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49 Capítulo 49 — Tratamento especial.
Notas iniciais
Capítulo 49 — Tratamento especial.
— O quê? Que absurdo, Theo!
— Eu tô falando sério. — Theodore insistiu. — Eu realmente acho que ela gosta de você.
— Para de bobagem, vai.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou, mas caso ela se declare para você, não finja que está surpresa. — Se levantou do sofá, rindo. — Bom, vou dormir, acordei cedo hoje... E você, não está com sono, não?
— Um pouco. — Bocejou.
— O quarto de hóspedes já está arrumado, suas coisas estão lá. — Afirmou. — Boa noite, Su.
— Boa noite, Theo.
...♕...
Christopher tateou procurando pelo celular, de olhos fechados, queria desligar aquele despertador insuportável. Quando achou-o, interrompeu o som estridente e esfregou os olhos.
Se sentou na cama, sentindo dores nas costas, parecia ter dormido de mal jeito. Não demorou muito para ser recepcionado por Dora, escutou o barulho das patas no assoalho e logo seus latidos.
— Bom dia, filha. — Pegou-a no colo, dando um beijo no topo de sua cabeça. — Tá com fome? Vem... Vou colocar o seu café da manhã.
O professor andou até o quarto de hóspedes, onde agora era todo dominado pelos brinquedos de Dora e os muitos pertences da pequena cadela. Colocou-a ao chão e assim botou uma pequena quantidade de ração sobre a tigela vazia, já que Dora não era de comer muito, também trocando a água da outra vasilha para uma fresca.
Após escovar os dentes, fez o próprio café da manhã, porém, as panquecas não pareciam tão atrativas, estava sem apetite. Mesmo assim, se forçou a comer, mastigando sem ânimo, até notar que sua garganta estava inflamada quando tentou engolir.
Praguejou pela dor, parando de comer, tentaria ligar para sua mãe mais tarde, para saber qual remédio tomar. Sabia que precisava ir ao médico, mas nunca se dava ao trabalho quando tinha um sintoma tão fraco de resfriado.
Após terminar de arrumar a cozinha, ouviu batidas conhecidas na porta de entrada, indo até lá e recepcionando Emmet.
— E aí, Emm? — Encostou a porta, enquanto o amigo entrava. — Cadê o Mikey?
— No trabalho, ele não está de férias como certas pessoas. — Soltou uma risada.
— Touché.
— Que carinha é essa? — O amigo observou. — Está com os olhos marejados, tava chorando, é?
— Só estou com um começo de um resfriado chato.
— Vem aqui. — Aproximou-se do professor, colocando a mão em sua testa. — Está pelando de febre!
— Não estou tanto, vai...
— O que você tem na sua caixinha de remédios?
— Quase nada. — Se jogou no sofá. — E se eu tiver algo para a febre, provavelmente já está fora da validade.
— Não pode ser tão desleixado. — Repreendeu. — Desde quando está mal assim, Chris?
— Até ontem de tarde eu estava bem, comecei a espirrar um pouco a noite, mas só achei que fosse a minha rinite atacando. — Explicou. — Então hoje acordei com dor de garganta e com os olhos lacrimejando um pouco.
— E você está com frio? — Emmet viu o amigo se encolher, escondendo os pés gelados debaixo de uma almofada.
— Bastante.
— Então isso é febre mesmo. — Sentou-se perto de Christopher. — Você vai ter que tomar bastante água, para regular a temperatura do seu corpo, além de tomar um banho frio.
— Já bebi água agora mesmo, mas banho frio eu não tomo de jeito nenhum.
— Tudo bem, só que sem remédios você não pode ficar. — Tocou mais uma vez a testa do amigo. — Eu vou ir comprar, está bem?
— Não precisa, depois eu compro.
— Depois quando?
— Não se preocupa, Emm.
— Idiota, eu me preocupo sim. — Levantou-se. — Fica quietinho aí, eu já volto, vou na farmácia.
Emmet saiu pela porta, enquanto Christopher levantava para ir buscar um cobertor em seu quarto. Voltou para a sala de estar, sendo seguido por Dora e deitou-se novamente. Se enrolou na coberta como um charuto, pegando a cachorrinha e a colocando deitada em seu peito.
...♕...
— Eu tô parecendo um garçom. — O garoto se queixou, ao se olhar no espelho da loja.
— Não está não, Theodore, pare de gracinhas. — Alba o repreendeu.
— Você está lindo de smoking, Theo. — Susannah o elogiou, aproximando-se do amigo.
— Acha mesmo?
— Acho sim, vai ficar ainda melhor quando for ajustado.
— Espero que sim, já estou com medo desses alfinetes. — Riu.
— Vamos para o provador? — A vendedora se aproximou de Alba, com diferentes modelos de vestidos em mãos.
Elas se encaminharam ao cômodo ao lado, onde a mulher que carregava os vestidos, pendurou-os.
— Então, qual quer provar primeiro?
— Deixa eu ver. — Alba olhou-os atentamente. — Esse aqui é lindo, inclusive, esse bordado aqui, perto do busto, me remete a uma lembrança muito querida.
— É sério? E o que seria?
— Meu primeiro vestido de noiva. — Sorriu, tocando o tecido branco. — Me lembro do meu falecido marido William, ele parecia tão deslumbrado quando me viu entrando na igreja. Me sinto até um pouco culpada agora... Por estar tão feliz.
— Não pense assim. — A vendedora aconselhou. — Você está começando uma nova etapa na sua vida, você merece ser feliz como ninguém, não se culpe por isso.
— Agradeço suas palavras. — Alba sentiu os olhos lacrimejarem. — Faz cinco anos que o Will me deixou... Eu ainda sinto muita saudade e sei que o meu filho também sente, isso dói em mim, já que eu sei que ele não quer me ver com mais ninguém que não seja o pai dele.
— Eu te entendo, mas tenha paciência, tenho certeza que ele vai se acostumar.
— Obrigada. — Enxugou as lágrimas. — Mesmo sendo difícil, eu sei que estou fazendo a coisa certa. Eu nunca achei que poderia amar alguém depois do William, só que eu amo o meu noivo, ele é uma benção na minha vida.
— Só de ver o seu sorriso quando fala nele, já dá para saber que é verdade. — A vendedora observou. — Mas então, está pronta para começar a provar?
Enquanto a mulher auxiliava Alba a vestir o primeiro vestido, Susannah estava sentada, esperando uma das moças terminar de tirar as medidas de Theodore. Quando o garoto foi liberado, ele colocou as suas roupas de volta e foi em direção da amiga, sentando-se ao seu lado.
— Ei, Theo, eu estava pensando em uma coisa agora mesmo.
— O quê, Su?
— Christopher adoraria te ver de smoking, não acha?
— Será?
— É claro que sim! Tenho certeza que ele babaria horrores!
— Não sei, mas se ele visse, bem que eu gostaria de ver a reação dele.
— Ou ereção. — A garota brincou, gargalhando.
— Idiota! — Riu alto. — Olha as coisas que você fala!
...♕...
— Acho que o Mikey chegou. — Emmet afirmou, após ouvir os toques na porta de entrada, caminhando até lá e a abrindo. — Oi, amor!
— Como ele está? — Michael deu um selinho no namorado, logo entrando no apartamento.
— Está jogado no sofá desde cedo, não quis almoçar e me disse que mal conseguiu relar no café da manhã...
— Ainda bem que eu passei no mercado depois do trabalho. — Michael colocou as sacolas das compras sobre o balcão. — Trouxe legumes, vou fazer uma sopa para você, Chris.
— Eu tô sem apetite. — Christopher levantou-se, ainda enrolado na coberta. — Não precisa se preocupar, tanto, Mikey.
— Não é questão de querer, você precisa comer. — Michael afirmou. — Vou colocar uma panela com água para ferver e cortar os legumes. Emm, você deu algum remédio pra ele?
— Até tentei, mas adivinha, o bonitão aí não quis.
— Que teimosia é essa, Chris?
— Não é teimosia, eu nem estou tão mal assim, não preciso de remédios. — O professor tossiu, sentindo a garganta incomodar ao mesmo tempo, como se estivesse arranhada.
— Não está tão mal assim, é? — Michael ironizou. — E essa tosse horrível?
Christopher não respondeu e se jogou no sofá novamente, enquanto os amigos cuidavam da cozinha.
Quando a sopa ficou pronta, Chris foi chamado, mas ele se recusou a levantar do sofá, alegando estar cansado demais.
— Na verdade, você está sem forças por não ter comido nada. — Michael o repreendeu. — Vai, Emm, prepara um prato e leva lá para ele.
Emmet foi até a sala de estar com a sopa em mãos e pediu para que o professor se sentasse para comer. Colocou-se ao lado dele no sofá e mais uma vez ele negou a comida.
— Você não sabe o que tá perdendo, sente só o cheirinho... — O amigo abanou o aroma para perto dele.
— Bem que eu gostaria de sentir cheiro de algo com esse nariz constipado...
— Christopher... — Chamou sua atenção. — Você tá parecendo uma criança, vai, pega logo o prato.
— Minha garganta vai doer... — Reclamou.
— Os legumes estão derretendo na boca, não vai doer coisa nenhuma.
— Deixa pra lá, Emm, depois eu como. — O professor recusou mais uma vez.
— Quer saber, abre essa boca. — Emmet exigiu, erguendo uma colherada perto do rosto de Chris.
Christopher meneou com a cabeça, negando, mas a persistência do amigo o venceu, então ele abriu a boca a contragosto.
— Olha o aviãozinho. — Viu Christopher abocanhar a colherada e saborear. — E aí, o que achou? Tá uma delícia, não tá?
O professor balançou a cabeça afirmativamente, logo abrindo a boca, para Emmet lhe servir mais uma vez.
— Parece que alguém gostou de ser tratado como criança. — Soltou uma risada.
— Então, Chris, já começou os preparativos para o natal? — Michael se aproximou. — Falta só uma semana...
— Eu não vou comprar presentes esse ano, nem decorar o apartamento. — O professor revelou.
— Por quê? — O amigo questionou, curioso.
— Não vou comemorar com uma família que só sabe me olhar torto quando estou por perto, se fosse só com meus pais e minha irmã, tudo bem, mas não suporto passar o natal com alguns tios e primos meus.
— Você tá certo. — Michael concordou. — Parei de comemorar com minha família por isso também.
— Então vai passar o natal sozinho? — Emmet entrou na conversa.
— Sozinho não, com a minha filha. — Afagou Dora.
— Entendi. — Afirmou Emmet, sentindo o seu peito oprimir.
Após Christopher terminar seu prato de sopa, tomou um comprimido do remédio para a febre e passou mais um tempo conversando com os amigos.
O horário ficou mais avançado e assim Emmet e Michael precisaram se despedir. Chris se encaminhou para um banho antes de ir dormir e deixou com que Dora o fizesse companhia na cama.
...♕...
— Amanhã precisaremos ir visitá-lo novamente, do jeito que ele é teimoso, tenho certeza que pode muito bem parar de tomar o remédio. — Michael afirmou, assim que chegaram em casa.
— Verdade, eu fiquei preocupado com ele, parece que depois daquilo que aconteceu com o Theodore, ele está indo de mal a pior. — Emmet deduziu. — E isso já faz o quê? Um mês mais ou menos?
— Por que você não passa o dia com ele, amanhã?
— Acho que vou fazer isso sim, não tem jeito. — Concluiu. — Ah, Mikey, eu estava pensando em uma coisa...
— Diga. — Michael deixou as chaves sobre a mesa da cozinha.
— Eu me senti tão mal quando ele disse que ia passar o natal sozinho... — Entristeceu-se. — Ninguém deveria passar o natal sem ninguém.
— É verdade, Emm.
— Então eu pensei em, sei lá, talvez fazer a ceia aqui em casa e chamar ele, o que acha?
— É uma boa, amor, mas você não passa sempre o natal com seus pais?
— Eles vão entender se eu disser.
— Então tá certo. — Sorriu.
— Por que tá me olhando assim, Mikey?
— Assim como?
— Com essa cara de bobo. — Riu.
— Emm, você pode ser um palhaço na maior parte do tempo, talvez até um pouco descabeçado...
— Ei!
— Mas tem um coração do tamanho do mundo. — Completou, percebendo a mudança na expressão do namorado, vendo suas bochechas ficarem coradas. — Você está sempre preocupado com quem está ao seu redor, adoro isso em você.
— Mikey... — Chamou-o, como se pedisse para que ele parasse, ainda mais envergonhado.
— Eu tô falando sério. — Aproximou-se.
— Como você consegue ser tão fofo? — Emmet abaixou-se, para lhe roubar um beijo.
— Eu só estou falando a verdade. — Deu um sorriso sincero. — Ei... Tô te devendo uma massagem, né?
— Tá sim. — O mais alto deu um sorriso pervertido. — Vem, vamos tomar um banho primeiro.
Foram ao banheiro e trataram de não demorar muito no chuveiro, estavam com pressa para irem ao quarto. Então quando saíram do banho e se enrolaram na toalha, Emmet se adiantou e sentou-se na cama, esticando as pernas.
— Você já sabe onde quero a massagem.
— Nos pés? — Michael tentou adivinhar.
— Isso mesmo, você sabe que seus dedos são mágicos. — Deu outro sorriso sugestivo.
— Podemos começar, então. — Olhou em volta. — Cadê o creme?
— Você não o guardou naquela gaveta ali?
— Ah, é mesmo! — Pegou o hidratante e se sentou na beirada da cama. — Qual pé quer primeiro?
— Esse.
Michael abriu a tampa do creme e despejou um pouco do produto sobre a pele de Emmet, logo esfregando o hidratante, para o espalhar.
— Esse ponto aqui é o coração. — Espremeu a planta do pé de Emmet entre seus dedos.
— Engraçado, o coração palpita em lugares curiosos às vezes.
— É sério que você ficou excitado só com isso? — Riu alto.
...♕...
No outro dia.
— Não precisa ficar ansiosa só porque a Elizabeth está vindo. — Theodore afirmou, ao ver a agitação da amiga.
— Eu não estou ansiosa! — Susannah reclamou.
— É porque você se arrumou toda, então pensei que...
— Pensou o quê? — A garota o interrompeu, lançando um olhar aterrorizante em sua direção.
— Nada, nada.
Theodore parou mais uma vez para observá-la, admirando seus cachos com mechas californianas nas pontas; Susannah ajeitava a blusa de renda branca que usava, acompanhada de uma calça jeans justa e de lavagem escura.
A amiga calçou uma sapatilha da mesma cor que a blusa e finalizou passando seu clássico perfume doce.
— Su, eu já te disse que não vamos sair, né?
— Já, o que é que tem?
— Eu acho que você está muito arrumada só para ficar aqui em casa.
— Eu não acho isso, essa roupa é tão velhinha...
Theodore conhecia Susannah há anos, sabia quando ela estava mentindo ou até mesmo encobrindo qualquer tipo de pensamento, no entanto, o garoto simplesmente fingiu que tinha acreditado.
Os dois ouviram a campainha tocar enquanto ainda estavam no quarto de hóspedes. Se dirigiram até a entrada da casa, onde Gioconda terminava de atender a porta, deixando a convidada entrar.
— Elizabeth! — Theodore recebeu a prima, dando-lhe um beijo no rosto. — Como você está?
— Tô bem. — Deu um sorriso torto.
Susannah observou a prima do garoto de longe por alguns segundos, olhando como ela sempre parecia bem arrumada com tão pouco, sempre trajando roupas despojadas e com seu cabelo jogado de lado.
— Olha só quem está aqui, Lizzie. — O garoto levou a atenção de Elizabeth até a amiga.
— Su! — Exclamou, indo até Susannah e a abraçando.
Mal conseguiu respirar com o abraço apertado de Elizabeth, mas de certo modo, ficou contente por sua recepção.
— Há quanto tempo, hein? — Lizzie falou, afastando uma mecha de cabelo da frente dos olhos de Susannah.
— Verdade. — Deu um sorriso sem graça pela aproximação.
— Você está ainda mais linda do que eu me lembrava, Su.
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