Faca de Dois Gumes
3 Capítulo - 3 -
Numa cinzenta segunda-feira de manhã, a família já se encontrava na mesa para tomar seu café da manhã, aliás, nem todos... Demetria nunca se sentava na mesa, isso sempre incomodou os outros, mas não à ponto de chamarem ela à mesa.
O clima é tenso e trevoso. O silêncio paira pela sala inteira. É possível se escutar o outro lado da cidade.
Bonniebell termina seu café e sai sem nem dizer "tchau", os gêmeos terminam logo depois e vão para suas escolas, não antes de se despedir de todo mundo...
Os dois irmãos vão na frente, sempre alegres. Já Bonniebell vai atrás parecendo um poço recheado de trevas. O brilho daquela criança doce já tinha se desmanchado.
— DEMETRIA A FRENÉTICA –
Demetria, a mãe das três crianças, era uma menina muito alegre em sua infância. Ia para qualquer lugar sem desgrudar de sua mãe.
Em uma manhã ensolarada...
A garota acompanhada de sua mãe, foram até a mercearia comprar mantimentos para a casa. Até que se escuta um som.
* CRAAAAAAAAASH *
Um ladrão quebra as janelas e entra. Aponta a arma ao caixa e diz:
— PASSE TODO O DINHEIRO PARA CÁ! Todos vocês agora, são meus reféns até eu receber o que eu quero!
A loja vira um pânico sem fim.
— Mamãe, o que está acontecendo? – Perguntou Demetria confusa e assustada.
— Só vá lá para o fundo da loja e fique agachada! Mamãe já está indo! – Diz a mãe de Demetria.
A garota vai até os fundos da loja e fica agachada e escuta tiros e mais tiros. Com medo ela vai até a porta e checa o que está acontecendo.
Sangue para todo lado.
Sua mãe estava no chão com sua perna sangrando.
— Ma-ma-mãe?
— Eu estou bem minha filha... Ele não me acertou em um ponto fatal... – Diz a mãe de Demetria.
Recheada de fúria, Demetria tomou coragem e tentou tirar a arma da mão do ladrão. Ela conseguiu, mas o ladrão a deu um soco e ela foi jogada contra a parede.
O ladrão foi se aproximando.
— Vamos lá garotinha, não brinque com coisa séria, me dê isso agora! – Diz o ladrão.
— Se afaste! Seu monstro! – Diz Demetria extremamente assustada.
O ladrão foi se aproximando, se agachou e estendeu a mão e disse:
— Me dá logo a PORCARIA DESSA ARMA! – Gritou o ladrão.
Assustada ela aperta o gatilho direto no peito do ladrão. Ela estava imóvel, suas mãos estavam ensanguentadas.
Demetria estava totalmente tensa e queria falar com sua mãe.
— Mãããããe! – Gritou Demetria chorando horrores.
O ladrão, como estava morto, caiu no chão.
— Não, NÃO PODE SER... MÃÃÃÃÃE!

A bala atravessou o peito do ladrão e atingiu a cabeça da mãe de Demetria.
A criança foi andando em direção em sua mãe e a abraçou.
— Mãe... você está viva né? Não minta para mim! Por favor... – Disse Demetria chorando.
— Por favor...
...
O dia amanhece com um clima nada agradável. Demetria passou a noite inteira acordada pensando em suas ações, e o que seria dela quando saísse de seu quarto.
O pai de Demetria a chama.
— Filha, não se preocupe, não irei fazer nada de mal a você! Só quero conversar. – Diz o pai.
— Por favor, me deixe s-s-ozinha.
O pai de Demetria vai embora.
— Ela não vai sair de seu quarto... Me perdoem por fazer vocês esperarem pra nada.
— Não há mais o que fazer, porém a internar seria a melhor opção. Vamos ver o que nisso vai dar.
Demetria escuta toda a conversa e fica apavorada. Ela começou a planejar sua fuga.
Na calada da noite, com sua mochila organizada com coisas para a própria sobrevivência, ela foge até a floresta.
No mesmo dia...
— Ei, você que estava como refém dentro da mercearia você poderia descrever o que aquela criança fez? – Perguntou o Policial.
— Aquela garota começou a imitar um ladrão, pegou a arma do caixa e pediu o dinheiro dele! – Respondeu a vítima.
— Hm. Prossiga. – Disse o Policial.
— Ela ficou agachada por alguns segundos no fundo e depois mordeu o próprio dedo e começou a atirar para todos os lados!
— Meu deus. Continue!
— Aí, ela atirou na própria mãe e começou a chorar no colo da mesma e depois pulou pela janela e saiu correndo!
— Temos que internar essa criança, o que será que ela pode fazer a solta?
CONTINUA.
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