Prólogo:

Um grito cortou a floresta quase silenciosa. Os animais se revoltaram em seus ninhos, guinchando de medo. Mais gritos soaram, embebidos de pavor e dor. Os animais quietaram conforme a mata se enchia cada vez mais de sons assustadores.

Um tempo incontável passou, a quietude aos poucos tomou espaço, embora um sutil e contínuo farfalhar impedisse o silêncio completo. As ruínas da simples Vila Negra ardiam em chamas vermelhas. Corpos cobriam o chão e pendiam dos galhos das árvores.

Uma criança estava no meio dos corpos. Ela encarava a destruição e a morte com serenidade. Um sorriso sórdido desenhava-se em seus lábios rosados e um fulgor de prazer clareava seus olhos. A marca que se desenhava desde seu ombro esquerdo até sua perna direita em fios roxos e brancos brilhava forte.

Uma gargalhada sombria explodiu da menina e ecoou pela floresta silenciosa.