Fênix da Noite Estrelada
22 Dúvidas?!
Notas iniciais
Depois de passado os choques e surtos, a noticia de duas adições a “família” foi prontamente bem-vinda. Mas antes, é claro, certas coisas tiveram de ser esclarecidas. Começando pela dúvida geral. Quando tudo começou?
Hyoga teve de contar quando e como começou a se sentir estranho, do contrario Camus teria um treco. Começou com leves enjoos, que evoluíram e passaram a ser minutos vomitando 90% de tudo o que comia. Ele e Fênix brigaram muito por isso, o leonino queria porque queria que ele fosse ver um médico, Shun na verdade, mas ele se recusava, dizendo que logo passaria, só que não passou, piorou e muito. Ele começou a ficar cansado com mais frequência, passou a dormir mais que o normal, chorava quando brigava e até mesmo quando não brigava, queria comer um monte de coisas a toda hora, sentia-se inchado, tinha mudanças terríveis de humor, beirando a bipolaridade, e vivia desmaiando, chegou a pensar que estava ficando doente, mas a primeira vez que a palavra “gravido” surgiu, foi em uma brincadeira do leonino.
¬ Hyoga, come devagar. — pediu. — Essa gororoba que o pessoal da cantina chama de mingua pode até criar pernas e sair correndo, mas você alcança, cacete. — o loiro o ignorava por completo, estava comendo uma panela de 5 litros daquela coisa com o maior gosto. — Pelo amor de Zeus, se você fosse mulher acharia que estava gravido, você tá comendo como se não houvesse amanhã. Onegai, come devagar, tá me deixando agoniado. Você nem respirando tá!
Cinco minutos depois ele saio correndo para vomitar no banheiro. Depois daquela brincadeira, a palavra “gravido” não saia de sua mente, em um momento de loucura profunda ele chegou a cogitar na ideia de fazer um teste de gravidez, mas desistiu por ser loucura e por não ser fácil achar um teste num momento de crise como aquele.
Pouco depois começaram os problemas envolvendo o cosmo. Não estava conseguindo sentir direito nem o próprio cosmo, não conseguia realizar ataques tão fortes quanto antes e com muito esforço que sua armadura o aceitava, fraco como estava, fazia todo sentido ela o recusar. Mas ele não conseguia fazer nada que envolvesse o cosmo, pois sua cosmo-energia ficava oscilando o tempo todo, por vezes ela ficava tão fraca que ele não conseguia nem levantar se estivesse deitado e por vezes ela ficava tão forte que ele era capaz de sentir o que os inimigos estavam fazendo, mas eram coisas momentâneas e que ele prestava atenção, pois ele sempre sentia dois cosmos diferentes, inéditos, muito pequenos, quase imperceptíveis, e, o mais assustador, dentro de seu próprio corpo. E conforme o tempo passava e essas crises aconteciam, ele sentia aqueles dois cosmos crescerem aos pouquinhos. Foi nesse momento que ele começou a cogitar na hipótese de uma gravidez, mas ele nunca falou nada a ninguém e nem se quer sabia dizer o porquê.
Depois de se trancar ele começou a prestar mais atenção em si mesmo. Seguiu os conselhos de Shun a risca, é claro, tomou todos os remédios que lhe eram passados, mas somente aqueles que, ele sabia, não continham substancias tóxicas para um possível bebê, e comia tudo o que lhe deixavam do lado de fora do quarto, tentando fazer com que ele saísse, porém Anna era uma boa filha e sempre lhe passava a bandeja por debaixo da porta.
Nessa período de enclausuramento, ele teve muitas crises e sempre prestava muita atenção em si mesmo. E definitivamente, a vez em que mais se assustou, foi quando conseguiu sentir aqueles dois pequeninos cosmos pulsarem no ritmo de dois pequenos corações. Após essa “confirmação”, ele passou a noite e o dia seguinte chorando, até Shun tirá-lo daquele quarto.
Como isso foi possível?
Só para começar, depois dos resultados da 5° bateria de exames, que só revelavam uma gravidez, o virginiano pediu uma licença temporária que daria-lhe tempo o bastante de ir e voltar da Grécia. Quando ele chegou ao Santuário, quase foi abatido como um inimigo pelo desespero em que entrou do Templo da Deusa.
¬ SAORIIIIIIIIIIIII!!!
Após uma pequena discussão, o jovem pode falar em paz com a jovem deusa, que lhe explicou tudo nos mínimos detalhes possíveis, deixando-o quase traumatizado. Shun só lembra de ter tentado matá-la por estrangulamento, porém Shaka o impediu e, depois de um pedido formal e informal de desculpas, ele voltou ao campo de batalha para cuidar do amigo.
Segundo o virginiano, Saori havia alterado o DNA do loiro. Ela deixou que ele continuasse com todas as características do corpo masculino, externa e interiormente, mas acrescentou todas as características internas do corpo feminino, ou seja, agora ele tinha um útero capaz de gerar uma vida saudável — e ninguém desconfia o porque de Shun quase ter matado Atena. E para animar ainda mais as coisas, não foi só ele que estava servindo de cobaia, Ikki também passou por esse processo, já que ela desconhecia o passivo da relação. O lado bom era que o efeito era temporário, eles só ficariam assim por cinco anos — cinco longos anos -, depois disso voltariam ao que era normal a todo ser humano.
Como as crianças viriam ao mundo? Essa foi a parte mais assustadora na opinião de alguns, principalmente o russo, porque até onde ele sabia, era a sua barriga que iria ser cortada.
Shun enrolou tanto nessa parte que Milo quase saio para pegar um livro de tanto que ele estava enrolando. Por fim, ele tomou coragem para explicar. Aparentemente, a gravidez seguiria sem grandes problemas até o inicio do nono mês. Exatamente na 34° semana de gestação, o russo se transformaria — sim, deixaria de ser uma coisa para virar outra — em uma bela mulher para poder dar a luz em segurança e permaneceria desse jeito até os bebês desmamarem por volta do 7° mês de vida. Hyoga passaria por TUDO que uma mulher normal passaria nesse período de tempo, isso inclui a famosa TPM, e é claro que o aquariano tentou cometer um homicídio, só tentou, porque Isaak o segurou, enquanto Camus era segurado por Milo.
Como criariam as crianças em um ambiente como aquele?
Ainda não sabiam, mas fariam o possível e o impossível por elas, assim como sempre fizeram por Anna. Eles dariam uma infância para aquelas crianças custasse o que custasse.
Mas... Como seria dali para frente?
Bom... Ikki não estava, então as coisas já estavam meio tortas.
Camus não iria deixar o russo voltar ao campo de batalha de jeito nenhum, mas foi convencido a deixá-lo ir como sniper e somente acompanhado de Isaak e Shun, mesmo assim seriam raras as vezes em que ele sairia daquela base, ou melhor, seriam raras as vezes que ele sairia de perto do mestre e pai.
Milo, meio que se deu férias temporárias. De acordo com o escorpiano, ele passaria quase todo seu tempo ao lado de Hyoga, com a desculpa de não sobrecarregar Camus, registrando os melhores momentos e cuidando dele, afinal, um par de olhos a mais não faria mal algum. Mas todo mundo sabe que, no fundo, Milo queria era azucrinar mesmo.
Shun, não precisava nem dizer, seria o médico que acompanharia Hyoga em todos os momentos daquela fase complicada de sua vida. E Isaak teria de voltar para seu batalhão, mas vinha visitar todas as semanas, se possível, é claro.
Iria ser difícil, mas não seria nada impossível ou mortal, pelo menos era o que esperavam, porém, Hyoga logo descobriu que iria ser bem cansativo estar sob tantos olhares.
¬ É bebês... — quando se viu sozinho, apenas com uma Anna adormecida, é que ele dirigiu a palavra para aqueles que cresciam dentro de si. — Vamos passar por momentos difíceis e cansativos, mas acredito que valeram a pena... — ele acariciava o pequeno volume e tentava imaginar um futuro melhor. — Só espero que o Otou-san de vocês esteja de volta até lá.
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