Fínem
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Entrei no meu quarto e tranquei a porta, depois ri de mim mesma por fazer isso, eles poderiam abrir, então lancei um feitiço de selamento na porta, me joguei na cama, não acredito que eu realmente tinha feito aquilo, provavelmente daqui algumas horas, meus pais estarão aqui para me levar para algum fim de mundo, mas quer saber, eu não vou a lugar algum, aqui é o meu lugar, formar a paz entre os mundos, isso que eu tenho que fazer, é só achar um jeito, mas como?
Me virei na cama e dei de cara com uma foto no criado mudo ao lado da cama, na foto estão eu, Lucy, Megy e Clari, ela foi tirada em um parque aquático em que fomos no final do primeiro ano, quando minha vida era completamente normal. Como as coisas mudaram tanto? Dois meses atrás eu era uma simples estudante do ensino médio, que saia com as amigas e à única responsabilidade era passar no vestibular e hoje, aqui estou, com um mundo inteiro sobre minha responsabilidade.
– Vileot – escutei a voz de Diego chamando atrás da porta.
– Vá embora – gritei.
– Só me deixe falar com você – ele insistiu.
– Não – gritei de novo, não estava com paciência para falar com ninguém.
– Só cinco minutos – ele voltou a insistis – Por Favor! — *só cinco minutos* pensei e desfiz o feitiço.
– Cinco minutos – afirmei – entre – falei e ele entrou no quarto.
– Desde quando você sabe? – ele perguntou depois de sentar em um puff.
– Interessa? – perguntei sem nenhuma expressão, só queria que aquilo terminasse rápido.
– Eu sei que você deve estar chateada – ele tentou começar a falar.
– Chateada? Imagina, eu só descobri que minha vida inteira foi uma mentira – disse irônica.
– Todos fizemos isso para proteger você – a voz expressava uma calma que era até irônico pela situação em que estávamos.
– É fácil para você falar, ninguém nunca escondeu seus poderes de você – falei com um pouco mais de calma na minha voz, mas ainda na defensiva.
– Você sabe a sua história, não sabe? – concordei com a cabeça – seus pais descobriram quem você era quando você tinha 4 anos e depois disso fizeram tudo que puderam para proteger você, porque eles amam vocês!
– Eles podiam ter me contado pelo menos – falei já elevando o tom de voz – e quer saber? Não importa o que digam, uma bruxa tão poderosa não deve servir só para acabar com pessoas, eu sei, eu sinto, que posso dar um jeito de colocar a paz entre os mundos – disse quase gritando.
– Sabe que isso é impossível? Não é? – ele falou com um pouco de dó na voz.
– Só é impossível até alguém provar o contrário – disse mais para mim mesma do que para ele — e chegou a hora de alguém provar – disse saindo do quarto. Praticamente andei correndo pelo corredor e desci a escada. Jamine e Mauro estavam na sala e deram um pulo do sofá assim que me viram.
– Nos vamos te explicar tudo, ainda bem que o Diego que convenceu... – Jamine tentou começar a falar, mas quando ela percebeu eu já estava a ponto de abrir a porta – aonde você vai?
– Volte aqui já – Mauro gritou. Estava abrindo a porta quando senti tudo girar.
– Agora não – disse para mim mesma antes de tudo ficar preto.
Como já previa acordei no “Outro lado”, mas diferente da outra vez, não tinha várias eu em minha volta, só uma, que me olhava apreensiva.
– Boa ou Má? – perguntei me levantando, isso era uma coisa básica que eu precisava saber, mesmo não sendo a melhor pergunta para aquele momento.
– O que? – ela perguntou e eu pude ver no seu rosto que ela não tinha entendido.
– Você é boa ou má? – perguntei mais uma vez, no começou a expressão dela ainda era de dúvida, mas percebi que logo ela entendeu.
– Nenhuma das duas, eu sou tipo a original – ela disse normalmente.
– A original? E você quer o que me convencer a fazer o Fínem? – perguntei irônica.
– O que?- ela perguntou sem entender – A sim, você deve estar pensando que sou a Stefani, eu sou a Amara, a verdadeira original.
– Não foi a história que eu ouvi – disse séria.
– As bruxas me esconderam bem. – ela falou com um toque de tristeza no rosto.
– Ok. Se você é a original, o que quer? – disse ainda mais séria.
– Sabe, as escolhidas nasceram junto com as bruxas – ela disse começando a caminhar – sempre fomos as mais poderosas, por gerações fomos as lideres dos bruxos, até quando a Stefani nasceu, o resto da história você já sabe.
– E essa é a verdade, porque to aqui? – perguntei.
– Sabe, por séculos eu vi as escolhidas nascerem e morrerem, já tinha perdido a esperança que alguma delas pode-se acabar com essa confusão, até hoje, eu vi você, eu vi como você está disposta a lutar – ela falou calma e ao mesmo tempo esperançosa.
– E? – perguntei, já estava cansada de enrolação.
– E que se você estiver disposta a lutar, eu a ajudarei – quase não acreditei que ela falou isso.
– Como? – perguntei rápida e nervosa, não podia acreditar que havia um jeito.
– Eu sei um feitiço que você pode... Como posso explicar – pude ver que ela realmente não sabia como explicar – abrir uma passagem entre você e suas antepassadas, e que sendo usado com outro pode puxar seus poderes, assim você teria o poder de todas as suas antepassadas, não só as escolhidas, como todos os bruxos de seu clã.
– E o feitiço séria? – perguntei ainda nervosa, mas um pouco mais calma.
– renovavit imperium patrum conjunctis maiorum virtus unita virtute. Consegue repetir? – ela perguntou.
– renovavit imperium patrum conjunctes... – tentei começar a repetir.
– Conjunctis! – ela corrigiu rápido – o feitiço pode até parecer simples, mas uma palavra dita errada e vai tudo para o ar, então preste muita atenção: renovavit imperium patrum conjunctis maiorum virtus unita virtute.
– renovavit imperium patrum conjunctis maiorum virtus unita virtute – repeti mais uma vez, torcendo para falar certo — renovavit imperium patrum conjunctis maiorum virtus unita virtute – falei mais uma vez para ter certeza
– Ótimo, agora para você fechar o feitiço precisa falar o mesmo feitiço só que ao contrário, assim: virtute unita virtus maiorum conjunctis patrum imperium renovavit.
– unita virtus maiorum conjunctis patrum imperium renovavit – repeti para ver se tinha aprendido e estava falando tudo certo.
– Ótimo, lembre-se que você tem que falar mais vezes o feitiço, umas três no mínimo, tome cuidado e faça em um lugar onde maioria dos lideres dos bruxos estarão, peça a ajuda de suas amigas e de quem mais você puder e mais uma vez: Tome cuidado – ela disse isso e tudo começou a girar de novo.
Acordei na minha cama, diferente das outras vezes não me sentia cansada, nem nada parecido, concluí que meu corpo deveria estar se acostumando.
– Ótimo, maioria das meninas precisa se acostumar só com acordar cedo – disse irônica para mim mesma.
Levantei da cama e percebi que estava sozinha no quarto, tentei abrir a porta para sair, mas percebi que estava trancada, tentei sair pela varanda, mas percebi que estava fechada em meu quarto, comecei a andar de um lado para o outro tentando pensar em qual feitiço podia usar para desfazer aquele selamento, nessas voltas andando pelo quarto acabei quase batendo no espelho, mas parei antes, só que isso vez com que eu começasse a me olhar.
Vejamos tudo que está acontecendo. Á algum tempo eu descobri que sou bruxa, em outra palavras, descobri que minha vida até aquele momento foi uma mentira, e hoje, nem eu sei quem eu sou direito, sei que sou uma munição em pessoa pela quantia de poder que eu tenho, eu beijei um vampiro, sabe como as meninas da minha sala matariam por isso? Mas para mim, sinceramente não importava, eu tinha uma coisa bem mais importante para me preocupar: o futuro do mundo sobrenatural.
Quanta responsabilidade para uma menina de 16 anos. E eu pensando que minha maior responsabilidade seria não me perder em Londres, porque eu não posso simplesmente curtir como uma garota normal o intercambio? Fala sério, eu to em Londres, como meu pai disse, várias garotas matariam para estar no meu lugar, eu devia estar saindo com meninas da minha idade, comprando roupa bonita e barata...
Perai, o que eu to falando? Eu posso não ter uma vida normal, mas é a minha vida. Eu sempre soube que a escolhida não nasceu para por fim a ninguém, e agora que eu sei, mas do que nunca eu vou fazer de tudo para restaurar a paz entre os mundos.
– Quod mutari non potest quod abstulerit iam iam sine Exterminati – comecei a recitar o único feitiço que consegui pensar no momento, ele faria com que todos os feitiços da casa parassem de funcionar, mas paciência.
Depois de recitar o feitiço uma três vezes tentei abrir a porta e ela abriu, voltei correndo para minha cama, peguei uma bolsa que estava em cima e soquei meu celular dentro, saí correndo do quarto e quando estava descendo as escadas ouvi Jamine falando no telefone.
– Eu só não sei o que fazer, as bruxas podem chegar a qualquer momento... É eu sei que prometi que protegeria ela, mas eu realmente não sei como... Olha... – não precisava ser um gênio para saber com quem ela estava falando, apurei o passo e cheguei perto dela.
– Com licença – disse pegando o celular dela – Olha quero que você me escute bem, não venha para cá de jeito nenhum, uma guerra vai se iniciar e eu não quero que ninguém tenha nada que possa me afetar, por isso fiquem aí e de jeito nenhum venham para cá. E o mais importante, não importa o que acontecer, lembres — sem que eu amo você dois – durante todo o meu discurso minha mãe tentou protestar no outro lado da linha, mas eu continuei falando, porque se parasse não sei se teria força para continuar. Desliguei o telefone e entreguei a Jamine – vou sair e aproposito a casa está sem nenhum feitiço, desculpa, não sabia outro jeito de sair do meu quarto – disse irônica.
– Você não vai a lugar nenhum – ela disse firme.
– Quer apostar? – disse abrindo a porta e dando de cara com Diego – sério? Olha eu to avisando me deixa sair, ou eu vou te mandar lá pra Antártida.
– Você tem que se encontrar com um vampiro? – ele perguntou ignorando o que eu tinha falado.
– O que? – perguntei rápido, percebi que Jamine soltou um baixo “que?” atrás de mim.
– Achei que as mentiras tinham acabado – ele disse irônico, provavelmente ele é único daquela casa que sabia jogar no mesmo níveo que eu – deixa eu adivinhar, ele se chama Kol não chama? – provavelmente minha expressão de surpresa misturada com espanto respondeu a pergunta — e vocês já se conheciam no Brasil, estudaram na mesma escola – ele continuou – inclusive, ele matou seu professor de matemática – ele disse irônico e eu fiquei pasma, aquilo não podia ser verdade.
– O que você falou sobre as mentiras terem acabado? – perguntei, iria jogar o jogo dele agora.
– Quem disse que eu estou mentindo? – ele disse debochando.
– Deixa eu explica uma coisa: Eu não confio em vocês, e nunca vou confiar – disse olhando tanto para ele, quanto para Jamine – agora se me dão licença, preciso começar uma guerra que irá formar a paz no mundo sobrenatural, então com licença – disse saindo de casa.
Caminhei rápido nas primeiras quadras, tinha medo que Diego viesse atrás, mas depois diminui o ritmo, e a tal dúvida veio a minha cabeça “Kol tinha matado o professor Mario?”
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