FEITICEIROS
46 Reminiscências
FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Revisão: Rô Marques
Capítulo 46
Reminiscências
Eriol caminhava devagar pela espaçosa residência onde morava com a família e seus guardiões, em Londres. Estava preocupado devido a última reunião do Círculo. A Igreja estava começando a se mostrar mais forte e angariava aliados entre os membros do próprio Círculo com suas ideias de contenção dos detentores de magia.
Daqui a pouco eles solicitariam que todos os detentores de magia fossem catalogados para ficarem inteiramente sob o controle deles. Se as coisas prosseguissem daquela forma, voltariam à Idade das Trevas. Isso o preocupava e muito, não só por ele, mas por uma outra pessoa.
Sorriu, observando através da janela da sala a bela menina de 10 anos de idade, longos cabelos acobreados e profundos olhos azuis brincando com Suppy no quintal da casa. Ela corria de um lado para o outro, tentando pegar o bichano voador que, provavelmente, carregava algo que ela queria.
Marie era seu maior tesouro, desde que ela tinha nascido, simplesmente não conseguia imaginar sua vida sem ela. Ela era sua maior alegria e também a sua maior fonte de preocupações. Era evidente que tinha magia. Muita magia. Às vezes, sentia um arrepio percorrer sua espinha quando observava com mais cautela a aura mágica da filha.
Sabia que uma filha dele, a reencarnação do Mago Reed Clow, com uma sacerdotisa xintoísta seria detentora de poderes mágicos. No entanto, a realidade era que Marie possuía muito mais magia do que poderia supor e isso, por vezes, realmente o apavorava.
Magia era algo que precisava ser controlado e progressivamente evoluído, mas Marie já havia nascido com um poder mágico desmesurado. As lições que dava à filha sobre como controlar as habilidades mágicas, frequentemente, pareciam ser desnecessárias, pois ela demonstrava um tremendo controle e consciência do poder que tinha.
Às vezes, pegava-se com saudades de quando ela era apenas um bebezinho indefeso que não dormia a menos que ele cantasse baixinho ao seu ouvido, aninhando-a em seu peito.
‘O tempo passa muito rápido.’ Soltou de forma saudosa e riu com gosto ao ver a menina, finalmente, com um salto digno de atleta, conseguir pegar Suppy e o objeto de disputa entre os dois.
Franziu a testa reparando que Marie havia saltado alto demais, até mesmo para uma jovem da idade dela com excelente preparo físico.
Fechou os olhos, concentrando-se por um breve momento e, quando os abriu, observou o corpo da menina envolvido pela aura púrpura que tanto o incomodava.
Deu um passo para trás, tirando os olhos da menina e fitou um canto dentro da residência. Bateu as costas num móvel qualquer e fechou os olhos. Sentiu quando a mandala surgiu aos seus pés e a energia começou a circular seu corpo sem que ele houvesse solicitado.
Abriu os olhos e se viu não mais em casa, mas em algum lugar no Japão, pois ao horizonte conseguia ver a Torre de Tókio. O céu estava parcialmente azul celeste e vermelho fogo. Arregalou os olhos, vendo Rubby Moon lutar violentamente contra duas criaturas das trevas. Ela estava com vários ferimentos pelo corpo e sua magia mostrava-se fraca. Desviou os olhos e viu Spinel Sun também lutando contra outras criaturas.
Franziu a testa, quando viu outro ser alado com roupas que inicialmente seriam brancas, embora estivessem manchadas de vermelho devido aos ferimentos que apresentava. Quem seria ele? Ele já o tinha visto antes? Colocou a mão na cabeça, balançando-a de leve. Voltou a abrir os olhos e viu um felino alado de pelos dourados aproximar-se de Spinel Sun. Os quatro pareciam estar lutando juntos contra os seres das trevas. Quem eram os dois seres tão similares aos seus guardiões? Seriam de outro mago? Quem?
Arregalou os olhos, vendo que, dentro do céu vermelho fogo, outras criaturas de aparência muito mais assustadora se aproximavam, sentiu-se cambalear e foi obrigado a segurar-se no móvel em que havia batido anteriormente.
‘Preciso de sua ajuda, Eriol-san.’ Ele ouviu uma voz feminina suave.
Ele não a reconhecia, embora fosse familiar. Quem era ela? Como ela sabia o seu nome e por que o chamava com tanta familiaridade?
‘Preciso que me ajude a fechar isso daqui.’ A voz continuou.
‘Quem é você? Onde você está?’ Ele perguntou e reparou na belíssima fonte de poder multicolorida no alto da Torre de Tókio. ‘É você?’ Ele perguntou incerto, ainda admirado com aquela energia espetacular.
‘Ótimo.’ Ele ouviu a voz dela novamente. ‘Movimento.’ Ouviu em seguida e, de repente, foi envolvido por uma névoa mágica.
Piscou os olhos e fitou a bela jovem ruiva de olhos verdes, olhando-o seriamente. Quem era ela? Ele a conhecia? Sim… Ele a conhecia... Ele sabia quem ela era… Mas como?
O lindo rosto feminino transmitia uma tristeza ímpar. Sentiu uma forte energia e ouviu os sons de uma luta violenta atrás de si que o fizeram virar-se, encontrando um rapaz e um homem lutando com fúria. O rapaz tinha ferimentos cobrindo o seu corpo e estava completamente sujo de sangue. O adversário dele também apresentava muitos ferimentos e parecia em crescente desvantagem.
Arregalou os olhos, observando, em volta do rapaz, energias mágicas em forma de lâminas. Ao comando dele, transformavam-se em criaturas e atacavam o adversário. ‘Mas o quê?’
‘Ele é parte de mim, Eriol-san. Ele é o meu coração.’ Ouviu novamente a voz da ruiva atrás de si.
Fechou os olhos com força e sentiu-se fraco, fazendo o seu corpo tombar a frente. Levou os braços a frente para evitar bater com o rosto no chão. Ficou de joelhos com a respiração ofegante. A mandala de Clow desapareceu e ele sentiu a própria magia diminuindo. Abriu os olhos devagar e viu que seus óculos tinham caído no chão.
Ainda ficou um tempo tentando controlar as batidas frenéticas de seu coração. Sentou-se no chão, com as costas no móvel que anteriormente havia lhe servido de apoio. Pegou os óculos e limpou-os meticulosamente com um lenço antes de colocá-lo no rosto, fitando através da janela o céu azul daquele inverno inglês.
‘Sakura-san.’ O nome da prima saiu de seus lábios. Fechou os olhos e bateu a cabeça de leve no móvel, franzindo a testa. ‘Li-san.’ Sussurrou o nome dos dois jovens que havia acabado de ver.
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Syaoran e Sakura estavam na arquibancada do ginásio onde acontecia o torneio infantil de Kung Fu de Tomoeda. Ele franziu a testa, vendo o garoto de sete anos, de cabelos castanho-claros e olhos verdes, no meio dos garotos maiores que ele e perto de um dos tatames entre os vários em que aconteciam as lutas simultaneamente. Sorriu de leve, observando o filho conversando animadamente com os colegas. Uma fraca aura azul pálido envolvia-o.
‘Shaolin deveria ficar aqui conosco enquanto não chega a hora de lutar.’ Ouviu a voz de Sakura ao seu lado em tom preocupado.
‘Ele já não é mais bebê, Sakura. Está com os amigos.’ Falou.
‘Ele está esperando para ver a luta da minha princesa.’ Kurogane falou.
O altão estava ao lado de Syaoran, mas, diferente do amigo que estava calmo e sério observando as crianças, ele sorria de forma aberta admirando sua princesinha que aguardava pacientemente ser chamada para a próxima luta.
‘Não sei por que Kasumi-chan resolveu se dedicar à luta. Deveríamos estar num teatro esperando para vê-la participar de um recital de balé, não isso...’ Kurogane ouviu a voz da esposa ao seu lado.
Desviou os olhos da filha, olhando de esguelha para a esposa que estava ao seu lado e mexia na câmera nova adquirida há pouco. Ela levantou o rosto e observou os tatames a procura da filha no mar de crianças.
‘Ainda acho que estamos muito distantes… Mas aquele pessoal não deixa ninguém entrar sem ser credenciado.’ Ela resmungou. ‘Eles poderiam abrir uma exceção, não?’
‘Se abrissem uma exceção para você, todos os pais exigiriam o mesmo.’ Kurogane rebateu o resmungo da esposa.
Ela virou os olhos para o marido. ‘Meu interesse é puramente o registro quase jornalístico.’ Levantou o queixo, ainda mostrando-se contrariada, mas depois abriu um sorrisinho. ‘Ainda bem que minha nova aquisição foi essa câmera full HD zoom óptico de 30 vezes e digital de 300 vezes!!! Eu sabia que seria um ótimo investimento!’ Falou mal se contendo de entusiasmo.
A próxima luta foi anunciada e a bela menina, de sete anos, com cabelos negros, presos num rabo de cavalo, e olhos castanho-avermelhados, como os do pai, entrou com calma no tatame.
‘Ah! Kasumi-chan está linda com o uniforme que eu fiz para ela!’ Tomoyo exclamou com estrelinhas nos olhos ao ver a menina com a roupa vermelha de luta. Sacou a câmera, focalizando sua princesa que se virou para os pais e acenou de forma tímida. ‘Pena que não podem ter muitos adereços… Mas ela fica encantadora de qualquer forma.’
Sakura inclinou o corpo a frente, observando a amiga que já filmava a filha com entusiasmo. Tomoyo podia até reclamar que a menina não havia se interessado por coisas clássicas como ela gostaria, mas sempre daria um jeito de fazê-la ter um figurino especial. Sorriu, balançando a cabeça de leve e olhou para Syaoran que também sorria.
Kurogane mal conseguia se conter de entusiasmo ao ver a filha. Acenou para ela de forma quase espalhafatosa. Ele reparou que os olhos dela desviaram deles, procurando outra pessoa.
Tomoyo filmava a filha com seu potente zoom e reparou que o sorriso da menina desapareceu e o rosto dela ficou levemente mais sério enquanto seus olhos procuravam por alguém na multidão. Franziu a testa preocupada, perguntando-se o que tinha acontecido e já estava para comentar com o marido quando, de repente, a menina voltou a abrir o sorriso, acenando de leve para o lado. Tomoyo virou a câmera e sorriu ao focalizar, com sua poderosa lente, o menino de olhos verdes que estava na beirada do tatame, torcendo por Kasumi.
Kasumi e Shaolin tinham a mesma idade. Poucos meses depois que Sakura descobriu estar grávida, Tomoyo engravidou também. Os dois, naturalmente, foram criados juntos devida a amizade dos pais. Estudavam na mesma escola e eram colegas de turma. Um frequentava a casa do outro para brincarem juntos, fazerem os deveres da escola e, depois que Syaoran colocou Shaolin no Kung Fu, Kasumi pediu aos pais para matriculá-la também. Kurogane adorava a ideia da filha praticar artes marciais, mas Tomoyo ainda não se conformara.
O juiz pediu para as duas competidoras se aproximarem e Kasumi fechou os olhos brevemente, respirando fundo e deixando o ar sair devagar pela boca. Abriu os olhos, cravando-os na adversária. Cumprimentou-a e se posicionou para a luta. Estava com o rosto sério olhando a outra menina que parecia um pouco mais pesada que ela.
‘Vai, Kasumi!’ Ela ouviu a voz do amigo e sorriu de leve. Estava feliz por Shaolin estar ali perto dela.
O juiz abaixou o braço iniciando a luta. A adversária se aproximou rápido de Kasumi, tentando golpeá-la pelos dois lados. Kasumi bloqueava os ataques sem muitos problemas e franziu a testa. A garota era muito explosiva; já até estava ofegante pelo esforço das investidas. Tinha que contra-atacar ou receberia uma punição por falta de combatividade.
A adversária tentou novamente acertá-la com o punho direito, Kasumi estreitou os olhos e segurou o pulso dela de forma firme, puxou-a para frente e levantou a perna, atingindo-a com uma joelhada que a fez se dobrar ao meio. Ainda com o pulso da garota preso de forma firme, deu um passo para o lado, puxando o braço e fazendo-a ir ao chão. Puxou o pulso dela e levou o joelho às costas da adversária para completar a imobilização. Primeiro ponto.
Syaoran franziu a testa, observando a luta. Kasumi quando iniciava uma luta parecia outra pessoa. ‘Ela está muito rápida e certeira.’ Ele comentou para o amigo que estava ao seu lado.
‘Ela tem DNA para isso.’ Kurogane falou sorrindo. ‘Aquela garota já era.’
Syaoran sorriu de lado, vendo o entusiasmo do amigo.
A luta recomeçou e a garota se aproximou de forma rápida, mas nervosa, na direção de Kasumi que inclinou a cabeça de leve. Estreitou os olhos e, assim que ela tentou lhe atacar com um chute alto, abaixou-se. Usando as mãos como apoio, fez um jogo no corpo, acertando a perna da adversária com força e fazendo-a cair no chão. Segundo ponto. Final da Luta.
Kasumi se aproximou da garota e estendeu a mão. ‘Foi uma boa luta.’ Falou de forma sincera. A menina olhou para ela e sorriu de lado.
‘Sabe, Kurogane-chan... Você é uma garota muito estranha.’ Disse, aceitando a ajuda. ‘Você como sempre, foi precisa.’
Ela cumprimentou de leve com a cabeça e se posicionaram para os cumprimentos finais e anúncio da vitória.
Kasumi virou o rosto e fitou Shaolin que acenava para ela entusiasmado. Sorriu de forma mais aberta.
Kurogane mal conseguia conter o entusiasmo apontando para si e gritando “minha princesinha, é a minha princesinha”.
‘Parabéns. Realmente a sua princesinha luta muito bem.’ Syaoran comentou.
‘Ela puxou o pai!’ Ele respondeu com entusiasmo e orgulho. ‘Minha princesinha é capaz de chutar o traseiro de qualquer gaki metido a príncipe encantado que tentar se aproximar…’
Syaoran sorriu. ‘Realmente será necessário, já que ela não é feia como você.’ Ele retrucou brincando.
‘Tão linda quanto a minha rainha!’ Ele falou, passando o braço sobre os ombros da esposa e beijando a cabeça dela.
Tomoyo não conseguiu evitar de rir do esposo.
‘Hei! Ainda estou filmando!’ Alertou o marido que sorriu.
‘Acho que daqui a pouco começa o masculino, né?’ Sakura comentou, olhando para o papel com o programa do torneio.
‘Sim. Pelo que me falaram, assim que finalizar o feminino, começa o masculino. Sem intervalo, desta vez.’ Syaoran respondeu para a esposa.
‘Shaolin mudou de categoria há pouco tempo.’ Ela falou apreensiva ‘Ele vai lutar com meninos mais velhos desta vez e maiores.’
‘Tamanho não quer dizer nada.’ Syaoran rebateu.
Sakura franziu a testa de leve. ‘Ele pode ter dificuldades.’
‘A vida é cheia de dificuldades, o mesmo vale numa luta.’
‘Não deveria cobrar tanto assim dele.’ Ela comentou com o tom preocupado.
‘Ele é meu filho.’ Syaoran falou. ‘Vai tirar de letra.’
‘Nosso.’ Sakura corrigiu o marido e estreitou os olhos nele. Syaoran olhou para ela e sorriu de leve.
‘Sim… Nosso filho.’ Corrigiu. ‘Por isso mesmo ele vai tirar de letra.’ Repetiu, sorrindo de forma irônica para a esposa.
Sakura se ajeitou melhor no banco, não gostava quando o marido cobrava demais do filho. A princípio, tivera receio de Shaolin praticar luta apenas por imposição de Syaoran, mas, depois de conversar com o menino, percebeu que ele também gostava da atividade. A diferença que Syaoran não conseguia entender era que, para Shaolin, a luta era uma atividade divertida e que servia para aproximá-lo mais do pai, não uma questão de sobrevivência como havia sido para ele.
Foi uma grata surpresa Kasumi se interessar também pelo kung fu e se matricular nas aulas. Sakura soube que a companhia da menina fazia com que o filho gostasse mais ainda da atividade. Era reconfortante ver as crianças sempre juntas. Eram como irmãos. Apoiavam-se mutuamente.
Sorriu de leve, desviando os olhos de Shaolin para Kasumi que estava recebendo os cumprimentos. Não havia magia em torno dela, mas sentia algo intrigante que não sabia explicar. Sabia que tanto Kurogane quanto Tomoyo não tinham magia. Ela e Syaoran decidiram deixar a magia fora da vida dos amigos, no entanto quando olhava com mais atenção para a filha de sua querida amiga parecia que tinha algo escondido. Encoberto por algum motivo.
A ruiva sorriu ao ver o filho se aproximando da garota que se retirava do tatame abraçando-a e parabenizando-a pela vitória.
Shaolin adorava-a. Eram amorosos um com o outro, mesmo que, volta e meia, brigassem e discutissem. Geralmente, o motivo da briga era alguma coisa boba, principalmente doces e comida, mas eles logo se resolviam com Shaolin cedendo para Kasumi.
Touya se aproximou dos dois casais, empurrando os outros pais que se aglomeravam na arquibancada para verem seus filhos. Yukito tentava acompanhar o homem que estava com o semblante bem aborrecido, pois sabia que o cunhado com certeza comentaria alguma coisa sobre o seu atraso.
‘E então?! O Kaijuu já lutou?!’ Ele falou, parando ao lado da irmã que se virou para abraçá-lo.
Ela já tinha percebido a aproximação do Yue, deixando reservados os lugares para os dois.
‘Ainda não! Daqui a pouco ele começa a primeira luta.’ Sakura respondeu.
Syaoran inclinou o corpo para fitar Touya e sorriu de lado. ‘Hum… atraso é problema de DNA mesmo… Espero que Shaolin não tenha puxado isso da família.’
Touya já estava preparado. Forçou um sorriso irônico para Syaoran. ‘Cheguei antes da luta dele, então… cheguei no momento certo. Nem antes e nem depois.’ Retrucou.
Syaoran encolheu os ombros. ‘Se quiser encarar desta forma.’
Sakura deu um cutucão de leve no marido e estreitou os olhos nele.
Syaoran soltou um suspiro. ‘Que bom que chegou a tempo.’ Falou por fim e recebeu, como recompensa pelo ato altruísta, um sorriso satisfeito da esposa.
Touya e Yukito cumprimentaram Kurogane e Tomoyo e pediram desculpas por não terem chegado a tempo para ver a luta de Kasumi. Kurogane falava empolgado sobre como sua princesinha tinha arrasado com todas as adversárias.
Touya procurou Shaolin no mar de crianças e Sakura o apontou, mostrando-o para o irmão. Shaolin olhava para arquibancada como se soubesse da chegada do tio, provavelmente, por ter percebido a aproximação de Yue. Acenou para ele, abrindo um enorme sorriso. Touya acenou de volta, sorrindo.
‘Nossa… Cada vez que eu o vejo parece que ele está maior.’ Touya comentou ao lado a irmã.
‘Verdade. Eles crescem muito rápido.’ Sakura falou sorrindo.
‘Mudou de categoria.’ O tio observou, virou-se para Syaoran com a testa franzida. ‘Espero que não esteja cobrando demais dele.’
Syaoran encolheu os ombros. ‘Só cobro o que ele é capaz de lidar.’
‘Humph.’ Touya murmurou. ‘Sei…’
Sakura rodou os olhos. O irmão tinha certa razão e, às vezes, também achava que Syaoran cobrava muito do menino, mas, no fundo, sabia que o marido não forçaria demais. Syaoran, a vida inteira, tinha sido cobrado demais e sabia exatamente como era ter sempre que cumprir as expectativas dos outros. Ele saberia dosar entre o estimular e o cobrar sem exagerar com o filho.
‘Ele está nervoso.’ Sakura comentou, observando o filho.
‘É normal antes de uma luta.’ Syaoran retrucou.
‘Acho que a gente poderia chegar mais perto, não?’
Syaoran franziu a testa. ‘É melhor não. Aqui tem uma boa visão do tatame. Ele deve lutar aqui neste mesmo.’
‘Kasumi deveria vir aqui para dar um abraço na gente.’ Kurogane falou contrariado pela filha ainda se manter nos limites do tatame.
‘Ela vai querer ficar ali para acompanhar as lutas do Shaolin-kun.’ Tomoyo falou e ouviu um bufada do marido. ‘Assim como ele acompanhou as lutas dela.’ A morena completou sorrindo de leve.
‘Estou louco para abraçar minha princesinha.’ Kurogane retrucou.
Syaoran estreitou os olhos no filho que estava se preparando para sua primeira luta. Reparou que ele ajeitou o uniforme. Desviou os olhos do menino e reparou o adversário dele. Realmente o garoto era bem maior, mas ele sabia que isso não queria dizer absolutamente nada durante um combate. Esperava que o filho também soubesse disso.
Touya gritou dando força para o sobrinho, estava entusiasmado com a luta do menino. Yukito ainda pediu, discretamente, para ele se manter calmo, mas foi ignorado pelo homem.
Sakura sorriu, vendo o irmão e depois olhou o marido de esguelha, ele estava com o olhar fixo no filho, não falava nada, mas estava na cara que estava tão tenso quanto o menino. Sorriu de lado.
O juiz pediu para que os dois meninos se posicionarem no tatame. Kasumi desejou sorte para o amigo que sorriu agradecendo, antes de ficar à frente do adversário.
Shaolin franziu a testa, observando o garoto a sua frente. Era bem grande, mesmo; mas ele já tinha lutado contra outros meninos mais velhos. Era pesado também, então seria difícil puxá-lo, a melhor estratégia seria fazer com que ele perdesse o equilíbrio e o próprio peso do corpo o levaria ao chão.
‘Você está na categoria errada!’ O menino falou para Shaolin que deu de ombros.
‘Acho que não.’ Respondeu.
‘Já tô avisando que não vou maneirar. Depois não adianta ir chorar com a mamãe.’
‘Está bem.’ Shaolin respondeu, sorrindo de leve.
O juiz levantou o braço, fazendo os dois meninos se posicionarem para lutar.
‘Isso vale para você também.’ Shaolin completou com o mesmo tom de deboche, fazendo o menino trincar os dentes.
A luta iniciou. O menino maior avançou sobre Shaolin, que desviou sem problemas da primeira investida com um giro. Deslocou-se para trás do grandão e desequilibrou-o ao tentar dar uma rasteira, aproveitando que a postura do outro estava meio descuidada. No entanto, a intenção dele não era fazê-lo cair, não ainda; mas indicar ao adversário que era melhor ele ficar mais atento e levar a luta mais a sério.
‘Ele está muito rápido.’ Touya comentou surpreso com o garoto. ‘E forte… quase termina a luta agora.’
‘Por que ele não finalizou?’ Syaoran soltou, franzindo a testa. Reparou que filho tivera a chance e não o fez.
‘Ele não acha justo começar uma luta sem o adversário estar atento.’ Sakura comentou para o marido e Syaoran olhou de esguelha para a esposa, voltando a observar a luta do filho. 'Ou, assim como você, ele é bem arrogante quando quer. Deve ter visto a troca de farpas entre os dois, não?’
Syaoran desviou os olhos do filho e olhou de esguelha para a esposa. 'Você também não ignora uma provocação.’ Comentou, sorrindo de leve.
Novamente, o menino aproximou-se de Shaolin, agora em postura firme e com atenção. Tentou acertá-lo pela direita, mas teve o golpe frustrado pelo bloqueio de Shaolin, que se abaixou golpeando-o no abdômen. Deu um passo para trás e endireitou o corpo.
Voltaram a posição de luta, o adversário se aproximou com cautela, tentando golpeá-lo novamente, mas fora fácil para Shaolin desviar das duas investidas que ele deu. Abaixou-se e girou a perna acertando por trás dos joelhos do garoto que caiu no chão. Primeiro ponto.
O juiz pediu para voltarem a se posicionar para reiniciar a luta. O rapazinho estava com o rosto vermelho de raiva por ter sido golpeado pelo menor. Assim que o juiz liberou a luta, avançou em Shaolin que desviou dos ataques e bloqueou o chute potente do garoto com o braço direito e a base bem firme das pernas. Pegou a perna do garoto, prendendo-a junto ao corpo e caiu para trás de costas. Com sua perna no peito do adversário, lançou-o para cima, fazendo com que caísse de costas no tatame. Segundo ponto. Final de luta.
O garoto se levantou, bufando de raiva e avançou contra Shaolin, tentando chutar o rosto do menino que ainda estava se levantando.
Sakura arregalou os olhos, gritando pelo filho. Ela já estava pronta para descer a arquibancada em direção ao tatame, mas o esposo segurou seu braço e fez um gesto com a cabeça para ela perceber o que o filho faria.
Shaolin girou o corpo e franziu a testa, encarando o garoto que quebrava as regras. Ainda abaixado, apoiou-se com um dos braços e prendeu a perna do garoto com uma tesoura, girando novamente o corpo para usar o próprio peso e forçar o movimento, jogando o adversário a frente, fazendo-o cair com o rosto no chão pelo susto do contra-ataque.
O juiz se aproximou, chamando a atenção do garoto pela tentativa de golpear o adversário depois da luta já finalizada. Sakura respirou aliviada ao ver que o filho tinha saído da situação.
Shaolin falou algumas palavras para o juiz informando que estava tudo bem e virou-se para os pais sorrindo e acenando como se nada tivesse acontecido.
‘Assim ele me mata de susto.’ Sakura falou com a mão no peito.
‘Assim ele nos mata de susto.’ Syaoran completou e sorriu finalmente aliviado.
Sakura balançou a cabeça, olhando para o irmão que tinha descido a arquibancada e estava na grade de proteção gritando para o juiz que o garoto tinha agido de forma errada. ‘Acho que eu vou lá tentar acalmar Onii-chan. Yukito-san não vai conseguir fazer isso sozinho.’
Syaoran riu. ‘É melhor mesmo. Se o Touya resolver pular aquela cerca e entrar no tatame… vai ser um saco tirá-lo da delegacia por ter acertado alguém.’
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Smith caminhava devagar pelas ruas de Roma. Sentou em uma das mesas na frente ao Ristorante Calabascio, situado na Via Properzio, a poucos metros da fronteira com a Santa Fé.
Estava frio e, provavelmente, os garçons ficaram bem aborrecidos pelo homem se sentar ali àquela hora, próximo do encerramento das atividades. Um rapazinho se aproximou dele e, apesar de querer ser simpático, seu rosto mostrava clara decepção pelo cliente tardio. Smith apenas pediu uma taça de vinho e acendeu um cigarro enquanto esperava. Logo seu convidado se sentou ao seu lado, mostrando-se irritado por marcar aquele encontro aquela hora da madrugada.
‘O que quer, Smith?’ Rosas perguntou sem encarar o homem. ‘Tenho uma reunião em poucas horas com o Cardeal-Vigário, espero que o assunto que me trouxe aqui realmente seja importante.’
‘O anticristo será um profeta de mentiras; proclamar-se-á Deus e receberá poder para realizar sinais e prodígios, o que levará os homens a adorá-lo… Este será o tempo em que se desprezará a retidão e se odiará a inocência; em que os maus olharão para os bons como inimigos; não haverá mais lei, ordem ou disciplina.’ Smith citou Orígenes.
Rosas ergueu uma sobrancelha, olhando impacientemente para o homem. ‘Conheço esta profecia, o que tem ela?’
‘Calma, meu caro, estou apenas lhe refrescando a memória com relação a sua própria doutrina.’ Falou com ironia.
‘Não preciso que um feiticeiro me lembre de nada relacionado a minha fé.’ Rebateu.
‘Ah! Tem uma outra que é realmente bem mais propícia para nós dois, meu caro.’ Ele fez uma pausa teatral. ‘Dissimuladamente, o anticristo vai agradar a todos, ele não vai aceitar cargos ou funções, ele não vai mostrar favoritismo para com as pessoas, vai ser amável para com todos, calmo em todas as coisas, irá recusar presentes, parecerá afável com o próximo e, assim, todos irão elogiá-lo exclamando: “Eis um homem justo!”’
‘Profecia de Santo Efrém, o Sírio.’ Rosas identificou de imediato. ‘Mostra como o anticristo é dissimulado e perigoso.’
‘Além de ser acima de qualquer suspeita, não?’ O outro rebateu.
Rosas estreitou os olhos nele. ‘O que realmente está querendo me dizer, Smith?’
‘Que o anticristo pode estar vivendo entre nós, agora. Como uma pessoa normal. Como uma mulher normal.’ Ele respondeu. ‘E você sabe como as mulheres são perigosas com seus rostos inocentes e sua falsa fragilidade. Além de despertar a libido do homem e tentá-lo, não é, meu caro amigo?’
Rosas não gostou do tom de Smith. ‘Não sou seu amigo, Feiticeiro.’
‘Ah, sim! Como é mesmo que está no Apocalipse: Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.’
Rosas estreitou os olhos nele. ‘Exatamente… Apocalipse, capítulo 21, versículo 8. Vocês todos sucumbirão ao fogo do inferno.’
Smith abafou uma risada, não queria entrar em conflito direto com Rosas, precisava da cooperação dele e, sabendo que ele era completamente unilateral com relação ao que fielmente acreditava, seria fácil convencê-lo a se juntar a ele. Tirou um pacote de dentro do sobretudo pesado que usava e colocou na mesa que separava os dois. Empurrou de leve em direção a Rosas.
‘O que é isto?’
‘Uma cópia das anotações de um feiticeiro chamado Reed Clow.’
‘Hum… que eu saiba um dos feiticeiros daquele Círculo se autointitula reencarnação deste.’
‘Sim… Eriol Hiiraguizawa.’ Smith confirmou. ‘Tenho minhas dúvidas se realmente ele o é. Você sabe que reencarnações são algo muito contraditório.’
‘Isso não existe. Todos esperarão o juízo final quando haverá a ressurreição da carne e a vida eterna. Os bons irão para o céu e os maus para o inferno.’ Rosas falou devagar.
‘Isso é uma maneira de interpretar, não?’
‘Não existe outra maneira.’
‘Crucifixus, mortus, et sepultus. Descendit ad inferos, tertia dia ressurexit a mortuis ascendit at caelos.’ (Foi crucificado, morto, sepultado. Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos Céus.) Smith falou. ‘Seu Deus é capaz de ressuscitar, não?’
‘Apenas ele o é.’ Rosas rebateu, inabalável.
Smith rodou os olhos. ‘Acredito que achará interessante a leitura que estou lhe oferecendo. Independente de Hiiraguizawa ser ou não Clow.’
‘E o que eu acharia interessante vindo de um feiticeiro de séculos atrás?’
‘Quem sabe… a interpretação dele sobre a origem do Spiritu Sancto.’
Rosas encarou Smith por um longo tempo. ‘Está a blasfemar, Smith.’ Falou de forma dura.
‘Não eu.’ Ele falou e fez um gesto em direção ao pacote que tinha colocado na mesa. ‘Clow, talvez. Isso depende, é claro, de as correlações que ele traçou realmente serem verdade ou heresia.’
Rosas estreitou os olhos em Smith novamente. Desviou-os para o pacote e por fim o pegou, colocando no bolso interno do sobretudo. ‘Espero que não me faça perder tempo.’
Smith deu um longo suspiro. ‘Será interessante para você, ler um outro enfoque do que seria a Arca da Aliança e Davi… ou a relação de Jesus e Judas.’
‘Está falando exatamente do quê, Smith?’ Rosas perguntou em tom baixo e perigoso.
Smith pegou a carteira e jogou algumas notas de euro em cima da mesa. Depois se levantou. ‘Boa leitura, Rosas. Procure-me quando estivermos na mesma página.’ Falou, começando a caminhar.
Rosas acompanhou Smith se afastando com os olhos. Tinha o semblante sério, não gostava de Feiticeiros e sabia que eles eram, em grande parte, responsáveis pela corrupção do mundo. Mas sabia, como líder dos exorcistas, que precisava estar perto do mal para combatê-lo.
Este era o seu dever. Proteger justamente a humanidade da influência deles. Levantou-se, caminhando de volta em direção à Santa Fé. Tinha algumas horas antes de sua reunião com o Cardeal-Vigário e tinha certeza que não conseguiria dormir depois daquela conversa. Bateu de leve no bolso onde estava o pacote que Smith havia lhe entregado.
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Shaolin chegou em casa depois da escola. ‘Cheguei!’ Gritou tirando os sapatos e deixando a mochila na entrada da casa. Franziu a testa quando a mãe se aproximou, sorrindo.
‘Seja bem vindo, pequeno Shaolin.’ Ela falou.
O menino rodou os olhos. ‘Ela a deixou para ser minha babá hoje?’
‘E qual é o problema? Não gosta de ficar comigo?’ Espelho perguntou com o rosto fingindo tristeza.
‘Não é isso.’ O menino falou entrando na casa. ‘Ela tinha prometido que me ajudaria a fazer os deveres de casa.’
‘Ela já está chegando. Foi apenas ao mercado comprar algumas coisas para a janta.’
‘Bem… então a gente pode brincar enquanto kaasan e tousan não chegam.’ O menino falou sorrindo e fazendo a carta sorrir junto. ‘Onde está Kero-chan?’
‘Jogando videogame.’ Ela respondeu.
‘Maravilha! Vamos lá para o quintal dos fundos.’ Falou, já correndo até os fundos da casa e sendo acompanhado por Espelho que ria.
Quando saiu no quintal, viu que Bosque já se manifestava aumentando a cerca viva para que nenhum vizinho bisbilhoteiro os perturbasse.
Gêmeos apareceram, mal contendo o entusiasmo para brincar com a criança.
‘Hoje, vamos brincar de guerra de bola de neve!’ O garoto falou entusiasmado.
Neve já surgia a frente de todos, rindo e fazendo os flocos de neves se espalharem por onde ela passava. Em pouco tempo, o quintal ficou branco, apesar do sol a brilhar no céu.
‘Seguinte… São vocês dois…’ Shaolin apontou para os Gêmeos. ‘Contra nós dois.’ Ele falou, apontando para si e para Espelho que agora ficara exatamente na forma do menino. ‘Quem for acertado cinco vezes, tá fora!’
Brilho e Sono apareceram voando à frente do menino. ‘Não tem como participarmos desta brincadeira.’ Sono falou, sobrevoando em volta de Shaolin.
Ele franziu a testa pensando um pouco. ‘Já sei! Vocês dois então vão ser os olheiros.’ Ele definiu. ‘Brilho, você é do nosso time e está encarregada de nos avisar onde estão os Gêmeos. Sono fica no time dos Gêmeos avisando onde eu e Espelho estamos. Assim vocês participam, certo?’
As duas criaturas aladas sorriram concordando. Os times se posicionaram um em cada lado do quintal, prontos para começar a disputa.
‘Hei!’ Os Gêmeos falaram juntos. ‘Quem será o juiz?’
‘Verdade…’
Canção apareceu sorrindo. ‘Eu quero ser!’ Ela falou com a voz melodiosa.
Retorno surgiu em seguida. ‘Você ficará cantando e não prestará atenção no jogo.’ Falou com a voz séria. ‘Eu ficarei encarregado e marcarei o tempo.’ Declarou, mexendo nos ponteiros do relógio que tinha nas mãos para começar a contar o tempo.
‘Você é muito mal-humorado.’ Canção comentou. ‘Isto é uma brincadeira. Não é algo para ser levado a sério e com marcação de tempo.’
As duas cartas se encararam e o menino se colocou entre elas sorrindo. ‘Então Retorno será o juiz e Canção será sua porta-voz!’ Achou uma solução com qual as duas cartas concordaram. ‘Vamos lá!’ Falou entusiasmado, voltando a se posicionar.
Retorno olhou para os dois times se encarando. ‘Mas assim ficará muito fácil.’ Falou contrariado.
Labirinto se manifestou, transformando o pequeno quintal dos fundos da casa num imenso e interessante campo de batalha de bolas de neves.
‘Agora sim está ficando legal!’ Shaolin falou, mal contendo o entusiasmo.
Canção parou entre os dois grupos em posição triunfante. ‘Que comecem os jogos!’ Falou de maneira teatral.
Shaolin abaixou-se rapidamente, pegando uma boa quantidade de neve e já moldando sua bola.
‘Aqui, Shaolin!’ Brilho gritou, apontando para um dos Gêmeos. Shaolin foi correndo até onde a fadinha sobrevoava o adversário de brincadeira, revelando sua posição. Tentou acertar um dos Gêmeos, mas arregalou os olhos, vendo o outro se aproximar de Espelho. Mudou sua estratégia e correu até o Gêmeo que daria o bote na sua parceira, acertando-o.
‘Fica esperta!’ Ele acautelou Espelho, já pegando mais um monte de neve e preparando-se para voltar a batalha.
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Sakura entrou com as sacolas de compras, Syaoran tinha se encontrado com ela no mercado para ajudá-la a carregar tudo para casa.
‘Tadaima!’ Sakura falou entusiasmada e franziu a testa, percebendo as inúmeras presenças manifestadas na parte de trás da casa. ‘Kero-chan!’ Ela chamou o seu guardião que não respondeu.
‘Aquela bola de pelo deve estar jogando videogame.’ Syaoran falou e sorriu de forma irônica, entrando na casa. ‘Para variar um pouco.’
Sakura deixou as compras na cozinha e foi até o quintal, ouvindo a algazarra do filho e de algumas de suas Cartas. Abriu a porta e arregalou os olhos vendo o quintal coberto de neve com um imenso labirinto. Canção informava o placar do jogo de forma melodiosa e alertava para o tempo que estava acabando. Brilho e Sono sobrevoavam o labirinto enquanto bolas de neve eram vistas arremessadas de um lado para o outro.
Ela olhou para os lados e viu que bosque tinha aumentado a cerca viva que delimitava o quintal com os vizinhos. Cruzou os braços, séria. Shaolin brincava com as cartas o tempo todo e sem se preocupar em ser visto. Soltou um longo suspiro, pensando em como finalizar a brincadeira. Percebeu a aproximação de Syaoran que foi espiar o que o filho estava fazendo e o viu cair na gargalhada.
Ela olhou para ele censurando-o, o homem levantou os braços e deu de ombros. ‘Parece divertido.’ Falou sinceramente.
‘Algum vizinho pode ver.’ Ela falou, fazendo um gesto apontando para a cerca viva. ‘Takahashi-san é muito fofoqueira.’ Ela alertou.
‘Depois a gente usa Apagar nela.’ Syaoran falou sem preocupação, caminhando em direção ao quintal e pegando um punhado de neve para montar sua bola.
‘Ah! Usa Apagar nela? Simples assim?’
‘É! Qual o problema? A velha que é enxerida… Isso é invasão de privacidade, sabia?’ Ele falou, olhando para a esposa e sorriu de lado. ‘Eu acho que está é com medo de jogar comigo...’
Sakura sorriu de forma irônica, caminhando até o marido. ‘Eu não tenho medo de você, senhor Li.’
‘Será?’ Ele falou de forma desafiadora. Aproximou-se, chegando ao ouvido da esposa. ‘Quem ganhar, escolhe o que o outro vai vestir hoje à noite… ou o que não vai vestir.’ Falou sorrindo de lado e se afastou dela, correndo em direção ao labirinto.
Sakura sorriu e se abaixou para pegar seu monte de neve, correndo atrás dele enquanto moldava sua munição.
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‘Atchim!’ Shaolin espirrou pela terceira vez nos últimos dez minutos.
Estava sentado à mesa, depois do jantar, para fazer os deveres para o dia seguinte.
‘Isso que dá ficar brincando com Neve.’ Sakura falou com o rosto sério, colocando a frente do filho uma xícara de chá quente.
‘Foi divertido.’ Ele falou, dando de ombros e pegando a xícara para beber um pouquinho.
Sakura se sentou ao lado do filho. ‘Dever de quê, hoje?’
‘Ciências.’ Ele respondeu. ‘Prometeu me ajudar.’
‘Ah! E qual assunto?’ Ela perguntou, sorrindo.
‘Aparelho respiratório.’ O menino respondeu e desviou os olhos dela. ‘Acho chato decorar só por decorar as coisas...’ Resmungou e sentiu a mão da mãe afagando seus cabelos.
‘Você tem boa memória.’
O menino olhou para a mãe. ‘Acho mais fácil quando vejo algum objetivo.’ Desviou os olhos para a figura do livro que tinha a frente. ‘Não importa o nome ou como os cientistas denominam cada coisa. Acho que o importante é como funciona.’
‘Certo.’ Ela beijou-lhe a cabeça. ‘Vou falar com seu pai e já volto para ajudá-lo a entender, está bem?’
‘Obrigado, kaasan.’ Ele respondeu.
Sakura se afastou do menino e caminhou até o quintal dos fundos onde Syaoran estava arrumando a bagunça que eles tinham feito. As poças de lama que haviam se formado por causa da neve já haviam desaparecido, e a grama parecia outra vez intocada graças a Bosque.
Ouviu-o falando com a senhora Takahashi que tinha o rosto contrariado, olhando para o quintal deles. A voz do marido era seca, apesar dele tentar ainda ser educado com a velha senhora. Arregalou os olhos, assustada, quando o marido, simplesmente, pediu para que Sono fizesse a velha dormir e foi até ele, vendo Flutuação carregar a vizinha adormecida até uma espreguiçadeira.
‘O que você fez?’ Ela perguntou.
‘Ela não tem nada que ficar bisbilhotando a casa dos outros.’ Ele respondeu. ‘Ela dorme um pouco, descansa e vai se sentir melhor.’ Falou sem dar importância. ‘Sono está fazendo um favor para ela, não é?’ Ele falou, fitando a fadinha que sorria, acenando com a cabeça.
Sakura levou a mão ao rosto. ‘Vocês estão incontroláveis.’
‘Relaxa, Sakura.’ Ele falou sem dar importância. ‘Ela vai ficar bem… Apagar estava querendo sumir com ela. E eu posso dizer que estava bem tentado a permitir.’ Ele comentou, rindo e recebeu um olhar torto da esposa. ‘Brincadeira.’ Respondeu, erguendo os braços defensivamente. ‘Talvez.’ Resmungou sério, caminhando pelo quintal e arrumando algumas coisas espalhadas. ‘Amanhã vou treinar com Shaolin, Kasumi e Kurogane.’ Ele avisou a esposa.
‘Antes da escola?’ Ela perguntou.
Ele voltou-se para ela. ‘Não. Depois.’ Syaoran respondeu. ‘Pego Shaolin em casa e vamos ao dojo.’
Ela respirou fundo. ‘Acho que é muita atividade para ele.’
‘Que nada. Ele adora.’ Falou. ‘Além disso, Kasumi vai estar junto, então eles acabam brincando também.’
Sakura sorriu de lado. ‘Kasumi-chan nunca brinca nos treinos. Leva muito a sério.’
Syaoran concordou com a cabeça. ‘Isso é verdade. Ela realmente sabe lutar muito bem. Parece lutadora nata.’
Sakura franziu a testa. ‘Ficou impressionado com Kasumi-chan? Yuo-kun deve estar explodindo de orgulho.’
Ele sorriu de leve lembrando-se da garota. ‘Kasumi luta realmente muito bem, faz movimentos precisos. E tenho certeza que não aprendeu tudo nas aulas.’
‘Quando treina com você ela sempre se mostra muito interessada.’
‘Até mais que Shaolin.’ Ele comentou sorrindo e balançando a cabeça de leve. Ele se aproximou da esposa e enlaçou sua cintura. ‘Eu ganhei, não foi?’
‘Você trapaceou. As regras não foram claras.’ Ela argumentou.
‘Nada disso. As regras são claras. Quem acertar o maior número de bolas de neve ganha.’
Ela rodou os olhos. ‘Está bem. Você ganhou.’
‘Ótimo.’ Ele falou sorrindo e beijou o rosto da esposa. ‘Assim que Shaolin terminar a tarefa, ele vai dormir. Dormir é fundamental para o desenvolvimento dele.’ Syaoran falou sério e sorriu para ela. ‘Isso já não se aplica aos adultos.’
Ela sorriu e balançou a cabeça de leve. ‘Você não tem jeito.’
‘A culpa é sua.’ Rebateu, sorrindo e abaixando o rosto para beijar os lábios da esposa.
Syaoran se afastou levemente, sorrindo para ela. ‘Falta muito para Shaolin terminar a lição?’
Sakura levantou uma sobrancelha. ‘Está com pressa?’
Syaoran sorriu e beijou o rosto dela, de novo. ‘Não é bem pressa…’
‘Sabe… Eu andei pensando.’ Ela começou a falar, atraindo a atenção de Syaoran que a fitou, franzindo a testa. ‘Shaolin já está com quase oito anos… O tempo passa muito rápido.’ Comentou, desviando os olhos do marido. ‘Talvez… A gente pudesse tentar novamente.’
Syaoran respirou fundo. ‘Você quase morreu para ter o Shaolin, Sakura. E, mesmo que o médico tenha dito não ser recomendável, a gente ainda tentou… Duas vezes, depois.’
‘Mas, talvez, agora pudesse ser diferente.’ Ela ainda insistiu. ‘Eu não acho justo Shaolin crescer sozinho. Além disso, nós queríamos uma família maior.’
Syaoran fitou a esposa por alguns segundos em silêncio. ‘Eu sei disso, mas…’ Ele fez uma pausa. ‘Sinceramente, acho que é um risco alto demais… E, também… Um sofrimento grande demais para nós dois. Para todos nós.’
Ela soltou um suspiro. ‘Shaolin é filho único… O que você disse que não queria.’
‘Nem tudo sai como a gente gostaria.’ Ele falou. ‘Mas isso não quer dizer que sejamos menos felizes.’ Completou com a voz suave. ‘Nossa família é perfeita do jeito que é. Shaolin tem a companhia das Cartas, daquela bola de pelo e, praticamente, foi criado junto com Kasumi. Ele não é sozinho, Sakura.’
‘É… Eu sei…’ Sakura murmurou.
Syaoran fez um carinho no rosto da esposa que voltou a fitá-lo. ‘Não se sinta mal por isso, minha flor.’
Ela tentou sorrir de leve, mas ele ainda percebeu os olhos tristes dela. Abraçou-a, repousando o queixo sobre a cabeça dela e suspirou vagarosamente.
De repente, Syaoran se afastou da esposa e virou-se para trás. Sakura franziu a testa, reconhecendo a presença que se aproximava.
‘Droga.’ Syaoran soltou, trincando os dentes. ‘O que ele quer agora?’
Sakura segurou o braço do marido e logo os dois viram a figura angelical aparecer no centro do quintal.
Gabriel os encarou de forma consternada. Sentia-se claramente desconfortável por estar ali. ‘Como vai, senhor Li? Senhora?’ Cumprimentou.
Syaoran respirou fundo. ‘Estava tudo ótimo até você aparecer.’ Falou sem o menor tato.
Sakura ficou quieta. Da última vez que vira o anjo a sua frente, foi quando Syaoran foi obrigado a atravessar uma brecha para voltar ao mundo das trevas. De forma instintiva, segurou mais forte o braço do esposo.
Gabriel suspirou. ‘Eu sei.’ Falou de forma sincera. ‘Também não queria estar aqui, mas é preciso que eu converse com vocês.’
‘O que aconteceu agora? Eu sou humano.’ Syaoran falou de uma vez. ‘Não posso voltar para lá.’
Gabriel balançou a cabeça de leve. ‘Nem pediria isso a você. O acordo era justamente você voltar como humano para ter garantias de que não seria mais mandado para lá. Embora…’ Ele falou e depois fitou Sakura. ‘Enfim… vocês dois conseguiram voltar.’ Falou sem entrar em detalhes.
‘Então, o que você quer de nós?’ Sakura perguntou, franzindo a testa e encarando o anjo.
‘Estou aqui por causa do filho de vocês.’ Ele respondeu.
Tanto Sakura quanto Syaoran arregalaram os olhos assustados, mas foi ela quem deu dois passos em direção do anjo, encarando-o. ‘Não chegue perto do meu filho!’ Ordenou, entre os dentes. ‘Deixe minha família em paz!’
Gabriel encarou Sakura, estreitando os olhos nela. ‘Se estou aqui, é para ajudar.’
‘Da última vez que esteve na minha frente, chantageou meu marido para ir ao inferno.’ Ela falou entre os dentes.
Syaoran caminhou e parou ao lado da esposa. ‘O que você quer, Gabriel?’
O Anjo tirou os olhos de Sakura e fitou Syaoran. ‘Avisar que Shaolin enfrentará muitos problemas num futuro próximo. E sugerir que vocês comecem a treiná-lo em magia.’
‘Problemas?’ Sakura sentiu o peito fisgar. ‘Que tipo de problemas?’
‘Eu não posso falar mais nada.’ Gabriel respondeu e estava dando um passo para trás quando sentiu Syaoran segurar o braço dele.
‘Meu filho não vai ter a minha sina, entendeu?’ Ele falou. ‘Eu assumirei o que quer que seja.’
‘Você terá seus próprios problemas para lidar.’ O anjo meneou a cabeça, desviando o olhar brevemente para Sakura antes de voltar a fitar o chinês.
Syaoran não conseguia disfarçar a agonia. ‘Isso não vai terminar nunca, não é?’ Ele perguntou, encarando o anjo.
‘Acredite em mim, gostaria que tudo já estivesse finalizado. Estou aqui para alertá-los e prepará-los. Independente do que vocês farão ou não, ele terá que enfrentar seus próprios desafios. É dever de vocês, como pais, prepararem-no para que possa superá-los.’
‘E qual é o seu dever?’ Sakura perguntou de forma irônica e desafiadora. ‘Vir aqui e soltar apenas problemas nas nossas mãos?’
‘Eu sempre estarei com Shaolin. Tentarei ajudar o máximo que me é permitido. Ele também terá… ajuda.’
‘Ajuda?’ Syaoran falou, franzindo a testa de leve.
Gabriel sorriu de leve. ‘Assim como vocês tiveram antes. A mesma ajuda.’
‘Do que está falando?’ Sakura perguntou.
Gabriel deu um passo para trás. ‘Diga “oi” para ela por mim.’ Falou antes de ser envolvido por suas asas e desaparecer da frente dos dois.
‘Eu odeio esse cara!’ Sakura e Syaoran falaram juntos sem querer. Encararam-se e soltaram um suspiro.
‘Droga!’ Sakura soltou, voltando para dentro da casa e deixando o marido no quintal ainda ruminando o que acabaram de ouvir de Gabriel.
Sabia que Shaolin tinha magia e já tinha pensado em iniciar algum tipo de treinamento com o filho para que ele conseguisse controlá-la, mas nunca pensou que Shaolin precisaria resolver problemas parecidos com os que ele teve que enfrentar a vida inteira.
Fechou os olhos, jogando a cabeça para trás. ‘Inferno!’
Não queria isso para o filho.
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O homem estava sentado numa das poltronas que compunham o enorme salão da mansão Yanamoto, na área nobre de Tomoeda. Tinha o semblante carregado e o olhar vago. Eram mais de quatro da madrugada. Tinha sonhado, novamente, com seu filho, Seiya.
Aqueles sonhos o perseguiam há mais de um mês. O homem colocou a mão no rosto, fechando os olhos. Era sempre o mesmo sonho: o filho todo ensanguentado, segurando-o pelos braços e falando que fora assassinado. Que o dever dele, como pai, era vingar a morte dele. Fazer justiça.
Balançou a cabeça de leve, tentando entender aqueles sonhos. Outra noite, tinha sonhado, de forma clara, com o filho sendo violentamente golpeado por um rapaz que, após matá-lo, transformava-se num terrível demônio.
Seu filho fora encontrado morto após um acidente de carro. Será que realmente tinha sido um acidente? Será? Será que tudo não fazia parte de uma conspiração?
‘Hokuto-sama?’ Ele ouviu a voz da esposa atrás de si. Virou-se para ela e depois voltou a fitar o nada a sua frente. ‘O que faz aqui a esta hora?’
‘Amanhã seria o aniversário de Seiya-kun.’ O homem falou.
A mulher soltou um suspiro e se abraçou, tentando espantar o frio. Caminhou devagar até o marido e sentou no sofá perto dele. ‘Você precisa aceitar que Seiya-kun se foi ou o espírito dele nunca será capaz de descansar em paz.’
O homem fitou a esposa de forma profunda. ‘Eu tenho certeza. Seiya-kun foi assassinado.’
A mulher sorriu de forma nervosa. O marido tinha vindo com aquela história há uns quantos dias. Fechou os olhos começando a pensar que realmente o marido poderia estar precisando de ajuda especializada.
‘Seiya-kun morreu num acidente de carro, meu querido. Você precisa aceitar isso. Aceitar que ele se foi.’
‘Não!’ O homem gritou, assustando a mulher. ‘Ele foi assassinado! Eu tenho certeza!’
Ela suspirou pesadamente e o fitou com o cenho franzido. ‘Você tem outro filho, Hokuto-sama.’ Ela falou de forma doce. ‘Takeda-kun precisa de você também.’
O homem balançou a mão à frente do rosto, mostrando-se incomodado com a colocação da esposa. ‘Ele não é Seiya-kun.’ Falou quase rosnando.
‘Mas é seu filho.’ Ela retrucou, incomodada.
‘Ele deveria me ajudar a descobrir a verdade sobre a morte do irmão.’ O homem disse, insistindo em sua história.
‘Ele é um jovem de 15 anos, Hokuto-sama. Takeda-kun precisa estudar para entrar no Secundário.’
‘Besteira! Ele tem que honrar a família.’
Nara levantou-se irritada e encarou o marido com o rosto duro. ‘Se continuar com esta loucura, eu o obrigarei a procurar um psiquiatra.’
O homem se levantou e encarou a esposa. ‘Acha que estou ficando louco?’
Ela não respondeu. Deu um passo para o lado para se afastar dele, mas o homem a segurou com força pelo braço, fazendo-a soltar um gemido. ‘Eu NÃO estou louco!’
‘Solte-me! Está me machucando.’ Ela falou.
‘Você não acredita em mim, não é? Minha mulher não acredita em mim! Você tem que acreditar em mim!’
‘Hokuto-sama… está me machucando.’ Ela repetiu, enquanto sentia a pressão da mão do homem em seu braço.
‘Okaasama! Otousama!’ Os dois ouviram a voz juvenil do alto da longa escadaria.
Hokuto soltou o braço da esposa que passou a mão no local, abaixando os olhos.
‘Vá dormir, Takeda-kun! Não encha o meu saco.’ O homem falou, voltando a se sentar. ‘Vocês dois me deixem em paz. Sumam da minha frente.’
Nara caminhou até a escadaria, subiu-a devagar e olhou para o rosto do filho de 15 anos tentando sorrir. ‘Vamos, meu amor. Vamos dormir.’ Ela falou, empurrando o rapaz para voltar ao quarto.
‘O que otousama tem?’
‘Ele… Ele só está cansado.’ Ela falou como desculpa, enquanto guiava o rapaz para se afastar da sala.
Hokuto olhou sobre o ombro esquerdo, vendo os dois sumindo. Soltou um suspiro pesado e franziu a testa. Estavam achando que ele era louco. Mas ele não era. Ele sabia da verdade. Ele tinha que fazer justiça. Não poderia continuar a ter o fantasma do filho perseguindo-o à noite e lhe contando que fora assassinado.
‘Eu… não… estou… louco.’ Falou devagar com a mão no rosto.
‘Eu tenho certeza disso, meu caro Yanamoto.’ Ele ouviu uma voz masculina. Levantou o rosto e arregalou os olhos, vendo um homem parado à sua frente na penumbra.
‘Q-quem é você?’ Perguntou assustado.
‘Eu sou aquele que acredita no senhor. E estou aqui para fazer justiça pelo seu filho.’
‘Justiça?’
‘Sim.’ O homem falou em tom paternal. ‘Precisamos livrar este mundo do assassino de Seiya. Evitar novas vítimas, como o seu filho.’
‘Mas quem diabos é você?’
‘Eu, meu caro, sou o Mago Balthazar Smith.’ Ele respondeu sorrindo.
Continua.
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