Fênix - Até as cinzas voarem
4 Fábrica e reunião
Eduardo estava sentado em seu escritório, totalmente imerso nos seus afazeres, atendendo seus telefonemas, quando acabou recebendo um telefonema inesperado.
-Alô? — disse ele, atendendo.
-Eduardo, te mandei o endereço no WhatsApp, dirija até ele o mais rápido possível! — era a voz de Gilberto.
-Conseguiu a fábrica?
-Só vem. O resto conto depois.
Assustado com o jeito apressado de seu amigo, que nunca ficou tão eufórico antes, Eduardo decidiu fazer o que seu amigo pediu, se levantando e rapidamente indo até seu carro. Ele colocou o endereço no GPS e dirigiu até lá o mais rápido que pôde sem ultrapassar os limites de velocidade e nem avançar semáforos.
Para sua sorte, aquele não hera o horário de pico na região, então ele rapidamente conseguiu chegar no tempo exato que o GPS indicou que ele chegaria: vinte e dois minutos. Ao chegar, encontrou um galpão enorme, o lado de fora era cinza, o telhado completamente feito de aço, uma porta de correr marrom e Gilberto parado na frente com um homem de terno, trazendo um sorriso triunfante no rosto.
Ao sair do carro, Eduardo foi até eles.
-Oi, cheguei — anunciou.
-Fala Eduardo, amigão! Esse aqui é o Severino Gomez, o antigo proprietário desse galpão — sorriu Gilberto.
-Toda a sorte do mundo para vocês — sorriu Severino.
-Espera, está me dizendo que... — Eduardo mal conseguia acreditar.
Gilberto assentiu, sorrindo e erguendo a chave presa no seu dedo indicador.
-Sim irmão. O galpão é nosso! Como uma boa faxina, poderemos montar a fábrica da Vortex! — sorriu ele.
Emocionado e eufórico, Eduardo vibrou. O sonho estava começando a ser realizado aos poucos, tijolo por tijolo, cada esforço que eles faziam estava começando a valer a pena.
Gilberto apertou a mão de Severino com firmeza.
-Prometemos que nunca vamos decepcionar o senhor — prometeu ele.
-Eu sei — sorriu Severino.
Ainda naquele mesmo dia, Eduardo e Gilberto saíram pela cidade para comprar ferramentas e contratar pessoas para conseguirem arrumar aquele galpão, que embora não estivesse tão ruim por dentro, apenas alguns pedaços de concreto, peças enferrujadas e poeira, ainda precisava de uma equipe para ajudar com tudo.
Os meses seguintes foram brutais. Meses rebocando, pintando e refazendo as paredes do interior do galpão para parecer novo. Dia e noite, parando apenas para almoçar e descansar à noite, todos os funcionários recém-contratados mergulharam de cabeça no projeto. Enquanto isso, Eduardo e Gilberto correram atrás da inscrição da equipe.
O momento aconteceu em um sábado à tarde de Agosto, em um hotel de luxo em Budapeste, na Hungria. O país seria palco do próximo final de semana de corrida da Fórmula 2 e Fórmula 1. Então, assim que chegou na semana da corrida, os dois fundadores da futura nova equipe mandaram um e-mail formal para a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) pedindo a aprovação da entrada da equipe. A resposta demorou três dias para chegar, na noite de domingo após a corrida, com desdém por parte da FIA.
-Acho que não aprovaram — bufou Gilberto.
-Tenta mudar o e-mail, escreve algo mais motivador, um tom mais sério.
Gilberto suspirou, mas mudou as palavras, fazendo um e-mail mais subjetivo. Ficaram com uma troca de e-mails cansativa por semanas cansativas, até que a FIA finalmente cedeu.
Era uma terça feira á tarde, Gilberto estava acompanhando Eduardo na construção da fábrica. 30% de tudo já tinha sido pronto, em breve, os equipamentos chegariam. Enquanto observava tudo focado, seu celular vibrou com um e-mail da FIA aprovando a inscrição da equipe assim que o pagamento de cem mil dólares fosse paga.
O rosto de Gilberto empalideceu.
-Gilberto, consegui o contato dos advogados dos pilotos que a gente vai contratar, só precisamos esperar que a FIA libere... — Eduardo apareceu, descendo as escadas que levavam ao túnel de vento. Ao ver o rosto pálido de seu amigo, parou -O que foi?
Gilberto mostrou a tela do celular. Eduardo leu tudo.
-Uhuuul, aprovada! A Vortex está confirmadíssima! — comemorou ele.
-É um sonho se tornando realidade, meu amigo! — sorriu Gilberto, ainda sem acreditar.
Ambos se abraçaram fortemente, o sonho de colocar o carro da Vortex na Fórmula 1 estava cada vez mais próximo.
Na semana seguinte, a Fórmula 1 estava em suas tradicionais férias de verão. Durante esse tempo, tanto o hangar quanto o túnel de vento da fábrica já estavam prontos. Olhar os dois cômodos foi como ver um filho no ultrassom para os dois amigos.
-Agora só precisamos construir o carro — disse Eduardo.
-Lembra do acordo, não é? — perguntou Gilberto.
-Claro que lembro. Vou cumpri-lo com prazer.
-Ótimo.
Enquanto a sala de comanda da equipe era construída, Gilberto e Eduardo decidiram avançar com o projeto. O próximo passo agora era correr atrás dos pilotos. Eduardo conseguiu o contato do advogado de Gustavo e Gilberto, de Rafael. Por isso, marcaram um encontro em um hotel em Las Vegas, no centro da cidade. O local era quente e extremamente luxuoso, as paredes brancas eram tomadas por luminárias amarelas que deixavam um tom de marrom claro. Os sofás milimetricamente limpos eram brancos como as almofadas, carpetes pretos e mesas de mogno antigo com vários objetos de enfeites preenchiam o lugar e a ânsia de vê-los misturada com o choque de observar aquele lugar só aumentava o calor. Ao entrarem na sala privada do hotel, um espaço exatamente igual ao hangar, mas com um enorme espelho de vidro do teto ao chão ao de frente para a porta, os dois sentaram em uma mesa pequena, redonda, afinal, eram só os quatro negociando. Ao verem os dois chegando, usando ternos sob medida e caros, os criadores da Vortex ficaram paralisados, haviam colocado a melhor roupa deles da Gucci e mesmo assim pareciam da classe econômica perto daqueles dois. Ambos sorriram e sentaram na mesa.
-Boa noite senhores — cumprimentou Nicolas Vêneto, empresário de Rafael.
-Boa tarde, Gustavo — sorriu Eduardo.
-Boa tarde, senhor Winter. É um prazer falar com você — disse Gilberto.
-O prazer é todo meu, senhores — sorriu Hunter Winter, apertando a mão deles.
-Chamamos vocês aqui porque estamos montado uma equipe nova na Fórmula 1. A FIA já aceitou nossa inscrição e começaremos o ano que vem — começou Eduardo.
-Sim, estamos cientes. O paddock da Fórmula 1 já fala somente sobre isso — revelou Nicolas.
-Que bom. Pois queremos seus pilotos como os titulares — falou Gilberto.
-Uma equipe nova? Bem, como empresários, queremos nossos pilotos em equipes boas, que podem conseguir bons resultados. Investimos muito neles e queremos que tenham o sucesso que merecem — falou Hunter.
-Entendemos a preocupação de vocês, mas prometemos que nossa equipe vai ser bem-sucedida. Claro, todo começo é difícil para uma equipe nova, mas temos estrutura para conseguirmos sucesso em pouco tempo — prometeu Eduardo.
Determinado, Gilberto pegou uma cópia do design do carro, o VTGP-01 e estendeu na mesa. Ele sabia que os empresários não entendiam de carro e não poderiam olhar para o desenho e afirmar com a certeza de que seria bem-sucedido, mas esperava que só de mostrar que tinham carro e uma fábrica, fosse o suficiente para convencê-los.
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