FEITICEIROS
5 A bela luz do passado
FEITICEIROS
Kath Klein
Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 05
A bela luz do passado
Sakura estava sentada ao lado de Li na biblioteca. ‘Atchim!!!’ A jovem espirrou novamente e logo assoou o nariz vermelho. Definitivamente tinha alergia a mofo ou pó ou qualquer coisa que viesse daqueles livros velhos, será que tinha alguma magia que a ajudasse nesta questão? Pensou para si e riu.
‘Toma. Tem outra caixa aqui.’ Era Tomoyo que estava sentada a sua frente estendendo-lhe uma outra caixa de lenços de papel. A jovem já tinha usado todos os lenços que tinha trazido.
‘Obrigada.’ A ruiva agradeceu pegando a caixa nova de lenços de papel.
‘Você não precisava vir, Sakura.’ Ouviu Syaoran. Ela virou o rosto e fitou o rapaz que estava a poucos centímetros dela. Era maravilhoso estar ali ao lado dele, não importava a maldita alergia ao mofo. ‘Você podia aproveitar este tempo e descansar. Tem usado magia demais ultimamente.’ Ele falou com a voz carinhosa. Ela sorriu, se possível, ainda mais. Era tão fácil sorrir agora.
‘Não se preocupem comigo, eu estou ótima...’ falou tentando passar credibilidade. Realmente estava se sentindo melhor a cada dia e o uso da magia já não lhe deixava tão cansada. Voltou a fitar o livro velho a sua frente, tentou ler o que estava escrito, mas estava muito borrado e sujo. Eles tinham evoluído pouco nas pesquisas para descobrir o que estava acontecendo para surgir alguns seres estranhos em Tomoeda.
Eriol não ajudava muito, só enviava mais e mais livros para os três estudarem. A batalha contra o lobisomem fora difícil, mas foi apenas a primeira criatura que enfrentaram, agora usando cada vez mais suas forças mágicas, era mais fácil derrotá-los. O problema era que volta e meia, sempre havia algumas vítimas. Tomoeda parecia que tinha agora toque de recolher. Sakura tinha impressão que até mesmo os policiais tinham medo de andar nas ruas.
Syaoran admirava o perfil da jovem, ela estava se esforçando para ficar ali ao lado dele. Ele batia de leve o lápis que tinha nas mãos que usava para fazer uma ou outra anotação.
‘Você...’ Ele hesitou por alguns segundos, Sakura desviou os olhos do que estava lendo e observou o rapaz pelo canto dos olhos. ‘Você quer ir ao cinema hoje?’ Ele perguntou sentindo-se nervoso.
Era a primeira vez que estava convidando a jovem para um programa oficial de namorados. Nunca tinha feito isso e no fundo se sentia um pouco ridículo.
A ruiva abriu um sorriso largo. ‘Claro.’
‘Bem se você achar que não seria uma boa e...’
‘Eu adoraria ir ao cinema com você, Syaoran.’ Ela o interrompeu.
‘Posso te buscar às quatro? Você escolhe o filme, pode ser qualquer um que queira ver.’ Sakura percebeu que ele estava nervoso. Syaoran não era muito de falar e se estava com aquela língua solta era porque não estava se sentindo confortável. ‘Eu acho que deve estar em cartaz um daqueles filmes que as garotas gostam... eu não sei... mas o que você decidir está bom.’
‘A gente escolhe quando chegar no cinema.’ Sakura falou segurando o lápis que ele batia freneticamente na mão. Observou-o se ajeitando melhor na cadeira e a perna dele esbarrou na sua, era como se levasse um choque cada vez que se tocavam. Ela mordeu o lábio inferior, não podia negar que o que mais queria agora, era beijar o rapaz ao seu lado.
‘Ran-Ran.’ Tomoyo chamou a atenção do casalzinho a sua frente. ‘Não pode namorar aqui na biblioteca.’ Ela alertou aos dois. Sakura e Li ainda tentaram convencer a amiga que não estavam prontos para começar a se beijarem. A morena sorriu, tinha acompanhado o diálogo entre os dois. ‘Está passando um ótimo filme no cinema. “A Teoria de Tudo.” Ela sugeriu sorrindo. ‘Acho que vocês vão gostar...’
‘Obrigada, Tomoyo.’ Sakura agradeceu pela dica e já estava pegando o smartphone para conferir o horário da sessão.
Tomoyo olhou para Li e sorriu. ‘Melhor você levar lenços extras.’ Ele acenou com a cabeça já entendendo o recado.
Voltou a sua leitura sobre universos paralelos e realidades alternativas. Eriol tinha lhe recomendado este livro e o jovem chinês ainda não tinha achado nada que fosse diferente de qualquer livro de ficção científica, não queria falar mal do amigo, mas já andava bem de saco cheio daquela “ajuda” a distância.
‘E quando vocês vão contar ao Touya sobre o que está acontecendo entre vocês dois?’
Sakura deixou o telefone cair no chão. ‘Droga.’ Falou mais alto do que queria, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam no local. Não tinha pensado em Touya ainda, na verdade, a última coisa em que gostaria de pensar era no irmão. Abaixou-se para procurar o aparelho que tinha caído, levantou e encarou a amiga tentando passar tranquilidade, o que definitivamente não tinha. ‘Ele não tem nada a ver com a minha vida. Já sou maior de idade.’
‘Eu falo com ele.’ Syaoran interrompeu.
‘Não precisa falar com ele. Eu não preciso pedir permissão para ir ao cinema.’ Ela falou voltando a atenção ao aparelho celular. ‘Touya não é o papai.’ Ainda soltou com a cara amarrada. ‘Além disso, não está acontecendo nada demais. Eu só vou ao cinema.’ Agora era a vez de Sakura não conseguir controlar a língua. Syaoran segurou a mão dela, fazendo a jovem virar a cabeça e fitá-lo.
‘Eu falo com ele que estamos namorando.’ Ele repetiu devagar.
‘Estamos?’ Ela perguntou por desaforo, não tinha recebido um pedido formal de namoro.
‘Claro.’ Ele respondeu e beijou a testa da jovem. ‘Vamos terminar logo isso daqui. Se vamos passar na casa de Kinomoto antes de irmos ao cinema é melhor a gente correr. Eu passo então para te buscar às duas.’ Falou soltando a mão da jovem e voltando sua atenção ao livro, ele não percebeu o imenso sorriso que a ruiva deu para ele.
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Syaoran terminou de tomar o suco e observou a jovem à sua frente com os olhos vermelhos de tanto que havia chorado durante o filme. Ainda bem que ele tinha seguido o conselho de Tomoyo e tinha trazido lenços extras.
‘Foi tão lindo...’ Ela falava para si mesma lembrando-se do filme que os dois tinham acabado de assistir. Tomou um pouco do suco e mordeu o sanduíche que tinham comprado na lanchonete. Li pensou em levar a jovem para um jantar no restaurante, mas todos da cidade estavam fechando pontualmente às seis, antes do crepúsculo. ‘Você não achou?’ Ela perguntou assim que terminou de engolir o pedaço do sanduíche.
‘Achei triste.’ Falou com sinceridade. ‘Se eu ficasse sem poder me mexer como ele ficou, não sei se aceitaria que minha esposa fizesse tudo para mim. Preferia morrer.’
‘Você não viu tudo o que ele conquistou mesmo estando naquele estado? Se ele tivesse desistido, seria um covarde e não deixaria tanta coisa para a humanidade.’ Li ficou em silêncio, ela tinha razão, mas não podia fingir que achou o final do cara maravilhoso. Se ele perdesse o controle do próprio corpo e precisasse de ajuda até para ir ao banheiro, preferiria a morte com certeza. Sakura cerrou os olhos no rapaz a sua frente que voltava a comer e não lhe deu uma resposta. Nem daria. Syaoran era orgulhoso demais para ficar dependente de qualquer pessoa. Ele fora sincero. ‘Não acredita num amor assim, Syaoran?’
Li engoliu o último pedaço de sanduíche e estava amassando o papel que o embrulhava. Não gostava do rumo da conversa. ‘Eu não sei. Foi só um filme, Sakura.’ Falou dando de ombros.
‘Baseado em fatos reais.’ Ela retrucou.
‘Romantizado.’
Sakura respirou fundo, encostando-se à cadeira e fitando os olhos âmbares a sua frente. Pensou que o rapaz tinha sido bem corajoso e seguro ao enfrentar Touya hoje antes de irem ao cinema. Touya tinha entrado em surto quando ele anunciou que estava namorando a irmãzinha dele. Se não fosse Yukito, com certeza o rapaz teria iniciado uma briga física e não ficado só esbravejando.
Na verdade, Li tinha sido muito paciente, não falava nada enquanto Touya o xingava do dedinho do pé até a ponta do seu cabelo. Sakura tentou duas vezes fazer o irmão parar de gritar, mas sem sucesso. No final, sem terem evoluído muito no que seria uma conversa, o casal verificou que se atrasaria para a sessão e foram embora. Yukito, coitado, é que tinha ficado com a fera em casa.
‘Desculpe-me pela atitude de Touya.’ Ela achou que deveria se desculpar pelo irmão. ‘Desde que papai nos deixou, Touya comporta-se como se fosse ele.’
‘O senhor Kinomoto não faria o escândalo que seu irmão fez. Ele era um homem muito sensato.’ O rapaz comentou, lembrava-se bem do pai de Sakura e sabia que se ele estivesse vivo e fosse a ele quem teria que comunicar o namoro, não teria tido sua paciência colocada à prova.
A jovem deu um leve sorriso lembrando-se do pai, realmente Fujitaka estaria muito feliz e teria sido muito simpático com Syaoran. ‘Mas entendo a atitude de Touya. Ele nunca foi com a minha cara. É compreensível que se revolte ao saber que reassumimos o namoro.’
‘Reassumimos...’ Ela repetiu pensativa. Seria um namoro com data certa para terminar: três anos. Mas que se dane, queria ser feliz agora com o guerreiro chinês e depois quando ele fosse embora para sua terra, ela pensaria em alguma coisa. Não dava era para ficar vivendo de futuro e suposições.
‘Exatamente.’ O jovem falou devagar olhando intensamente a jovem que sentiu a face esquentar. Ele se levantou e puxou a cadeira para ficar mais perto da garota. Sentou e estando agora sem a mesa entre eles, levantou o braço dando um leve carinho no rosto da namorada que fechou os olhos deliciando-se com o toque dele. Logo ela sentiu os lábios quentes do rapaz nos dela, entreabriu os lábios permitindo que ele aprofundasse o beijo.
Afastaram-se por pura falta de fôlego e sorriram um para o outro. Estavam felizes por terem finalmente admitido que se amavam e queriam estar juntos. O futuro a Deus pertencia. Eles sabiam que dariam um jeito.
Ouviu-se de repente um grande estrondo e alguns gritos assustados. As pessoas que estavam na praça começaram a correr para voltar a suas casas e ficarem em segurança, as lanchonetes fecharam. Sakura e Li levantaram-se, tentando entender o que estava acontecendo. A população de Tomoeda estava tão assustada que qualquer barulho diferente já era sinal de pânico geral. Não avistaram nenhum ser sobrenatural, mas sentiram uma forte presença mágica a poucos quilômetros deles.
‘Vamos.’ Foi Sakura quem falou já correndo em direção à presença mágica, era muito forte, mas não era maligna, isso ela tinha percebido. Li foi no encalço da jovem namorada, tinha o rosto sério por ter percebido o mesmo que ela. As pessoas estavam realmente apavoradas, sem ao menos entenderem o motivo. A noite já caía na cidade, o sol estava se pondo no horizonte e a lua surgia em seu resplendor. Em outros tempos ela seria a testemunha de vários casais de namorados, agora ela era o alerta para que todos se protegessem.
Correram em direção ao parque do Rei Pinguim. ‘Ywe e Kerberus também devem ter sentido e devem se encontrar daqui a pouco conosco.’ A ruiva falou apertando a chave mágica com a mão direita, estava pronta para invocar seu báculo mágico, quando avistou finalmente o motivo da explosão.
Pairando sobre as águas tranquilas do lago ao lado do parque do Rei Pinguim um enorme globo brilhante podia ser vista. Sua luz era tão intensa que os jovens precisaram de um tempo para seus olhos se acostumarem e conseguirem fitá-la sem problemas.
‘Mas que diabos é isso?’ Li soltou completamente perplexo com o poder mágico que emanava daquele globo. Pegou sua esfera negra e materializou sua espada não queria ser pego desprevenido.
‘Chave que guarda o poder da minha estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os à valente Sakura que aceitou esta missão. LIBERTE-SE!’ Sakura também invocou seus poderes, levou uma das mãos para trás para certificar que suas cartas estavam no bolso de seu shorts jeans.
Li olhava para os lados para tentar identificar alguma criatura, mas nada. O parque estava completamente deserto. Sem nenhum ser humano ou não humano. ‘Algo não está me cheirando bem...’ Ele falou. Tinha alguma coisa errada, alguma coisa lhe dizia que aquela esfera não deveria estar ali.
‘Socorro...’ A jovem ouviu o pedido de ajuda. ‘Socorro...’ Era um sussurro baixo, parecia de uma criança, Sakura olhou para os lados em desespero sem conseguir identificar direito de onde vinha o chamado. Não conseguia sentir a presença de ninguém naquele lugar, apenas a esfera brilhante. Olhou novamente para aquela energia estupenda a sua frente e se sentiu tonta por um segundo, Syaoran percebeu e segurou a namorada.
‘Está tudo bem Sakura?’ Perguntou preocupado.
Sakura não respondeu, estava se sentindo estranha. Olhou para suas mãos e viu sua aura mágica inicialmente rosada ficar com fracos raios multicoloridos. O que estaria acontecendo com ela?
‘Sakura?’ Li perguntou novamente percebendo que algo estava estranho na namorada, não conseguiu ver a leve modificação da aura mágica, mas conseguia perceber que tinha algo de errado com a jovem.
‘Está me chamando...’ Ela sussurrou levantando o rosto e contemplando aquela magia extraordinária a sua frente. ‘Alada!’ Invocou seu poder fazendo Li levar um susto com o rompante da jovem.
‘Hei?! O que está fazendo?!’ Perguntou sem ter resposta.
Um par de asas angelicais surgiu nas costas da jovem que levantou voo e, como atraída por um magnetismo fortíssimo, foi em direção daquela luz. Fechou os olhos e sentiu-se ser inundada por uma energia maravilhosa.
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Sakura acordou devagar. Era dia. Dava para sentir o calor do sol sob sua pele. Observou a copa de uma imensa árvore. Sentia-se um pouco dolorida, como se tivesse caído de algum lugar ou usado muita magia. Sua última lembrança foi o pedido de socorro e a decisão precipitada e doida de simplesmente aproximar-se daquela fonte de luz mágica.
Pensou que Syaoran, Ywe, Kerberus, Touya e Tomoyo a matariam, assim que os encontrasse. Franziu a testa lembrando que Syaoran estava ao seu lado, estranhou o namorado tê-la deixado-a no parque do Rei Pinguim desacordada e sozinha. Levantou-se assustada. Sabia que Li nunca faria isso.
Levantou-se de supetão e varreu o lugar com os olhos. Parecia o parque do Rei Pinguim, mas cadê o Rei Pinguim e os brinquedos? As árvores eram mais numerosas do que se lembrava. ‘Mas onde eu estou?’ Perguntou-se assustada. Engoliu em seco pensando na loucura e idiotice que fez, ouviu o barulho de passos e escondeu-se atrás de uma das árvores, apertou sua chave mágica com a mão direita pronta para invocar seus poderes a fim de se proteger de quem quer que estivesse se aproximando dela. Pensou que deveria ser humano, pois não sentia nenhuma presença mágica. Franziu a testa constatando que não sentia absolutamente nenhuma presença mágica.
‘Sakura?’ Era a voz de Li, a jovem reconheceu de imediato, no entanto estranhou não ter percebido sua aura mágica. A aura do rapaz era tão fácil dela identificar a quilômetros de distância.
O jovem estava parado embaixo da árvore da qual Sakura acordou, estava olhando para os lados procurando-a, provavelmente também não conseguia identificar a aura mágica da garota. Sakura saiu de seu esconderijo e tentou sorrir, mas estava tensa demais para isso. Ela reparou que ele também tentou dar um sorriso sem sucesso. Caminhou na direção do rapaz, pronta para se desculpar da besteira que, tinha total consciência, havia feito.
‘Estava dando uma olhada no local.’ Ele esclareceu.
‘Desculpe-me Syaoran.’ Ela falou de forma simples. Não gostava de se desculpar, mas sabia quando tinha feito algo idiota. ‘Eu simplesmente não consegui controlar a força que me puxava para aquela luz.’ A jovem levantou o rosto e olhou em direção ao lago onde haviam encontrado a luz misteriosa.
Syaoran pigarreou. Realmente fora muita idiotice da namorada simplesmente entrar naquela luz misteriosa e tinha sido desespero do rapaz segui-la, sem esperar um dos guardiões chegar, mas o medo de perder Sakura fora tão grande que simplesmente não pensou, agiu. ‘Não deveria se arriscar desta maneira. No mundo da magia você sabe muito bem que tem os dois lados. O bom e o mal.’ Ele falou com a voz calma, não estava brigando, estava apenas lembrando-a do risco que estavam correndo agora por causa da atitude precipitada da jovem.
‘Eu sei... mas não consegui evitar. Desculpe-me.’ Repetiu, agora encarando-o.
‘Vamos descobrir o que era aquela coisa e onde exatamente nós estamos.’
Ela fez que sim com a cabeça. ‘Achou alguma coisa?’
‘Avistei algumas casas perto da colina. Parece uma pequena vila medieval. Acho que podemos ir para lá tentar descobrir alguma coisa.’
‘Vila medieval?’ A jovem repetiu um pouco incrédula.
Li confirmou com um gesto. ‘Alguma coisa fez com que nossas magias fossem canceladas. Não consegui nem mesmo encontrar sua aura quando estava atrás da árvore.’
‘Também não percebi a sua quando se aproximou, por isso me escondi.’ Ela explicou intrigada.
Li deu um longo suspiro obsevando o lugar onde estavam. Não conseguia ainda achar explicação. ‘Aparentemente parece que voltamos no tempo, no Japão feudal e nossas magias estão canceladas aqui.’
‘Será que aquela fonte tem o mesmo poder de Retorno?’
‘Retorno é uma carta que liga o passado ao presente, mas sua viagem costuma ser de anos e não de séculos.’ O rapaz explicou.
Sakura sorriu de lado. ‘Você conhece as cartas melhor do que eu.’ Constatou encabulada.
‘É porque fui obrigado a estudar.’ Ele esclareceu incomodado. Nada ajudava a entender onde estavam e exatamente o que tinha acontecido quando os dois foram na direção daquela belíssima fonte de luz. ‘Acho que nossa única opção é mesmo aquela vila. Não passa viva alma por aqui.’
Sakura concordou com a cabeça. ‘Vamos lá ver o que achamos.’
O casal caminhou por algumas horas por uma estradinha de terra bem estreita. Ninguém passava por ela, nenhuma alma humana ou não, aparecia. Estavam perto do vilarejo, quando finalmente encontraram pessoas. Todas vestidas com quimonos ou roupas tradicionais. Ficaram um tempo escondidos atrás das folhagens para tentar identificar alguma coisa, mas nada. Parecia que realmente tinham voltado no tempo. Sakura segurou a mão de Li, claramente mostrando que quanto mais verificavam que tudo parecia normal naquela vila perdida no nada, mais constatavam que estavam completamente perdidos no tempo.
‘Vamos tentar achar roupas desta época para não levantarmos suspeitas.’ Ele falou puxando-a, tinha avistado um varal com roupas em uma das casas, não gostava de pegar o que não era seu, mas aquela era uma situação de emergência.
Como dois gatunos, esperaram a oportunidade para pegar as roupas e vesti-las. Sakura vestiu o quimono surrado que eles conseguiram, pensou que realmente estava longe de ser como os quimonos que tinha e usava apenas em datas especiais. Prendeu o cabelo num coque e pensou que poderia continuar com seu tênis keds, pois a roupa tampava-o, além disso nem brincando usaria um par de geta. Syaoran também não se sentia muito a vontade na roupa que conseguira, o cara deveria ser mais gordo do que ele, pelo menos na altura eram parecidos, pensou, amarrando uma faixa na cintura para ajudá-lo a não se enrolar com a quantidade enorme de tecido que tinha naquela roupa. ‘Vamos tentar ser discretos, até descobrir o que está acontecendo.’ O rapaz orientou a jovem namorada que confirmou com a cabeça, ela sabia o que ele estava querendo dizer, manter-se calada. Rodou os olhos pensando que era o melhor agora. ‘Está pronta?’ Perguntou para a jovem que respondeu com um gesto que sim. ‘Então vamos.’
‘Você na frente.’ Ela falou forçando um sorriso irônico. ‘Japão feudal. Aula de história. Mulheres atrás dos homens.’ Falou irritada e Li não pôde deixar de achar graça a maneira como ela colocou que agora quem estava no comando era ele, e deixando bem claro que isso a incomodava muito.
Ele retribuiu o mesmo sorriso, mas mostrando-se bem satisfeito com o seu posto de macho alfa. Começou a caminhar e olhou por cima do ombro esquerdo a jovem japonesa caminhando atrás dele. ‘Anda logo.’ Ela soltou impaciente e fazendo o rapaz rir alto. Não podia negar que estava se divertindo. ‘Não tem do que rir, Syaoran. Vamos logo, antes que descubram que roubamos roupas.’
O rapaz não falou nada, começou a caminhar em direção a estradinha principal do feudo. Era como sempre haviam estudado nos livros de história. Ao longe havia um palácio enorme construído ricamente com detalhes, mostrando que era a casa do Daimyō, o manso senhorial, e próximo à entrada do feudo estava o manso servil. Caminharam devagar por entre as casinhas humildes e mesmo que tentassem de tudo para não chamar a atenção era impossível. Estrangeiros nunca eram bem vistos ou, no mínimo, causavam muita curiosidade das pessoas.
Sakura caminhava devagar atrás de Li, mas tinha uma certa dificuldade de ficar com o rosto baixo, olhou ao redor vendo as crianças pararem de brincar para observá-la, será que fora uma delas que ela ouviu chamando por socorro? As mulheres também pararam seus afazeres e observavam com certa discrição o casal. Um senhor corpulento parou em frente a eles, Syaoran parou e Sakura distraída com suas observações, bateu de leve nas costas do rapaz. Se afastaria dele se não sentisse a mão de Li segurando o seu punho forte, levantou uma sobrancelha, ficou na ponta dos pés e finalmente conseguiu ver por trás do ombro direito do rapaz a aproximação de um grupo de homens fortes encarando-os, corrigindo, encarando Li.
‘Quem é você, garoto?’
‘Syaoran Li. Estou perdido.’ Respondeu ao homem. ‘Fui assaltado na estrada’. Disse como desculpa para estarem apenas com a roupa do corpo e sem nenhuma bagagem ou qualquer outra coisa.
‘Realmente têm muitos ladrões por estas bandas, garoto.’
‘Não tive sorte.’
O corpulento homem deu um sorriso irônico para ele. ‘Você ainda está vivo e está com sua bela esposa, você teve foi muita sorte.’
‘Onde exatamente estamos?’ Li perguntou para tentar tirar alguma informação. Ele percebeu que os outros homens mantinham-se calados, provavelmente existia uma hierarquia ali e aquele que estava a sua frente deveria ser o cabeça.
‘Nas terras do Daimyō Osaka Wong.’ Foi a resposta. Li ponderou que realmente poderia estar no passado, por causa de todos os indícios históricos, mas não conseguia compreender o porquê de sua magia e a de Sakura terem desaparecido. Isso não fazia sentido para o jovem. As viagens no tempo eram possíveis em alguns casos, mas os feiticeiros sempre permaneciam com seus poderes mágicos. Alguma coisa não estava fazendo sentido ainda. ‘Você precisa se apresentar ao senhor antes de qualquer coisa.’
Syaoran acenou que sim com a cabeça e, ainda segurando o punho de Sakura, puxou-a para que se mantivesse atrás, mas bem perto dele. Caminharam sendo escoltados pelo grupo de homens que os interceptaram na entrada da pequena comunidade.
A estradinha que levava à construção principal era cercada por plantações vastas, Li observou várias pessoas, tanto homens quanto algumas mulheres trabalhando embaixo do sol a pino, conseguiu observar que algumas crianças também estavam trabalhando. Elas não tinham idade para aquele ofício pesado. Começava a não gostar do que estava constatando. Sakura também percebeu o mesmo que o rapaz.
‘Esperem aqui, vou falar com nosso Daimyō.’
Pararam assim como lhes foi ordenado, ainda cercados pelos homens fortes. Li percebeu que um deles reparou na namorada e comentou com outro que sorriu. Odiou aquilo, se pudesse pulverizaria os dois da face da Terra ou sabe-se lá em que planeta estivessem.
De repente todos se ajoelharam, Li tirou o olhar assassino dos dois idiotas e observou no alto da escada que existia na entrada da grande construção um rapaz vestido com roupas tradicionais ricamente decoradas. Não deveria ser muito mais velho que Li e Sakura. Ele desceu devagar a escadaria sem desviar os olhos de Syaoran que mantinha-se ereto.
‘Ajoelhe-se rapaz, ou você e sua esposa morrem agora.’ Ouviu e resolveu fazer o que mandaram, estava ali para descobrir exatamente onde estavam, não para arrumar confusão. Ainda com o punho de Sakura preso em sua mão, abaixou tocando um dos joelhos no chão e fazendo com que a jovem fizesse o mesmo. Ela obedeceu sem questionar, mas levantou o rosto para tentar entender o que estava acontecendo e este foi seu erro. Os belos e grandes olhos de esmeraldas tão raros, logo chamaram a atenção e a cobiça do daimyō.
‘Não é muito jovem para ter uma esposa tão bela, garoto?’ Ele perguntou aproximando-se de Li, mas sem tirar os olhos de Sakura. ‘Com olhos tão raros e rosto tão belo.’
Syaoran trincou os dentes e apertou o pulso da jovem com mais força, fazendo Sakura soltar um leve gemido. Ele acabaria quebrando o pulso dela, a jovem pensou. Ele estava ficando maluco?
‘Ela é minha esposa.’ Afirmou encarando o rapaz.
Wong não gostou da retruca, não gostava de ser contrariado e não tinha gostado nada do olhar que aquele petulante rapaz lhe dirigia. Ele era o senhor de todos e de tudo, aquele estrangeiro não era digno nem de olhar para ele de forma direta, muito menos de possuir uma jovem tão bela com olhos tão raros como esposa. Irritou-se porque percebeu que sentiu inveja do estrangeiro e detestava este sentimento de alguém ter algo que ele desejava.
Caminhou devagar em volta do casal que ainda se mantinha abaixado, mas Syaoran estava com o punho cerrado pronto para desferir um soco em quem quer que se aproximasse deles. Sakura sentiu a apreensão do namorado e entendeu o que estava acontecendo, pensou por um momento em como os homens eram um bando de idiotas. O que o talzinho queria? Pegá-la a força e obrigá-la a ficar com ele? Respirou fundo e puxou a mão que Syaoram apertava com tanta força.
‘Se está pretendendo brigar com eles, segurando meu pulso não vai conseguir nada.’ Sussurrou. Syaoran desviou os olhos do idiota do Wong e fitou a jovem por trás do seu ombro. Ela tinha razão.
Os dois se fitaram por alguns segundos e já tinham se entendido, era melhor cair fora dali, pois não descobririam nada. Só estavam se metendo em confusão.
‘Compro sua esposa. Quanto quer por ela?’ Ouviu a voz de Wong, que agora parou a frente de Syaoran. O rapaz sentiu todos os nervos do seu corpo explodirem. Levantou-se sem desviar o olhos do almofadinha, que tinha lhe feito a inacreditável proposta. ‘Ela tem olhos verdes, então entenderei se for bem ambicioso e colocar um valor alto. Estou disposto a pagar.’
Sakura tremeu pensando que isso era surreal! Como um ser humano se acharia no direito de comercializar o outro daquela forma? Ela não era um saco de batatas para ser negociada assim.
Observou no alto da escada um grupo de jovens mulheres, também rica e belamente vestidas. Franziu a testa pensando que todas provavelmente tinham sido compradas. Pareciam animaizinhos assustados observando a tudo. Virou o rosto e viu crianças com vários machucados, provavelmente sendo forçadas a trabalhar mais do que seus pequenos corpos poderiam aguentar.
‘Acaba com este idiota, Syaoran.’ Ela sussurrou novamente para o namorado. Ele ouviu, mas nem precisava a jovem pedir, já tinha decidido fazer isso, só estava pensando em como fazer as coisas, sem colocar tanto ela quanto ele em risco de vida.
Com magia seria uma brincadeira boba, mas sem ela e estando sozinhos contra todos os homens que os cercavam tinha que pensar um pouco. A uns cinco metros de distância tinha um menino com uma enxada, o cabo era grosso e parecia bem resistente, poderia ser uma ótima arma. Sakura pensou o mesmo, estava varrendo os olhos procurando alguma arma que poderia ajudá-la a se proteger e proteger o amado. Reparou que um dos idiotas que os cercavam tinha uma katana na sua mão direita, mas estava relaxado e a segurava de forma despreocupada. Ele estava bem perto, pensou a jovem.
‘E então rapaz?!’ Wong estava ansioso. ‘Qual seu preço?!’
Os dois não precisaram combinar a hora, Syaoran deu um soco no rosto do jovem arrogante que caiu no chão, o guerreiro pisou em cima do corpo caído com força e com um salto pulou os dois homens que estavam perto, puxou a enxada do garoto que olhou assustado a tudo sem entender o que estava acontecendo.
‘Me empresta isso aqui.’ Falou e não pôde ver o sorriso sendo desenhado no rosto infantil tão maltratado. Ele pisou forte, tirando a parte de ferro da ferramenta e rodou o bastão em torno de si analisando a arma.
Sakura abaixou-se e deu uma cambalhota conseguindo facilmente se aproximar para arrancar a arma da mão do homem que nem reagiu com a reação dos dois. Na verdade todos ficaram abobalhados com a atitude inesperada daquele estranho casal. Mas isso foi por pouco tempo. Wong parou de gritar igual a uma criança machucada e mandou matarem Li e capturar a jovem.
Os seis corpulentos homens voaram para cima do casal, Li com a enxada nas mãos, desferiu golpes certeiros em quem quer que se aproximasse dele. Tivera um treinamento pesado durante cinco anos de sua vida. Aquele bando de otários não eram nada para ele, não eram adversários a sua altura.
Um dos homens encarou o rapaz com uma enorme katana em suas mãos, o guerreiro chinês percebeu que o coitado não sabia nem pegá-la direito, ele ainda tentou desferir dois ou três golpes sem sucesso. Syaoran abaixou evitando que a lâmina o acertasse na altura do peito e desferiu um golpe forte no estômago do homem que se dobrou ao meio. Sem poder descansar outros dois já estavam tentando acertá-lo com armas brancas, mesmo usando apenas o cabo da enxada como porrete foi fácil desarmá-los e deixá-los desacordados.
Sakura apertou o cabo da arma em suas mãos. Não tinha agora Luta, Força ou Espada para ajudá-la, teria que ser ela mesma a se defender. Não conseguiu ver o que Syaoran tinha feito, assim que ele acertou Wong, ela já começou a agir em busca da arma.
O primeiro golpe teve que ser no homem que desarmou, pois ele tentou chutá-la e quase conseguiu atingi-la se a jovem não tivesse sido rápida. Quando utilizava sua carta mágica na arte da esgrima, sempre reparou que diferente do que poderiam pensar, ela era uma carta mais para defesa que ataque, Espada além de transformar seu báculo numa bela arma branca, também lhe dava a percepção de saber como e quando atacar, agora era com ela.
Não tinha a carta para orientá-la, não tinha nenhuma delas para lhe ajudar agora, mas elas já tinham deixado lições que a jovem feiticeira soube aproveitar. Franziu a testa, se aquele bando de macacos achavam-se donos de mulheres só porque consideravam-se o sexo forte, ela lhes daria uma boa lição do século XXI de igualdade dos sexos.
Desviou das tentativas frustradas do homem em lhe chutar e em um salto levantou-se empunhando a pequena espada, girou o corpo procurando com o momento desferir um golpe mais forte no homem. Agora era questão de sobrevivência, sabia que nunca conseguiria dar um golpe fatal, mas precisava se proteger para voltar a seu tempo. Tinha muitos seres humanos e não humanos esperando por eles.
Além disso... ela desviou os olhos para cima da escada, entrada principal da enorme residência onde o grupo de jovens estavam encolhidas assustadas, mas observando de forma intensa a jovem. A feiticeira nem imaginava que era a primeira vez na vida que elas viam uma mulher agir daquela maneira, principalmente manejando uma arma. Alguma coisa a incomodara desde que colocou os olhos naquelas garotas. Naquelas crianças maltratadas. Naquelas pessoas tão submissas.
No redemoinho de seus pensamentos, ela sentiu ser atingida no braço por alguma coisa cortante, mas fora só de raspão. Já tinham feito dois ficarem fora de combate, agora encarava apenas o último a sua frente, ele avançou para a menina a xingando de vadia para baixo.
Sakura teve que segurar mais forte o cabo da arma que parecia querer escorregar das suas mãos sujas de sangue, dela e de suas vítimas. O corpulento homem a golpeava com raiva, por uma mulher ter a petulância de agir daquela forma e, por fim, conseguiu desarmar a jovem.
Sakura engoliu em seco pensando pela primeira vez na vida que morreria. Fechou os olhos já esperando o golpe fatal e sentiu raiva de si, porque seus últimos pensamentos, eram para Syaoran e no que deixaria de viver com ele. Ouviu um forte e terrível urro de dor e gotas de algo viscoso salpicaram seu rosto, era sangue. Abriu os olhos e viu a imensa figura do homem tombar no chão, atrás dela apareceu Syaoran. Encararam-se por a
lguns segundos antes dele estender sua mão, ela a segurou e ele a puxou para se levantar. ‘Você está bem?’ Perguntou e ela respondeu que sim com um gesto. ‘Vamos sair daqui.’
Syaoran jogou o cabo da enxada para o garoto que a segurou no ar como se fosse um troféu precioso. Ninguém se mexia, apenas observavam o casal de estrangeiros agora correndo para longe daquele ringue.
Wong gritava ainda jogado no chão com as mãos na altura das costelas esquerdas, provavelmente Syaoran tinha quebrado algumas quando pisou com força no rapaz para buscar impulso e pular os adversários em busca da arma improvisada. Na pequena clareira, estavam os seis homens desacordados ou gemendo no chão por conta de seus ferimentos.
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Sakura e Li correram por quase uma hora sem parar, estavam novamente às margens do lago em que haviam acordado naquela estranha manhã. Sakura caiu de joelhos, nunca tinha corrido tanto tempo de forma tão rápida. Tinha um bom preparo físico e por isso conseguiu acompanhar Syaoran, mas depois de caminhar tanto tempo, apenas comer algumas frutas pela manhã, lutar contra um grupo de marombeiros medievais, uma corrida daquelas tinha simplesmente acabado com toda a sua resistência. Caiu de joelhos tentando buscar fôlego.
‘Não consigo mais correr.’ Foi só o que conseguiu falar e depois buscar ar de forma desesperada para seus pulmões. Syaoran suspirou pensando que ainda não achava seguro. Não sabia direito se o tal do Wong tinha mais capangas e se agora estavam no encalço dos dois.
Ainda estava em pé, para ele o que tinha acontecido hoje não era muito diferente do que foi sua rotina diária durante anos, seus olhos observaram o pequeno corpo da namorada ainda de joelhos. A respiração dela aos poucos se normalizava. Viu-a sentar-se no chão com os olhos fechados e buscando desesperadamente regularizar seus batimentos cardíacos. Sorriu de lado, ela tinha sido incrível. Quando a viu lutando contra os dois homens com a katana por uma fração de segundos pensou que suas magias tinham voltado e ela tinha invocado uma de suas cartas mágicas, mas não foi isso que aconteceu.
Simplesmente Sakura conseguiu resolver a situação sozinha, sem magia, apenas com sua fibra. No entanto tinha precisado de sua ajuda no final. “Ainda bem.” Pensou sentindo-se bem em ter protegido a jovem. Adorava o papel de herói e adorava colocar Sakura como sua mocinha em apuros. Ele abaixou em frente a jovem e tocou um dos joelhos no chão. Observou o rosto dela, as partes sujas de sangue, procurando algum ferimento, mas ficou aliviado ao ver que não tinha nenhum. No braço esquerdo tinha um rasgo e uma mancha de sangue, pegou o braço dela e ouviu o gemido da jovem.
‘Precisa limpar isso.’ Ele falou. Ela ainda respirava ofegante informando que ele não tinha lhe dado tempo para se recuperar. ‘Pode infeccionar.’ Explicou, rasgando a roupa e observando o machucado, não era profundo, mas estava sangrando bastante. Com o tecido rasgado dobrou e comprimiu contra o corte para estancar o ferimento.
Sakura tremeu de dor e já estava pronta para puxar o braço quando ele o segurou impedindo. ‘Isso aqui vai estancar o sangue. Acredite em mim, já fiz muito isso antes.’ Soltou sem querer. A jovem franziu a testa. Estava cansada, fraca, com dor, com fome, mas não estava mal dos ouvidos.
‘Foi como tratou seus inúmeros ferimentos, Syaoran?’ Ela perguntou e reparou o rosto surpreso do rapaz. Ele tinha dado com a língua nos dentes. ‘Foi assim o tal treinamento misterioso?’ continuou. Ele não respondeu e ela sabia que ele não responderia mais nada, ainda estava comprimindo com força o ferimento da jovem.
‘Isso... é passado.’ Ele finalmente falou.
‘Syaoran, estamos no passado.’
Continua.
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