F.R.I.E.N.D.S. - We're all in this together!
3 Carta Mistério...
Notas iniciais
No dia anterior, competiram em disputa para ver quem era melhor com patins. Ele não havia gostado nem um pouco que ela tivesse lhe incluído sem antes o consultar, mas no fundo, gostara de estar perto dela novamente. Era tão mais fácil quando eram simples pessoas normais.
Lembrava que não precisava mostrar força para impressionar ninguém. Não nesse caso. Cascão e Magali os ajudaram e as coisas até que saíram divertidas. Sempre acreditara que o esporte fosse para pessoas que nasceram com o dom, mas percebeu que as coisas não era como pensava.
Cebola se sentia livre quando o universo era tecnologia, não sabia dizer o porquê, mas era o único momento em que se sentia completo de tudo, quando estava no universo dos games, quando estava perto da tecnologia.
Ele queria muito investir na tecnologia futuramente. Se em força não era possível, seu cérebro compensaria suas falhas.
E se misturasse a tecnologia com o esporte? Será que um ajudaria o outro a sobreviver? Teria de testar sua teoria antes de aplicar novamente. Será que conseguiria ser paciente com suas escolhas? Só o tempo diria.
***
— O que você pensa que estava fazendo lá? — Perguntou Franja alterado. — A Mônica seria perfeitamente capaz de derrotá-lo sem precisar da sua interferência.
– Meu caro Franja, assim como disse a ele antes de derrotá-lo, direi para você — o indicador de America estava a poucos centímetros do rosto de Franja. — Eu sempre. Irei proteger. O meu. Irmãozinho. Quando ele precisar de mim.
Franja empurrou a mão de America para o lado.
— Mas acontece que seu irmãozinho está perfeitamente seguro aqui, do contrário, nenhum de nós estaria aqui hoje — admitiu.
— Dane-se — falou ela com os dentes cerrados. – Um dia todos saberão da verdade e não precisaremos mentir para mais ninguém.
– Sim, um dia todos saberão da verdade, mas se for agora será um desastre. Ainda não estamos todos prontos, é preciso de mais tempo para treinamento. Será suicídio se todos souberem agora, o risco é muito maior.
— Eu sei — gritou ela irritada com seu típico sotaque inglês.
Franja tapou sua boca como um aviso.
— Nada de sotaque aqui — ordenou ele.
E eles continuariam ali discutindo se não fosse pela chegada inesperada da namorada ciumenta, mais conhecida como, Marina.
— Interrompo? — Perguntou ela e Franja tirou a mão do rosto de America.
— Não — respondeu ele. — Estávamos apenas conversando.
— Quem é ela? — Marina perguntou apontando para a morena.
Como aguenta ela? Perguntou America para Franja mentalmente.
Saia da minha cabeça– o ordenou irritado. E ela é uma ótima namorada quando você não está por perto se é isso que quer saber.
Bravinho, disse ela antes de se focar na mente de Marina.
Marina ao avistar o namorado com uma garota que nunca vira ficou com ciúmes, eles pareciam ter uma intimidade muito maior do que a deles que namoravam há tempos. Ela não aguentaria ficar apenas olhando escondido para eles dois precisava interferir, até que teve a grande ideia de ir até lá e tirar suas próprias conclusões. Pelo menos era isso que America entendera ao ler sua mente.
Mais havia algo mais, algo que America não conseguia ver. Os ciúmes da menina que se denominava Marina haviam bloqueado sua mente, e os ciúmes ficaram ainda piores quando Franja apenas desconversou e disse que a morena era apenas uma amiga.
Logo outras pessoas se aproximaram. 10 pessoas no total, 10 pessoas que se autodenominavam: Mônica, Do Contra, Magali, Carmen, Denise, Titi, Xaveco, Cascuda, Cascão e Aninha.
Que nomes são esses? Ai meus deuses, perguntou America para Franja novamente.
Cale. A. Mente, falou ele.
Titi foi logo se aproximando da bela garota, que para ele dizia ser: gostosa! Estava solteiro mesmo, Aninha não podia brigar com ele. Ele só precisava dizer "Oi, gata" e mandar um de seus melhores sorrisos, e então, ela estaria aos seus pés em questão de segundos, pelo menos era o que imaginava, porém, assim que tentou colocar a mão sobre sua cintura a mesma lhe deu o famoso Seoi-Nage o fazendo gemer de dor ao bater as costas no chão. Todas a olharam pasmas, enquanto os garotos estavam ocupados demais tentando não rir e Mônica a encarava brava.
— Quem você acha que é para fazer isso com ele? — Perguntou Mônica, digo, gritou Mônica.
— E quem é você para gritar comigo? — Ela perguntou calmamente.
— Meninas se acalmem — falou Franja tentado acalmar as duas, mas logo desistiu pois começou a rir.
Aninha foi ajudar Titi a se levantar enquanto Mônica dava passos para ficar frente a frente com America.
— O que foi? Estava com medo dele, ó poderosa – ela disse com sarcasmo.
— E se eu estivesse? — Retrucou calma como sempre.
— Então... Então...
— Own! A menina baixinha, gorducha e dentuça ficou sem palavras — ironizou America. — Cadê seu coelhinho para te proteger agora, princesa!
– Você é arrogante e rude, não merece nossa atenção — falou ela.
– Vai pro inf*rn* — falou America normalmente.
Não diga essas coisas, não costumamos dizer palavrões aqui, pensou Franja.
Ou vocês bateram a cabeça muito forte ou são muito religiosos, ela respondeu. E "mundo inferior" não é palavrão.
— O.k! O.k! Pare com isso America — falou Franja depois de se recuperar de seu ataque de risos. — Acho que é melhor ir embora, se não seus pais vão brigar com você — mentiu.
America ia sair quando quase que imediatamente Denise interrompeu.
— Espere, eu te conheço — falou ela fazendo America parar no lugar. — Você é a menina da mídia, está em todas as capas, desde revistas á jornais, só falam de você pelo mundo — falou Denise.
— Acho que está me confundindo com outra pessoa — disse ela na defensiva.
— Não — Titi ousou falar. — É você mesmo, me lembro que disse que você era gostosa quando te vi na TV, não me esqueceria de você tão rápido — ele disse. — É a garota mistério de quem todos falam.
— Não sou uma super heroína — falou ela levemente alterada. — Não tenho poderes, não uso roupas coladas e não saio por aí salvando pessoas, pelo contrário, sou uma adolescente normal que consegue no máximo salvar um gatinho de uma árvore e fala palavrões como qualquer outro adolescente normal — ao terminar ela relaxou os ombros e disse antes de ir embora de fato. — Tenham um bom dia.
***
Momentos após as discussões com America, todos foram para a aula. Ela já havia superado a briga com a nervosinha da amiga do Franja. Era incrível como Cebola e aquela menina tinham uma facilidade de irritá-la. Mas, Mônica estava mais que irritada.
Como se não bastasse Cebola ter a feito sofrer, ainda queria estragar a vida da coitada da aluna nova. Ele era um idiota mesmo.
– Você viu o Cebola com a novata? – Perguntou Denise a Carmen.
– É claro – respondeu ela. – Você tirou uma foto, sim?
– Com certeza – falou Denise.
– Silêncio – gritou a professora de química que segundos antes escrevia algo na lousa.
Mônica voltou para seus pensamentos.
Cebola é tão... Tão... Idiota, egoísta, inútil, ele é tão... Argh! Tão lindo e irresistivelmente sexy... Quer dizer, ele é tão horrível. Me dá nojo pensar que eu um dia beijei esse menino perfeito, NÃO, esse menino tão sujo.
Ela jurava naquele momento que, se pudesse apagar seu passado inteiro com o garoto poucos metros atrás de si, o faria.
– Cebola – chamou a professora docemente.
Por que ela é tão gentil com ele?, Mônica perguntou a si mesma, indignada. Até a professora que os meninos amavam chamar de sexy parecia estar hipnotizada por aquele menino de cabelos espetados.
– Você poderia ajudar a novata com as lições? Acho que ela está meio perdida – perguntou ela.
– Claro – ele respondeu e logo Jasmine estava fazendo dupla com ele.
Agora sim Mônica estava com mais raiva ainda, apenas não sabia o porquê. Não estava realmente com raiva de Cebola, e se estivesse, estaria com raiva por ainda amá-lo. Seria isso, ciúmes? Ela estava com raiva de Jasmine?
– Alguém poderia me explicar o que é um átomo? – Perguntou a professora.
– Qual é pro, já aprendemos sobre isso – reclamou Cascão.
– Então porque não vem aqui na frente e explique a sala o que são átomos, elementos, matérias, substâncias e nos demonstra alguma reação química? – Perguntou ela com um sorriso de orelha a orelha.
– Pode continuar – disse ele corando e se afundando na cadeira onde estava.
– Vamos – falou ela. – Alguém?
– Responda – falou Jasmine para que apenas Cebola escutasse.
– O que? Não – falou Cebola. – Eu nem sei o que é.
– É claro que sabe – falou Jamile. – Está escrevendo no seu caderno.
E foi aí que ele percebeu que estava mesmo escrevendo no caderno. Estava lá, a explicação inteira do que era um átomo e até mesmo um desenho super-realista de demonstração. Quando fizera aquilo? Não se lembrava nem mesmo de ter pego a caneta. Mas tudo estava fresco em sua mente, como se de alguma forma houvesse decorado um livro inteiro de química, poderia até mesmo recitar todos os elementos da tabela periódica de cor agora.
– Responda – insistiu sua dupla.
– Não eu...
– Cebola pode responder – falou Jasmine para que a professora escutasse.
Cebola a olhou pasmo. Não queria responder, mal conseguia jogar um jogo de queimada – apesar de ser ótimo – na frente das pessoas, imagine dar uma de Nerd na frente da sala inteira.
– O que está fazendo? – Perguntou ele.
– Apenas responda – ela lhe encorajou.
– Cebola – chamou a professora.
– Eu não... – ele ia dizer, mas Jasmine o interrompeu.
– Fale – falou ela autoritária, o que o deixou com raiva.
– O átomo é a unidade de medida básica de matéria que consiste de um núcleo denso central rodeado por uma nuvem de elétrons de carga negativa – ele não fazia à mínima ideia de onde tirava tudo aquilo que dizia. — O núcleo atômico contém prótons carregados positivamente e nêutrons eletricamente neutros (exceto o hidrogênio -1, que é o nuclídeo estável sem nêutrons). – Ele dizia tudo rapidamente como se fosse de fato um cientista- Os elétrons de um átomo interagem com o núcleo por força eletromagnética, e do mesmo modo, um grupo de átomos permanecem ligados uns aos outros por ligações químicas baseadas nesta mesma força, formando uma molécula. Um átomo que contém o mesmo número de prótons e elétrons é eletricamente neutro, caso contrário é carregado positivamente ou negativamente e é chamado de íon. Um átomo é classificado de acordo com o número de prótons e nêutrons no seu núcleo: o número de prótons determina o elemento químico e o número de nêutrons determina o isótopo do elemento. O modelo atualmente aceito para explicar a estrutura atômica é o modelo da mecânica quântica.
E por fim terminou, deixando todos boquiabertos e Carmen com um sorriso malicioso no rosto. Então o sinal tocou dando fim a aula. Todos começaram a arrumar o material pasmos enquanto Cebola arrumou em questão de segundos e saiu da sala apressado deixando Jasmine se sentindo culpada.
Titi se virou para Jasmine.
– Depois fala para o Cebola que ele foi demais – falou o dentuço. – Essa foi a aula mais emocionante que tivemos até hoje.
– Claro – ela respondeu docemente.
Metido¸ pensou Mônica se referindo a Cebola.
***
Magali estava em uma parte afastada da cidade. Horas antes recebeu uma carta pedindo para encontrar alguém ali para uma revelação muito séria sobre seu passado. Chegou no local e estava sozinha.
Se perguntava o tempo inteiro porque tinha aceitado e ainda por cima, ir sozinha. Devia ter levado alguém consigo pensava, mas quem? Cebola estava fora de cogitação, Mônica tinha de ajudar os pais, Cascão combinara de sair com a namorada e Quim tinha de estar com o pai na padaria. É, não tinha ninguém em quem confiasse para ir com ela.
Mas porque aceitara ir. O simples fato de alguém saber sobre seu passado, algo que seus pais não queriam que soubesse, despertou a curiosidade da amiga que insistiu que ela deveria ir e se algo acontecesse deveria colocar o celular para fazer ligação pois esse seria o código que ela precisava de ajuda.
Já há alguns minutos esperando sabe-se lá quem fosse, estava com medo. Não era tão forte quanto a amiga, ou tão esperta quando Cebola, mas era inteligente como Cascão. Logo escutou o vento nos galhos e sons de alguém entre as árvores próximos. Não conseguiu ver quem era, ouviu apenas algumas palavras que não lhe fazia sentido e perdeu a consciência.

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