Fínem
15 Capítulo 15
Notas iniciais
De todas as notícias que eu podia ter recebido do Mario, essa com certeza foi de longe a pior, nós conversamos por quase uma hora, sobre como as bruxas podiam estar me observando aqui em Londres. Chegamos a conclusão que não interferiam quando eu conhecia Katherine e as meninas, porque acharam que se eu controlasse melhor meus poderes, aprenderia o Fínem mais rapidamente, bem, pelo menos, isso foi o melhor motivo em que conseguimos pensar.
Mas várias questões ainda estavam em aberto, como eu não sentia a presença delas? Por que ainda não tinham vindo me buscar? A Lua Sangrenta era em apenas uma semana e eu tinha dúvidas que nem podia contar.
– Isso é impossível – tinha acabado de contar a história a Katherine e ela,obviamente, estava em negação – Se as bruxas estivessem aqui nós iríamos ter percebido.
– Mande era apurar essa fase de negação, temos trabalho a fazer – Mario disse, ele ainda estava aqui, porque a ajuda dele seria muito importante.
– Olha Katherine, sei que é difícil de acreditar, mas é verdade. Achamos que estávamos um passo a frente, mas não, elas sempre estiveram um passo a frente. Elas provavelmente tem me vigiado sempre. Ó meu Deus, fizemos exatamente o que elas queriam, vocês me treinaram, eu tenho força para fazer o Fínem, não seria surpresa se elas tivessem me posto na sua classe.
– Sério? Agora que você pensou nisso? – Mario perguntou irônico.
– Você fica quieto, estava morto, tinha bastante tempo para pensar – estava cansada das piadinhas dele.
– Ele ainda está aqui, por quê? – Katherine perguntou.
– Ele pode ajudar – respondi rápido.
– Como? – Katherine perguntou.
– De algum jeito – dei mais uma resposta rápida, a verdade é que eu não sabia.
– Okay. As bruxas sabem que você está aqui, agora o que fazemos? – Katherine disse.
– Esse é o problema, não tenho a mínima ideia – respondi.
– Que tal mandar você pra outro lugar – Mario sugeriu.
– Não! Já estou no meio dessa guerra não vou fugir – falei, não sei porque todos queriam me tirar daqui – além do mais, só eu posso fazer o feitiço que vai acabar com isso de uma vez por todas.
– Como eu queria poder enxergar ele – Katherine disse para si mesma – Olha, eu acho que ele falou alguma coisa sobre você sair daqui, eu concordo com você, precisamos de você aqui, como também precisamos que você nos vale um feitiço para acabar com elas.
O feitiço. Amara tinha me dado uma boa vantagem, o feitiço que ela me ensinou me fazia poder usar o poder dos meus antepassados, com isso, eu podia realizar qualquer feitiço, mas o que realmente iria derrubar as bruxas, bem, isso era por minha conta.
– Eu pensei em algum que não matasse elas realmente, porque assim alguém podia ressuscitar elas, ou coisa parecida – falei, meio pensativa ainda – olha, eu acho que vou ficar aqui por alguns dias, para a gente ver isso bem certinho, mas eu preciso ir buscar algumas coisas lá em casa.
– Okay. Quer que eu vá com você? – Katherine perguntou.
– Não, eu vou sozinha, provavelmente a casa deve estar pegando fogo – respondi – Mario você vem comigo? Pelo menos ninguém pode te ver – perguntei, e Mario afirmou com a cabeça.
Me despedi de Katherine e comecei a caminhar para casa, enquanto caminhava olhei o relógio, não sei quanto tempo tinha ficado fora de casa, talvez mais de 10 horas, e se for pensar bem, já faz 24 horas que todos sabem que eu sei que sou bruxa. Me da arrepios pensar nisso, até eu gritar aos quatro mundos que sabia, parecia que tudo era um sonho e que eu iria acordar em breve, estaria na minha cama no Brasil, ninguém teria morrido, iria para a aula reclamar da tarefa de matemática... Mas agora, não podia negar, eu sou uma bruxa, o destino de muita gente depende de mim, ou melhor, de uma garota que até um tempo atrás, a maior responsabilidade era tirar mais de seis na escola e passar esmalte sem borrar.
Meus pensamentos foi interrompidos por um grito, estava à umas três casas da minha casa, e por mais que o grito estivesse meio abafado, podia jurar que era a voz da Jamine, olhei para Mario, ele já estava olhando para mim, nem raciocinei direito e sai correndo, em poucos segundos já estava na frente da casa, entrei correndo para dentro dela e via a cena mais horrível da minha vida.
Haviam várias pessoas que eu não conhecia, pelo poder que estava sentindo, eu sabia, eram as ancestrais, cada uma delas estava revitando alguém que eu conhecia, mas isso era o pior, além de Jamine, Mauro e Diego, meu pai e minha mãe estavam lá. Droga, eu falei para eles não virem. Eu não sabia o que fazer, meu corpo estava paralisado, eu queria fazer algo, lançar meu feitiço mais poderoso, mas não conseguia, o pânico havia me dominado.
– Olha, olha, quem resolveu se juntar à festa – uma delas disse irônica, olhei para ela, alta, tinha os cabelos negros, usava uma calça preta e uma camiseta preta, o sapato de salto também era preto, a única coisa colorida de seu look, era seus lábios, que eram vermelhos, como sangue, pensei – Já estávamos pensando que você não iria aparecer.
A voz dela me dava arrepios, era tinha um sorriso de orelha a orelha, que só me dava vontade de quebrar todos os dentes brancos dela, senti uma raiva crescer dentro de mim, vendo meus pais, as pessoas que me criaram a vida inteira e fizeram de tudo para me proteger, e a família que tinha me acolhida, mesmo sabendo de todos os perigos que iriam enfrentar, nesse instante eu percebi que não tinha raiva de todos por terem escondido que eu era bruxa, mas sim, gratidão, por tudo que tinham feito por mim. E uma certeza cresceu em mim: Eu iria fazer de tudo para proteger eles.
– Como poderia faltar? – perguntei no mesmo tom irônico e em seguida fiz um feitiço jogando ela para bem longe, duas bruxas que também estavam lá vieram para cima de mim, joguei as duas para longe só usando a minha mente, tinha mais umas quatro bruxas lá, mas nenhuma se mexia, todos só estavam me encarando, provavelmente ninguém sabia que eu já conseguia controlar tudo isso, bem, para ser sincera, nem eu sabia.
– Olha, olha... – a bruxa negra disse voltando para onde estávamos – parece que a flor desabrochou – ela disse com a mesma voz irônica – Peguem ela – ela ordenou para as outras bruxas.
As duas que eu havia derrubado vieram correndo para cima de mim, e eu, mais uma vez, joguei elas para longe, duas das quatro que não estavam fazendo nada, começaram a correr em minha direção, eu fiz o feitiço que causava uma grande dor de cabeça nelas, olhei para a s outras duas, elas mentiam o feitiço nos meus pais e nos outros, olhei para uma, no outro segundo ela voou para fora da casa, fazendo parte deles se libertarem do feitiço caindo no chão, olhei para a outra, ela estava tremula e deixou meus pais, que ela segurava, caírem no chão, dei um sorriso para ela, o que fez com que ela se tranqüilizasse, mas logo fechei minha cara e à joguei para fora da casa.
– Basta – a bruxa negra anunciou – Nunca mande uma bruxa comum fazer o trabalho de uma ancestral.
Ela falou e em seguida, sem ela dizer uma palavra, ou chegar perto, meus pais voltaram a revitar, logo Jamine e os outros também revitaram, eu estava assustada, mas pronta para revidar, até perceber que também estava revitando. Entrei em pânico, tentei fazer vários feitiços, mas nenhum funcionava, de repente minha mãe começou a cuspir sangue.
– Sabe, eu estou entupindo as veias dela, em poucos segundos ela morrerá, à menos, é claro, se você vier comigo – a bruxa negra disse, eu entrei em pânico, não sabia o que fazer, minha mãe começou a vomitar sangue, eu podia sentir que ela estava morrendo.
– Tudo bem, eu vou – eu gritei desesperada – Só deixe meus pais em paz – disse quase chorando.
– ótimo – ela disse com um sorriso no rosto, minha mãe parou de vomitar sangue – vocês duas levem eles – ela disse para duas bruxas, apontando para meus pais.
– Não, eles ficam – disse firme.
– Eles são uma garantia, faça tudo certo que eles não irão se machucar – a bruxa negra disse irônica – a propósito sou Samantha – ela disse – e nós todos estamos indo.
– Posso pegar algumas roupas pelo menos? – tentei convencer ela, queria sair daquilo tudo, pelo menos por um segundo.
– Nós temos tudo que você irá precisar – ela disse com um sorriso no rosto, que me lembrou as bruxas malvadas dos contos de fada – Agora vamos – ela disse se virando e indo em direção da porta.
Segui ela, o que mais eu podia fazer em uma situação dessas? Tentei parecer o tanto confiante possível, mas sem tirar uma cara de ódio do meu rosto, meus pais estavam bem atrás de mim, e outras duas bruxas atrás deles.
– O que fazemos com os outros? – uma bruxa perguntou, se referindo a Jamine, Mauro e Diego.
– Deixa eu adivinhar: Se eu matar qualquer um deles você não vais o feitiço, não é? – só dei um sorriso irônico para responder a pergunta – eles vêm junto.
Quando saímos para fora da casa, haviam duas limusines nós esperando na rua, em uma fomos eu, Samantha e outra bruxa, tentei protestar para que meus pais fossem junto conosco, mas nada adiantou, todos os outros foram no outro carro. Andamos talvez por horas, não sei direito, pela janela, pude ver quando saímos de Londres, e entramos em uma rodovia, depois o motorista pegou um desvio, e era onde estávamos andando agora. O que me dava mais raiva era a Samantha, ela agiu a viagem inteira como se fossemos melhores amigas, me ofereceu champanhe que tinha no carro e praticamente me obrigou a beber, ela me falava mil coisas sobre como eu iria adorar a nova casa, ela só devia se tocar que eu não queria fazer o Fínem e estava indo obrigada a nova “casa”.
Depois de mais uma meia hora na estrada, chegamos ao local onde eu iria viver a partir de agora, esperamos alguns segundos até que o motorista viesse abrir a porta para nós, Samantha saiu primeiro, sai depois dela, e a outra bruxa em seguida. Casa? Acho que deveria chamar isso aqui de mansão, já que ela é umas quatro vezes maior que uma casa comum e tem quatro andares.
– Chegamos, lar doce lar – Samantha disse, eu somente ignorei o comentário dela e continuei de boca fechada, olhei para os lados e não vi o outro carro.
– Cadê meus pais? – perguntei preocupada.
– Eles devem chegar logo – ela respondeu somente isso, sem dar muitas explicações – Vamos, mamãe deve estar louca para conhecer – ela disse me puxando para dentro da casa, se essa era a filha, nem queria conhecer a mãe.
A parte de fora da casa tinha uma cor bege, o contrario da parte interna, que tinha somente as cores preto, branco e vermelho, os móveis eram uma mistura, enquanto alguns pareciam ter mil anos, outros pareciam ter sido comprados ontem. Fora as cores, essa mansão era exatamente igual as que via nos filmes americanos, provavelmente ela valia milhões de dólares, mas aposto que as bruxas não se importavam com isso. Ouvi alguns passos, anunciando que alguém estava descendo as escadas, me virei e vi uma mulher parecida com Samantha, mas parecia ser alguns anos mais velha.
– Samantha – ela anunciou e a bruxa negra foi em sua direção e à abraçou – Bem vinda filha – Filha? Como assim? Eles só devem ter alguns anos de diferença – E essa deve ser a Vileot – ela disse chegando perto de mim e me olhando séria, seu tom de voz mudou muito nessa última frase, de gentil e acolhedora, para com raiva e ganância, consegui ver o ódio dentro de seus olhos...
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