Fênix da Noite Estrelada
44 Correntes de Andrômeda - Presente
No Tártaro existem diversas camadas. A mais profunda é destinada para aqueles que realmente despertaram a ira dos deuses e do mundo. A mais superficial era dada como uma espécie de reabilitação, onde a ira era experimentada e os crimes não eram mais cometidos.
No entanto, sempre existe os que nunca vão aprender.
¬ Veja só, meu irmão. — chamou o mais velho. — Eles realmente venceram.
Eles conseguiam ver o que acontecia pelo coração dos homens, mesmo que estivessem sofrendo, mesmo que estivessem afastados, ainda conseguiam ver, ainda tinham poder.
¬ E mamãe foi trancada na camada mais profunda do Tártaro. — comentou o mais novo sem dar muita importância aos acontecimentos. — Onde está papai?
Sofriam com o frio e o escuro enquanto seus torturadores não apareciam para agraciá-los com sua presença, e nesses momentos o passatempo de ambos era assistir as vidas humanas e os feitos de seus pais, isso quando estes também não eram castigados.
¬ Num nível abaixo do nosso. — respondeu ainda mirando o alvo de seu interesse.
¬ Ou seja, se escaparmos sobra para nós. — volveu o mais novo já pensando na dor de cabeça que arrumariam por se meterem em assuntos que não lhes pertencia.
¬ Não. — retrucou o irmão mais velho. — Assuntos do pai e da mãe são assuntos do pai e da mãe. Eu quero é ir atrás daqueles dois. — indicou com um aceno ao irmão mais novo a verdadeira razão de seu interesse.
¬ Quem? — indagou enquanto procurava o que lhe fora indicado. — Ah... Porque não me disse que era por essa razão que os estávamos observando? — abriu um enorme sorriso ao encontrar.
¬ Você nunca espera que eu termine de falar. — o mais velho possuía o mesmo sorriso.
¬ E qual é o plano?
¬ Ora... — sua expressão era de quem falaria nada mais que o óbvio. — Se ao monstro não foram sacrificados daquela vez. A nossa ira devem provar no presente.
Virou-se para o irmão mais velho um tanto curioso.
¬ Quer iniciar outra guerra? Mas, meu irmão, isso não nos trará benefícios. — tentou argumentar — Ainda mais agora que papai está selado e a Aliança dos Grandes foi refeita.
¬ E desde quando a gente faz guerras sem o pai?
¬ Vamos libertá-lo então? — nunca entendeu o porque do irmão fazer tanto mistério.
¬ Não. — a resposta veio em tom de descrença. — Deixe o velho apodrecer. Esqueceu que ele não gosta de ser ajudado? E outra. Nós não precisamos de guerras para atacar e muito menos de guerreiros próprios. — o sorriso se alargou. — Nós fazemos as nossas regras, atacamos da forma que queremos e nossos soldados são o de menos, a gente arruma eles em qualquer lugar.
O mais novo soltou uma risada cruel e logo foi acompanhado pelo mais velho.
¬ Acho que vai ser divertido brincar novamente com a mente dos mortais.
= # =
Já conseguia enxergar novamente, demorou um ano inteiro para voltar a enxergar, mas todo o sacrifício para isso tinha valido a pena. Também estava quase andando novamente e estava se esforçando para isso, mas todas essas coisas não vem ao caso agora.
Estava lendo A Arte da Guerra de SunTzu na biblioteca recém terminada da casa quando todas aquelas visões invadiram sua mente. O pouco que viu foi o bastante para fazê-la deixar o livro cair, o que atraio atenção do pai russo e dos irmãos, que estavam lendo O Pequeno Príncipe. A visão estava começando a sumir, então se concentrou e elevou seu cosmo até atrair mais daquelas imagens. Ainda era pouco, elevou ainda mais o cosmo e trouxe mais imagens. Seus olhos estavam começando a ficar verdes. Tentou mais um pouco, mas não viu mais nada.
Arfou. Não via mais nada. Seu destino estava envolvido com aquele futuro.
Elevou ainda mais o cosmo e se concentrou, procurando ver o futuro de seus familiares e só teve um que escureceu como o seu. Seus olhos agora eram de um verde amarelado muito vivo. Acabou.
Tombou levemente para frente, sendo amparada pelo pai. Seus olhos estavam voltando ao normal. Respirava desesperada por ar e suava muito, pode parecer pouco para quem observa, mas ver o futuro exige muito mais do que uma luta. O pai tentava acalmá-la e fazer que respirasse normalmente, os irmãos a observavam um tanto assustados, ainda achavam esses “surtos” estranhos, apesar de montarem uma espécie de guarda perto dela.
¬ Papa...
¬ Diga, querida. — seu tom era pura preocupação.
¬ Chama o tio Shu pra mim?
Todos sabiam que a menina só ficava daquele jeito quando estava vendo o futuro. Ela treinava para ver o futuro quando queria, mas sempre acontecia das visões simplesmente virem e quando isso acontecia ela ficava muito desgastada, o que também gerava esse desespero por ver determinadas pessoas. O problema é que isso só acontecia quando não era coisa boa.
¬ Mas porque? O que você viu?
¬ Só chama. — seu tom era falho, ela se esforçou demais, o que ela viu afinal?
Não falou nada mais, só olhou preocupado para menina, pegou os filhos pequenos pela mão e foi chamar o amigo. Não muito depois o virginiano entrou no recinto e foi direto até a menina. Já estava melhor quando o mais velho chegou, porém, o olhar desesperado permanecia. O que ela viu?
¬ Anna-chan... — a menina engoliu seco e virou-se de forma travada. — Aconteceu alguma coisa?
Ela o encarava com verdadeira pavor no olhar. Balançou a cabeça com certa violência, fechando os olhos com força e respirando fundo várias vezes antes de voltar a mirá-lo, era como se ela estivesse tentando controlar o medo de algo.
¬ Quero lhe dar um presente. — falou mais controlada.
¬ Um presente? — ela estava em pânico não fazia nem 1 minuto, o que presentes tinham a ver com isso? — Que presente?
A menina segurou-lhe os pulsos com firmeza, puxando-o para baixo logo em seguida, logo ele estava curvado com o rosto a dois palmos do dela. Os olhos estavam começando a mudar novamente.
¬ Visão. — a resposta veio acompanhada de um toque no meio da testa, não aconteceu nada, mas ele sentia que tinha algo diferente. — Agora me escute com atenção. Coisas estranhas podem vir a acontecer, mas me prometa que vai lutar e quando chegar o momento, vai deixar que eu te ajude.
¬ Não estou entendendo. — porque ela não falava logo de uma vez o que estava acontecendo?
¬ Shu. — ela estava muito séria para o normal. — Coisas ruins estão para chegar, mas somente os fracos corações iram sofrer e você tem por obrigação os ajudar. É o seu destino. — ditava as coisas com tamanha convicção que era impossível não sentir o peso de suas palavras. — O meu destino é te ajudar com isso, é te deixar forte. Mas agora me prometa. Quando chegar a hora você deve lutar e me ajudar a te ajudar.
¬ Vai ter outra guerra? — o tom da menina sugeria o pior e a reação dela à palavra “guerra” não o deixou muito esperançoso.
¬ Não grite, apenas ouça. — exigiu já prevendo que o maior iria armar um escândalo, segurando-lhe os pulso com uma força anormal dela. — A guerra vai ser travada no coração dos homens e somente a donzela acorrentada pode deter esse mal. — os olhos agora eram iguais aos de uma cobra. — A serpente apenas vai orientar e guiar, mas esse mal deve ser derrotado para que outros males não venham. — a voz era profunda e áspera. — Para que o mundo que construímos permaneça em paz você deve sonhar com o passado esquecido e deter aquilo que deseja destruir.
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