Notas iniciais
Eu quase marquei terror, só por causa do mistério e tal, mas achei que nem rolava. E está melhor desse jeito. Enfim, enjoy

Os insights duravam segundos na mente do homem, porém preciosos o bastante para dominá-la por completo, mantendo-a dentro de suas fronteiras absurdas. Cada parte presa em uma ditadura de uma lei, incompleta porém existente como o rosto que ele observava.

O rosto que aparecia em cada insight.

Se alguém lhe perguntasse o que era, não saberia dizer. Surgira de um pensamento. Um pensamento ousado que fazia um leve sorriso brotar em seus lábios levemente ressecados. O pensamento em si também era um insight. Um insight de lágrimas, sorrisos caídos ao chão e palavras de perdão sussurradas, implorando ao vento. Mas não era nada disso que importava à mente do homem. O que importava era o que aparecia atrás, pela duração de milésimos de segundos. Ao fundo do cenário de medo que lhe dava tanto prazer, surgia um rosto. Um rosto que, pela pequena duração de vida, ele não conseguia captar mais do que alguns detalhes. Um rosto incompleto, que ele daria tudo para ver pronto para a luz do dia. Faltava-lhe angulação no nariz, sobrancelhas e cílios aos olhos, e alguns detalhes que o tornavam um não inteiro.

Como seria aquela face com esses detalhes adicionados? Ele não tinha como saber, mas o que tinha era a certeza mais absoluta de que seria belo o bastante para completar não só as feições, mas um vazio no peito de seu observador. Algo nele gritava por beleza, por graça e amplitude. Um rosto sereno e ao mesmo tempo imponente, como uma estátua do imperador da existência.

Como seria aquele nariz? Grande e anguloso como a imponência? Ou pequeno e delicado como a graça? Ainda, um meio termo como a perfeição? Talvez levemente arrebitado como a dança; as opções eram tantas, mas todas absolutas, assim como o brilho dos olhos, suas sobrancelhas, sua expressão. Cada detalhe faltante no rosto misterioso só acentuava mais como ele o era; e se tornava mais atraente aos olhos de um curioso.

Dia e noite, os insights daquele rosto dominavam sua mente, sem contudo jamais responder a qualquer uma das perguntas do homem. Pensar novamente naquele cenário em que ele aparecia não mais ajudava; exigia tanto da memória quanto a face que jamais retornava inteira.

Onde estavam os encaixes?

Aquela face bela e dura o enlouquecia. Perguntas profundas e sem resposta; seria assim que se sentiam os depressivos? Ou quem sabe o recém-nascido, ou o futuro suicida ao presenciar a morte que aparecia? Onde estaria aquele rosto, e como ele se mostraria? As partes que faltavam, que forma de perfeição escolheriam para se encaixar aos restos que já pincelavam alguma forma?

Cada vez mais, isso o perturbava.

Onde encontraria tantas respostas?

Essa era a pergunta mais irrespondível e que mais o cobria de tormentas.

Até que um dia, ela se respondeu.

O cenário em que ela aparecera pela primeira vez... Poderia ele se realizar?

A resposta era um sádico sim. Não só pelo rosto, aquilo representava uma dose de alegria para o homem.

Hesitação não era necessária. E por isso, algum tempo depois, ele se repetia.

Sentado em meio ao caos, ele apenas observava a fila de homens e suas famílias que choravam uma perda pela qual ele passara. Um pedido de desculpas lhe foi direcionado, mas ele a isso ignorou. Manteve-se firme, olhando ao redor. Esperando o rosto que finalmente o completaria. Até que ele apareceu.

E então, em um pulo, o homem caiu para trás, assustado com a visão infernal que tinha.

As partes que faltavam no rosto? Não existiam.

A vingança é uma lei incompleta, porém existente dentro da ditadura de nossa mente.

Notas finais
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