FT High School: Where All Began

11 A Última Viagem do Colégio - Parte I


Notas iniciais
Yo minna-san! Gomene pela demora para postar, um monte de coisas começaram a acontecer nesse último mês, das piores às melhores, nem dá pra acreditar que tanta coisa aconteça com uma pessoa só nesse mundo. E eu queria postar esse capítulo completo ao invés de separar em duas partes, mas eu estou travada para terminá-lo, então resolvi dividir em duas partes mesmo, e já postar a primeira. Boa leitura ^^

Lucy POV

Eu acabei dormindo demais, e para ajudar, ninguém apareceu para me acordar. Na verdade, eu levantei logo depois que todos saíram, e era o dia de folga de Virgo. Peguei uma maçã e saí correndo para não chegar atrasada, e assim que pisei no colégio, o sinal tocou. Suspirei aliviada, e subi as escadas para chegar à sala do último ano.

Definitivamente tinha algo errado. Makarov não estava na sala, todos estavam tumultuando, Natsu estava acordado, e Juvia não desenhava em seu caderno. Mas ninguém pareceu notar que eu estava sentando em minha mesa. Erza não estava escrevendo, mas discutia algo com Gajeel. Gray parecia prestar atenção na discussão, e Levy tentava separá-los.

– Hã, o que aconteceu? – perguntei para Juvia, que sorriu para mim, entusiasmada.

– Acampamento, Lu-chan! – respondeu vagamente.

– Acampamento? – questionei, perdida.

– Você não se lembra que todo ano, o último ano faz uma viagem juntos?

– Não.

– Juvia está perplexa por se esquecer dessa viagem. Sempre falávamos disso!

– Você anda lendo bastante, não é? – soltei uma risadinha, e ela revirou os olhos.

– Isso não vem ao caso – murmurou. – É a última viagem que faremos juntos antes de nos formarmos, Lu-chan.

– Ah, a última? – fitei o chão. Não lembrava muito bem sobre esse acampamento, mas o fato de ser a última viagem em grupo tornava tudo mais dramático. Fazia-me pensar que logo me formaria, iria pra faculdade, e até mesmo me casaria, sendo o que meu pai quer. – Para onde vamos? – perguntei, e ela deu de ombros.

– Makarov saiu da sala para descobrir isso – respondeu.

– E esse tumulto todo...?

– Apostas.

– Ah – até que fazia sentido. Parando para pensar por um instante, lembrei-me vagamente de um ritual de passagem que todos os alunos do último ano passavam antes de se formar. Sim, nós conversávamos sobre isso vez ou outra. Diziam que esse ritual mudava completamente a pessoa, mas eu achava exagero dizer isso. Quer dizer, alguns realmente voltavam diferentes, mas nada que parecesse estar ligado a esse “acampamento misterioso”.

– Como não tem jeito de mudar essas suas mentes ávidas por aventura – Makarov entrou na sala, e todos se silenciaram, sentando-se. – Todas as salas do último ano irão para um acampamento, claro que separados. Todo ano é a mesma coisa... – murmurou.

– Ninguém nos conta como é, todos ficamos curiosos – Erza falou, e todos na sala assentiram. Por mais que eu achasse que a curiosidade de todos fosse demais, eu ainda assim queria descobrir. Nós conhecemos gente que passara pelo “ritual”. Quando Mirajane foi, eu devia ter uns doze anos. Até então, ela era estourada e estressada, e voltou estranhamente calma com um sorriso estampado no rosto que perdura até os dias atuais.

Dois anos depois foi a vez do irmão dela, Elfman. Ele era sempre muito ingênuo e medroso, e quando voltou, estava mais macho do que qualquer homem que eu jamais conhecera, falando “homem isso, homem aquilo”. Não deu nem um ano para ele viver numa academia malhado, até ficar sarado e musculoso.

O segredo é que todos os casais ou quase-casais que vão para esse acampamento voltam mais unidos do que nunca. Foi o que aconteceu com Mirajane e Laxus, e também com Elfman e Evergreen. Ah, sim. Era esse o principal motivo da comoção entre as garotas do último ano. O verdadeiro interesse por trás de toda essa curiosidade de fachada era poder ficarem com suas paixonites de colegial. E eu ficaria sozinha. Quer dizer, Lisanna não iria para ficar em cima do Natsu. Para a sorte dele, ela reprovara um ano. Mas nada aconteceria entre nós, seria ridículo criar esperanças.

– Lu-chan, pare de encarar o Natsu – pisquei e me virei para Juvia, que sorria maliciosamente para mim.

– Eu não estava encarando ninguém – protestei. – Estava apenas olhando para o além e pensando.

– Lu-chan, você vai, certo? – Levy sentou-se do meu lado de repente e eu levei um susto seguido de um mini enfarto. – Caramba, você realmente anda muito distraída. Se bem que eu sei o que te deixa assim, fora do ar – falou, rindo, e eu senti meu rosto esquentar. – Não precisa fazer essa cara, eu vou pensar em dar um tempo nas provocações – e me abraçou. Tampinha falsa de uma ova. Como poderia caber tanta falsidade e malícia numa pessoa tão pequena?

– Eu não tenho outra escolha a não ser ir, sei disso – respondi, e ela sorriu para mim. Se eu dissesse que não ia, ela faria tudo ao seu alcance para me forçar a ir. Melhor entregar o jogo de uma vez, pelo menos eu não precisaria me preocupar em entrar num quarto cheio de bilhetes por todos os lados.

– Está tudo decidido então – Makarov discutia algo com Erza e com Cana à frente da sala. Pela expressão no rosto de Cana, ela estava em mais uma de suas ressacas. E ela era presidente do Conselho Estudantil. Apesar de seu sério problema com bebida, pelo menos ela era uma aluna realmente esforçada e com notas sempre altas.

Cana deixou a sala com uma careta de dor, mas ainda assim caminhava com graça e leveza. Ela era bastante...indiscreta, pra falar a verdade. Não demorou muito para que ela voltasse com MavisVermillion, a diretora e dona do colégio. Não que ela quisesse, afinal a família Vermillion fundara o colégio, e o fardo fora passado para ela no final. E ela era tão nova, devia ter seus 23, 24 anos ainda, baixinha e magra, com cabelos loiros bem longos e ondulados, e, bem, cara de criança. Ninguém de fora sabia quem ela era porque ela não aparentava ser uma adulta responsável por um colégio com mais de 400 alunos.

– Bom dia a todos – ela sorriu animada, e acenou. Por algum motivo, ela era sempre querida com todos na nossa sala, e ela nos adorava. Com as outras salas ela era sempre séria e sem tempo para diversões. Certa vez, no ano anterior, ela decidira passar uma aula na nossa sala para esquecer de suas preocupações, e Makarov não teve escolha senão deixar a sala fazer a festa com a diretora ali, já que ela mesma que começara a bagunça.

– Srta. Vermillion – ela se aproximou de Makarov, e conforme ele falava, ela assentia, pensativa. Ao invés da sala tumultuar, todos ficaram quietos tentando ouvir a conversa.

– Ah, o acampamento mais uma vez – ela fitou a turma. – Espero que estejam preparados para tudo o que está por vir com essa decisão – e ela falou isso com o sorriso mais doce que qualquer um já vira. – Para não termos problemas, eu tomei a liberdade de chamar dois ex-alunos para lidarem com o que quer que aconteça, caso algo saia errado.

– Dois ex-alunos? Essa é nova – Makarov murmurou, cruzando os braços. – Quem, Srta. Vermillion?

– Caramba Makarov – ela lhe deu tapinhas nas costas. Se existia uma pessoa mais baixa que ela, esse alguém era Makarov. Ele grunhiu, alisando o bigode. – Nós nos conhecemos há muito tempo. Quantas vezes eu tenho que te pedir para não ser tão formal e me chamar pelo meu primeiro nome?

– Quem são os ex-alunos que você chamou,Mavis? – perguntou, suspirando, e ela apontou para a porta, entusiasmada. E pensar que ele convivera com Mavis durante tantos anos, desde o colegial. Era engraçado pensar sobre isso.

– Apresento a todos – ela fez uma pausa, e a porta se abriu. – Mirajane Strauss e LaxusDreyar – os dois entraram, Mira sorrindo como sempre, e Laxus sério, como de costume.

– Laxus! – Makarov pareceu espantado ao ver seu neto.

– Só para constar, vô, eu não tive muita escolha – Laxus explicou, ajeitando seus cabelos loiros. – Depois que Mavis convenceu a Mira, eu fui praticamente arrastado.

– Ora, Laxus, não seja assim – Mira murmurou, e ele revirou os olhos. Mavis acenou e deixou a sala, dizendo que deveria fazer os preparativos para a viagem o mais rápido possível. Makarov encarou a porta se fechar com um olhar de pena.

– Esse acampamento é assim tão terrível? – Gajeel foi o primeiro a se pronunciar.

– Devo dizer que poucos foram os alunos que não mudaram sua maneira de ver o mundo – ele subiu na mesa e se sentou, cruzando as pernas. – Infelizmente, um desses foi o meu neto, que é um cabeça dura.

– Ei – Laxus franziu o cenho, e Mira segurou sua mão.

– Não é tão terrível assim – falou. – É uma experiência diferente. Eu mesma mudei, como vocês sabem. E não há nada de errado em mudar. Ou em não mudar – ela fuzilou Makarov e Laxus com o olhar.

– Mavis não era assim quando chegou ao último ano – começou a contar. – Ela era muito tímida, não se misturava. Até que ela foi obrigada a entrosar com os outros pela primeira vez em todos os anos que estudaram juntos. Agora ela é assustadoramente simpática.

– Assim como a Mira – seu neto comentou, encostando-se a parede.

– Não pode ser assim tão ruim – Gray falou de repente.

– Não acho que seja tão ruim, mas que muda as pessoas, realmente muda – Makarov fechou os olhos, filosofando e parecendo não ter memórias tão boas assim. – As experiências pelas quais vocês, jovens, passam nesta viagem, podem mudar radicalmente sua maneira de agir ou mesmo de pensar. Mas isso é tudo o que posso falar.

– Acredito que tudo o que podemos dizer é: preparem-se para o pior. Fisicamente, emocionalmente e principalmente, psicologicamente – Mira completou.

– Quanto exagero – Natsu comentou, desgrudando a cara da parede e revirando os olhos, e o apagador atravessou a sala, acertando-o em cheio na testa.

– Quando voltarmos, veremos se ainda acreditará que estamos exagerando – Makarov encarou Natsu com os olhos semicerrados, e ele mordeu o lábio. Naquele mesmo minuto, o sinal tocou para o almoço, e eu me levantei e fui até ele.

– Você está bem? – perguntei, preocupada, e percebi que toda a movimentação atrás de mim parara. Aparentemente, um boato sobre estarmos intensamente apaixonados um pelo outro se espalhara pelo colégio, e agora toda vez que nos falávamos todos paravam para ver no que dava. Ótimo, não? Mas quem sou eu para impedir que todos vissem com seus próprios olhos que não havia nada?

– Fora o galo na minha testa, acho que sim – ele respondeu, e eu sorri de canto, avisando-o para colocar alguma coisa gelada, e ele se levantou, dizendo que iria comprar uma lata de suco numa máquina automática. Logo após o almoço, encontramos Makarov, Mira, Laxus e Mavis conversando na sala sobre o acampamento.

– Bem, não podemos impedi-los de escolher o acampamento, assim como as outras turmas escolheram – Mira falou. – Isso poderá gerar brigas, mas futuramente, cada um de vocês se sentirá agradecido pela experiência.

– E nós estaremos lá para ajudar com quaisquer complicações que venham a surgir – Laxus complementou. – E acreditem, haverá complicações.

– Não vamos falar demais, ou vai perder a graça – Mavis interrompeu. – Como sempre, todas as turmas optaram pelo misterioso acampamento do último ano, então todos partirão em ônibus para lugares diferentes do mesmo lugar e na mesma hora.

– Cada um receberá uma lista de itens essenciais para o acampamento, então esperamos que a sigam a risca – Makarov explicou. – Não queremos que acidentes aconteçam, certo? Serão quatro dias e três noites. Quem preferir não ir, não é uma viagem obrigatória, mas correrão o risco de continuarem sendo quem são, então considerem com cautela.

– Por favor, elejam dois representantes para o sorteio, sim? – Mavis pediu, e todos trocaram olhares. Por mim poderia ser qualquer um, desde que não fosse eu. – Eu estarei aguardando na minha sala, mas, por favor, não demorem – e saiu da sala. Eu esperava que fosse gerar menos caos do que gerou, mas nossa turma não tinha capacidade de não gerar caos em todo tipo de decisão. Foi então que todos se calaram, e Gray se levantou, sorrindo diabolicamente.

– O Natsu e a Lucy vão.

– Sim, eles vão! – Erza concordou, colocando-se em pé.

– Nalu, Nalu! – Levy falou, animada, e eu suspirei, fitando Gray, que piscou para mim. Droga, Gray Fullbuster, essa você me paga.

– Natsu, Lucy, vão logo – Makarov avisou, apontando para a porta, e eu me levantei vagarosamente, assim como Natsu, ambos imensamente desconfortáveis com a situação, e saímos da sala, sem falar nada um para o outro. Bati a uma grande porta de madeira e a abri. Mavis estava sentada em sua mesa, e outras seis pessoas aguardavam em pé a sua frente.

– Ultear, traga – pediu, assim que fechamos a porta, e Ultear sorriu para nós. Ultear era a irmã mais velha de Gray, e nós nos encontrávamos sempre, até que ela decidiu sair de casa por problemas com a mãe. Gray ficara bastante triste com sua partida, mas uma semana depois, ela anunciou que ia trabalhar no colégio, assim poderia ver seu irmão todo dia.

Quanto aos alunos, eu os conhecia de vista. Laki e Milliana da sala A, Max e Reedus da sala C, e Angel e um cara estranho, conhecido como Midnight, da sala D. Eu e Natsu éramos da sala B do último ano da FairyTail High School. Todos nos encaramos por um momento, então Milliana, que era uma amiga de infância de Erza, aproximou-se e me abraçou.

– Lucy! – ela continuava tão sorridente quanto na última vez que eu a encontrara. – Faz tanto tempo que não vejo a Erza! Como ela está? – perguntou.

– Como sempre, acho – respondi, e ela se recompôs, voltando para o lado de Laki. Ultear entrou com uma pequena caixinha, e de dentro desta, Mavis retirou quatro pedaços de papel com formatos diferentes: uma estrela, um coração, uma carinha feliz e uma nuvem.

– Vou fazer isso por ordem de chegada – Mavis explicou. – Sala A.

– Qual você acha,Laki? – Milliana olhou questionadora para sua colega de classe, que suspirou.

– Acho que vai dar tudo na mesma. Ao que me parece, esse acampamento é ruim não importa em qual lugar seja – Laki respondeu.

– Pega a carinha feliz!

– Por que raios eu pegaria a carinha feliz? – perguntou. Se ela pensava como eu, sentia que aquela carinha feliz era uma armadilha.

– Ora, o que pode acontecer de errado quando se há uma carinha feliz? – Milliana respondeu como se fosse óbvio, e Laki apontou para o coração.

– Vamos de coração – falou, e Mavis assentiu, entregando o coração para Laki.

– Leve para sua sala, e só lá revele o local – avisou, e as duas assentiram. – Ninguém deve saber, certo? Essa é a graça do mistério. Podem ir – elas deixaram a sala da diretoria. – Sala D.

– A estrela – Angel falou rapidamente.

– Leve-a para a sala, e só lá revele o local – ela se virou, saindo com Midnight.

– Agora sobrou só vocês – Mavis respirou fundo. – Sala C, nuvem ou carinha feliz?

– Está na cara que essa carinha feliz é uma cilada – Max comentou, e Reedus assentiu.

– A nuvem – falou, e Mavis lhe entregou a nuvem dobrada, e os dois saíram, deixando apenas eu, Natsu, Ultear e Mavis.

– Bom – Mavis ergueu a carinha feliz e a colocou em minhas mãos. – Sejam fortes.

– Eu sabia que esse era o pior lugar – Natsu falou. – Está estampado nesse sorriso. Ele pegou a folha e enfiou no bolso, sem cerimônia.

– Só peço que tomem cuidado aonde vão, pode ser um lugar realmente perigoso se não prestarem atenção – Mavis parecia um tanto receosa. – Makarov saberá exatamente quais as instruções.

– Instruções? – perguntei, nervosa, enquanto ela nos acompanhava até o corredor.

– Eu fui para esse mesmo lugar quando estava no último ano, e quase sofri um acidente na trilha – explicou. – Vocês vão precisar de toda sorte possível. E não se esqueçam, fiquem longe da floresta.

– Floresta? – ela fechou a porta, e eu fiquei parada ali, estática, até Natsu me puxar. – Acho que estou com um pouco de medo...

– Acho que todos estão exagerando, até parece que vai ser perigoso assim – murmurou, mas eu podia ver a dúvida em seu olhar conforme voltávamos para nossa sala. Assim que entramos, a conversa cessou imediatamente, e Natsu entregou a carinha feliz para Makarov, que pareceu reconhecer o desenho.

– Nós iremos para as Montanhas Heiwa – anunciou.

–-

Uma semana depois, acordei cedo na manhã da viagem, quando ainda estava amanhecendo, já que teríamos que estar no estacionamento do colégio às oito da manhã. Desci com uma grande e pesada mochila nas costas, com um casaco bem quente em mãos, vestida com coturno, gorro e luvas. Por mais que fosse um acampamento, nós ficaríamos nas montanhas, e ainda era inverno. Só para garantir, eu ainda estava levando uma coberta fina e bem quente. Já tinha alguns dias que não acordara muito bem, talvez estivesse com um resfriado, então não queria correr o risco de piorar.

– Natsu, pare de embaçar e vá logo com isso – Levy brigava com Natsu no quarto dele, e eu parei para observar a briga, lembrando que ele passara a última noite jogando ao invés de arrumar sua mochila. – Como você deixa pra última hora?

– Levy, não enche – ele colocava umas coisas em cima da cama, para depois colocá-las dentro de sua mochila. Olhei o horário no celular, e ainda faltava uma hora para os ônibus saírem. Desci para tomar café, comendo uma tigela cheia de cereal com leite, e algumas torradas. Wendy estava sentada na mesa, comendo devagar, meio triste porque ficaríamos fora por quatro dias.

Quando Natsu e Levy finalmente desceram, eu terminava de comer, e aproveitei para checar se eu tinha colocado na mochila tudo o que Makarov passara. A lista era bem vaga, não dava para ter ideia exata do que enfrentaríamos além de um acampamento normal, mas existia uma utilidade para cada item. Cobertor, barraca, isqueiro, corda, garrafas de água, comida, kit de primeiros socorros, canivete, lanterna. Eu ainda não entendia como tinha conseguido encaixar tudo aquilo na mochila.

– Lu-chan, você pegou a barraca que eu te falei? – Levy perguntou, e eu assenti, quando nós duas nos reunimos no hall. Ela parecia estar bastante nervosa com a viagem. Não, ela estava de fato. – Não deixou nada para trás?

– Tipo o quê? – perguntei, e enquanto estava distraída fechando a mochila, ela puxou minha blusa. – Levy-chan, o que foi isso?

– Você escolheu um sutiã ousado demais para um acampamento – observou, e meu rosto esquentou na hora.

– O que você tem contra meu sutiã? – perguntei, e ela deu de ombros.

– Nada, eu só estou pensando em quando você e o Natsu começarem a se... – opa, opa, opa. Coloquei minha mão sobre a boca dela, fazendo-a se calar.

– Francamente, que imaginação fértil – comentei. – Nada vai acontecer, e meu sutiã vai ficar quieto embaixo da minha blusa, certo?

– Mas Lu-chan...

– Nada de “mas Lu-chan” – falei, checando os bolsos da mochila, e por sorte, vi que minha lanterna estava sem pilhas. – Agora eu vou buscar pilhas pra minha lanterna, e você vai esperar aqui, quietinha, sem pensar em nada de desagradável.

Subi as escadas correndo, sabendo que já estava na hora de ir e entrei no meu quarto, pegando duas pilhas dentro da gaveta da minha mesa. Testei a lanterna e me peguei me encarando no espelho. Será que estava demais? E se acontecesse alguma coisa? Quer dizer, depois de ele não me responder nada aquela noite, eu devia ter alguma esperança?

– Ah, aí está você – Natsu entrou no meu quarto, enquanto eu me encarava no espelho. – Sabe, Luce, eu fico impressionado com essa sua capacidade.

– Qual capacidade? – perguntei, colocando o gorro.

– De ficar sensual em qualquer roupa – ele riu, e eu desviei o olhar, pegando a lanterna e saindo do meu quarto. Poxa, depois de todo esse tempo...ele fala uma coisa dessas? Como assim?

– Dá um tempo, Natsu – murmurei, descendo a escadaria ao seu lado, encontrando Levy encaixando um livro antigo em sua mochila.

– Caramba Levy, já temos tanta coisa para levar, e você ainda carrega um livro? – Natsu perguntou, e ela suspirou.

– Isto é algo que eu vou precisar explicar só quando chegarmos às montanhas – respondeu. – Só espero não ter esquecido nada...

– Relaxa, Levy-chan, vai dar tudo certo – sorri, bagunçando seu cabelo, que ao invés de ajeitar, apenas enfiou o gorro.

– Lu-chan! – Wendy apareceu correndo, com um cachecol xadrez em mãos. – Não se esqueça disso, você pode ficar doente.

– Obrigada, Wendy – agradeci, e Natsu voltou ao hall, comendo um sanduíche.

– Vamos? Já está na hora – avisou, e eu assenti, pedindo para Levy se acalmar mais uma vez. Todos se juntaram para se despedir e desejar boa sorte, inclusive meu pai, que me abraçou forte. Eu sabia que ele, minha mãe, Igneel e Saeko tinham ido para o acampamento nas montanhas, mas eles não disseram nada mais do que isso.

– Não acredito que já estão na última viagem do colégio – meu pai falou, abraçando-me uma última vez. – Vocês cresceram tão rápido.

– Daqui a pouco já vão estar casando e formando suas próprias famílias – Igneel comentou, e Saeko sorriu.

– E tomara que vocês dois se casem e formem uma família juntos – murmurou, apertando minha bochecha e a de Natsu.

– Mãe... – Natsu revirou os olhos, tão envergonhado quanto eu.

– Tome cuidado, filha. Se precisar de alguma coisa, faça o sinal de fumaça que os índios faziam.

– Que coisa boba, pai – sorri para ele.

– Agora vão, ou vão chegar atrasados – Igneel avisou, e nós assentimos, ajeitando as mochilas e deixando a casa, a caminho do colégio. Ao ver todos acenando na porta, até mesmo Virgo e Caprico, deixei uma lágrima escorrer. Será que eu voltaria assim tão diferente?

– Ei – Levy chamou. – Vocês sabiam que eu passei as últimas duas noites procurando sobre esse lugar?

– O que tem? – Natsu perguntou, dando uma última mordida no sanduíche. – Achou alguma coisa?

– Nada – respondeu, nervosa. – Não existe nada sobre essas montanhas em lugar algum da internet.

– Nada? – perguntei, assustada. Como assim não existia nada sobre as Montanhas Heiwa em qualquer lugar da internet?

– Tudo o que eu achei foi um hotel a alguns quilômetros da encosta da montanha, mas não tinha nenhum comentário sobre o lugar – falou. – Estranho, não é?

– Não comece a ficar paranoica, Levy – Natsu avisou. – A Lucy já está suficientemente assustada sem isso.

– Então você se importa com ela? – perguntou de repente, sorrindo, e ela e Natsu começaram a discutir. Percebi que Levy estava com olheiras profundas e andava de um jeito como se estivesse cansada. Talvez ela não tivesse dormido por causa da viagem. Olhei em volta. Havia alguma neve acumulada no meio fio da rua, e o céu estava encoberto, com um vento gelado e forte que jogava de um lado para o outro o que ficara de fora do gorro do meu cabelo.

– Você deve estar feliz, não é mesmo, Levy? – ouvi Natsufalar, e ela o questionou, irritada. – Afinal vai passar quatro dias pessoalmente com Gajeel.

– Retire o que disse! – ela ficou vermelha, e eu comecei a rir.

– Vocês vão mesmo brigar antes de viajarmos juntos? – eles me fitaram, e deram de ombros, prolongando a discussão até chegarmos ao estacionamento, onde quatro ônibus estavam parados, e alguns professores estavam reunidos. Laxus e Mira estavam ao lado de um ônibus, junto com Makarov, e o motorista fumava encostado ao veículo.

– Finalmente chegaram! São os últimos, estávamos esperando vocês – Makarov falou.

– Ei, pivetes! – uma voz escandalosa atravessou o estacionamento até chegar a nós. Aquarius, a professora de natação, puxou a orelha de Natsu. – Makarov não falou a hora que era para estar aqui?

– Sim, Senhora, desculpe, tenha piedade – ele murmurou, assustado, e ela o largou.

– Srta. Aquarius, por favor – Makarov a chamou. – Reúna os alunos para a chamada.

– Pode deixar comigo – ela sorriu de um jeito malvado, gritando para que todos se juntassem perto do ônibus. Juvia como sempre estava agarrada em Gray; Gajeel se aproximou de Levy e eles trocaram algumas palavras, até Levy sair de perto dele inexplicavelmente; Mira e Laxus conversavam com Aquarius e seu namorado Scorpio, o treinador de beisebol; Makarov revisava uns papéis em silêncio; Erza estava animada conversando com Cana, que bocejava de cansaço. Parecia ser só mais uma viagem normal.

– Atenção! – Makarov pegou o apito de Aquarius e o som fez todos se calarem em todo o estacionamento. – Conforme eu chamar o nome, entre no ônibus e coloque a mochila no compartimento acima do banco. AlzackConnel, Bisca Moulin, Cana Alberona, Erza Scarlet, GajeelRedfox, Gray Fullbuster, Jellal e JuviaLockser, Levy McGarden, Lucy Heartfilia, NatsuDragneel, Rogue Cheney, Sting Eucliffe e YukinoAgria.

Natsu entrou logo depois de mim, e vendo minha dificuldade em colocar a mochila no alto, tirou-a da minha mão e a arrumou ao lado da sua. Cada um sentava no primeiro lugar vago que tinha, e eu me sentei ao lado da janela, sendo que Natsu se sentou no banco ao meu lado. Oh, destino cruel. Como se já não bastassem os boatos. Logo que Laxus ajudou Mira a se sentar, Makarov entrou com Aquarius e Scorpio, seguidos por Lira, a professora de música. “Mas o que raios esses malucos estão fazendo aqui?”, pensei, e como se Aquarius lesse pensamentos, ela apontou para a turma.

– Nós estamos aqui para vigiar vocês, pirralhos! – falou, e os murmúrios cessaram. – Quero ver vocês aprontarem qualquer coisa debaixo do meu nariz nos próximos dias.

– Calma, minha gata – Scorpio era o único que conseguia a proeza de acalmar Aquarius. Soube que desde novos eles estavam juntos, mas por causa das regras que proibiam relacionamentos entre professores, eles fingiam não namorarem. Mas acho que Mavis não fazia vista grossa com eles, já que se conheciam, porque todos sabiam que eles até mesmo moravam juntos.

– Essa viagem será longa – Lira cantarolou, e o ônibus deu um tranco quando o motorista pisou no acelerador, e assim começou a nossa última viagem em grupo. Atrás de nós, todos fizeram trocas de lugares sem que ninguém percebesse, para que todos os casais pudessem ficar juntos. Ótimo, todos que se gostavam estavam juntos e aqui estava eu, a garota que ama o Natsu, do lado do Natsu, que ama a Lisanna. Essa realmente seria uma longa viagem.

– Ei, Luce – Natsu me cutucou enquanto eu embaçava o vidro do ônibus e fazia desenhos, e colocou em minha mão um dos seus fones. – Quer assistir um filme? – perguntou, e eu hesitei, fitando-o, então assenti. E assim seguimos para as Montanhas Heiwa.

Devíamos estar saindo da cidade quando comecei a ficar tonta e enjoada, e deitei a cabeça no ombro de Natsu. Ele não me perguntou nada, nem me impediu, o que eu achei melhor. De repente, toda a conversa e as músicas que cantavam mais ao fundo ficaram altas e minha cabeça começou a doer. Droga. Isso era hora de ficar doente, Lucy?

Levy POV

– Parada! – Aquarius gritou e eu acordei num pulo, assim como todos os outros.

– Obrigada Srta. Aquarius – Makarov agradeceu. – Essa é uma viagem longa, e acabamos de completar metade dela. Chegaremos ao anoitecer nas montanhas, daqui algumas horas, então estamos parando para esticar as pernas – explicou, descendo do ônibus, e todos começaram a fazer o mesmo, menos Natsu e Lucy, que dormiam profundamente.

– Tão fofos – Erza murmurou, e eu assenti, pegando a câmera e tirando uma foto dos dois para posteridade, assim, quando eles se casarem, eu poderei dizer “eu tinha tanta fé que eles ficariam juntos, que sempre tirei fotos escondida para eles se lembrarem da fase difícil do relacionamento”. Desci do ônibus por último com Gajeel, e pensei que seria mancada com os dois se os deixassem ali, então tornei a entrar.

– O que você vai aprontar dessa vez, tampinha? – Gajeel perguntou, ajeitando a bandana e o gorro entre seus rebeldes cabelos negros.

– Só vou acordá-los – respondi. – E eu não sou tampinha, você quem cresceu demais.

– Ei – antes que ele dissesse qualquer coisa a mais, sentei no banco do motorista e afundei a mão na buzina, fazendo o ônibus tremer. Natsu e Lucy acordaram assustados, olhando em volta confusos, e eu saltei para fora do veículo. – Você podia ter me avisado seu plano, assim eu não ficaria surdo, tampinha.

– Pare de reclamar, gigante.

Lucy POV

O som de uma buzina muito alta perfurou meus tímpanos e eu abri os olhos, pulando no banco. O ônibus estava vazio, e eu estava dormindo no ombro de Natsu.

– O que aconteceu? – perguntei, quando Natsu se levantou.

– Estamos fazendo uma parada – respondeu, e quando tentei ficar em pé, senti minhas pernas fraquejarem e minha cabeça girar, e antes que eu caísse, ele me segurou. – Você está bem?

– Estou – menti. Na verdade eu não estava me sentindo bem, e minha garganta começava a doer. Ajeitei o cachecol, e descemos do ônibus, entrando na lanchonete e sentando à mesa onde todos estavam sentados, olhando cardápios.

– Esse lanche parece ser gostoso – Levy falou, mostrando algo a Gajeel, e eu senti meu estômago embrulhar.

– Juvia quer um milk-shake de chocolate – Juvia falou. – E batatas fritas.

– Milk-shake com batatas fritas? – Gray perguntou, com uma expressão enojada, e eu engoli em seco.

– Caramba, como vocês conseguem comer? – perguntei, e Erza abaixou o cardápio.

– Nós estamos com fome – respondeu, e Gray assentiu.

– E com fome, comemos qualquer coisa, Lu – falou. – Ficamos naquele ônibus por cinco horas, você não está com fome?

– Você não pareceu comer muita coisa de manhã – Natsu comentou, pegando um cardápio.

– Na verdade não estou me sentindo muito bem – murmurei. – Estou meio enjoada.

– Mas você nunca ficou enjoada em viagens antes – Levy franziu o cenho. – Isso é coisa desses dois – apontou para Gajeel e Natsu, que a ignoraram.

– Sempre tem uma primeira vez para tudo – dei de ombros, sem querer contar que estava passando mal de verdade e estragar a viagem, então espiei o cardápio que Natsu segurava, mas nada parecia me convencer.

– Ainda assim é bastante incomum – Jellal se pronunciou, e todos olharam para Natsu, que pareceu não perceber enquanto se concentrava em escolher o que comer. Senti meu corpo esquentar, então me levantei sem dizer nada e corri para o banheiro, e joguei água gelada no rosto.

– Lucy, você está bem? – Cana perguntou, encostada a pia, tomando um copo de café.

– Você está? – sua expressão era cansada, e ela riu, dando de ombros.

– Deve ser a abstinência – respondeu. – E você?

– Deve ser gripe – respondi, e ela riu.

– Quer um comprimido para gripe? Eu peço para a Lira – ofereceu, e eu assenti.

– Qualquer coisa que acabe com esse sofrimento – ri nervosa, e ela assentiu, terminando de virar o café.

– Lu-chan! – Juvia entrou correndo no banheiro, junto com Erza e Levy.

– Por que saiu correndo? – Erza questionou.

– Não estava me sentindo bem – falei, e ela trocou olhares com Levy.

– Lu-chan – Levy começou, e eu sentia que já sabia o que estava por vir -, você está grávida.

– Grávida? – Cana olhou para mim e eu fiz um sinal para que ela não dissesse que eu estava doente. – De quem? – continuou, disfarçando.

– Finalmente o Natsu fez algo de bom para esse mundo – Levy sorriu, abraçando-me.

– Essa foi a melhor traição que eu já presenciei – Erza sorriu, e Juvia a fitou.

– Já presenciou outras? – perguntou, arqueando a sobrancelha.

– Isso não vem ao caso – falou, com as bochechas ruborizando.

– Gente, agradeço a preocupação, mas eu não estou grávida – avisei, mas elas continuaram com suas ideias mirabolantes.

– Mas você está enjoada! – protestaram.

– Algumas pessoas ficam enjoadas em viagens longas – suspirei.

– E você está mais cheinha que o normal – Erza observou, apertando minha barriga.

– Eu estou com três blusas por baixo desse casaco – cruzei os braços.

– Bem, eu vou procurar algo para beber – Cana piscou para mim, saindo do banheiro, e as três que sobraram me encararam, tentando continuar a discussão, mas eu apenas levantei a mão, e saí, voltando para a lanchonete e indo até o balcão. Um garoto de pele morena e cabelos vermelhos sorriu para mim.

– Olá, mocinha bonita. O que vai querer? – perguntou.

– Apenas uma garrafa de água, por favor – pedi, tateando os bolsos, e então percebi. Sem bolsa. Eu deixara minha carteira em casa e meus bolsos estavam completamente vazios. – Droga.

– Não é sempre que uma garota bonita aparece por aqui, então vamos fazer assim: é por conta da casa – ele piscou para mim, e eu sorri envergonhada.

– Não se preocupe com isso – Natsu colocou uma nota sobre o balcão, pegou a garrafa e me arrastou para fora.

– Isso foi muito rude de sua parte – comentei, e Cana apareceu, deixando um comprimido branco em minha mão.

– Não tem de quê! – falou, voltando para a lanchonete, e eu abri a garrafa de água, jogando o comprimido na boca.

– Pra quê isso? – perguntou, encostando-se ao ônibus e esfregando as mãos.

– Não estou me sentindo muito bem – respondi, sentindo minhas pernas amolecerem mais uma vez, e ele me segurou.

– Você realmente não parece bem. Melhor entrar no ônibus.

– Eu vou ao banheiro mais uma vez, depois fico quieta no ônibus, não precisa se preocupar – tentei sorrir, e andei em direção ao banheiro, apoiando na pia e me fitando no espelho. Eu estava com uma aparência doentia que nunca tive antes. Talvez eu devesse voltar para o ônibus e não sair mais.

Natsu POV

– Voltando! – Aquarius avisou. Já tínhamos terminado de comer a algum tempo, e apenas conversávamos na mesa. As meninas sentaram-se numa ponta, todas juntas e fofocando algo aos sussurros, mas nem mesmo os olhares de Levy para mim chegaram a me irritar. Estava preocupado com Lucy, ela não parecia bem.

Quando entrei no ônibus, encontrei-a sentada no banco, com a cabeça encostada à janela e toda encolhida de frio, com o rosto vermelho. Sentei-me, e quando o veículo começou a andar, toquei sua mão, que estava gelada e mais branca que o normal. Depois, coloquei minha mão sobre sua testa, que fervia. Ela estava com febre e com frio. Tirei minha jaqueta e coloquei sobre ela, para que ela pudesse ficar quente.

–-

Eu acabava de abrir os olhos quando senti o ônibus parar. Pela janela, tudo o que via era alguns morros, grama, e árvores. O sol estava se pondo já, e o céu estava todo rosado e alaranjado. Makarov desceu do veículo e voltou alguns minutos depois, fazendo um sinal para o motorista, que buzinou, e todos que dormiam, acordaram obrigatoriamente. Lucy esfregou o olho, e eu coloquei a mão sobre seu rosto novamente.

– O que você está fazendo? – perguntou, afastando minha mão.

– Vendo se ainda estava com febre, relaxa – respondi. – Não é como se eu fosse te assediar ou qualquer coisa do tipo – ela mordeu o lábio, parecendo cansada.

– Acabamos de chegar, acordem! – Aquarius gritou, vendo que ninguém se levantara ainda.

– Você é tão agressiva – Lira murmurou, e ela deu de ombros.

– Sob minha supervisão, nenhum folgado vai descansar – falou, e eu entendi porque essa experiência realmente mudava as pessoas. Quem fora com Aquarius, sentiu que estava no treinamento do exército.

– Pegue mais leve com eles – Scorpio bagunçou os cabelos de Aquarius, que ficou com o rosto vermelho e se virou, seguindo Makarov para fora do veículo.

– Melhor irmos antes que ela buzine de novo – Lucy murmurou, tentando se levantar, e eu a ajudei a ficar em pé.

– Você está se sentindo melhor? – perguntei. Depois de todos os murmúrios sobre nós, imaginei se era apenas uma gripe como ela dissera.

– Estou – respondeu, e sorriu para mim. – Já falei para não se preocupar. Agora me ajude com minha mochila – assenti, colocando-me em pé e pegando nossas mochilas.

– Deixa que eu levo – avisei, mas ela tirou sua mochila azul das minhas mãos e a colocou nas costas.

– Não vamos criar mais boatos, por favor –e saiu andando, seguindo os professores. Peguei minha jaqueta que ela deixara sobre o banco e a vesti, reunindo-me com uma parte do grupo que já estava do lado de fora. O sol estava quase sumindo no horizonte, e o céu noturno já tomava conta. Os galhos das árvores balançavam incansavelmente com a força do vento gelado que me fez tremer.

– Que lugar lindo – Levy observou, e Juvia assentiu. E diferente de todos, Lucy não parecia tão impressionada, assim como eu. Ela apenas fitava o topo da montanha com uma expressão cansada, como se pensasse “vamos mesmo ter que subir tudo isso aí?”.

– Entrem no hotel, por favor. Não queremos ninguém doente – Lira avisou, checando uma lista.

– Tarde demais – Lucy murmurou, provavelmente para si mesma, mas eu acabei ouvindo, e com um sorriso fraco, seguiu o caminho que levava para dentro de um grande hotel antigo, mas bem conservado por fora. Por dentro era espaçoso e organizado, com fontes e estátuas por todos os lados. Parecia ser o lugar perfeito para se obter paz.

– Agora que estão todos aqui – Makarov começou -, damos início à última viagem que vocês farão juntos como uma turma. Mira e as professoras ficarão com as meninas no salão leste, e eu, Laxus e Scorpio ficaremos com os rapazes no salão oeste, só para garantir – ele encarou profundamente cada um dos caras que estava parado ali e ajeitou o bigode. – Nós começaremos a trilha até o topo da montanha assim que o sol nascer, portanto hoje é o dia de folga de vocês.

Mira de aproximou de Lucy para perguntar se ela estava bem quando ela espirrou ao meu lado, e a abraçou, levando-a pelo corredor, e todas as outras meninas a seguiram, deixando Aquarius para trás dando um sermão em Scorpio. Laxus se dirigiu para o lado oposto, e Gray me deu um soco no ombro, que me fez acordar.

– Pare de pensar um pouco na Lucy – falou, e Gajeel sorriu, apoiando-se em meu outro ombro.

– É isso aí, essa noite, jogaremos – ele mostrou um baralho, rindo.

– Ei, você podia ter trazido isso? – Jellal perguntou, e Gajeel deu de ombros.

– Precisamos de alguma coisa para fazer, não é? – e eles me empurraram pelo corredor, até chegarmos num salão grande com vários futons brancos espalhados. Ocorreu-me que Makarov avisara em quantos éramos, porque havia exatos dez futons, um para cada um de nós.

– Natsu, você anda mais estranho do que o normal – Laxus bagunçou meu cabelo quando joguei minha mochila ao lado de um dos futons livres.

– Ele está apaixonado – Gajeel falou, e todos começaram a rir.

– Apaixonado, hum? – Laxus sorriu para mim. – Finalmente você está crescendo.

– Mas você não sabe,Laxus – Gray apareceu ao meu lado. – É pela Lu.

– Eu não estou apaixonado pela... – hesitei em continuar, e o fitei. – Lu? Por que você chama a Luce assim?

– Por que você chama a Lu de Luce? – perguntou de volta, sorrindo maliciosamente, e eu suspirei.

– Vocês são piores do que a Levy – murmurei, sentando no meu futon, cruzando os braços enquanto todos riam. Seria uma longa viagem.

Lucy POV

Mira me guiou pelo corredor até um salão espaçoso com vários futons brancos espalhados, e me sentou logo no primeiro, colocando a mão sobre meu rosto, e fazendo uma careta, fez com que eu me deitasse e me cobriu.

– Lucy, você está fervendo de febre — falou, mexendo em sua mochila. –Bisca, poderia trazer um copo de água?

– É pra já – a garota de cabelos verdes trançados correu para fora do salão.

– Juvia vai pegar uma bacia! – Juvia avisou, seguindo-a.

– Lu-chan, você está realmente doente? – Levy perguntou, ajoelhando-se ao meu lado, e eu assenti. – Por que não me contou?

– Não queria estragar a viagem de vocês – respondi, sem jeito, e ela suspirou.

– Lucy, se você não estava bem, deveria ter falado – Erza comentou, sentando-se no futon ao lado. – Imagina que estávamos pensando que... – hesitou, pigarreando. – Bem, descanse essa noite, você precisa estar bem para amanhã.

– Isso mesmo – Mira concordou, entregando-me um comprimido logo depois que Bisca trouxe um copo de água.

– Senão o Natsu que vai ter que te carregar a trilha toda – Levy sorriu maliciosamente para mim, enquanto molhava uma toalha, dobrando-a e colocando-a sobre minha testa.

– Nós iremos te deixar descansando agora – Mira se levantou, sorrindo bondosamente para mim. – Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa mesmo, não hesite em falar comigo.

– Obrigada por se preocuparem comigo – agradeci, e todas se afastaram, menos Levy. – O que se passa, Levy-chan? – perguntei, e ela suspirou.

– É que – ela me fitou com um olhar choroso – eu queria tanto ser tia. Lu-chan, por que você o Natsu não fazem isso por mim?

– Mas oi? – eu a encarei, espantada. Céus, como a Levy era direta quando queria. – Levy-chan, algum dia você vai ser tia. Só não espere que eu seja mãe desse seu sobrinho.

– Isso é tão injusto – murmurou.

– Ora, e exigir isso de mim não é? – questionei, e ela deu de ombros.

– Melhor deixar você descansar, até mais tarde – e saiu de perto de mim. Demorou pouco tempo para todas arrumarem suas coisas e deixarem o quarto, e eu fechei os olhos por um momento, sentindo-me exausta. Coloquei a mão sobre minha barriga. Um filho? Do Natsu? Isso soava quase impossível para mim.

Natsu POV

– Eu aumento minha aposta – Gray falou, jogando cinco salgadinhos sobre uma pilha no centro da mesa. Gajeel ajeitou sua bandana vermelha, colocando mais dois. – Só isso? – perguntou, rindo, e Gajeel torceu o nariz.

– Você está blefando mais do que o normal – observei, e Gray deu de ombros.

– Acha que isso é um blefe? – questionou, e Laxus colocou dez salgadinhos na pilha, com um olhar diabólico.

– Ei, seus pirralhos, vão jogar sério ou não? – perguntou, sorrindo, e eu e Gajeel adicionamos mais salgadinhos na aposta. – É assim que se joga – falou, virando suas cartas sobre a mesa e puxando a pilha para perto de si.

– Droga – joguei minhas cartas. – Desse jeito eu vou ficar sem o que apostar,Laxus.

– A culpa não é minha que você não sabe jogar, garoto.

– Esse é o meu neto – Makarov ergueu seu copo, como um brinde à Laxus e sua sorte no jogo. Ele riu, levantando o seu e depois o virou.

– Makarov, você é realmente um exemplo de professor – Jellal observou, e Alzack assentiu.

– Você já não bebeu demais? – perguntou, e Makarov franziu o cenho.

– Eu tenho idade suficiente para beber o quanto eu quiser – protestou, e eu ri.

– Só não tem altura – falei, e algo acertou minha cabeça. – Caramba, sempre em mim.

– Você que sempre provoca, Natsu – Gajeel comentou, distribuindo as cartas. – Ei, onde estão aqueles dois gêmeos estão?

– Por falar nisso, o treinador sumiu também – Gray olhou em volta. – Mas ele deve estar em algum lugar com Aquarius.

– Será que eles foram espionar as garotas? – perguntei, comendo uma parte da minha aposta.

– Elas não devem estar fazendo nada de tão interessante para eles espionarem – Jellal abaixou as cartas, desistindo. – Eu não tenho sorte alguma para jogar isso.

– Elas devem estar arrumando o cabelo uma da outra e brincando de guerra de travesseiros – Gajeel murmurou, como se não estivesse interessado, e Laxus riu.

– Você tem uma imagem bastante errada do que garotas fazem quando estão reunidas num quarto só de pijamas – virou as cartas novamente, sorrindo vitorioso e puxando mais uma pilha de apostas para seu lado.

– O que mais elas podem fazer? – perguntei, e Gray deu de ombros.

– O que quer que seja, eu não preciso me preocupar de alguém chegar naJuvia – respondeu. – Até porque o Sting e o Rogue só tem olhos para uma garota – e me encarou.

– Por que está me olhando desse jeito, Gray?

– Ela pode estar se sentindo sozinha, vai saber – Alzack comentou, e os outros riram, quando o celular de Jellal e de Gray vibraram em seus bolsos.

– O que será que ela quer a essa hora? – Gray colocou o celular sobre a mesa, levantando-se e se espreguiçando, olhando um relógio.

– A Erza pediu pra eu levar mais saquê para a Cana – Jellal franziu o cenho, balançando a cabeça.

– Eu preciso ver como a Mira está – Laxus se levantou, abandonando suas cartas ao lado da pilha de salgadinhos.

– Virou um namorado responsável? – perguntei, seguindo-os para fora da sala com Alzack, e deixando Makarov rindo sozinho para trás, mas logo ele apareceu do nosso lado.

– É, umas coisas aí aconteceram – Laxus murmurou, parando quando o som de música e risadas atravessou o corredor. Jellal nos encontrou, carregando quatro garrafas de saquê, porque se tratava de Cana, claro. Assim que Gray arrastou a porta, eu me perguntei por que eu tinha ido com eles.

Cana e Levy riam a toa, cada uma com uma garrafa em mãos, e Mira conversava com as duas, com um copo na mão.Erza estava sentada sobre uma mesa, com as pernas cruzadas e uma expressão séria. Lira, tocando seu violão e cantando, estava sentada na janela. Bisca e Yukino conversavam e riam, provavelmente fofocando sobre alguma coisa.

– Gray-sama! – Juvia saltou do além, jogando-se em cima de Gray.

– Quem deixou vocês beberem? – perguntou, sério, e algo voou pela sala, acertando-o na testa.

– Quem é você para me dizer quando beber, Fullbuster? – Erza perguntou, irritada, e eu juro que era possível ver uma aura negra e maligna em volta de seu corpo.

– Erza, não machuque o Gray-sama! – Juvia gritou, abraçando Gray.

– Tampinha? – Gajeel olhava pasmo para Levy, que começou a rir e se levantou, cambaleando até nós.

– Natsu... – ela se apoiou em mim, e girou minha cabeça. – Quero que veja uma coisa... – soluçou, e eu arregalei os olhos quando vi Lucy abraçada com Sting e Rogue, os três com copos nas mãos, rindo.

– Luce? – por um momento, achei que aquela cena não era real. Não podia ser. Ainda mais porque Lucy estava com um shortinho justo e uma blusa que deixava sua barriga a mostra.

– Natsu? – ela olhou para mim, rindo. – Dois Natsus! – falou, e Levy desencostou, apoiando-se na parede, rindo sem parar.

– Lu-chan, larga de ser boba! – falou. – Não podem existir dois Natsus! Já é impossível lidar com um, imagina dois!

– Tampinha, você devia largar essa garrafa... – Gajeel tentou tirar a garrafa de sua mão, e ela a virou na boca, bebendo todo o restante de uma vez só. – Sério... – murmurou, ajudando-a a se levantar. – Chega de bebida.

– Você não pode me dizer quando beber ou não, Gajeel – avisou, ficando séria de repente. – Você não é meu namorado, lembra?

– Não começa com isso de novo – ele suspirou, colocando a mão sobre a cabeça, quando Levy se virou e correu até Mira, abraçando-a.

– Natsu! Natsu! – Lucy chamou. – Olha só isso – e quando eu olhei, ela beijou Sting e Rogue. – Agora você está com ciúmes? – perguntou. – Isso é o suficiente? – ela sorriu prazerosamente quando os dois beijaram seu pescoço. Aquilo me subiu à cabeça de um jeito que eu nunca imaginei que fosse acontecer. Nenhuma das Lucys bêbadas que eu presenciara era como essa.

– Natsu, fique com ciúmes dela, seu babaca – Erza avisou, apontando para mim.

– Erza, acalme-se, por favor – Jellal sorriu docemente, aproximando-se dela, e ela se transformou de “demônio sedento por sangue” para “garota doce e apaixonada”, pulando em seu colo.

– Mira? Você está bebendo? – Laxus perguntou, e ela balançou a cabeça.

– Isso é água, não se preocupe. Está tudo bem – assegurou, e ele se sentiu aliviado. – Eu estou cuidando delas, garotos, fiquem tranquilos.

– Natsu... – senti uma mão gelada tocar meu rosto, e Lucy apareceu, abraçando-me por trás.

– O Natsu tirou a Lucy de nós – Sting falou, rindo com seu irmão.

– Natsu... – chamou novamente. Agora ela estava praticamente pendurada em mim, e ela não era a pessoa mais leve do mundo. – Não precisa ficar com ciúmes, eu não quero nenhum deles...

– E daí? – perguntei, tentando ignorar seu esforço para subir nas minhas costas, então ela pegou minha mão e me puxou pelo corredor. Saímos nos fundos do hotel, onde tinha um jardim de inverso e fontes termais, cuja água parecia ser tão quente que enchia o lugar de fumaça.

– Sabe, eu estivesse pensando – começou, tirando a blusa que usava. – Talvez devêssemos aproveitar essa oportunidade – puxou meu rosto para perto do seu, colando nossos lábios.

– Luce, você não quer isso de verdade – murmurei, e ela escorregou as mãos por dentro da minha camiseta, arranhando minhas costas.

– Por que eu estou bêbada? – ela piscou para mim. – Podemos fingir que eu realmente estou tão chapada quanto pareço estar – ela arrancou toda a roupa e se virou, entrando na água. Ela sorriu maliciosamente para mim, e antes que eu pudesse pensar, minhas roupas estavam jogadas com as dela e eu colei nossos corpos, beijando-a. Quando se tratava de Lucy, eu não tinha controle algum sobre meu corpo. A música de Lira tocava ao fundo, longe, bem longe, quando nossos beijos se tornaram mais intensos.

Gray POV

– Juvia, você tem certeza que não abusou da bebida? – perguntei, e ela fez uma careta para mim, abraçando-me forte. Levy ria enquanto Gajeel tentava controlá-la, mas ela não parava de repetir “você não quis”, “foi sua decisão”. Era incrível. Um cara daquele tamanho todo, e Levy, tão pequenininha, e ele não conseguia pará-la.

– Gray-sama, Juvia tem absoluta certeza que não está bêbada – respondeu. Vendo o estado das outras, ela certamente estava normal, a mesma Juvia de sempre. Lira tocava seu violão com paixão, sentada na beirada da janela, e ela parecia se embriagar com o som que ecoava pelo hotel todo. Ela tocava com tamanha paixão que eu me impressionei com sua habilidade. Sua voz suave entoava as palavras daquela calma música, a qual todos pararam de fazer o que estivessem fazendo para apreciar.

Mira começara a cantar junto, e eu olhei pela janela. A brisa gélida tocou meu rosto, e eu fitei a bela paisagem à minha frente. As Montanhas Heiwa se erguiam com sua imponência e beleza, mesmo no inverno. Os galhos das árvores se balançavam suavemente, sem uma folha sequer, e a neve começou a cair com graça e leveza, sem pressa alguma.

– Sempre me impressiono com você, Lira – Mira falou, quando a música chegou ao fim. Lira sorriu, agradecida. Levy esfregou os olhos de sono, e Gajeel servia de apoio para que ela não caísse. Erza estava abraçada com Jellal, cujo rosto estava da mesma cor que de seus cabelos. Juvia bocejou, cansada.

– Não quero acabar com a graça de todos, mas acordamos cedo amanhã, então todos para suas camas – Aquarius entrou na sala, ajeitando o cabelo, com Scorpio a seguindo.

– Já estragou – Makarov virou seu copo e ajeitou o bigode, sentado junto com Cana, que terminava mais uma garrafa.

– Mas a noite é uma criança... – Levy murmurou, fechando os olhos.

– Tampinha, é melhor você se deitar antes que caia – Gajeel falou, e ela mostrou a língua para ele.

– Como se você soubesse o que é melhor para mim – ela cambaleou até um futon estendido num canto do salão e se sentou nele, batendo ao seu lado e fitando Gajeel.

– Eu não queria dormir sem meu Scorpio – Aquarius sorriu para Scorpio.

– Se você for dormir com seu namorado, nós também vamos – Cana apontou para ela. – Ah, eu não tenho namorado, esquece.

– Só essa noite – a professora enfatizou o “só” – eu vou permitir que cada um faça o que bem entender – ela puxou dois futons para um lado vazio do salão e os ajeitou.

– Juvia acha que deveríamos aproveitar a deixa – sussurrou para mim, e eu assenti. Levy começara a dormir sentada, então Gajeel a pegou no colo, saindo do salão, e eu o segui. No meio do caminho, encontramos Natsu carregando Lucy nas costas.

– O que aconteceu? – Natsu perguntou.

– Aquarius disse que podíamos fazer o que quiséssemos, então estamos fazendo – respondi.

– Por que vocês dois estão molhados? – Gajeel perguntou, estreitando os olhos, e Levy acordou, rindo.

– Vocês são muito danados – falou.

– E você, Levy-chan? – Lucy perguntou, e as duas riram juntas. Natsu ficou com o rosto vermelho e se virou, seguindo pelo corredor para o salão em que deveríamos estar, sem mulheres. Natsu se deitou em um futon, e Lucy se juntou a ele, mas claro que ele não reclamaria. Levy já estava dormindo quando Gajeel a colocou num futon ao seu lado, e quando Juvia depositou um beijo de boa noite em meu rosto, a porta se abriu, e Jellal entrou, carregando Erza. Foi uma questão de tempo até que minha prima se acalmasse e pegasse no sono, para que todos pudéssemos dormir também.

Lucy POV

Abri os olhos assustada, quando um barulho terrível soava do lado de fora do quarto. Parecia até que alguém estava batendo numa panela com um martelo. Sentei-me, observando Natsu ainda com os olhos fechados ao meu lado. Olhei em volta, e vi outros três casais acordando. “Como foi que eu vim parar aqui?”, questionei-me.

– Que droga de barulho é esse? –Gray perguntou, tampando os ouvidos com as mãos.

– Minha cabeça dói tanto – choraminguei, deitando-me de novo, colocando o travesseiro sobre a cabeça.

– Alguém, pelo amor de Deus, pare com essa desgraça – Levy falou de repente, irritada, e eu levantei o travesseiro, encarando-a.

– Parece que alguém está de mau humor – Natsu riu ao meu lado, e eu o fitei. – Tenho dó de você, Gajeel. Ter que lidar com isso...

– Oi? – Gajeel ainda estava deitado, com os olhos fechados, sem prestar atenção na conversa.

– Como você consegue dormir com essa barulheira? – Gray perguntou, e ele se virou, enrolando-se na coberta.

– Sei lá, cara – respondeu. – Talvez vocês devessem fazer o mesmo, até que o barulho vá embora.

– Acordando! Todo mundo acordando antes que eu pegue um balde cheio de água gelada para cada um de vocês e... – Aquarius abriu a porta, segurando uma panela e uma colher de madeira. – Oh, vocês já acordaram. Isso me poupa algum trabalho.

– Qualquer um num raio de 50 Km acordou com essa barulheira, Aquarius – Levy reclamou, suspirando de raiva.

– Então eu fico satisfeita de cumprir com minha obrigação de acordar a todos – sorriu. – Preparem-se para começar a trilha – fechou a porta com força, e dava para ouvi-la gritando com outras pessoas do lado de fora.

– Ela é um bom despertador – Jellal falou. – Mas nem tão bom assim... – ele fitou Erza, que estava apagada ao seu lado. – Francamente, o quanto ela bebeu ontem?

– Não quero mais ir nesse negócio – Levy cruzou os braços, e eu dei de ombros. Minha cabeça doía mais que tudo.

– Eu queria ter ficado em casa – falei, levantando-me. – Ela vai voltar se não nos mexermos – havia um espelho do outro lado do salão, e eu franzi o cenho, encarando a figura descabelada com uma roupa tão curta que definitivamente não deveria estar usando. Chegava quase a ser indecente. O que eu estava vestindo? Aquelas roupas não eram minhas.

– Lu-chan, essa blusa e esse short são meus! – Levy avisou.

– E como veio parar em mim? – perguntei, e ela deu de ombros, aproximando-se de mim com uma careta.

– Você quer que eu me lembre? – questionou.

– Mas Luce, você estava sóbria ontem, você mesmo me disse quando nós... – Natsu hesitou, com o rosto corando. – Caramba, você me enganou!

– Eu o quê? – fitei-o, provavelmente com cara de paisagem.

– Cara, você é boa – murmurou.

– O que vocês fizeram noite passada? – Gray perguntou, encarando um de cada vez demoradamente.

– A Lucy me enganou e abusou de mim – Natsu respondeu, e eu arregalei os olhos.

– Como...? – então caiu a ficha. Eu me lembrava vagamente de arrastar Natsu até o local das fontes termais, que deveriam estar fechadas àquele horário, tirar minhas roupas e entrar na água, e então...

– Pela sua cara, vocês não fizeram nada inocente – Gajeel entrou na conversa.

– Finalmente alguma coisa boa! – Levy exclamou, e eu fechei os olhos, sentindo meu cérebro pulsando dentro do meu crânio, enquanto me espantava com cada coisa que eu me lembrava da noite passada.

– Levy-chan te obrigou a vestir as roupas dela depois que ela venceu uma aposta de quem bebia mais – Juvia explicou. Ah, sim. A aposta. – E daí você tinha que admitir que... – lancei o travesseiro em sua cara.

– O que você admitiu? – Gray me encarou. Droga, eu me lembrava do restante da aposta, mas não da minha resposta. – O que ela admitiu? – virou-se para Levy, que pareceu pensativa por um instante.

– Eu não me lembro de nada – respondeu.

– Não dá para dormir com todo esse... – Erza se levantou de repente, mas se calou ao ver todo mundo. – O que vocês estão fazendo no meu quarto?

– Aparentemente, dividimos o quarto – falei, e ela encarou Jellal.

– Eu não me lembro de concordar com isso.

– Eu também não – Levy murmurou.

– Eu também não me lembro de como vim parar aqui, eu só me lembro de eu e Natsu... – calei a boca quando todos me fitaram.

– Eu não preciso saber do que você e Natsu aprontaram sozinhos, Lu – Gray comentou, e eu senti meu rosto esquentar.

– Eu quero – Levy começou a rir.

– Isso soa interessante – Erza concluiu.

– Não é nada interessante! – protestei. – Natsu, você pode me ajudar aqui? – virei-me, e ele voltara a dormir. – Acorde ou serei eu que jogará um balde de água gelada em você, e com prazer.

– Eu estou acordado – murmurou, e eu revirei os olhos.

– Bem, precisamos nos arrumar logo – puxei Levy, e ajudei Juvia a se levantar.

– Vamos começar nosso acampamento – Erza sorriu entusiasmada, correndo para fora do quarto. “Quanta energia nessa ressaca”, pensei, e deixamos os quatro para trás. Do outro lado do hotel, Sting e Rogue reclamavam de dor de cabeça, e pareciam não se lembrarem de nada do dia anterior. Lira limpava seu violão, cantarolando alguma música alegre. Cana estava desmaiada em seu futon, e eu temia que Aquarius fosse acordá-la com um balde.

Mira estava sentada em uma cadeira, parecendo cansada, e Laxus conversava com ela aos murmúrios. Bisca terminava de ajeitar sua mochila, e Alzack voltava para o salão onde Natsu e os outros estavam. Yukino tentara acordar Cana, mas sem sorte, e depois se oferecera para ajudar os dois com sua ressaca.

– Ah, Lucy – Mira sorriu ao nos ver. – Já era hora de aparecerem.

– Se querem tomar um banho quente decente, agora é a hora – Bisca avisou, apontando para duas portas.

– Podem ir – falei, olhando para as três.

– Eu vou – Levy avisou, pegando sua mochila e entrando em um dos banheiros.

– Vai lá, Lucy – Erza falou, e eu assenti, sem querer discutir com a Erza-sob-ressaca. – Agora vocês – peguei minha mochila, sendo que a última coisa que vi foi Erza discutindo com Sting e Rogue por algum motivo que provavelmente só ela entendia. Tranquei a porta e analisei o cômodo. Tinha uma grande pia de mármore com um espelho enorme, com uma banheira espaçosa no canto e um chuveiro no outro.

Temendo demorar demais e atrasar os outros, liguei o chuveiro e entrei debaixo da água quente, deixando que ela escorresse por todo o meu corpo. E pensar que eu aceitara ficar sem isso por dois ou três dias de acampamento. Isso fazia eu me sentir uma boba. Assim que chegamos ali, eu vi o tamanho daquela montanha e desanimei com o tanto que teríamos que caminhar até chegar ao topo. Talvez essa experiência realmente me mudasse e eu viraria uma adepta a banheiras com água quente e espuma.

Enrolei-me em uma das toalhas secas dobradas ao lado do chuveiro, e dei graças a Deus que alguém dobrara minhas roupas e as guardara em minha mochila. Alguma coisa me dizia que eu deveria agradecer à Mira por isso. Vesti-me rapidamente e penteei meu cabelo, torcendo para que ele secasse logo e eu pudesse vestir meu gorro.

– Finalmente, Lu-chan! – Levy exclamou, assim que eu abri a porta.

– Que exagero, eu nem demorei – revirei os olhos. – Juvia, pode ir – avisei, e ela assentiu, correndo para dentro do banheiro.

– Vai na frente e come alguma coisa, acho que quase todo mundo já deve estar lá – falou, e eu assenti, colocando minha mochila nas costas e deixando o cômodo. A recepcionista me guiou até um salão com mesas compridas e um buffet de café da manhã. Gray, Natsu e Mira conversavam em um canto, então me aproximei deles.

– Ah, Lu, onde está a Juvia? – Gray perguntou, envolvendo meus ombros e me puxando para um abraço de lado, e Natsu fez uma careta que me deu vontade de rir na hora, mas eu me segurei.

– Ela entrou no banheiro logo depois de mim, mas acho que ela não demora tanto – respondi, e ele assentiu. – Agora, por favor, vista alguma coisa – ele olhou para baixo, percebendo que estava só com uma calça, e saiu correndo. Natsu estava apenas com uma camiseta de manga longa, e eu o fitei. – Você não sente frio?

– Na verdade, eu não sinto muito frio – respondeu, dando de ombros, e Mira suspirou pesadamente, como se não estivesse bem.

– Mira... – olhei-a, e ela sorriu.

– Está tudo bem, Lucy – assegurou. – Só estou um pouco indisposta.

– Querida, eu acho que você deveria comer alguma coisa – Laxus falou, e Natsu sorriu para ele.

– “Querida”? – repetiu, rindo. – Você anda bem mais bonzinho que o Laxus. O que aconteceu?

– Cale a boca e não se meta, pirralho – falou, grosseiro. – Algum dia você vai entender – murmurou, bagunçando seus cabelos com um sorriso, e andou com Mira até uma mesa.

– “Algum dia você vai entender”? Entender o que? – questionou.

– Vai saber –falei, dirigindo-me para pegar algo para comer, e Natsu veio atrás de mim.

– Caramba Luce, depois de ontem eu estou faminto – sussurrou, rindo quando viu minha expressão envergonhada. – Não precisa ficar envergonhada com tudo o que eu digo.

– Se você não dissesse tantas coisas que me envergonham – coloquei uma torrada na boca, enquanto pegava um sanduíche. – Aliás, você deveria parar com essas provocações perto de tanta gente. Já não bastam os boatos?

– Não gosta dos boatos sobre nós? – perguntou, e eu torci o nariz.

– Natsu, você tem uma namorada. Você não deveria fazer essas coisas. Nem falar essas coisas.

– Mas Luce, você que me seduziu noite passada – protestou, sorrindo maliciosamente para mim.

– E-Eu...bem feito – falei, desviando o olhar. – É pra você aprender a não brincar comigo como se tudo fosse um mero jogo.

– Jogo?

– E só para constar, você não é o único bom nessa droga – encarei-o uma última vez. – Mas não faz diferença, não é mesmo? Afinal, eu sou a única que tem sentimentos por você aqui. Sou eu que vou acabar mal no final de tudo.

– Luce... – ele tentou me segurar quando me virei para sentar-me à mesa com Erza, mas eu o impedi.

– Você sabe que é verdade – murmurei, apenas para que ele escutasse, colocando um sorriso no rosto ao me sentar à mesa que Levy acabara de chegar. Talvez eu não devesse ter soado tão amarga quando disse aquelas palavras, mas eu tinha que tomar o controle da situação. Ele ficaria com peso na consciência depois disso.

Reunimo-nos do lado de fora do hotel, para a chamada final. Makarov aconselhou que formássemos duplas ou trios durante a trilha, para que um pudesse ajudar o outro se necessário, e Levy acabou me colocando junto com Natsu com argumentos impossíveis de se contrariar. Erza e Jellal foram liderando com Aquarius, Scorpio, Lira e Makarov. E ficando no final, eu e Natsu, logo atrás de Gajeel e Levy, e de Laxus e Mira.

Assim que chegamos ao pé da montanha, deparamo-nos com uma trilha de terra que seguia a margem da floresta, sem necessidade de entrarmos nela, e que provavelmente chegaria até o topo da montanha. Eu ouvia o som do vento, uivando por entre as árvores, o que me dava uma péssima sensação de que nada de bom poderia acontecer daqui em diante. Por sorte a trilha não era inclinada, mas parecia dar a volta na montanha inteira. Segundo Makarov, o objetivo era subir até o topo e fincar uma bandeira do colégio com o ano em que nos formávamos, junto a outras bandeiras dos anos anteriores.

– Antes que eu me esqueça, coloquem seus celulares e todos os tipos de eletrônicos nessa caixa – falou, apontando para uma caixa de plástico que o motorista do ônibus segurava. Depois de todos reclamarem, todos os celulares encheram a caixa. Nem mesmo relógios foram perdoados.

– Mira, talvez não seja uma boa ideia você subir – Laxus parecia preocupado, mas ela deu uma risadinha. – Você se lembra do que aconteceu aqui. Você não deveria passar por tudo de novo.

– Por falar nisso, Mira, você não parecia muito bem essa manhã – Natsu observou, e ela balançou a cabeça.

– Eu estou bem, posso subir a montanha – protestou. – Vamos lá.

– O que eu vim fazer aqui? – perguntei para mim mesma, mas claro que Natsu respondeu.

– Você não tinha nada melhor para fazer, Luce. Vai ser legal, vamos lá – pegou minha mão e me puxou para acompanhar o grupo. Suspirei, e sorri. Talvez não fosse tão ruim assim.

Estava anoitecendo quando decidimos parar em um campo sem árvores para acampar, na encosta da montanha. Ventava muito onde paramos, e a temperatura caía conforme o sol sumia no horizonte, então decidimos montar poucas barracas, para dormirmos em grupo e não congelarmos até a morte. Juntamos vários galhos e gravetos no centro para acendermos uma fogueira, tarefa que ficara por conta de Erza.

– Eu não consigo acender essa...porcaria – murmurou, irritada, tentando acender a fogueira a moda antiga, esfregando um graveto no outro. Ela ficara um bom tempo ali e eu ficara assistindo, enquanto os outros montavam as barracas e cuidavam do jantar.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

– Talvez você devesse tentar acender com um isqueiro, Erza – Natsu comentou, e ela o fuzilou com o olhar.

– Eu não trouxe um isqueiro e nem fósforos – falou, e ele mexeu na mochila, tirando de dentro um isqueiro vermelho.

– Pode usar o meu – entregou-o, e ela suspirou.

– Por que raios você não falou antes?

– Você não perguntou se alguém tinha um isqueiro – ele revirou os olhos, vestindo sua jaqueta. Erza colocou fogo em um graveto, jogando-o na pilha, e assim que o mesmo tocou os outros pedaços de madeira, a fogueira se acendeu com um estalo e o vento cessou.

– Uau – Gray olhou em volta.

– Isso foi...estranho – Levy comentou, e todos assentimos.

– Isso já aconteceu antes, Makarov? – Gajeel perguntou, e ele deu de ombros.

– As vezes que eu subi essa montanha nunca estava ventando – respondeu.

– Ainda assim é realmente estranho que isso tenha acontecido – falei, e todos trocaram olhares nervosos, voltando a atenção para o local em que estávamos.

– Eu estou com fome – Natsu falou, sentando-se ao meu lado em volta da fogueira, e eu ouvi sua barriga roncar alto.

– Juvia também – Juvia falou, encostando-se a Gray.

– Nesse caso, o jantar é por minha conta – Mira pegou uma caixa que Laxus estivera carregando e a abriu, revelando uma enorme quantidade de sanduíches, e entregando um para cada um. Claro que pessoas como o Natsu ou o Gajeel não se contentam com apenas um sanduíche, mesmo tendo que dividir com mais gente para que ninguém morresse de fome naquela montanha. Já estava completamente escuro, quando Aquarius distribuiu espetos de madeira e marshmallows, e todos se sentaram em volta da fogueira pra se aquecer e conversar, enquanto Lira tocava seu violão.

– Parece que já é hora das histórias de terror – Gray observou, enfiando na boca um marshmallow inteiro, e eu estremeci.

– H-Histórias de terror? – perguntei, nervosa, e ele assentiu.

– Não é um acampamento se não tiver fogueira, marshmallows e histórias de terror – Erza falou.

– Não podemos ficar com os dois primeiros itens só? – murmurei, mas todos me ignoraram e começaram a discutir quem seria o primeiro a contar.

– Eu achei um livro de terror escrito por alunos do nosso colégio na biblioteca – Levy se levantou, pegando algo em sua barraca, e voltando a sentar ao lado de Gajeel, enrolada num cobertor. Em suas mãos, um grande livro de couro marrom com folhas amareladas.

– Alunos? – Yukino questionou, interessada.

– Na verdade, Makarov me pediu para pegar esse livro e adicionar uma nova história, sobre nossa experiência no acampamento – falou. – Mas aqui só há histórias de terror. O negócio é que todo ano tem esse acampamento, há décadas. E esse livro contém inúmeras histórias sobre os acampamentos, desde o primeiro. Ninguém nunca ouviu falar sobre isso até chegar ao último ano e precisar escrevê-lo.

– E os alunos das outras salas? – Juvia perguntou, e ela deu de ombros.

– Quando eu fui atrás desse livro, outros três estavam com ele. Eles concordaram em escrever, mas não queriam carregar o livro. Disseram que é amaldiçoado ou qualquer coisa do tipo.

– Então você trouxe um livro amaldiçoado com histórias de terror para esse acampamento? – perguntei, apavorada, agarrando-me ao meu cobertor.

– Claro. Eu precisava saber do que tudo isso se tratava – Levy explicou. – Eu li a maioria dos relatos, de todos os acampamentos. Eu diria que os daqui são...piores.

– Esse lugar é amaldiçoado, por acaso? – Gajeel riu em desdém, como se não acreditasse em tudo aquilo, e Makarov pigarreou.

– Eu já estive aqui algumas vezes com meus alunos – contou. – E também estive aqui quando me formei.

– Em nosso último ano também estivemos aqui – Aquarius comentou, mordendo um marshmallow. Lira e Scorpio assentiram.

– Não foi tão divertido como vocês acham que será – Scorpio falou, conseguindo me desanimar ainda mais.

– E foi junto com o Makarov e a Mavis – Lira cantarolou animada. – Seu primo Loke esteve conosco aqui, Lucy.

– Ah, sim – Aquarius fitou a fogueira. – Ariana estava junto, lembra? Ela ficou apavorada.

– O que aconteceu aquela noite, apenas Mavis e Loke sabem – Makarov contou. – Eu não tive coragem para reviver aquela noite. Nenhuma delas.

– Fala aí o que aconteceu, Makarov – Natsu pediu.

– Deixe-o em paz, Natsu. Se ele não quiser contar, não precisa – adverti, e ele revirou os olhos.

– Juvia também não quer saber...

– Aqui está – Levy avisou, e todos se silenciaram. Ela deslizou o dedo por uma página aberta do livro. – Relato do Acampamento do Último Ano de 2005. Meu nome é Mavis Vermillion...

Notas finais
Bem, como sempre, sem tempo ou com muita preguiça para revisar, perdoem-me por quaisquer erros de português e tudo o mais que tenham lido. Acredito que há a possibilidade de eu postar a continuação desse capítulo até meu aniversário (dia 10 do próximo mês), mas não tenho certeza se terei tempo de terminar a tempo, mas sei que ainda em Abril eu posto rsrs Até a próxima, minna-san! ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.