Notas iniciais
Para os heróis ocultos nas sombras da guerra e as histórias apagadas dos livros, mas gravadas nas almas imortais. O filosofo que há em mim acabou de despertar u.u Agora aguentem XD Tenham uma boa leitura :)

Estava perdido.

Completamente perdido. E Fodido, diga-se de passagem, mas isso não era muito relevante no momento.

Nunca mais voltaria para casa. Nunca mais veria os pais. Nunca mais veria o irmão. Nunca mais veria os amigos. Nunca mais veria a moça de que gostava. Nunca mais veria sua vizinha velha e chata, talvez tivesse algo de bom nisso, mas nunca mais a veria. Nunca mais veria sua cidade natal. Nunca mais veria nada que um dia lhe foi importante.

Maldita Guerra! Maldita deusa que os obrigou a lutar! Malditos Flechas! Maldito Mundo! Maldita Vida! MALDITO TUDO!!

Morreria lá e, se não fosse abandonado ali mesmo para os animais carniceiros comerem, seria enterrado em uma vala comum e ninguém mais saberia dele.

Perdido em meio as linhas inimigas, ou melhor, as linhas dos "caras corretos", sem munição, sem comida, mancando, todo machudo e cansado. Um caco basicamente. Num estado como o seu e na melhor das hipóteses, morreria lutando pra fugir.

Já tinha largado o armamento pesado a muito tempo, assim com a mochila vazia e igualmente pesada. Só ficou com a bússola, uma faca e as roupas do corpo. Tentava se lembrar das aulas de geografia que teve no Ensino Fundamente e Colegial, para que, com a ajuda da bússola, se achar naquele fim de mundo.

Só que quando se esta no meio de uma floresta parcialmente destruída e extremamente fechada, onde não se sabe quando é dia e quando é noite, se tem sol ou chuva, sem nenhuma noção ao certo de onde o helicóptero em que estava caio e nem como caio, não tornava as coisas mais fáceis e nem menos preocupantes, muito pelo contrario, só faltava ele arrancar os cabelos.

Ouviu um barulho e sacou a faca em instantes. Olhava em todas as direções a procura do que fez o barulho, torcendo para que fosse apenas um animal pequeno de passagem ou o vento, principalmente o vento. Sentia o coração pulando no peito, o suor escorrendo pelo rosto, cada sentido aguçado ao seu extremo e adrenalina correndo como um louco pelas veias.

¬ É perigoso andar sozinho a noite.

Olhou para cima e viu dois homens, dava para ver pelo tamanho que eram homens, encapuzados e sentados em um galho a nove metros do chão. Não conseguia ver os rostos, apenas o brilho fulgente dos olhos azuis e as mechas loiras de um deles. Segurou a faca com mais força ainda, tinha algo no olhar de um deles que o fazia temer por sua vida mais do que qualquer outra coisa.

Viu o homem de cabelos loiros se afastar par não voltar mais, enquanto que o homem restante pulou do galho e aterrissou em segurança no solo, caminhando calmamente em sua direção, como quem aprecia a vista ao andar em um parque. Engoliu seco. Morreria no meio do nada e nem veria o rosto de seu assassino.

O homem parou de frente para si, ao alcance de sua faca, nem parecia temê-la. E quem temeria? Era só uma faca empunhada por um cara quase morto. Viu o homem de capuz tirar uma mochila das costas, só agora percebeu que ele a carregava, tirou um pedaço generoso de pão e estendeu para ele.

Ficou encarando o pão com desejo e medo, não podia negar que estava morrendo de fome, mas também não podia bloquear o terrível pensamento de que estivesse envenenado. Aquele gesto, definitivamente, não era o que estava esperando.

¬ Vamos. — disse o homem misterioso. — Coma. Até uma criança pode ver que está fraco, coma e descanse um pouco.

Aceitou o alimento com receio de comê-lo, para então devorá-lo de forma desesperada, quase engasgando e comendo os próprios dedos. Assistiu o homem se afastar e voltar pouco depois com alguns galhos e pedras, montou uma pequena fogueira e a acendeu sem muito esforço.

Sentou-se frente ao fogo e tirou mais alimentos de sua mochila. Ele o imitou e tencionou pegar mais comida, mas hesitou, não queria abusar da sorte.

¬ Coma o quanto quiser. — afirmou a voz grossa. — Vai precisar bem mais do que eu.

Com a carta branca em mãos, quase acabou com a comida oferecida pelo estranho, não podia reclamar que foi dormir de barriga vazia e nem que o descanso pouco rendeu, pois se sentiu melhor daquele jeito do que todos esses meses em um batalhão.

Passou a noite assim. Frente a uma fogueira e com um estranho velando seu sono e o alimentando. Cochilou algumas vezes, mas uma pergunta lhe incomodava. Quem era aquele estranho?

Acordou com um pequeno desconforto na perna. Olhou-a com medo do que encontraria, vai que arrancaram sua perna durante o sono, nunca se sabe. O que encontrou fez sua boca formar um "O", em sua perna existia um curativo muito bem feito e cuidado, tocou sua cabeça que antes sangrava e sentiu bandagens, olhou para o braço direito, que também não estava lá essas coisas, e encontrou a mesma coisa. Voltou sua atenção para onde o homem estava guardando as coisas na mochila, estava de costas e sem o capuz. Tudo o que viu antes do capuz voltar a cobrir o rosto do homem foi o cabelo negro que caia de forma rebelde até a nuca.

¬ Descanse mais um pouco. — nem se dignou a olhá-lo. — Logo iremos partir e o caminho é longo.

¬ Como...?! — sua voz estava rouca pelo desuso.

¬ Chegar a um lugar seguro é a prioridade de qualquer soldado em uma situação como a sua. — afirmou. — Pois então, vou levá-lo até esse lugar seguro e seguir meu caminho.

Levou alguns dias, mas chegaram ao "lugar seguro". Era uma pequena cidade na fronteira da Alemanha com Áustria, uma das poucas que resistia bravamente a guerra e parecia intacta apesar de tudo o caos e dor, um lugar onde as pessoas sorriam mesmo nos piores dias. Ele foi mandado para o pequeno hospital que ali existia, onde foi tratado devidamente e integrado ao cotidiano do lugar com a ajuda da enfermeira chefe, uma senhora de idade que o acolheu em sua casa, dizendo que ficasse o tempo que precisasse.

Estava levando uma vida normal, tal como levava antes da guerra. Se sentia mais útil ali do que em um campo de batalha, justamente por estar do lado certo e por ajudar no transporte de alimentos para uma base não muito distante, onde diziam haver cinco Cavaleiros de Atena que faziam das tripas ao coração para defender os inocentes.

Um dia, voltando da rua de quitandas, com alguns legumes que a enfermeira chefe pediu que ele comprasse para fazer o almoço do hospital, avistou um pequeno aglomerado de pessoas na porta do local.

¬ O que esta acontecendo?

¬ Pareceu que o velho Rabujo se machucou com o arado. — era o velho fazendeiro rabugento e mal humorado que vivia na cidade. — E parece que foi grave, pois vieram três Cavaleiros de Atena cuidarem dele.

Tentou se espremer na multidão para ver melhor, sem muito sucesso, acabou por subir em um banco que tinha ali perto para poder olhar. Viu três homens, sendo que um deles foi difícil de acreditar ser um homem por conta da fisionomia, com roupas militares junto ao velho Rabujo. O que menos aparentava ser um homem e que parecia ser alguém muito jovem, era o que cuidava de um corte grande e profundo na perna do velho, do qual podia-se ver o osso, fazendo as suturas necessárias enquanto era observado pelos outros dois.

¬ Ah, desgraça! Tome cuidado ai, jovem! — chiava o velho. — Vai estragar ainda mais minha perna! Assim eu não volto a andar! É mais fácil cortar a perna fora se continuar assim! — em resposta o jovem sorria gentil.

¬ Não seja dramático, senhor. — volveu. — Logo, logo estará novinho em folha. Talvez até volte a correr como um menino.

¬ Se depender de você, eu não volto a andar!

O velho continuou a chiar e a soltar impropérios. Os dois homens restantes, um loiro e um moreno, observavam com atenção e até mesmo esboçando sorrisos quando o velho mal educado exclamava de dor. O loiro então fez uma careta e começou a esquadrinhar a multidão, fixando o olhar sobre seu observador atento que desviou o rosto envergonhado, ele então cutucou o moreno com o cotovelo e indicou onde ele estava.

Aquele olhar era intimidador, ainda mais com a carranca que sustentava. Quando foi avistado pelos olhos azuis tão profundos quanto um abismo, saio andando o mais rápido que podia, já estava atrasado e a enfermeira chefe bateria na cabeça dele com uma colher de madeira por causa disso, decidido a entrar pelos fundos do lugar apertou o passo.

¬ Vejo que cuidaram bem de você. — conhecia aquela voz. — Está até mais gordinho.

O homem pulou do alto de um prédio, aterrissando de frente para si. Tinha se esquecido o quão grande aquele homem era e, depois de olhá-lo melhor, concluiu que era menos intimidador com aquele capuz. Depois de passado o susto inicial, quis falar algo, agradecer e contar o quão bem estava, mas todo o que conseguiu dizer foi:

¬ Porque me ajudou?

¬ Porque somos iguais. — saio andando, sendo acompanhado por seu inquisidor, que deixou as compras para trás em algum lugar. — Lutando em uma guerra em que não queria estar, batalhando pela vida para qual quer voltar e seguindo ordens das quais não pode fugir. Somos irmãos de armas. — parou em uma pequena ponte, admirando o rio que passava por baixo de seus pés. — Eu e você. Quando postos frente a frente, como agora, somos homens, somos guerreiros, somos filhos, somos irmãos, somos pais, somos amigos, somos companheiros, somos irmãos de armas. Não há distinção. Somos o que somos do início ao fim.

Segurou a amurada da ponte com força. Só por serem iguais? Não. Não era só por isso. Já teve que atirar em muitos outros homens que segundo esse ponto de vista eram iguais a ele. Tinha algo mais.

¬ Isso ainda não explica.

O moreno suspirou. Parecia se preparar para falar coisas nada normais para sua pessoa.

¬ Talvez porque eu tenha me apiedado de você, quem sabe? — deu de ombros, como se isso fosse algo banal. — Eu sou preso ao juramento de nunca ferir um inocente, mas isso nunca me impediu de matar um inimigo. Mas acontece que você não é um inimigo e muito menos um acusado. — olhou-o nos olhos. — Você é tão humano quanto eu. Você é tão forte quanto eu. E tão digno de sua vida quanto eu sou da minha. Mas acima de tudo. — voltou a fitar o rio, como se realmente pudesse ver os peixes nadando abaixo da superfície. — Nós somos irmãos de armas, porque se necessário, eu sei que você teria lutado até as últimas forças pelo que quisesse proteger, assim como eu faço todos os dias. E, tenho certeza, quando essa guerra acabar, você vai voltar correndo pra casa. Do mesmo jeito que eu farei.

Estava boquiaberto. Ele não o matou por conta do futuro que ele poderia ter. Ele se colocou no lugar do outro e imaginou como seria se fosse ele. Sorriu e estendeu a mão em um cumprimento.

O gesto atraio o olhar curioso do moreno, que demorou um pouco para corresponder, mas por fim apertou sua mão.

¬ Clear Naumann. — tratou de se apresentar polidamente. — Tenente do 23° batalhão do Exercito da Ucrânia. Advogado e Fazendeiro nas horas vagas.

¬ Ikki Amamiya. Cavaleiro de Fênix. — volveu tão educado quanto. — Capitão do 13° batalhão do Exercito da França. Mochileiro com diploma de engenharia mecânica, arquitetura e engenharia civil.

Irmãos de armas. Eram isso mesmo, eram irmãos de armas. No início, no meio e antes do fim. Irmãos de armas, ocultos na história, ausente dos livros, gravados nas águas claras e sussurrados pelas montanhas altas até os ouvidos das almas divinas.

Notas finais
Como vocês podem ver, eu dei uma adiantada, mas é porque eu pensei: Espera um pouco... Eu geralmente posto de cinco em cinco dias, e geralmente os meses acabam no dia 29 ou 30 para eu postar lá pro dia 05, só que esse mês foi 31 dias, sendo que eu postei dia 30, então vai ficar quase uma semana sem cap... EU NÃO POSSO FAZER ISSO!! Dai eu postei adiantado :P Bem, sem mais delongas. Espero que tenham gostado ^.^ Bjs. L :3