Notas iniciais
Essa história serviu pra eu ter a certeza que nunca vou saber fazer uma sinopse boa.
Um pouco cedo pra uma fic sobre natal mas ainda vou postar outras.

—Como será que é a neve? – A garotinha perguntava para uma de suas irmãs, curiosa sobre uma das muitas coisas mencionadas no livro que lia.

A escultura de manequim com vestido vermelho reagia apenas gesticulando seus braços, mostrando que não sabia como responder essa pergunta. Mesmo que fosse uma das muitas irmãs mais velhas de Mary, haviam perguntas que nenhuma obra aprisionada na galeria poderia responder.

—Aqui falam que as crianças brincam nela, mas também que ela é muita fria. Não seria ruim de ficar brincando com isso? É como se fosse gelo, não vejo qual a graça. Você também não acha? –Agora perguntava para um manequim de vestido amarelo. Sua resposta foi o mesmo repetido gesto da figura anterior, e imaginou que ele servia para as duas perguntas.

A pequena pintura voltou a ler em silêncio, ignorando a presença das esculturas que a rodeavam. Entre palavras não familiares, uma delas havia sido mais chamativa.

—O que é natal? Me lembro de já ter lido isso antes, acho que é um feriado. Estou certa? –Se virou para a irmã que usava um vestido azul, recendo um sinal de afirmação da mesma.

Comemorou brevemente em silêncio, adorava quando aprendia algo referente ao mundo externo, principalmente se fosse alguma festividade. Se levantou do chão em um pulo, tirando a sujeira que havia ficado em seu laço no colarinho. Caminhou até a enorme prateleira de livros de onde havia tirado o que lia há pouco e procurou por um que pudesse explicar mais sobre o feriado.

Com a ajuda de suas irmãs não havia sido difícil encontrar um livro que tivesse exatamente o que procurava, e agora com o mesmo em mãos ela lia sobre a data festiva. Haviam muitas divergências sobre o feriado que variavam de acordo com a época e cultura, mas a que era mais conhecida atualmente era absolutamente encantadora aos olhos de Mary. Por todos os lugares as pessoas enfeitavam casas e lojas com luzes de todos os tamanhos e cores, diversas imagens de um grande homem de vermelho com um saco cheio de presentes eram estranhas e ao mesmo tempo atrativas para a criança. E por falar em presentes, essa era de longe a melhor parte!

Melhor do que os banquetes em família, que as canções temáticas e das brincadeiras feitas na neve. As pessoas se presenteavam com roupas, brinquedos e diversas outras coisas agradáveis. E as crianças em sua maioria não tinham que presentear os demais, apenas recebendo agrados de seus parentes mais velhos.

Isso com certeza fazia seus olhinhos azuis praticamente brilharem de alegria. Em sua mente se formavam imagens de cadernos de desenhos novos em folha que receberia de seus pais, de tantas roupas novas para se experimentes vinda de seus tios, deliciosos doces preparados por seus avós. Depois de tudo isso ainda brincaria com seus primos até cansar, fosse dentro do conforto de sua casa quentinha ou na neve com as demais crianças da vizinhança.

Mas sua leitura fora interrompida com a visão que se embaçava gradativamente. Os olhinhos azuis agora estavam de fato brilhavam, porém isso se devia as lágrimas que desciam pelo rosto infantil de Mary. A menina não precisou que alguma outra obra da galeria para lhe explicar que esses pensamentos não passavam de fantasia infantil, e que aquela prisão nunca a deixaria viver daquela forma.

Não sentiria o gosto dos doces e banquetes, não sentiria a euforia de brincar com as outras crianças, e não sentira o calor de um abraço vindo de seus pais.

Para Mary o natal nunca existiria.

Notas finais
A Mary é uma criança que aprendeu sobre o natal com um livro, então acho que seria bem normal o que ela mais gostar do feriado serem os presentes.
Só explicando caso alguém ache estranho uma fic de especial de natal focando mais nessa parte da data.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!