FEITICEIROS

por Kath Klein

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 06

A Fêmea Alpha

Sakura observava Syaoran banhando-se no lago a sua frente. Estava sentada embaixo da copa de uma das inúmeras árvores. A noite já tinha caído, a iluminação apenas vindo da lua cheia. Tinham comido algumas frutas que Syaoran conseguiu achar, se continuasse assim nem precisaria fazer dieta para caber na calça jeans nova que tinha comprado há alguns dias. Instantaneamente sentiu o rosto esquentar. Tinha comprado muitas roupas que antes nunca tivera coragem de comprar, tudo por causa da tal poção desinibidora de pudores. Riu pensando nisso. Era melhor a polícia nem ficar sabendo daquilo ou a senhora teria problemas com a divisão de narcóticos. Aquela poção era barra pesada.

Cerrou os olhos, observando o contorno do corpo do rapaz se banhando nas águas calmas do lago. Mordeu o lábio inferior observando como ele era lindo. Agora não tinha poção para ajudá-la a controlar aquela vergonha toda, mas a jovem não poderia negar que tinha muita vontade, muito desejo por aquele guerreiro chinês.

Agora presos aqui neste tempo passado, não existia nada mais que o obrigasse a voltar para China. Até porque eles poderiam ficar presos para sempre ali, por toda a eternidade. Este pensamento fez a jovem sentir um alívio enorme no coração. Ela levantou-se sem tirar os olhos do corpo de Syaoran. Ela tirou os tênis e caminhou em direção a ele tirando também as pesadas roupas, e entrou nas águas frias do lago. Sentiu o ferimento do lado esquerdo arder, mas não ligou, mergulhou na água molhando o rosto e tirando todo e qualquer vestígio de sangue que tinha ficado em sua pele ou nos seus cabelos.

Syaoran ouviu o barulho da água, voltou-se e não viu Sakura na margem, franziu a testa pensando onde ela estaria, logo a figura feminina emergiu das águas como uma sereia. Ele engoliu em seco e cerrou os olhos. Não pôde deixar de pensar que por um segundo poderia estar sonhando, é talvez estivesse num sonho e não estava querendo acordar.

Sakura andou devagar até parar em frente ao rapaz, fitaram-se assim por alguns segundo até a jovem levantar o braço e tocar na pele quente dele. Foi como se ela tivesse acendido um fósforo perto de uma imensa poça de combustível.

O rapaz a envolveu em seus braços e sua boca alcançou a dela em poucos segundos, os dois se abraçaram beijando-se apaixonadamente e loucamente. Só pararam de se beijar para que suas bocas pudessem explorar outras partes do corpo do outro.

Syaoran não acreditou quando sentiu o corpo nu de Sakura contra o seu, a garota estaria novamente envolvida por alguma magia? Não sentia nenhuma força mágica por perto, na verdade a única coisa que sentia era a imensa paixão que tinha por aquela mulher em seus braços, beijando-o, demonstrando o mesmo desejo que ele tinha por ela.

Ele sentiu quando Sakura envolveu-o com suas pernas, ela estava brincando com o perigo, pensou segurando o quadril da namorada. Estava sentindo toda a feminilidade dela quando arregalou os olhos. ‘Droga.’ Deixou a palavra sair dos seus lábios.

Sakura parou de beijá-lo e franziu a testa, Li estava de sacanagem com ela? O que é que tinha acontecido agora? Não tinha magia nenhuma naquele lugar, o namorado não poderia simplesmente aceitar que ela queria aquilo tanto quanto ele? Que ela também tinha desejos e que queria realizar todas suas fantasias com ele.

‘Eu estou sem camisinha.’ O rapaz falou afastando o quadril da namorada dele, pois já estava em ponto de bala.

Sakura abriu a boca umas duas vezes tentando falar alguma coisa, mas nada vinha à sua cabeça.

‘Camisinha...’ Ela repetiu e balançou a cabeça pensando que tinha deixado este pequeno detalhe escapar de suas fantasias românticas da sua primeira vez. ‘Claro.’ Falou rindo, mostrando-se claramente nervosa, e afastando-se dele, o clima tinha completamente se perdido.

‘Melhor você ficar longe de mim.’ Li falou tentando afastar do corpo da jovem, ela se abaixou fazendo a água ficar agora na altura de seu pescoço e escondendo do rapaz sua nudez, Li fez o mesmo.

A jovem viu que ele sentia-se sem graça, mas sorriu para ele pensando que ele tinha razão. O simples fato dele ter pensando nisto, e parado a situação já era uma enorme demonstração de amor por ela.

Ficaram ali parados um ao lado do outro rindo da situação idiota em que estavam. Ela o fitou e franziu a testa. ‘Então você parou daquela vez porque não tinha camisinha?’ Perguntou referindo-se à noite em que quase transaram no tempo deles.

Li meneou a cabeça. ‘Não... tinha camisinha no meu quarto.’ Ele falou com sinceridade. ‘Kurogane tem uma gaveta cheia.’ Completou sem graça.

‘Ah... Kurogane...’ Ela falou com o rosto desconfiado. ‘Ele é quem tem camisinhas a postos, não é?’

Syaoran riu. ‘Ele é um galinha.’ Já estava acostumado a sempre esperar no lado de fora do apartamento para que o rapaz ficasse mais a vontade com uma garota no quarto dos dois. Já tinha perdido as contas de quantas vezes havia dormido no sofá da sala de estudo da irmandade KΩε por conta do colega de quarto.

‘Mas você também sabia muito bem disto…’ Ela comentou em tom desconfiado.

O rapaz pigarreou com a colocação da namorada. ‘É sempre bom saber, não?’

‘Sim… claro.’ Falou de forma inquisitória. Estava no final se divertindo, vendo o rapaz numa situação comprometedora. ‘Principalmente quando se recebe muitas gurias em seu dormitório.

Ele ergueu uma sobrancelha. ‘Vai saber quando a menina por quem você é louco resolve aparecer em trajes eróticos para te provocar, não é?’ Se ela sabia brincar, ele também saberia. Adorou vê-la com o rosto vermelho e desviando os olhos.

‘Hum…’ Sakura murmurou. Ponto para ele. Um a um.

‘Espero que não aceite mais nada que aquele idiota resolver te oferecer.’ Ele comentou antes de respirar fundo. ‘Podia ser coisa pior. Não pode confiar em todo mundo.’

Ela deu de ombros. ‘Estava me sentindo mal por tê-lo usado.’

‘Por tê-lo usado...’ O rapaz repetiu devagar. ‘Para?’

Ela percebeu que tinha dado com a língua nos dentes. Sentiu-se irritada por ter falado, mas agora não tinha como voltar atrás. Fitou-o novamente com o rosto sério. ‘Usado-o para esquecer você.’

Ficaram em silêncio se fitando de forma profunda. Ele engoliu em seco.

‘Eu sei que você espera ainda uma explicação do porquê não pude manter contato contigo durante um tempo.’

‘Exatos cinco anos e dez meses.’ Ela o interrompeu.

Ele arregalou os olhos de leve, surpreso por ela saber o tempo com exatidão. Reparou que ela desviou os olhos dele, ainda estava magoada e ela tinha razão para isso, não fora correto o que fez, mas não tinha como explicar para ela o que estava acontecendo com ele na época. Pensou um tempo, no que poderia falar. ‘Eu só queria que você soubesse que nunca deixei de pensar em você.’

Ficaram em silêncio. Até que ela voltou ao assunto, agora que ele tinha dado abertura, ela não podia perder a oportunidade.

‘Este seu treinamento…’ Ela começou a falar tentando escolher as melhores palavras para tentar arrancar dele o que queria. Obter uma informação de Syaoran, era como jogar cartas, tinha que medir bem as palavras para conseguir alguma coisa.

No fundo gostaria que ele fosse mais aberto com ela, assim como ela se sentia bem em ser aberta com ele. Mas Syaoran sempre fora arisco, desde criança. Sempre partiu dela uma aproximação. Quando ele começava a lhe falar algo mais profundo, acabava a conversa saindo correndo e não deixando-a falar mais nada.

‘Ele deve ter sido muito difícil, não é? Você sempre foi muito bom em lutas, mas acho que está bem mais forte. Yue comentou que você luta muito bem.’ Tentou falar algo positivo do que tinha certeza que fora negativo, quem sabe se ele pensasse que ela aprovara, sentir-se-ia mais confortável para falar.

Ele ficou em silêncio observando-a e sorriu de leve, de forma triste, ela pôde perceber bem. Depois ele desviou os olhos dela para um ponto qualquer. ‘Foi uma droga.’ Falou por fim.

Não queria mentir para ela. ‘Mas tinha que ser feito. É tradição do Clã. Todos são obrigados a fazer. Só que…’ Ele se calou deixando morrer o que falaria. Sakura percebeu que ele havia desistido de contar alguma coisa para ela.

Aproximou-se dele e tocou de leve o braço do rapaz chamando a atenção dele para ela. ‘Pode confiar em mim, Syaoran.’

‘Eu confio em você.’ Falou com sinceridade.

‘E por que não me conta o que realmente aconteceu?’ Ela perguntou com a voz suave. ‘Eu vou morrer de ciúmes se você falar que namorou outras meninas, mas eu aguento.’ Falou tentando ser divertida.

Ele riu achando graça. ‘Nunca teve outra garota. Só você estava na minha cabeça.’ Ele reteve-se por alguns segundos. Era melhor não mentir para ela. ‘Mas eu já… hum… enfim… você sabe.’

‘Hã…’ Ela murmurou, realmente seria muito esperar que ele tivesse de algum modo esperado por ela, assim como ela no fundo esperou por ele. Suspirou pensando que não tinha muitas fantasias com relação a isto, na verdade já tê-lo por perto era um sonho realizado. ‘Bem… acho que é o normal, não é?’ Falou por fim sentindo-se estranhamente tímida, constatando que ele era experiente em algo que ela só tinha ideia do que era, por causa do que viveu com ele.

‘O normal nem sempre é o certo.’ Ele falou por fim. Arrependia-se do que tinha feito por causa de valores vazios e influências externas. Havia se deixado levar por situações que inicialmente não estavam ao seu controle, mas que ele poderia simplesmente parar. O problema é que na época vivia num verdadeiro inferno, estava confuso demais.

Ela deu de ombros novamente. ‘E o que é o certo?’

‘Só fazer com quem realmente a gente ama.’ Ele respondeu fazendo a jovem arregalar os olhos de leve. ‘O que eu vivi com você foi mais intenso do que tudo que eu já vivi com qualquer outra mulher.’ Falou com sinceridade.

Não era questão de comparar, era questão de sentimento. Não tinha como nenhuma mulher um dia chegar a enlouquecê-lo como a jovem de olhos verdes a sua frente, simplesmente porque ele a amava.

Ela mordeu o lábio inferior ainda não conseguindo encará-lo. Ele pegou o rosto tão amado entre suas mãos e beijou de forma suave os lábios da jovem. Afastou-se ainda segurando o rosto de Sakura e a fitando profundamente. ‘Eu nunca deixei de amar você, Sakura.’

Ela sorriu e segurou as mãos dele que ainda estavam sobre o seu rosto. ‘Eu também.’ Entretanto seus olhos desviaram dos dele. Ela precisava de uma resposta. Tirou as mãos dele do seu rosto de forma delicada. ‘Então por que você desapareceu da minha vida por tanto tempo, Syaoran? Eu não consigo entender …’ Ela o fitou. ‘O que realmente aconteceu com você?.’

Ele se afastou dela e suspirou de forma pesada. Fechou os olhos pensando no que falaria, se era certo contar. ‘Era complicado entrar em contato com qualquer um durante o treinamento. Além disso, sou o único filho de Shang Li, que foi o líder do Clã por muito tempo. Naturalmente, o meu treinamento foi mais…’ Ele não estava mentindo, estava apenas escolhendo os fatos que achava relevante que ela soubesse para não se sentir culpada por algo fora do seu controle. Ele tinha certeza que se ela desconfiasse do que tinha passado por ter perdido as cartas Clow para ela e ainda tê-la ajudado a transformar as cartas Clow em cartas Sakura, sentir-se-ia mal.

Conhecia Sakura. Ela sempre colocou os outros na frente dela. Foi com ela que ele aprendeu justamente a se importar com os sentimentos e com o sofrimento dos outros. ‘Bem, ele foi mais puxado do que o dos outros, então não pude manter contato com ninguém.’

‘Hum…’ Ela murmurou. ‘Eles foram muito duros com você, não é?’ Ela perguntou sentindo-se triste por ele ter sido tão cobrado. Syaoran sempre teve um senso de responsabilidade à frente da idade.

Lembrava-se de Meilyn contando sobre o menino que sempre ficava estudando em vez de brincando com as outras crianças. Quando o conheceu pouco se divertia, apenas estudava e capturava as cartas com ela. No fundo, ela sempre sentira um prazer enorme em convencê-lo a fazer programas de crianças normais quando conviveram juntos na época das caçadas.

Syaoran meneou a cabeça. ‘Não importa, agora acabou. Eu estou aqui.’ Falou tentando terminar o assunto.

‘Sim. Você está aqui.’ Ela concordou abrindo o sorriso. Ela olhou para os lados. ‘Estamos aqui dentro de um lago num lugar que não sabemos direito onde é, num tempo que não temos a menor ideia de qual seja.’

Ele gargalhou. ‘Exatamente.’

‘Mas estamos juntos.’ Ela completou sorrindo para ele que não pôde deixar de sentir um calafrio gostoso percorrer sua espinha. Ela tinha o sorriso mais lindo de todo o planeta.

‘Exatamente.’ Repetiu devagar. ‘Estou sem roupas ao lado da garota dos meus sonhos nua dentro de um lago sem camisinha… realmente, acho que não tenho muita sorte.’ Falou brincando.

Ela riu pensando que a situação dos dois era realmente irônica. ‘Acho que deve ser difícil, não?’

Ele se aproximou dela e falou com a voz rouca. ‘Você nem imagina o quanto.’ Ela engoliu em seco. ‘Melhor você ficar mesmo longe de mim.’ Não era o que ela queria, mas era o certo a se fazer, por ora. Afastou-se dele.

Sakura mergulhou afundando a cabeça e nadou um pouco tentando relaxar. Li observava apenas a cabeça da jovem afundando e levantando e se afastando dele. Ouvia-se o barulho da água e de alguns animais da floresta. A lua ajudava muito o casal, estava imensa acima da cabeça deles, iluminando com seus raios prateados.

O rapaz fitou o satélite lunar encantado com o seu resplendor. A magia lunar sempre mexia com ele. Abaixou os olhos e observou Sakura nadando no lago como uma sereia, uma bela sereia. Sua sereia. Pensou em como tivera forças para parar pela segunda vez o que estavam fazendo, mas amava-a demais para não se protegerem de forma adequada. Não era um ignorante, ele sabia cuidar do que amava.

‘Uhummm....’ Sakura exclamou. ‘Está ficando frio.’

‘Eu saio e depois você sai. Vê se para de brincar e aproveita para limpar bem este seu machucado do braço.’ Recomendou.

‘Meu braço está ótimo.’ Ela falou olhando o machucado, fez uma careta pensando se ficaria com cicatriz. ‘Acho que eu tinha que tomar alguns pontos nisto daqui.’

Li ouviu a jovem, ela tinha razão, seria uma boa ela tomar uns pontos para a cicatrização, talvez um anti-inflamatório também. Sakura não estava acostumada a se machucar daquela maneira como ele. ‘Eu posso tentar depois.’ Falou.

‘Tá maluco! Nem pensar!’ Ela exclamou só em pensar em levar pontos sem anestesia já lhe dava calafrios de dor antecipada. Já tinha parado de sangrar e verdade seja dita que ela precisaria de Li para amarrar um pedaço de pano para proteger o ferimento, mas não era nada demais. Já tinha visto vários filmes que os mocinhos se machucavam e tudo ficava na boa, seria o mesmo com ela. Tocou e sentiu arder o machucado, pensando que a realidade tinha bem menos glamour.

Ouviu o barulho das águas se mexendo e Syaoran saindo delas nu, suspirou. Novamente parou de pensar em tudo observando o namorado caminhando em direção às roupas e as colocando. Estava com a calça jeans e a camiseta. Deixou ao lado o quimono masculino enorme que tinha limitado seus movimentos na luta de hoje.

‘Pode vir.’ Ele falou. ‘Estou de costas.’ Sakura nadou até a margem do lago e saiu. Caminhou devagar até suas roupas. Estava vestindo sua blusa enquanto Li amarrava o cadarço do tênis quando ouviram um barulho vindo da mata. Ela colocou a blusa a sua frente tampando o sutiã. Syaoran virou-se para o lugar do barulho já em estado de alerta. ‘Estou detestando este lugar.’ Desabafou irritado.

A jovem correu e ficou próxima do namorado colocando a blusa de qualquer maneira e pegando os tênis, já pronta para começar uma possível fuga.

‘Sabia que vocês não eram normais.’ Uma voz chamou a atenção do casal. De trás de uma árvore surgiu a forma de um rapaz. Deveria ter a idade de Sakura e Li, outros logo depois apareceram.

Em poucos segundos o casal de feiticeiros sem magia no momento, estavam à frente de pelo menos uns quinze homens das mais diferentes idades. ‘Estas roupas são muito estranhas.’ O rapaz falou aproximando-se e observando Li e Sakura com interesse. Arregalou os olhos reparando no short jeans da jovem deixando suas pernas bem torneadas a mostra.

Li bateu no peito dele incomodado com o olhar fixo do rapaz. ‘Hei! Você quer apanhar?’

Um senhor de mais idade pegou o kimono que Sakura tinha usado e se aproximou com ele nas mãos. ‘É melhor usar isso, minha jovem, aqui as mulheres não costumam usar trajes tão curtos.’

Ele não falou com recriminação, mas mesmo a contra gosto ela pegou a roupa e a vestiu, estava um calor desgraçado e aquela roupa era muito quente, mas para não armar mais uma confusão resolveu concordar. O senhor fitou Li e sorriu. ‘Dá muita liberdade a sua jovem esposa, meu rapaz. Mulheres aqui não têm este tipo de comportamento, são muito retraídas.’

‘São é muito reprimidas.’ Sakura falou sem se importar de ser ouvida.

Os homens se entreolharam observando a jovem se vestir. Ela era tão dona de si, como nenhuma outra mulher, além disso, tinha tanta força e agilidade. Eles tinham acompanhado a luta dela contra dois homens fortes do Daimyō Wong.

‘Vocês são de terras estrangeiras.’ Ele concluiu deixando de observar Sakura e fitando Li. ‘Não sei por que estão aqui, se são enviados de Emma Daio, ou estão realmente só perdidos, mas precisamos de sua ajuda.’ Ele falou em tom de súplica.

Syaoran franziu a testa e olhou para a namorada que também observava aquele grupo de homens tão maltratados. O que eles realmente estavam querendo deles?

‘Não sabemos onde estamos.’ Syaoran foi sincero.

Precisava saber onde estavam para saber como sair de lá e voltarem para o tempo ou para o mundo deles. Por algum motivo os livros de Hiiraguizawa começavam a fazer sentido para ele. Será que estavam num universo paralelo ao deles? Isso seria uma boa explicação para não terem magia. Então a luz seria um portal entre os dois universos? Mas por que ela surgiu e por que Sakura foi atraída para ela e por que se fechou logo depois deles passarem?

‘Vou levá-los para minha casa. Todos que estão aqui precisam da sua ajuda.’ O homem falou colocando uma mão no ombro do rapaz e tentando sorrir para ele. Estava pedindo ajuda.

Li mostrava-se incerto. Ficou em silêncio pensando se realmente poderia confiar naqueles homens.

‘Precisamos da ajuda deles, Syaoran.’ Sakura falou baixinho para o namorado segurando sua mão. Ela tinha razão, precisavam entender o que estava acontecendo.

Li desviou os olhos da namorada e fitou o senhor a sua frente. ‘O que me garante que não está nos levando para aquele daymiō, ou sei lá como vocês chamam aquele idiota.’

‘Eu lhe dou a minha palavra e ela é uma só.’ O homem falou sério. O rapaz encarou o homem e sentiu que ele não mentia. Havia honra ali. ‘Sou Ryu Oktasama. E estes são os servos do Daimyō que não aguentam mais serem explorados e maltratados por ele. Já tivemos nossas filhas, esposas roubadas e transformadas em prostitutas por aquele homem. Nossas crianças estão sendo obrigadas a trabalhar e não mais vão à escola, pois o Daimyō mandou matar os professores. Ele apenas quer que trabalhemos incansavelmente para lhe dar mais ouro. Vamos morrer de tanta miséria e trabalho.’

Syaoran tremia por dentro encarando aquele homem suplicar por sua ajuda para combater um demônio. Daimyō poderia não ser um ser das trevas, mas estava bem próximo a eles ou quem sabe pior que eles em termos de caráter. Ele sentiu que a namorada segurou a mão dele com mais firmeza, ela também estava horrorizada com as palavras daquele homem. Ela tinha percebido aquilo tudo quando entrou no feudo.

Li acenou a cabeça para o homem indicando que concordaria em ajudar com o que podia. ‘Precisamos comer alguma coisa.’ Ele falou sabendo que Sakura deveria estar com muita fome.

‘Venha conosco, por favor...’ Ryu falou virando-se e sendo acompanhado pelo casal e todos os outros.

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Sakura comia rapidamente o que fosse posto à sua frente, como se de repente, pudesse desaparecer por mágica. Estava sentada no chão ao lado de Syaoran, que ao contrário da namorada beliscava uma coisa ou outra, estava mais atento do que nunca. À sua frente estava o senhor Ryu, ao lado dele comendo devagar e com a cabeça abaixada uma senhora, provavelmente a esposa.

Dois rapazes também estavam fazendo a refeição em silêncio, o senhor tinha os apresentado, um como filho e outro como genro. Completando a mesa estava sentado um garoto de uns doze anos, agora com calma Syaoran reconheceu o garoto que tinha lhe “emprestado” a arma para lutar contra os homens do Daimyō. O garoto não parava de olhar para ele e sorrir. Reparou que ele estava com o cabo da enxada ao seu lado. Tentou sorrir, mas estava tenso demais para isso. Não poderia mentir para si mesmo, estava com medo do desconhecido e estava com mais medo ainda por estar com a namorada neste lugar desconhecido.

‘Está tudo uma delícia, senhora Oktasama’, Sakura quebrou o silêncio incômodo do lugar. ‘Muito, muito bom! Parece que não comia há séculos.’ A senhora finalmente levantou o rosto e sorriu para a jovem que sorriu de volta.

A senhora estava um pouco assustada com a presença tão alegre e solta da jovem. Ela desviou os olhos e observou os rapazes que mostravam-se terrivelmente incomodados com a atitude de Sakura. ‘Posso comer um pouco mais? Hei, Syaoran, você não vai comer não, então eu vou comer, está bem?’ Li acenou que ela poderia comer o bolinho que estava no seu prato. Ela pegou sem muitos rodeios e comeu. ‘Isso aqui é uma delícia. Você não sabe o que está perdendo.’

O garoto riu do comentário dela. ‘Se quiser, senhora, posso lhe dar o meu.’ Falou empurrando o prato com seu bolinho na direção dela que sorriu para ele informando que aceitava qualquer coisa que fosse comida.

‘Sua esposa é bem diferente.’ O filho de Oktasama não resistiu em falar, estava com o rosto carrancudo, não aceitava muito bem aquela atitude de Sakura. ‘O senhor deveria impor mais limites para ela.’ Falou encarando Li que apenas suspirou, eles não entenderiam, pelo jeito era algo cultural.

Era como as mulheres do Clã Li. Todas eram criadas apenas para serem boas esposas, estudavam até o High School e depois não era permitido entrarem na faculdade. Com 20 anos ou menos já estavam casadas e prontas para serem “boas esposas”. Apesar de Sakura ser detentora de muita magia, pelo menos antes de entrar naquela luz brilhante, não tinha como ela ser escolhida para ser parte do Clã. Concluindo nunca aceitariam que ela fosse esposa dele, era isso que incomodava o rapaz. Não era o jeito alegre e faceiro da namorada, era o fato de acharem que a mulher que ele amava não fosse digna de ser sua esposa só por causa de tradições.

Sakura desviou os olhos do bolinho oferecido pelo garoto e encarou o rapaz que estava à mesa no lado esquerdo. Não gostou do que falou, estava louca para soltar vários desaforos para ele, mas tentou relaxar, estavam em algo que parecia o passado então, pelo que se lembrava das aulas de história do colégio a posição da mulher realmente era submissa. Suspirou e baixou os olhos, ficou mais próxima a Syaoran, encostando sua perna na dele. Voltou a comer o bolinho a contra gosto, o sabor já não era tão gostoso depois daquele comentário.

‘É por isso que ela não é sua esposa.’ Ouviu Syaoran responder de forma desafiadora. Se tivesse como amar mais o namorado, amaria por aquela colocação. ‘Se pensa em ter uma esposa só para lhe obedecer, senhor Oktasama, acho que você não vai conseguir entender o que é ser feliz.’ O coraçãozinho da jovem explodiu de felicidade.

O rapaz bufou contrariado e Li percebeu que ele já estava pronto para tirar a resposta desaforada no tapa, mas o pai levantou a mão ordenando silenciosamente que se mantivesse sentado e calmo. Quem tinha começado a discussão com o estrangeiro fora ele que falou o que não deveria da esposa do outro.

‘Isso não vai funcionar.’ O jovem falou contrariado. ‘Ele não tem como derrotar sozinho todos os homens que daimyō contratou agora. Se o Daimyō Wong descobre que eles estão aqui, vão matar a todos nós. E nunca vamos tirar Asami e Misaki daquele inferno.’ Ele falou levantando-se da mesa com raiva.

Um pesado silêncio voltou a reinar no pequeno cômodo da humilde casa.

‘Perdoe-o.’ Finalmente a senhora Oktasama falou. Ela suspirou e sentiu-se confortável pela primeira vez em falar na presença dos homens. Por algum motivo, aquela jovem de olhos glaucos havia lhe despertado para uma fibra que pensou que tinha esquecido. Li fez um gesto para que ela não se preocupasse com a atitude do rapaz.

‘Meu filho está apenas com medo que matem a esposa e a irmã dele.’ Ela tentou sorrir, mas não conseguiu, seus olhos estavam brilhando mostrando que estava com vontade de chorar, mas talvez não tivesse mais lágrimas para derramar.

Sakura pensou em perguntar o que tinha acontecido com elas, mas deduziu que não teria uma resposta boa. Achou melhor ficar quieta. Ela desviou os olhos da senhora e olhou para Syaoran, desde que a magia dos dois feiticeiros havia desaparecido eles andavam cada vez mais com aquela troca de olhares. Não precisavam se comunicar para entender o que cada um pensava.

‘O senhor irá salvá-las, não vai?’ O garoto falou em voz alta e ansiosa encarando Syaoran, depois desviou os olhos para a Sakura. ‘Vocês vão nos ajudar, não vão?’

‘Claro.’ Foi a resposta baixa de Sakura, mas era a mesma de Syaoran.

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‘Como eu lhe falei, Sakura.’ Syaoran falava com a jovem enquanto finalizava o curativo dela no braço. Apertou bem a faixa de linho limpo embebido com álcool. ‘Fica atenta e não se afasta de mim. Não sei como as coisas ficarão.’ Ela mordeu os lábios mostrando que estava sentido dor no ferimento no braço.

Li nem se deu ao trabalho de tentar convencê-la que era melhor ficar com as outras mulheres, porque conhecia a namorada. Ela iria de qualquer maneira. Era melhor então que ela estivesse perto dele. A jovem bateu de leve na arma que tinha presa na cintura.

‘Não é como minha querida Espada, mas acho que pode me ajudar.’ Falou lembrando-se com carinho de sua carta. Todas estavam fazendo uma grande falta para a mestra das cartas. Suspirou. ‘Será que vamos ficar presos para sempre aqui, Syaoran? Será que nunca mais voltaremos?’

‘Eu sinceramente não sei, minha flor.’ Falou com carinho.

‘Estamos aqui já faz dois dias. Tomoyo deve estar louca atrás da gente. Touya deve ter infartado.’ Sakura arregalou os olhos pensando no irmão. Ele deveria estar realmente enlouquecido pensando onde os dois estariam. ‘Touya vai nos matar...’ Falou sentindo um calafrio.

‘Bem, tomara então que ele tenha infartado.’ Falou brincando sabendo que Sakura reclamaria.

‘Estão prontos?’ A voz da senhora Oktasama chamou a atenção do casal que apenas confirmou com a cabeça. A senhora estendeu um yukata, que era um kimono mais fino e mais leve para a jovem poder usar por cima da sua roupa, que para os padrões locais era indecente. A jovem pegou da senhora e sorriu em agradecimento. Vestiu e olhou para Syaoran que sorria para ela.

‘Fica linda com roupa tradicional, Sakura.’ Ele falou admirando a jovem que corou com o elogio. A senhora acompanhava com interesse o diálogo dos jovens. Ele deu um demorado beijo na testa da amada. ‘Não se arrisque.’ Recomendou.

‘Você... não banque o herói.’ Ela também o advertiu.

‘Depois desta loucura vamos conseguir voltar para casa.’

‘Tenho certeza disto.’ Falou abraçando o amado e inalando aquele cheiro maravilhoso que ele tinha.

A senhora sorria para eles. Logo um par de olhos castanhos de um garotinho apareceu admirando os dois, em como eles eram tão diferentes, mas tão carinhosos um com o outro como nunca tinha visto seus pais, ou qualquer outro casal da sua família ou além dela, serem. Pensou que quando se tornasse um lutador como o rapaz a sua frente, gostaria de ter uma esposa como a jovem de olhos glaucos e ele tinha certeza, trataria-a como aquele grande guerreiro estava tratando sua adorada esposa.

Li foi até o garoto que ainda tinha o cabo da enxada nas suas mãos. Abaixou ficando a altura dele. ‘Você me empresta novamente?’ Pediu educadamente e foi prontamente atendido com um sorriso nos lábios. ‘Prometo devolver assim que tudo acabar.’

‘Não prefere usar uma espada, rapaz?’ O senhor Oktasama perguntou intrigado.

Syaoran respondeu que não. Com uma espada de verdade poderia matar alguém, e não era o que queria. Não era um assassino, mesmo que tivessem feito de tudo para ele se tornar um. Rodou o cabo que bem lhe serviria como um poderoso bastão Bô. Ele seria perfeito, já tinha visto que era bem resistente.

Sakura e Li saíram da pequena casa, e encontraram quase todos os servos do daimyō Wong em frente da casa do senhor Oktasama. Todos estavam com foices, enxadas e o que mais conseguiram pegar para servir de arma. Poucos tinham uma arma branca de verdade, e provavelmente poucos saberiam realmente usá-las. O grupo caminhou devagar em direção à residência principal. Ela estava cercada por alguns homens com katanas e outras armas em punho para defenderem o seu senhor da rebelião dos servos.

Li contou cerca de trinta homens a frente da casa, o grupo tinha pelo menos uns cinquenta servos, mas ele sabia que esta desvantagem era só aparente, além dos trinta homens serem realmente guerreiros, ele tinha certeza que outros estariam protegendo o senhor Wong, que apareceu no alto da escadaria encarando a rebelião dos seus servos. Seus olhos cravaram em Li e levou uma das mãos na altura das costelas que o rapaz tinha quebrado. Ele mataria aquele desgraçado e depois de se divertir por horas com a esposa, a mandaria para o inferno junto dele.

‘Matem todos!’ Ordenou aos seus mercenários. ‘Recompensarei com um bônus quem me trouxer a cabeça do estrangeiro numa estaca.’ Recomendou. ‘Só me tragam a esposa dele viva. Quero diversão hoje à noite.’ Falou antes de entrar e mandar trancar a casa.

Li tinha o coração acelerado, conhecia aquela agitação toda dentro do peito. Fechou os olhos por um instante e pensou rapidamente no penoso treinamento que tivera, agora era hora de ver se, pelo menos, tinha servido para alguma coisa, tinha que terminar aquilo de uma vez.

‘Sakura...’ Syaoran chamou a atenção da amada, ela o fitou rapidamente. ‘Não se assuste comigo, minha flor.’ Falou segurando o bastão com força nas mãos. Sakura franziu a testa estranhando a colocação dele. Perguntaria o que ele queria dizer com aquilo, mas foi interrompida pela aproximação rápida dos homens do Daimyō que vinham com espadas em punhos já desferindo golpes em todos que podiam.

Cinco homens fortemente armados vieram para cima de Syaoran já ansiosos pela gorda recompensa que receberiam tendo a cabeça daquele rapaz numa estaca. Ele afastou-se de Sakura sabendo que o alvo era ele, então agora tinha que confiar que sua namorada saberia se proteger, até ele pelo menos conseguir equilibrar aquela luta.

Ele desviou do ataque certeiro da espada de um dos homens e logo desviou do ataque de outro guerreiro. Pensou que deveria atacar e diminuir a desvantagem, acertou a espada do primeiro que o atacou fazendo a katana quebrar, tinha aprendido a fazer isso no seu treinamento. Katanas eram boas espadas, mas tinham pontos fracos por causa do material.

Aproveitou o momento de atordoamento do homem e golpeou forte na cabeça dele, o primeiro homem tombou no chão sangrando. Não levantou mais. O segundo se aproximou com mais cautela, acompanhado pelos outros três. Syaoran conseguia defender-se e desviar dos golpes, ele teve a impressão que, no final, os caras estavam tão atordoados que estavam se golpeando entre eles e não o rapaz. Ele virou o rosto rapidamente quando ouviu um grito de Sakura.

A jovem tinha caído no chão sendo atingida, sua arma tinha rolado para longe dela. Sentiu o sangue ferver e, por causa da distração, foi atingido na altura do quadril. ‘Vou matar todos vocês.’ Falou entre os dentes. Alguma coisa dentro dele estava acontecendo e ele não sabia direito o que era.

O rapaz levantou o bastão e pulou, deu um giro em torno de si atingindo com força um dos oponentes que caiu desacordado, menos dois pensou. Pousou no chão como um gato e levantou pegando impulso para pular sobre o terceiro que surpreso logo recebeu o golpe nas costas, urrou de dor, Li sabia que tinha quebrado pelo menos quatro costelas do cara.

Percebeu a aproximação da lança de mais um, abaixou e estando baixo deu uma rasteira fazendo-o cair no chão, chutaria o rosto do homem, mas este segurou sua perna mostrando que era bom de luta também. “Melhor.” Pensou o rapaz. Caiu com o golpe do adversário que ainda tentou acertá-lo, mas Li se protegeu com o bastão. Lutaram com extrema violência nos ataques. O quinto recuou com medo de ser atingido, mas quando ele tentou ir atrás da jovem de olhos verdes, Li percebeu e arremessou o bastão com força na direção do homem que atingido na nuca tombou. Sem arma alguma que pudesse protegê-lo teve que usar os punhos e as pernas.

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Quando Li afastou-se de Sakura para lutar contra os cinco que foram covardemente em cima dele, ela soube que era hora dela se defender, os outros homens de daimyō avançaram para cima dos servos, que se protegiam como podiam. Dois dos capangas foram para cima da jovem, ela tinha uma pequena espada nas mãos, wakizashi. Era leve e curva, então a jovem não tinha dificuldades para manejá-la, o problema era a força. Para combater os seres das trevas e zumbis que invadiam Tomoeda ela sempre utilizava Força para ajudá-la, agora não tinha a magia para isso. Tinha que ser rápida e precisa se quisesse primeiro, sair viva dali, segundo, ajudar seu amado Syaoran e terceiro, voltar para casa.

O homem veio para cima dela tentando segurá-la imaginando que a jovem era uma mulher boba como todas as outras, Sakura assim que sentiu-o segurando o seu braço virou, passando por baixo do homem. O ponto fraco do que supostamente era uma mão de ferro era o polegar, girando no sentido oposto ao polegar não tem quem conseguisse manter a pressão. Estando às costas do homem acertou-o com a pequena espada. O homem gritou de dor, Sakura chutou atrás dos seus joelhos fazendo-o dobrar-se e deu uma coronhada na nuca, ele caiu desacordado.

Ela tentou buscar fôlego, mas logo um outro se aproximou dela tentando não atingi-la, mas segurá-la também, percebeu que todos que se aproximavam tinham a intenção de pegá-la não matá-la. “Perfeito.” Pensou, tentou desviar, mas o homem segurou seus dois braços pela frente e levantou a jovem que ficou com os pés fora do chão, aproveitou então a posição, pegou embalo e chutou com força entre as pernas do homem que trincou os dentes.

‘Mulher impertinente.’ Falou jogando-a com força contra uma árvore, Sakura bateu a cabeça e sem querer gritou chamando a atenção de Li. Sentiu-se tonta por um segundo, o homem a sua frente ainda tentava se recuperar do seu golpe baixo, seus olhos sem querer desviaram-se para a luta de Li contra o grupo maior. Sentiu o sangue gelar, realmente não reconhecendo a violência do rapaz que lutava ferozmente. Arregalou os olhos, vendo um se afastar da luta e correr na direção dela e viu quando Syaoran arremessou o bastão atingindo de forma certeira a cabeça do homem que espirrou sangue para tudo quanto foi lado antes de tombar no chão.

Sentiu quando o homem a quem tinha atingido entre as pernas bateu forte no seu rosto, fazendo-a cair no chão novamente, cuspindo sangue.

‘Vou colocá-la no seu lugar.’ Ele estava pronto para chutá-la, a jovem rolou para o lado fugindo assim de ser atingida de forma violenta. Levantou o rosto sem saber direito o que fazer para se proteger quando um dos servos se aproximou do homem e o golpeou por trás fazendo-o tombar ao chão. A jovem olhou assustada a tudo, estava envolta de sangue, gritos, homens lutando por todos os lados. Sem querer sentiu lágrimas nos olhos em total desespero. Meu Deus! Por que precisava passar por isso? Fechou os olhos, o fedor de sangue ainda embrulhava seu estômago, não se acostumaria nunca, não importa quantos anos tivesse que conviver com ele.

Caiu no chão sentindo-se fraca e desesperada. Levantou o rosto e viu Li lutando de forma terrível contra mais dois outros guerreiros de Daimyō. Ele estava transfigurado. Não era o seu pequeno lobo ali, era um guerreiro, lutador de elite. Forte, ágil e violento como nunca tinha o visto antes.

Syaoran estava golpeando o homem a sua frente, o coitado não conseguia nem mais se defender dos ataques que eram precisos. Acabou caindo no chão e foi acertado de forma terrível pelo rapaz caindo finalmente desacordado. Li levantou os punhos para começar o confronto com o próximo quando sentiu a aura da Sakura. Arregalou os olhos surpreso por sentir novamente magia. Olhou para a direção da jovem e a viu ajoelhada no chão, com os olhos assustados e lacrimejantes o fitando com intensidade. Engoliu em seco deduzindo que ela estaria assustada com tudo.

Em volta da jovem, a aura cor de rosa começou a crescer, e ele franziu a testa percebendo fracos raios multicoloridos misturado a aura dela. Coloridos igual à luz da esfera que os tinha levado para aquele lugar, constatou.

Com a distração quase foi atingido de forma fatal por uma katana, rolou no chão para evitar a sucessão de golpes do homem que tentava desesperadamente acertá-lo, sentou e com um golpe de pernas deu uma rasteira no oponente, assim que ele caiu no chão o desarmou e pegou a arma dele, pronto para desferir um golpe fatal, quando Sakura gritou para ele parar.

Balançou a cabeça assustado. Caiu no chão sentado em frente ao homem de quem quase tirara a vida. O oponente o encarava aterrorizado, como quem poderia jurar que já estava morto, mas vendo que o rapaz deu para trás pegou uma outra arma da cintura e estava pronto para atingir Li quando uma rajada de vento forte golpeou-o com força fazendo-o voar para longe. Li sabia o que era aquilo. “Vento.” Pensou virando-se e observando a jovem namorada com seu báculo na mão direita. Todos pararam observando a feiticeira invocar seus poderes. Trovão, Vento, Água, Areia, Bosque atingiam cada homem de Daimyō fazendo-os pararem seus ataques.

Outros simplesmente pararam de lutar com medo da bruxa que agora tinha o controle de tudo, um ainda tentou atingi-la com a espada, mas bateu com tudo no Escudo mágico da jovem e foi lançado longe. Os homens do jovem daimyō não podiam com o sobrenatural. Fizeram o que o bom senso ordenou, fugiram.

Syaoran estava sentado no chão, tentando acalmar sua respiração. Estranhou Sakura recuperar sua magia e ele não. Ainda não conseguia invocar sua espada. O que ela tinha feito? Ela ainda tinha os olhos fixos em Syaoran. Os servos olhavam aterrorizados para a jovem, vendo o poder extraordinário que emanava daquela mulher de aparência frágil.

As cartas voltaram e rodearam sua mestra antes de ficarem na forma das conhecidas lâminas de Sakura que as pegou com carinho. Ela ainda tinha o báculo na sua mão. Li levantou do chão com calma e caminhou devagar em direção da namorada envolvida em sua aura. Quando ele estava a dois passos da jovem ela se jogou nos braços dele, abraçando-o com força. Li sorriu envolvendo a namorada entre seus braços, abaixou o rosto afundando o queixo nos cabelos macios de Sakura e respirou fundo sentindo o perfume de cerejeiras. Ele ouviu-a chorando no seu peito.

‘Shiiiii.... acabou, minha flor. Acabou tudo.’ Sussurrou tentando acalmá-la. Todos estavam parados observando o casal que parecia alheio a tudo.

Wong reparando no silêncio do lado de fora e dando por certa sua vitória, saiu, já esperando encontrar a cabeça de Li numa estaca. Arregalou os olhos em ver que um pouco mais da metade dos servos e o casal de estrangeiros estavam vivos e em pé.

Assim que os servos viram o maldoso senhor, correram na direção dele. Passaram por Sakura e Li que ainda estavam abraçados e os poucos que se aproximavam dos dois batiam no poderoso Escudo da mestra das cartas. A jovem ouviu os gritos de Wong e depois o silêncio, estava morto. Encolheu-se mais no abraço do amado enquanto controlava aos poucos os soluços. Não queria passar por uma menina chorona como quando eles se conheceram, mas vendo aquela cena de guerra não conseguiu se controlar.

Não souberam por quanto tempo ficaram calados apenas abraçados. Li deu a Sakura o tempo que ela quisesse para se recuperar. Percebeu que o braço anteriormente atingido estava com uma mancha de sangue, provavelmente o corte voltou a sangrar. Ele também sentia arder algumas partes do corpo alertando-o que fora atingido pelos inimigos em alguns pontos. A respiração dela começou a ficar regular e os soluços mais espaçados até que pararam. Ela se afastou dele e levantou o rosto, Li percebeu o lado esquerdo do belo rosto vermelho e um pequeno corte no canto da boca. Passou o polegar limpando o sangue do rosto tão amado. Sangue não combinava com a face de anjo de Sakura.

A jovem sorriu para ele voltando a reconhecer o olhar doce do Syaoran. Ele tinha voltado. Conseguiu abrir finalmente um sorriso. Tudo estava bem agora. Ela tinha conseguido evitar que ele caísse no abismo. Separaram-se e observaram os homens saqueando a casa de Wong. O casal observou o senhor Oktsama no alto da escada com uma jovem nos braços. O filho dele também estava com uma jovem que chorava e sorria ao mesmo tempo abraçada a ele.

O jovem Oktsama fez um gesto com a cabeça em direção a Li e Sakura. Estava agradecendo silenciosamente. Em meio àquela loucura toda, Sakura conseguiu sorrir vendo, uma a uma, as moças e algumas crianças saindo da casa de Wong e se encontrando com seus parentes. As mulheres mais velhas saíram de suas casas onde estavam escondidas e abraçavam seus esposos vitoriosos, reencontraram suas amadas filhas.

Syaoran afastou-se de Sakura e segurou a mão dela, caminhou até o bastão que estava jogado no chão e aproximou-se devagar do garoto Oktasama que estava ao lado de sua avó. Entregou para ele. ‘Obrigado.’

O garoto pegou novamente o bastão com as duas mãos e fez algo que pegou o rapaz de surpresa, abraçou-o pela cintura. Sakura sorriu. A criança afastou-se com um salto do rapaz pensando que guerreiros não gostavam destas coisas.

‘Quando eu crescer quero ser igual ao senhor. Vou só usar bastão. Este!’ Falou de forma orgulhosa empunhando o seu tesouro particular. ‘Só não sei onde vou encontrar uma feiticeira para ser minha esposa.’

Syaoran riu com gosto. ‘Todas as mulheres são feiticeiras, Garoto. Quanto mais cedo aprender isso, mais fácil vai ser sua vida.’ Ele falou passando a mão na cabeça dele e soltou uma gargalhada.

Sakura ia retrucar, mas franziu a testa olhando em direção ao caminho que levava o lago. ‘Syaoran... a fonte...’

Ele desviou os olhos do garoto e franziu a testa. ‘Está conseguindo perceber a presença dela?’ A jovem confirmou com a cabeça. ‘Vamos.’ Falou já pronto para correr quando sentiu a jovem segurando sua mão.

‘Ah, mas agora vamos voando. Não aguento mais correr.’ Sakura falou pegando duas cartas. ‘Alada! Força!’ O par de asas surgiu nas costas da jovem e esta levantou voo. Se tinha como assustar mais aquelas pessoas, Sakura tinha conseguido isso, mas estava ansiosa demais para voltar para casa. Estava preocupada com Touya e os outros.

‘Vamos?’ para Syaoran passando as mãos por baixo dos braços dele, segurando-o pelas costas. Ele observou o rosto da amada por trás do ombro direito e sinalizou que sim, sentiu quando a namorada o levantou ficando com os pés longe do chão. Ela o abraçou mais forte. ‘Não vou deixar você cair.’

‘Tenho certeza que não.’

Em poucos minutos estavam em frente à esfera de luz brilhante no centro do lago. Sakura mal acreditou quando viu a porta para voltar para casa. Segurou Li mais forte e voou em direção àquela misteriosa luz. Tinha Syaoran nos seus braços, não soltaria-o por nada deste mundo.

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Sakura acordou sendo sacudida e chamada por uma voz muito conhecida. ‘Tomoyo?’ Reconheceu. A jovem abriu os olhos e viu o rosto doce da amiga a sua frente. Tomoyo a abraçou chorando.

‘Pensei que nunca mais a veria, Sakura!’ Falou chorosa.

‘Mas o que foi?’ Sakura falou mostrando-se ainda um pouco atordoada, não estava entendendo o que estava acontecendo.

‘Sakura! Você está bem?’ Kero perguntou surgindo atrás de Tomoyo. A jovem olhou para aquele boneco amarelo falante e gritou de susto, assustando tanto ele quanto a morena.

‘Sakura, o que foi?’ Falou Kero voando à frente dela sem entender o porquê da sua mestra reagir desta maneira.

‘To-Tomoyo que brinquedo doido é este que você comprou?’

‘Brinquedo?’ Perguntaram Kero e Tomoyo ao mesmo tempo sem entender o que estava acontecendo.

De repente a jovem foi abraçada por trás de forma carinhosa. ‘Sakura! Que susto você me deu!’ Ela reconheceu a voz do irmão. ‘Não desapareça mais desta maneira com aquele moleque.’

‘Do que você está falando, Touya?’ Ela perguntou afastando-se do irmão sem entender o que estava acontecendo. ‘Eu estava aqui no parque do Rei Pinguim o tempo inteiro. Acho que só caí no sono, não era para vocês ficarem assustados desta maneira.’ Sakura falou um pouco irritada com aquele alvoroço todo, realmente não conseguia entender o motivo da amiga e do irmão estarem naquela aflição.

‘Ah corta essa, Sakura! Não sou idiota não.’ Touya falou irritado. ‘Você aparece na minha casa, quase me matando do coração com aquele moleque chinês dizendo que estão namorando...’ Touya falou teatralmente. ‘... aí vocês vão ao cinema. “É só um cinema, Touya.”’ Falou imitando a irmã. ‘“Eu gosto tanto dele e blá, blá, blá” e aí a senhorita me desaparece por dois dias.’ Ele fez o dois com os dedos da mão direita em frente ao rosto da irmã. ‘DOIS! Dois dias inteiros com este projeto de guerreiro chinês! Você...’ Ele fez uma pequena pausa. ‘Você quer me matar do coração?!’

Sakura olhava para o irmão sem conseguir entender nada. ‘De que chinês você está falando, Touya?’

‘De que chinês, Sakura?! Você tá me achando mesmo com cara de idiota?! Do seu namoradinho...’

‘Você tá ficando doido! Eu terminei com o Makoto. E ele não era chinês.’

Tomoyo franziu a testa, tinha alguma coisa errada com Sakura. Ela parecia tão desnorteada. Yue pousou ao lado de Touya fitando Sakura que arregalou os olhos assustada abraçando o irmão. ‘Touya tem um anjo no seu lado!’

Touya abraçou a irmã com carinho vendo que ela tremia de verdade, não era mais teatro para ele não brigar com ela. Yue olhou para Touya e depois para Kero que deu de ombros. ‘Ela está estranha.’ O bichano falou.

Tomoyo caminhou até a amiga que ainda tinha o rosto escondido no peito do irmão. Fez um carinho na cabeça da prima, chamando a atenção dela. Sakura fitou a amiga. ‘Você não lembra onde esteve estes dois últimos dias?’

‘Eu já falei. Eu fui dar uma volta no parque do Rei Pinguim sozinha e acho que dormi. Só isso, estive aqui o tempo todo. Eu juro.’ Ela respondeu desesperada.

‘E quem é aquele rapaz ali?’ Tomoyo falou apontando para um casal que discutia a alguns metros de distância.

Sakura deu de ombros. ‘Não faço a menor ideia de quem ele é. É novo na cidade?’

Agora Touya ficou assustado, olhou para Yue. ‘Que diabos está acontecendo aqui?’

‘Eu... eu não sei...’ Foi a resposta sincera do guardião da lua.

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‘Nunca mais faça isso, Xiao Lang, você quase mata todo mundo de susto, sua mãe e suas irmãs estão todas apavoradas lá na China.’ A jovem de longos cabelos negros e olhos vermelhos gritava com o rapaz que estava mais atordoado do que barata tonta.

‘Eu já disse que não sei do que está falando’. Ele respondeu com a mão nos olhos, estava se sentindo terrivelmente irritado com a prima a gritar no seu ouvido desde que tinha sido acordado de forma brusca por ela.

'Elas me mandaram no primeiro voo para o Japão, se não fosse a intervenção dos anciões estaria todo mundo aqui procurando por você!!’

‘Droga, Meilyn eu não aguento mais você gritando no meu ouvido. Dá para você me dar um tempo?’ Ele falou caminhando tentando se afastar dela, que foi atrás.

Ele passou pelo grupo que estava com Sakura com passos ligeiros. Touya soltou a irmã e foi atrás do rapaz pegando-o pelo colarinho. ‘Que droga você deu para minha irmã, seu moleque chinês?’

‘Hei cara, você está maluco?!’ Syaoran falou já se defendendo com um chute para que o rapaz largasse seu pescoço.

A confusão foi armada, Touya partiu para cima novamente de Li que também não deixou por menos. Yue teve que intervir novamente soltando uma de suas flechas entre os dois para que não se aproximassem um do outro. ‘O que você está fazendo, Li?’ Yue perguntou surpreso encarando o descendente de seu antigo mestre.

Syaoran arregalou os olhos encarando o ser alado. ‘Mas o que é você?’ Perguntou não reconhecendo o guardião.

‘XiaoLang! O que está acontecendo com você? É o Yue! Até eu o conheço.’ Falou Meilyn parando ao lado do primo.

‘Você o conhece, Meilyn?’ O rapaz perguntou aflito.

A chinesa ficou atordoada, olhou para Tomoyo que também olhava assustada. Observou Sakura também com o olhar estranho a tudo. ‘Sakura?’ Ela perguntou para a amiga. ‘Você está bem?’

‘Eu... eu conheço você?’ A jovem de olhos verdes mostrava-se atordoada não conseguindo reconhecer a chinesa.

Tomoyo se aproximou de Li que fitou a jovem e franziu a testa. ‘Você sabe quem sou eu?’ Perguntou já temendo pela resposta.

Ele balançou a cabeça negando e olhando desconfiado para ela. ‘Nunca a vi antes.’ Respondeu. ‘Vamos embora, Meylin, estou com dor de cabeça.’ Falou começando a caminhar, mas Kero parou em frente a ele impedindo seu caminho. ‘Que bicho eletrônico é este que voa?!’

‘Bicho eletrônico, seu moleque...’ Kero começou a falar, mas foi interrompido por Tomoyo que disse que isso não era hora de brigas.

‘Vamos tentar entender o que está acontecendo aqui!’ Tomoyo falou tentando controlar a situação, ela segurou Li pelo braço e olhou feio para ele. ‘Você só sai daqui depois que a gente entender o que está acontecendo com você e com a Sakura!’ Syaoran olhou torto para ela também, mas não pôde deixar de reparar no olhar determinado e decidido da jovem, sorriu de lado, era bonita e determinada, como ele gostava nas mulheres.

‘Está bem, senhorita...’

‘Daidouji.’ Ela falou ainda com o braço dele preso.

‘Daidouji...’ Ele repetiu com a voz serena. ‘Agora se não se importa, poderia largar o meu braço. Não vou fugir de você.’

Tomoyo soltou o braço do amigo e deu um passo para trás, Li estava flertando com ela? Ele estava era de sacanagem, só podia. Ela ainda ficou um tempo atordoada, olhou para Sakura que estava sorrindo para ela, a jovem parou ao lado da amiga e lhe deu uma leve cutucada. ‘Bonitão, né?’ Sussurrou para ela. Aquilo era um conto de loucura ou um pesadel?.

‘Eles por algum motivo perderam a memória de tudo relacionado à magia.’ Yue concluiu de forma óbvia.

‘Magia?! Meilyn, este pessoal é maluco, vamos embora.’ Syaoran falou irritado, mas deteve-se a frente de Tomoyo. ‘Senhorita Daidouji, eu não sou apreciador de ervas ou substância alucinógenas, mas se nos encontrarmos na faculdade será um prazer tomar um suco com você’. Falou e piscou para a jovem que mantinha-se completamente atordoada. Despediu-se e começou a caminhar em direção a sua irmandade da faculdade.

Meilyn deu de ombros. ‘Vou atrás dele para ver se descubro o que está acontecendo.’ Ela falou já saindo atrás do primo.

Tomoyo acompanhou os dois se afastando e depois voltou-se para Sakura que apertava a barriga de Kero intrigada ainda com o bichinho de pelúcia falante.

‘Nossa! A Tia realmente se superou agora com este brinquedo.’ Falou pensando que Kero fosse algum lançamento das empresas Daidouji que fabricavam brinquedos infantis.

‘Eu não sou um brinquedo, Sakura. Para com isso.’ Kero falou irritado. ‘Eu sou o poderoso Kerberus, guardião do sol.’

‘Oh, que bonitinho....’ Ela falou ainda rindo e apertando o dedo na barriguinha dele. Ela virou para prima que parou ao lado dela. ‘E aí vai aceitar o convite do bonitão? Você tá precisando mesmo de um namorado.’

‘Para com isso, Sakura!’ A jovem falou sentindo o rosto ruborizar. ‘Ele é seu namorado. Você tem que se lembrar.’

Sakura riu. ‘Eu nunca o vi antes, Tomoyo. Andou fumando mesmo alguma coisa?’ A ruiva perguntou franzindo a testa. Depois ela levou uma das mãos à boca e abafou um bocejo. ‘Eu tô tão cansada... parece que eu vim de uma guerra... Acho que ontem peguei pesado demais no treino de voleibol.’ Concluiu. ‘Vamos para casa, Tomoyo. Touya não está bem. Deixa ele lá conversando com aquele esquisitão.’ Referindo-se a Yue. ‘Ele faz uns truques legais com as mãos, não é? Touya ficou todo assustado.’ Riu deixando tanto Tomoyo quanto Kero mais nervosos.

A ruiva passou um braço nos ombros da amiga e começou a andar. ‘Vamos para casa. De onde tirou que o bonitão era meu namorado, Tomoyo? Mas se você não quiser ficar com ele, quem sabe não é? Adoro homens malhados.’ Falou deixando a jovem mais sem graça.

Continua.