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FEITICEIROS

Por Kath Klein

Colaboração: Yoruki Hiiragizawa

Revisão: Rô Marques e Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 40

O Prélio Final

Sakura olhou para a imensa construção que surgia logo após alcançarem o topo da colina. Franziu a testa observando a quantidade enorme de demônios que a rodeava. ‘Illska.’ Sussurrou sem imaginar que Syaoran a ouviria ao seu lado.

‘Então você conhece o próximo?’ Ele perguntou olhando para a multidão de demônios a frente deles.

‘Faltam apenas duas brechas agora.’ Ela comentou olhando para ele. ‘Khala’a já imaginava que a encontraríamos.’

‘Humph’ Ele murmurou. ‘E o que ela sabe deste demônio?’

Sakura ficou um tempo em silêncio, preocupando Syaoran. ‘Ela pediu para deixar as coisas com ela.’

Ele ergueu uma sobrancelha. ‘Enquanto ela estiver no corpo da minha namorada não dá para deixar as coisas com ela.’ Ele foi direto. ‘Desembucha.’

‘É uma feiticeira das trevas.’ Sakura respondeu. ‘Você, como homem, é presa fácil para ela.’

‘Agora eu sou o sexo frágil?’ Não teve como não rir da situação. ‘Aqui neste lugar não tem isso.’ Falou por fim.

‘Os demônios femininos são mais cruéis que os masculinos. Você morreria se nós não tivéssemos chegado a tempo.’ Ela respondeu e percebeu que ele não gostou nem um pouco da colocação dela.

‘Não tem como a gente atravessar por todos estes demônios. Ela possui muitos seguidores.’ Khala’a falou apontando para baixo. ‘Somos apenas cinco. No entanto, ela vai me deixar atravessar para encontrá-la e enfrentá-la sozinha.’

‘Por que acha isso?’

‘Temos algumas questões pendentes.’ Khala’a respondeu cerrando os punhos. ‘Vou pedir uma daquelas coisas para o grandão e vou sozinha.’ Falou, já se virando para falar com Arthas, quando Syaoran segurou o braço dela.

‘Eu vou com você.’ Ele falou com o rosto sério e ela, no final, concordou com um gesto.

‘Vamos, então.’ Khala’a disse caminhando até Arthas e pediu uma das esferas vermelhas. O grandão ainda ficou na dúvida, mas depois de analisar a situação entregou o que ela pediu e fez o mesmo que Midoriko e Tadmoth: sentou para esperar os dois enfrentarem Illska.

Sakura e Syaoran desceram devagar a colina. Aproximaram-se, sendo avistados por alguns demônios, que se colocaram em posição para atacá-los. Syaoran franziu a testa, materializando a espada para enfrentá-los e pensando que Khala’a havia se enganado desta vez. Mas antes que a batalha pudesse começar, Illska se manifestou a distância mandando seus subalternos pararem.

“Confesso que estava aguardando encontrá-la, minha querida Khala’a.” Ouviram a voz feminina. “Apenas me surpreende que esteja no corpo de uma humana e com um demônio macho ao seu lado. Logo você.” A voz era em tom irônico.

Khala’a não respondeu, mas Syaoran percebeu o rosto apreensivo da namorada.

“Estou aguardando você e o seu companheiro com grande ansiedade.”

‘Vamos.’ Khala’a falou, começando a caminhar.

Syaoran caminhou ao lado dela, observando os demônios se afastarem para dar passagem a eles. Todos os observavam ameaçadoramente. O rapaz ponderou que, se apenas um demônio tinha o poder sobre todos aqueles seres, realmente estariam para enfrentar um inimigo poderoso.

Na última brecha que haviam destruído, não tiveram necessidade de lutar. Khala’a convencera o demônio a permitir que eles a destruíssem sem nenhuma resistência dele. Ela realmente era muito esperta, não à toa, era a líder de um grupo grande de demônios anteriormente. Tiveram que lutar contra os guardiões das outras duas brechas que destruíram juntos, mas Syaoran não podia negar que, lutando ao lado de Sakura, fora mais fácil. Ele conseguia se controlar muito melhor ao lado dela. Olhou de esguelha para a namorada, que caminhava de forma decidida e avistou novamente a construção onde logo entrariam. Não queria que ela estivesse ali. Temia pela vida dela, mas também sabia que precisava dela.

‘Mestre…’ Ouviu Khala’a chamá-lo. ‘Luta entre demônios femininos deste nível é um pouco diferente. Mesmo que queira, não se meta.’ Pediu novamente.

‘Difícil me pedir isso.’

‘Humph’. Ela murmurou. ‘Não é só você que gosta de resolver as coisas do seu jeito.’ Falou, olhando-o de esguelha. ‘É assim que a Mestra se sente quando luta sozinho.’

Li não respondeu e continuou a caminhar ao lado dela observando os demônios pelos quais passavam. Ela tinha razão quanto à quantidade enorme de demônios. Eles não teriam como entrar enfrentando a todos.

Pararam em frente ao portão que se abriu, permitindo acesso ao imenso castelo. Entraram e, logo, o imenso portão se fechou. Syaoran olhou ao redor e viu o ambiente ricamente decorado. Franziu a testa. Não imaginou que existisse aquele tipo de coisa no mundo das trevas. Até o ar era mais agradável, sem aquele cheiro de enxofre e a temperatura era mais baixa.

“Bem vinda, querida Khala’a.” Ouviram novamente. “Estou aguardando-os.”

Khala’a respirou fundo, voltando a caminhar. Li sentia a poderosa presença do inimigo. Estava apreensivo, não só por constatar o poder do próximo oponente, mas também percebendo claramente o semblante carregado da namorada.

Chegaram a um ambiente amplo, como tudo naquele lugar, conseguia até ver requinte e bom gosto. Syaoran franziu a testa, tudo emanava magia. Muita magia.

‘Finalmente…’ Ouviram e Khala’a cerrou os punhos.

Li virou-se na direção da voz e observou a figura de uma bela mulher se aproximando. Tinha cabelos longos negros e lisos. Pele alva e olhos azuis. Nem de longe, parecia a imagem de um demônio perigosíssimo, Syaoran não pôde deixar de pensar.

Ela parou a frente dos dois, encarando Khala’a. Desviou os olhos para Li e sorriu de lado, olhando-o de cima a baixo, constrangendo e incomodando o rapaz.

Sakura parou a frente de Syaoran, encarando com ferocidade quem tinha certeza que era Illska.

‘Sabe…’ A feiticeira das trevas falou de forma manhosa. ‘Eu não sei se esta luta será muito justa, eu sou apenas uma, mas há três de vocês…’

‘Você sabe que isto é entre mim e você.’ Khala’a falou encarando-a.

Illska sorriu para ela. ‘Então você trouxe plateia para assistir a sua derrota ou será que ele será meu prêmio depois que eu mandar você e esta humana para o além?’

‘Você realmente é muito cheia de si, não é?’ Sakura falou.

‘Ora, ora! Então ela fala também!’ Illska falou rindo. ‘Que situação curiosa esta em que você se encontra, minha cara Khala’a.’

“Fica fria!” Khala’a quase gritou internamente para Sakura. ‘Vamos começar logo com isso. Não tenho como convencê-la a nos deixar destruir a brecha que você protege, não é?’ Khala’a perguntou encarando-a.

Illska sorriu. ‘Claro que não. Você sabe que nós duas nunca conseguiríamos entrar em acordos amigáveis, não é?’

Khala’a assentiu com a cabeça.

‘Sabe… Senti sua falta.’ Illska falou, caminhando pelo salão e se afastando dela. ‘Você era realmente a única páreo para mim. O mundo das trevas ficou muito chato depois que você fugiu para o outro universo com aquele seu bando.’

‘Humph’, Khala’a murmurou. ‘Vejo que continua apaixonada pela própria voz.’

Illska riu novamente. ‘Então, vamos começar. Estou curiosa para saber como você vai se sair dentro deste corpo humano tão frágil.’

Khala’a arregalou os olhos vendo a energia em torno da Illska crescer, ela estava mais poderosa do que se lembrava ou, talvez, muito tempo lacrada e sem enfrentar realmente um inimigo de verdade, fez com que esquecesse do que era verdadeiramente poder. “Nós vamos conseguir!” Sakura a assegurou, mentalmente.

‘Fogo!’ Illska gritou já atacando os dois.

‘Escudo.’ Khala’a levantou o escudo para protegê-los. ‘Fique aqui.’ Ela recomendou a Syaoran antes de sair da barreira protetora.

O rapaz tentou sair e bateu na bolha mágica. Franziu a testa, ela o tinha realmente prendido ali?

As duas se encararam novamente. Illska desviou os olhos rapidamente de Khala’a e olhou o rapaz irritado dentro do escudo. Voltou a fitar a adversária. ‘Machos sempre nos atrapalham, não é?’

Khala’a semicerrou os olhos nela. ‘Disparo!’

Os tiros de energia saíram das mãos de Khala’a, partindo em direção de Illska, que levantou um escudo em torno de si, fazendo os projéteis se chocarem na barreira mágica e faiscarem.

‘Terra’. Khala’a ordenou em sequência, fazendo o chão aos pés de Illska se levantar tentando esmagá-la contra a própria barreira.

Illska desfez o escudo no susto. ‘Salto.’ Gritou, saltando e evitando o ataque, mas sendo perseguida por Terra pelo salão. Saltou umas duas ou três vezes. ‘Bosque.’

Terra de Khala’a foi envolvida por Bosque, detendo-se.

Syaoran franziu a testa observando a luta das duas. Illska tinha os mesmos poderes das cartas? Ela havia invocado poderes semelhantes. Trincou os dentes, constatando que seria uma luta perigosa. Khala’a teria que usar as cartas certas para contra-atacar e se defender dos ataques da adversária. Esperava que ela tivesse conhecimento da limitação de cada uma e também do risco ao constatar que a adversária teria o mesmo poder de defesa e ataque.

Illska olhou com fúria para a adversária. ‘Está com pressa desta vez, Khala’a?’

‘Você continua falando demais.’ Ela respondeu esticando o braço e formando um arco. ‘Flecha.’ Tentou mais uma vez atacá-la, sem dar trégua.

‘Trovão!’ Illska invocou o poder, neutralizando o ataque das múltiplas flechas. ‘Tempestade!’ Atacou em seguida.

Khala’a arregalou os olhos sendo envolvida pelo redemoinho e lançada contra a parede. ‘Vento!’ Khala’a gritou, formando um colchão de ar e amortecendo o choque e queda do corpo de Sakura. Ela se levantou e encarou sua nêmesis. ‘Bosque!’ Solicitou e os galhos saíram do chão para envolver Illska que invocou uma espada, tentando cortar os galhos sem sucesso e acabou sendo presa. ‘Trovão!’ Khala’a atacou em seguida, atingindo-a com a potente descarga elétrica e fazendo-a gritar, caindo de joelhos no chão.

Illska levantou o rosto, trincando os dentes. ‘Você me paga. Disparo!’

‘Salto!’ Khala’a tentou desviar dos projéteis, mas acabou atingida no braço por um deles. ‘Aro!’ Solicitou, fazendo-os retornarem em direção à Illska que acabou atingida pela própria magia, sendo obrigada a levantar novamente o Escudo para se proteger.

As duas rivais se encararam com fúria. ‘Está bem esperta, Khala’a.’

‘Talvez você quem esteja menos.’ Retrucou.

‘Humph.’ Illska murmurou irritada. ‘Flecha!’

‘Espelho!’ Khala’a tinha o espelho em suas mãos que refletiu a flecha mágica, retornando o ataque e atingindo-a novamente.

‘Trovão!’ Illska novamente chamou o poder para atingir a inimiga.

‘Sombra!’ Khala’a protegeu-se, anulando a magia e irritando cada vez mais Illska o que significava que a disputa estava acirradíssima.

Se continuasse dessa maneira, não haveria vencedor, ou pior, ela poderia perder. Khala’a sempre fora a mais esperta e astuciosa. Franziu a testa, mas ela estava num corpo humano, não? Com um coração humano.

‘Sabe… esta disputa está se tornando muito chata e sem graça.’

Khala’a não respondeu, apenas concentrou sua energia para atacar novamente.

‘Vamos tornar as coisas mais interessantes. O que será que esta humana tem medo de atingir, Khala’a?’

Khala’a franziu a testa, enquanto observava a magia envolver o corpo de Illska e, assim que fora dispersa, a imagem de Syaoran com 10 anos de idade aparecer.

‘Droga.’ Ela proferiu, sentindo sua mestra refrear o próximo ataque.

‘Flecha!’ Illska lançou a magia em direção a Khala’a.

‘Névoa!’ Khala’a solicitou que a neblina destrutiva impedisse as flechas de atingi-la.

‘Fo..’ Khala’a já estava invocando a magia para contra-atacar, quando foi impedida por Sakura.

“Não!”

‘Como assim não?’ Khala’a sussurrou irritada. ‘Não está vendo que não é ele?’

“Eu não consigo!”

‘Não é o mestre!’ Khala’a gritou.

‘Areia!’ Illska invocou fazendo o jato de areia avançar de encontro a contendora.

Khala’a arregalou os olhos. ‘Salto!’ Gritou para fugir do ataque de Areia que tentava atingi-la. ‘Através!’ Usou este artifício para o ataque passar pelo corpo de Sakura sem atingi-la.

‘Fogo!’ Illska novamente tentou atacá-la, sem lhe dar chance de descanso.

‘Onda!’ Khala’a ergueu uma barreira d’água anulando o ataque que fora quase certeiro.

‘Terra!’ Illska lançou a magia enviando Sakura para cima.

‘Alada!’ As asas negras se formaram nas costas de Khala’a que plainou no ar e, depois, foi obrigada a desviar dos ataques sucessivos de Terra.

‘Bosque!’ Khala’a novamente usou o mesmo método para segurar a magia da inimiga. Pousou no chão encarando a feiticeira das trevas. ‘Não dá para só se defender!’ Khala’a gritou. ‘Nós precisamos atacar!’

“Não!”

‘Inferno!’

Syaoran franziu o cenho observando Khala’a gritar. Observou sua própria imagem infantil se aproximar de Sakura, pronto para atacá-la novamente. A namorada estava impedindo os ataques de Khala’a por causa da ilusão. Duas almas em conflito dentro de um só corpo enfraqueceria o laço que as mantinha unidas. Sakura não sobreviveria sem a essência das trevas de Khala’a em seu corpo. Tocou novamente no escudo e percebeu que não conseguia intervir na luta. Também começava a pensar que, naquele nível de magia, de nada adiantaria ele tomar o lugar das duas na luta.

Ele teve uma ideia. ‘Sakura!’ Gritou. ‘Kerberus não sabe jogar futebol!’

Khala’a olhou para seu mestre, franzindo a testa e se perguntando de que diabos ele estava falando.

“Ele está falando de Troca, mas por que ele mencionou isso agora?”

Khala’a entendeu o recado. Correu até ele, deixando Illska sem saber o que estava acontecendo. Quando estava próxima o suficiente de Syaoran, abaixou o Escudo e lançou a magia de Troca, envolvendo os dois.

Khala’a, quando abriu os olhos, estava no corpo de seu mestre e sozinha. Syaoran estava agora no corpo de Sakura e assim poderia mantê-la viva no mundo das trevas. Caminhou devagar até parar em frente a Illska que finalmente tinha percebido o que aconteceu.

‘Agora está num corpo mais apropriado, não?’ Illska comentou rindo, voltando a sua forma original.

Ela sorriu de lado. No corpo de seu mestre, não precisaria ter tanto cuidado e tinha ainda o benefício de saber que ele tinha cicatrização. Illska estava em apuros agora. ‘Fogo!’ Invocou a magia tentando atingir a adversária, que invocou Escudo para se proteger.

Assim que as chamas mágicas cessaram, Illska abaixou o escudo e olhou para os lados, procurando por Khala’a que apareceu atrás dela, pois havia usado Movimento, e golpeou-a de forma certeira usando Luta.

Illska arrastou-se por alguns metros e, mal teve tempo de se levantar antes que Khala’a avançasse contra ela empunhando Espada. Invocou também a arma mágica, fazendo as duas se chocarem com fúria.

Ambas começaram agora a medir forças de ataque a curta distância usando Luta e Força para atingir a outra.

‘Gêmeos!’ Khala’a lançou a magia, fazendo o corpo de seu mestre se duplicar e atacando sem dar chance à rival de conseguir se defender dos ataques.

Sakura olhava para a luta violenta a sua frente. Franziu a testa notando que, depois que Khala’a assumira o controle do corpo de Syaoran, parou de ficar na defensiva como estava agindo com ela.

“Ela sabe que no meu corpo não precisa ter tanto cuidado”. Ouviu a voz do namorado.

‘Isso é por demais bizarro.’ Falou e ouviu-o rir. ‘E não tem graça nenhuma.’

“Eu que estou no seu corpo e você é que está irritada?” Ele ainda comentou. “Ela precisa finalizar o quanto antes a luta. Sabe que troca não aguentará muito com a utilização de tanta magia.”

‘Acho que poderíamos ajudá-la.’ Sakura comentou.

“Não. Deixa com ela. Ela fez isso para proteger o seu corpo. Colocar-se em risco agora só a atrapalhará.”

‘Humph’. Sakura murmurou. ‘Vocês dois acham que eu sou uma donzela em perigo sempre.’

“Bem, agora então eu também sou uma donzela.” Falou brincando. “E, aproveitando que finalmente temos privacidade, por assim dizer…”

‘Isso é verdade.’ Ela concordou sorrindo. ‘Só é uma pena que a gente não esteja num lugar mais privado também.’

“Você é cruel me provocando assim.”

Sakura soltou uma risadinha e ia falar algo mais quando alguma coisa bateu no escudo que os protegia, assustando-os e fazendo com que voltassem a prestar atenção na batalha.

Khala’a e Illska voltaram a se encarar com fúria. Ambas estavam agora com ferimentos pelo corpo, devido a luta intensa. Khala’a sabia que teria que finalizar logo o combate devido à instabilidade de Troca e, por isso, havia sido um pouco descuidada em proteger o corpo de seu mestre. Sabia que ele se recuperaria rapidamente, mas os seus poderes estavam enfraquecendo e ela já estava se sentindo cansada. Se não finalizasse logo, voltaria ao corpo de Sakura a quem tinha que proteger de todas as formas possíveis. Khala’a franziu a testa pensando em como terminar o embate.

Illska vinha correndo na direção dela com a espada em punho. Também estava bastante cansada e seus ataques começavam a perder um pouco da potência e da velocidade.

‘Luz!’ Khala’a gritou e viu quando Illska fechou os olhos, tendo sua visão ofuscada por alguns instantes. ‘Salto!’ Pulou e parou às costas da oponente. Apertou a espada mágica com as duas mãos e deu, finalmente, o golpe fatal, transformando Illska numa imensa nuvem de pó negro. Caiu de joelhos no chão, exausta por usar tanta magia de uma só vez. Sentia o corpo arder devido à cicatrização e pensou em como ele aguentava aquela droga. Fechou os olhos e, quando os abriu, viu o corpo de seu mestre de joelhos a alguns metros. Ela tinha voltado ao corpo de Sakura.

Sakura caiu de joelhos no chão, sentindo-se fraca também.

“Precisamos tomar cuidado para a conexão se manter”. Ouviu Khala’a lhe falando, preocupada. “Gastei muita energia.”

Syaoran se levantou e respirou fundo. Tinha alguns ferimentos pelo corpo, mas nem se comparavam com os que já tinha sofrido antes. Caminhou em direção a namorada que ainda estava de joelhos, respirando de forma ofegante. Franziu a testa, abaixando-se ao lado dela.

‘Está tudo bem?’ Perguntou preocupado.

‘Como você está?’ Ao invés de responder, Khala’a perguntou. ‘Está muito ferido?’

‘Humph… Eu acho que sabemos de qual de nós você gosta mais.’ Soltou debochado, ajudando-a a se levantar.

‘Eu não…’

‘Estou brincando.’ Ele a cortou e olhou para a brecha que aparecia na frente deles. ‘Agora só falta mais uma.’ Falou sorrindo.

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Syaoran carregava Sakura no colo enquanto caminhavam em direção à última brecha. Olhou para baixo vendo a namorada aconchegada em seu peito. Estava preocupado. Se a conexão com Khala’a estivesse muito fraca, ela poderia não conseguir sobreviver. Tinham que chegar logo na última brecha e finalizar aquilo de uma vez.

‘Estou vendo uma tempestade de areia.’ Arthas comentou, caminhando ao lado dele. ‘Acho que vamos ter que parar até que passe.’

‘Que merda de tempestade é esta?’ Li perguntou olhando para o grandão.

‘Oras… isso aqui é um deserto. Às vezes acontece.’

‘A gente precisa chegar logo na última.’ Ele falou irritado. Apertou o corpo de Sakura em seus braços. ‘Acho que a gente consegue atravessar.’

Arthas segurou o ombro dele. ‘Não dá. Será perigoso demais para ela.’ Falou em tom preocupado. ‘Ela precisa descansar para manter a conexão. Não vai adiantar nada esse seu desespero.’

Li ainda ficou na dúvida, olhou para frente vendo a nuvem de areia se levantar do chão. Se Sakura estivesse bem, poderiam atravessar usando Escudo, mas agora seria arriscado demais ela usar qualquer magia.

‘Vamos ficar atrás daquelas rochas.’ Arthas apontou. ‘Até a tempestade passar, depois seguimos viagem. Falta pouco agora.’ Falou sorrindo.

Tadmoth se aproximou dos dois, olhou para Sakura que estava nos braços de Li e depois encarou o rapaz. ‘Eu disse que ela nos atrapalharia.’

Li estreitou os olhos nele. O cara realmente estava de sacanagem, só podia. Ou estava querendo provocá-lo?

‘Vai para o inferno, Tadmoth.’ Li falou irritado, caminhando para onde Arthas tinha apontado.

Midoriko observou Li e depois Sakura, com muita atenção. A humana estava bem fraca. Não sabia exatamente o que acontecia, pois, quando voltaram da luta contra Illska, ela já estava no colo de Li, embora não parecesse machucada. Como ela sabia que Illska era um demônio com poderes mágicos, assim como aquela humana idiota mostrava ser, deduziu que a luta resultara naquele desgaste todo.

Franziu a testa e olhou para a tempestade que se aproximava. Estavam se dirigindo para a última brecha. Depois de vencerem o guardião desta, os dois atravessariam o portal e Arthas a destruiria. O Garotão não saía de perto da humana e Sakura não baixava a guarda. Quando ele descansava, ela sempre estava alerta.

‘Venha, Midoriko.’ Tadmoth falou, parando ao lado dela. ‘Esta tempestade deve demorar. Vamos descansar.’

Ela olhou para o guerreiro com desdém. Aquele ali e nada eram a mesma coisa. Arthas também não era um aliado que valeria a pena ter. Droga! Gostaria de ter uma segunda oportunidade de entrar nos sonhos de Li. Apenas para ter certeza de que conseguira o que queria.

Caminhou ao lado de Tadmoth e se protegeu atrás das rochas assim como os outros. Observou Li sentar no chão, encostado ao rochedo e com Sakura em seu colo. Observou-o beijar a testa da jovem com carinho. Demônio “humano” idiota. Pensou irritada.

Tadmoth olhava também os dois com extrema curiosidade. As mulheres em seu universo eram mantidas sob controle, subservientes, para cumprirem adequadamente seu papel de gerar novos e poderosos guerreiros. Olhou de esguelha para Midoriko e pensou que ela era um demônio e, por isso, tinha algum valor e merecia o seu respeito. Olhou novamente para Sakura e soltou um suspiro frustrado.

Não conseguia entender a relação que aqueles dois tinham. O Garoto parecia que tinha mudado da água para o vinho desde a chegada dela. Estava até mais tolerável. Ela, com certeza, era uma feiticeira muito perigosa, ardilosa e persuasiva. Até convencera um demônio superior a desistir de uma luta como um covarde.

Arthas foi até Li e se abaixou. ‘Estou com receio da tempestade ser coisa de Pazuzu.’ Falou preocupado.

‘O que é isso?’ Li perguntou franzindo a testa.

‘É um demônio.’

‘O guardião da última brecha?’

‘Não.’ Arthas respondeu, balançando a cabeçorra. ‘A última brecha fica no Território dos Ossos. Está guardada pela Imperatriz do Mundo Esquálido.’

‘Falta muito?’

‘Não.’ Ele respondeu. ‘Mas acho que vamos ter problemas. Se for mesmo Pazuzu, esta tempestade não vai se dissipar.’

‘Droga.’ Li falou entre os dentes.

Ele respirou fundo e apertou Sakura nos braços, não queria se afastar dela agora sabendo que ainda estava fraca, mas também ponderou que, se a conexão com Khala’a realmente enfraqueceu, seria melhor chegarem antes até a última brecha e acabar logo com aquilo. Ele se virou e a colocou deitada de uma maneira que pensou ser o mais confortável possível.

‘Eu vou resolver este problema e já volto.’ Abaixou-se, sussurrando ao ouvido dela. Viu-a acenar com a cabeça e respirou fundo, levantando-se. Segurou o único braço de Arthas e o encarou de forma ameaçadora. ‘Fica de olho nela, entendeu?’ Ordenou em tom baixo, mas fazendo o grandão se tremer.

‘Não sairei do lado dela.’ Ele falou.

‘É bom mesmo.’ Retrucou e olhou para Tadmoth e Midoriko que ainda estavam sentados. ‘Vamos.’

Tadmoth ergueu uma sobrancelha. ‘Para onde?’

Li rodou os olhos impaciente. ‘Inútil.’ Resmungou.

Arthas observou Li cerrar os punhos. Para ele matar aqueles dois parecia que não faltava muito, já que o medo pelo estado de Sakura o estava deixando irritado ao extremo.

‘Esta tempestade é obra de Pazuzu, um demônio.’ O Grandão esclareceu para Tadmoth que se levantou e encarou Li.

‘Você voltou a ficar intragável.’

Li semicerrou os olhos nele e deu um passo à frente, Arthas segurou-o pelo ombro. ‘Ou você fica frio ou não vai conseguir ajudá-la. Esta sua raiva não vai adiantar nada.’

Syaoran pensou que ele tinha razão, tinha que se controlar ou não conseguiria tirar Sakura daquele inferno.

‘Vamos.’ Ordenou novamente já caminhando em direção à tempestade. Deu uma última olhada na namorada antes de, junto com Tadmoth e Midoriko, seguir em direção ao adversário inoportuno.

Colocou o braço a frente do rosto para proteger os olhos da areia. Arthas tinha razão: aquele vendaval era realmente obra de um demônio. Agora que havia se aproximado, podia sentir uma forte presença no centro daquela nuvem de areia. Materializou a espada na mão direita e resolveu fechar os olhos. O jeito mesmo seria combatê-lo sem fazer uso da visão ou não teria chances.

Percebeu a aproximação de Pazuzu e arrastou a perna esquerda para trás, ficando em posição de ataque ao mesmo tempo em que segurava a espada com ambas as mãos. Tentava manter a respiração calma para que conseguisse lutar de forma eficaz sem enxergar. Desviou do inimigo, quando ele tentou golpeá-lo pela direita, e contra-atacou atingindo-o. Ouviu o urro de dor do demônio, confirmando que tinha acertado-o, mas não de forma letal ainda, sabia disto.

Pazuzu tentou atacá-lo novamente e o rapaz fez um rolamento, desviando do ataque. Ao levantar-se, sentiu ser atingido no ombro e braço direito de raspão. Tinha que ficar mais atento. Voltou a atacar, mas sentia-se tremendamente irritado. Estava com pressa de terminar toda aquela merda no mundo das trevas. Não tinha tempo a perder com aquilo. Foi atingido novamente e trincou os dentes.

‘Chega!’ Falou, pegando um dos talismãs. ‘Flores do vento, venham!’

A magia explodiu, dissipando a nuvem de pó ao seu redor e finalizando com a tempestade. Li abriu os olhos e encarou Pazuzu que se mostrava irritado por ter seu tufão de areia desfeito.

Li franziu a testa, olhando o demônio de quatro asas, com patas de um felino e corpo de homem a sua frente.

Pazuzu avançou sobre ele, liberando de sua boca uma fumaça esverdeada com aparência tóxica.

Li flexionou os joelhos, pulando sobre o adversário e escapando do que poderia ser letal. Rodou o corpo por cima dele e, antes mesmo de tocar o chão, cravou a espada nas costas do monstro transformando-o em pó.

Olhou em volta e estranhou apenas encontrar Tadmoth que, para variar, não tinha feito muito durante a viagem além de encher o saco dele. Midoriko não podia ser encontrada em lugar algum e sua presença não esteve por perto durante a batalha.

Sentiu um aperto no peito, sem saber o que era direito. Arregalou os olhos de leve e saiu correndo em direção aonde tinha deixado Sakura. Enquanto se aproximava dos rochedos, sentiu o sangue gelar ao ouvir a namorada gritar como se estivesse sendo torturada. Contornou a rocha e encontrou Arthas inconsciente no chão.

Abaixou-se, pegando Sakura, que se encolhia ainda gemendo de dor, entre seus braços. A conexão com Khala’a devia estar muito fraca e, provavelmente, o corpo humano dela não estava aguentando a atmosfera do mundo das trevas.

‘Khala’a.’ Ele a chamou. ‘O que está acontecendo?’

‘Eu sinto muito…’ Khala’a respondeu, fazendo-o desesperar-se mais ainda.

Ele pegou o rosto de Sakura e pediu que ela ficasse calma, pois logo estariam saindo daquele inferno.

Sakura estava com os olhos fechados e mordia o lábio inferior para não gritar novamente enquanto se abraçava demonstrando claramente que estava em dor. Quando Syaoran se ergueu com ela nos braços, Sakura se agarrou a ele com o corpo trêmulo.

Tadmoth se aproximou não entendendo o que estava acontecendo. ‘O que aconteceu aqui?’ O guerreiro perguntou.

‘Acorde Arthas. Precisamos ir agora até a próxima brecha.’ Li ordenou e foi prontamente obedecido.

O grandalhão acordou e balançou a cabeça, confuso. Tinha sido golpeado por alguma coisa e perdeu os sentidos.

‘Onde está Midoriko?’ Tadmoth perguntou procurando-a. ‘O demônio a matou?’

Li realmente não sabia onde estava o demônio feminino e, francamente, não se importava. Não tinha tempo agora para procurá-la ou tentar entender o que aconteceu com ela.

‘Vamos de uma vez até o Território dos Ossos.’ Comandou, já caminhando com Sakura nos braços.

‘Mas… e Midoriko?’ O guerreiro ainda tentou argumentar.

‘Procure-a você.’ Li respondeu, continuando a caminhar.

Arthas balançou a cabeça ainda dolorida, tentando entender o que estava acontecendo. Olhou para Tadmoth e depois para Li que já se afastava com a feiticeira. Os dois foram atrás do rapaz.

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“Não estavam de brincadeira quando chamaram aquele lugar de Território dos Ossos,” Syaoran não conseguiu evitar o pensamento, sentindo um arrepio percorrer-lhe a espinha ao sentir as ossadas estalarem sob seus pés enquanto caminhava.

Arthas seguia logo atrás de Li, olhando para os lados. Nunca tinha estado ali antes e, verdade seja dita, aquele lugar era evitado pela maioria dos demônios, exceto os mais estúpidos ou desesperados.

Syaoran apertou Sakura nos braços. A feiticeira ainda tinha o corpo trêmulo. Tinham que terminar logo com aquilo e voltar para o universo a que pertenciam.

‘O que sabe do guardião da próxima brecha, Tadmoth?’ Li perguntou sem diminuir o passo.

‘Nada.’ Foi a resposta que recebeu.

‘Como assim nada?’ Questionou. O cara era realmente um inútil.

‘Ninguém nunca voltou daqui, cara.’ Tadmoth falou com a voz falhada. Estava na cara que estava se borrando de medo, não conseguia nem disfarçar. ‘Midoriko foi é muito esperta em se mandar.’ Ele concluiu o porquê do demônio feminino ter desaparecido.

‘Arthas, o que sabe?’ Li tentou com o outro companheiro de viagem.

‘Este lugar me dá calafrios.’ Foi a resposta que recebeu e Li teve a certeza que o grandão também não tinha a menor ideia de como era a tal Imperatriz.

‘A Imperatriz…’ Li ouviu Khala’a sussurrar, ouviu a respiração pesada de Sakura e percebeu que ela estava se esforçando. ‘A Imperatriz é um demônio grande... Alta…’ Ela tentava passar as informações que sabia. ‘Tem um machado como arma… mas… precisa ficar atento com os feitiços.’

Li gostaria de pedir para ela se poupar e não falar, mas precisava de informações e, por incrível que pareça, ainda que fraca desta maneira ela era sua melhor aliada.

‘Mesmo para um demônio… ela é aterrorizante.’ Khala’a continuava. ‘Ela não nasceu... no mundo das trevas e muitas histórias são contadas a res-respeito do que deve ter feito em vida para acabar aqui.’

‘Aterrorizante?’ Li perguntou.

‘Sim.’ Khala’a respondeu e se encolheu mais ao peito dele, estava tentando manter a conexão com Sakura, mas o corpo da Feiticeira também estava fraco. ‘Cuidado com os esqueletos…’ Ela falou. ‘Acredita-se que podem envenenar através das feridas que provocam.’

‘Esqueletos? Mas é um demônio ou são mais?’ Li perguntou.

‘Ela os comanda.’ Khala’a falou com um fio de voz. ‘Ela foi uma xamã quando viva.’

Li franziu a testa. Não era à toa que não gostava deste tipo de magia. Isso sempre lhe causou arrepios. Tinha uma rixa com os Tao, era verdade, mas era mais que isso. Sua magia vinha de elementos da natureza e não da morte, não gostava de usar energia vinda da morte como o clã rival era especialista.

‘Certo… uma xamã.’ Li repetiu.

‘Sim… ela absorve a alma dos adversários e os incorpora aos esqueletos…’

‘Como kyonshis?’

‘O mesmo princípio…’ Khala’a respondeu. ‘O que a torna bem mais perigosa. Precisa ter cuidado, por favor.’

Li sentiu o corpo de Sakura tremendo. Ela estava se esforçando demais. ‘Eu terei.’

Estava preocupado. Tinha lutado pouco contra xamãs antes. Realmente, cuidado era algo que ele precisaria ter. Respirou fundo, olhando para aquele mar de ossos a frente.

‘Khala’a…’ Ele a chamou. ‘Entre preservar Sakura e tentar me ajudar, eu não preciso nem lhe falar o que tem que fazer.’

‘Para de tentar resolver tudo sozinho, Syaoran.’ Sakura falou, abrindo os olhos e levantando o rosto.

Ele abaixou o rosto a fitando, sentiu-se mal ao ver os olhos glaucos com lágrimas de dor. ‘Poupe-se.’ Falou apertando-a nos braços. ‘Sair daqui sem você não é uma opção, entendeu?’

‘Para mim, também não é uma opção sair daqui sem você.’ Ela respondeu afundando o rosto no peito dele.

Voltaram a caminhar em silêncio. Arthas e Tadmoth caminhavam atrás de Li que tinha o passo firme. Ouvia-se apenas o estalido dos ossos que se quebravam pelas pisadas do grupo.

Logo a frente, uma grande área limpa se abriu, onde não se encontrava qualquer esqueleto no chão. No centro dela, estava a brecha multicolorida. Eles pararam de caminhar, observando o lugar. A energia era pesada. Carregada demais até para um lugar como o mundo das trevas.

Li olhou em volta, não encontrando nem sinal da Imperatriz. Olhou para baixo e sabia que seria apenas dar um passo na área limpa que ela apareceria. Ela estava esperando justamente isso. Ele abaixou o rosto beijando a cabeça da namorada. Voltou-se para trás e chamou Arthas.

‘Cuide dela.’ Ele pediu, depositando-a no único braço do grandão.

Sakura segurou-se em Li. ‘Eu vou com você.’

‘Você está fraca. Não seja teimosa.’ Falou afastando as mãos dela que tentavam ainda segurá-lo.

Li virou-se para a clareira rodeada pelos ossos e engoliu em seco. Respirou fundo, entrando finalmente no que sabia que seria a arena da sua última luta naquele lugar.

Materializou a espada e caminhou devagar. Arthas e Tadmoth ficaram onde estavam, deixando-o entrar na clareira sozinho.

De trás da brecha, surgiu, caminhando devagar, uma figura indistinta de quase 4 metros de altura com um corpo feito de ossos e carne, como uma grande ferida aberta. Carregava, em uma só mão, um machado tão grande quando ela própria. A arma parecia ser feita de ossos ensanguentados.

Li estacou. Khala’a tinha razão, era aterrorizante até mesmo para um demônio.

A Imperatriz abaixou o rosto e cravou seus olhos em Li, levantando o machado de guerra em direção ao seu desafiante.

Li arrastou a perna esquerda para trás e flexionou de leve os joelhos, segurando a espada com as duas mãos e mantendo os olhos cravados nela. O ataque veio em seguida.

Apesar do machado ser grande e parecer pesado, ela o manipulava com extrema agilidade. Ele desviou dos ataques, evitando ser atingido, mas também não conseguindo se aproximar o suficiente para acertá-la. Saltou para trás, afastando-se dela e tentando achar alguma estratégia para nocauteá-la. Com aquela arma nas mãos ficava difícil aproximar-se o suficiente para desferir qualquer golpe. Teria que ser magia.

Novamente, a Imperatriz avançou na direção dele, tentando golpeá-lo com a imensa arma e, obrigando-o a desviar com agilidade para não ser atingido. Sabia que, ao menor descuido, aquela arma lhe causaria danos terríveis que demorariam para cicatrizar com o poder de Luthor. Precisava desarmá-la.

Ele se afastou dela novamente e pegou um dos talismãs. ‘Metal, Madeira, Água, Fogo, Terra... Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas... Eu vos invoco para meu auxílio. Agora!’

A descarga elétrica atingiu a Imperatriz que deu alguns passos para trás, mas não soltou a arma. Li trincos os dentes, não dava para ficar na defensiva o tempo todo. Teria que tentar atacá-la com golpes sequenciais. Correu em direção a ela e viu o grande machado vindo em sua direção. Pulou, desviando da arma e pisando no grande braço da rival para tomar impulso e passar por cima dela, pousou por trás e atingiu-a nas costas.

A arma atravessou a carne exposta e ele a sentiu bater em algum osso que lhe obstruiu o trajeto. Era como se os ossos expostos no corpo dela agissem como uma espécie de armadura. Apoiou o pé nas costas dela, puxando a espada com força e, empurrou-a para frente, fazendo-a cambalear. Com uma cambalhota, pousou no chão olhando para a Imperatriz que se virou para ele com o olhar mais mortal ainda.

Ela levantou o machado, segurando-o com ambas as mãos agora e, em vez de se aproximar para atingi-lo, bateu com força no chão. A terra sob os pés de Li tremeu violentamente, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão. Em seguida, ele a viu pular na sua direção para golpeá-lo com fúria.

Arregalou os olhos, colocando a espada a sua frente e fazendo as duas lâminas se chocarem. Ele precisou usar as duas mãos para segurar sua espada e evitar de ser atingido.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Sakura abriu os olhos e se afastou de Arthas, mandando que ele a deixasse descer.

‘O garoto mandou eu cuidar de você.’ O grandão falou.

‘Coloque-me no chão agora.’ Ela ordenou séria, franzindo a testa. ‘Antes que eu use magia em você.’ Ameaçou e foi prontamente atendida por Arthas.

A feiticeira levou a mão ao abdome que ainda doía e trincou os dentes. Tentou firmar as pernas, mas sentia-as trêmulas e fracas. Droga! O que estava acontecendo?

“Eu sinto muito.” Ouviu Khala’a.

‘Não sinta. Você está fazendo o seu melhor.’ Sakura falou para ela.

Levantou os olhos para ver a luta e arregalou os olhos, deparando-se com a imagem da tal Imperatriz. Teve que se controlar para não gritar de pânico ao ver a figura macabra.

“Eu avisei que ela era aterrorizante”.

‘Você não exagerou.’ Sakura falou dando um passo à frente.

“O que pensa que está fazendo? Uma vez que entrar na arena ela a considerará uma desafiante também.”

‘Precisamos ajudá-lo.’

“Não! Ele pediu para deixar com ele.”

‘Não tem como deixar com ele apenas. A presença dela é muito forte. Ele precisa de ajuda.’

“Não!” Khala’a voltou a ser assertiva com ela. “Se usarmos magia eu não sei se conseguirei manter a conexão.”

‘Então…’ Sakura suspirou. ‘Vamos ter que arriscar.’

“Tanto eu quanto você estamos fracas. É arriscado demais.”

‘É arriscado demais perdê-lo também.’ Ela falou e não ouviu resposta de Khala’a.

Sakura deu mais um passo à frente.

‘Você é maluca, garota!’ Tadmoth falou horrorizado. ‘Se entrar aí, você morre!’

Sakura virou-se para trás, observando o ex-guardião pelo ombro direito. ‘Você… Você é um covarde.’ Falou, vendo-o trincar os dentes e cerrar os punhos, mas sem oferecer qualquer outra resposta.

Voltou-se para a luta de Li e arregalou os olhos, sentindo a terra tremer sob os seus pés, fazendo-a cair de joelhos no chão por cima de alguma ossada. Levantou o rosto, vendo a Imperatriz por cima de Syaoran tentando acertá-lo com o machado e a dificuldade dele de contra-atacá-la ou sair daquela situação. Ergueu o corpo e caminhou, entrando finalmente na clareira.

“Vamos, então.” Ouviu finalmente a resposta de Khala’a.

Sakura levantou o braço afastando-o do corpo ainda dolorido e formou o arco, puxando a flecha mágica e a mirando na figura horrenda que estava sobre o namorado. Soltou, acertando a Imperatriz. Tentou puxar uma segunda flecha, mas caiu de joelhos no chão.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Li segurava com força a espada a sua frente. A Imperatriz era alta e ele não conseguia alcançá-la para dar um golpe e sair daquela situação. Sentiu-a colocar mais força contra ele e o machado se aproximar do seu rosto.

De repente, ela foi atingida por uma flecha de energia que a obrigou a se afastar de Li e deu ao rapaz a chance de se levantar. Syaoran olhou assustado para Sakura que tinha entrado na clareira e usado o poder de Flecha para atingir a Imperatriz.

A Feiticeira caiu de joelhos no chão e levantou o rosto. Li trincou os dentes, Sakura ou Khala’a, ou as duas eram teimosas demais.

Syaoran arregalou os olhos, vendo a inimiga caminhar em direção à Feiticeira e correu na direção dela, golpeando-a e conseguindo, novamente, chamar a atenção dela para si.

Acabou sendo atingido no braço pelo machado e deu alguns passos para trás. Pensou por um momento que o braço havia sido decepado, mas não havia sinal de lesão. Entendeu que Sakura havia usado magia para que o machado o atravessasse sem que fosse ferido.

A Imperatriz voltou a tentar golpeá-lo com fúria e Li tentou se esquivar e bloquear os ataques com a espada. Ela se afastou dele, mostrando-se mais irritada. Bateu com o cabo do machado no chão e desta vez, em vez de a terra tremer, alguns esqueletos, que estavam nas imediações da clareira, começaram a se levantar com armas nas mãos, avançando em direção a eles.

Khala’a levantou o escudo em torno de Sakura enquanto Li golpeava com fúria os que se aproximavam dele. Eram muitos, sendo impossível conseguir se esquivar de todos os golpes.

Flexionou os joelhos e tomou impulso para pular, afastando-se daquele mar de inimigos e invocando sua magia. ‘Deus do trovão, vinde a mim!’

A magia atingiu parte dos esqueletos, fazendo-os se desmontarem. Pousou no chão ao lado de vários ossos e levantou o rosto, percebendo o escudo em volta de Sakura enfraquecendo enquanto alguns golpeavam-no.

Correu na direção dela e pegou outro talismã, pulando. ‘Eu invoco o Deus Trovão, com a máxima urgência, de acordo com o pacto estabelecido. Ataque relâmpago!’

O golpe atingiu os esqueletos em torno do escudo, transformando-os em pilhas de ossos. Assim que o rapaz pousou no chão, foi atingido pelas costas com fúria, sendo arremessado longe. Cravou a espada no chão para parar e, levantou o rosto, vendo a Imperatriz encará-lo com o machado agora sujo do seu sangue.

Arregalou os olhos, vendo-a desaparecer da sua frente em uma nuvem negra e percebeu que ela ressurgira às suas costas, tentando golpeá-lo outra vez, mas sendo impedida por projéteis de luz que a obrigaram a dar alguns passos para trás. Li aproveitou a oportunidade e correu na direção dela, golpeando-a enquanto os feixes de Disparo a atingia e também a distraía.

A estratégia teria que ser esta: golpeá-la quando encontrasse uma brecha e tentar se manter afastado dos golpes dela.

Novamente, a Imperatriz desapareceu na sua nuvem negra e Syaoran ficou alerta, imaginando que ela voltaria a atacá-lo pelas costas. Ele sentiu o sangue gelar ao vê-la surgir perto do Escudo de Sakura, golpeando-o com fúria. Desta vez a barreira mágica não resistiu. O rapaz entrou em pânico ao ver a mortal arma indo de encontro ao corpo frágil da Feiticeira.

Gritou em desespero tentando correr em direção a ela, porém inúmeros esqueletos voltaram a atacá-lo. Respirou mais aliviado quando Sakura invocou Movimento no último instante, conseguindo se esquivar do golpe mortal e aparecer afastada da inimiga, caindo no chão novamente, sentindo as pernas fracas.

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Sakura sentiu o corpo todo dolorido, levantou-se do chão e sentiu a aproximação rápida da inimiga. Fechou os olhos, já imaginando que seria acertada de forma mortal quando percebeu que alguém parou a sua frente.

Levantou o rosto e franziu a testa, reconhecendo Tadmoth que acabou bloqueando o golpe da arma da Imperatriz com a sua espada. O guerreiro não aguentou o impacto e caiu por cima de Sakura com uma enorme ferida no peito.

‘Ela é muito forte!’ A feiticeira o ouviu gemer. Não soube se ficou mais assustada com o ataque da Imperatriz ou com a atitude de Tadmoth em colocar-se a sua frente para protegê-la.

Desviou os olhos dele e viu a adversária continuar aproximando-se por sobre o ombro do Tadmoth, com a arma levantada para acertá-los. A Imperatriz abaixou o machado com fúria em direção dos dois, mas bateu na espada de Syaoran que se colocou na frente deles.

Arthas se aproximou dos dois, pegando Sakura com seu único braço e a afastando de Li. ‘Anda, Tadmoth! Levanta!’ O grandão gritou para o guerreiro que, com a mão no ferimento, conseguiu se levantar para se afastar deles.

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Li e a Imperatriz estavam mais uma vez medindo forças com as duas armas em contato. Syaoran sabia que, se continuassem naquela situação, as chances de vencerem seriam pequenas. Teria que expandir seu poder, precisava conseguir se controlar. Detestava a ideia de se transformar novamente e, principalmente, na frente de Sakura, mas não tinha outro jeito.

Fechou os olhos por alguns segundos, concentrando a energia no corpo e aumentando-a. Sentiu quando as asas surgiram em suas costas e seu corpo tornou-se exponencialmente mais forte. Tirou uma das mãos da espada que segurava e acumulou a energia nela, desferindo-a contra a Imperatriz que, atingida em cheio, cambaleou para trás.

Syaoran ergueu o corpo e a encarou.

Longe de parecer preocupada, a inimiga pareceu gostar de ver que ele havia se transformado. Ela levantou uma das mãos, também acumulando energia nela, e soltou em cima de Li que usou as próprias asas para bloquear o ataque, protegendo-se.

Ele franziu a testa e atacou. Com as asas, tornava-se mais rápido e sabia que seu corpo estava maior e mais forte. Li tentou golpeá-la, mas o machado dela bloqueou o ataque, fazendo as armas novamente se chocarem. Desta vez, porém, os dois se afastaram, voltando a trocar golpes, tornando a luta mais rápida e violenta devido à força que os dois desferiam um contra o outro.

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Sakura olhou para Li transformado e engoliu em seco. Ele lutava contra a oponente enquanto a aura dele tornava-se mais ampla e mortal.

“Ele conseguiu expandir o poder dele de forma controlada.” Ouviu Khala’a. “Eu sabia que o mestre conseguiria.”

Sakura não falou nada, apesar de ter percebido o tom de orgulho de Khala’a.

“É claro que estou orgulhosa dele.”

Sakura não pôde negar que tinha medo dele não conseguir voltar a ser o que era antes, principalmente se algo acontecesse a ela.

“Ele não pode negar o que é, mas o Mestre ainda é o Mestre. Não deveria se sentir apreensiva.” Khala’a declarou confiante.

A feiticeira balançou a cabeça com energia, sentindo Arthas segurá-la com força pelo braço, mantendo-a em pé.

‘Você está bem, garota?’

‘Estou.’ Ela respondeu e empurrou o grandão para que a soltasse. Olhou para Tadmoth, que estava ao seu lado, olhando apreensivo para a luta de Li e da Imperatriz.

Sakura deu um passo à frente, de forma decidida. ‘Tem razão! E mesmo que ele fique assim para sempre, eu vou estar ao lado dele.’ Ela respondeu para Khala’a.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

A Imperatriz se afastou novamente, tornando-se uma nuvem negra e aparecendo, em seguida, atrás de Li. Atingiu-o com fúria, sem dar chance a ele de se proteger com sua espada.

Syaoran deu alguns passos para trás com a mão no ferimento do lado direito. Arregalou os olhos diante da arma que vinha, novamente, em sua direção e deu um salto para trás, esquivando-se. Fitou a oponente que acumulou energia nas mãos lançando-a em sua direção. Fez o mesmo, concentrando energia e jogando contra a dela, evitando ser atingido pela frente. Não contava com um segundo ataque que acabou atingindo-o por trás.

Caiu de joelhos no chão, sentindo o corpo ferido. Respirou fundo e levantou-se, posicionando-se novamente para o embate, porém não podia negar que realmente temia não sair vivo daquela arena.

A adversária avançou na direção dele, tentando golpeá-lo freneticamente com seu machado enquanto Li bloqueava os golpes com a espada ou desviava deles. Voltou a atacá-la, pois sabia que não poderia ficar na defensiva para decidir aquela luta.

Ela se afastou dele e bateu o machado no chão novamente, fazendo novamente seu exército de esqueletos levantar-se e avançar sobre seus oponentes.

Li olhou para trás, observando Sakura no meio de Arthas e Tadmoth que golpeavam os esqueletos que se aproximavam deles. Não pôde deixar de sorrir de lado, percebendo como, no final, a feiticeira conseguira fazer os dois saírem aquela inércia de medo e covardia.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

‘Trovão!’ Sakura invocou sua magia, atingindo alguns que formaram novos montes de ossos em volta deles. Ela arregalou os olhos, vendo a Imperatriz aproximar-se rapidamente de Syaoran e, com seu machado, tentar atingi-lo novamente. ‘Através.’ usou novamente aquele artifício, fazendo a letal arma atravessar o corpo dele sem feri-lo.

Sakura não aguentou. Caiu de joelhos, não conseguindo controlar aquela maldita dor. Mordeu o lábio para evitar que voltasse a gritar novamente.

“Se continuar assim a conexão vai se romper, mestra.” Khala’a avisou-a em tom de urgência.

‘Inferno!’ Ela sussurrou. Levantou o rosto e viu Syaoran voltar a duelar contra a Imperatriz.

O rapaz tentava golpeá-la e se afastar para evitar ser atingido, mas já apresentava vários ferimentos pelo corpo, alguns pareciam bem profundos. Sakura forçou-se a levantar, mas caiu novamente de joelhos no chão. Percebeu quando duas esferas de energia das trevas vieram em sua direção e fechou os olhos. Sabia que não conseguiria levantar o escudo.

Arthas e Tadmoth tentaram bloquear os ataques mágicos, mas foram atingidos, caindo no chão ao lado da feiticeira. Outros dois ataques se seguiram visando os três, mas Syaoran atirou dois de seus próprios orbes de energia para neutralizá-los. Com atenção voltada para protegê-los, acabou sendo atingido novamente pelo machado mortal da Imperatriz e, tendo levantado a própria espada por puro reflexo para interceptar a lâmina inimiga, foi arremessado a alguns metros de distância.

Ele se levantou, sentindo que os ferimentos não estavam cicatrizando. Khala’a tinha alertado que os esqueletos eram venenosos. Isso, provavelmente, estava anulando o poder de cicatrização que recebera de Luthor. Estava com vários ferimentos profundos que continuavam sangrando, se não terminasse aquela luta logo todos estariam mortos.

Mas como chegar à Imperatriz para lhe dar um golpe certeiro? E onde seria o seu ponto fraco? Ela parecia uma fortaleza. Não teve mais tempo para analisá-la, sendo forçado, novamente, a se proteger dos ataques sequenciais dela contra ele.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Sakura abriu os olhos e viu Tadmoth e Arthas caídos perto de si. Esticou os braços afastando o rosto do chão e ficando de joelhos. Sua respiração era entrecortada e o corpo estava fraco; mas, principalmente, sua conexão com Khala’a mantinha-se instável, o que fazia com que sentisse o peso da atmosfera do Mundo das Trevas.

Levantou o rosto e tentou erguer o corpo quando sentiu segurarem seu punho. Virou o rosto e viu Tadmoth a segurando.

‘Não tem como ajudá-lo. Fuja daqui. Atravesse a brecha enquanto ela está distraída.’ Ele falou com a voz firme.

‘Você falando em fugir?’ Ela retrucou franzindo a testa.

‘Pelo menos um de nós tem que sair vivo daqui.’ Ele falou, voltando a se levantar com dificuldade. ‘Garota, volte para o seu universo.’

‘Não sem ele.’ Sakura foi firme.

‘Eu não entendo!’ Tadmoth falou irritado. ‘Vocês dois vão morrer!’

‘Nós todos vamos morrer se continuar assim.’ Sakura respondeu trincando os dentes e observando a luta entre Syaoran e a Imperatriz. Ela franziu o cenho, reparando que os ferimentos dele não estavam cicatrizando.

“Também reparei nisto.” Ouviu Khala’a.

‘Ela foca a luta em apenas um ataque de cada vez.’ Tadmoth falou.

‘Verdade’. Arthas concordou, levantando-se. ‘Mas talvez porque não nos veja como ameaça agora, apenas ele.’

“Eles têm razão. Ela é limitada em ataque.” Khala’a falou. “E também fica momentaneamente paralisada quando atingida por magia, mas é muito breve.”

‘Ela se concentra em um inimigo por vez.’ Tadmoth retrucou.

O guerreiro ergueu o corpo e deu um passo à frente. ‘Se ela receber um golpe pelas costas agora, não vai nem perceber de onde veio. Ela é poderosa, mas limitada contra ataques múltiplos.’

“Ele não é tão burro quanto eu imaginava!” Khala’a falou. “A única chance que temos de finalizar esta luta é através de ataques sucessivos.”

‘Vamos lá, Tadmoth.’ Sakura falou, caminhando em direção aos dois. ‘Vocês ataquem por aqui assim que Syaoran der uma brecha. Eu vou pelo outro lado.’

‘Como assim?’ Arthas perguntou.

‘Movimento.’ Sakura sussurrou e desapareceu da frente dos dois que arregalaram os olhos, vendo a garota que consideravam maluca do outro lado da clareira.

‘Como ela consegue fazer isso?’ Arthas perguntou, balançando a cabeça de leve.

‘Vamos terminar logo com isso.’ Tadmoth falou, apertando o punho da espada com força e semicerrando os olhos na Imperatriz. Assim que Li desse uma brecha eles atacariam.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Li golpeou com raiva aquela maldita pilha de carne e osso. Estava começando a se sentir irritado com aquele embate sem fim. Era verdade que agora conseguia atacá-la e atingi-la de forma mais certeira, mas não tinha ainda conseguido atingir nenhum ponto que poderia finalmente acabar com aquela luta. Já a tinha acertado de forma profunda várias vezes, mas ela parecia imortal, não importando a quantidade de sangue que escorria pelo corpo dela.

‘Inferno.’ Trincou os dentes.

Defendeu-se de mais alguns ataques do machado que o obrigaram a se afastar alguns passos para se proteger com a espada.

‘Fogo!’ Ouviu Sakura gritar e as labaredas de fogo envolverem a Imperatriz que se debateu, assim que elas cessaram ele viu Arthas e Tadmoth golpearem-na, fazendo-a cambalear antes de se afastarem.

A Imperatriz girou o machado, brandindo-o na direção dos dois que já estavam fora do alcance da grotesca arma.

‘Ataque multilateral.’ Ele sussurrou, entendendo o que estavam fazendo. Aproveitou-se da abertura e, finalmente, conseguiu atingi-la no braço de forma certeira, fazendo com que o membro fosse ao chão ainda segurando o machado.

Ela interrompeu a investida que fazia contra Arthas e Tadmoth, voltando-se novamente para Li que chutava braço e arma para fora do alcance dela. Assim que viu tanto Arthas quanto Tadmoth voltarem a se posicionar, acumulou energia na mão esquerda, soltando em cima da adversária que ficou por breves segundos sem ação e com a guarda aberta para receber o ataque dos dois.

Ela caiu de joelhos e gritou em um rompante de fúria, fazendo uma onda de choque jogar todos para longe de forma violenta.

Syaoran cravou a espada do chão, evitando afastar-se demais de sua inimiga. Olhou e viu o corpo de Sakura ser arremessado contra uma ossada e franziu a testa. Ela estava fraca demais. Os outros dois também foram arremessados longe. Inferno, tinha que terminar com aquilo ou todos acabariam mortos. Todos estavam muito feridos.

Death surrounds

(A morte rodeia)

My heartbeat's slowing down

(Meu coração está batendo devagar)

I won't take this world's abuse

(Eu não vou aceitar os abusos desse mundo)

I won't give up, I refuse!

(Eu não vou desistir, eu me recuso)

‘Mestre.’ Ele ouviu a voz de Khala’a. Provavelmente estava usando Voz para se comunicar àquela distância. ‘Vou usar magia. Ataque-a em seguida. Não vamos aguentar por muito tempo, precisamos dar o golpe final nela de uma vez.’

‘A conexão com Sakura está fraca?’

‘Sim.’ Não mentiu, fazendo-o trincar os dentes.

‘Vamos tentar… Um golpe só.’ Ele murmurou, semicerrando os olhos na Imperatriz que estava pronta para voltar a atacá-los. ‘Com tudo.’

‘Certo.’ Khala’a respondeu.

Syaoran olhou para onde Sakura havia caído e viu a namorada em pé. Arregalou os olhos vendo a mandala mágica se formar aos pés dela. Sakura e Khala’a estavam ficando loucas em elevar o nível de magia daquela maneira naquele estado.


This is how it feels when you're bent and broken

(É isso o que se sente quando você está dobrado e quebrado)

This is how it feels when your dignity's stolen

(É isso o que se sente quando sua dignidade é roubada)

When everything you love is leaving

(Quando tudo que você ama está indo embora)

You hold on to what you believe in

(Você se apoia no que você acredita)

Os dois se fitaram rapidamente antes de Sakura desviar os olhos para a Imperatriz.

‘Sombra!’ Ela convocou o poder e o espectro negro avançou sobre a Imperatriz, envolvendo-a em escuridão.

A Imperatriz deteve-se por um instante, parecendo desorientar-se com a súbita obscuridade em que se encontrava.

Syaoran flexionou os joelhos e elevou seu nível de magia, percebendo que sua espada vibrava, tornando-se mais mortal. Seria o golpe final, onde colocaria toda a sua força. Tomou impulso e, voando em direção à inimiga a toda velocidade, girou o corpo para aumentar o momento e a força do golpe. Ele passou sua espada na altura dos ombros dela.

A Imperatriz ainda tentou se defender, como sempre, mas com apenas um braço foi inútil, e ela, finalmente, foi decapitada. A cabeça rolou, afastando-se do corpo e, um instante depois, uma nuvem imensa de pó se formou no meio da clareira.

[The last thing I heard was you whispering goodbye]

[A última coisa que ouvi foi que você sussurrando adeus]

[And then I heard you flatline]

[E então eu ouvi seu coração parar]

No, not gonna die tonight

(Não, não morreremos hoje à noite)

We're gonna stand and fight forever

(Temos que ficar e lutar para sempre)

Syaoran caiu de joelhos, exausto. Levantou o rosto e sentiu o peito fisgar ao ver Sakura caída no chão. Tentou se levantar para se aproximar dela, mas sentiu-se fraco. Percebeu que seu corpo voltou a se tornar humano e que não sentia as feridas arderem como sempre acontecia para indicar que estavam cicatrizando. Levou uma mão ao grande ferimento que tinha no lado esquerdo do corpo, onde o machado da Imperatriz quase o cortou ao meio.

Respirou fundo, buscando forças para se levantar e caminhou cambaleando até Sakura.

[Don't close your eyes]

[Não feche seus olhos]

No, not gonna die tonight

(Não, não morreremos hoje à noite)

We've gonna fight for us together

(Temos que lutar por nós juntos)

No, we're not gonna die tonight

(Não, nós não morreremos hoje à noite)

Ajoelhou-se ao lado dela e pegou a feiticeira. ‘Sakura.’ Ele a chamou e a viu abrir os olhos devagar. Sorriu de leve. ‘Conseguimos.’

Ela acenou com a cabeça, levantou o braço e passou a mão pelo rosto dele sujo de sangue e sorriu.

‘Vamos para casa.’ Ele falou tentando se levantar com ela nos braços, mas caiu de joelhos, trincando os dentes e sentindo o corpo fraco novamente. Sabia bem qual era aquela sensação. Ainda se lembrava de como se sentiu após a luta contra Shyrai. ‘Escute, Sakura. Você precisa atravessar a brecha antes do Arthas destruí-la.’ Ele falou fitando-a nos olhos e os viu serenos como nunca pensou que um dia os veria.

Break their hold

(Quebrarei seu domínio)

Coz I won't be controlled

(Porque eu não serei controlado)

They can't keep their chains on me

(Eles não conseguem manter suas correntes em mim)

When the truth has set me free

(Quando a verdade me libertou)

‘Não vai adiantar.’ Ela respondeu e viu o rosto dele assustado.

‘Do que está falando?’

‘Não conseguimos manter a conexão.’ Ele ouviu uma voz feminina atrás de si e virou-se, encarando Khala’a.

‘Ilusão?’ Ele perguntou, temendo a resposta e arregalou os olhos ao vê-la balançar a cabeça em negativa.

This is how it feels when you take your life back

(É isso o que se sente quando você toma sua vida de volta)

This is how it feels when you finally fight back

(É isso o que se sente quando você finalmente luta de volta)

When life pushes me I push harder

(Quando a vida me empurra, eu empurro mais forte)

What doesn't kill me makes me stronger

(O que não me mata, me deixa mais forte)

Syaoran fechou os olhos, sentindo o peito doer mais do que qualquer ferimento que tinha no corpo e voltou-se para Sakura apertando-a entre os seus braços.

‘Eu sempre vou te amar.’ Sakura sussurrou ao ouvido dele.

‘Eu também vou sempre te amar.’ Ele respondeu, sentindo o corpo pesado, mas forçando-se a mantê-la entre seus braços.

Sentiu os braços da namorada envolverem sua cintura e a cabeça dela afundar em seu peito. Syaoran encolheu-se com ela entre os braços, sentindo um formigamento pelo corpo.

[The last thing I heard is you whispering goodbye]

[A última coisa que ouvi foi que você sussurrando adeus]

[And then I heard you flatline]

[E então eu ouvi seu coração parar]

No, not gonna die tonight

(Não, não morreremos hoje à noite)

We're gonna stand and fight forever

(Temos que ficar e lutar para sempre)

Khala’a abaixou os olhos, desviando-os de seus dois mestres e trincou os dentes, cerrando os punhos por não ter sido capaz de protegê-los como deveria. Sentiu uma explosão de energia e levantou o rosto, arregalando os olhos ao ver a luz multicolorida da presença de Sakura envolvê-los. Levou as mãos ao peito, sentindo-o aquecido e sorriu, mesmo que, pela segunda vez em sua longa existência, sentisse os olhos arderem.

[Don't close your eyes]

[Não feche seus olhos]

No, not gonna die tonight

(Não, não morreremos hoje à noite)

We're gonna fight for us together

(Temos que lutar por nós juntos)

No, we're not gonna die tonight

(Não, nós não morreremos hoje à noite)

Inclinou a cabeça para cima e viu as chamas que formavam o céu do mundo das trevas se abrirem em redemoinho, mostrando o céu azul e ensolarado que ela conhecia do universo para o qual havia sido tragada indevidamente, mas onde também tivera a oportunidade de conhecê-los.

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A energia que envolvia os feiticeiros se expandiu até a fissura entre os universos e, então, desapareceu, levando consigo o casal que se encontrava ali.

Don't you give up on me

(Não desista de mim)

You're everything I need

(Você é tudo que eu preciso)

This is how it feels when you take your life back

(É isso o que se sente quando você toma sua vida de volta)

This is how it feels when you fight back

(É isso o que se sente quando você luta de volta)

Khala’a sorriu e fechou os olhos, enquanto apertava as mãos contra o peito. Sentiu quando duas lágrimas rolaram pelo seu rosto e os agradeceu por terem-na presenteado com aquele sentimento maravilhoso que agora carregava dentro do peito. Aquele sentimento nunca, nunca morreria.

No, not gonna die tonight

(Não, não morreremos hoje à noite)

We're gonna stand and fight forever

(Temos que ficar e lutar para sempre)

[Don't close your eyes]

[Não feche seus olhos]

No, not gonna die tonight

(Não, não vai morrer hoje à noite)

We're gonna fight for us together

(Temos que lutar por nós juntos)

No, we're not gonna die tonight

(Não, nós não vamos morrer hoje à noite)

No, we're not gonna die tonight

(Não, nós não vamos morrer hoje à noite)

Not gonna die [Not gonna die]

(Não morreremos!) [não morreremos]

Not gonna die [Not gonna die]

(Não morreremos!) [não morreremos]

Not gonna die tonight

(Não morreremos hoje à noite)

Continua.

Notas finais
Música do Capítulo: Not Gonna Die (Não Vamos Morrer) por Skillet