Notas iniciais
Outro cap extra, eu tô boazinha, hein?! ;) Gente, eu amo o filme A Legião Perdida adaptado do livro A Águia da Nona que eu também amo e recomendo. Ai vem a pergunta: E dai? E dai meu querido leitor, que este cap é baseado em uma das cenas que eu mais amo, tirando a parte romântica, que é coisa da minha cabeça :) Pois bem, vou parar de encher o saco de vocês :P Tenham uma boa leitura :)

Era uma noite relativamente quente. Quase toda base estava adormecida, somente alguns estavam acordados fazendo a vigia. Mas havia um homem que não dormia simplesmente por não conseguir.

Milo de Escorpião encarava o rosto adormecido do marido com uma expressão carregada de preocupação. Não que houvesse algum problema com seu conjugue, o problema se encontrava mesmo em um grupo de reconhecimento que ele mandou buscar suprimentos e estava atrasado fazia 2 dias. O ruivo falava que ele estava se preocupando por nada, eles sempre se atrasavam, mas o escorpiano sentia que tinha algo de errado daquela vez.

Levantou-se em um ímpeto. Pensou ter sentido algo. Vestiu-se o mais rápido que podia e saio quase que correndo para a parte mais externa da base. A base na realidade era um bunker com algumas áreas externas e duas muralhas, uma interna e outra externa, era o orgulho de seus donos originais, os americanos. As muralhas mais externas eram bem protegidas e não tinha com o que se preocupar, mas ainda havia algo o incomodando quando se apoiou no pequeno parapeito.

Estava tão absorto em seus pensamentos que por pouco não gritara quando sentiu uma mão subir por suas costas. Virou-se para encontrar o olhar escarlate do francês com quem dividia a vida e o comando da base.

¬ O que foi? — perguntou baixo e sonolento, o que realçava ainda mais o sotaque. — Est plus tard. Vem dormir. — pegou sua mão e tentou puxá-lo.

O escorpiano podia muito bem tê-lo acompanhado se algo não chamasse a sua atenção.

¬ Ouviu isso? — questionou com o rosto na direção do horizonte.

O aquariano parou para escutar o que quer que o grego estivesse ouvindo e mesmo depois de muito tempo em silencio não ouviu coisa alguma.

¬ Não ouço nada, Milo. — tentou puxá-lo novamente. — Allons.

Permaneceu imóvel, vasculhando a escuridão como se pudesse enxergar através e além dela. Ele estava tenso e totalmente alerta. Tinha algo errado, ele sentia que tinha algo errado.

¬ Espero que o grupo de reconhecimento esteja bem. — sussurrou para o vento.

Sentiu o aquariano puxar sua mão mais uma vez. As coisas pareciam normais, não tinha o que se preocupar, apesar de ainda estar com uma sensação terrivelmente estranha. Um mal presságio ele diria.

¬ Parece que eu acordei em vão. — concluiu um tanto envergonhado. — Deve ter sido o vento me pregando peças. — sorriu para o francês e o seguiu.

No meio do caminho para o alojamento encontraram Anna. A menina estava com suas roupas de dormir, coçava um olho e arrastava o cobertor consigo, tinha algo em seu rosto, mas não conseguiam dizer o que era. Ela bocejou e segurou na mão dos dois mais velhos.

¬ Não foi o vento. — outro bocejo por parte da pequena. — Escutem. Estão ouvindo? Estão sentindo? — mais um bocejo. — Lá fora. Os demônios e seus peões se escondem na escuridão. Lá fora. Acordem os soldados.

A menina soltou-os e saio andando pelos corredores de volta ao alojamento dos pais no intuito de voltar a dormir, lembrava uma sonâmbula daquele jeito, mas o que falou parecia coerente de alguma forma, era como se ela fosse dona de um segredo que decidiu contar só agora. Aquilo deixou o escorpiano ainda mais perturbado, não era a primeira vez que Anna falava coisas estranhas e elas realmente aconteciam.

¬ Camus...

¬ Eles não vão gostar nem um pouco se for só vento. — o aquariano estava com os braços cruzados, mais desperto e, consequentemente, sério.

¬ Antes zangados do que mortos. — volveu imitando o gesto do mais velho em cruzar os braços.

Se encararam por um tempo, mantendo firmemente suas posições naquela discussão. Suspirou. Vendo que o escorpiano faria o que queria ele permitindo ou não, decidiu ceder e foi logo chamar os oficiais responsáveis. O grego ainda segurou-o pelo cotovelo e o girou para que ficassem frente a frente.

¬ Em silencio. — o ruivo revirou os olhos e partiu para cumprir o capricho do mais novo.

Em questão de minutos, toda a base estava acordada e pronta para batalha, cada homem ocupando seu devido posto e aguardando alguma coisa, que ninguém ali sabia o que era, acontecer.

Escorpiano e aquariano estavam a frente de todos, apenas aguardando. Vendo que nada acontecia, Camus mandou um olhar insalubre para o companheiro e com um suspiro passou a se retirar de seu posto. Milo, por sua vez, um tanto envergonhado e vendo que o aquariano podia estar certo, também passou a se retirar.

Mal deu três passos que logo tudo o que desconfiava se tornou real, pois teve que deter o golpe de um servo de Afrodite que tentou atacá-lo por trás. Em segundos o silencio se transformou em caos.

Era no mínimo três Terroristas para cada Aliado. Gritos, explosões e disparos eram ouvidos por todos os lugares. Balas voavam sem direção aparente. Ataques efetuados com cosmo e bombas varriam tudo em seu caminho. O sangue de companheiros e inimigos se transformavam em grotescas tatuagens quando acertavam a pele daqueles que resistiam firmemente. O fogo iluminava a noite sem estrelas e transformava tudo o que encontrava em pó. A fumaça sufocava e dificultava a visão. O frio deixava tudo mais pesado e lento. Era um massacre para ambos os lados.

O escorpiano tinha que variar seu estilo de luta o tempo inteiro, matando e destruindo tudo o que possuísse o emblema inimigo, procurando formas de acabar com aquilo o mais rápido possível. Seus cabelos antes dourados agora estavam tingidos pelo sangue inimigo, seu rosto antes tão alegre agora era sério e pesado, seu olhar antes tão brincalhão agora era reflexo de seu instinto assassino. Na batalha o escorpiano se transformava, mas nem por isso seu coração deixava de sangrar por saber que aqueles que amava estavam no meio daquele mar de sangue.

O dia amanheceu e o inimigo finalmente dera uma trégua. Quem olhasse além das muralhas veria corpos por todos os lados, agora quem olhasse as muralhas nada veria, porém, saberia que a situação do outro lado não devia ser tão diferente assim. Milo andava pela base sendo elogiado por seu trabalho e perspicácia como líder, verificando o estado de cada um e se demorando um pouco quando encontrava um corpo. Sempre se ajoelhava ao lado do corpo e tocava-lhe o peito ou cerrava os olhos deste se estivessem abertos.

¬ Que a luz de Atena o guie em sua jornada. — era tudo o que podia desejar ao morto.

Camus de Aquario aproximou-se em silencio enquanto o grego velava pelo corpo de um jovem que todos conheciam por ser alegre e cheio de vida. Estava envergonhado por duvidar do escorpiano, se culpando por acreditar que se tivesse colocado fé nas palavras do mais novo nada daquilo teria acontecido.

¬ Ainda há dos nossos lá fora. — informou sem nem olhar para o companheiro. — E não há sinais do grupo de reconhecimento.

Não teve tempo de responder e nem nada, quando viu, o aquariano já tinha partido para algum lugar com sua vergonha, deixado-o sozinho com os mortos e sentimentos de culpa.

¬ SENHOR!!

Foi correndo até a muralha de onde haviam gritado, logo viu a razão pela qual o homem gritou desesperado. Os inimigos não só tinham o grupo de reconhecimento de joelhos como os sobreviventes também eram seus reféns. O escorpiano pode assistir em primeira mão o sorriso no rosto do inimigo enquanto este executava um dos sobreviventes como um aviso que exigia sua rendição. Seu sangue parecia água fervente quando desceu da muralha.

¬ Ikki!! — saio correndo atrás do leonino. — Ikki!! — o encontrou ajudando com alguns feridos. — Ache Shun e Hyoga agora e me encontrem no portão em cinco minutos. — ele já estava partindo quando sentiu ser segurado pelo braço.

¬ Eu vou. — disse o leonino. — Os homens precisam de sua liderança. Eu, Hyoga e Shun daremos um jeito nisso.

¬ Não. — desvencilhou-se. — Eles tem o Camus, sem contar que isso é culpa minha. Eu mandei eles para lá e eu os trarei de volta. Eles são a minha responsabilidade, Ikki.

Deixou o rapaz para trás a procura do francês, mas não o encontrou. Acabou voltando ao portão para encontrar os Bronzes.

¬ Pallas Atena, Deusa da Guerra e Sabedoria. Ilumine meu caminho na batalha. Não permita que eu desonre meus homens. Não me permita falhar nesta empreitada. — repetia esta simples oração sem parar. — Pallas Atena, Deusa da Guerra e Sabedoria. Ilumine meu caminho na batalha. Não permita que eu desonre meus homens. Não me permita falhar nesta empreitada.

O escorpiano encarou os olhares dos mais jovens, um por um, vendo neles a força que ele precisava para seguir sem medo algum.

Foram recebidos por ataques de todos os lados, afinal eles só eram quatro Cavaleiros. Como seus inimigos os subestimaram... O leonino queimava os inimigos até as cinzas antes que pudessem chegar à pequena formação. O aquariano criava barreiras de gelo fortes o suficiente para deter projeteis e ataques. O virginiano cuidava de ataques mais fortes vindos de qualquer direção. E o escorpiano assumiu quase que o papel de um aríete ao investir violentamente contra os inimigos.

Quando alcançaram os reféns, aquariano e virginiano cuidaram de criar uma barreira circular forte o bastante para protegê-los, leonino e escorpianos libertavam os reféns o mais rápido que podiam. Logo se viram recuando da mesma forma que avançavam, só que com o passo mais apressado e um tanto descuidado, pois os soldados não seguiam o mesmo ritmo e nem a mesma direção.

Ouviu o pino se soltando e ouviu aquilo cair no chão ao lado no jovem aquariano, que estava mais preocupado em defender o flanco direito do que si próprio. A reação foi imediata. Milo empurrou Hyoga para longe e a bomba explodiu logo em seguida, depositando toda sua força destrutiva nas costas do grego.

Não conseguia se mexer quando caio, tudo o que ouvia era um zunido e sua vista era um borrão. A última coisa que pensou ter visto foi fogo e gelo varrerem aquele campo de batalha.

Acordou olhando para um teto branco. Tentou se sentar, mas uma dor devastadora nas costas o impediu. Voltou a deitar emburrado e olhou para o lado, sorriu quando viu o aquariano cochilando apoiado no leito.

Passou a mão bem de leve no rosto adormecido para não acordá-lo, porém, não deu muito certo, já que encontrou o olhar furioso do francês fincado em si. Até hoje não entende bem o que aconteceu e nem como, só lembra de tentar fazer o nariz parar de sangrar enquanto o aquariano estalava os dedos da mão esquerda.

¬ Imbécile! — a voz estava embargada. — Se fizer isso novamente e tiver a sorte de sobreviver je te jure que je te tue!

¬ Posso saber ao menos o que fiz de errado? — sua voz soava engraçado por ficar tampando o nariz.

¬ Rien! — era óbvio que o francês estava furioso. — Você salvou Hyoga e os demais homens, sem contar que conseguimos derrotar os inimigos pouco depois graças a sua loucura! — Camus passou a socar o braço dele. — Tu as failli mourir! Se não fosse Fênix para conter o pior da explosão, você estaria morto! Foram 14h de cirurgia para tirar 57 estilhaços de bomba e destroços das suas costas! Não vou nem comentar a cicatriz que ficou, as cirurgias para conter hemorragias e as feitas para proteger os orgãos!

¬ Ai! Ai! — reclamava. — Não é porque tô vivo que não dói!

Camus parou e abaixou a cabeça, virando-a na tentativa de esconder o rosto. Milo ainda estava meio dolorido pelos socos, mas segurou o queixo do outro com cuidado, obrigando-o a encará-lo. O aquariano chorava e o encarava cheio de tristeza e raiva misturadas com alivio e carinho.

¬ Jamais le faire à nouveau. — um soluço forçou-se pela garganta do ruivo. — Se eu te perder... Me perco junto.

Tudo o que Milo podia fazer era sorrir.

¬ Lembra-se do que te falei quando a gente casou? — confirmou. — Eu lhe jurei que mesmo em silencio ficaria ao seu lado, seria seu ouvinte mais fiel, seria sempre aquele em que você pode confiar. — secou uma lágrima que escorria teimosamente pelo rosto alvo. — Eu prometi que sempre lhe abraçaria para o calor não desaparecer, prometi sempre te proteger, prometi fazer o possível por você e prometi secar todas as suas lágrimas. — mesmo dolorido, se forçou para frente, de forma que beijasse a testa do outro. — Porque te amo. Porque te desejo. Porque sem ti sou nada. Porque você é o amor da minha vida. O amor da minha vida. Tu e somente tu, Camus. — o escorpiano riu ao ver a cara meio abobalhada do francês. — Ou seja, eu ainda vou te atormentar por muito tempo.

¬ Imbécile.

¬ Um "imbécile" que você ama e que te ama muito. — levou outro soco. — Ai!

O aquariano passou a acariciar a cabeça do grego por algum tempo antes de debruçar-se sobre o outro e dar-lhe um beijo. Quando voltou a se sentar para continuar a vigília, lembrou-se de uma coisa importante.

¬ Já estava esquecendo. — retirou uma caixinha de veludo verde do bolso.

O escorpiano a pegou com cuidado, primeiro examinando-a. Em sua tampa tinham as palavras Lealdade e Honra grafadas com tinta dourada e em grego antigo. Em seu interior estava sua insígnia militar, uma pequena estrela em separado e uma plaqueta de identificação com as mesmas palavras gravadas.

¬ Isto é sua nova condecoração, Tenente-General Milo Ellinika. — o aquariano pegou a insígnia e prendeu a estrela nela, colocando-a na caixa novamente. — Estou muito orgulhoso de você.

¬ O que? — colocou a mão na orelha como que para ouvir melhor. — Eu não ouvi direito. Pode repetir por favor Tenente-General Camus Sangroyal?

Acabou ganhando outro soco e mesmo doendo, não podia evitar as piadinhas. Ele era assim afinal, nunca perdia uma oportunidade de brincar. No entanto, ele nunca admitiria que estava muito feliz pelo fato do francês estar orgulhoso de si, mas ele era assim também, era incapaz de deixar alguém sozinho quando em dificuldades. Talvez seja por isso que as palavras Lealdade e Honra adornavam sua nova plaqueta.

Est plus tard — Está tarde

Allons– Venha

Imbécile– Idiota

Je te jure que je te tue — Eu juro que te mato

Rien — Nada

Tu as failli mourir– Você quase morreu

Jamais le faire à nouveau– Nunca mais faça isso

Notas finais
Eu achei que ficou tão levinho em comparação com o restante, mas tô feliz com ele ;) Espero que tenham gostado ^.^ Bjs. L