Fadas, elas realmente existem?

5 O homem perdido nas memorias


Notas iniciais
Demorei? não precisa nem responder, mas tenho uma ótima desculpa, e pior que não, porque preguiça não é desculpa, hoje tirei a tarde para me obrigar a colocar a bunda na cadeira e escrever. Obrigado por lerem e Valeu!!!

–-- Extra

Fadas da Agua

Meu primeiro contato foi com uma dessas fadas, só que nessa época eu não sabia com o que estava lidando. Muitas vezes confundidas como Ninfas, as fadas da agua são indiferentes da sociedade, para elas tanto faz se os humanos vão estar ou não em suas vidas, a única vez que elas se preocupam com a existência deles é quando eles interferem no seu lar, todo tipo de ajuda é dispensável para esse tipo de fada. Um de seus passatempos prediletos é assustar aqueles que entram em seu lar, visto por elas como um meio de defesa, mas porque não fazer isso para passar o tedio, as atraem os seres vivos, podendo ser até outras fadas de sua própria espécie, para pregar suas peças.
Essas Fadas podem adquirir a forma da agua e produzir ilusões. Habitam locais, logico que com a presença de agua, geralmente escuros e fechados, algumas pedras que encontrei no meio da floresta dizem que antes da chegada dos animais esse tipo de fada morava em rios lagos e riachos, mas por preferirem a solidão se isolaram. Conseguimos identificar os locais onde habitam porque em sua maioria tem lendas, a loira do banheiro é o exemplo mais comum deles, uma ilusão feita por elas para expulsar os intrusos, não que não existam fantasmas, é só que nesse caso em particular é só uma ilusão, mostrarei como diferenciar a ilusão de uma fada de um fantasma em breve.

Pov. Yuri

O fim de semana foi terrível, Alex e a Hetal me atormentarão e isso tirou um pouco meu sono, sem falar da música insuportável da festa, e a segunda pior ainda. Desci as escadas e fui para o carro, onde minha mãe esperava por mim, hoje é terça o pior dia da semana, não que haja algum dia bom na semana, só que ela é o pior deles, o dia começa com aula de química, não existe coisa mais tediosa do que a sua voz, aí vem a pior parte, interpretação, aquela mulher ridícula, o senso comum dela é uma das coisas que me fizeram perder a fé na humanidade.
Cheguei na escola quase no horário da primeira aula, se bem que eu não fazia a mínima questão de assisti-la, como todos os dias minha mãe me dá um beijo no meu rosto, que desnecessário, e me deseja um bom dia, queria saber o que dá esperanças a ela, saio do carro sem dizer nada, como sempre.
A escola era cercada por muros de pedra com trepadeiras caindo em volta, na entrada via o rosto dos alunos, só espero que esse dia passe rápido. Na porta da sala Hetal conversava com Alex e Lily, parecia pedir desculpas, não prestei muita atenção.

Hora do intervalo, uma pena que tive de mudar de lugar, gostava tanto dele, mas também, se não mudasse aqueles três iriam ficar me perturbando todo dia. Agora estou na sala de aula mesmo, tem mais umas três pessoas aqui, mas elas não vão me incomodar.

–Ei Yuri, então você está ai, te procurei lá no ginásio. –Falou o garoto de cabelos pretos entrando na sala. Ele era a única pessoa boa que eu conheço, se não for a única desse mundo. Penteado bagunçado, é um pouco mais alto que eu, mais forte que eu também, ao contrário de mim, ele não é sedentário.

–Ah, oi Leal.

–Mudou de esconderijo.

–Tinham umas pessoas me perturbando.

–Ainda não entendo porque você não gosta das pessoas.

–Já te disse, pessoas são...

–Egoístas, arrogantes, ignorantes e blábláblá.

–Que bom que sabe.

–Então porque fica comigo?

–Porque você é diferente. –Ouço umas risadinhas das garotas que estavam sentadas logo atrás de nós e uma delas sussurrou boys love. –Viu, aí está prova. –Ele me levanta e me abraça por trás.

–Algum problema garotas.

Confesso que foi engraçado ver elas saindo com o rabinho entre as pernas da sala, estavam tão envergonhadas que disseram que iam no banheiro, gosto dele por isso sempre me deixa feliz, ele é o único que não me esqueceu.

–Que foi Yuri, não achou engraçado.

–Não, claro que achei engraçado, é que me lembrei de uma coisa que não deveria.

–Você e seus pensamentos secretos, algum dia ainda vou entrar na sua cabeça e descobrir tudo que você ainda tem a esconder.

–Certo garotos a aula vai começar, parece que algum bonitinho quebrou o sinal da escola novamente. –A professora entra na sala junto com o restante dos alunos. –Ah, senhor Leal, é melhor ir logo para sua sala se não quiser ser suspenso.

–Pode deixar professora. –Ele me dá um beijo na bochecha e sai da sala.

Ele sabe mesmo como me divertir, consegui ver através do espelho da janela as garotas todas constrangidas, também ouvi umas conversas baixas dizendo: “é viado”, mas não ligo para isso.

–Que bom que você têm um amigo Yuri. –Ai vem a professora, porque ela não vai se preocupar com a vida dela ao invés da minha, é assim desde que ela entrou na escola.

A aula acabou e já estava pronto para ir para casa quando sou interrompido por Hetal nas escadas.

–Que foi garota, pensei que já tivesse me livrado de você.

–Eu sei, eu sei. É que tudo tá muito estranho, primeiro tiveram espíritos no banheiro, ai descobri que os espíritos eram fadas, ai descobri que as fadas são do mal, ai acabei fazendo macumba, ai me arrependi de ter feito macumba, ai meu quarto estava cheirando a queimado... –Tá, isso aqui tá muito estranho.

–Tchau garota, você está muito confusa para mim. –Vou descendo as escadas quando ela me segura pelo ombro.

–Espera, eu preciso checar uma coisa antes que eu fique doida. –Ela realmente parecia ter ficado doida. –Você realmente odeia as pessoas?

–Odeio. –Onde ele quer chegar.

–E, por que você odeia as pessoas? –Pensei que já tivesse dito isso para ela.

–Por que elas me esqueceram. –Espera, não era isso que eu queria dizer. –Não quer dizer, elas me esqueceram, o que estou dizendo, elas me esqueceram. –O que estou falando!

–Então é verdade. –Ouço ela falar baixinho. –Porque elas te esqueceram.

–Não sei, elas só me esqueceram, pensei que estivessem brincando comigo, mas não, elas realmente me esqueceram, você, Alex e Lily, os professores, a escola, já parou para pensar o porquê do meu nome não estar na folha de matricula. –Senti lagrimas descerem pelo meu rosto, eu tinha perdido a calma, e agora estou entregando a verdade para ela, o que aconteceu comigo. –Esqueça o que disse, tudo isso é verdade. –Essas lembranças, não é como se tivesse deixado as pessoas de lado é que depois de tanto insistir eu acabei desistindo.

Flash Back on

Pensei que tudo ia ser como em um dia normal, ia chegar na escola e brincar com Alex e Lily, depois ia voltar para casa e passar a tarde com Hetal, mas não foi assim:

Acabei de chegar na escola, estava ansioso para ver Alex e Lily, cheguei na sala já atrasado foi quando a professora me chamou para frente e me mandou me apresentar.

–Ande logo, não seja tímido. –Não estou entendendo absolutamente nada. Fiquei em silencio por um tempo. –Certo então, deixa que eu lhe apresento, pessoal esse é o Yuri.

–Bem-vindo Yuri. –Está bem, isso está muito estranho.

–Pode se sentar logo ali.

–Ei Alex, o que está acontecendo?

–An, como você sabe o meu nome? Por acaso já nos conhecemos?

–Alex, não se lembra de mim?

–Não.

–Agente se conhece desde o jardim, serio cara para de brincar.

–Desculpe mas eu realmente não te conheço.

Ouço Alex e Lily sussurrarem: “Você não conhece”, “tem certeza”, “acho que ele é doido”. E o pior ninguém da escola tinha me reconhecido. Cheguei em casa também, mas na hora do jantar quando Hetal chegou com a mãe dela minha mãe me apresentou novamente e nenhuma delas me reconhecia. Fui para cama me tentando me convencer de que aquilo não passava de um pesadelo; quando acordei no dia seguinte descobri que não era, na escola Alex e Lily continuavam não me reconhecendo e Hetal e sua mãe também não, me convenci de que era verdade tentei reconstruir os laços que tinha, mas toda vez que conseguia, as pessoas esqueciam de mim de novo. Meu coração já não aguentava mais ser esquecido, para meu bem resolvi me manter longe das pessoas. Até que dois anos atrás entrou um garoto na escola ele conversou comigo durante o dia inteiro, por um segundo eu tinha me esquecido que tinha essa maldição, e quando lembrei passei o resto do dia chorando sabendo que ia perde-lo, mas ele não me esqueceu.

Flash Back off

–É muita coisa para raciocinar, então tudo o que tem no livro é verdade. Você não está me enganando, não é? -Olho para ela, eu estava com cara de quem estava mentindo.

–Chega, não ouviu o que acabei de dizer. Não se importa comigo.

–Yuri eu...

Antes que ela pudesse dizer algo, sai correndo para casa.

O que estava pensando porque eu contei aquilo para ela, tinha jurado para mim que esconderia a verdade.

–Yuri, você está bem? –Leal. –Cara, o que foi? Vi você saindo correndo e chorando da escola. –Me levantei da cama onde estava chorando igual a um bebê e fui abraça-lo.

–Você é a única pessoa que não me esqueceu.

–Do que você está falando?

–Promete que vai acreditar em mim?

–Prometo.

E contei tudo a ele, a cada segundo a história ia ficando mais difícil de se acreditar, não o culpo se me achar louco, eu me acharia se não tivesse certeza do que estou falando.

–É, você não cheirou nada de estranho de algumas horas para cá, não é?

–Não, como imaginei, você não ia acreditar.

–Ei, eu acredito. –Diz ele ajeitando meu rosto para que eu possa vê-lo. –Se você diz, eu acredito, você é meu amigo não é, sei que não mentiria sobre algo assim.

–Obrigado.

–Com licença, Yuri sua mãe me deixou entrar. –Hetal estava abrindo a porta devagar para entrar. –Antes que você possa dizer alguma coisa, eu vim me desculpar, vim me desculpar por ter te esquecido e por demorar a vir aqui para pedir desculpas, é que tive de pedir esse livro emprestado.

Ela me entregou o livro e Leal leu o nome: “Fadas”

–Sei que pode parecer loucura, mas consigo acreditar em você porque muita coisa estranha aconteceu comigo nesse final de semana. E sei como você se sente.

–Mas como esse livro vai nos ajudar?

–Ainda não sei, mas para cada coisa estranha que tinha acontecido no meu final de semana esse livro tinha a resposta.

–Obrigado Hetal, por tentar lembra de mim e por pedir desculpas.

–Mas e ele, quem é?

–Meu nome é Leonardo Leal, mas pode me chamar só de Leal.

–Ele é a única pessoa que não se esqueceu de mim.

–Prazer então Leal. Meu nome é Hetal.

–Por onde começamos então? –Perguntei.

–Vamos procurar no livro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.