Notas iniciais
Fala galera, hoje a Alex está na escola, então sou eu quem irei postar o capítulo. Desculpem pela demora, espero que gostem. Reviews são bem aceitos... deixando a lenga lenga de lado. Apreciem com moderação.

America andava calmamente pela cidade. Já estava cansada de mentiras. Já estava cansada de segredos. Já estava cansada de fingir que nada estava acontecendo, porque estava. Seu irmão estava em perigo – um grave perigo – e ela nem ao menos sabia onde ele estava, pois, o idiota do Franja não queria lhe contar. Sim, idiota!

Estava cansada de tudo a sua volta, mas seus pés também estavam cansados de andar, então ela entrou na primeira cafeteria que encontrou e se sentou em uma das poltronas do fundo para descansar seus pés.

Arrependera-se de vir com cabelos cor de rosa ao perceber olhares em si, olhares masculinos e maliciosos, ao menos a música “I Believe” de Christina Perri lhe deixava menos exposta. Os nomes podiam ser horríveis, mas pelo menos tinham bom gosto para música.

– Vai querer alguma coisa? – Falou um garçom.

– Qual é o seu nome? – Ela perguntou ignorando a pergunta que ele havia lhe feito.

– James – ele respondeu.

Pelo menos alguém com um nome normal, pensou ela.

– Você não é daqui é? – Perguntou ela.

– Sou da Inglaterra – ele disse. – Qual é o seu pedido?

– Quero um café puro – ela disse e ele anotou seu pedido.

Assim que ele saiu America relaxou no banco duplo, para logo em seguida outra pessoa lhe incomodar.

– Posso me sentar aqui? – Um garoto perguntou.

– Claro – ela disse sem nem mesmo olhá-lo. – Está bem cheio hoje, sim?

– Pois é – ele disse. – Qual é o seu nome?

– America, e o seu?

– Ross – ela finalmente o olhou.

– Ross? – Perguntou apreensiva.

– Sim, algum problema?

Sim, há um problema. Você é loiro, tem olhos azuis sendo que os do meu irmão podem ter qualquer cor, é bonito e musculoso, é alto e com ombros largos, e seu nome é Ross. Isso não pode ser uma coincidência, pensou ela.

– Me conte mais sobre você – ela disse se ajeitando no banco.

– Não tenho muito para contar – ele disse e logo em seguida riu.

– Quantos anos você tem? – Diga 15, diga 15.

– Tenho 15 – falou.

– Você mora por aqui? Nasceu aqui? – Ela perguntou.

– Eu moro e nasci aqui – ele disse.

Ele ainda não sabe de nada.

Ela o olhou com um sorriso de canto. Havia o encontrado. Ele estava bem ali, na sua frente, estava tão perto.

– Jij begrijpt mij? – Ela perguntou em holandês.

– Sim, eu te entendo – ele disse com um sorriso de orelha a orelha. – Por incrível que pareça, watashi wa subete no gengo ni tan’nōdesu.

– Nossa – ela disse, havia entendido que ele falara “sou fluente em todos os idiomas” em japonês. – Isso é incrível. O que mais sabe fazer?

– Ah, dizem que minha voz é incrível, que eu danço e luto muito bem, sou ótimo no arco e flecha. Eu aprendi a ler sozinho aos 02 ou 03 anos, não me lembro muito bem...

– Espera, espera – ela o interrompeu. – Você aprendeu a ler aos 03 anos?

– Praticamente – ele disse.

– Praticamente assim como rio perenes são “praticamente” eternos?

– É mais ou menos isso – ele riu.

– Sua vida deve ser incrível. Com quantos aos você se formou? – Ela perguntou, curiosa. Estava gostando mais e mais de conhecer a vida de seu irmão.

– Me formei este ano, 06 anos de Medicina e mais 03 de Neurologia – ele disse. – Eu fui aceito em uma faculdade de Psicologia e entrei em uma academia de artes ano retrasado.

– Academia de artes? – Ela perguntou. – Onde?

– Fica no bairro do limoeiro – ele disse. – Meus pais não têm dinheiro para pagar outra.

– E a faculdade?

– Eu tenho bolsa – ele disse.

Ela continuou olhando enquanto ele contava sobre sua vida, a cada palavra estava mais impressionada, até o barulho de seu relógio apitando a fazer parar de prestar atenção na conversa dele.

– Com licença – falou America e se levantou indo ao banheiro.

Ela trancou a porta e apertou o botão lateral de seu relógio, logo um holograma de sua irmã apareceu na sua frente.

– Onde. Você. Está? – Perguntou ela lentamente.

– Eu achei ele – falou America. – Achei o Ross.

– O.k, America, pare de piadas – falou Alex.

– É sério, eu achei ele, ele está...

– America – Alex a interrompeu. – Ross nem mesmo está no Brasil.

– Mas ele está aqui — disse ela alterada.

– Olhe para trás – Alex disse.

America se virou. Ross tinha uma arma apontada em sua direção, pronto para atirar.

– O que está fazendo? – Perguntou America.

– Você teve sua chance, America – sua voz estava diferente, estava assustadora. – Mas seu tempo acabou.

E ele puxou o gatilho.

– Não – America acordou melhor com seu próprio grito.

Ela olhou em volta, estava em seu quarto. Nada de Ross, nada de Starbucks, nada de armas nem vozes assustadoras, apenas ela e seu quarto. Mas ela queria que Ross estivesse com ela, queria que ele estivesse ao seu lado para lhe abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Queria ao menos uma pista sobre ele.

***

Padaria do Seu Quinzão...

– Sabe, eu acho que pegamos pesado com o Cebola – falou Magali para Mônica.

– Acha? – Perguntou Mônica incrédula. – O que aconteceu com a minha amiga Magali?

– Mônica – sua voz falhou. – Eu conversei com ele um dia desses e...

– Ah, então agora você fala com o inimigo? – Ela perguntou.

Magali estava espantada, sua amiga nunca fora assim tão arrogante, vingativa, rude... Tão falsa.

– Cebola não é nosso inimigo – Magali respondeu calmamente.

– Cebola se tornou nosso inimigo assim que fez aquilo comigo – ela disse. – Acabou? – E voltou a beber seu suco.

Magali apesar de não dizer nada continuava pensando na conversa dela com o amigo.

Cebola assim que chegou a biblioteca foi para a seção de livros de história e um livro grosso acabou lhe chamando a atenção. Um livro grosso e todo empoeirado. Isolado dos demais livros de capa nova.

Ele subiu as escadas que davam para a última estante, onde o livro estava enquanto Magali apenas o observava de longe.

– Se fosse você não pegaria este livro — falou uma voz que ele conhecia bem.

– Magali? — Perguntou ele surpreso.

– Eu — ela disse.

– Por que está falando comigo? — Ele perguntou.

– Por que não falaria? — Ela perguntou.

– Você me odeia — ele respondeu.

– Você não é tão idiota assim — ela respondeu.

– Como?

– Estou falando com você pois, você não é tão idiota quanto parece — ela disse lentamente. — E eu não te odeio, é só que...

– Por que se afastaram? — Ele perguntou a interrompendo e ficando a sua frente.

Aquela pergunta havia lhe escapado sem querer. Como um ato involuntário de um bebê recém-nascido, ou de um bêbado. Ele não queria ouvir a resposta. Sabia de alguma forma que, não sairia nada de bom da boca de Magali naquele momento. Coisas que o fariam ficar mais depressivo e culpado.

– Você se afastou Cebola — ela disse calmamente. — Fazer aquilo com a Mônica foi apenas o primeiro passo. Depois ela te viu no cinema com a Irene. E então você não ia mais aos jogos e nem aos campeonatos de videogame. Você estava totalmente desligado do mundo. Não respondia as mensagens, não ia aos encontros da turma, não estudava mais conosco. Você até pediu para que te trocassem de sala — e ela teria continuado se não tivesse visto uma enorme pesar de dor nos olhos do menino que ainda considerava amigo.

Ela sabia. Sabia naquele momento que, se falasse as palavras erradas, ele iria começar a chorar.

– Me desculpe — ela disse.

– Você tem total razão — ele disse a deixando mais surpresa que o próprio.

Eu tenho?, perguntou a si mesma.

– Me afastei porque tinha medo — ele disse. — Tinha medo de magoar mais um coração. Tudo o que eu sempre quis foi orgulhar alguém — ele começou a dar passos para trás, tentando, quase em vão, não chorar. — Eu só queria — uma lágrima escorreu por sua bochecha e ele apertou os lábios.

– Cebola — ela tentou lhe tocar. Havia cessado um lado dele que ninguém além dele mesmo conhecia.

Ele desviou dando mais um passo para trás e esbarrando na mesa. Pegou sua mochila que havia deixado ali e disse por fim.

– Só queria orgulhar alguém — e saiu, deixando Magali se sentindo culpada.

– Magali você está bem? – Perguntou Mônica.

– Sim – respondeu a morena.

Ela tinha de aproximar os amigos novamente, urgente!

***

Após o pesadelo, America resolveu ir treinar um pouco das suas habilidades de combate. Com uma luva socava um saco de areia fortemente, até o mesmo rasgar e espalhar areia pelo chão. Já ia para o quarto quando escutou alguém falar com ela.

– Você não cansa de sujar todo o chão com essa areia não? – Dizia a voz que America conhecia muito bem.

– Vê se me erra. Você sabe muito bem que sinto falta do nosso irmãozinho aqui com a gente. Por acaso você não sente falta de estar com ele também?

– É claro que eu gostaria de estar com ele America, só que por enquanto, para a segurança dele, é melhor que ele não esteja com a gente. Se o tio Peter acha que ainda é cedo, nós iremos atrás dele na hora certa.

– Pensei que você me entenderia melhor Alex, o lugar dele é aqui conosco, ele deve ficar com a família dele, só sobrou a gente, não tem mais ninguém, ele deve saber logo quem é de verdade e começar a treinar os poderes dele. Quando estive no colégio, eu o senti próximo, mas não soube dizer quem ele era, só o Franja sabe da verdade e não quer me contar.

– Bom, talvez possamos fazer o Franja nos dizer então. Apesar de tudo, eu confesso que estou morrendo de curiosidade de saber quem ele é e o mimar como uma mãe.

America riu.

– Só você mesmo mana para me fazer rir em uma hora como essas. No fundo você sempre foi como a mamãe, sempre terna e maternal.

As duas conversavam animadamente até que ouviram passos ficando mais próximos. Ao se virarem, viram Franja se aproximar das duas com um sorriso no rosto. Elas não entenderam e trataram logo de “prensá-lo contra a parede”. Elas não estavam nem aí para o sorriso besta dele, queriam saber quem era seu irmãozinho e o fariam dizer agora.

– Dessa vez você não vai se esquivar loirinho, anda logo, desembucha, nos diga quem é nosso irmão para trazer ele para se juntar a nós o quanto antes — falou Alex.

– E o que você pretende dizer a ele se eu lhe contar quem ele é?

– Horas, toda a verdade, quem ele é realmente, o quanto antes ele souber, mais fácil fica proteger ele — disse America.

– E se você o trouxer para a base, vocês acham que poderá protege-lo se os inimigos nos atacarem? Ou melhor, você acha que ele virá por livre e espontânea vontade só porque você acha que ele irá acreditar em tudo o que você disser a ele?

– Eu o protegerei com minha vida, mesmo que eu tenha de fazer algo hediondo, nós o protegeremos com todas as nossas forças, já estou até treinando mais duro pra isso.

– Tem razão, eu percebi que você está mais focada nos treinos esses últimos dias. Talvez essas últimas batalhas tenha mudado seu ponto de vista. Mas, acho que você tem razão, já está na hora do seu irmão saber da verdade, afinal, temos uma inimiga infiltrada que está fazendo a cabeça dele.

– QUEM É ESSA FILHA DA P*&@ QUE ESTÁ FAZENDO A CABEÇA DO MEU IRMÃOZINHO?

– Não sei o verdadeiro nome dela, mas você a viu no dia em que a cidade foi atacada e eu te disse que não precisava de você ter interferido. O nome que ela está usando é Jasmine e o nome do seu irmão é Cebola, o garoto de nome estranho que você mesma disse.

– WHAT? Então era ele o tempo todo? Burra, burra, burra... Eu sabia que ele tinha algo de especial, eu pude sentir algo nele, mas não sabia o que era.

– Então, espero que você entenda uma coisa, eu também acho que já está na hora de ele saber da verdade sobre seu povo, mas ele precisa saber da forma correta, uma palavra errada e aquela garota consegue levá-lo com ela.

– O que estamos esperando? Vamos logo.

***

03 meses depois...

– Argh! Você é muito bom – falou Jasmine ao perder mais uma vez no videogame. – Eu desisto!

– Ah, qual é? Você vai vencer uma vez – ele disse. – Nem que eu tenha que deixar para isso.

Eles riram, o que fez Jasmine se lembrar da risada encantadora e gostosa de Ross.

– Cebola, eu preciso te contar uma coisa – ela disse temerosa. Estava cansada de guardar aquele segredo dele.

– Pode falar – ele disse enquanto jogava.

– Eu... Eu não sou quem você pensa que eu sou – ela disse escolhendo as palavras certas para não assustá-lo.

– É claro que não é – ele disse. – Você é incrível.

– Não, o que eu quero dizer é que, eu realmente não sou quem você pensa que eu sou – ela repetiu. – Meu nome não é Jasmine, e, eu não sou uma adolescente normal.

Ele pausou o jogo e finalmente a olhou.

– Como? – Ele perguntou. – Não vai me dizer que você é uma Inteligência Artificial porque, eu já cansei disso.

– Não – ela o interrompeu. – Meu nome é Carter, Carter Chrissy. Eu trabalho para uma Agência de Espionagem e Proteção Dimensional – ele a olhava enquanto balançava a cabeça negativamente, incrédulo. – Cebola, por favor!

De repente ele não ouvia mais nada, não ouvia as explicações de Jasmine, ou Carter, seja lá quem fosse a garota a sua frente. Não ouvia os tiros do videogame, não ouvia nem mesmo seus próprios pensamentos. Quando finalmente achava que podia contar com alguém o destino ia lá e te dava um pé na bunda. Todos os momentos naqueles 03 meses que eles passaram juntos, ele não estava com Jasmine, não estava com uma amiga, ele estava com Carter. Carter a espiã.

– Por quê? – Ele perguntou a interrompendo, as lágrimas querendo cair.

– Você é especial Cebola, é diferente de todas as pessoas que existem em qualquer dimensão ou planeta – ela disse. – Essa Agência está protegendo o planeta Terra, está o tornando um lugar melhor, e, eles me deram uma missão, eu precisava me tornar sua amiga para que você nos ajudasse, e pense que este lugar que estamos criando, ele precisa de você – sua voz falhou. – Eu preciso de você!

Ele suspirou. Uma lágrima finalmente ousara cair.

– Por que eu sou especial? Quem é você de verdade? Por que precisam de mim? — Ele gritou. – Chamem a Mônica, ela é forte. Ou o Franja, ele é mais inteligente que eu. Marina tem um pincel mágico, Cascão é mais rápido. MAS, POR QUE EU?

– Você também não é quem pensa que é.

– ENTÃO QUEM SOU EU? – Sua voz começou a ficar inaudível. – Aquela pessoa CARTER, que eu ajudei no parque aquele dia... Aquela também não era você?

– Ross, você está confundindo tudo – ela disse e logo tapou a boca com as próprias mãos.

– Ross? – Ele perguntou.

– Me desculpe eu te confundi com um amigo meu – ela disse, mas foi interrompida.

– Quem é Ross?

– É apenas um amigo...

– Você é Ross – uma voz a interrompeu.

Eles se viraram para ver quem era. America estava parada na frente dos dois. A mesma garota que Cebola jurava conhecer quando a vira na TV estava no porão de sua casa, e a sensação de já tê-la visto em algum lugar era muito maior.

– Ah, legal! Agora espiões vão ficar invadindo minha casa? – Cebola perguntou sem pensar.

– Eu não diria invadindo – falou America.

– Eu já estou saindo – falou Carter se levantando do sofá e saindo de fininho.

– O que você diria? Entrando sem permissão? – Ele brincou se levantando do sofá também.

– É exatamente o que eu diria – falou ela sarcástica. – E respondendo a sua pergunta: você é Ross.

– Eu sou o Cebola – ele disse.

– Ai meus deuses – exclamou ela. – Será que ninguém tem um nome normal aqui?

– Meu nome é normal – ele respondeu à altura.

– Ross entenderia o que eu estou dizendo – ela disse.

– Olhe só, eu não concordo, logo, eu não sou esse tal de Ross – ele disse com um sorriso de canto.

– Quer a prova? – Ela perguntou.

– Eu adoraria – ele disse e antes de terminar America havia atirado nele. – Você está louca?

– Olhe seu colar – ela disse.

Ele ia protestar, mas sua curiosidade era mil vezes maior, então ele pegou o colar que estava em seu pescoço e olhou para o pingente, a bala da arma havia parado ali e nem mesmo encostara-se a ele, em exatos 30 segundos depois quando ele havia se decidido que iria dizer para ela sair de sua casa algo começou a acontecer com seu corpo.

Sua pele ficou mais bronzeada, seus dedos se pareciam com os do irmão de Jamile, dedos de músico. Sua visão estava mais clara e dilatada, era como se de um segundo para o outro ela tivesse resolvido se focar mais. Sua respiração estava mais leve do que nunca esteve antes, era como se ele estivesse respirando apenas o ar puro das plantas que nem mesmo existiam no local onde estavam. A voz melodiosa e macia que saiu de sua boca há exatos 02 minutos atrás quando ele perguntara o que estava acontecendo também lhe assustara. Ele se sentia leve e confuso. E era como se o primeiro passo que ele fosse dar, ele fosse cair. Ele fechou os olhos em um ato involuntário e respirou fundo como se estivesse sentindo o ar pela primeira vez.

– Livre – exclamou sem pensar.

Ele apenas havia dito a primeira palavra que passara pela sua cabeça, havia dito o que estava pensando. Não havia mais Cebola. Cebola já deixara de existir a partir de o momento que deixara Ross entrar em seu lugar. Seus pensamentos agora eram outros. Ele estava livre.

– Ross – America o chamou.

– Eu estou livre – ele disse abrindo os olhos e encarando a irmã.

– Você me conhece? – Ela perguntou.

– Você é a America – ele disse. – Minha irmã.

– Sou – ela disse ignorando o sorriso bobo que estava fazendo. – E quem você é?

– Ross – ele disse. – Ross Blue Winter.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.