Notas iniciais
Espero que gostem.

Todos estavam entediados.

Parecia que o relógio estava contra todos, pois passava se arrastando devagar, lentamente.

A professora Montenegro falava sobre algo sem a menor importância que nunca iam precisar usar na vida, mas mesmo assim os ensinava, para estudarem, decorarem e por fim, esquecerem. Afinal, era seu trabalho.

A maioria dos alunos conversava em burburinhos. Risos baixinhos eram ouvidos, causados por piadas sem a menor graça ou por fofocas maldosas.

Apenas uma pessoa não falava nada e prestava atenção na aula.

Violette Kingley, uma garota ruiva com olhos azuis, pele pálida e um corpo considerado bonito não só por todo o colégio, mas também por toda a cidade.

Enquanto ouvia atentamente o que a professora falava, mordia a tampa da caneta causando olhares maliciosos dos garotos com hormônios à flor da pele.

Sua amiga, Audrey que estava ao seu lado bateu no braço da menina com o cotovelo e apontou com a cabeça para os garotos. Violette apenas revirou os olhos soltando um suspiro baixinho.

Quando eles iriam parar com aquilo e amadurecerem, cuidando de coisas mais importantes, como as notas, ao invés de ficarem, praticamente, babando nela e a convidando para sair mesmo sabendo que ela jamais os daria uma chance.

O sinal tocou e todos praticamente correram para a porta.

Mais uma vez, Violette revirou olhos, mas deu um meio sorriso.

—O que você vai fazer hoje à tarde, Vilu?

—Não sei provavelmente ficar jogada no sofá usando um moletom e vendo alguma série, anime ou filme... ou lendo um livro...ou estudando. Não sei.

—Argh!Sério?Sério mesmo?

—Sim.

—Hunf! Não, Violette! Não! Você ia fazer isso. Ia. Mas como eu sou uma ótima amiga, você está convidada para a minha festa do pijama!- ela soltou um gritinho e depois riu.

Violette fez uma careta.

Odiava festas do pijama. Na verdade, odiava qualquer tipo de contato social. Não se dava bem com pessoas. Apesar de ter bastante “amigos” e ser considerada popular na escola, sabia que na realidade, estava bem longe disso.

Violette era uma perfeita representação daquela garota esquisita e deslocada, porém popular por ser bonita e ter namorado um dos garotos do time de futebol americano da escola. Aquela, que fingia estar se interessando pelo assunto fútil que as outras garotas falavam como roupas, esmaltes, batons, bolsas ou garotos, mas que na verdade não suportava tudo aquilo, se mantinha no papel, apenas por medo de perder tudo e acabar sendo humilhada e desprezada por todos. De falsa a CDF. De popular a invisível.

—Á que horas?

— Sete.

—Vou perguntar pra minha avó se ela deixa.

Audrey assentiu e se despediu da garota com um aceno que a outra retribuiu.

O caminho da escola para casa não era muito longe. Passado uns dez minutos, Violette já estava em casa, depositando a mochila num canto qualquer. Estranhou não ver a vó ali, geralmente, ela sempre esperava Violette na porta com os braços estendidos e um sorriso amigável.

Franziu o cenho e deu de ombros.

Deve estar no mercado. Pensou, tinha quase certeza de que sua vó ia fazer algum doce de que a ruiva gostava muito, mas quando estava quase terminando a receita, notou que um ingrediente estava faltando e correu para o mercadinho da cidade antes que o mesmo fechasse.

Porque sim, isso já acontecera antes. Muitas e muitas vezes.

A garota subiu até o seu quarto, pegou um livro e se jogou na cama. Quando já estava na metade de Para Sempre, ouviu um estrondo.

Meio receosa, desceu as escadas e abriu a porta.

—Vó?-perguntou. Mas não havia ninguém lá. Já ia fechando a porta quando percebeu uma coisa estranha: o correio estava aberto.

Violette arregalou os olhos de surpresa. Não era possível. Aquele correio simplesmente não abria. Não abria desde... Bom, desde muito tempo. Era velho e enferrujado, por mais que Violette e sua vó tentassem, jamais conseguiam abrir aquela coisa. Mas o mais estranho de tudo era que quando chegara ele não estava aberto. O que só podia significar uma coisa: alguém havia pulado a cerca de sua casa e invadindo o quintal.

Por quê? Ela não sabia.

Quem fizera isso? Muito menos.

Enquanto se aproximava do correio, notou uma coisa que não havia percebido antes: lá no fundo, havia uma carta. Provavelmente de muito tempo, considerando que quando ela e a vó se mudaram para lá, ele ainda não abria.

Violette pegou a carta e levou um grande susto quando percebeu seu nome escrito nela.

A garota olhou para a rua. Era bem óbvio que alguém de algum jeito ou de outro abrira o correio e colocara a carta ali para ela. Tinha esperança de que essa pessoa ainda estivesse na rua. Mas não estava. Sua rua era bem calma e raramente se via alguém passeando nessas horas por aí.

Ela entrou na casa, fechando a porta enquanto lia a carta.

Para: Violette Kingley

Rua Cerejeira Vermelha, nº 273

Abriu o envelope que dizia:

“Prezada Srta. Violette,

Estamos felizes em lhe informar que você foi aceita para a melhor (e única) escola de fadas da França: a Saisons de fées. A Srta. terá cerca de três meses para nos enviar uma carta em resposta. No mesmo instante, uma representante da escola entrará em contato com você para ajustar os detalhes sobre sua matrícula.

Atenciosamente,

Diretora Le Roux”

—Violette?

—Ah! Vó?!-perguntou a garota, surpresa.

—Sim, me desculpe por ter não estar aqui quando você chegou, é que eu tive que buscar umas coisas no mercado – apontou para as sacolas com a cabeça – E... E... Mas o que é que a senhorita está escondendo aí?-questionou, levantando uma sobrancelha.

Violette nem tinha percebido que tinha escondido a carta entre a sua camisa e a sua calça até a avó perguntar.

—Ahn, nada, nada. Só umas anotações que eu fiz na sala de aula. Nada demais.

A vó assentiu com a cabeça.

—Certo. Ajude-me com as sacolas. A propósito, estou fazendo uma coisa que você gosta, não quer ver o que é?

—Ahn, claro. Concordou a voz falhando algumas vezes de tão nervosa que estava.

A vó soltou um sorriso e Violette foi ajudá-la com as compras.

Na metade do caminho, se lembrou de uma coisa: não fechara o correio. Como a vó não falara nada?

—Torta de morango, a sua favorita. Falou, esperando alguma reação da garota que apenas deu um meio-sorriso.

—Mas que cara é essa, meu bem? Aconteceu algo?-perguntou os olhos azuis a encarando, preocupados.

—Não, vó... É só que... Nada. Nada. Deixa pra lá. Eu só queria saber se, eu posso ir à casa da Audrey hoje? Ás sete?

—Ah! Era só isso, minha querida? Pode, mas é claro que pode. Respondeu com um sorriso gentil nos lábios.

Violette sorriu com os lábios fechados.

—Eu vou para o meu quarto ler um pouco. –falou

A vó concordou com a cabeça.

A menina praticamente voou até lá. Olhou para a janela, procurando o correio de sua casa. Qual não foi sua surpresa quando se deparou com ele fechado. Olhou para a rua. Ninguém. Com os olhos arregalados de surpresa, soltou um suspiro e se sentou na cama, retirando a carta da roupa e a apertando bem forte para ter certeza de aquilo não fora só a sua imaginação.

Notas finais
E então,gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.