima ideia do quanto eu adorava não conseguir sentar no outro dia... Fui claro o suficiente para você?
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