Ela acordou deitada no chão mas uma enfermeira velha a acordou e Lucy se levantou e ficou meia tonta pois não comia a dias e começou a se lembrar do que Tommy a tinha dito e a velha falou:

–você vai precisar tomar alguns remédios garota

E Lucy disse que sim mas ela mentiu pois ela iria jogar fora como Tommy tinha a mandado.

A enfermeira colocou alguns comprimidos na boca dela e Lucy colocou os embaixo da língua e assentiu que sim, que tinha engolido, fingindo engolir mas só engoliu um pouco de saliva.

A enfermeira foi embora e Lucy pegou os remédios da boca e foi até o banheiro e jogou no vazo e puxou descarga.

Voltando pra lá viu Mark sentado na cama e ele a perguntou:

–vamos ir comer?

–não estou com fome, desculpa (Lucy)

Mentira é claro mas é que Lucy desconfiou que colocassem remédios na comida também.

Mark foi para o refeitório da clinica e Lucy ficou lá sozinha no quarto.

Então Lucy foi até a janela e viu Tommy lá em baixo a chamando e então ela abriu a janela e Tommy gritou: venha aqui!. E então ela pulou a janela que não era muito alta pois se ela fosse pela porta alguém iria a ver então pela janela ninguém veria e então quando aterrissou no chão ela caiu e se alevantou rápido.

–oi Lucy, está bem? (Tommy)

–é bem, e você?(Lucy)

–normal (Tommy)

–você não tomou os remédios? (Tommy)

–não, eu os joguei no vazo sanitário e puxei descarga (Lucy)

–isso ai, sempre faça isso (Tommy)

–mas sinto em dizer que você terá de se livrar de seu colega de quarto (Tommy)

–porque? e o que eu vou fazer ? (Lucy)

–diga ao diretor que ele a incomoda e que você precisa de um quarto só seu, ele vai entender (Tommy)

– vou fazer isso.. mas aonde fica a sala do diretor? (Lucy)

– é no quinto andar onde quase ninguém vai, só se for importante demais, é a última sala a direita diz “diretor” na porta, você vai saber. (Tommy)

–e o que vou dizer? (Lucy)

–diga que precisa de um quarto só seu, que Mark te incomoda demais (Tommy)

–ok vou fazer isso, hoje a tarde (Lucy)

Lucy já ia indo embora mas Tommy a puxou pelo braço e disse:

–você também não pode comer a comida daqui, tem remédios, tome esse pedaço de pão, e sempre me procure nessa hora que eu te dou comida e a gente conversa. (Tommy)

Tommy a alcançou o pedaço de pão e Lucy disse:

–Obrigada Tommy, ok sempre nesse horário.

Lucy foi embora dali, subindo pela sua janela novamente. Ninguém iria ver pois ela estava no segundo andar.

Chegando lá fechou as cortinas, trancou a porta e sentou no chão na escuridão e comeu seu pedaço de pão com alface.

Depois de comer ela pensou que aquela seria sua única refeição. Então depois de disso ela ficou ali no chão pensando em como iria na sala do diretor, e o que iria falar. Mas ela percebeu que sempre as conversas que tinha com Tommy eram rápidas e estranhas, e que ela não o conhecia, mas não ligou para isso agora, pois ele é sua única salvação pra sobreviver ali, e para fugir.

E depois de alguns minutos Mark bateu na porta e pediu pra entrar então ela abriu as cortinas e foi abrir a porta para Mark.

Então Mark a perguntou o que ela estava fazendo mas ela só olhou pra ele e saiu do quarto indo em direção ao quinto andar falar com o diretor.

Ela caminhou devagar pelos corredores até chegar a ala 3 e logo depois a ala 4 .Ela entrou na ala 4 e foi devagar com medo pois lá era onde pessoas mais avançadas de loucura estavam mas de longe ela viu a porta de Tommy aberta então ela teve uma breve vontade de entrar mas lembrou do que ela devia fazer então apenas o olhou e sorriu e ele retribuiu. Chegando no final da ala 4 havia a escada que levava para o quinto andar.

Tommy estava certo no quinto andar não havia ninguém no corredor exceto ela, o silencio e a frieza do lugar a assustou. Chegando na porta do diretor ela sentiu um certo medo, bateu na porta e o senhor disse que podia entrar, então ela entrou e começou a falar:

– oi, sou Lucy, sou nova aqui, mas queria lhe pedir que Mark meu companheiro de quarto saísse, ele tem me incomodado, ontem ele tentou me beijar. Por favor senhor diretor quero um quarto só meu!

–Vou providenciar, obrigada por me avisar, mais alguma coisa..?

–Óh não, mas muito obrigada mesmo senhor diretor (Lucy)

Lucy saiu da sala do diretor com um sorrisinho e percebeu que foi uma breve conversa mas que mudaria muita coisa, e então seguiu pelos corredores rapidamente até seu quarto onde Mark ainda estava.

–Aonde você estava..? (Mark)

–Na sala do senhor diretor (Lucy)

–Fazendo o que? (Mark)

–Sinto muito mas logo você vai saber quando vierem para te levar (Lucy)

–levar para aonde?, você pediu o quarto só pra você?.. Porque? (Mark)

Lucy não o respondeu e foi para sua cama, se deitando virada para o outro lado, para não ver Mark, ela sentia muito por ter de fazer isso, mas se ela queria fugir precisava fazer isso, pois ele poderia atrapalhar, mas Lucy havia gostado dele, ele era um amigo, um estranho amigo e sabia que ele não queria mais nem falar com ela, então com certeza ela perdeu a amizade estranha de Mark por conta disso.

***************

Essa noite ela chorou não tanto por conta de Mark, mas ela começou a pensar em tudo que já havia ocorrido a ela, seu passado havia a visitado essa madrugada a fazendo chorar e não dormir. Então ela pegou sua mochila que estava com suas coisas ainda, e por sorte não haviam revistado algumas coisas como seu celular pois dentro dele havia laminas, ela se certificou outro dia que elas estavam ainda lá pra quando ela precisasse.

Então ela viu Mark dormindo e foi até sua mochila e pegou essa lamina e foi ao banheiro, estava escuro lá dentro, tão escuro e familiar que ela não se assustou, o silencio e a frieza do lugar a assustou novamente, mas ela não ligou, ela apenas queria mais cortes em seu corpo, é claro que ela não deixaria ninguém ver então decidiu fazer em suas pernas, pois ela ficava de calça de moletom sempre, mas os braços ficavam nus, e é claro que os outros pacientes haviam percebido quando cruzaram com ela que ela tinha várias cicatrizes horrendas espalhadas pelos braços e principalmente nos pulsos. E por esse motivo quando ela viu pessoas falando dela e vendo seus braços ela pegou sua mochila onde havia alguns casacos e o vestiu seu velho casaquinho preto, assim ninguém iria ver seu pobre braço.

Depois de alguns minutos chorando baixinho no banheiro de seu quarto ela pegou a lamina na mão e a afundou em suas pernas com toda raiva que sentia por estar ali e por não ter conseguido se matar quando pode, pensamentos suicidas passaram por ela certa noite e hoje a madrugada novamente mas lá não havia nada que pudesse o fazer, o suicídio tem de várias maneiras mas cortar os pulsos até morrer era agora a única opção já que eles não sabiam que ela tinha uma lamina. Então como seu colega de quarto Mark iria sair logo de manhã de seu quarto ou ela enviada a outro ela decidiu que desse ponto em diante todas as madrugadas se ela sentir vontade iria se cortar os pulsos, pernas. Agora ela estava decidida, a lamina iria vencer novamente e ela não tentaria ser forte, e se a lamina a matar por sorte, ela a deixaria.

Nessa madrugada em questão, a lamina foi fundo em suas pernas. No escuro do banheiro em um canto chorando ela estava com a lamina na mão como tantas outras vezes nos últimos dois anos. O estrago não foi tão grande apesar de fundos e muito sangue escorrendo ela decidiu colocar em seus cortes papel higiênico e depois os jogar no vazo e puxar descarga. Foi o que fez, muitos papeis higiênicos foram usados é claro e depois vestiu seu moletom e jogou alguns papeis no vazo e em seguida puxou descarga, mas havia ainda mais papeis então ela foi os jogando devagar para não entupir o vazo.

Mark acordou com o barulho mas não fez perguntas e então Lucy ficou no banheiro por mais algum tempo, chorando muito, sangue não escorria mais pois ela havia passado água e depois os papéis, então estava tudo bem.

Mas ela continuava a chorar, por tudo, tudo que a ocorria, o passado a atormentava e o futuro de fugir de lá a deixava preocupada então logo amanheceria e ela guardou sua lamina no lugar e foi se deitar. É claro não conseguiu dormir mas ao menos parou de chorar. Mas seus pensamentos ainda a perturbavam, e ela sabia que esse ritual de madrugada continuaria.

continua ..