Notas iniciais
Tenham uma boa leitura :)

O casamento foi muito bonito, bem organizado e emocionante — tinha dedo de certo pisciano nessa história, dava pra sentir e ver em todos os lugares -, teve até quem choro e não foram os noivos, na verdade, Milo até chorou, mas foi antes da cerimônia e porque alguém quis dar uma de louco e cortar o cabelo dele, sorte que não conseguiram. Enfim. A festa, então, estava ainda melhor e ao contrario da maioria dos casamentos, os noivos estavam no meio das festividades se divertindo como nunca. O próprio Camus tinha se dado ao luxo de sorrir o dia inteiro, o que assustou a maioria dos convidados e alegrou outros.

Hyoga estava muito feliz por seu pai de consideração, um homem tão frio e distante tinha enfim conseguido sua felicidade, era algo tocante e belo de se ver. Via o quanto o aquariano mais velho amava aquele escorpião volátil e o quanto este o amava de volta. Rolava algumas brigas (algumas de murro e chute), todos os casais brigam, mas, apesar de tudo, até parecia que tinham nascido para ficarem juntos.

Também via a felicidade dos demais amigos e companheiros, algumas vezes chegava a rir de algumas ironias e sorrir com a sorte de outros.

Shun, por exemplo, estava dançando com June e parecia que explodiria de felicidade a qualquer momento, o Amamiya mais novo poderia morrer agora, que morreria feliz e Hyoga sabia muito bem o porquê disso. Sabia que o amigo nutria um amor forte pela Amazona de Camaleão e sabia que ele sofria por conta do mesmo amor, pois June, não vendo que de início Shun tinha medo dos próprios sentimentos e ficava afastando-a por conta disso, veio a se envolver com outro, mas ela também nunca deixou de ter algo pelo rapaz, a única coisa que os separava era o namorado babaca dela, que não pode comparecer, ainda bem, diga-se de passagem.

Shiryu dançava com uma Shunrei acanhada. A chinesa morria de vergonha de dançar, achava-se uma tonta, ainda mais na frente do homem que era dono do seu coração, mas Shiryu a guiava com todo amor e paciência possíveis, elogiando-a no intuito de fazê-la esquecer esse achar bobo, mesmo que seus pés pagassem o preço mais alto, e deixá-la ainda mais corada, pois, segundo o libriano, ela ficava ainda mais bonita assim.

Seiya tentava a todo custo fazer Saori dançar com ele, mas como aquela garota mimada gosta de se fazer de difícil, o Cavaleiro de Pégaso não estava obtendo muito sucesso, porém engana-se quem acha que ele desistiria tão facilmente. O símbolo mais memorável de sua insistência foi quando ele pediu (bêbado) que ela ficasse com ele, mas ela respondeu que não e o sagitariano então pediu um lápis de cor, após ser questionado do porque, este respondeu na maior cara de pau: "Pra colorir nossa amizade!". Hyoga soltou um risinho, essa era memorável.

Isaak conversava alegremente com Saga e Kanon, um velho conhecido seu, que fizeram questão de apresentá-lo a uma jovem Amazona e que agora detinha quase toda a atenção do Ex-Marina. Shura e Aiolia estavam mais pra lá do que pra cá, mas se mantinham firmes e dignos com o apoio de Aiolos, que mais parecia uma babá igualmente passada. Afrodite, Misty e, esse foi realmente chocante, Máscara da Morte eram os donos da pista. Aldebaran tirava risos de quem quer que encontrasse em seu caminho com suas piadas, até do frio noivo aquariano riu de uma, em outra vida, o brasileiro foi comediante de sucesso. Milo podia ser ouvido do outro lado da Grécia, tamanha era a altura e frequência com que falava animadamente. Até o Grande Mestre (quase aposentado) Shion se deu ao luxo de se divertir, por insistência de Dohko, é claro, mas isso fica de lado.

Hyoga via alguns outros beberem, dançando, rindo, conversando, em suma, se divertindo e aproveitando. Era um dia/noite feliz afinal, porque não usufruir dela? Eram raros momentos como aquele, o melhor que podiam fazer era aproveitá-lo.

Mas a única pessoa que parecia ter desaparecido naquele festa era um bendito moreno maldito de olhos azuis. Fênix parecia nem se quer ter vindo a festa, mas o viu conversando com Milo depois da cerimônia e sumir logo em seguida, isso acabou magoando um pouco o jovem aquariano.

¬ Hyoga, meu filhote! — o dito cujo se sentiu ser abraçado por Milo. — Toca para gente?

¬ Milo. — Camus, por outro lado, tentava fazer Milo soltá-lo. — Duvido que ele aceite, deixe-o aproveitar a festa, já temos pessoas tocando.

¬ Ah... Nem fodendo! — protestou. — Você vive dizendo o quão bom ele é, desde que ele ainda cheirava a leite você ficava esfregando isso na minha cara, agora eu quero ver!

¬ Milo...

¬ Eu sou um dos noivos e como tal, hoje ele tem que fazer o que eu quiser! — que raio de regra era aquela? — Então... — voltando-se para o russo. — Toca para gente?

Hyoga teria dito um “NÃO” bem audível e mal educado, para deixar qualquer um traumatizado, mas algo em seu intimo disse-lhe para ir sem discutir. Então, sem pensar duas vezes, foi até o piano de cauda que tinha no salão de festas do Santuário — que também serve como Salão do Grande Mestre -, enquanto ele se aproximava do instrumento Milo fez questão de chamar a atenção de todos os presentes.

¬ Meus queridos convidados e os penetras que sei estarem aqui. — teve quem riu do comentário. — O nosso querido Hyoga, meu mais novo e incluído filho, vai tocar uma música para nós, acompanhado de nossos queridos músicos de plantão. E será romântica, pois eu e Camus ainda não dançamos a valsa dos noivos. — e Milo não contente: — E vai cantar também!

Se Camus era o bote salva-vidas, Milo certamente era a ancora de um navio passageiro. Hyoga sabia tocar muito bem, diga-se de passagem, mas morria de vergonha, tal como todo bom aquariano que se preze, cantar então, nem se fala, era o mesmo que mostrar a cruz pro diabo.

¬ VAI HYOGA!! — ouviu a voz de June e Shun na multidão. — CANTA! CANTA!

Eles estavam incitando a multidão, que de fato, estava entrando no ritmo. Tudo um bando de vira-casaca filhos de boas mães.

¬ CANTA! CANTA!

Ele não tinha ideia do que tocar, ainda mais algo romântico, tinha milhares e milhares de músicas românticas espalhadas pelo mundo e ele não lembrava de uma única música. Mas agora era impossível voltar atrás, além de Milo já tê-lo exposto, o dito cujo certamente o mataria se ele não tocasse e ele não estava nem um pouco disposto a enfrentar a Scarlet Needle mais uma vez na vida.

Ao se sentar continuava sem saber o que tocar, e mesmo assim, o silencio se fez presente por todo salão. E agora? Tinha como piorar?

Quando seus dedos roçaram o teclado, o cosmo do temível Cavaleiro de Fênix se fez presente no salão, e junto a uma explosão se sentimentos e sensações, a música lhe veio a mente e exigiu ser tocada imediatamente.

A melodia enchia o salão e logo foi seguida pelos “músicos de plantão”. Todos julgavam que aquela música estava sendo regida pelo coração, tamanho o sentimento que o aquariano colocava no ato de tocar, e de fato, quem regia a música era o coração de Hyoga, que viu aquela música como uma oportunidade de dizer o que sentia.

A forma com que o aquariano tocava, juntamente com a voz melodiosa que entoava a música, faziam com que Ikki acreditasse que aquela era a música mais bela que já ouvira na vida. Ele tinha saído para buscar dois bonecos que Milo e Camus jogariam no lugar do buquê, mas que tinham sido esquecidos na Casa de Escorpião, e quando retornou, foi recebido com aquela música, que mais lhe parecia o canto de um anjo, largou os bonecos na mão de qualquer um e foi em busca do dono daquela voz. Por alguma razão achava que aquela música não era dedicada aos recém-casados, por alguma razão achava que aquela música era para ele. Hyoga lhe mandava olhares a toda hora, olhares com significado tão profundo que ele mal conseguia interpretá-los direito, talvez fosse pela distancia entre os dois ou pelos casais que agora dançavam ao ritmo da melodia e atrapalhavam a visão.

Qualquer um que soubesse do drama entre Hyoga e Ikki, tinha percebido o quanto aquela música expressava a dura realidade que eles viviam quando estavam lado a lado.

Ikki percebeu que tinha deixado o mundo para trás, achava que toda e qualquer música se fazia só para os dois. Ali tão perto do aquariano, ele o enxergava com plenitude e assim se sentia viver. Percebeu que tinha deixado a vida levar seus sonhos, a eles disse adeus sem perceber no dia em que conheceu o jovem russo. Ele ficava ali esperando, perto de Hyoga, tentando descobrir o que sentia, e enfim conseguiu saber que tudo o que queria agora era estar ali tão perto de um final feliz, assim tão certo do que sempre quis. Ele sentia ter chegado tão longe sem querer e agora estava tão perto que era incapaz de voltar atrás. Não tinha mais como deixar de amar Cisne. Mas como seguir em frente?

Hyoga, por outro lado, se perguntava se seria capaz de seguir sua vida caso perdesse Fênix? Mas ali tão perto de um final feliz e assim tão certo do que sempre quis... Era algo que chegava a ser surreal. Talvez tudo aquilo fosse um sonho que o fez chorar. Mesmo assim, ele estava tão perto e ainda tão longe que se sentia motivado e, ao mesmo tempo, desmotivado a continuar. Mas como seguir em frente?

Ambos sabiam que estavam tão perto, mas ainda estavam tão longe... O que o separava era apenas o medo de sofrer.

A música acabou com a frase: "Tão perto e ainda tão longe estás". Hyoga foi aplaudido por todos, mesmo que seu olhar fosse tristonho, ele forjou um sorrisinho e procurou a todo custo evitar o olhar do leonino, mas isso se mostrou impossível, pois enquanto buscava o olhar de Shun para lhe dar força, seu olhar se cruzou com o de Fênix. Fazendo com que ambos se perdessem nos olhos um do outro.

Shun que tinha se posicionado propositalmente ao lado do irmão, assistia a postura dos dois com um sorriso. Ele então enlaçou o braço do Amamiya mais velho e comentou como quem não queria nada:

¬ Que clima, hein?!

Ikki tinha despertado com aquela frase. Estava tão na cara assim? Shun riu e chegou perto do ouvido do irmão.

¬ Vai falar com ele. Tenho certeza de que ele só está esperando uma chance, você é um tolo por não deixá-lo falar.

Aquela frase surpreendeu Ikki, que se afastou do irmão um tanto quanto indignado, mas não podia negar, ele estava certo. Ainda sim, saio daquele salão, não aguentaria ficar no mesmo lugar que Hyoga, sentia que podia agarrá-lo a qualquer momento e... não queria nem pensar. Na melhor das hipóteses estaria apenas desrespeitando a deusa com suas ideias nada castas.

Enquanto isso, Shun se aproximou do amigo e enlaçou o braço dele, exatamente como fazia com o irmão.

¬ Vá atrás dele!

Hyoga olhou para o amigo incrédulo, teria brigado com o melhor amigo, porém o que encontrou no olhar do virginiano foi o bastante para fazê-lo sair correndo atrás de Ikki.

Notas finais
Olha, eu vou ser bem honesta, em raros momentos (raríssimos!) eu vi o Shun como hétero, ai eu pensei com meus botões: "Nessa fic: Ikki é bi, Hyoga indefinido, Milo e Camus são homo, Saga e Kanon são homo e a maioria ainda nem decidi. Colocar o Shun como homo também, acho que é forçar amizade, quer saber?! Eu vou dar um desconto pra criança e botar ele de hétero e sejamos felizes! Ehhh!! =D" Tô com uma preguiça... mas... Espero que tenham gostado e vambora porque daqui a pouco tem outro cap. ~.^ Bjs. L :3 P.S. A música tocada pelo nosso querido aquariano foi: So Close - http://letras.mus.br/disney/1164395/traducao.html Eu amo essa música :3