FT High School: Where All Began

10 Tempos de Confusões e Problemas


Notas iniciais
Yo minna-san o/ Mais um capítulo quentinho pra vocês! E devo dizer que talvez o próximo demore um pouco para sair, porque ele é definitivamente enorme, eu ainda estou na metade e já passei de dez mil palavras. Eu vou viajar amanhã, e só volto depois do carnaval, e apesar de levar o notebook, acho que não vou ter tempo algum para escrever durante a viagem, mas farei o que puder para postar assim que der, afinal é um dos meus favoritos rs Boa leitura!

Natsu POV

Seguíamos caminho para a casa dos Lates, onde um dos pretendentes de Lucy, Hibiki, morava. Até onde eu sabia, meus pais e os pais de Lucy haviam estudado com os pais de Hibiki, e, para minha sorte, eles estavam realmente interessados em unir seus filhos em matrimônio. Pelo menos eu sabia que minha mãe tentaria impedir de qualquer jeito, e que Lucy não estava nem um pouco interessada em se casar por causa dos negócios de seu pai.

As três entraram na limusine, e quando eu ia entrar, Loke me puxou para trás e entrou no meu lugar, sentando-se entre Lucy e eu. Ficamos todos num silêncio constrangedor o caminho inteiro. Levy tentara puxar algum assunto, mas foi em vão, porque Lucy fitava o chão e eu me obrigava a olhar pela janela. Eu sentia que Loke não deixaria que eu me aproximasse de Lucy, e eu me perguntava o porquê daquilo. Não, eu sabia por quê. Ele não queria que eu a ferisse de novo como já havia acontecido.

– Chegamos – Capricórnio avisou, estacionando a limusine e abrindo a porta para que nós saíssemos. Quando estendi a mão para Lucy, fiquei surpreso por Loke não impedir. Agora eu me questionava por que ele deixara. Talvez ele não quisesse ver sua priminha se casando por algum motivo que não fosse amor, e eu era a pessoa que, como Levy dissera, era o único que poderia evitar que as coisas acontecessem desse jeito.

Ela enroscou seu braço no meu, parecendo apreensiva. Ela deveria estar detestando estar ali naquele momento, com aquelas intenções. Estávamos na entrada de uma grande mansão, com colunas decoradas, uma fonte e diversas estátuas, tudo coberto de neve. Acima de uma pequena escadaria, uma mulher de cabelos castanhos em um uniforme preto e branco abriu a porta, fazendo uma leve reverência. Um casal que aparentava ter a idade de meus pais veio nos cumprimentar.

– Jude, Igneel, fico feliz que tenham vindo e trazido suas adoráveis famílias – a mulher, de estranhos e belos cabelos esverdeados, num chamativo, brilhante e incrivelmente justo vestido azul cumprimentou Jude, meu pai, minha mãe, com uma leve cara de desgosto, e depois veio em nossa direção. – Ora, parecem um casal assim, melhor que não fiquem grudados um no outro a tarde toda – sorriu, puxando Lucy para longe de mim. – Você é realmente bela, Lucy Heartfilia, como esperado de Jude e Layla. Hibiki logo deve chegar, aí poderão se conhecer melhor.

– Claro – Lucy sorriu sem jeito, mas definitivamente não parecia tão entusiasmada como aquela mulher.

– Mãe – uma garota loira, loira e de olhos bem azuis, apareceu, descendo as escadas. Ela parecia ter o mesmo estilo de sua mãe, pois se vestia parecido com ela, mas seu vestido era bastante curto e rosa. Eu me segurei para não encará-la mais do que deveria, mas era impossível. Ela atraía os olhares de qualquer homem onde quer que estivesse, provavelmente. – Você viu meu... – ela parou de andar e fitou Loke, que estava quieto ao lado de Levy e Wendy.

– Jenny, nossos convidados já chegaram – a mulher avisou, com um olhar severo, e olhou para mim. — Esse, é Natsu Dragneel – ela cumprimentou com a cabeça, nem um pouco interessada. – Levy e Wendy McGarden – apresentou minhas primas. – E finalmente, essa é a Lucy. Veja bem, ela não é linda? – Lucy corou instantaneamente olhando para mim com um certo pavor. Eu queria tirá-la de perto daquelas duas, mas não havia nada que eu podia fazer.

– Ah, então é você? – ela enfatizou o “você”, e Lucy deu de ombros, assustada. – Esperava mais, mas isso não importa agora. Bem, e você é? – ela se virou para Loke, andando até ele.

– Eu sou primo da Lucy, Loke – respondeu, nervoso.

– Venha, vou te mostrar a casa – e puxou-o escadaria acima sem cerimônia, sem dá-lo escolha alguma.

– Ora – a mulher cruzou os braços. O pai de Hibiki conversava animadamente com meu pai e com Jude, então como sempre, eles nem perceberão o que acabara de acontecer. Sem Loke ali, eu era o único homem num grupo de mulheres. Olhei rapidamente para minha mãe, que estava com o cenho franzido e cerrando os punhos. Por um segundo, o pressentimento de que aquele almoço não sairia bem tomou minha mente. E eu estava com medo de estar certo.

– Obrigada por nos receber, Sra. Lates – Lucy sorriu para ela, ainda desconfortável com a situação.

– Lucy, querida, nós somos quase parentes, não precisa ser tão formal. Apenas me chame de Karen, por favor – ela sorriu de volta para Lucy, e minha mãe agarrou meu braço com força, claramente irritada. – Vamos nos sentar. O almoço logo será servido – e puxou Lucy pelo corredor. Minha mãe suspirou profundamente depois que os homens foram atrás para se reunirem com Karen na mesa, sobrando apenas eu, minhas primas e minha mãe ali.

– Natsu, temos que fazer alguma coisa – ela definitivamente parecia prestes a cuspir fogo pela boca de tanta raiva que tinha em sua voz.

– Ela falou que ela e a Lucy são quase parentes – Levy parecia tão irritada quanto minha mãe, e Wendy parecia aflita.

– O que faremos? – perguntou, segurando a mão da irmã.

– Bem, com quem Lucy se casa não é problema meu – soltei meu braço e comecei a andar pelo corredor, seguindo o caminho que os outros fizeram.

– Mas você conseguiria viver o resto de sua vida sabendo que ela não se casou com você? – Levy perguntou, meio alto, mas só havia nós ali. Eu parei por um minuto, fitando o chão. Eu conseguiria? Entrei na sala de jantar, onde uma longa mesa de madeira estava arrumada com pratos de porcelana e talheres de prata, taças de cristal e candelabros com pequenas velas acesas. Sr. Lates se sentara numa ponta, e Karen na outra. Depois de todos estarem sentados, sobrara apenas uma cadeira vazia, ao lado de Lucy, que julgava ser para Hibiki.

– Desculpem pelo meu atraso – aquela voz calma e melodiosa acompanhava um garoto da minha idade, de cabelos loiros e extremamente arrumado, que eu já vira dançando colado com Lucy. Era ele. Cumprimentou a todos com um sorriso no rosto e se sentou na única cadeira vaga. Por um momento, percebi que ele parecia tão desconfortável com aquela situação quanto Lucy, mas eles ainda assim trocaram algumas palavras de maneira bastante educada.

Se eu pudesse chutar, eu era o que se sentia mais desconfortável ali, junto com Loke, Lucy e Hibiki. Loke, porque Jenny decidira grudar nele, e parecia não querer deixá-lo ir a lugar algum; Lucy e Hibiki, porque Karen esperava que eles se casassem o mais rápido possível; e eu, bem, por que raios eu tinha que estar ali assistindo aquela cena? Já não era péssimo o suficiente eu ter que abrir mão de Lucy para se casar com outro cara porque ela não poderia se casar por amor? Amor?

Levy e Wendy me olhavam com desespero, enquanto Karen e minha mãe trocavam olhares que ferviam em fúria. Karen tinha um sorriso vitorioso estampado em seu rosto, enquanto minha mãe se limitava a apertar o braço da cadeira com tanta força que ele quase se quebrara. O que raios estava acontecendo entre aquelas duas? Bem, eu só tinha certeza de uma coisa naquele momento: eu precisava tirar Lucy dali o quanto antes, mas seria impossível.

Lucy POV

Eu me esforçava ao máximo para não cometer um erro sequer enquanto comia, mas meus movimentos robotizados estavam dando conta do recado enquanto eu sentia meu coração batendo forte de nervoso. Natsu não parava de encarar a mim e Hibiki, e Karen também lançava olhares nada discretos a nós dois. Saeko fuzilava Karen com o olhar, e eu me limitava a encarar a comida, assim como Hibiki. Enquanto todos nos olhavam, eu me sentia uma pintura que todos paravam para apreciar e criticar. Eu mal conseguia engolir a comida por causa da pressão.

– Vocês formam um casal tão lindo – Karen comentou do nada, e eu senti meu rosto esquentar.

– Mãe... – Hibiki chamou, mas ela o ignorou completamente.

– Tenho certeza de que meus netos serão lindos se vocês dois se casarem – continuou, sorrindo diabolicamente, então olhou para Saeko. – Não concorda, Saeko, querida?

– Não tenho tanta certeza disso, Karen, querida – Saeko respondeu. – Eles formam um belo casal, sim – ela fez uma pausa, e eu sabia que o pior estava para vir. – Mas veja Natsu e Lucy, como são lindos juntos. Como se tivessem nascido um para o outro.

– Mãe... – Natsu chamou, mas Saeko o ignorou também. Perguntei-me como minha mãe agiria ali. Ela certamente ficaria do lado de Saeko. Eu me sentia uma bolinha de pingue pongue sendo jogada de um lado para o outro da mesa. Tanto Natsu quanto Hibiki estavam vermelhos, e eu sabia que não estava melhor. Que situação mais constrangedora.

– Jenny, minha filha – Karen chamou, e ela parou de sorrir para Loke, sendo encaixada no meio da situação. – Você concorda com a Sra. Dragneel ou com mamãe? – perguntou, e Jenny deu de ombros, abraçando Loke.

– Desde que eu possa escolher o Loke, para mim tanto faz – respondeu, e meu primo corou. Nós trocamos olhares nervosos e desesperados um para o outro.

– Eu não posso opinar? – perguntou, e Jenny balançou a cabeça.

– Claro que não, lindinho – falou, sorridente, e ele suspirou.

– Levy, Wendy – Saeko chamou, e as duas a encararam, assustadas. – Natsu e Lucy não formam um casal melhor?

– E-Eu não sei – Wendy respondeu, mas Levy sorriu maliciosamente. Aquela tampinha, só ela para ficar calma numa situação daquelas. Por mais que eu tivesse ficado apavorada com todos ali na mesa, Levy era a que mais me preocupava.

– Levy concorda comigo, não é, querida? – Saeko perguntou, e elas sorriram docemente uma para a outra. Era quase como ver dois demônios tramando algo juntos, por telepatia.

– É claro que Natsu e Lucy formam um casal melhor – respondeu, preparando-se para continuar. – Afinal, eles têm o mais importante – oh não, Levy, pare por aí -, eles se amam.

– Levy! – eu e Natsu levantamos e exclamamos em uníssono, e o silêncio se fez, com todos os olhares sobre nós. Eu engoli em seco, e Karen começou a rir.

– Desde quando o amor é o que mais importa aqui? – perguntou.

– Mãe! – Hibiki se levantou também, e ela suspirou para ele.

– Vê, Saeko? Eu sempre estive certa, desde o colegial – falou. – Por que seria diferente agora? – sorriu. – Você verá que estou certa quando Lucy e Hibiki se casarem.

– Eu tenho certeza de que no final disso tudo, meu filho que se casará com a Lucy – Saeko enfatizara o “meu filho”, colocando-se de pé. A essa altura, os três homens na outra ponta da mesa paravam de conversar para prestar atenção.

– Duvido muito que seus desejos se realizem, Saeko – Karen também se levantou, parecendo irritada.

– Você por acaso quer levar outra surra depois de mais de vinte anos? – Saeko perguntou, estreitando os olhos, e Karen mostrou a língua.

– Você chama aquilo de surra? – riu com desdém.

– Quebrar uma costela sua e seu nariz não foram o suficiente para você aprender a não comprar briga comigo? – Karen torceu o nariz, colocando a mão sobre ele. Ela se lembrava dessa surra com certeza.

– E depois de mais de vinte anos, você continua essa mesma garota selvagem sem um pingo de decência – comentou. – Agora você está debaixo do meu teto, querida. Você não pode tocar em mim.

– Eu não ligo para onde estamos, nem de quem é o teto que está sobre as nossas cabeças. Se você merecer outra surra, eu daria – Saeko cerrou os punhos. – Mas eu prefiro não correr o risco de sujar meu vestido com o seu sangue.

– Natsu... – murmurei, e ele me fitou. Estava tão longe de mim. Eu só queria sair dali. Ele me olhou aflito.

– Está tudo bem – murmurou de volta, sorrindo fraco, mas eu sabia que ele não tinha essa certeza. Wendy estava encolhida em sua cadeira, e Levy segurava sua mão.

– Aposto que meu sangue deixaria seus trapos com uma aparência bem melhor.

– Karen, querida, você já pensou em maneirar no silicone? Seus vestidos de dançarina de cabaré vão estourar se abusar demais.

– Você não falou isso – ela pareceu finalmente se irritar, e Saeko começou a rir.

– Eu sei por que você está se vestindo dessa maneira – observou. – É a meia idade, não é?

– Saeko – Igneel também se colocou de pé, junto com Sr. Lates. – O que você está fazendo?

– Karen, acalme-se – seu marido pediu, mas ela o ignorou da mesma maneira que ignorou Hibiki.

– Eu vou dar mais uma surra nessa mulher, mas dessa vez vai ser bem dada, para eu não ter que me preocupar em voltar aqui daqui a vinte anos de novo – Saeko falou. – Não é mesmo, vadia de meia idade?

– Sua nerd esquisitona! – Karen exclamou, e antes que pulasse no pescoço de Saeko, Sr. Lates correu para segurá-la.

– Francamente, Karen, vocês vão continuar brigando até quando?

– Rufus, faça o favor de me defender pelo menos uma vez ao invés de fazer perguntas sem sentido – pediu, olhando brava pro marido.

– Eu só quero que ninguém se machuque – protestou, mas Karen conseguiu se desvencilhar, pegando uma taça cheia de vinho e jogando em Saeko. Quer dizer, em Saeko e todos que estavam no meio: Levy, Wendy e Natsu.

– Você não fez isso... – Saeko se recuperou do choque, soltando-se de Igneel e pegando o prato de Wendy, que estava cheio ainda, e jogou a comida em Karen. – Agora o prato está completo, não é mesmo, alface? – eu teria rido daquilo tudo, mas a verdade é que eu estava pasma olhando o desenrolar da briga.

Então elas começaram a se xingar de tudo que era possível – eu mesma aprendi muitos palavrões novos nessa discussão – e jogavam tudo ao seu alcance uma na outra, enquanto os homens tentavam pará-las. Em algum momento, uma empregada entrara com taças enormes cheias de sorvete e calda, e antes que ela pudesse me servir, – como se eu conseguisse comer num momento como aquele — Karen pegou e lançou o sorvete em Saeko. A calda de chocolate e o chantilly acertaram Levy, que estava em pé no meio da briga. Senti uma mão segurar meu pulso e me puxar para fora da briga, e eu olhei para Natsu, coberto de molho e pedaços de legumes, e comecei a rir.

– Obrigada – agradeci, rindo, e ele passou a mão no meu rosto.

– Não sei do que está rindo – ele limpou a mão no meu vestido, que não estava completamente sujo. – Você também virou banquete – riu da minha cara, e eu olhei em volta. Ninguém, nem mesmo a empregada, escapou ileso da briga. Elas agora tinham ido para o mano a mano, e dava para ver o caos da sala de jantar. Havia comida, pedaços de pratos e copos quebrados, tudo espalhado pelo lugar. Levy tirara Wendy da sala, indo para o hall com Hibiki.

– Eu não sei nem o que dizer sobre isso, Lucy – falou, envergonhado. Percebi que tinha um corte em seu rosto, sangrando.

– O que aconteceu com seu rosto? – perguntei, e ele passou a mão por cima do corte, fazendo uma careta.

– Minha mãe jogou um copo enquanto eu estava saindo, e ele me acertou – falou, tirando um lenço que estava intacto de seu bolso, para limpar seu rosto.

– Deixe-me te ajudar – falei, tomando o lenço de sua mão e limpando as gotas de sangue que escorriam. Natsu grunhiu alguma coisa, provavelmente não queria que eu ajudasse, mas eu o ignorei.

– Obrigado Lucy, mas não precisava – falou, e eu sorri. Natsu estava com uma careta nada bonita, e me puxou para perto de si, envolvendo meus ombros. Levy tentava tirar grãos de arroz do cabelo de Wendy, mas ela estava num estado definitivamente pior, com chantilly e calda de chocolate em sua roupa. Saeko adentrou o Hall, coberta de vinho e comida, irritada e pisando pesado.

– Vai fugir da briga? – Karen perguntou. – Eu sempre soube que você era uma covarde – bem, ela não podia falar, porque enquanto Saeko só estava coberto de comida, ela estava com um lado do rosto roxo e inchado. Ela tinha levado uma surra.

– Dá um tempo Karen, vá se olhar num espelho – Saeko falou, abrindo a porta. A neve caía forte do lado de fora, mas ela estava disposta a ir embora andando se ninguém entrasse num dos carros.

– Certamente ainda estou mais bonita que você, esquisitona – provocou, e Saeko sorriu diabolicamente, apontando para mim e Natsu, que continuava me abraçando.

– Eu já estou satisfeita, eu ganhei – falou, saindo da casa, e eu senti meu rosto esquentar. Levy começou a rir, mas junto com Wendy, correu atrás de sua tia. – Vamos logo! – gritou de lá de fora.

– Sentimos muito por isso, Hibiki – Natsu falou, e eu assenti.

– Eu acho que nunca senti tanta vergonha – comentei, e ele riu.

– Essa briga é delas, não nossa – ele fitou a porta. – Pelo menos você não se machucou – depois de uma pausa, ele suspirou. – Acho que depois disso não vai haver casamento algum.

– Acho que não – concordei, e ele sorriu para mim e para Natsu.

– Acho que dificilmente minha mãe conseguiria ganhar essa briga – falou, referindo-se ao casamento, e eu engoli em seco, sorrindo. – Melhor vocês irem, ou minha mãe vai envolvê-los na briga.

– Obrigada por nos receber – agradeci, e ele sorriu docemente para mim.

– Espero que vocês consigam o que querem – e se virou, andando até sua mãe.

– Bem, vamos – Natsu me abraçou e nós saímos na neve. Do lado de fora, meu pai, Igneel e Rufus se despediam, rindo.

– É uma pena que tenha acabado assim, acho que certas coisas nunca mudam – Igneel observou, e Rufus deu de ombros.

– Tenho certeza que Layla teria entrado na briga se estivesse aqui – meu pai riu.

– E tenho certeza que ela teria ficado do lado de Saeko, como sempre – Rufus concordou. – É como se ainda estivéssemos no colegial.

– Sinto muito pelo almoço ter sido arruinado, Rufus – Igneel se desculpou. – Talvez ainda esteja para chegar o dia em que consigamos ter uma refeição inteira sem acabar em guerra de comida e insultos.

– A esperança é a última que morre – meu pai suspirou, sua respiração se tornando fumaça ao se encontrar com o gélido ar do inverno.

– Filha, solte o rapaz para ele poder voltar para casa – Rufus cutucou Jenny, que estava agarrada ao braço de Loke, e ela fez uma careta.

– Ah, o triste momento em que dois apaixonados têm de separar – falou, dramaticamente, soltando-se de Loke, que suspirou.

– Eu não me lembro de ter concordado com isso – murmurou, dando uns passos para longe de Jenny.

– Até algum dia, meu amor – ela sorriu docemente, acenando, e ele murmurou um “tchau” rápido, entrando na limusine que acabara de parar em frente à casa.

– Perdoe minha mãe pela bagunça – Natsu se desculpou, e Rufus balançou a cabeça.

– Acredite, Natsu, isso acontece sempre que elas se encontram. Eu não teria convidado vocês sem saber das chances de acabar desse jeito. Inclusive, Jude e Igneel concordaram em vir mesmo assim.

– Não tem por que se preocupar, filho – Igneel bagunçou os cabelos de Natsu, sorrindo para ele.

– Até a próxima, sócio – meu pai cumprimentou Rufus com um abraço, e voltamos para as limusines. Dessa vez Loke não ficara entre mim e Natsu, o que me fez pensar que Jenny o deixara realmente abalado. Sempre pensei se meu primo tinha alguma garota especial que ele amasse, mesmo sendo um daqueles que fica com qualquer uma apenas por uma noite. Depois de Jenny, percebi que já tinha algum tempo que ele vinha agindo diferente, talvez mais protetor comigo.

– O que foi, Lu-chan? – Levy perguntou, limpando o rosto num lenço. Eu a fitei por instante, e percebi que estava rindo.

– É que, se parar para pensar, foi tudo muito engraçado – respondi, colocando a mão sobre a boca.

– Devo admitir que os insultos de Saeko combinavam bastante com Karen – Loke falou, juntando-se a mim nas risadas.

– Minha mãe realmente deu uma surra nela – Natsu riu. – Vocês viram o estado do rosto dela?

– Vocês acham engraçado levar calda de chocolate e chantilly na cara? – Levy perguntou, séria, e todos a fitamos, e depois caímos na risada. Até mesmo Wendy ria, depois de ficar tanto tempo com cara de choro por estar coberta de comida. Quando descemos em casa, Saeko estava com a cara fechada, mas pareceu se animar quando todos começaram a rir. Bem, uma coisa eu tinha certeza: eu tinha impressionado, mas depois de tudo aquilo, eu estaria livre de encontro com pretendentes por um bom tempo.

–-

Passava das onze da noite quando eu olhei meu despertador. Estavam todos cansados, então todos tinham ido dormir cedo, mas eu não sentia sono, então deitei na cama apenas com meu abajur aceso, e peguei um livro para ler. Faltava pouco para terminá-lo, e eu pretendia terminá-lo ainda naquela noite, quando ouvi alguém batendo na minha porta. Minha primeira reação foi fechar o livro e encarar a porta, porque não sabia se era dali que vinha o som. Então bateu de novo, e eu dei um pulo para trás.

– Pode entrar – falei, mirando o livro, preparada para acertar o que quer que fosse. Então Natsu entrou e fechou a porta, e, em silêncio, veio até a minha cama e se deitou. – O que você está fazendo? – perguntei, quando ele entrou debaixo das cobertas e abraçou minha cintura. – Natsu? – chamei, e ele suspirou.

– Sim?

– O que você está fazendo? – repeti a pergunta, e ele deu de ombros.

– Não conseguia dormir – respondeu.

– E aí você vem dormir na minha cama?

– É.

– Você é sincero demais – observei, esperando que ele fizesse alguma coisa, mas ele apenas se ajeitou e fechou os olhos, deitado com a cabeça em minha barriga. Mordi o lábio, pensando que deveria deixá-lo dormir. Eu podia me arrepender dessa decisão pela manhã, mas eu não iria expulsá-lo no meio da noite. Afaguei seus cabelos, e voltei a ler.

– Luce – chamou. – Você vai se casar com o Rogue? – perguntou, e eu tornei a fechar o livro e colocá-lo no criado mudo. “Com Natsu aqui, eu não vai conseguir terminar de ler”, pensei.

– Com o Rogue? – parei por um momento, encarando-o. Ele não estava com os olhos fechados, mas parecia sonolento. “Entendi”, sorri para ele e passei a mão em seu rosto. – Por acaso é por isso que você não consegue dormir?

– Não – respondeu, depois de algum tempo. – É só uma dúvida.

– Se serve de resposta, não é com ele que eu quero casar – falei, e ele se levantou, sentando-se ao meu lado.

– E com quem você quer casar? – ele estava mais sério do que jamais pensei vê-lo. Abri a boca para responder um “sei lá”, mas decidi ficar em silêncio por algum tempo.

– Por que ficou interessado nisso de repente? – questionei, e ele deu de ombros.

– Eu não quero que você case com alguém sem amar essa pessoa – não pude esconder um sorriso ao ouvir sua resposta. Esse era o Natsu por quem eu havia me apaixonado quando era mais nova. Deitei a cabeça em seu ombro, e soltei uma risada baixa.

– Você não precisa se preocupar com isso – falei, e ele suspirou, virando-se para me olhar nos olhos. – Natsu? – ele parou alguns centímetros da minha boca, e ao invés de me beijar, abraçou-me e enterrou a cabeça em meu ombro. Sem saber o que fazer, eu o abracei de volta.

– Eu também sinto muito, Luce – falou. Parece que ele havia percebido por que eu me desculpei mais cedo. Demorara menos do que imaginei para ele tocar no assunto, mas ainda assim, o que estava feito, estava feito.

– Vai dar tudo certo no final – falei, por fim, depois de um longo tempo em silêncio.

– Como você sabe? – perguntou, soltando-me.

– Não posso fazer nada mais do que acreditar nisso, eu não tenho outra escolha – sorri do melhor jeito que deu, mas ele parecia ter percebido que não era um sorriso verdadeiro.

– Ainda posso passar a noite aqui? – eu assenti, e ele se deitou, enrolando-se na coberta e virando para o lado oposto a mim. Eu hesitei por um momento, mas as palavras foram mais rápidas do que eu pude segurar:

– Eu te amo, Natsu – ele não respondeu nada, e eu sorri triste, talvez para mim mesma, e apaguei o abajur, deitando-me. Antes que eu percebesse, algumas lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelas minhas bochechas, indo de encontro ao travesseiro. “Pelo menos”, pensei, “eu tirei esse tormento de dentro de mim”. Isso. Demorou três anos para eu falar, mas eu falei.

Natsu POV

O despertador tocou e eu tentei encontrá-lo com a mão sem me mover tanto, mas acabei tendo que levantar para desligá-lo. Sentei-me na cama, com a cabeça enterrada nas mãos. Era a primeira vez que eu não sabia como reagir a algo. Ou talvez, a primeira vez que eu não conseguia agir de qualquer forma.

O recesso de fim de ano acabava de chegar ao fim, e agora tínhamos mais algumas poucas semanas de aula antes da formatura. Eu não sabia como iria me concentrar em estudar para passar em algum exame pra alguma faculdade, de tão atormentado que andava. Desde aquela noite...

“Eu te amo, Natsu”

Fazia três dias que ela dissera. E há três dias, eu não conseguia olhá-la, falar com ela ou ficar no mesmo cômodo que ela. Por que era tão difícil? Era o que eu queria ouvir. Sempre foi. Então por que eu me sentia desse jeito? Meus banhos se tornaram longos, e eu mal saía do meu quarto, mesmo que meus amigos me chamassem para sair. De vez em quando, Gajeel aparecia, mas era mais para ver Levy do que falar comigo.

Depois de sair do banho e vestir o uniforme, abri a porta do meu quarto, deixando alguma luz entrar no cômodo escuro, e encontrei Lucy saindo de seu quarto. Ela sorriu para mim e desceu as escadas, enquanto eu travara segurando a maçaneta com força. Os próximos dias seriam mais longos do que eu imaginava.

– Bom dia – cumprimentei todos e sentei no lugar que eu costumava sentar. Era algo que eu não podia evitar. Aquela cadeira, ao lado de Lucy, ficara marcada como minha. Lucy, como sempre, comia uma torrada com manteiga. Por que era sempre nela que eu reparava, quando tinha mais seis pessoas na mesa pra eu observar?

– Levy-chan, não abuse da cafeína – Lucy falou de repente, e eu percebi que minha prima estava em sua terceira xícara de café.

– Não enche, Lu-chan. Estou tentando me manter acordada depois de passar a noite inteira pra primeira prova do ano.

– Prova? – eu e Lucy perguntamos em uníssono, e trocamos olhares. Por fim, eu quebrei o contato visual, e ela fitou sua torrada.

– Makarov falou que no primeiro dia depois do recesso, ele daria uma prova de matemática – Levy explicou, mordendo um biscoito.

– Matemática? – Lucy enfiou a torrada na boca e se levantou. – Eu preciso encontrar meu livro de matemática! – e saiu correndo, desesperada.

– Estou com essa cara horrível, mas pelo menos não estou apavorada procurando meu livro de matemática – a baixinha comentou, virando a xícara de café.

– Eu já estou de saída – Loke avisou, e minha mãe o fitou.

– Ainda é tão cedo. Aonde vai? – perguntou, com um sorriso indiscreto.

– Uma amiga minha está voltando pra Magnólia, e eu fiquei de ir buscá-la – respondeu, e Levy o encarou.

– Uma amiga, é? – questionou, e Loke sorriu para ela, bagunçando seus cabelos, e saiu, encontrando Lucy.

– Vai sair agora para trabalhar? – ela perguntou, e ele se abaixou para sussurrar em seu ouvido. – Vou esperar então. Levy, já que você estudou, eu preciso que você me explique uma coisa... – ela se sentou, abrindo um livro azul.

– Ela não estudou – Wendy comentou.

– Ei – Levy tentou chamar sua atenção.

– Não acreditem nessa cara de quem passou a noite acordada estudando – ela riu para a irmã. – Ela passou a noite acordada fazendo outra coisa.

– E você não? – Levy perguntou, e Wendy ficou séria.

– Eu dormi antes de vocês! – protestou.

– Ouse falar mais alguma coisa comprometedora!

– Vocês? – perguntei, rindo do rosto vermelho de Levy. – Precisamos encontrar o Gajeel e ver se as expressões batem.

– Natsu! – ela jogou um biscoito em mim.

– Tão ameaçadora – Lucy observou, colocando o livro na bolsa e mordendo uma maçã.

– Eu já vou indo – falei, colocando-me de pé.

– Vamos também, Levy-chan – Lucy sorriu para ela, que assentiu.

– Sim, mas eu preciso de um energético – falou, e Virgo colocou um em suas mãos. – De onde apareceu isso?

– Seu desejo é uma ordem, Srta. Levy-chan – Virgo fez uma leve reverência e Levy agradeceu. Coloquei um casaco e saí da casa, sabendo que as três vinham atrás de mim. Aquelas palavras ainda ecoavam em minha mente. E eu sabia que ela tinha chorado depois. Eu ouvi. Eu só consegui dormir depois que ela dormiu aquela noite.

E Lucy, agora, era a única coisa em que eu conseguia pensar. Eu sou mesmo o único que pode impedir um casamento arranjado? Tudo isso porque ela me ama? Eu respirei fundo, olhando para o céu azul de inverno. O que mais eu poderia fazer?

– Natsu! – uma voz estridente chegou até mim, e quando me virei, Lisanna pulou em mim. – Eu estava sentindo tanta a sua falta! – ela me beijou, e tudo o que vi foi Lucy passando por nós, sem desviar o olhar do seu caminho.

– Lis, não faça essas coisas no meio da rua – afastei-a, e ela riu para mim, pegando minha mão. Era um calor diferente. A sensação era diferente.

– Você está estranho, Nat – Lisanna observou, eu segurei sua mão e continuei andando. – Como foi o Ano Novo?

– Foi... – hesitei. “É inevitável, sabe? Você e eu”, “É tudo um jogo”. Eu tinha falado isso para ela. Um jogo? Sim. Eu fui pego no meu próprio jogo. – Foi legal – respondi, e ela me fuzilou com o olhar.

– Francamente, eu não entendo o que se passa na sua mente – falou, e de onde estávamos, pude ver Lucy abraçando Juvia e Erza. Todos os meus amigos estavam ali, e entraram no colégio sem mim. Lisanna sorriu para mim quando eu a fitei. Não era o mesmo sorriso.

Lucy POV

Depois de terminar a prova, eu me sentia exaurida. Não conseguia mais pensar. Era a tortura de fazer uma prova inteira de matemática na primeira aula do semestre inteiro sem saber metade do conteúdo. Torci para ter acertado pelo menos uma parte. Olhei em volta, observando cada um. Natsu, ao invés de fazer a prova, olhava pela janela, balançando o lápis entre os dedos. Levy estava desmaiada em cima da carteira, mas sabia que ela já tinha acabado a prova há bastante tempo. Gray e Gajeel trocavam cola no fundo da sala, atentos aos movimentos de Makarov, que sofria tentando pegar um livro numa estante alta, e sob olhares reprovadores de Erza.

Quando o sinal tocou, Juvia, que sentava na minha frente, correu para abraçar Gray, e ele nem ao menos se esquivou do abraço. Era estranho pensar que eles namoravam agora. Gajeel, como Natsu falou, estava com uma expressão cansada no rosto, como Levy. Eles provavelmente tinham passado a noite acordados conversando. Jellal e Erza mal se encaravam de vergonha. Todos no grupo tinham alguém, e eu estava sozinha. Quer dizer...

– Blondie! – Sting apareceu na minha frente, junto com Rogue.

– Vocês dois – murmurei, sorrindo. – Como foi o recesso?

– Foi divertido, nós fomos para a praia e conhecemos umas gatinhas – Sting respondeu. – Mas sempre vai ter um lugar para você no meu coração, Blondie, não se preocupe com isso.

– Claro, claro – concordei, levantando-me para acordar Levy, mas parei no meio do caminho, vendo que Gajeel fora fazer a mesma coisa que eu.

– Nat-kun! – eu continuei parada no mesmo lugar quando Lisanna entrou na sala. Olhei de relance para Natsu, que dormia pacificamente em cima de sua mesa. – Lu-chan – ela andou até mim. E foi incrível a velocidade de Levy para acordar e se colocar a postos do meu lado.

– Bom dia, Lisanna – cumprimentei, e ela sorriu docemente para mim.

– Ah, Levy-chan – ela fitou Levy, que fez uma cara de aversão no mesmo instante, mas Lisanna não pareceu notar. – Natsu está bem? Ele parece meio perturbado.

– Ele só está cansado, não deve estar dormindo direito – respondi, e Levy me fitou. – Quer dizer, talvez ele não esteja dormindo direito.

– Oh – Lisanna olhou para o namorado. – Então eu vou acordá-lo.

– Então – Levy me encarou. – Natsu não está dormindo direito? – perguntou, e eu dei de ombros, saindo da sala. A verdade é que eu não deixava transparecer, mas desde aquela noite, eu também não conseguia dormir direito. Quando pegava no sono depois de muito custo, eu acordava com algum pesadelo e não dormia mais.

Natsu POV

– Natsu! – Lisanna me cutucava insistentemente, e eu abri os olhos. A sala estava quase vazia, exceto por mim, ela e Erza, que procurava algo em sua mochila. – Já é hora do almoço. Vamos? – eu assenti, andando com ela até o refeitório e me sentando em uma mesa vazia. Ela começara a falar do feriado, no qual ela tinha ido viajar para a casa de alguns parentes em outro país com seus irmãos. Percebi que, desde que começamos a namorar, aquela era a única semana do ano que eu tinha realmente paz.

Mas dessa vez era diferente. Meu recesso foi com Lucy, mais do que jamais imaginei que seria. Nunca achei que voltaríamos a nos falar, desde que ela ficara estranha, quando eu comecei a namorar Lisanna. Mas agora estava tudo esclarecido. Enquanto Lisanna contava das coisas divertidas que fez no Ano Novo, eu encarava a mesa onde todos meus amigos estavam, rindo e conversando. Lucy percebeu que eu olhava, e sorriu para mim. Era aquele sorriso, com a boca rosada e as bochechas coradas, com o cabelo loiro caindo por cima do ombro. Ela era tão linda.

– E o seu Ano Novo? – perguntou, e eu voltei minha atenção para Lisanna. – Como foi?

– Meu Ano Novo? – ela assentiu, e eu dei de ombros. – Foi legal. Já falei.

– Conta em detalhes, seu bobo.

– Ah – eu suspirei. – Eu fui com minha família jantar com uns sócios do meu pai e de Jude – respondi, tentando afastar as cenas do que acontecera depois de tudo. Se Lisanna descobrisse, não importando como descobrisse, eu nem imagino o que ela seria capaz de fazer comigo ou com Lucy.

– Foi divertido? – perguntou, interessada.

– Eu acabei não ficando inteiro – respondi, sem pensar. Droga.

– Por que não? – eu me sentia num interrogatório. Lisanna franziu o cenho, encarando-me profundamente, e eu fiz o possível para me manter calmo.

– Lucy acabou passando mal e eu tive que levá-la para casa pouco depois da meia-noite.

– Você a levou para casa? – assenti, e ela assentiu. – Mas só isso, né? – perguntou, e eu enfiei três batatas fritas na boca, com a melhor expressão de indiferença que eu pude fazer.

– É. Ela foi dormir e eu fiquei jogando videogame – respondi. – O que mais poderia acontecer?

– Acho que nada – respondeu, fitando seu prato quase vazio, e continuou comendo em silêncio. Assim que o sinal tocou, eu suspirei aliviado, e ela voltou para sua sala com as amigas, enquanto eu fui para a minha, sozinho. Logo na porta, quando eu vi todas aquelas pessoas reunidas, já soube que não sairia coisa boa dali.

– Lucy, você fica tão fofa quando fica envergonhada – Erza falou de repente, e eu parei, observando a conversa.

– Erza, por favor – Lucy pediu, com o rosto vermelho.

– Mas é a verdade – Levy protestou, e Juvia assentiu. – Vamos pedir a opinião de outra pessoa – ela se virou e sorriu para mim, e eu me encostei na parede. – Sting, vem aqui um momento – chamou, e ele se aproximou.

– Diga, você não acha que a Lucy fica fofa quando está envergonhada? – Erza perguntou, e ele sorriu para Lucy.

– Por que vocês tiraram o dia para fazer isso comigo? – Lucy parecia desesperada, mais vermelha ainda.

– Eu diria que, entre todas as qualidades da Blondie, uma delas é ser fofa – Sting respondeu, abraçando-a.

– Dentre muitas? – Juvia questionou, e ele assentiu.

– Além de bonita, simpática, carismática, sexy, ela também é fofa – explicou, e Lucy se afastou dele.

– A gente sempre soube o que você pensa de mim, Sting – ela murmurou.

– E depois de todos esses elogios, você finalmente aceita sair comigo?

– Não – ela respondeu, e ele deu de ombros, beijando-lhe a bochecha.

– Eu sei que algum dia você vai me querer, Blondie – falou. – E eu estarei te esperando.

– Sabe quem mais acha a Lucy fofa? – Levy perguntou, e dessa vez ela sorriu diabolicamente pra mim. As meninas a fitaram, esperando que ela dissesse. – O Rogue!

– O quê? – Lucy arregalou os olhos, e antes que eu percebesse, eu desencostei da parede e caminhei em direção à minha prima.

– O que tem eu? – ele se virou, e Levy abriu a boca pra falar, então eu peguei um biscoito que alguém segurava e enfiei em sua boca, voltando para a minha mesa.

– Nada – Lucy respondeu, voltando para sua mesa também. Como se não bastasse isso, Levy, Juvia e Erza puxaram cadeiras para se sentarem em volta de mim.

– Então eu peguei no seu ponto fraco? – minha prima começou a rir, e Erza deu um tapa em meu ombro.

– Aposto que você pensa da mesma maneira que o Sting – comentou.

– Juvia quer que você e Lucy fiquem juntos de uma vez por todas! – Juvia falou, e eu revirei os olhos.

– Dá pra vocês pararem com essa obsessão? – perguntei, e elas sorriram para mim.

– Nunca – responderam, colocando as cadeiras em seus lugares e se afastando. Que maravilha. Agora, além de tudo entre mim e Lucy, ainda tem um time inteiro para me encher o saco quando bem entender.

Lucy POV

– Até que aquela prova de matemática não estava tão difícil – falei, enquanto eu e Levy saíamos do colégio.

– Você sempre diz que quando acha que uma prova de matemática foi fácil, sua nota vem péssima – Levy comentou, estragando minha animação.

– Você tem razão, mas eu disse que não estava tão difícil, não que estava fácil. Aprenda a ouvir as pessoas, Levy-chan.

– Desculpa Lis, eu preciso mesmo voltar para casa – ouvi Natsu falando, e me virei. Lisanna estava, como de costume, pendurada em Natsu.

– Mas Nat-kun, faz dias que não ficamos juntos! – Lisanna choramingou.

– Eu preciso estudar para a prova de física de amanhã – suspirou. – Nós podemos sair no final de semana, se quiser.

– Tudo bem, mas no final de semana sem falta – concordou, beijando-o.

– Lu-chan, que expressão indecifrável é essa? – Levy perguntou, sorrindo para mim. – Não me diga que está com ciúmes?

– Não é bem isso – respondi. Na verdade era e não era. Eu não sabia como me sentir depois de tudo.

– Ei, você está bem? – Levy ficou séria de repente, e eu senti uma lágrima solitária escorrer pelo meu rosto.

– Estou – respondi, virando-me para tomar o caminho de casa, quando Wendy correu até nós, chateada.

– E o que aconteceu com você? – a baixinha parecia tão perdida quanto cego em tiroteio. Bem, nem todos tinham um romance tão bom quanto o que ela tinha com Gajeel.

– Garotos são uns idiotas – respondeu, ficando em silêncio. Olhei para o lado, e vi que Natsu se juntara a nós.

– Concordo – comentei, e senti que ele me fitava. Não que eu esperasse alguma coisa depois de dizer que o amava, mas, caramba, ele não falou nada. Simplesmente nada. Chegamos em casa em silêncio, e subimos para nossos quartos. Depois do café da tarde, eu e Levy fomos estudar física em seu quarto, e chamamos Natsu, mas ele se recusou, entrando em seu quarto escuro.

–-

– Ei, acordem – abri os olhos, e dei de cara com Saeko balançando a mim e Levy. O sol estava se pondo, e eu percebi que tínhamos pegado no sono enquanto resolvíamos alguns exercícios de física, no chão mesmo. – Um detetive está aqui para falar sobre o incêndio da casa – avisou.

– E por que não está lá embaixo? – Levy perguntou, bocejando e se espreguiçando.

– Eu não sei se realmente quero saber o que aconteceu – respondeu, apreensiva.

– Deixa disso, tia, eu vou lá com você – Levy se colocou de pé preguiçosamente, e pegou a mão de Saeko e acompanhando-a para fora do quarto. Fiquei algum tempo olhando o lustre do teto branco, mas logo decidi me levantar e levar meu caderno e meu estojo para o meu quarto. Mas eu acabei parando no meio do caminho, na frente do quarto de Natsu.

– Olha só quem ia passar o dia estudando – entrei no quarto escuro, encontrando Natsu só de bermuda, sentado no chão em meio a um monte de almofadas, de frente para uma televisão, com um controle em mãos e uma garrafinha ao seu lado.

– Quem disse que eu não estudei? – perguntou, sem desviar o olhar, e eu fechei a porta atrás de mim. – E você não deveria entrar no quarto dos outros. É invasão de privacidade, sabia?

– Você está sob o teto do meu pai, ou seja, minha casa, meu quarto, minha privacidade – falei.

– Você é muito possessiva – comentou, e eu revirei os olhos, desviando de tudo que estava jogado no chão para chegar até ele. – O que quer aqui afinal?

– Como você é grosso, Natsu, eu vim até aqui te dar uma notícia importante – respondi, entrando em sua frente e atrapalhando sua visão.

– Mas que droga – ele colocou o controle de lado quando um grande e vermelho “GAME OVER” apareceu na tela da televisão. – Vai ficar parada aí até quando?

– Até você me ouvir – falei, cruzando os braços, e ele suspirou, jogando-se nas almofadas espalhadas, e ele me fitou. Sua expressão se transformou imediatamente de “garotinho irritado que perdeu seu joguinho besta” para “pervertido tarado que não consegue se segurar” e me puxou, fazendo com que eu caísse em cima dele.

– Você é uma pessoa incrível, sabia? – ele se sentou, comigo em seu colo, e começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. – Entrar de repente no quarto de um homem, quando ele está em seu estado mais primitivo e atrapalhar seu jogo de guerra com esse shortinho curto e essa camiseta apertada.

– O que quer dizer com isso? – perguntei, e ele uniu nossos lábios. Por mais relutante que estivesse, mordi seu lábio. Essa é uma brincadeira para dois, e eu finalmente sabia como jogar.

Levy POV

Desci até o escritório de Jude com minha tia, onde ele e meu tio conversavam com um homem vestido com um sobretudo e um chapéu preto, com um cigarro aceso entre os dentes. Ele falava algo calmamente, mas o olhar de Igneel deixava claro que nada estava tão tranquilo assim. Sobre a mesa, um esboço de um homem com olhos esbugalhados e cabelos rebeldes. Ele parecia ser bem perturbador de se encontrar na rua.

– Ah, Saeko, você decidiu aparecer – Igneel a abraçou quando ela parou ao seu lado, nervosa.

– Como eu ia dizendo – o homem de sobretudo continuou -, tudo o que sabemos sobre ele, por enquanto, é que ele usa o nome de Zancrow. Ele age sozinho, sem qualquer cúmplice, e um de meus homens descobriu que ele se diz um mágico que controla o fogo. Claro que isso é algo que só acontece na cabeça dele.

– Onde ele está agora? – Saeko perguntou, sua expressão mudando completamente.

– Estamos monitorando cada um de seus passos – o detetive respondeu. – Ele foi visto num vilarejo há duas horas daqui, tentando vender algumas joias e outros itens de valor.

– Vilarejo? – Igneel perguntou, arqueando a sobrancelha.

– Sunbury, pouco mais de sete mil habitantes. Mas agora ele começou a se mover rapidamente. Deve saber que está sendo seguido.

– Avise-nos se ele se aproximar de Magnólia – Saeko se virou. – Eu irei cuidar dele pessoalmente – e deixou o escritório sem dizer mais nada. Por um momento, fiquei assustada. Acredito nunca ter visto minha tia tão séria em toda a minha vida.

– Se me dão licença – o detetive cumprimentou os dois e a mim, e Virgo apareceu para acompanhá-lo até a porta. Jude e Igneel trocaram olhares nervosos e tensos, depois fitaram o esboço mais uma vez.

Lucy POV

– Natsu... – chamei, interrompendo-o e me separando dele. Ele suspirou e me fitou. – Eu vim aqui para te dar um recado.

– Que recado? – ele tentou me beijar mais uma vez, então coloquei a mão na frente da boca.

– Um detetive veio para falar sobre o incêndio da sua casa – respondi, e ele deu de ombros, segurando minhas mãos para que eu não pudesse reagir aos seus beijos. – Você não se importa com o que aconteceu na sua casa?

– Claro que me importo – falou. – Mas por causa disso eu pude vir para cá, e com você aqui, não tenho por que me preocupar – sua voz rouca e baixa era tão sensual que fez arrepios percorrerem meu corpo.

– Vamos descer – levantei-me e ele revirou os olhos, irritado.

– Você sempre tira a graça das coisas – reclamou, passando a mão pelos seus cabelos rosados e bagunçados. – Arrume esse cabelo e nós descemos.

– Pois se arrume também – virei-me para sair, e ele começou a rir baixo, mas eu preferi ignorá-lo e deixar seu quarto. Quando meu olhar foi de encontro ao espelho, entendi o motivo das risadas. Minha roupa estava meio amassada, meu cabelo desgrenhado e meus lábios vermelhos ao invés do rosado de sempre. Joguei água gelada no rosto e prendi o cabelo em um rabo de cavalo, e quando saí do quarto, Natsu me esperava no corredor.

– Caramba Luce, isso é tudo que você consegue fazer – ele tentou puxar meu cabelo, e eu o empurrei.

– Do que você está falando? Tudo o que você fez foi colocar uma camiseta – protestei, e ele sorriu para mim. Droga, Natsu. Passei por ele para descer as escadas, e eu ouvi seus passos logo atrás de mim. Ao chegarmos ao hall, percebi que já estava escuro do lado de fora, e Virgo abria a porta para um homem num sobretudo preto com um chapéu. Ele me olhou por um momento, e com um cumprimento de cabeça, deixou a casa.

– Oh, Hime-sama – Virgo fechou a porta, e se virou para nós. – O jantar será servido logo. Natsu-sama, seu pai está no escritório de Jude-sama.

– Ah, obrigado, Virgo – agradeceu, seguindo pelo corredor até a sala do meu pai, e eu o segui. Levy estava saindo, com uma expressão atordoada, e Natsu entrou. Meu pai e Igneel discutiam algo, olhando para uma folha com um rosto desenhado.

– Quem é esse? – perguntei, e Saeko apareceu, segurando um cutelo. Eu não podia negar que ela estava realmente assustadora daquele jeito.

– Não precisam se preocupar – ela se aproximou da mesa e acertou o cutelo em cima do rosto desenhado, e ficando ainda mais sombria, murmurou: — Ele é um homem morto.

– Mãe, acalme-se – Natsu pediu, e ela cruzou os braços.

– Não posso deixar que ele fique livre por mais tempo – e se retirou do cômodo. Lancei um olhar questionador para Natsu, mas ele desviou o olhar.

– Deixemos isso nas mãos de sua mãe, meu filho – Igneel colocou a mão sobre o ombro de Natsu, que assentiu. Eles trocaram olhares como se conversassem por telepatia, então Igneel e meu pai saíram do escritório, deixando-nos a sós.

– Vai me dizer o que foi isso? – perguntei, e ele suspirou.

– Não foi nada – respondeu, e eu assenti, revirando os olhos.

– Claro que não – antes que eu pudesse reagir, Natsu beijou minha bochecha, e eu ouvi um barulho vindo da porta.

– O que você fez? — questionou, encarando-me, e eu franzi o cenho.

– Eu estou aqui, como eu poderia fazer alguma coisa? – então uma risada baixa veio do corredor.

– É tão divertido quando isso acontece, não? – Levy apareceu, rindo. – Bem que eu achei que vocês estavam demorando demais.

– Falei que não tinha disfarçado bem – Natsu murmurou para mim, e eu o belisquei.

– A gente discute isso depois – sussurrei, enquanto Levy nos olhava com aquele sorriso malicioso.

– Não fale da Lucy, priminho – falou. – Você também não sabe disfarçar nada bem – e começou a rir histericamente, sua risada se afastando conforme ela percorria o corredor até a sala de jantar.

– Oh, não me diga que você achou que não estava nada suspeito? – perguntei, segurando a risada por alguns segundos.

– Não enche – murmurou, irritado, passando por mim e eu o segui, ainda rindo. – Vai rir até quando, Hiena?

– Até parar de ter graça, Algodão Doce.

– Vocês já estão discutindo outra vez? – meu pai perguntou, quando entramos na sala de jantar.

– Parece que esses tempos de paz entre eles nunca duram muito – Igneel observou.

– Acredite em mim, nunca houve e nunca haverá um tempo de paz entre esses dois – Wendy, que finalmente resolvera aparecer, sentou-se ao lado de Saeko e tomou um gole de suco de laranja.

– Mas eu sei que por debaixo dos lençóis existe essa paz – Levy sussurrou, sendo que apenas eu e Natsu pudemos ouvir, e depois piscou para nós. Meu rosto esquentou na hora. Maldita seja essa tampinha.

– Cale a boca e coma, Levy – Natsu falou, com o rosto avermelhado. Levy-chan, sua baixinha pervertida, tudo tem volta. Você verá.

Notas finais
Eu sei, esse ficou um capítulo realmente corrido, eu juntei vários com acontecimentos completamente diferentes para formar um que seria meio que uma ponte para os futuros acontecimentos. Quaisquer erros de concordância, digitação, e de gramática no geral, perdoem, porque eu não tive tempo de corrigir o que tivesse, deixei nas mãos do Word e...o Word não é assim tão confiável rs. Até o próximo, minna-san! :3