FEITICEIROS
57 A Missão das Sete Chaves
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FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 57
A Missão das Sete Chaves
Shaolin olhou ofegante para o rapaz a sua frente, tinha acabado de usar magia para atacá-lo, mas o cara continuava a vir para cima dele. Desviou de um outro oponente que tentava atacá-lo por trás. Engoliu em seco. Eram muitos.
Olhou de relance para o irmão, lutando contra outro grupo grande que o atacava sem dar trégua. Já tinha, pelo menos, três que estavam caídos no chão e não se levantavam mais. De alguma forma, tinha certeza de que estavam mortos.
Defendeu-se com a espada do ataque violento de uma jovem que tentava atingi-lo com as tessen que já tinham lhe rendido alguns arranhões. Pulou para trás, apoiou a mão no chão e deu uma cambalhota no ar, esquivando-se de outro rapaz que tentava golpeá-lo com uma lança. Tocou no chão e mal teve tempo de levantar a espada para bloquear o ataque da jovem com os leques mortais. Abaixou-se e deu uma rasteira, chutando-a com força atrás dos joelhos e fazendo-a cair no chão. Levantou-se e chutou a arma, fazendo-a soltar um dos leques.
Virou para trás, abaixando-se um pouco apenas para que a espada do inimigo que vinha pelas suas costas passasse por cima de sua cabeça e, girando o corpo, golpeou-o com força no meio do peito com o cabo da espada, fazendo-o dobrar-se ao meio, completou o golpe com uma cotovelada no rosto que o fez cair no chão desacordado.
Arregalou os olhos de leve ao ver que uma lança vinha em sua direção e deu um passo para trás, girando o corpo. Percebeu que a lâmina passou a milímetros do seu peito, quase o atingindo de forma certeira na altura do coração. Olhou para trás, por sobre o ombro direito, notando outro oponente se aproximar para atacá-lo quando se assustou ao ver múltiplos feixes de magia atingindo-o e frustrando o ataque do inimigo que se afastou para tentar se defender.
‘Disparo…’ Shaolin sussurrou, franzindo a testa. Olhou em direção a mãe e a viu ainda fraca amparada por Kasumi protegidas por Escudo.
Teve que desviar do ataque de outro inimigo e trocou alguns golpes de espada com ele, ao mesmo tempo que observava Kazuo lutando. Não fora ele quem invocou Disparo. Estava sentindo a presença de Marie se aproximando rapidamente, mas ela não estava ali ainda.
Viu-se novamente cercado por cinco inimigos que o atacavam sem trégua e, novamente, foi surpreendido quando os ramos de Bosque surgiram do chão, aprisionando um deles. Um outro tinha sido golpeado por uma rajada forte de Vento que o carregou para longe, fazendo-o colidir com força em uma árvore.
Shaolin rodou a espada em sua mão, percebendo que, até os golpes que dava ao acaso, repercutiam com mais força, como se a Espada tivesse um alcance muito maior que a lâmina. Não tinha mais dúvidas, as Cartas estavam se manifestando de forma espontânea para ajudá-los a proteger a mãe.
Sorriu de lado, não gostava de usá-las como armas e elas estavam agora provando que realmente não o eram. Eram seres com vontade própria, como ele sempre as viu e que agora lutavam ao lado dele para proteger a quem amavam. Ergueu o corpo, conseguindo entender isso. Observou o grupo que novamente se aproximava para atacá-los e estreitou os olhos neles.
Não teriam chance de chegar até a mãe. Posicionou-se, arrastando a perna esquerda para trás e segurando com firmeza a espada mágica envolvida pelo poder de Espada. Assim que três se aproximaram dele, não hesitou mais em atacá-los por medo de matá-los, as Cartas o ajudariam a enfrentá-los, sabendo das suas limitações e sua convicções.
Kazuo olhou rapidamente para o irmão quando percebeu que a aura dele tinha aumentado, mas de forma controlada. Conseguia ver a mandala octogonal brilhando e seguindo abaixo dele conforme se movimentava, lutando contra os inimigos.
Reparou que ela mudava aos poucos e estranhou de início, mas depois abriu um leve sorriso vendo que Shaolin tinha entendido como as coisas funcionavam. Ele já não hesitava mais como antes e, apesar de ter vários machucados pelo corpo, conseguia ter mais confiança ao atacar os oponentes, sem medo de matá-los. Voltou-se para seus próprios inimigos, evitando ser golpeado e atacando.
Com ele, o buraco era mais embaixo. Não hesitaria mesmo em mandar para o inferno quem estivesse em seu caminho. Azar dos que estavam ao alcance de sua espada.
Reparou quando um dos desafiantes tentou atacá-lo por trás, mas foi interrompido ao ser atingido em cheio por uma forte rajada elétrica, deixando-o desacordado no chão. Pensou, por um instante, que fosse Trovão, mas sorriu de lado ao ver a ruiva se aproximar com o rosto sério e já atingindo os que se aproximavam dela com sua magia.
Ela segurava na mão direita uma espada mágica com a qual golpeava os adversários que tentavam se aproximar dela ou do Escudo mágico que protegia Sakura e Kasumi.
Kazuo sentiu algo atingi-lo no lado direito do corpo e puxou um shuriken sujo com seu sangue. Estreitou os olhos no idiota que, agora, lançava vários em sua direção. Desviou de alguns deles e bloqueou outros que faiscaram quando se chocavam com a espada.
Avançou em direção ao cara, furioso, por tê-lo atingido, mas, antes de alcançá-lo, foi obrigado a girar o corpo, desviando do golpe de um outro oponente. Segurou o braço dele e o puxou com força, ao mesmo tempo que o golpeava com uma joelhada nas costelas. Quando o soltou, viu-o desmoronar no chão, gemendo de dor.
Deu mais alguns passos até localizar o cara dos shurikens novamente, que ainda tentou atingi-lo com mais alguns, mas Kazuo conseguiu defender-se de todos. Assim que o infeliz estava ao seu alcance, flexionou os joelhos em busca de impulso, e ainda usou um dos adversários como apoio, para atingi-lo em cheio com uma voadora que o fez tombar no chão com o rosto sangrando.
Bloqueou com sua espada pelas costa o ataque do oponente que havia usado como base para chegar até seu alvo principal e, sem nem ao menos virar-se para ele, apenas soltou uma das mãos da empunhadura da espada e acertou-o com uma cotovelada no meio do peito, levantando o braço para golpeá-lo no rosto com as costas da mão, vendo o cara cair no chão desacordado.
Sentiu que uma forte energia se aproximava dele pelas costas e virou o rosto, arregalando de leve os olhos por ver uma esfera de fogo negro quase em cima de si. Aquilo iria doer. Surpreendeu-se ao vê-la bater num escudo mágico.
‘Oh, Moleque!’ Ouviu a voz de Marie. ‘Fica mais esperto!’ Ela chamou sua atenção, tinha invocado o escudo mágico para protegê-lo do ataque no último segundo.
Kazuo franziu a testa. Até agradeceria pela ajuda, mas o tom de voz dela o fez trincar os dentes. Quem ela pensava que era para repreendê-lo daquela maneira? Apertou mais forte o cabo da espada e desviou os olhos de Marie para outros dois adversários que vinham ao seu encontro. Estava já de saco cheio deles; parecia que se multiplicavam.
Bloqueou com sua espada o primeiro ataque de um dos adversários que tentou golpeá-lo com um machado e, em seguida, deu-lhe um gancho, fazendo-o recuar alguns passos com o rosto sangrando. Frustrou o ataque do segundo que se aproximava, desviando da sua lança e deu uma rasteira com as pernas, fazendo-o tombar no chão. Cravou a espada no peito dele, eliminando mais um.
Ergueu o corpo e sentiu quando suas costas bateram com as de Marie que lutava contra outros adversários. A jovem usava tanto a espada quanto magia para golpeá-los.
‘Quem são eles?’ Ela perguntou, ao mesmo tempo que invocava uma tempestade para afastar de si uma garota que tentava golpeá-la com afiadíssimas Sais.
‘Não tenho a menor ideia.’ Kazuo respondeu com a respiração ligeiramente ofegante pela luta intensa. ‘Apareceram do nada.’
Marie franziu a testa, olhando rapidamente para o numeroso grupo de jovens com nível considerável de magia e, pelo que constatava, uma ótima performance em lutas.
‘Este monte de gente doida, querendo arrancar nossas cabeças apareceram do nada?’ Insistiu.
Kazuo olhou para ela rapidamente sobre o ombro direito. ‘Estavam com um velho que queria alguma coisa com Sakura.’ Ele respondeu rapidamente, sendo obrigado a bloquear o ataque de outra garota que tentava desferir golpes sequenciais com uma katana. Afastou-se de Marie, rolando para evitar ser atingido e girou o corpo, dando um golpe forte nas pernas da adversária que caiu no chão.
A adversária logo rolou, afastando-se dele para não ser atingida e os dois se levantaram, encarando-se antes de voltarem a trocar golpes, fazendo as armas mágicas faiscaram.
Marie franziu a testa, percebendo que três feiticeiros se aproximavam dela ao mesmo tempo. Trocaram olhares brevemente, antes de levantarem suas mãos, invocando suas magias. Tentariam golpeá-la ao mesmo tempo. Olhou de um para o outro e, no fundo, sentiu-se curiosa para saber até onde ia o poder daqueles idiotas e se eles realmente achavam que poderiam atingi-la.
‘Deus dos raios e das tempestades elétricas!’ Os três falaram juntos, ao mesmo tempo em que puxavam talismãs, levando-os à altura dos rostos.
Marie arregalou os olhos de leve, reconhecendo a invocação da magia tanto do tio quanto de Shaolin. Como isso era possível?
‘Eu o invoco para meu auxílio. Agora!’ Eles gritaram e os raios mágicos desceram do céus batendo nos talismãs sendo refletidos em direção a ela.
Marie pensou em usar Através, mas ponderou que o ataque passaria por ela e poderia atingir Kazuo que estava um pouco mais atrás. Não que ela se importasse de o Moleque ser atingido, mas tinha algo mais interessante para os três patetas.
‘Aro!’ Invocou a magia, fazendo o trajeto dos raios ser interrompido, reaparecendo às costas dos feiticeiros que, pegos de surpresa, não conseguiram nem desviar de seus próprios ataques mágicos.
Kazuo ouviu os gritos e virou-se rapidamente para trás, observando Marie a frente de três caras que se contorciam envoltos pela descarga elétrica mágica.
‘Humph’. Bufou, tentando disfarçar a admiração.
Marie virou-se rapidamente para trás e cruzou os olhos com os de Kazuo, que exibia um sorriso de lado. Não soube direito o porquê, mas sentiu que o rosto tinha esquentado. Virou-se para frente, prestando atenção novamente no grupo de inimigos, não era hora para ficar se distraindo. Não estavam num treinamento. Aquilo era sério.
Apertou mais forte a empunhadura da espada entre os seus dedos e deu alguns passos a frente, golpeando um rapaz que estava para atacar Shaolin pelas costas. O rapaz voltou-se para ela e a encarou com o rosto duro.
‘Seu poder é das trevas! Você é um demônio e deve ser eliminado.’ Ele falou sem disfarçar a fúria e fazendo brotar um sorriso irônico no rosto de Marie.
‘E você é um idiota.’ Falou, erguendo uma sobrancelha.
Ele tentou acertá-la com sua espada mágica, mas fora fácil para a jovem desviar das tentativas dele. Saltou para trás e brandiu a espada cortando o ar e gerando uma onda de choque que se propagou até atingir o inimigo que foi arrastado por vários metros até esbarrar em outro que havia sido golpeado por Shaolin.
De repente, Marie sentiu quando seu braço foi envolvido por uma corrente e puxado de forma violenta, fazendo-a se desequilibrar e cair de costas no chão. Arregalou os olhos, vendo a ponta da outra extremidade do chigiriki, que consistia em bastão de ferro com um peso, aproximar-se de seu rosto, para golpeá-la.
‘Força.’ Invocou a magia e segurou o bastão, estreitando os olhos no rapaz que se surpreendeu ao ver seu poderoso golpe com o chigiriki ser suspenso por aquela jovem de aparência tão frágil. Ela não poderia ter aquela força toda.
‘Névoa.’ Ela invocou a magia fazendo a corrente que prendia seu braço dissolver-se, soltando-a. ‘Vento.’ Ela sussurrou em seguida e a rajada forte de ar golpeou o rapaz com força, afastando-o da jovem. Levantou-se e reparou que Kazuo correu até ela.
‘Você está bem?’ Perguntou em tom urgente. ‘Vi que foi atingida.’ Justificou rapidamente sua preocupação.
‘Humph’. Ela murmurou, desviando os olhos dele. ‘Quem está sangrando é você.’ Falou com um gesto de leve com a cabeça em direção ao peito do rapaz.
Marie desviou os olhos do rosto de Kazuo e olhou sobre o ombro esquerdo do rapaz para mais um que tentava golpeá-los. ‘Isso está ficando chato.’ Ela murmurou. ‘Bosque.’ Invocou a magia e viu os ramos mágico aprisionarem o adversário que não chegou nem a representar um perigo para Kazuo.
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Kasumi estreitou os olhos no grupo de feiticeiros que desferiam golpes contra o escudo que Shaolin tinha solicitado para protegê-la e à tia. Desviou os olhos deles para o amigo que estava lutando pra valer contra um grupo. Esboçou um sorriso, admirando-o lutar tão bem.
Inclinou a cabeça de leve, reparando que ele manejava a espada de forma precisa. Desviou os olhos para Kazuo que lutava contra outro grupo de inimigos. Abaixou os olhos fitando a grama a sua frente e sentindo a adrenalina circular pelo seu corpo de forma rápida.
‘Acho que… Eu deveria ajudá-los. São muitos.’ Ela falou, fazendo a tia arregalar os olhos e virar-se para a menina.
Sakura reparou que ela tinha o olhar baixo, sério. Kasumi, às vezes, parecia ir para outro mundo. Arregalou os olhos ao conseguir mesmo fraca daquela forma a aura púrpura em volta da menina pulsar de maneira frenética, como se tivesse realmente tentando se fortalecer e manter-se constante. A feiticeira segurou-se mais nela. ‘Fique aqui comigo.’ Pediu, preocupada.
Reparou que a menina trincou os dentes. ‘São feiticeiros, não tenho como ajudá-los, né?’
‘Kasumi-chan… Não faça isso... Shaolin não se perdoaria se alguma coisa acontecesse com você.’
A garota levantou o rosto, observando a luta que se desenrolava à sua frente. ‘Se acontecer alguma coisa com ele, quem não vai se perdoar, sou eu.’
Sakura desviou os olhos da menina e observou, através da barreira mágica, os três lutando contra o numeroso grupo. Franziu a testa, constatando que metade dos adversários já estavam caídos no chão. Tentou se levantar, mas sentiu novamente o corpo dolorido demais. Que dor era aquela?
‘Eles também não vão se perdoar se acontecer alguma coisa com a senhora. Melhor se poupar.’ Kasumi falou com a voz preocupada, mas firme.
Sakura voltou a observar o semblante da menina. Kasumi era muito parecida com Tomoyo. Lembrava-se da amiga sempre ao lado dela, dando-lhe força e acreditando que tudo terminaria bem, era estranho constatar que de uma maneira até estranha estar com ela ali ao seu lado parecia aumentar sua esperança que realmente tudo terminaria bem. Ouviu o barulho de espadas se chocando com fúria e virou-se novamente para a batalha que acontecia ao redor delas.
Estreitou os olhos em Shaolin e reparou que a mandala dele tinha mudado. Não era mais igual a de Syaoran. Os diagramas do baguá haviam se reorganizado e, mesmo sentindo o corpo todo dolorido e aquele aperto enorme no peito, não teve como não sorrir de leve e sentir orgulho ao ver que, no centro da mandala do filho, no lugar do símbolo do yin-yang, estavam os símbolos da Estrela, Lua e Sol. Elementos que ela reconhecia da sua própria mandala.
A mandala de Shaolin era como uma combinação da de Syaoran com a sua. Assim como o garoto era o fruto de um amor extraordinário entre ela e o marido.
Reparou que as cartas estavam em torno dele e se manifestavam de forma espontânea, lutando com o filho sem que este necessariamente as solicitasse. Eles lutavam lado a lado.
Desviou os olhos, observando Kazuo um pouco mais afastado e engoliu em seco. O rapaz era por demais parecido com o marido e conseguia perceber nele a mesma agitação e instabilidade que vibrava em Syaoran quando ele voltou pela primeira vez do Mundo das Trevas.
Marie estava próxima a ele. Estavam lutando contra os adversários ao mesmo tempo em que implicavam um com o outro.
‘Eu não sei de onde está vindo esta dor. Não consigo identificar a fonte dela.’ Sakura falou para Kasumi.
‘Eu acho… acho que não vem de lugar nenhum obasan. É de dentro da senhora.’ A menina falou. ‘Não sei o que está acontecendo direito, mas acho que tem alguma coisa fazendo a senhora ficar doente. E aquele velho idiota se aproximou quando viu que estava fraca. Ele sabia o que aconteceria, de alguma forma, previu o tempo certo.’ A menina desviou os olhos de Sakura e observou Smith que estava afastado de tudo com olhos gélidos. ‘Ele é covarde demais para tentar se aproximar da senhora enquanto estivesse forte. Ele sabia que a senhora estava fraca e só por isso veio na frente. Quando viu Shaolin, ele se afastou e agora, com nii-san e nee-san, só falta sair correndo.’
Sakura estreitou os olhos em Smith. Kasumi estava certa. O velho só faltava estar encolhido de medo, com a postura bem diferente de quando se aproximou dela inicialmente e cheio de confiança.
‘Syaoran está chegando. Precisa falar isso para ele.’ Sakura comentou com a menina, pois sentia a presença do esposo se aproximando de forma rápida.
‘Certo.’ Kasumi falou confiante, mas percebeu que as forças da tia, novamente, esvaiam-se e sentiu peso completo dela sobre seus ombros. ‘Oba-san?’ Ela a chamou. ‘Hei, Sakura-ba-san?’
‘Eu não estou aguentando, Kasumi–chan.’ Sakura falou entre os dentes.
A menina cambaleou, não conseguindo segurar o corpo da tia e já estavam caindo no chão quando percebeu que alguém segurou Sakura, finalmente, aliviando seus ombros. Ela virou o rosto e viu o tio segurar a esposa que agora estava sem os sentidos.
‘Sakura.’ Ele a chamou, apertando-a contra o peito. ‘Fique comigo.’ Ele pediu e sentiu que ela tentou reagir.
Kasumi deu uns passos para trás, observando os tios. Arregalou os olhos reparando que uma rajada de vento se formava em volta deles e colocou os braços à frente do rosto, protegendo-o. Arregalou os olhos de leve, observando, pela primeira vez, uma luz envolvê-los, inicialmente fraca e suave, mas que logo se tornou intensa e forte obrigando-a a fechar os olhos.
Syaoran fechou os olhos, apertando Sakura entre seus braços e sentiu quando sua própria aura se misturou à da esposa, tentando fortalecê-la. Respirou aliviado ao perceber que, aos poucos, o corpo gelado dela voltava à temperatura normal. Quando abriu os olhos, reparou que Sakura abria devagar os dela e, logo, ele pôde contemplar as íris esverdeadas que tanto amava.
Sakura se aconchegou melhor no peito dele, agarrando-se às roupas do esposo. Fechou os olhos, soltando um suspiro aliviado, sabendo que agora tudo ficaria bem porque ele estava ali. Sentiu quando Syaoran beijou sua cabeça com carinho.
Kasumi abriu um olho e reparou que a luz intensa tinha diminuído, assim como o vento havia parado de circular em volta dos tios. Abriu os olhos, abaixando os braços e se lembrou do que a tia pediu antes de perder os sentidos. Deu um passo a frente, chamando Syaoran que levantou o rosto, fitando a menina.
Ela se virou, apontando para Smith. ‘Foi ele, ojisan. O velho com a túnica roxa que está agora se escondendo atrás dos outros. Ele sabe o que está fazendo obasan ficar doente. Só se aproximou dela porque tinha certeza que estava fraca.’
Syaoran estreitou os olhos na direção que a menina estava apontando e reparou em Smith.
‘Filho da mãe.’ Soltou entre os dentes, reconhecendo-o.
Voltou-se para Sakura que tinha levantado o rosto para encará-lo e já se afastava dele.
‘Estou bem agora, Syaoran. Eu fico com Kasumi-chan.’ Ela falou, ficando sentada sobre a grama e o viu concordar.
‘Eu já volto.’ Ele falou, afastando-se da esposa, passou a mão pela cabeça de Kasumi. ‘Cuide de sua tia por mim.’ Pediu, saindo do Escudo mágico. Pegou a esfera negra nas mãos e a transformou em sua espada.
Tinha os olhos fixos naquele desgraçado que resolveu aparecer novamente para lhe criar problemas. Deveria tê-lo caçado e mandado para o inferno da outra vez, mas pensou que ele fosse fraco demais para representar algum perigo. Trincou os dentes novamente, já deveria ter aprendido que os fracos são os mais traiçoeiros e perigosos. Atacam pelas costas.
Um dos seguidores de Smith tentou se colocar à frente de Syaoran.
‘Cai fora.’ Ele ordenou, mas o rapaz empunhou a lança em direção a ele, tentando golpeá-lo com a arma. Syaoran desviou do ataque e segurou a arma com a mão, puxando-a e quebrando-a com o joelho.
Levantou o braço em que segurava a espada e golpeou o rosto do rapaz com a empunhadura com tanta força que o coitado caiu no chão sem conseguir se levantar mais. Syaoran não sabia nem se o tinha matado, mas também nem se preocupou com isto. Continuou seu caminho em direção a Smith.
Passou por Marie, que se virou ao sentir a presença do tio explodindo. Ela ainda o chamou, mas ele levantou a mão e mandou que ela não o interrompesse.
Um casal agora se colocava à frente de Syaoran para impedir seu caminhou até Smith. Eles atacaram ao mesmo tempo. Ele desviou do primeiro ataque, abaixando-se e, ao mesmo tempo que se levantava, golpeou tão forte a arma que estava nas mãos da moça que ela não conseguiu segurá-la e ficou sem ação.
Syaoran se virou para o rapaz que ainda levantou a espada na direção dele, numa tentativa de acertá-lo e bloqueou o ataque com a espada, fazendo faíscas mágicas saírem com o violento choque entre as lâminas, girou o corpo, acertando-o com um chute alto no rosto e, em sequência, uma cotovelada no abdômen. Endireitou-se e olhou para a garota que recuou alguns passos enquanto o companheiro mantinha-se no chão.
Syaoran voltou a encarar Smith que agora o olhava em pânico. Apertou a espada na mão dirieita, caminhando na direção dele. Cortaria aquele idiota ao meio!
Smith começou a ordenar que seus aliados recuassem, sentindo o pavor se apoderar de seu corpo. Os que restaram do grupo inicial voltaram-se para seu mestre e cessaram seus ataques contra Shaolin, Kazuo e Marie, posicionando-se próximos a Smith.
Syaoran percebendo que eles fugiriam como ratos, flexionou os joelhos e voou em direção ao grupo, conseguiu ainda atingir dois antes da energia mágica envolver o pequeno grupo que desapareceu por completo, levando com eles, inclusive os que estavam desacordados e, possivelmente, mortos.
‘Merda!’ Gritou irado. ‘Aquele rato fugiu de novo!’ Falou, ainda caminhando e olhando para os lados. Não conseguia sentir a presença de nenhum deles por perto. Sentiu-se irritado por ter deixado, pela segunda vez, aquele verme fugir.
Shaolin olhou para o pai e franziu a testa, a presença dele estava fortíssima e também violenta. Nunca o tinha visto daquele jeito. Ele estava com raiva. Virou-se para trás e viu Kasumi e a mãe. Correu até elas e percebeu quando o Escudo se desfez, confirmando que o perigo tinha se afastado. Parou em frente a mãe que deu um fraco sorriso para ele.
‘A senhora está bem? Sente alguma coisa?’ Ele perguntou, desmaterializando a espada e segurando-a pelos ombros.
‘Ela agora está melhor. Depois que ojisan chegou.’ Kasumi respondeu, chamando a atenção do menino que sorriu de leve para ela agradecendo por ter ficado com Sakura.
Sakura pegou o rosto do filho com carinho. ‘Vi que sua mandala mudou, Shaolin. Estou muito orgulhosa de você.’
Ele arregalou os olhos de leve. ‘O-o quê?’ Perguntou sem entender.
‘Sua mandala mágica.’ Ela repetiu, sorrindo de leve e beijou a testa dele. ‘Ela é muito bonita.’ Disse, voltando a fitá-lo.
O menino balançou a cabeça. ‘Isso não importa, kaasan.’ Falou decidido. ‘Vamos levá-la para o hospital agora. Você e o Kazuo que está todo machucado porque é cabeça dura demais.’
‘Eu estou de boa.’ Kazuo falou, aproximando-se deles. ‘Vou querer só uma daquelas coisas lá que eu tomei naquele hospital.’
‘Que você tomou no hospital?’ Marie perguntou se aproximando e parando ao lado dele. ‘Que droga deram para você?’
‘Não sei o que foi, mas foi sensacional.’ Ele falou sorrindo. ‘Você toma um negócio daquele e a dor passa rapidinho. Aí, fica mole esperar cicatrizar isso daqui.’ Completou se analisando.
Realmente tinha alguns ferimentos mais profundos pelo corpo. Sabia que eles ficariam bons daqui a um tempo, o problema era que arderia um bocado até lá.
Marie suspirou. Lembrava-se bem do pós-confronto com Illska, enquanto ainda estava no corpo do seu mestre, que o poder de cicatrização era bem dolorido.
‘Foi analgésico, nii-san.’ Kasumi clarificou para o rapaz, observando o rapaz com vários ferimentos pelo corpo.
‘Analgésico.’ Kazuo repetiu, sorrindo para a menina. ‘Isso aí. Quero um negócio deste.’
‘Sim… É melhor tomar um.’ Kasumi concordou e olhou em volta, afastando-se do grupo e dos dois jovens. Sabia que eles continuariam trocando farpas como fizeram durante toda a luta.
‘Você está é muito frouxo.’ Marie rebateu. ‘Estes ferimentos seus aí nem foram grande coisa.’
Kazuo franziu a testa. ‘Qual é a sua, ruiva metida?’ Ele perguntou, erguendo o queixo. ‘Se tem um negócio desses para ajudar, por que eu ignoraria a existência dele? Se você é maluca e gosta de sentir dor, o problema é seu.’
‘Você é realmente um moleque muito mole.’ Ela rebateu. ‘Admira-me que tenha durado tanto tempo no mundo das trevas. Realmente só deve ter restado demônio de quinta categoria por lá.’
‘Você… é insuportável.’ Ele falou entre os dentes. ‘Vai você para lá verificar a categoria dos demônios que estão lá. Vai? Em vez de ficar aí só falando.’
‘Kazuo! Nee-san! Vocês dois não vão ficar discutindo agora, não é?’ Shaolin falou, voltando-se para os dois que se olhavam de forma arisca. ‘Precisamos ir para o hospital.’
Syaoran se aproximou deles em silêncio. Kazuo e Marie pararam de falar. Ele bateu de leve a mão no ombro bom do rapaz e depois passou a mão na cabeça de Shaolin antes de parar em frente a Sakura. Estava orgulhoso dos dois filhos.
‘Shaolin está certo. Vamos para o hospital.’ Ele disse, pegando-a nos braços. Shaolin se afastou da mãe e olhou em volta procurando Kasumi, franziu a testa reparando que ela se abaixava para pegar algo.
‘Não preciso de hospital. O que eles poderão fazer por mim lá, Syaoran?’
‘Sei lá, Sakura.’ Ele respondeu. ‘Precisamos ver se está tudo bem com você.’ Disse nervoso.
‘Ela está certa.’ Syaoran ouviu a voz por trás de si e estalou a língua.
Era claro que ele apareceria agora. Depois da merda toda resolvida. E trazendo mais problemas, obviamente. Syaoran voltou-se para o anjo com a esposa nos braços.
‘Gabriel.’ Soltou, quase rosnando para o ser celeste.
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Kasumi deu alguns passos para trás observando que tudo parecia estar calmo agora. Olhou em volta vendo que todos tinham desaparecido. Só dava para perceber que algo aconteceu, pois a grama no local estava toda falhada, algumas árvores derrubadas pelo chão e poças de sangue. Caminhou devagar, observando com curiosidade, até tropeçar num metal deixado no chão.
Abaixou o rosto e estreitou os olhos na espada. Era uma katana. Não gostava de armas… Inclinou a cabeça de leve… Isso não era bem verdade, apenas se força a acreditar nisto. Não participava das aulas de bastão que eram a iniciação para as armas. Abaixou-se devagar e estendeu o braço a frente em direção a arma que estava suja de sangue. Sentiu o coração disparar.
‘Kasumi!’ Ouviu a voz de Shaolin e virou-se para ele, afastando-se da arma.
Ergueu o corpo e fitou o amigo se aproximando dela devagar, estava com o rosto sério, além de machucado.
‘Está tudo bem com você?’ Ele perguntou, parando a frente dela.
‘Tudo bem.’ Respondeu. ‘Você está machucado.’
‘São apenas arranhões.’ Ele respondeu, encolhendo os ombros de leve.
‘Sua técnica estava melhor hoje.’ Ela falou de repente, fazendo-o arregalar os olhos. Kasumi desviou o olhar dele e fitou Kazuo. ‘Bem… melhor que a de nii-san, mas ele também estava melhor hoje.’
Shaolin franziu a testa. ‘Está tudo bem com você?’ Repetiu a pergunta.
Kasumi sorriu para ele. ‘Estou com fome. Apenas isso.’
O menino sorriu aliviado, balançando a cabeça de leve. A resposta era típica de Kasumi, então devia estar tudo bem com ela. Sentiu uma explosão de energia e virou-se para trás olhando para o anjo que surgiu perto dos pais. Reconhecendo-o de seu sonho.
Deu um passo em direção a ele, afastando-se de Kasumi. ‘Hei, você! Eu vi você.’
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Gabriel tirou os olhos de Syaoran e virou-se para o menino, franzindo a testa de leve. Shaolin não deveria se lembrar dele.
O garoto aproximou-se até parar a frente do anjo, encarando-o. ‘Era você no meu sonho.’
Gabriel ajeitou o corpo, sentindo-se desconfortável.
Syaoran encarou-o com o semblante mais duro. ‘Você quebrou o nosso acordo que seria você vir falar comigo primeiro…’ Retrucou.
‘Conosco…’ Sakura sussurrou, corrigindo o marido.
O homem respirou fundo. ‘Conosco, primeiro.’
Gabriel voltou-se para Syaoran. ‘Não quebrei nosso acordo. Não me manifestei para ele antes.’ Respondeu, franzindo a testa de leve e voltando a fitar o garoto.
‘Eu tenho certeza! Era você! Você apareceu no meu sonho, falando que eu tinha que impedir alguma coisa.’
Gabriel arregalou de leve os olhos e sorriu de leve. ‘Está com sua magia muito desenvolvida, Shaolin.’ Comentou satisfeito. Voltou-se para Syaoran e Sakura, com o rosto tenso. ‘O Pilar está sendo corrompido novamente.’
‘O Pilar?’ Marie perguntou e, sem querer, voltou-se para tia.
Kazuo reparou nisto e franziu a testa.
‘Detesto quando você fala assim.’ Syaoran retrucou. ‘Será que você pode ser mais claro?’ Sentiu Sakura mais tensa entre seus braços e a apertou mais forte entre eles.
‘Um dos pilares está sendo atacado de forma incessante. Estamos tentando intervir, mas o Guardião não conseguiu protegê-lo do grupo que invadiu o universo dele para atacá-lo.’ Gabriel havia começado, finalmente, a contar o que estava acontecendo quando outra figura celeste apareceu ao seu lado. Era Raziel. O anjo ainda ficou alguns segundos olhando para Shaolin e depois fitou Gabriel com o semblante preocupado enquanto caminhava em direção ao seu companheiro.
Syaoran o reconheceu e começou a se preocupar com Logan. Tinha percebido que o Guardião, apesar de ter magia, não a utilizava. Tentou, inclusive, falar isso para ele, mas a reação de Logan foi bem negativa. Começava a ter ideia do que estava acontecendo.
‘O que aconteceu com Väktare?’ Syaoran perguntou assim que Raziel o encarou.
‘Ainda está vivo, mas muito ferido.’ Raziel respondeu. ‘Alguns caçadores estão mortos. Não foram capazes de enfrentar o grupo de feiticeiros deste universo que invadiu o nosso, onde não utilizam magia.’
‘Väktare tem magia, por que ele não a utilizou?’ Syaoran perguntou.
‘Ele não a desenvolveu adequadamente.’ Raziel explicou
‘E por que você não o avisou que ele precisaria desenvolvê-la?’ Rebateu.
‘Ele foi avisado. Mas ele é livre para decidir o que quer desenvolver.’
‘Eu nunca tive opção, nunca fui livre para decidir.’ Syaoran falou. ‘Vocês dois me impuseram um monte de coisas e agora estão na minha frente, querendo empurrar mais problemas para a minha família.’
‘Você foi o responsável pelo fechamento das brechas e quem restabeleceu o equilíbrio desfeito pelo guardião anterior.’ Raziel explicou.
‘Eu e Sakura morremos no mundo das trevas para resolver a merda que o Tadmoth causou. O que querem agora?’
Shaolin observava o pai encarando os dois anjos de forma arisca. Tinha se colocado à frente deles como se daquela forma pudesse ser o escudo tanto dele como de Kazuo, que também observava a discussão. As Cartas os cercaram também, em suas formas originais.
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Kasumi observou Shaolin se afastar, falando com o anjo, com certo interesse. Verdade que tinha se assustado inicialmente com a aparição do ser celestial, mas desde que o amigo tinha lhe contado sobre magia, já estava começando a achar tudo aquilo normal. Tudo parecia ser possível.
Abaixou o rosto, voltando a fitar a katana suja de sangue no chão, sentia-se realmente tentada a pegar a empunhadura da espada. Sentiu quando uma mão tocou o seu ombro e virou-se para o lado vendo outro ser alado. Ele tinha uma aparência mais velha, era mais austero e tinha o rosto mais sério.
Ele balançou a cabeça de leve, impedindo-a de fazer o que estava pensando. A menina encolheu os ombros, envergonhada.
‘Não vai precisar disto. Não mais.’ Ele falou com a voz séria. ‘Este foi o nosso acordo.’
Ela concordou com a cabeça. Não sabia direito quem ele era, mas ele costumava aparecer nos seus sonhos desde que se conhecia por gente. No começo, o anjo sempre tinha um sorriso no rosto e, às vezes, até brincava com ela. Aquilo havia mudado quando ela descobriu sobre as Cartas e começou a ter aquelas visões terríveis em sua mente.
Na verdade, logo após o incidente com Retorno, vira o anjo com o semblante severo pela primeira vez. O mesmo semblante e postura agressiva que ele mostrava agora. Era uma pena… havia gostado do seu “anjo protetor” quando menor.
‘O que está acontecendo?’ Ela perguntou sem tirar os olhos do grupo que discutia sem perceber a presença do outro ser alado.
‘Conto para você outra hora. Vim apenas para impedi-la de quebrar o nosso acordo.’ Kasumi virou-se para o anjo, franzindo a testa. Ele estreitou os olhos nela. ‘Estarei sempre de olho em você. Sempre! Principalmente agora que aquele Demônio conseguiu enfraquecer o meu bloqueio.’ Ele falou com impaciência na voz, estreitando os olhos em Retorno.
Retorno, parecendo notar que estava sendo observado, voltou-se para trás e acenou com a cabeça de leve para o anjo, que fechou mais ainda o rosto.
Kasumi sentiu-se incomodada com a advertência. ‘Você não confia em mim, não é?’
‘Arcanjos não devem confiar em seres dos planos inferiores.’ Ele rebateu, ainda encarando Retorno que sorria de leve. ‘E, pelo jeito, isso nunca vai mudar… Mas tem sempre os que gostam de tentar quebrar as regras.’
Ela soltou um suspiro. ‘Deveria rever seus conceitos, ossan.’
Ele sorriu pela provocação dela e finalmente quebrou o contato com a Carta, voltando a fitar a menina. ‘Dogmas devem ser seguidos, seres celestes e demoníacos são e devem continuar sendo opostos. Para que se mantenha o equilíbrio.’
‘Humph… você realmente não conseguiria viver sem seguir regras. É mal humorado demais para isso. Você costumava ser mais engraçado.’
Ele franziu a testa, encarando-a. Mas ela não se intimidou e ainda ergueu o queixo, devolvendo a encarada. ‘Você realmente é muito dona de si, mocinha.’ Comentou, fazendo-a exibir um sorriso satisfeito. ‘Ou será que algum outro demônio andou se metendo onde não deveria e resolveu me criar mais problema?’
Ela meneou a cabeça, achando graça do pensamento que lhe ocorreu. ‘Será que você tem medo de mim?’
‘Humph.’ Murmurou incomodado com a colocação dela.
‘Sou apenas uma menina. E bem obediente. Não descumpri nosso acordo.’
Ele ergueu uma sobrancelha. ‘Por pouco.’
Ela ficou em silêncio, encarando-o ainda por alguns segundos e balançou a cabeça, rolando os olhos. Não valia a pena discutir com ele. Não a levaria a lugar nenhum.
Soltou um suspiro entediada e desviou os olhos do anjo. Sorriu de leve para Retorno que voltou a sua atenção para seus mestres e, depois, observou Shaolin, que se virou de repente para ela. O anjo já havia partido.
O menino franziu a testa fitando Kasumi, parecia loucura, mas, por uma fração de segundo, jurava que tinha visto, novamente, uma leve aura púrpura em torno da menina.
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‘Como estávamos falando, senhor Li.’ Raziel começou a responder a pergunta de Syaoran. ‘Um grupo de feiticeiros invadiu o universo que eu e Väktare protegemos. Eles estão atacando de forma incessante o Pilar, tentando enfraquecê-lo e corrompê-lo.’
‘Por que fariam isso?’ Syaoran perguntou.
‘Alguém deste universo, que não tem ideia das consequências deste ato, pelo que parece, pretende tomar para si o poder do Pilar que agora está com sua esposa.’
‘Aquele velho idiota?’ Syaoran perguntou, referindo-se a Smith.
‘Não sabemos ao certo.’ Gabriel respondeu.
‘Não sabem ao certo?’ Syaoran repetiu incrédulo. ‘Vocês são ou não são guardiões da porcaria do plano superior? Que guardiões são vocês que não fazem nada a não ser vir aqui me dar mais problemas?’
‘Syaoran… calma…’ Sakura pediu, tentando acalmar o marido antes que ele perdesse o controle. ‘Não vai adiantar brigar com eles.’
‘Não adianta nada mesmo. Porque eles não fazem nada!’ Syaoran rebateu.
Respirou fundo, tentando manter a calma. Estava com a esposa, enfraquecida, nos braços. O filho mais velho, que nem sabia que existia até poucos meses atrás e que tivera um inferno de infância, estava todo machucado. O filho mais novo, além de ter sido assustado e aterrorizado por Gabriel em sonhos, machucado também. Sua família inteira estava em perigo.
Tinha que manter a cabeça no lugar para tentar resolver novamente os problemas que aqueles dois estavam colocando em suas mãos, mas não permitiria que nada acontecesse com sua família. Já tinha feito isso antes, faria quantas vezes fosse necessário.
‘O que… o que vocês realmente querem de mim agora?’ Syaoran perguntou entre os dentes.
Gabriel deu um passo à frente. ‘Este grupo está em posse de uma das chaves capazes de abrir brechas entre os universos e, também entre o plano inferior e o superior. Se os pilares que separam o Mundo das Trevas do Paraíso tombarem, tudo terminará. Não será apenas o Caos, mas uma explosão onde nada restará. Como uma supernova que se torna um imenso buraco negro.’ Ele falou de forma clara. ‘São sete os artefatos capazes de fazer isso. Um deles é a chave que Shyrai usou para abrir o portal para o mundo das trevas e que agora está dividido entre a chave da Mestra das Cartas e a de Clow. Precisam ser destruídas.’ Ele continuou a falar. ‘Assim como as outras.’
‘Por que existem estas chaves? Vocês já não aprenderam que este negócio de portal não dá certo?’ Syaoran perguntou.
‘Não temos a resposta a esta pergunta.’ Raziel falou com sinceridade. ‘O que sabemos é que precisamos destruí-las a fim de evitar que, com o enfraquecimento dos pilares, novas brechas sejam abertas de forma intencional para criar uma confusão entre os universos.’
‘Como eu já lhes expliquei, existe o plano inferior e o superior e os universos paralelos entre eles que são sustentados pelos pilares. Com o enfraquecimento deles, este paralelismo se torna menos definido.’ Gabriel explicava. ‘Então o surgimento de brechas aleatórias pode ser mais frequente, além de ser infinitamente mais fácil que, com a utilização destas chaves, destes artefatos especiais, alguém mal intencionado abra um portal que antes só seria possível através da combinação de uma infinidade de condições.’
‘E qual é o plano de vocês para impedir isso?’ Syaoran perguntou.
‘Não podemos agir diretamente nos universos.’ Raziel esclareceu. ‘Precisamos de alguém para nos ajudar.’
‘Ótimo! E, novamente, vocês jogam os problemas para nós resolvermos.’ Sakura resmungou, irritada. ‘É isso mesmo?’
Gabriel e Raziel se entreolharam rapidamente. ‘O problema, senhora Li, é que, por coincidência ou não, o Guardião e o Pilar deste universo são almas gêmeas.’
Syaoran sentiu a esposa segurar mais forte suas roupas, ouvindo a narrativa dos anjos.
‘Isso nos dá uma vantagem para dificultar a corrupção deste pilar e, consequentemente, a dos outros também, mas, para isso, o senhor precisa permanecer próximo a ele.’ Raziel continuou.
‘Além disso… Como acreditamos que isso tudo seja uma tentativa de obter o poder do Pilar, estamos certos de que esta foi apenas a primeira tentativa deste grupo. Outras acontecerão enquanto o Pilar estiver enfraquecido. Agora, mais do que nunca, o senhor precisa proteger sua esposa.’ Gabriel falou de forma polida, tomando cuidado para não chamar Syaoran de Guardião e Sakura de Pilar, pois já o conhecia o suficiente para saber que isso o deixaria ainda mais irritado.
‘Eu entendi esta parte.’ Syaoran falou. ‘Então vocês acham que Sakura conseguirá resistir à corrupção até resolverem este problema do universo do Logan, é isso?’
‘Também.’ Gabriel respondeu. ‘Mas, como você não poderá sair do lado dela, não poderá seguir com a outra missão que é, justamente, destruir as chaves e, é claro, combater os invasores do universo do senhor Logan.’
‘E por que vocês não fazem isso?’ Syaoran perguntou erguendo uma sobrancelha. ‘Eu não posso estar em dois lugares. Não foi você mesmo que disse que não pode ter dois guardiões em um mesmo universo?’ Ele perguntou, olhando para Raziel.
‘Exatamente.’ Raziel falou. ‘É por isso que a responsabilidade é de outra pessoa.’
‘Shaolin…’ Sakura sussurrou, estremecendo. ‘Syaoran… por favor, não.’ Ela falou, tentando se colocar de pé. ‘Não o meu filho.’
‘Hei, espera.’ Syaoran falou, mas Sakura se afastou dele, obrigando-o a segurá-la pela cintura para não cair ao chão. Ela tentava se manter em pé a frente de Gabriel.
‘Meu filho não!’ Sakura gritou. ‘Vocês já chantagearam Syaoran para que ele voltasse para aquele inferno… e agora vêm me usar de novo para chantagear meu filho a entrar nessa loucura?!’ Ela falou, trincando os dentes. ‘Não!’
‘Eu vou.’ Shaolin falou, caminhando e parando ao lado do pai. ‘Eu vou, kaasan.’
‘Não!’ Ela gritou, virando-se para ele. ‘Você não vai!’ Sakura encarou os anjos. ‘Ele não vai. Se esta droga de universo é tão instável que precisam usar a minha família a toda hora para salvá-lo, então é melhor que eu, sendo a merda deste Pilar dele, tenha a responsabilidade de resolver. Não os outros! Não as pessoas que eu amo!’
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Kasumi desviou os olhos de Gabriel e Raziel para fitar Shaolin. Levantou as mãos até a altura do peito e as apertou de forma nervosa. Que história era aquela do tio ser um Guardião e a tia, um Pilar do universo?
Mas, principalmente, pelo que o Shaolin seria responsável? E pelo que ele teria que passar? Reparou nos ferimentos no corpo do garoto. Alguns não eram apenas arranhões e escoriações, como ele havia respondido.
Ele estava todo sujo de terra, sangue e suor pela luta que havia travado contra sabe-se lá quantos caras, alguns com o dobro do tamanho dele. Ele estava se superando. Estava com medo de que alguma coisa grave acontecesse com ele. O garoto se preocupava tanto em mantê-la protegida, mas quem estava indo para a linha de fogo era ele.
Sentiu quando Marie parou ao seu lado. Reconheceu-a pelo perfume. Shaolin tinha explicado sobre percepção de auras mágicas. Ela não percebia isso, mas conseguia perceber coisas mais sutis e comuns a todos, feiticeiros ou não.
‘Estava falando com quem?’ A jovem perguntou sem encará-la.
‘Você o viu?’ Kasumi perguntou, ainda fitando o amigo.
‘Não, mas percebi alguma mudança em torno de você. Shaolin-kun também percebeu que tem algo errado, só não está conseguindo entender. Assim como eu.’
‘Assim como eu, nee-san.’ A menina respondeu, virando-se finalmente para a jovem e encarando-a.
Marie franziu a testa, observando a amiga. ‘O que está realmente acontecendo com você, Kasumi-chan?’
Kasumi desviou os olhos dela. ‘Eu não sei, nee-san. Ainda não consegui entender o que está acontecendo. Mas acho que você deve tentar ajudar uma pessoa de cada vez.’
‘Preocupo-me tanto com você quanto com Shaolin-kun.’
Kasumi sorriu para ela. ‘Você realmente é muito parecida com nii-san.’ Falou, fazendo a ruiva olhar feio para ela. ‘Uma coisa de cada vez, nee-san. Agora Shaolin e os tios precisam muito mais da sua ajuda. Nii-san também vai precisar.’
Marie estreitou os olhos e se inclinou de leve. ‘Tem algo em você que me é familiar.’
‘Nos conhecemos há bastante tempo.’
‘Não é isso apenas.’
Kasumi sorriu de leve. ‘Realmente não lembro de onde poderíamos nos conhecer antes de você chegar no Japão.’
‘Isso que me preocupa, pois tenho certeza que algo em você… é algo muito familiar mesmo.’
A menina soltou um suspiro. ‘Precisa ajudar Shaolin. Ele precisa se desenvolver muito ainda.’
Marie ergueu uma sobrancelha, desconfiada. ‘Agora entende de magia?’
‘Não… foi o Shaolin quem me falou isso.’ Ela respondeu com simplicidade, fazendo Marie balançar a cabeça de leve.
‘Você é estranha.’ Comentou.
‘Assim como você. Por isso a gente se dá bem.’
A jovem sorriu de leve e passou a mão na cabeça da menina. ‘Acho que sim. Pode deixar que eu ficarei de olho no pirralho.’ Ela falou. ‘E prometo explicar tudo para você depois.’
‘Não importa… não preciso entender.’ Kasumi falou séria. ‘Só quero saber que ele vai ficar bem.’ Completou, fazendo um gesto com a cabeça em direção a Shaolin que estava perto dos pais e dos anjos. ‘Não vão deixar que eu o ajude.’
Marie observou a menina por alguns segundos e sorriu de leve, ainda passando a mão na cabeça dela com carinho. ‘Vai ficar tudo bem com o pirralho.’ Garantiu, fazendo Kasumi virar-se para ela com um leve sorriso.
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‘Senhora Li… a senhora irá travar uma batalha enorme para impedir justamente que todos os Pilares sejam corrompidos. A senhora é a única alternativa que temos para combater esta influência externa.’ Gabriel falou com a voz suave.
Sabia o tamanho da responsabilidade e até mesmo da dolorida batalha que ela teria que travar sozinha. Mesmo com o apoio do seu Guardião, ainda seria extremamente difícil.
Sakura passou a mão pelo rosto nervosa. ‘Então eu aguento. Eu aguento tudo, mas deixa o meu filho fora disso!’
‘Não podemos.’ Gabriel falou com a voz séria. ‘Ele é o único que pode. Ele é filho do Guardião, tem poderes e é forte.’
‘Sendo assim…’ Kazuo falou, aproximando-se e chamando a atenção de todos. ‘Eu também sou filho dele.’ Falou, apontando para Syaoran. ‘Eu posso ir no lugar do Shaolin.’
Marie ouviu o que Kazuo falou e desviou os olhos de Kasumi, franzindo a testa de leve. Aquilo era novidade. Então o moleque até que tinha alguma fibra e, pelo jeito, importava-se com o irmão mais novo. Para um demônio, ele era bem sentimental.
Mordeu de leve o lábio inferior, observando-o, e encolheu os ombros de leve. Sentia no peito um formigamento caloroso e sorriu fracamente, desviando os olhos de Kazuo para Syaoran e Sakura. Inconscientemente, levou uma das mãos ao peito.
Kasumi olhou de soslaio para Marie, que estava ao seu lado, e balançou a cabeça, tendo percebido as reações da jovem ruiva.
‘Não!’ Sakura gritou novamente. ‘Nem você, nem Shaolin!’ Falou, encarando Kazuo que arregalou os olhos, surpreso.
Como assim? Sakura estava exausta, enfraquecida. Os caras acabaram de falar que ela teria uma missão difícil e possivelmente dolorosa. Segundo histórias de Arthas, os guardiões celestes só aparecem para dar problemas bem complicados.
Ela lutava para se manter em pé, tendo que ser amparada pelo pai. E, apesar de tudo, gritava e mostrava-se desesperada para impedir que o filho se colocasse em perigo. Franziu a testa e desviou os olhos dela, sentindo algo estranho dentro do peito ao ouvi-la gritando e igualmente preocupada com ele. Por ele se colocar em perigo.
O normal seria ela ficar satisfeita porque ele assumiria o perigo que Shaolin estaria correndo, não? Na verdade, o normal seria ela se preocupar com a luta e a dor dela, não? O que movia aquela mulher para ela se desesperar daquela forma por Shaolin e por ele. Balançou a cabeça, intrigado.
‘Mas…’ Kazuo começou a falar.
Sakura voltou-se para Gabriel, interrompendo Kazuo. ‘Eu já avisei… não coloque minha família em risco por minha causa. Eu aguento!’
Kazuo voltou a fitar Sakura. Como ela aguentaria? Ela mal conseguia ficar em pé?
‘Não tem como aguentar sozinha, senhora Li.’ Raziel falou com a voz suave.
‘Eu aguento! Inferno! Eu sei que consigo!’
‘Sakura…’ Syaoran a chamou. ‘Eles… eles têm razão. Não tem como você aguentar tudo sozinha. Alguma coisa precisa ser feita.’
Ela se voltou para ele furiosa. ‘Não! Eles…’ Apontou para Kazuo e Shaolin. ‘... não vão ter a mesma sina que você… Que nós! Entendeu?’
Kazuo desviou novamente os olhos de Sakura, passando uma mão no rosto. Sentia-se nervoso. Intrigado. Não era essa a reação que esperava de uma fêmea. Não era assim que deveria ser a reação dela.
Midoriko sempre havia lhe falado que, quanto mais perigo ele corresse, mais forte e mais poderoso se tornaria. Mais parecido com o pai. Mais parecido com o que ela esperava dele. Sakura agia no extremo oposto do que ele sempre vira como normal e corriqueiro e não podia negar, isso o estava perturbando demais.
Syaoran olhou da esposa para Gabriel sem saber o que fazer. Deus! Que inferno! Por que isso estava acontecendo de novo com ele?
Shaolin respirou fundo. ‘Não tem o que fazer.’ Falou, dando os ombros. ‘Eu darei um jeito de resolver isso.’ Ele olhou para a mãe. ‘E não adianta gritar novamente, dizendo que não é para eu ir.’ Disse sério. ‘Eu já decidi!’
Sakura sentiu o ar lhe faltar nos pulmões. Sabia que o filho era tão cabeça dura quanto o pai… E, no fundo, quanto ela.
‘Eu vou no lugar dele.’ Kazuo falou novamente. ‘Ele não precisa ir. Mesmo que seja cabeça dura e já tenha decidido.’
Gabriel olhou para Kazuo. ‘Não tem como. Você não poderia destruir as chaves, sua magia é das trevas, assim como a dela.’ O anjo falou indicando Marie que estava atrás deles. ‘Para destruir as chaves, a magia não pode ser ligada às trevas. O único que se encaixa é Shaolin.’ Gabriel soltou um longo suspiro, olhando para o garoto. ‘Sabemos que a responsabilidade é grande para a sua idade, mas não temos como esperar.’
Shaolin concordou com a cabeça. ‘Tudo bem. Eu dou conta.’
‘Ele dá conta.’ Sakura repetiu de forma irônica. ‘É realmente seu filho.’ Falou para o marido, irritada.
‘Eu vou com ele então.’ Kazuo falou, encarando Gabriel. ‘Disso não tem como me impedir.’
O anjo concordou com a cabeça.
‘Eu também vou.’ Marie disse e encarou Gabriel. ‘Mas isso… você já sabia, né?’
‘Sobre você? Sim.’ Ele respondeu, sorrindo de leve. ‘Sobre ele...’ Apontou para Kazuo. ‘Foi uma surpresa.’
‘E os seres das trevas estão sempre surpreendendo os seres celestes, né?’ Marie falou de forma debochada encarando Gabriel que pigarreou, sentindo-se incomodado com a colocação dela.
O anjo desviou os olhos dela e fitou Shaolin, depois Kazuo. Realmente ver os dois irmão juntos seria bem interessante.
Kazuo olhou rapidamente para Marie e sorriu de lado. A ruiva metida era realmente debochada com todos. Começou a gostar disto. Na verdade, tudo andava surpreendendo-o demais nos últimos meses de forma que estava difícil saber o que era certo ou errado. De alguma forma, os valores que sempre havia entendido como corretos estavam ruindo. E estava com sensações cada vez mais intensas e mais intrigantes.
‘No momento nós temos 3 chaves no Japão.’ Raziel voltou a se pronunciar, chamando atenção para o assunto em pauta. ‘Duas delas estão seguras, por enquanto, mas a que aquele grupo tem em suas mãos deve ser destruída urgentemente.’
‘Então…’ Shaolin falou. ‘Acho que vamos começar com esta logo. Vocês dois…’ Disse apontando para os anjos. ‘Pelo menos podem nos dar uma pista de como encontrá-la ou vamos ter que sair batendo de casa em casa em todo Japão?’
Gabriel estreitou os olhos no garoto. ‘O Rashinban o ajudará a localizar as chaves.’
‘Rashinban?’ Shaolin perguntou, franzindo a testa.
‘Seu pai vai explicar isso para você.’ Gabriel falou olhando para o garoto. ‘Como usá-lo e combiná-lo com sua magia.’
Syaoran franziu a testa. O Rashinban estava com a família Li, quando esteve na China da última vez, havia conseguido pegar apenas sua esfera negra, mas acabou deixando o tabuleiro mágico na mansão.
‘Nem isso vocês conseguem fazer sozinhos, não é?’ Syaoran falou de forma irônica para Gabriel, que desviou os olhos de Shaolin para fitá-lo. Li respirou fundo. ‘Eu cuidarei disso. O problema é que o Rashinban não está comigo, se vocês não sabem.’
‘Ele logo estará com você. Estão trazendo-o da China.’ Gabriel o informou.
‘Quem?’ Syaoran perguntou, estranhando.
‘A sua mãe.’ Respondeu, percebendo a troca de olhares entre Sakura e Syaoran e também que a aura mágica do casal se alterou um pouco mais.
Continua.
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