Faberry Week 2012
2 Jealousy - Não quero e ponto! (+18)
Notas iniciais
Mentira.
Tem sim... Mas dói demais.
Tão logo o veículo negro parou, a porta do passageiro se abriu e Rachel desceu do carro. Quinn descansou a testa sobre o volante do esportivo que dirigia respirando fundo alguns pares de vezes numa vã tentativa de se acalmar. Quando percebeu que os esforços para controlar a raiva e a frustração tinham sido em vão, golpeou com força o painel do carro o abandonando também logo em seguida.
Não havia sinais de Rachel no estacionamento do prédio em que viviam desde que a faculdade havia terminado, dois anos e meio atrás. Apesar de todos os conselhos de seus professores, apesar da própria razão gritando que ela precisava ir para Los Angeles ou o mais perto de onde as grandes produções cinematográficas estavam, ela não tinha sido capaz de se afastar de Rachel e muito menos de afastar Rachel de seu sonho. Então, por causa de Rachel e somente de Rachel, Quinn Fabray era uma atriz ascendente vivendo em New York.
Apertou o botão do elevador, aguardando enquanto o observava subir até o décimo terceiro andar para então voltar a descer. Não conseguiu conter outro suspiro cansado, apertando a ponte entre os olhos dourados.
O elevador desceu, ela apertou o número treze novamente e se recostou contra o metal frio.
O reflexo que lhe encarava do espelho no outro lado do cubículo mostrava bolsas debaixo dos olhos cansados, uma calça de linho bem mais amarrotada do que o desejável e cabelos loiros em um desalinho quase perfeito. Ela suspirou outra vez, ainda mais irritada.
Quando concordara em ser a menina dos negócios de Russel Fabray na cidade grande, o acordo era mais ou menos para que ela o fizesse nas horas vagas, enquanto não estava totalmente empenhada em sua carreira. A situação agora era exatamente a reversa. Estava tudo muito errado.
O elevador finalmente parou e ela saiu para o hall de entrada de seu apartamento. Como já era esperado, a porta de entrada estava aberta e o caminho feito por Rachel até o quarto marcado com o caos. Quinn recolheu o casaco preto do chão tão logo fechou a porta e o colocou junto com a bolsa que estava em cima do sofá branco. Chutou as sandálias que Rachel tinha tirado de qualquer maneira enquanto andava na direção do quarto e por fim se recostou na batente da porta da suíte.
Apertou a ponte dos olhos outra vez. Rachel simplesmente a ignorava, jogando coisas aleatórias dentro da mala aberta sobre a cama.
– Onde você vai? – O tom de voz era calmo. Sempre calmo. Mas dessa vez, a voz nasalada tinha uma rouquidão de cansaço incomum. Quinn estava cansada de tudo aquilo. Exausta daquela vida.
– Onde você pensa que eu vou dormir hoje? Na sua cama? Você está terrivelmente enganada se pensa que eu vou me deitar na mesma cama que você hoje, Quinn. Muito enganada.
A pressão entre os olhos aumentando consideravelmente.
– Onde você vai, Rachel? – Quinn rosnou outra vez.
– O Brody vive me convidando para conhecer o apartamento novo dele. Eu acho que é uma ótima oportunidade, você não acha?
– Não, eu não acho! Qual o seu problema, Rachel?! – Quinn não gritava. Quinn nunca gritava. Por isso, quando ela gritou dessa vez, Rachel sentiu-se tremer por culpa de um calafrio desagradável.
Engoliu em seco, jogando no chão o que quer que fosse que estivesse segurando (uma blusa? Uma camisola?) e se aproximou de Quinn a passos lentos, o dedo em riste.
– O meu problema, Quinn, é dividir a minha vida com alguém que não tem o mínimo de respeito por mim. – O dedo indicador se cravou dolorosamente no colo de Quinn. – O meu problema, Quinn Fabray, é ter você na minha vida.
– É a minha carreira, Rachel! – Quinn gritou de volta, o auto-controle já perdido há muito tempo em algum ponto desta conversa. – É a minha carreira. Eu não escolhi ter que trabalhar com ele. Eu sequer tenho escolhido trabalhar de qualquer maneira, porque nessa cidade maldita tudo o que eu encontro é teatro, e teatro, e teatro. E eu não sei se você sabe, se você está interada dessa parte ridícula da minha vida que é a minha profissão, mas eu sou uma atriz como você. A única diferença entre nós duas, é que você está em uma cidade propícia para a sua carreira e eu não. A única diferença é que você está investindo na sua carreira e eu não. A única diferença é que eu não sou egoísta!
Quinn enfiou uma das mãos por entre os cabelos curtos e loiros, respirando com dificuldade e querendo por tudo na vida machucar alguém. Ela não tivera essa vontade desde que se descobrira derrotada por Kurt na competição de rainha do baile, ainda no segundo ano do colegial. Deu as costas para Rachel, lutando outra vez para recuperar o controle da respiração, o controle sobre suas ações. Quando voltou a olhá-la, entretanto, a única coisa que encontrou foi uma máscara de dor e de incompreensão. Engoliu em seco, sustentando o gelo dos olhos chocolate com os seus próprios.
Não soube exatamente quando a mão de Rachel lhe atingiu. Mas soube quando a pele do rosto ardeu. Ela voltou a engolir em seco, fechando os olhos para não sucumbir às ganas de ferir a pessoa mais importante de sua vida.
Outro tapa. Dessa vez mais forte, mais dolorido.
Na terceira vez, antes que Rachel conseguisse lhe acertar o rosto já marcado, Quinn segurou seu pulso. A outra mão se ergueu ainda na intenção de lhe infringir dor e novamente foi bloqueada por Quinn.
Apenas um giro foi necessário para prender Rachel entre a parede e o próprio corpo.
Rachel se debateu e gritou por longos segundos, sendo observada de perto por olhos que agora eram frios e analíticos, até que simplesmente parou de se mexer, respirando com dificuldade e rebatendo com petulância o brilho estranho do olhar esverdeado.
Então Quinn se inclinou, tomando posse dos lábios carnudos com raiva.
O beijo desesperado foi interrompido quando o ar se fez necessário. Quinn mordeu seu lábio inferior e Rachel gemeu em um misto de dor e prazer. Não soltou a boca da outra até sentir o gosto adocicado de sangue na sua própria. Então voltou a beijá-la. A onda de confusão de sentimentos veio muito forte e Rachel soluçou entre seus beijos. Em um segundo apenas a raiva se transformou na mais pura adoração. As mãos da mulher menor, que antes estavam presas acima de sua cabeça, foram soltas e Quinn a envolveu pela cintura. O rosto se escondeu na curva do pescoço delicado e a loira choramingou, apertando Rachel em seus braços.
Rachel permaneceu estática, ofegando. Os olhos fechados e a boca entreaberta. O lábio inferior mesmo que internamente ferido não chegava a doer, mas latejava. Só reagiu ao sentir a pele do pescoço úmida e o tronco de Quinn tremendo quando o fôlego faltou.
Elas tinham ido longe demais... Elas sempre iam longe demais. Era assim que elas funcionavam.
Foi então a vez de Rachel jogar o corpo contra uma frágil Quinn e foram as mãos de Quinn que foram presas contra a parede, quando elas trocaram de posição. Rachel a encarou. Os olhos castanhos brilhando em algo que beirava a insanidade. Os olhos vermelhos de Quinn vacilaram. Rachel os beijou com toda a devoção do mundo. Os lábios então seguiram a trilha de lágrimas até tocar o lado esquerdo do rosto perfeito, ainda marcado por seus dedos. As pernas da loira fraquejaram, fazendo com que Rachel a pressionasse com um pouco mais de força contra a parede, suas pernas entrelaçadas às dela. Uma das mãos abandonou a de Quinn, o dorso dos dedos contornando a clavícula e então o pescoço da loira. Os botões da blusa branca cederam quando Rachel puxou o tecido com força.
Os lábios então desceram pelo pescoço delgado, chupando sem pudor nenhum um ponto exatamente debaixo do queixo delicado. A primeira marca.
– Minha... – Outro chupão, outra marca idêntica. Milímetros distanciavam os dois hematomas. – Você é minha. Você sempre foi minha...
A voz de Rachel era baixa, rouca. Quinn não pode fazer outra coisa que não fosse gemer e tombar a cabeça. Não podendo se ajudar a não se oferecer ao bel prazer da namorada. A morena então se afastou, apenas o suficiente para conseguir olhar o que acabara de fazer. O corpo de Quinn se inclinou agindo por instinto, como se necessitasse do calor emanado de Rachel.
Foi Rachel quem gemeu então.
Nada no mundo era tão belo quanto à mulher loira, poderosa e dona de si desde sempre, entregue dessa maneira. Ela precisou soltar a mão que ainda prendia a da outra mulher para conseguir algum ponto de apoio na parede. Voltou a atacar o pescoço delgado de Quinn, enquanto a mão que tinha terminado seu trabalho com os botões passou a lutar contra a calça social. Não demorou para o zíper sucumbir aos esforços de Rachel.
A mão bem treinada não demorou nada para achar seu caminho por baixo da peça de lingerie, explorando um terreno já conhecido. Rachel percorreu o vale entre os seios de Quinn com a língua, sem pudor algum.
– Você não me quer, amor? – Ela murmurou e Quinn gemeu de novo. Os braços se abandonando sem força alguma sobre os ombros de Rachel. Tateou com a ponta do dedo médio o clitóris de Quinn, sentindo as pernas da outra mulher estremecerem e ela instintivamente entreabrir um pouco mais as coxas. Um convite óbvio, que Rachel não pode recusar. – Porra...
A boca de Rachel voltou a percorrer o pescoço da loira. A parte escolhida agora foi exatamente sobre o ponto de pulsação. Quinn ganhou uma marca bem mais evidente. A morena então deslizou o dedo médio um pouco mais para dentro dela. O movimento dos quadris ajudaram a achar um ponto em específico. Rachel apenas o tocou e Quinn não pode conter um grito.
Não havia um único lugar daquele corpo adorado que Rachel não conhecia como o seu próprio. Quinn passara a ser uma continuação de seu ser. Elas eram uma só. Era simples assim.
Não demorou muito tempo para que Quinn gritasse outra vez, tremendo e voltando a chorar. Seu mundo explodindo em luzes, sons e Rachel. A morena a sustentou contra si, saindo de dentro dela com todo o cuidado do mundo. Trouxe-a para a cama, a cama delas, chutando a mala que por pura birra começara a ser feita para um canto qualquer do quarto.
Deitou-a primeiro, para então se acomodar ao seu lado e descansar a cabeça na curva de seu pescoço, o corpo parcialmente jogado sobre Quinn. O peso do que acabara de acontecer caiu então sobre seus ombros e Rachel escondeu-se em seu único refúgio. Chorou em silêncio no pescoço de Quinn por um tempo impreciso. Poderiam ter sido cinco minutos, poderiam ter sido três horas. As mãos da loira se enfiaram nos cabelos castanhos. O melhor cafuné do mundo.
– Eu não quero que você faça esse filme que te arrumaram com o Finn Hudson. Simplesmente porque é com o Finn Hudson e ele foi o único cara com quem você realmente namorou até hoje.
Rachel murmurou em meio a lágrimas e cabelos que se misturavam. O suspiro de Quinn foi trêmulo e Rachel apertou um pouco mais a mão que ela tinha em volta da cintura da loira, não sabendo que ao contrário do que imaginara, Quinn estava sorrindo.
Ela beijou os cabelos de Rachel, se ajeitando debaixo do corpo quente.
– Você é a única coisa certa que eu já fiz em toda a minha vida. – O corpo de Rachel relaxou quase que imediatamente e ela percebeu que não tinha se dado conta de que estivera tão tensa até então.
A proposta daquele filme, que tinha uma história boba sobre um amor adolescente e cuja grande jogada seria envolver os espectadores com um possível antigo relacionamento entre os protagonistas (Finn Hudson, o cara que ficou famoso no último American Pie enquanto interpretava meio que uma versão de si mesmo – o capitão burro do time de basquete do colégio – e Quinn Fabray, o futuro novo rosto do cinema americano segundo os críticos de alguns dos filmes indie em que ela tinha participado), uma proposta ainda mais pobre que Crepúsculo, não tinha sido sequer cogitada novamente.
Notas finais
(E eu sei que continuo atrasada e em falta com vocês, im sorry)
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