Fínem
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Não sei quanto tempo dormi, mas assim que acordei me sentia muita mais forte, apesar de minha cabeça e minhas costas estarem doendo, com um pouco de força me levantei da cama, como não havia mais ninguém, caminhei até a sala. Lá eu encontrei uma cena um tanto quanto inusitada, Kol e as bruxas dando muita risada.
– Perdi alguma coisa? – perguntei e eles me viram, quase que automaticamente Kol veio ao meu encontro e me abraçou, eu retribui automaticamente.
– Você ta bem? O que aconteceu? Um momento estava tudo e bem, e no outro não estava, eu vis alguma coisa? – ele perguntou falando tudo muito rápido, e me abraçando muito forte, o que já estava começando a doer.
– Calma – eu disse afastando ele um pouco – digamos que eu tive um encontro com as antigas eu – disse olhando para todos em geral.
– Você encontrou com elas? O que elas disseram? – Katherine perguntou assim que terminei a frase.
– Daí depende, uma parte queria me ensinar o Fínem e quando eu neguei me jogaram para outro lado, mas o lado positivo é que esse lado era muito melhor e mais acolhedor, podemos dizer – nem eu entendi direito o que eu estava falando.
– Okay – Katherine respondeu, mas percebi que ela não entendeu direito.
– Te explico melhor para você mais tarde – falei – mais tarde – dessa vez falei para mim mesma – meu deus! Que horas são? Jamine já deve ter convocado um exercito para me achar.
– Relaxa, eu liguei para ela e disse que no meio da noite você precisava conversar com uma amiga e surgiu na minha janela, não pude fazer outra coisa se não deixar você entrar – Katherine me tranqüilizou.
– Ela acreditou? – era impossível ela acreditar nessa história.
– Não totalmente, acredito que deve ter algumas pessoas varrendo a cidade atrás de você – ela falou meio fazendo graça.
– E como mesmo eu vim parar aqui de verdade? – perguntei, porque eu realmente estava perdida nessa história.
– Eu te trouxe – Kol respondeu – quando você desmaiou não sabia o que fazer, mas aqui séria o único lugar em que você estaria segura, então arrisquei ser morto e trouxe você aqui – não pude evitar abrir um sorrido quando ela falou isso – mas acabou que essas bruxas são bem legais – ele disse meio fazendo graça.
– Precisamos ser legais com o escolhido – Alba falou fazendo graça. Eu dei uma risadinha rápida.
– Agora que tudo foi esclarecido, eu preciso falar com vocês – disse séria. Contei a eles tudo o que tinha acontecido e tudo o que eu tinha descoberto, do meu plano para conseguir a paz entre os mundos e de todo o restante.
– Ter certeza que quer fazer isso? – Katherine perguntou séria.
– Preciso achar um jeito de não morrer, e esse pode ser um – respondi aflita – se vocês me ajudarem, eu posso ter uma chance de finalmente acabar com tudo isso.
– Você pode ter razão, mas não ter nenhum feitiço que possa fazer isso. – Katherine respondeu.
– A gente pode criar – disse firme – não podemos? – até eu mesma podia escutar o nervosismo na minha voz.
– É praticamente impossível criar um feitiço – Katherine me desanimou.
– Deve existir um jeito – disse sentindo o nervosismo tomar conta de mim – eu sou a escolhida, eu posso criar
– É impossível – Katherine disse elevando a voz.
– Parem você duas – escutei Kol gritando e olhei ao redor, nossa energia tinha feito com que vários objetos começassem a levantar, respirei fundo e consegui me acalmar um pouco, Katherine vez o mesmo e os objetos caiam no chão, alguns até quebraram. Consegui ver a cara de espanto no rosto das outras bruxas que também estavam no cômodo.
– Katherine – falei quase em um sussurro e ela olhou para mim – tem alguma coisa para me contar? – perguntei no mesmo tom de voz e ela me olhou assustada.
– Vêm aqui – ela disse um puxando rápido para o seu quarto e trancando a porta.
– Vou entender isso como um sim – disse em tom normal dessa vez, porque já estava mais calma.
– Você deve ter percebido que aquele poder não foi normal, não é? – ela perguntou.
– Nem eu séria capaz de juntar tanta energia assim – falei sinceramente, senti muito poder naquela hora.
– Eu sou de uma linhagem, digamos... Poderosa – ela disse se sentando na cama, eu sentei de frente pra ela.
– O quanto poderosa – falei olhando nos seus olhos.
– Muito – ela disse simplesmente.
– Por que não me contou antes? – perguntei incrédula.
– Achei que não precisava – ela respondeu baixo – além do mais – ela disse dessa vez alto e olhando para mim – como podia saber que você não ia nós trair? – essa pergunta me atingiu em cheio, eu nunca faria isso – elas mataram minha família inteira, só eu consegui fugir, você podia muito bem me entregar pra elas. – sabia muito bem de quem ela estava falando.
– Eu nunca faria isso – dessa vez minha voz se elevou – você deveria ser a pessoa que mais confia em mim, você me trouxe pra cá, você me ajudou a controlar os meus poderes.
– Fiz isso por obrigação! – ela gritou mais alto do que qualquer garota já tinha gritado comigo, caí dura no chão e escutei vários objetos se quebrando, provavelmente tinham começado a se levitar no meio da discussão, ela percebeu o que tinha falado e tampou a boca – não quis dizer isso – ouvi ela dizer em quase um sussurro.
Olhei para ela, a única pessoa em quem eu realmente estava confiando naquele momento, ela realmente tinha feito isso? Ela só foi minha amiga por obrigação? Se é que se pode chamar isso de amiga. Me levantei e saí do quarto sem dizer uma palavra, cheguei na sala e vi que todos olhavam assustados, provavelmente tinham ouvido nossa discussão, ignorem eles e saí da casa também sem dizer uma palavra, estava sem paciência para isso, senti que Kol me seguiu. Caminhei mais algumas quadras e senti que ele caminhava atrás de mim, mesmo não se aproximando.
– Sabe que posso sentir você, não sabe? – disse virada para a frente e ainda caminhando.
– Quem disse que não queria que você sentisse – ele perguntou irônico. Eu parei e me virei para trás, percebi que ele estava somente a alguns centímetros de mim.
– O que você quer? – perguntei sem expressar reação nenhuma.
– Saber o que aconteceu – ele disse firme.
– Acho que tudo mundo ouviu – disse ainda sem expressão, não queria perder a paciência para nada de ruim acontecer.
– Sabe que ela não quis dizer aquilo – ela falou com um pouco de dó na voz.
– O que eu sei!? – comecei a gritar – Você quer saber o que eu sei, ok, aqui vai: eu sei que sou uma bruxa, eu sei que sou a mais poderosa, eu sei que grande parte do mundo sobrenatural quer me matar e outra parte só me querem para fazer um feitiço, eu sei que as únicas pessoas que eu podia confiar, nunca quiseram me ajudar de verdade. Isso é o que eu sei! Satisfeito? – ele só ficou me encarando, sem falar nada, minha paciência já está no limite – e sabe o que mais eu sei? – gritei olhando nos olhos dele – sei que você está me escondendo alguma coisa e pelo jeito é alguma coisa importante para você não me contar.
– Pode parar de descontar em todo mundo!? – ele disse nervoso
– Não descontaria se não tivesse motivo – falei no mesmo tom, olhando direto para ele. Um silêncio longo prosseguiu aquela fala.
– Eles estão se unindo – ele falou por fim.
– O que? – perguntei sem entender.
– A lua sangrenta está chegando, os vampiros e lobisomens estão preocupados e pela primeira vez em décadas se uniram de novo para caçar você – ele falou rápido, como se fosse obrigado a parar na metade.
– Lua Sangrenta? O que isso tem a ver?
– Ela é como um ingrediente para o feitiço – ele respondeu e eu bufei.
– Cada dia minha vida está ficando mais maravilhosa – falei irônica.
– Ela voltou – ele falou fazendo graça, o que fez com que eu soltasse um risinho.
– Preciso voltar para casa – disse por fim, ele fez um sinal como se fosse me acompanhar – sozinha, acho que fugir de noite já é o suficiente, aposto que chegar com um vampiro não vai ajudar – dessa fez, ele riu. Me virei para a frente e voltei a caminhar, depois do que pareceu séculos cheguei à minha casa, ia bater na porta, porque estava sem chave, mas percebi que ela já estava aberta, então apenas empurrei. Assim que entrei, vi Jamine e o restaste da família na sala, quando me viu Jamine correu até mim e me abraçou.
– Graças a Deus você ta bem – ela disse ainda me abraçando, em seguida se afastou – Onde você se meteu?
– Eu tinha que conversar com alguém, então fui a casa de uma amiga – eu disse, mesmo sabendo que essa mentira não iria colar, mesmo assim tentei convencer – eu fazia isso direto no Brasil, tenho uma ataques de “preciso falar com alguém” – disse tentando fazer graça – estou meio cansada, vou subir para descansar – disse indo em direção da escada.
– Você acha que vamos acreditar nisso – Mauro disse, mesmo sabendo que era isso provavelmente que iria acontecer, meu coração parou, assim como o meu corpo, mas continuei olhando para a direção das escadas – É melhor você falar a verdade – ele disse firme.
– Verdade? – falei meio irônica, pensando em tudo o que tinham me escondido em todos esses anos.
– Algum problema com isso? – ele falou ainda firme. Eu me virei e encarei todos.
– Desculpa, mas é meio irônico você pedirem para mim falar a verdade, levando em consideração que vocês mentem diariamente – todos ficaram surpresos com o que falei.
– No que mentimos? – Jamine perguntou por fim. Nesse momento fiquei em dúvida, eu tinha duas opções, ou inventar uma mentira qualquer, ou contar de uma vez por todas que eu sabia de tudo.
– No que vocês mentem? – falei ainda em dúvida, mas firme – Que tal o fato de vocês e os meus pais terem escondido que eu sou uma bruxa? – pode ter sido impulsivo, mas escolhi a segunda parte, estava cansada de mentir, os três estavam em choque e me encaravam – agora se me dão licença, vou para meu quarto, porque cansa ter encontros com minhas vidas passadas – disse irônica e subi para o meu quarto sem olhar para trás.
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