Facção. Dos. Perdedores
113 Do que vale mesmo um dia?
Coisas acontecem a todo tempo em qualquer lugar. Coisas importantes? Também. Coisas importantes para essa história? Também. Na verdade, elas coisas importantes pra história sempre estão acontecendo. Só que elas acabam sendo contadas quando é conveniente pro narrador ou quando o criador deste mundo — o autor — decide inventá-las para incrementar uma história já sem fim…Às vezes buracos são tapados com uma fita de durex para que um aquário não exploda e vaze toda a água. Há situações em que os buracos são causados pelo camarão-louva-deus-palhaço — uma contaminação comum em aquários. Ou… Será que tudo isso já foi predeterminado no tal do destino das linhas da vida?
Nesse momento, três histórias se expandirão — interessante, já que as últimas expansões foram relacionadas com os Deuses Humanos e Doutor Mario. Por enquanto, as coisas estão sendo só alegorias mesmo.
Existem mais alguns checks para ser feitos na grande checklist. Vamos lá:
Espera, e as tais viagens no tempo? A Sociedade do Tempo existiu, não é?
Três pequenas histórias para serem contadas que apresentam foco em alguns personagens coadjuvantes centrais. As correlações e relações já se desenvolveram holisticamente, então resta-nos seguir com a história e recomeçar com a contagem de fatos anteriores sempre que necessário.
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Tarda a qualquer um realizar os grandes feitos sonhados na juventude. A juventude é ingênua e fugaz com prioridades irrelevantes para o que cada um julga a seu bel prazer na busca do sonho inalcançável. O alcance chega com a velhice e o bastão é passado para a próxima geração. O fim de uma vida é marcado pelo seu desgaste e o consumo da energia momentânea em processos de subsistência. Não há, portanto, na vida, um lugar para um sonho. Há a barata, a terra e as flores que podem ser interpretadas como matrizes de um vai e vém e volta e vai de novo para algum lugar.
O volátil é admirável pela percepção humana — é o que é possível de ser observado. De que vale um dia? Indagou o avô em um de seus últimos dias. O sol da manhã desgastou a sua pele e ao mesmo tempo renovou o seu caráter para a conseguinte fabricação do sonho que acreditava. O seu propósito é o seu neto: Fàbregas. Tão pequeno e feliz. Tantos sentimentos que se convertem em energia para brincar no sol, se banhar em chuvas, bagunçar e limpar.
Reclamar e sorrir…
Os brinquedos eram consumidos com a imaginação infindável e o vovô sofria com sapecagem do mínimo. Criar um rapazinho desses não é fácil — e todos os rapazinhos são perrengues. O campo sorria para o moleque assim como o Sol e o céu. Sem esquecer do mar que raramente visitava — dependia do vô e da visita de sua amiga Vladmira. Conhecia aquela margem, mas não entrava naquele mar perigoso. As ondas limitava o mundo conhecido e o radiante lazer das entranhas daquele planeta.
O Sol simplesmente sorria de volta para Fábregas, para vovô e para todos os queridos daquele planeta amarelo de alegria.
Do que vale mesmo um dia? Era outro agora. Vovô hesitava muito em responder e seus braços bambeavam enquanto descrevia algum componente indecifrável. Sua letra engarrafava e garrinchava enquanto rascunhava. Com o esforço, conseguiu realizar as três horas depois de revisões insalubres para o seu cérebro de tanta idade.
Fábregas, onde estava? Já era moço e tratava de buscar os ares de uma cidade para formar-se e se tornar um homem de negócios ou um homem de consolação para a meritocracia fracassada. O Vô não se preocupava porque era o caminho mais digno para uma alma livre até se encontrar com a verdade e decidir render-se ou se exilar. A escolha do velho, anos atrás, foi bem óbvia.
As estrelas já não brilhavam longe do campo e o Sol era uma ferramenta para os tijolos e a locomoção da máquina planetária. Há diversos anos os nativos do Planeta Sol deixaram de realmente incorporar o amor à estrela na sua espiritualidade — pelo menos nas grandes cidades. A estrela eterna estava lá acima de todos em algum lugar. A Gigante Placa Solar impedia que os urbanos modernos admirassem o Sol ou sentissem seu calor natural. Era mais vantajoso prover apenas quantidade adequada — não só isso, mas também menos oxidativo para a pele.
Fábregas, mais alguns anos à frente, estava em um escritório e odiava isso. Sua juventude ainda buscava por ambição nos rankings inúteis dos valores capitalistas.
- As peças recentes podem ser manufaturadas tanto no Norte quanto no Sudoeste. As desvantagens estão claras no gráfico — disse alguém que apresentava uma apresentação.
- Não há dúvidas que as peças sobressalentes atuais tem como característica a origem nortenha. Isso deve ser um sinal — disse outro alguém, sem vergonha de demonstrar a sua falta de conhecimento no assunto e ainda assim ser um gestor de decisões importantes para a tecnologia e para aquela sociedade.
Fábregas manteve-se calado respeitando o rito das reuniões pré-decididas. As opiniões emitidas eram apenas um teatro desengonçado.
- Eu acredito que há mais a ser mencionado: a frequência densidade de fotocorrente amplificada de terceiro grau na nova geração de peças nortenhas fazem por onde para ser uma desculpa científica à sobressaliência inevitável da nossa sociedade — disse um Fulano Que Falava Demais Mas Tudo Bem Ele Falar Demais Até Porque Ele Estava No Esquema. Era Vladmir, um senhor respeitado na empresa.
A aparência sênil fez Fábregas lembrar de seu Vô. O que o velho, tão entendido de tudo, alquimista da ciência real, diria? Pensando no Vô, desnecessariamente inspirou-se no calor dos dias:
- Eu concordo — disse por reflexo o rapaz e os olhos viraram-se à ele.
A reunião terminou, independentemente de opiniões. O ritual de breves desacordos foi resolvido com algumas trocas de olhares superficiais de pessoas que pensavam em moedas imaginárias.
Fàbregas não tardou a retirar-se do trabalho. Ultimamente estava fazendo horas extras e estava cansado de problemas infindáveis. Eram tantos os detalhes pendentes de projetos burocráticos…. Ao descer os seis degraus de escada em direção à saída, ele encontrou Vladmir. O senhor curtia seu momento olhando para o cenário urbano de bobeira e tragando algum cigarro qualquer.
- Boa noite. Já vai? — Fábregas indagou amigavelmente.
- Mais tarde — Vladmir fitou os olhos fundos de olheiras roxas contornados por rugas atemporais. — O restaurante Omarlindo tem um bom especial de hoje — disse como quem não queria nada.
Algumas horas depois, Fábregas adentrou o restaurante da região nobre do além Placa Solar. As estrelas e a escuridão possuíam um significado fugaz dentro da arquitetura brutalista. A beleza silenciosa arrancou um sorriso do rapaz. Sua posição social trazia essas vantagens mirabolantes para o rapaz do campo. Lembrou-se de seu avô antes de questionar mais uma vez se encontraria realmente Vladmir por ali — que estava na sala de espera com algumas outras figuras joviais. Não eram companhias de Vladmir, mas outros espectros figurantes que não participariam da mesa dos dois.
No meio de uma conversa tímida e sem rumo sobre coisas que idosos gostam de perguntar para mais jovens (casamento, origem, projeções, família), um barulho estrondoso foi ouvido. Nada que os preocupava: era a rotina das assombrações escuras. Logo, o assunto mudou para isso
- Nossa tecnologia parece ser incapaz de lidar com os problemas dessa era. — Vladmir vestia seu terno desabotoado e estampado de flores azuis em um background avermelhado não escondia a camisa social rosa amarrotada e provavelmente suja de café. A opinião de ambos sobre o assunto era mais profunda já que entendiam a problemática real do dinheiro.
O velho trabalhava loucamente em avanços que não seriam implementados. Discutiram um pouco algumas questões e um segundo estrondo foi ouvido. Os fregueses se entreolharam e de repente a atenção levou ao momento de entrada de uma dupla.
- Estamos precisando de um copo de água da casa. — Foi a primeira vez que o caolho pedia o copo de água da casa em um outro planeta e em uma outra realidade. O estranho da situação era o estado que seu corpo se encontrava: parecida consideravelmente acabado, como se tivesse perdido alguns quilos. Uma figura esquisita estava atrás, ou eram duas? Era Rbn e Wd. Uma figura horripilante que fez com que todos presentes surtassem, levantando-se de suas cadeiras e gritando.
A descrição de tais entidades serão poupadas pelo bem do leitor.
- Depois de um copo de água, eu e meu amigo vamos nos sentir bem — dizia Molly. No fim da frase ele já se sentia bem e atrás dele estava apenas Robin Wod, uma aparição muito mais normal. As pessoas não sabiam caso deveriam se sentir frente à demônios alienígenas ou divindades.
- Acho que melhorei — disse Robin usufruindo do recém retorno de uma consciência completa.
- Eu também… — Molly então entreolhou os arredores para realmente entender a situação que se encontrava. Era um pouco esquisita e as pessoas ao redor pareciam meio assustadas. Voltou a olhar para Robin e caminhou para fora do local lentamente. Robin fez o mesmo.
O cenário tornou-se belo, maravilhoso: escadas que levavam da termosfera até a estratosfera. As estrelas expandiam-se em horizontes infinitos. Logo Molly deixou de descer inseguro para vislumbrar as estrelas… Em contrapartida, Robin observou o horizonte estelar com um vazio. Confirmava em seu peito a beleza do infinito mas o infinito pouco lhe significava.
- Nós viajamos de longe… — disse o caolho.
- Sim… — No fim da resposta, a última letra de Robin que faltava retornou e se sentiu mais entrelaçado pelas estrelas.
Pelo Sol.
- O Sol daqui é realmente bom. — Riu o caolho. — Nem precisamos do copo de água.
- Espera, você… — Robin reconheceu Molly e ficou bem engraçadinho.
- O mundo dá volta né. Quer dizer, os quadrados… — Molly ficou bem sem graça. Há noventa capítulos atrás os dois tinham prometido se enfrentarem mais uma vez após a humilhação do Herói…
- Estávamos perseguindo uma coisa, não era? — Mas não conseguia se lembrar do que.
- Aguardem, cavalheiros! Trouxe-lhes as águas da casa! — Gritou um garçom já distante. Desceu uns cinquenta degraus na maior velocidade possível. Serviu a àgua naquele lugar belo e inusitado preenchido do azul escuro e pontos que brilhavam com vida.
- Molly e Robin — não nessa ordem — agradeceram.
- Acredito que essa seja a primeira vez de vocês no Planeta do Sol?
- É… — disse Robin e Molly confirmou, com vergonha de trocar palavras com o desconhecido.
- E de onde são?
Robin que envergonhou-se e em meio ao silêncio, Molly decidiu dizer enquanto mantinha os braços cruzados:
- Somos da Terra.
- Parecem ter vindo de longe… Vocês podem descansar aqui se quiserem. — O garçom sorriu.
Molly e Robin decidiram pelo menos parar para um rango e um banho. Reencontraram-se na entrada do restaurante para se retirarem. Pareceu que tudo seria de graça antes do garçom aparecer no momento de saída. Representava o mesmo semblante de sorriso fofo e cabelos loiros.
- Um senhor que estava aqui quando chegaram pediu para entregar isso para vocês. — Entregou aos rapazes um cartão com um código de troca de mensagens instantâneas. Obviamente não possuíam aparelho algum e o velho Vladmiro já havia se preparado para isso. O garçom também entregou os dispositivos
.
Já havia uma mensagem. “Me encontrem na Avenida Gilsterbeig London 57, n. 75, p. 527. Gostaria de conversar.” Foram necessárias apenas algumas perguntas para que os funcionários do restaurante os informasse como chegar nesse local em questão de coordenadas geográficas. Os rapazes foram voando mesmo.
Era meio-dia e o Sol do Planeta Sol descia forte até mesmo no corpo dos Imperadores Solares. Encontraram-se no meio de uma planície sem fim e se entreolharam. Sem nenhum barulho e sem nenhum Vladmir para encontrar. Então, uma sensação agonizante chamou-lhes a atenção. Seguiram a sensação até encontrar uma carapaça sombria vazia.
- Algum bicho muito esquisito vive aqui. — Robin estava realmente sério e Molly não tardou a se portar da mesma maneira.
Algo bizarro e sanguinário havia saído daquela carapaça. Algo mais mortal do que o Grande Demônio que enfrentavam e perseguiram até ali. Como pode algo que ultrapassa o demônio do fim do mundo estar presente em um mundo reluzente? O cheiro pungente do resíduo viscoso que rodeava a casca exoesquelética expressava zombaria desrespeitosa com os presentes.
- Vamos precisar lutar contra isso agora, não é? — percebeu Molly. — E não me parece normal.
- Eu conheço isso. — disse Robin. — Isso é o esquisito que colocou música tocando.
- Hãn? — Não havia homem na visão de Molly e nem aos seus arredores. — Não há homens além de nós…
Robin observava o Dom Picone de Outra Realidade, revestido de tinta escura tal qual o resíduo da carapaça. Uma figura sombria. Robin simplesmente atravessou-o.
Molly não entendeu. Em um mísero segundo a casca se tornou outra coisa. Algo gosmento que derretia e evaporava. Uma nova mensagem chegou nos dispositivos eletrônicos recebidos. “Voem ao Leste até encontrarem uma construção piramidal”.
E assim Robin abateu uma coisa esquisita, algo além de apenas a figura do Dom Picone.
O velho controlava tudo de dentro de uma grande pirâmide de areia em um deserto mortal do Planeta do Sol. Fábregas estava do seu lado, incrédulo no que havia se metido. O velho passava algumas instruções para o rapaz, que as seguia mentalmente.
- Há quanto tempo essa tecnologia existe? — Fábregas mencionava o complexo de captação de informações radioativas e não-radiativas com detectores e amplificadores de última geração que rodeava-os no interior da pirâmide.
- Há um tempo — Vladmiro respondeu com sinceridade.
O velho ficou tímido e virou-se de volta para a tela. As figuras misteriosas desapareciam da imagem projetada que representava variações de fluxos energéticos de algumas centenas de quilômetros. Não demorou para que os nossos queridos heróis protagonistas aceitassem o convite do cientista e pisassem no interior da pirâmide.
Molly estava surpreso porque em um tempo pequeno esteve em muitos lugares esquisitos. Cravou em si a ideia que o mundo era realmente muito doido e uma prova disso tudo era a sua própria existência. Viajando por galáxias, lutando contra entidades e montando o dragões… Seu passado recente, mesmo pré-ressureição, envolvia algumas trapalhadas na sua saga com o querido e falecido Frota (para referência, Ler Frota Atira Primeiro, obra perdida da internet) e os recentes eventos eram uma continuidade exponencializada e extrapolada dessa pequena aventura. Mas o que esperar quando você é um ser vivo que consegue ressuscitar pela memória de fótons?
- Prazer em conhecê-los. Fico feliz que pude ajudá-los no momento confuso em que chegaram ao planeta. — Vladmiro fez questão de levantar-se e apertar a mão de Molly e Robin, nessa sequência mesmo, para evitar questionamentos demasiados por parte daquelas criaturas.
Por mais que parecessem amigáveis como humanos, eram criaturas cósmicas imprevisíveis a priori. Ou pior, poderiam ser viajantes no tempo imprevisíveis.
- Prazer… Sou Molly — disse o caolho, sem jeito. — E esse é Robin. E Robin então acenou, sentia-se o mais humano normal do que em muito tempo. O assassino também estava sem jeito e suas ações eram bastante a uma criança envergonhada dentro de um lugar muito legal.
- Molly, Robin, Eu sou Vladmiro e esse é Fábregas, um bom rapaz assim como vocês. — Essa foi a maneira de Vladmiro falar que vinha em paz e esperava o mesmo dos outros.
- Ah, que bom! — Exclamou Robin enquanto suas cabeças percorriam as nuvens. A sala principal do interior da pirâmide era bem escura e curiosa e Robin estava abismado com estar imerso nessa trama maluca enquanto simplesmente existia.
Todos se entreolharam.
- Estávamos perseguindo uma criatura esquisita… Um ser das trevas.
- Um demônio — complementou Robin.
Vladmiro não havia notado nenhum demônio por ali, além das aberrações cósmicas para quais projetava tecnologias de combate para derrotar na empresa que fundou. Fábregas pensou o mesmo que o velho e foi o primeiro a falar, antes mesmo do narrador:
- Perigos ultradimensionais nos sondam… — Soltou essa…
Um perigo específico residia em outro lugar inóspito além do deserto devastador e arenoso do Centro-Oeste do Planeta Solar: nas montanhas barrentas e chuvosas com rochas cinzas e erodidas do litoral do Noroeste de um outro continente por ali. Uma pessoa andava por um caminho recém-feito em meio à floresta tropical para adentrar uma outra Sala Secreta. Estava atrasado e também com coragem o suficiente para fazer com que isso não fosse um argumento para tomar a pior na barganha agressiva para qual se locomovia. Apesar dessa vontade, foi vencido e manipulado facilmente por três criaturas humanóides quase que extintas. Depois, elas riram e retornaram para o seu mundo beber café em frente ao Museu do Tempo, lá no Mundo do Tempo.
“Manipular os humaninhos é bem facinho”, foi a piada que o primeiro fez. O segundo tentou fazer uma outra piada, que julgava mais divertida, mas não foi escutado porque o terceiro ria demais. Acabou que o terceiro que teve um lugar de fala enquanto o primeiro sentia-se satisfeito com a ótima piada e o segundo se sentia ignorado pela ocasião: “Daqui a pouco vamos ter que jogar o jogo de verdade”. E isso significava sair da sala secreta das montanhas do Planeta do Sol e meter a mão. “Os fantoches não conseguem fazer tudo, nunca”, disse o terceiro, por experiência.
Robin, Molly, Fábregas e Vladmiro decidiram bastante coisas enquanto os três acima apenas farmavam aura. Fábregas decidiu retornara para sua terra natal para notificar seu avô dos recentes acontecimentos. Estava em seu coração que seu avô teria as respostas para a recente situação e expansão contextual que o jovem personagem desvelou com Vladmiro. Infelizmente seu avô não estava mais lá e só restou suas lástimas. Seu avôzinho do coração estava debaixo da terra em um caixão faz pouco menos que um mês. O peito do herói ardia e principalmente ao visitar os aposentos do avô… Recordava os momentos em que o velhote ensinava ciência e conceitos difíceis demais para o Fábregas criancinha. Não tardou para encontrar o bilhete do avô.
Foi nesse momento que surgiram distante na sala Robin e mais alguém.
Até esse momento, os Imperadores Solares e Vladmiro buscaram cooperar para a manutenção da vida naquele mundo. Os Imperadores eram ao mesmo tempo uma fonte de energia ilimitada perfeita para o Planeta do Sol e desafiadores dos perigos iminentes e satânicos do fim do mundo. Molly derrotou a maior parte do que havia de nefasto no espaço, por exceção de algo distante que sua atual situação impedia de perseguir, segundo os conselhos co-optativos de Vladmiro. Robin, por sua vez, encontrou alguém na rua e um “click” tocou no seu cérebro. Tinha certeza de ser um conhecido seu que o ajudaria, mas, quem? O seu nome começava com P mas não se recordava.
Fábregas olhou para além da janela enquanto admirava as infinitas possibilidades dentro da carta póstuma de vovô até o momento que a carta não estava mais lá. Nem Robin e nem o outro Dom Picone.
Dom Picone 2 — acredito que podemos chamá-lo assim — tinha um plano muito bem traçado desde que se separou de Hipátia. Hipnotizar Robin com a esfera da essência do Herói e da Possibilidade foram partes disso. O CD de música que tocou quando se encontrou com Robin e Picone também. Havia a Possibilidade de Robin encontrar com Hipátia e ser levado ao Sol. Assim como para Molly realizar seu destino atual. Isso, não havia plano mestre de um vilão, mas alguns toques sutis artísticos que o levaram para então.
A sequência de milhares de ações começaram quando Dom Picone 2 apertou o botão do dispositivo temporal descriptografado e reconstituído para sequestrar o bilhete e admirá-lo por um breve instante, uma regalia desnecessária que buscava desfrutar por sentir-se implacável. Robin seguiu, por reflexo do Herói, com velocidade infinita como a luz e acertou uma ombrada potente em Dom Picone 2 para recuperar o bilhete. Dom Picone 2 foi pego de surpresa e ousou revidar para que Robin defendesse com total integridade. Os olhos se cerraram e Picone 2 percebeu que não era tão genial assim e seus cálculos eram na realidade muito arriscados. Por esse breve instante sentiu falta de Hipátia e companhia para auxilar nos planos. O recuo para trás possibilitou o saque de uma pistola de coloração curiosamente roxa forte que disparou um laser cortante no ombro de Robin que avançava. Os movimentos do assassino não se alteraram após o corte e isso levou a mais disparos que estraçalharam o ombro do protagonista até a não-existência. Robin aproveitou o ombro e braço restante — no caso, o direito — para agarrar o rosto de Picone 2 e levá-lo para além da residência do falecido vovô. Picone recuperou-se e afastou puramente na força a mão do teleportador de seu rosto agora marcado e avermelhado. Estavam distantes à casa agora, tanto que ela nem se espreitava do horizonte do campo ensolarado que cercavam Robin completamente recuperado. “Mais um cálculo mal feito, mal feito à quinta potência”, convenceu-se Picone. O momento pediu mais um toque no dispositivo descriptografado e reconstituído para superar brevemente o tempo de reação do Imperador Solar.
Mas, quando Robin tornou-se um Imperador Solar? A pergunta certa é: quando Robin tornou-se um Imperador Solar? Não acredito que isso seja realmente uma dúvida. Por mais que não fosse de origem um dos Imperadores Solares historicamente criados na Guerra do Fim do Mundo, a natureza de sua energia era a mesma e a escala do poder se equiparava e até mesmo é possível dizer que supera.
Por isso, Robin reagiu e impediu que Picone ultrapassasse a porta da casa de mandeira do adorável vovô. Pôs-se na frente de Picone 2 e estava pronto para arrastá-lo novamente, mas o terceiro “click” fez Picone 2 passar pela frente mais uma vez enquanto Robin estava paralisado. Abaixou-se, um pouco apressado, para recuperar a carta e poder disparar o avante, acreditando que restava-lhe mais um clique. Infelizmente Robin viu-se obrigado a quebrar uma parte da casa do vovô — uma parede — para socar Picone 2 para bem longe do bilhete.
Robin velozmente retorna o bilhete a Vladmiro sabendo que o inimigo foi completamente derrotado. Vladmiro pisca e lembra como se tivesse visto a figura de Robin por um mísero milésimo de segundo. E depois um coelho e tudo desapareceu.
Robin que encarou o coelho pela primeira vez bem nos olhos. O roedor estava no canto do quarto, tentando se esconder de uma maneira bastante suspeita. Com certeza o coelho esquisito com olho robótico está relacionado com a situação esquisita — Robin nem precisou do instinto do Herói para saber isso e perseguir o animal.
O coelho correu para um buraco no exterior da casa e Robin perseguiu-o. Para onde?
Robin via ao seu redor um mundo extremamente rosa com horizonte e solo feito de uma textura algodonosa. Sentia-se de ressaca, lembrando-se exatamente dos últimos acontecimentos. Algumas pessoas aproximavam-se, preocupadas com o guerreiro por algum motivo completamente despido.
- Ah, ainda bem que você acordou! — disse um, muito preocupado. Assim como os outros, era careca.
Robin analisou ao redor e percebeu que eram não só todos carecas mas bem pelados. Ele conseguia ver uma árvore gigante da qual vinham e respirou algumas vezes antes de responder alguma coisa. Esse devia ser o quinto mundo diferente que ele visitava…
- Onde eu estou?
- Você está seguro.
- E… onde está o coelho?
Logo após perguntar, Robin enxergou no espaço uma espaçonave gigante de estética de era recém-industrial, faltando apenas o vapor de água para completar o steampunk package.A espaçonave estava cheia de remendas, voando relativamente baixo, e então ela parou. De imediato as pessoas peladas carecas correram com medo enquanto gritavam desesperadas de volta para a árvore misteriosa. Robin ficou esperando algo acontecer, algo como uma invasão alienígena ou robótica, entretanto nada aconteceu além da brisa tocar o rosto na planície de algodão doce rosa.
O nosso herói esperou mais alguns momentos até decidir levantar-se para visitar aquele protótipo espelunca esquisita. Tinha certeza que desde que continuasse indo atrás das coisas esquisitas, chegaria ao seu destino ou pelo menos um caminho de volta para a sua Terra, apesar de sentir que nada mais o prendia àquele mundo e tornava-se um morador do universo devido às viagens incessantes. Chateou-se ao reparar que se separara de Molly e voltara a estar sozinho no meio do nada. Será que encontraria novamente aquela tal de deusa Hipátia ou Picone? E então lembrou de Frota e sentiu saudades de seu falecido amigo.
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