Facção. Dos. Perdedores

112 Biblioteca de Babel


E ali se foi, Molly.


Manipulado? Por pura consciência?


- O que ocorreu? — perguntara Molly.


- Nada. — Para Hipátia, realmente nada ocorrera. A força mental de Molly não significava nada contra os esquemas da Deusa. De uma maneira ou outra, Molly estava à mercê do destino, dos acontecimentos e das suas obrigações. Ele só tinha aquela mesma atitude para ser tomada.


- Seu companheiro lá está.


Molly avistou o planeta enquanto pisava passos em falso e fracos naquela espaço-nave arcaica de propulsores além de qualquer tecnologia reconhecida pelo caolho. Aquela abominação do fim do mundo pulsava no seu coração o arder de dez milhões de dores mortas. O que restava? Patos? Gansos? Talvez sapos.


Independente.


Hipátia avistou-o sem dó do destino do caolho e sem nenhum controle das consequintes ações que o personagem faria. Hipátia era um fantoche, também, do seu próprio destino e sabia que estava a se enganar. As robes de deídade brincavam com seu corpo de forma que suas curvas sentiam o frio da galáxia infinita. A imponência da sua matriz de carne a lembrava de seu maldito e triste fim, a se aproximar. Em algum lugar está Edésia, pensava, em algum lugar que eu sei. Mas que bem há nisso? O que lhe assegurava? Não se assegurava nada. Não confiava nos personagens que recrutara. Não confiava nos seus cérebros fracos e manipulados, mas há em Molly algo a mais que não reconhecera. Deixá-lo-ia livre de qualquer maneira por admirá-lo e ao mesmo tempo por reconhecer a insignificância de qualquer um. O caolho rispidamente trocou os olhos estabelecidos da mulher pela realidade irreconhecível e a perdição de toda a sua jornada fútil, as preocupações com Xupa, Edésia e seu mundo pouco significavam no meio da situação inusitada. Retorná-lo-ia para lá, de um jeito ou de outro. Era a sua DETERMINAÇÃO que o caminhava. Determinação singela, humilde, única e ingênua que o arrastaria para as teias do destino tecidas pelas velhas sentadas em um ponto de ônibus qualquer que faziam crochê, brincando com o suco do néctar da existência finita.


O velho voou.


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Robin acertou o demônio pela primeira vez sem dificuldades e em inúmeras vezes consecutivas. Seu poder escalava sem fim e a cada ataque perdia algo de si, perdia um momento de sua existência. O Fardo do Herói, o Fardo da Possibilidade. O demônio o encarava movendo-se lentamente por seu tamanho descomunal, sua aparência galática que o encaminhava para uma existência hipergalática. A cada ataque, o demônio ria e se permitia por mais alguns segundos — ou minutos — zombar de qualquer tentativa e acaso dos punhos ferrenhos do herói. Cabe à você algo a mais? Ele chegou a dizer, em uma linguagem que Robin nunca conseguiria processar — algo cósmico e descomunal para qualquer coisa que existe, ouve e pensa.


Robin permitiu admirar o parecer intermitente da criatura e reconhecer a insignificância de Robin Tennyst Wood. Ou Tenyst? Cada letra a menos o fortalecia, na verdade, e percebeu que poderia ser apenas R, ou O, ou B, ou I, ou N ou T ou E ou nada. Ou um pequeno pedaço de qualquer coisa que se comunicava com ele. Um pequeníssimo pedaço da cebola que buscara matar Edésia episódios atrás, o campo elétrico infinitesimal de Molly que não permitira que proseguisse a batalha há cerca de 100 capítulos, o pequeno milésimo de centésimo de segundo antes do despertar quando perdeu-se com Xupa para o encontro do macabro que decidira que Xupa deveria tornar-se presidente. Ali, Robin... Tornou uma só quantidade e atravessou todo o espaço e todo o tempo que permanecia entre ele e o diabo. Satanás o testava.


Demônio explodiu e se reestabeleceu. O seu estabelecimento era infindiável e não havia sorriso sem rosto. Residia entre R e a eternidade um semblante além dos seus medos e das suas esperanças. Diabo permanecia como o pequeno pedaço de carne, ventre de todas as gerações que hão por vir, como o próprio Deus em um ato de Blasfêmia.


O que há além do R? O pequeno fóton de Robin perguntou para si. Os outros fótons, semifótons, ângulos, semiângulos, quarks e fermións o responderam: "O meio, o terço infinito, o sétimo periódico aperiódico — olhando à fundo.


O campo elétrico daquela mesma mão o palarisara. O caolho já examinou a mesma sinfonia em momento inoportuno e triste antes — não era à toa que o fantasma de Krom Hellrock perseguia a visão de Xupa e o subconsciente do Imperador Solar careca. I resistiu e Molly decidiu agarrá-lo da mesma forma. E quanto T surgiu independente de tudo Molly percebeu que a agressividade teria sido a única maneira de salvar o seu antigo amigo. Sim, o caolho reconheceu nas atitudes do Herói o leito, o luto e o mártir. Que opção tinha além de socar o fóton em seu rosto até que estivesse preso onde se preservaria? Chega de processos inelásticos.


Então encarou o Demônio e o mesmo temeu.


Removeu o tapa-olho para exibir sua maldição e a pura ameçava fez o demônio se encaminhar para o além. Pouco depois, Rob T retornou.


- Escute-me, do que serve a sua morte agora? — E Robin T permaneceu-se sem fonemas. A falsa esperança no martír acostumou-se com a sua inadequação dentro do paradigma definido do caolho. — Permaneça infeliz e os dragões hão de girar. Torne-se feliz e os quadrados permanecerão de ramificar. — A violência militar expressou-se por mais uma vez na surra prevelacente do Solar mais maduro.


Robin Tenst Wod se recolheu. Sem vergonha de não entender e sem maturidade de continuar. Molly sentiu-se mal — sua atitude não era a resposta. Não entedia a fluidez necessária. Agarrou o jovem rapaz pelo braço com força e com carinho para que ele mesmo o seguisse. E seguiram em busca do capiroto.


Mas por que?


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.