FEITICEIROS
20 O Retorno
FEITICEIROS
Por Kath Klein
Colaboração: Yoruki Hiiragizawa
Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 20
O Retorno
‘Eu não acredito que ela teve coragem de procurá-los.’ Eriol olhava para a enorme construção a sua frente. Ao seu lado estava Yelan com o rosto sério.
‘Agora ela foi longe demais.’ A senhora falou com a testa franzida. ‘Ela está louca se pensa em transformar meu filho num boneco.’
Eriol ainda não conseguia acreditar nas intenções de sua sucessora. Sentia a presença mágica da jovem dentro da residência dos Taos, mas já não estava mais agitada e expandida como há algumas horas.
‘Vamos.’ Yelan falou dando um passo a frente, mas reteve-se ao observar vários vultos se aproximando. Caminhavam de forma desengonçada e ritmada em direção aos dois. Ela arregalou os olhos reconhecendo os kyonshis.
‘O que são estas coisas?’ Eriol perguntou assustado ao ver corpos em decomposição caminhando em direção a eles, tinham talismãs chineses cravados em seus rostos e os braços estendidos a frente.
‘São mortos-vivos. A especialidade dos Taos.’ Yelan clarificou. ‘Eles estão aqui para nos impedir de entrar.’
‘O quê?’ Eriol exclamou. ‘Precisamos entrar.’ Ele estendeu a chave a sua frente e a sua mandala apareceu ao seus pés. ‘Chave que guarda o poder das trevas. Mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os ao valente Eriol que aceitou esta missão. Liberte-se!’ O báculo se formou nas mãos do rapaz que o segurou com mais força. ‘Precisamos chegar logo até Sakura.’
‘Sim.’ Yelan respondeu. Ela levantou o leque chinês a sua frente e a mandala octogonal brilhou sob seus pés. ‘Oh, imperador dos Deuses que cuida dos quatro confins da terra. Metal, madeira, água, fogo, terra, trovão, vento e raio. Espada rodopiante de luz. Responda ao meu chamado!’
Ela cortou o ar com o objeto, fazendo com que um raio atingisse parte dos mortos-vivos, destruindo-os.
Eriol levantou o báculo. ‘Poderes das quatro direções do Planeta, Norte, Sul, Leste e Oeste. Forças da Terra, do Ar, do Fogo e da Água. Eu as invoco ao meu auxílio!’ Ele franziu a testa, observando outros kyonshis se aproximando e passando por cima dos restos putrefatos. ‘Pelo poder do três vezes três, venham até mim! Libertem-se!’ Gritou rodando o báculo e fazendo a energia ser liberada para atingi-los.
Os dois magos observaram a pilha enorme de cadáveres, alguns ainda tentavam se levantar, mas não conseguiam por falta de seus membros.
Yelan voltou-se para o mago. ‘Vamos! Logo enviarão mais.’
Eriol concordou com um gesto e acompanhou a senhora que abria caminho naquele mar de morte com sua magia. O rapaz respirou fundo e pôde sentir o fedor de carne podre no ar. Sakura não estava mais em seu juízo normal. Se Syaoran desconfiasse do que ela estava pensando em fazer, com certeza seria uma imensa tristeza para seu amigo.
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Sakura caminhava devagar pela mansão Li. Estava deserta. Não sentia a presença de ninguém. Estava descalça e sentia as pedras geladas que constituíam o piso da secular residência.
‘Tomoyo? Eriol?’ A jovem chamou pelos amigos.
Caminhou até chegar num grande salão. Não encontrou ninguém. Absolutamente ninguém. Franziu a testa, pensando em onde estariam aqueles velhos idiotas dos anciões. Será que estariam planejando uma armadilha para capturar as cartas?
‘As cartas!’ Gritou, procurando-as pela roupa e não as encontrando, estava de camisola. Fechou os olhos, concentrando-se para localizar suas presenças e estranhou ao identificar que elas estavam fora da residência. Começou a correr na direção delas, passou pelo enorme quintal onde Hyo Ling havia lutado contra Reyume e que também se encontrava sinistramente vazio. Não tinha tempo a perder, tinha que encontrar as cartas.
Continuou a correr, estranhando não encontrar ninguém em seu caminho, quando deu por si estava no cemitério onde estivera com Yelan. Sentiu a terra úmida e fofa sob seus pés. Parou, observando o lugar, sem entender como havia parado ali. Sua respiração estava ofegante pela corrida.
Novamente sentiu a presença das cartas e voltou-se para o alto da colina. Correu na direção de suas amigas, desviando e pulando as lápides e túmulos. Parou em frente ao túmulo de Syaoran e arregalou os olhos, observando as cartas girando em torno da lápide.
‘O que está acontecendo aqui?’ Ela perguntou para si.
Sentiu quando uma mão fria tocou seu ombro direito e virou-se para ver quem era. Arregalou os olhos vendo Syaoran em forma de kyonshi. Tinha a pele cinza e remendada, o rosto sério e duro, e os olhos… os olhos vazios.
‘S-Syaoran…’ Sussurrou, levando as mãos a boca para abafar um grito de terror.
O morto vivo levantou os braços e a jovem deu um passo para trás. Ele andou na direção de Sakura que se afastava a cada tentativa de aproximação do monstro. Acabou tropeçando na lápide do rapaz e sentiu quando ele a segurou em seus braços com as mãos geladas. Ela fechou os olhos enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto.
‘Não!’ Gritou desesperada, tentando livrar-se da mãos de ferro do rapaz que segurava seus braços.
Sakura levantou da cama, gritando e debatendo-se. Abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi o olhar de Jun para ela. Sentou-se na cama com a respiração ofegante devido às reminiscências do pesadelo que acabara de ter.
Ela fechou os olhos secando as lágrimas com as costas das mãos, não queria que uma estranha a visse chorando. Tratou de controlar-se o mais rápido que pôde.
‘Tome.’ Ouviu a voz de Syaoran e arregalou os olhos, voltando-se para o lado. Ren estendia um lenço para ela.
Ela pegou o lenço e desviou os olhos dele. Sua mente estava lhe pregando peças de muito mal gosto.
Deram a ela o tempo que precisou para se sentir melhor. Jun sentou ao seu lado e tirou uma mecha do cabelo da jovem que caía pelo rosto. Estava com um curativo grande no supercílio direito.
‘Como você está?’ Perguntou com a voz doce.
‘Dolorida.’ Respondeu com sinceridade. ‘O que aconteceu?’
Jun sorriu. ‘Você desmaiou.’
Sakura balançou a cabeça. Detestava quando isso acontecia, mas tinha se sentido tão perdida quando sua esperança de ter Syaoran de volta se apagou. Sentiu um calafrio, lembrando-se do sonho. Deus! O que ela estava pensando em fazer com ele? Ficara tão obcecada em tê-lo de volta que não tinha nem se dado conta do tamanho absurdo e do sofrimento que seria ter um cadáver ambulante ao seu lado. Usou o lenço para secar as lágrimas teimosas que saíam de seus olhos.
Ren estava encostado num dos cantos do quarto, observando as duas sentadas na cama. Ele suspirou cansado. Tinha descansado pouco também. A luta contra aquela garota tinha sido mais cansativa do que ele imaginava, a aparência dela poderia ser frágil, mas era perigosamente mortal. Não podia negar que havia ficado preocupado com a garota.
‘Preciso voltar.’ Sakura falou, dando-se conta que não havia avisado ninguém onde estava indo. Tomoyo e Eriol deveriam estar loucos atrás dela. Ela fitou Jun. ‘Quanto tempo fiquei desacordada?’
‘Apenas um dia.’ A chinesa respondeu.
Sakura arregalou os olhos, tentando se levantar, mas foi impedida pela mulher. ‘Espere, ainda não se recuperou totalmente.’
‘Não. Eles devem estar loucos atrás de mim.’
‘Humph…’ Ren murmurou. ‘Eles já sabem onde você está.’
Ela virou-se para ele. ‘C-como?’
‘Sua presença não é muito difícil de identificar, ainda mais depois de você tê-la expandido.’ Esclareceu. Ele caminhou até a janela e observou o lado de fora com um sorriso irônico nos lábios, observando os dois feiticeiros tentando se aproximar, sem sucesso, da residência Tao.
Sakura afastou as mãos de Jun e novamente tentou se levantar. Cambaleou um pouco, mas conseguiu ficar em pé. Agora que o rapaz mencionou, conseguia identificar a presença de Eriol bem próxima. Ren voltou-se para ela, encarando-a por alguns segundos, depois ele desviou os olhos para Jun.
‘Acho que temos mais visitas.’ Falou, cruzando o quarto em direção a porta. ‘Vou recepcioná-los.’ Informou com a voz divertida antes de desaparecer da vista das duas.
Sakura voltou-se para Jun. ‘Desculpe-me por todo o transtorno.’ Falou de forma franca.
A chinesa balançou a cabeça sorrindo. ‘Não tem do que se desculpar.’
Sakura arregalou os olhos. ‘E-eu briguei com o seu irmão, destruí parte da sua casa… hã…’ Ela começou a falar envergonhada. ‘Eu estava fora de mim.’
Jun levantou-se e parou a frente dela, abrindo mais ainda o sorriso. ‘Não foi nada. Ren precisava sair da rotina. Foi ótimo para ele.’
Sakura franziu a testa. ‘Como é que é?’
Jun ainda sorria. ‘Posso dizer que foi uma situação muito interessante. Apenas empresários, políticos e criminosos nos procuram por causa dos kyonshis. Você foi a mais inusitada de todos os que nos pediram isso.’
Sakura balançou a cabeça olhando para o chão. ‘Acho que eu estou enlouquecendo.’ Falou com sinceridade.
Jun pousou uma mão no ombro da jovem que levantou o rosto, fitando-a. ‘Ama este rapaz tanto assim?’
Sakura desviou os olhos dela e voltou a fitar o chão. ‘Eu sinto que tínhamos muito mais para vivermos juntos. Ainda não consigo aceitar que ele não está mais aqui.’ Ela suspirou fundo e sentiu o corpo realmente dolorido. ‘Seu irmão me deu uma surra.’
Jun gargalhou. ‘Ren nunca teve jeito para tratar as garotas. Ele precisa de uma namorada logo, ou vai me enlouquecer.’
Sakura sorriu. ‘Preciso me desculpar com ele.’
‘Não se preocupe com isso.’ Falou passando o braço pelos ombros da jovem. ‘Venha, vamos receber aqueles dois que estão loucos atrás de você.’ Ela falou rindo. ‘Ren, se recusou a recebê-los até você acordar. Ele ficou preocupado.’
Sakura sentiu-se mal. ‘Acha que eu o machuquei?’
‘Você deu uma boa surra nele… mas ele já está acostumado. Já fazia um tempo que ele estava mesmo paradão.’
A feiticeira franziu a testa, mas deixou-se guiar pela chinesa. Estava sentindo a presença de Eriol e Yelan se aproximando. Sabia que eles viriam com tudo para cima dela. Deu um longo suspiro, já prevendo problemas.
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Li observava o enorme e velho portão de madeira que estava a sua frente.
'Tem certeza de que ele está aí?' Arthas perguntou, olhando para Ghoul que confirmou com um gesto.
Syaoran respirou fundo, jogou a esfera negra para cima e materializou sua espada. ‘Bem... vamos então.’
Luthor segurou o ombro do rapaz, impedindo-o de se aproximar da entrada. ‘Espera aí, garoto. A coisa não é assim tão fácil. Precisa saber de algumas coisas.'
Li franziu a testa encarando a criatura. ‘Eu sei que não me ajudarão. Eu percebi isso quando lutei contra Shade.’
‘Na verdade, estávamos testando-o. Iríamos interferir caso você desistisse da luta. Agora, contra Tichondrius... talvez, nem todos os nossos poderes reunidos sejam capazes de derrotá-lo.’
‘Não vão acovardar agora, não é?’
Arthas trincou os dentes. ‘Com quem pensa que está falando, garoto?’
Luthor encarou o rapaz o mais sério possível. ‘Precisamos lutar em equipe, ou todos morreremos. Por isso, nada de atos heroicos.’
Syaoran concordou com um gesto. Olhou para a construção a frente e conseguiu sentir uma presença realmente muito poderosa. Sabia que estava para enfrentar um grande inimigo, mas também estava ansioso para reencontrar Sakura. Estava com saudades demais da jovem feiticeira.
O grande demônio deu uns passos à frente e golpeou o portão. Ghoul saiu correndo covardemente, deixando apenas os três ali. Li desviou de Arthas e entrou primeiro. Ele podia sentir a forte presença de Tichondrius. Era como se estivesse para encontrar a pior das criaturas. Os três caminharam por um longo corredor mal iluminado. Li ia à frente de Arthas, e Luthor vinha logo atrás. O corredor terminou em uma câmara que tinha uma enorme esfera multicolorida no centro flutuando. Li reconheceu de imediato àquela bela luz, involuntariamente abriu um sorriso.
‘A brecha.' O rapaz falou entusiasmado.
'Isto mesmo.' Ouviram uma voz sinistra.
Um homem saiu de trás da luz. Era um pouco mais alto que Li, mas não chegava a ser do tamanho de Arthas. Tinha dois pequenos chifres na testa e longos cabelos louros.
'Tichondrius...’ Arthas sussurrou.
‘Vão se arrepender por invadirem o meu domínio.' Ele falou fitando o grupo com olhar raivoso.
Tichondrius esticou os braços e duas lanças de luz se formaram em cada um.
Arthas correu na direção dele tentando golpeá-lo com suas garras, mas o demônio desviou dos ataques com uma velocidade espantosa e acabou decepando um dos braços da grande criatura, que recuou desesperada.
Tichondrius já estava pronto para matá-lo quando Li parou à frente dele, protegendo o demônio com sua espada. Os dois começaram a duelar.
Li nunca havia lutado contra alguém assim. Quando um lutador é forte, costuma ser grande e lento, porém Tichondrius além de ser rápido era extremamente forte. Luthor tentou interferir na luta entre os dois, mas o inimigo o golpeou com sua magia, destruindo uma parte da grossa parede de pedras da câmara.
Li tentava se defender dos ataques raivosos de Tichondrius, mas era quase impossível. As lanças eram tão poderosas que elas não precisavam alcançar o alvo para ferirem. O rapaz já estava com inúmeros cortes.
'Morrerá aqui!' Ameaçou o rapaz.
Syaoran levou um dos talismãs a altura do rosto. A mandala octogonal apareceu aos seus pés. 'Metal, Madeira, Água, Fogo, Terra... Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas... Eu vos invoco para meu auxílio!'
'Idiota, esta magia nunca irá me derrotar.'
E realmente não era para derrotá-lo. O golpe de Li não era para atingir o inimigo de forma mortal, mas apenas uma das mãos para que ele soltasse, pelo menos, uma das lanças. E assim foi feito. Recebendo a forte descarga de eletricidade, Tichondrius acabou soltando uma das lanças no chão. Arthas viu isso e a golpeou para longe, tirando-a do alcance do demônio.
'Garoto impertinente!' O demônio gritou irado. Tichondrius foi com tudo para cima do rapaz.
Li sentiu que a raiva dele tinha aumentado sua força, mas também o tinha deixado mais lento e previsível. "Quando a cabeça não pensa, o corpo padece", pensou Li, que aproveitou o momento para finalmente começar a atacá-lo, pois antes se limitava apenas a se proteger. Conforme Syaoran ia golpeando Tichondrius, este ficava mais raivoso e menos dono de si. Esta insegurança começou a se tornar a fraqueza dele no combate. Luthor entrou na luta. Agora enquanto um se protegia dos ataques de Tichondrius, o outro atacava por trás, deixando o demônio louco de raiva com os pequenos ferimentos que começavam a surgir pelo corpo dele.
'Matarei todos!' Tichondrius gritou explodindo de raiva.
Uma luz explodiu do demônio, jogando os três contra as paredes da câmara. Li bateu com a cabeça e acabou soltando a espada. Luthor e Arthas também estavam zonzos com a força do golpe. Tichondrius começou a caminhar lentamente em direção a Luthor e o atravessou com a lança na altura do peito.
‘Não!’ Syaoran gritou.
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Sakura desceu a longa escada ao lado de Jun. Estava com o semblante tenso, já imaginando o discurso que receberia de Yelan e Eriol. A senhora, provavelmente, falaria alguns desaforos e talvez até estivesse com a razão desta vez. Não fora muito esperto da parte dela fazer uma visita ao clã rival da sua anfitriã na China.
E foi exatamente como imaginava, quando encontrou os dois no meio do salão completamente destruído por causa da luta dela contra Tao. Soltou um longo suspiro, como se parte de sua alma saísse com o ar. Parou em frente a eles que tinham os semblantes sérios para a mestra das cartas.
Eriol arregalou os olhos ao reparar a amiga cheia de machucados pelo corpo e com a roupa toda suja e rasgada. ‘O que aconteceu aqui?’ Perguntou parando diante da sua sucessora, o semblante sério passou para preocupado.
‘Eu estou bem, Eriol. São apenas arranhões.’ Ela tentou minimizar. O rapaz varreu a jovem com os olhos e depois fitou Ren que estava mais adiante também apresentando machucados pelo corpo. ‘Vocês lutaram? Sakura! O que você fez?’
‘Isso não é da sua conta, Eriol. Já manipulou demais minha vida, não acha?’ Estava sendo cruel, mas estava terrivelmente cansada. Queria só voltar para sua casa.
Ouviu uma risada irônica atrás de si e tinha certeza que era do jovem Tao.
‘O que você veio fazer aqui?’ Yelan perguntou.
Sakura desviou os olhos de Eriol e fitou a senhora. ‘Nada.’ Respondeu simplesmente.
‘Você acha que eu sou burra?’ A senhora falou com o rosto sério, Sakura podia jurar que conseguia ver raiva nos olhos dela.
‘Não sei do que está falando.’
Yelan deu um passo a frente e segurou o braço da jovem com força. ‘Se está achando que vai transformar o meu filho numa marionete, você está muito enganada, mocinha. Eu não vou permitir que faça isso com ele.’
Sakura puxou o braço com força e a encarou. ‘Não vou fazer isso.’ Ela respondeu. ‘Eles me explicaram o que é um kyonshi.’
‘Antes ou depois da briga de vocês dois?’ Eriol perguntou, fitando Sakura e depois Ren.
‘Durante.’ Ele respondeu sério.
‘Melhor irmos embora.’ Sakura falou por fim. Sentia-se extremamente mal verificando o estado em que havia ficado o salão depois da briga dos dois.
‘Deveria controlar melhor as mulheres do seu Clã.’ Ren falou, aproximando-se dos três e encarando Yelan. ‘Você sabe muito bem o que poderia acontecer se resolvermos desenterrar o passado, não é?’
‘Eu sei.’ A senhora falou, encarando o rapaz. Ele era tão ou mais frio quanto o pai. ‘Ela não faz parte do clã.’ Falou para minimizar a situação.
Ren franziu a testa. ‘Humph…’ murmurou. ‘Não se dependesse do seu filho, não é? Não vou dizer que sinto muito pela morte dele.’
Sakura tremeu e apertou os punhos, sua vontade era dar um soco em Ren. O rapaz reparou e sorriu de leve.
Jun se aproximou e parou ao lado do irmão, lançando-lhe um olhar de reprovação e o rapaz deu de ombros.
Ele estava sendo sincero. Não gostava de nada ligado aos Lis. Franziu a testa observando as costas jovem. Na verdade… tinha gostado da garota doida. Xiao Lang era um estúpido arrogante, mas, pelo jeito, sabia escolher muito bem com quem se relacionava.
‘Desculpe-me pelo meu irmão. Ren está apenas cansado.’
‘Isso é patético.’ O rapaz exclamou, afastando-se.
Jun novamente o repreendeu com o olhar, depois voltou-se para a senhora. ‘Ela gastou muita energia. Precisa descansar.’ Falou indicando Sakura.
‘Tā shì juéjiàng’ (ela é teimosa).’ Yelan rodou os olhos.
‘Shì… Hěn juéjiàng’ (sim... muito teimosa).’ Jun falou séria. ‘Ela desistiu da ideia de fazer um kyonshi, mas vai continuar procurando maneiras de trazê-lo de volta.’ Disse encarando Yelan. A senhora fez um gesto com a cabeça para a mulher.
‘Se vocês têm algo a falar sobre mim, falem para que eu entenda.’ Sakura falou, encarando as duas, irritada. Podia não falar mandarim, mas isso não significava que não entendia alguma coisa da língua. ‘E, sim, eu vou continuar tentando trazê-lo de volta.’ Falou de maneira firme, fazendo tanto Jun quanto Yelan arregalarem os olhos de leve. A Feiticeira voltou-se para Eriol. ‘Podemos ir agora?’ Perguntou, sentindo-se realmente cansada.
‘Venha.’ Eriol falou, passando o braço da jovem pelo seus ombros para que ela pudesse se apoiar. ‘Precisa de ajuda. Já cambaleou duas vezes.’
‘Eu não cambaleei.’ Ela falou em tom irritado.
‘Sei.’ O feiticeiro falou. Olhou para os chineses e, com um gesto de cabeça, despediu-se já caminhando com Sakura para a saída.
‘Kinomoto.’ Sakura ouviu Ren a chamando. Virou-se para trás, olhando-o sobre o ombro direito. ‘Cuide-se.’ Ele falou sério.
Ela acenou que sim com a cabeça e voltou a caminhar com o amigo que ainda exclamava que ela era uma cabeça dura.
Yelan fitou os dois representantes do clã rival.
Ren a encarou de volta. ‘Só vou deixar passar esta atitude desrespeitosa em invadir os domínios dos Taos porque foi bem interessante ver o poder do Pilar e daquelas cartas que vocês tanto procuraram. Mas que isso não se repita, Li.’
‘Não se repetirá.’ A senhora respondeu no mesmo tom.
‘Assim espero. Pois, da próxima vez, não permitirei que cheguem até aqui vivos’.
Encararam-se por alguns segundos, até a senhora virar-se para a saída do salão.
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Arthas tentou se levantar, mas mal conseguiu dar dois passos e caiu no chão novamente, observando o amigo em agonia.
'Sofra, verme!'
Luthor fechou os olhos, tentando usar seu poder para se recuperar, mas Tichondrius sabia de sua habilidade e mantinha a lança no peito dele.
Li se concentrou e a espada voou em direção às costas de Tichondrius, acertando-o em cheio. O demônio caiu de joelhos com a dor e soltou a lança.
Luthor juntou as forças e puxou a lança do próprio peito ainda em agonia. Um jato de sangue saiu de seu peito. Arthas rastejou até o companheiro de inúmeras batalhas.
'Beba o meu sangue, Arthas, antes que eu desapareça.' Luthor ordenou.
'Não seja louco. Não irá morrer! Use seu poder para se recuperar.'
Luthor respirou fundo. 'Faça o que eu mandei! E leve um pouco para o garoto.'
'Não.'
'Faça o que eu mando, idiota!'
Tichondrius se levantou e puxou a espada das costas, jogando-a para longe. O demônio estreitou seus olhos verdes em Li.
O rapaz percebeu que agora ele tremia de raiva. Li tentou se levantar, mas mal conseguia ficar em pé, precisando se apoiar na parede para isso.
'Como ousou me atacar, verme?' O demônio fez um gesto que envolveu o rapaz em chamas mágicas que o queimaram.
Syaoran gritou de dor enquanto ele ria loucamente observando-o queimar. Arthas o atingiu com tudo com uma rocha na cabeça, jogando-o contra uma parede. As chamas em volta de Li desapareceram, deixando o rapaz deitado com o corpo todo queimado.
Arthas correu até ele e o fez sentar, derramando o líquido viscoso e vermelho na boca do rapaz. O grande monstro olhou para Luthor, que sorriu antes de virar pó na sua frente. Ele deitou Li no chão com cuidado e limpou com a mão o sangue que escorria pelo rosto de Li, esperando que o efeito da magia de Luthor se manifestasse rápido no rapaz; em seguida, levantou-se encarando Tichondrius, que o observava com pura fúria.
'Já me causaram problemas demais.'
'Você não viu nada.'
Tichondrius se concentrou e suas duas mãos se iluminaram com uma aura vermelha. Arthas foi na direção dele, tentando golpeá-lo com a única mão que tinha agora, porém Tichondrius estava com a vantagem e começou a espancar a grande criatura. Quando se cansou, arremessou Arthas para longe e materializou uma espada. Estava pronto para decapitá-lo quando...
'A luta ainda não terminou!'
Tichondrius virou-se devagar para trás e viu Li em pé, com a maioria dos ferimentos curados. Ele estendeu a mão e a espada voou até ele.
'Ainda não se deu por vencido, garoto?'
'A luta só termina quando eu acabar com a sua raça.'
'É mais idiota do que eu pensei, guardião. Quando soube que você veio para o inferno por vontade própria, pensei que fosse piada; mas agora vejo que é mesmo um burro.'
Li voou para cima de Tichondrius, golpeando-o inúmeras vezes. O poder de cura de Luthor não tinha apenas lhe recuperado os ferimentos, mas tinha lhe dado mais raiva e força. Talvez estivesse se tornando realmente mais um dos inúmeros demônios daquele mundo.
'Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas que dominam os cinco elementos, eu invoco com a máxima urgência o supremo Imperador dos Trovões. Ataque relâmpago!' Invocou sua magia fazendo surgir aos seus pés a mandala octogonal.
O ataque acertou Tichondrius em cheio, fazendo, pela primeira vez, o demônio recuar. Li quase voou ao encontro dele, atacando-o mais e mais com a espada e com golpes físicos.
Tichondrius começava a não acompanhar os movimentos de Li. A magia dele tinha crescido demais, tornando-o um adversário à sua altura, como Tichondrius sempre havia procurado.
Arthas não tinha mais condições de ajudar o amigo, estava esgotado. A magia de Luthor o tinha ajudado, mas não tinha feito sua magia e força crescerem tanto quanto a do rapaz. Um calafrio subiu pela espinha do monstro, vendo-o lutar contra Tichondrius. Aquele não era o garoto que ele havia conhecido no deserto, olhando assustado para o céu em chamas e reclamando do calor do inferno. Ali estava o guardião das trevas, exatamente como haviam lhe falado inúmeras vezes, embora nunca tivesse levado a sério.
Tichondrius acertou um golpe em Li que o fez voar com força contra uma das paredes, porém o rapaz se virou e a empurrou, buscando impulso para voltar com tudo para cima do demônio, golpeando-o inesperadamente com a espada. Tichondrius olhou o enorme ferimento que Li fez em seu ombro com raiva.
'Vou acabar com isso de uma vez.'
Li encarou o demônio, esperando pelo momento certo para atacar. Precisava terminar com aquela luta de uma vez, já sentia que seu corpo não aguentaria mais, devido aos inúmeros ferimentos que ainda tinha. A magia de Luthor até podia curá-lo, mas levava alguns segundos, além de doer horrores enquanto cicatrizava.
'Deus da morte e do mundo subterrâneo, eu exijo de ti o poder por mim desejado...' Tichondrius parou no meio da sala e ergueu os braços.
Li correu para golpear Tichondrius antes que ele terminasse a sua oração.
'Desejo o poder supremo!'
Um raio de luz vermelha destruiu o teto da câmara e atingiu Tichondrius, envolvendo-o. O demônio ria, sentindo-se vitorioso com o poder que agora recebia. Porém, o que ele não imaginava era que Li usaria aquele momento para golpeá-lo. O normal e esperado era que, por medo, o humano recuasse.
Syaoran o golpeou com força, cortando-o praticamente ao meio. Tichondrius caiu de joelhos com as mãos na barriga sangrando e encarando Li assustado.
A luz vermelha que envolvia Tichondrius desapareceu subitamente quando ele caiu para trás, transformando-se em pó.
Li olhou para cima, vendo o céu vermelho em chamas pelo buraco feito pelo raio de luz na construção de pedra. Na semi escuridão da câmara, agora, via-se apenas a bela luz colorida do portal.
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Sakura fitava o teto, perdida em pensamentos. Estava deitada na cama de um dos quartos de hóspedes da mansão Li. A viagem entre a sede do Clã Tao e a sede do Clã Li tinha sido tensa e silenciosa.
Assim que a jovem chegou, foi agarrada pela prima que a abraçou tão forte que sentiu todos os ferimentos da luta contra Ren voltarem a doer. Não reclamou. Tomoyo estava nervosa, aflita. Não fora certo simplesmente ter sumido, mas não tinha como avisar aonde iria.
Tomou um banho e agora estava deitada. Esgotada, dolorida e simplesmente decepcionada por ter seus planos frustrados.
Rolou na cama e fitou o teto do quarto. Deu um longo suspiro e pensou novamente em Syaoran. Talvez ela realmente estivesse obcecada pelo rapaz, como a prima já tinha lhe falado. Ele tinha morrido. Ela tinha que colocar isso na cabeça, certo?
‘Não…’ Respondeu em voz alta a pergunta que sua mente fez.
Ela nunca colocaria na cabeça que não poderia mais ver os olhos ambares do namorado. Tinha esperado por ele durante muito tempo, para viverem juntos apenas poucos meses de felicidade. E, por causa de uma trapalhada de Clow, ele havia sido tirado dela. Não era justo. Não tinha como colocarem na cabeça dela que precisava simplesmente esquecer de Syaoran. Já tinha tentado fazer isso e falhou.
Soltou um longo suspiro e rolou na cama novamente, abraçando o travesseiro. Tinha que voltar às pesquisas e encontrar outro meio de trazer Syaoran de volta. Desta vez tinha que estudar melhor e não se deixar levar pelo entusiasmo como foi quando descobriu sobre os kyonshis.
Deus! Imagina se os Taos realmente tivessem feito um kyonshi de Syaoran?! Como ela conseguiria conviver com apenas um cadáver do namorado, olhando-a com aqueles olhos vazios e a pele fria.
Fechou os olhos e rolou novamente na cama ficando de costas. Levou uma mão à boca e pensou em como eram quentes os lábios de Syaoran. Balançou a cabeça de leve, sentindo os olhos arderem. Seria um eterno pesadelo ter um kyonshi frio ao seu lado, tão diferente da aura morna do amado e do corpo quente que a enlouquecia de paixão.
Suspirou novamente. Tinha lido alguma coisa sobre alquimia e transmutação. Clow tinha apenas mencionado sobre isso e não se aprofundou no assunto, mas lhe deu algo interessante: sempre fazia referência a um mago e alquimista alemão chamado Johann Fausto.
Ela havia deixado de lado a busca por informações sobre os processos alquímicos quando descobriu sobre os kyonshis, mas agora voltaria a focar nisso e, desta vez, teria paciência para descobrir todos os pormenores sobre transmutação humana de forma a evitar uma surpresa tão desagradável quanto a que tivera ao ver o que era realmente um kyonshi.
Levou uma mão ao peito e o sentiu levemente pressionado. Estava com uma sensação estranha nos últimos dias. Uma sensação de perigo iminente. A mesma sensação ruim de quando Syaoran tinha voltado para China depois deles capturarem a carta Vácuo e, para ser mais exata, bem parecida com aquela agonia de quando tentava falar com ele e não conseguia nunca.
‘Exatamente a mesma sensação.’ Ela falou para si, franzindo a testa. Naquela época era uma menina e tinha pensado que a ausência do garoto que amava e a falta de notícias dele eram o que estava lhe gerando aquela sensação ruim. Mas agora, depois de evoluir tanto no mundo da magia, sabia que não era apenas a não aceitação da morte de Syaoran. Tinha alguma outra coisa.
Fechou os olhos, respirando fundo e, quando os abriu pôde ver um céu vermelho como fogo através de uma fenda num teto de pedra. Arregalou os olhos, vendo seres alados voando por ele. Fechou os olhos e balançou a cabeça de leve. Voltou a abri-los e fitou o teto branco do quarto de hóspedes. Franziu a testa. Por alguns segundos, podia jurar que tinha até mesmo sentido o ar mais denso e com cheiro de enxofre. Além de uma onda avassaladora de calor que vinha do céu em chamas.
Ergueu-se na cama, sentando-se. Estava sozinha. Tomoyo devia estar conversando com Eriol e já preparando tudo para eles voltarem para o Japão amanhã no primeiro voo. A morena estava ensandecida para ir embora o quanto antes do país.
Ouviu batidas leves na porta e se sentou devagar. Sabia quem era e suspirou. Não estava com vontade de conversar com ela ainda. Fechou os olhos para buscar forças antes de se levantar e caminhar em direção à porta e a abrir. Logo encarou o olhar sério de Yelan.
‘Sua aura aumentou há pouco.’ A senhora falou sem nem ao menos cumprimentá-la.
Sakura arregalou os olhos. ‘Não percebi.’ Falou sinceramente.
‘Precisamos conversar.’ Ela falou. ‘Venha comigo.’
A jovem ruiva entrou no quarto apenas para buscar um robe e seguiu a senhora até a parte de trás da residência Li. Sakura reconheceu o lugar onde a senhora a havia levado depois de ter sonhado com Madoushi na primeira vez que esteve naquela casa.
‘Você não vai desistir de tentar trazê-lo de alguma forma, não é?’ Yelan perguntou, finalmente quebrando o longo período de silêncio entre elas.
Sakura balançou a cabeça confirmando. ‘Tem alguma coisa errada.’ Ela falou, fazendo a senhora franzir a testa.
‘Como assim?’
A jovem suspirou e abraçou-se. ‘Tenho a sensação de que Syaoran não está bem.’ Ela falou por fim.
Yelan ficou um tempo em silêncio, observando a jovem. ‘Quando começou a sentir isso?’
‘Logo depois que eu voltei do cemitério.’ Ela respondeu fitando o chão.
‘Hum…’ Yelan murmurou e depois abriu um tímido sorriso. ‘Talvez seja saudades.’
A jovem negou com um gesto. ‘Não é.’ Falou firmemente. ‘Antes de vir para cá, era realmente saudades, mas desde que cheguei aqui tem alguma coisa a mais.’
A senhora se perguntou como aquela jovem poderia ser tão ligada assim ao seu filho. Ela estava sentindo que ele estava no lugar errado. Xiao Lang estava no mundo das trevas e com certeza ele deveria estar sofrendo bastante.
‘Eu preciso trazê-lo de volta.’ Sakura falou. ‘Ele não está no lugar em que deveria estar.’ Ela falou, encarando a senhora com o rosto sério.
‘Sim. Ele não deveria estar lá.’ Yelan concordou. ‘Mas ele vai sair sozinho, confie nele.’
‘Sair?’ A feiticeira indagou, aproximando-se da senhora. ‘Do que está falando?’
Yelan ponderou que era melhor falar a verdade, só assim poderia conseguir controlar a teimosa feiticeira a sua frente. A aura dela explodia e se desequilibrava em intervalos de tempo cada vez mais curtos.
‘Ele vai voltar, Sakura. Acredite no que eu estou falando.’
Sakura franziu a testa. ‘Do que diabos você está falando?’
‘Xiao Lang está tentando achar uma brecha para voltar.’
A jovem piscou os olhos algumas vezes e deu um passo para trás como se tivesse levado um soco. ‘Do que você está falando? Como assim ele vai achar um brecha?’
‘Ele está no mundo das trevas agora.’
‘O quê?!’ Ela gritou, segurando os braços da senhora. ‘O que ele está fazendo lá? Não era para ele estar lá! Ele morreu para salvar esta merda de mundo! Como o mandaram para o inferno?’
‘Calma, Sakura! Calma!’ Yelan gritou, vendo a presença da jovem explodir. ‘Era a única maneira dele voltar.’ Tentou falar em vão. Sakura soltou seus braços e a senhora sentiu ser repelida pela magia da jovem, foi obrigada a dar alguns passos para trás, afastando-se dela.
‘Não! Eu tenho que tirá-lo de lá agora!’ Ela gritou.
A mandala se formou aos pés da feiticeira, brilhando intensamente enquanto sua energia fazia o ar girar rapidamente em torno do pequeno corpo e a aura multicolorida da jovem explodia em uma fração de segundos.
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Syaoran correu até Arthas. 'Hei, você está bem?' Perguntou preocupado.
Arthas olhou para ele espantado. Li estranhou este comportamento do aliado. Parecia até mesmo que estava com medo dele agora.
'O que foi, Arthas? Não me diga que também vai morrer?'
Arthas balançou a cabeça de leve. 'O grande Arthas sempre sobrevive ao combate.'
'Sei...’ o rapaz murmurou não contrariando e ajudando-o a se levantar. 'O poder de Luthor já deve fazê-lo se sentir melhor.' Disse ao demônio.
‘Nunca pensei que doesse toda vez que ele cicatrizava as feridas.’
'Nem eu.'
Arthas desviou seus olhos inquietos do rapaz e fitou o portal. Fez um gesto com a cabeça apontando para a luz belíssima. 'Eis o que queria, garoto.'
'Conseguimos.'
'Você conseguiu.' Corrigiu
'Não conseguiria sem a ajuda de vocês.' Falou realmente agradecido.
Arthas soltou uma gargalhada e colocou a mão na cintura. 'Mas é claro que não. Você venceu porque o poderoso Arthas estava com você.'
Syaoran sorriu com o convencimento da criatura. Ele o lembrava um pouco de Kerberus.
'Não vai atravessar?' O demônio perguntou, voltando a fitar a luz.
Syaoran franziu a testa olhando para luz. 'Como é que eu vou saber que estou indo para o meu mundo?'
Arthas quase desmoronou sentado no chão de choque. ‘Eu sei lá! Devia ter pensado nisso antes.'
‘Esqueci de perguntar isso para Gabriel antes de ir embora do paraíso.’
‘Então pode ser que, passando por esta brecha, você fique vagando de universo em universo?’
Syaoran trincou os dentes. ‘Talvez. Droga!’
Apertou os olhos com o polegar e o indicador pensando que não poderia perder tempo viajando de universo em universo até achar o seu para se reencontrar com Sakura. Já estava beirando o desespero quando...
‘Syaoran!’ Ele reconheceu a voz de Sakura o chamando. Abaixou a mão e arregalou os olhos.
‘Quem é?’ Arthas perguntou olhando em volta. ‘É uma fêmea.’ Também ouviu a voz feminina.
Li se assustou, se o demônio também ouviu, não era puro delírio dele. O rapaz caminhou em direção a luz. ‘Sakura!’ Chamou a namorada, não conseguindo identificar onde ela estava.
‘Syaoran!’ Ouviu novamente ela gritar por ele.
O rapaz piscou incrédulo por reconhecer a silhueta da jovem dentro da esfera brilhante. Caminhou devagar em direção da luz.
‘Sakura?’ Perguntou incerto não entendendo o que estava acontecendo.
Ele, logo, pôde ter certeza. A imagem de Sakura apareceu de forma nítida dentro da luz olhando para ele e sorrindo, ela estendeu a mão na direção dele e ele levantou o braço, tentando alcançá-la. Teve medo de ser apenas uma miragem, mas, quando sentiu a pequena mão da namorada, conseguiu sorrir abertamente. Não era loucura, era real.
Abaixo dos pés do rapaz a mandala mágica em forma de octógono baguá com o simbolo do Yin-Yang ao centro surgiu brilhando. E a mandala de Sakura apareceu sobrepondo a dele. Ele apertou a pequena mão da jovem e sentiu quando a outra mão dela envolveu a sua puxando-o para dentro da luz. Sorriu e fechou os olhos, deixando-se ser puxado pela amada.
Syaoran sentiu-se ser inundado por uma onda de felicidade. Reconheceu a aura da amada envolvendo o seu corpo e logo depois os braços dela envolvendo sua cintura. Não conseguia sentir mais o chão sob seus pés, tinha a sensação de estar flutuando. Inalou o tão conhecido perfume de flores de cerejeiras que emanava dos cabelos da namorada e sorriu. E, mesmo sem conseguir abrir os olhos por causa da forte claridade, envolveu com os braços o corpo de Sakura. Abaixou o rosto, tocando seu queixo na cabeça adorada da jovem enquanto a apertava mais forte entre seus braços, sentindo a energia dela se misturar com a dele. Sorriu mais ainda.
‘Syaoran…’ Ouviu o sussurro da jovem que tinha o rosto encostado no seu peito.
Ele abriu os olhos, a luminosidade diminuiu permitindo que ele conseguisse mantê-los abertos e enxergasse, afastou-se e abaixou o rosto conseguindo finalmente ver Sakura a sua frente. Pegou o rosto da amada entre as mãos e a viu abrir um daqueles sorrisos maravilhosos que ela lhe dava desde que era garota.
‘Sakura.’ Murmurou o nome dela antes de abaixar mais o rosto e seus lábios, finalmente, alcançarem os da amada. Tocou-os de leve, apenas para ter certeza que realmente não estava sonhando. Sentiu a textura macia e o gosto doce dos lábios da jovem feiticeira. Como ele sentira saudades dela.
A luz se apagou e ele afastou-se dela, ainda conseguindo ver o rosto amado entre suas mãos. Ela sorriu para ele.
‘Você voltou.’ Sakura falou, sem conseguir conter as lágrimas que saíam de seus olhos.
Ele piscou algumas vezes sem entender o que estava acontecendo realmente. As mandalas haviam desaparecido. Ele desviou os olhos dela e levantou o rosto, fitando a mãe que estava a poucos metros de distância do casal. Era raro vê-la sorrindo como fazia agora.
Syaoran finalmente se dava conta do que aconteceu. Ele tinha voltado. Ele conseguira voltar para o lugar ao qual pertencia com a ajuda da sua amada flor de cerejeira.
Continua.
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