Notas iniciais
Obrigada à todos que comentaram, favoritaram e que estão acompanhando. Espero que gostem e qualquer erro me avisem que eu corrijo. Boa leitura.

Eu olhava pela janela com esperança que elas parem o carro e me abandonem em qualquer lugar deserto, mas no mesmo instante em que eu pensava isso acabava me lembrando de como minha vida estava uma verdadeira merda e que poderia acabar piorando.

A ruiva ao meu lado soltou um risinho e colocou a cabeça para fora da janela fazendo com que parte de seus cabelos grudassem em seu rosto. Ela soltou um grito entusiasmado e jogou os braços para fora como uma criança de cinco anos que acaba de ver um pote de balas de gelatina. A morena que estava dirigindo balançou a cabeça e acelerou ainda mais enquanto jogava o braço para fora mostrando o dedo para alguém.

Ouvi uma gargalhada e logo a ruiva começou a subir para o teto do automóvel sorrindo abertamente como se esperasse encontrar barras de ouro ali. Não consegui ouvir mais os passos da garota e olhei para a morena preocupada e ela apenas riu da minha situação e soltou o volante começando a se empurrar para o teto do carro, mas antes se virou para mim com um sorriso divertido.

− Vai seguindo em frente, você vai encontrar uma espécie de “túnel” formado pelos galhos das árvores, depois de passar por lá vai encontrar uma casa marrom e pare o carro lá enquanto eu tento fazer as crianças voltarem para dentro. Volto logo – e assim que ela desaparece e eu começo a ir para o banco do motorista.

Olho para cima procurando algum sinal de vida deles. Respirei fundo e contei mentalmente até dez.

Eu possivelmente estava com duas garotas em cima de mim e talvez um “visitante”, o carro estava em alta velocidade e eu estava indo diretamente para o lugar que queriam me levar sendo que elas me encontraram quando eu estava chorando pela morte de uma das pessoas mais importantes da minha miserável vida. É, Isabella, você está completamente ferrada.

Só percebi que meu pé estava no acelerador quando ouvi um baque e tive a impressão de ver fios de cabelos ruivos pela janela. Pisei no freio e meu corpo foi para frente enquanto o carro parava bruscamente e uma mancha ruiva caia rolando em frente ao carro.

− Sai – fui surpreendida pela voz autoritária da morena que me esperava com as mãos apoiadas na porta.

Quase que imediatamente passei para o banco de trás e levantei a cabeça procurando o corpo de Ana que minutos atrás estava estirado no chão.

− O que você está procurando? – pergunta uma voz que me fez virar a cabeça imediatamente para o lado esquerdo – Oi – a figura abre um sorriso maroto e eu me afasto até que meu braço encoste-se à porta.

Os cabelos castanhos claro estavam jogados para o lado e enquanto ele sorria percebi que ele estava organizando algum plano. Revirei os olhos e ele balançou a cabeça com um sorrisinho sonhador.

− Seu verme! Se Ramona não se preocupasse tanto com você eu te mataria – e lá estava a ruiva sentada no banco do passageiro enquanto batia a mão no chapéu numa tentativa inútil de tirar a poeira dele.

Eu me encolhi no banco enquanto tentava entender como a garota tinha sobrevivido sem um único arranhão, mas isso não foi o que mais tinha me chamado a atenção e sim o fato de que eles estavam no teto de um carro que corria em uma velocidade absurda. Não são humanos, disso eu tenho plena certeza e eu não vou ficar aqui parada esperando para descobrir o que eles são. Olhei para a porta destrancada e um sorriso idiota surgiu. Se me falassem que eu iria pular de um carro em movimento meses atrás eu teria mandado a pessoa para uma clínica de recuperação. Virei e cabeça e comecei a prestar atenção na conversa.

O garoto revirou os olhos claros e olhou para frente enquanto se inclinava entre os dois bancos para olhar para a ruiva.

− Anastasia, meu amor – ele falou irônico – Eu sei que você me ama, mas essa demonstração de afeto foi desnecessária – ele sorri quando a ruiva mostra o dedo do meio.

Eu fechei os olhos e encostei a cabeça no banco enquanto respirava fundo tentando me manter calma enquanto contava os segundos que tinha antes de abrir a porta e me jogar. Eu não estava com medo, se eu batesse a cabeça ou por maravilha do destino acabasse morta eu sairia no lucro.

O garoto cruzou os braços e desfez o sorriso assim que a morena fez uma pergunta. Ele resmungou algo e respondeu numa voz completamente baixa e acabei não conseguindo ouvir. Esse era o momento certo e se eu fosse me jogar teria que ser agora, eles estavam muito ocupados tentando me impedir de ouvir a conversa que não teriam muito tempo para tentar me impedir.

Coloquei minha mão direita na maçaneta da porta e a abri jogando meu corpo para o lado e logo pude sentir o vento batendo em meu rosto. Nesses meros segundos passaram flashes de toda a minha vida, do amor que eu nutria por Edward, dos pulos de Alice, da sinceridade de Ang, de todos os meus momentos com Charlie e do possível ódio que eu comecei a sentir pelo Cullen. Voltei à realidade quando a gola de minha blusa foi puxada e fiquei suspensa enquanto ouvia os risos divertidos do garoto. Ele me trouxe para dentro do carro de novo enquanto ria.

− Cala a boca – Anastasia parecia segurar o riso.

− Você achou que iria mesmo fugir? – o garoto se virou para mim e abriu um sorriso torto.

− Antes morta e livre que prisioneira e viva – resmunguei encarando o garoto que levantou uma sobrancelha.

− Você não é uma prisioneira – ele faz uma careta – é uma convidada e fico surpreso que pense assim – o tom sério e formal em sua voz me fez estreitar os olhos e perceber que aquilo só poderia ser ganho em muitos anos.

− Sempre existirão surpresas à sua frente e eu acho que você sabe disso – falo enquanto tento imaginar quantos anos o garoto tem.

− Só não tente se matar novamente, não vai ser tão bom quanto imagina – ele sorri de canto.

− Que seja – respondo e ele solta um risinho irônico.

Cinco minutos depois já estávamos parando em frente a casa que me fora citada antes. Ela era enorme com seus três andares e janelas do teto ao chão. Na entrada duas pilastras foram incrivelmente esculpidas e em seu centro uma espécie de brasão tomava destaque em seu tom branco. Logo adiante uma enorme porta de madeira com puxadores de metal nos aguardava na entrada. As pilastras estavam entre a porta e dividia duas lindas cadeiras balanço em forma de gota que estavam em cada extremidade da entrada bem organizada.

A primeira a descer foi a morena que assim que pisou para fora respirou fundo e revirou os olhos completamente irritados. Anastasia saiu assim que viu a reação da outra e começou a caminhar para o lado direito da propriedade, ela parou do nada olhando para a outra em aviso e desapareceu do meu campo de visão em questão de segundos. O garoto que encarava tudo ainda do meu lado franziu a testa e começou a sair do carro olhando em volta atento. Eu só comecei a abrir a porta quando percebi que era a única no carro e que se eu ficasse ali mais algum minuto alguém iria me arrastar para fora.

Assim que pisei para fora do carro o garoto segurou meu braço enquanto me empurrava em direção à porta.

− Você não vai querer ver isso – ele afirma enquanto me puxava cada vez mais rápido como se ele estivesse se controlando para não me arrastar lá para dentro.

− Pode ir mais devagar? − perguntei começando a me irritar com a pressa do garoto.

− Não, agora cala a boca que daqui a pouco você vai apagar − ele revira os olhos, já irritado com minha teimosia.

− Que seja – respondo e me solto dele massageando meu braço onde minutos atrás sua mão me segurava. Ele revirou os olhos.

− Deixa de ser fresca – ele começa a empurrar a porta me puxando para dentro.

Ao passar pela porta me deparei com uma ampla sala. O piso era de madeira da lei e as paredes eram todas em um tom de castanho sendo que uma delas exibia um lindo papel de parede. A parede em minha frente era formada por duas janelas enormes com vidro escurecido e as cortinas estavam abertas me dando a impressão de que a vista deve ser linda quando se está de dia. Um sofá estava virado em minha direção enquanto o outro estava de frente para a TV fixa em uma das paredes, também percebi duas mesas de centro: uma de vidro quadrada ao lado de uma retangular acolchoada. Algumas almofadas estavam jogadas no chão de estampas e cores variadas e eu comecei a imaginar quem teria coragem de bagunçar uma maravilha dessas.

Alguns metros ao meu lado direito após a parede-suporte da televisão eu acabei encontrando uma bancada americana que dividia o corredor de uma cozinha incrivelmente completa.

O garoto me jogou em uma das poltronas e passou as mãos pelos cabelos castanhos.

− Anastasia está com alguns problemas – ele fala e logo um homem está em minha frente.

O cabelo castanho levemente alourado estava bagunçado e para cima, sua testa estava franzida e os lábios formavam uma linha reta enquanto ele encarava o garoto com seus olhos escuros.

− Ótimo – ele abriu um sorriso – estava morrendo de tédio – e o mais novo começa a rir.

− Infelizmente não tive o mesmo azar que o seu. – ele aponta para mim – Essa aí tentou se jogar do carro – o moreno revirou os olhos e me olhos com seus olhos carvão.

− Como se ela fosse conseguir.

− Pensei que a ruiva estava com problemas – eu fechei a cara e isso arrancou risos dos dois.

A porta é aberta e a morena passa por ela tirando suas luvas meio dedo e jogando no louro que olhou divertido.

−Você está me devendo cem dólares, Dave – o mais velho fala e o garoto resmunga por possivelmente ter perdido uma aposta.

A morena olha a mão que pingava um liquido escuro e atravessa o lugar até a cozinha.

− Droga – ela grita chutando a geladeira.

− Freezer – Anastasia informa entrando na casa enquanto jogava o colete escuro no louro que a olhou irritado.

Anastasia se jogou nas almofadas e suspirou. A morena apareceu se sentando no sofá em minha frente enquanto abria uma garrafa térmica bebendo seu conteúdo, seus olhos esmeralda pareciam ainda mais brilhantes e assim ela olhou sorrindo para a marca de mordida que se fechava em sua mão.

− Ramona – a ruiva cumprimentou sem ao menos olhar em sua direção.

− Apague ela – uma voz feminina vindo do corredor foi a última coisa que eu ouvi antes de receber uma pancada na cabeça.

Passei minha mão em um movimento involuntário e fui perdendo a noção de tudo ao meu redor enquanto manchas negras dificultavam minha visão.

Notas finais
Para quem não entendeu muito minha descrição da sala aqui está o link: http://decoracao.dicasenovidades.com.br/wp-content/gallery/salas-de-estar-de-luxo-decoradas/salas-de-estar-de-luxo-decoradas-15.jpg -- OBS.: O garoto da gif no início do capítulo é quem interpreta o Dave aqui. No próximo capítulo vou colocar uma lista dizendo quem interpreta quem.