Amanheceu e ela não havia dormido nada.

Ela virou-se para o outro lado para ver se Mark ainda estava lá, ele estava, e Lucy começou a sentir uma dor no peito pois apesar de louco e estar atrapalhando ela, ele era um cara legal no qual ela queria ser amiga.

Então ela começou a imaginar como vai ser sem ele no quarto, perguntando onde ela estava, ou convidando-a para ir comer. Seria solitário e deprimente sem o companheiro de quarto.

Mas era necessário porque apesar de ele ser legal, ele não quer que Lucy tente fugir, e ele quer que ela fique ali pra sempre junto a ele. Então ela se lembrou do quase beijo e se perguntou se ele gostava dela. Era óbvio que sim.

Lucy nunca teve um cara que gostasse dela, e que era legal, então ela sentiu um certo aperto no coração e um arrependimento por ter obedecido Tommy.

Será que Lucy está gostando do companheiro de quarto e não quer que ele se vá ...? Nem ela sabe o que está sentindo, Lucy virou-se para o outro lado e ficou a pensar no que sentia, mas não tinha explicação, eles se conhecem a pouco tempo, mas ela sente um carinho por ele e não que que ele se vá. Mas é preciso, uma vozinha na cabeça dela falou.

Ela então sentiu uma raiva muito forte de Tommy por estar a mandando coisas difíceis, e ele irá fazer com que ela enlouqueça mais ainda com essas coisas que ela tem que obedecer, e por um breve momento ela quis apenas desistir de fugir e enlouquecer ali dentro até o fim de sua vida.

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Eram nove da manhã Lucy não sabia ao certo que dia era, mas ainda deve ser dezembro ela pensou. Então ela viu Mark indo ao banheiro, seu companheiro de quarto acordou e ele deve estar furioso pelo que ela fez, então Lucy decidiu conversar com ele antes dele ir embora.

Quando ele voltou a sua cama para arruma-la ele viu Lucy sentada e se espantou, mas não disse uma palavra a ela. Então Lucy soltou no ar algumas palavras desesperadas que não seria respondidas:

–Bom dia Mark, eu só queria que você não ficasse bravo comigo, eu gostei de ti, você é legal, e eu queria ser sua amiga, mas é que vai ser preciso, vai ser melhor se nós nos separarmos de quartos.

Por um breve momento as palavras de Lucy ficaram no ar como esperado e ela se arrependeu de ter falado, mas para surpresa dela ele a respondeu.

–É isso que não entendo, se você quer ser minha amiga, me achou legal, quer que eu saia sem nenhum motivo. (Mark)

Lucy ficou a pensar por um momento, não havia motivo, não havia explicações a dar a ele, ela não podia contar, mas o que falar a ele? Ela precisa dar um motivo para que ele não fique bravo.

Quando ele já estava saindo pela porta para tomar o café da manhã ela o disse:

–Mark, eu vim parar aqui porque sou depressiva, bipolar, suicida, e eu te achei legal, mas se você ficar aqui eu vou acabar te machucando com minhas palavras, e eu gosto de ficar sozinha e a cada passo que dou você está ai e eu não sou acostumada a isso, eu fiquei dois anos trancada em meu quarto, mas saia pra ir na escola e agora ter um companheiro de quarto é difícil, eu só queria que você entendesse isso. E nós podemos se ver por ai ainda, mas não conviver assim a todo momento. (Lucy)

Depois da longa explicação, ela ficou a pensar no que disse, então achou que o havia convencido.

Ele saiu pela porta e não a deu nenhuma resposta, ela pensou que ele estaria bravo, mas também pensou que o havia assustado com sua história.

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Depois de uma hora Mark voltou ao quarto e encontrou Lucy sentado no chão chorando e disse a ela:

–Lucy, eu te entendo, tudo bem, é estranho tudo que você me contou mas eu a entendo, é que quando você chegou aqui eu pensei que nós... Ah esquece, mas vamos ser amigos, vamos nos ver por ai, eu não estou bravo, um pouco chateado porque não vai ser como eu esperava, mas só quero que você saibas que eu te achei legal, e gosto de você.

Lucy ficou a pensar na frase “Eu te achei legal, e gosto de você”. Por um minuto se passou imagens na cabeça dela de garotos a usando e a humilhando, ninguém nunca havia falado aquilo com tanta sinceridade, e ela agora ficou a se culpar por deixar esse cara que ela mal conhece mas que é legal e verdadeiro ir embora.

Mas ela não queria deixar visível que ela também gostava dele e que não queria deixar ele ir, então só disse:

–Mark seremos amigos

Ele sorriu e Lucy pode ver em seus olhos uma lágrima que iria rolar, pois para ele Lucy era uma esperança, uma garota que trazer ia paz e conforto a ele.

Lucy depois de perceber os sentimentos dele se sentiu ainda mais culpada e então ela apenas disse a ele:

–Me desculpe

–Tudo bem, vai ser melhor assim, mas ainda quero te ver, ok ?(Mark)

Lucy pensou em Tommy e ele certamente não deixaria ela conversar com ele, mas afinal que era Tommy para mandar nela desse jeito?

–É claro que sim, essa separação de quarto nossa vai nos fazer sermos mais amigos ainda, eu prometo.

Lucy então virou-se e ficou a olhar pela janela novamente. E ficou a imaginar Mark a visitando em seu quarto, ou ela indo a biblioteca e ele a ajudando a escolher um livro. Ela por um breve momento pensou realmente que estava gostando dele, mas o seu foco era sair daquele lugar e não se apaixonar.

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Eram onze horas quando uma enfermeira venho ao quarto e disse a Mark:

–Senhor Mark seu novo quarto será o 88, por favor arrume suas coisas e até o meio dia você tem que estar lá.

A senhora fechou a porta com força

E Mark sentou-se com Lucy que ainda estava na janela então disse a ela:

–Parece uma despedida daquelas que dói mas nós nos conhecemos a talvez uma semana, mas eu sinto como se a conhecesse a tanto tempo, você me parece tão... familiar.

Lucy deitou sua cabeça no ombro de Mark e então se aproximou mais e ficou a olhar a ele no fundo de seus olhos, ela estava boba e apaixonada, ele era sim familiar a ela também, ela sentia o mesmo por ele mas não podia demonstrar.

Mas essa paixão que ela sentia fez ela chegar mais perto e o beijar os lábios em um demorado selinho.

Ela sussurrou: Mark, eu sinto o mesmo que você, mas algum dia você vai entender o real motivo por estar indo embora, e talvez algum dia nós poderemos ficar juntos, eu vou tentar, porque eu sinto algo por ti.

continua ..