Férias Inesquecíveis.
15 Xeque-mate.
Paula, Cris e Gus se encontravam paralisados em frente ao seu assassino. Estavam confusos com aquela revelação, não entendiam como Gerson poderia estar vivo.
— Isso não faz sentindo — Gus dizia — Nós vimos você entrar no porão.
— Sótão — Paula e Cris o corrigiram ao mesmo tempo.
— Foda-se — Gus revirou os olhos — Marybelle estava naquele porão, não tinha como você sobreviver.
— Você não percebe? Estamos todos sobrevivendo — Gerson riu — Isso não é vida.
— Era você ? — Paula os interrompeu com lágrimas — Naquela noite?
— Não entendi direito, Paula — Ele disse de uma forma sarcástica — Que noite você tá falando exatamente ?! — Ele sorriu enquanto levantava seu queixo com sua arma.
— EU VOU MATAR VOCÊ — Ela tentou ir pra cima mas ele a ameaçou com a peixeira.
— Eu duvido muito.
— Mas por que nós ?! Somos todos amigos — Cris o olhou com os olhos cerrados.
— AMIGOS?! — Gerson caiu na cama com a gargalhada — Amigos deviam ser a família que você escolhe, você acha mesmo que alguém escolheria uma família que mentem, te maltratam, te enganam e te traem??
— QUÊ ?!
— Vocês mentem, traem, enganam e se tratam com desprezo — Gerson colocou a peixeira no seu ombro e os encarou — Chamem as pessoas desse grupo como você quiser, mas não são amigos.
— Espera! — Gus o parou antes que O Assassino usasse sua arma — Já que você vai nos matar mesmo, pode ao menos dizer qual o seu plano?
— Acham que eu sou o que? Um idiota? Tão achando que isso aqui é uma aventura infantil da sessão da tarde onde enquanto eu conto meu plano vocês fogem? — Gerson posicionou a peixeira — Nessa história quando há sobreviventes!
Quando Gerson levantou a arma em sua direção, Cris foi rápido e pulou nele. Os dois rolavam no chão do quarto, enquanto Paula e Gus corriam para fora.
— ACHO QUE SEI PORQUE VOCÊ NÃO QUER DIZER O MOTIVO, GERSON — Cris segurava o braço do O Assassino enquanto ele o forçava contra a sua barriga.
— FECHA A BOCA, GORDO, AO MENOS UMA VEZ.
— NÃO TEM MOTIVO, VOCÊ SEMPRE FOI UM PSICOPATA E SEMPRE VAI — A peixeira penetrou enfim na barriga de Cris, que cuspia sangue — . . . ser.
Cris caia morto no chão enquanto Gerson removia a arma de sua barriga com o sorriso no rosto. Nos corredores, Paula e Gus estavam sem rumo, se perguntando o que fariam.
— Não devíamos ter deixado ele.
— Temos que fazer algo.
— O quê ??
— Eu não sei...
— Vamos procurar o resto do grupo.
— Que resto?!
— Qualquer um que estiver vivo — Paula disse indo na frente.
Na floresta, densa e escura, Igor, Mandinha e Linnah se encontravam perdidos. Não faziam ideia do que estavam acontecendo com os seus amigos, como todo bom conto de terror, seus celulares estavam foras de área.
— Operadora desgraçada — Linnah tacou seu celular para longe — Como a gente vai sair daqui agora?
— A gente veio pela cidade, né?! Estava iluminada — Mandinha disse — É só a gente andar até vê a luz, então seguimos na direção dela até sair na cidade.
— Geralmente quem vê a luz é quem tá morrendo — Igor respirou fundo — Eu não quero caminhar em direção a ela!
Linnah e Mandinha ignoraram Igor completamente e seguiram com o plano. Igor acabou indo atrás delas, mas manteve uma certa distância, para poder observa-las por trás. Igor mantinha-se cada vez mais afastado, meio distraído, foi quando ele escutou um choro irritantemente alto vindo da sua direita, assim como uma luz fraca. Rapidamente deduziu que eram choros de alguma criança do centro, então ele correu naquela direção, gritando para as meninas o seguirem, mas elas já estavam longe e ele não havia notado. Quando ele foi chegando perto do choro, não achou a cuidada e percebeu que estava perdido. Ele foi até o choro e tudo que encontrou foi uma menina de cabelos rosados, sentado em um tronco oco, chorando de costas para ele.
— Olá — Ele a chamou — Você tá perdida ?!
— ... — Ela não respondeu, só começou a chorar mais alto.
— Não precisa ter medo de mim — Igor estava muito assustado com aquela situação, mas não podia deixar aquela criança perdida — Eu não vou te machucar — Então ela parou de chorar.
— ... — A criança virou sua cabeça para as costas, o encarando com aqueles olhos negros, fundos e macabros, com um líquido preto escorrendo por seu rosto.
— AH — Igor caiu com o susto — FICA LONGE DE MIM, SUA FILHA DE SATÃ.
Marybelle foi se aproximando dele bem devagar, ela queria sentir aquele momento de desespero. Igor arredava para trás como se sua vida dependesse disso e naquele momento, dependia.
Mas ele acabou indo contra uma árvore, ficando sem espaço para arrendar para longe dela, ele já não podia se levantar, o medo o consumia e o tempo havia acabado. Com suas pequenas unhas de boneca, Marybelle foi arrancando a pele de Igor, começando a arrancar suas unhas e ir subindo até sua virilha, o deixando em carne viva. Ela foi rasgando todo seu corpo, até chegar no seu pescoço. Ela o encarou fixamente e Igor foi sendo consumido por aqueles olhos, nos seus últimos segundos de vida.
Enquanto isso, Linnah e Mandinha finalmente acharam o caminho de volta, mas também perceberam que Igor já não estava mais com elas.
— Eu tenho certeza que ele tava logo atrás da gente — Mandinha olhava atrás de uma das árvores — Se isso for mais uma brincadeira dele...
— Bora logo, Mandinha, ele já deve ter até voltado pra pousada.
— Mas... — Mandinha então foi interrompida por sons de passos vindos da escuridão.
— ... — Era Igor saindo do meio das árvores.
— IGOR — Mandinha saiu correndo para abraçar seu namorado, mas foi impedida por Linnah.
— Mandinha, pelo amor de Deus — Linnah a olhou nos olhos — Olha ele de cima abaixo, os olhos, a boca...não é mais o Igor, é Marybelle.
— ... — Marybelle encarou Mandinha com aqueles olhos escuros, grandes e fundos e estendeu sua mão.
— Igor — Mandinha correu em sua direção, segurou sua mão e o abraçou.
— ... — Depois de alguns escolhendo acreditar naquela ilusão, Mandinha foi levantada pelo pescoço e colocada contra a árvore.
— Igor... eu sei que ainda... é você... — Mandinha buscava ar.
— ...
— Por favor... lembre-se da gente... — Ela já estava ficando roxa — Se tem alguma... parte sua aí... lute... mas não me ma...
— ... — Marybelle, no corpo de Igor, a interrompeu enfiando sua mão no seu peito e arrancando seu coração.
Enquanto sua melhor amiga era morta pelo corpo do namorado, Linnah corria para a pousada. Foi o mais rápido que pode e chegando lá se trombou com Paula e Gus na entrada, que também estavam correndo. Assustados e nervosos, os três tentaram falar ao mesmo tempo, mas só entenderam: " Eu transei com Marybelle matou Gerson é o assassino matou Mandinha".
— Pera o quê ?! — Eles ficaram confusos.
— A cigana falou que a culpa era nossa, a gente somos os culpados por libertarem Marybelle.
— E o que a gente faz agora? — Gus perguntou nervoso.
— A gente foge — Linnah correu para a suíte.
— LINNAH, NÃO ! — Paula e Gus foram atrás dela ao se lembrarem que Gerson estava lutando com Cris.
Eles foram correram atrás dela, mas chegaram tarde demais e tudo que encontraram foi Linnah, paralisada, olhando para o chão. Esquartejado no chão do quarto, estavam pedaços do corpo de Gerson, com uma mensagem escrita em sangue: "Uma recompensa por me libertarem. Ass.:Marybelle"
— Acabou — Paula disse — O problema principal acabou aqui, agora.
— Ainda tem Marybelle — Gus disse.
— NÃO — Linnah pegou sua mala — Nós vamos embora.
— Não podemos deixa-la solta, nós a soltamos.
— Linnah estar certa, Gus, não podemos fazer mais nada — Paula pegou a chave do carro do Gabriel — Vamos embora, logo.
— Não podemos deixar a cidade — Gus as seguiu até o carro — Nós somos os culpados, Santo Peter vai pagar por nossos erros.
— A CIGANA DISSE QUE JÁ AJUDAMOS O SUFICIENTE — Linnah jogou sua mala para dentro do porta malas.
— Se fugimos, não seremos muito diferentes que Gerson e Marybelle, seremos vilões também.
— Entra logo, Gus — Paula disse cansada no volante.
— Linnah, você tá fugindo, sabe disso, né ?
— ... — Ela o encarou bem — Estamos falando sobre o quê exatamente ?
— Como assim?
— Eu gosto muito de você, Gus — Ela o abraçou — Mas se ficarmos, estamos mortos.
— Eu prefiro morrer herói — Gus a afastou — Do que viver para...
— ÓTIMO — Ela o interrompeu e entrou no carro — Então morra como um.
Paula e Linnah ligaram o carro e começaram a dirigir. Gus ficou lá, parado na calçada, vendo se elas realmente iriam fugir. Elas realmente fugiram, seguiram um caminho reto, sem paradas, sem olhar para trás. Em nenhum momento pensaram em voltar pela cidade ou por seus amigos, apenas pensavam em como seria dali pra frente. Não sabiam o quê esperar do futuro, mas sabiam que agora, Santo Peter era passado.

Fale com o autor