Férias Imorais nas Ilhas Canibais

2 Muitas na festa, uma no matinho


Notas iniciais
E o vulcão cuspiu seu gás misterioso sobre a estranha ilha. O que será do pobre Darvim no meio de tudo aquilo? Preparem-se para muita diversão e caos nesse capítulo, onde o amor está por toda parte (literalmente).

Lá estava eu, cercado por turistas animados e uma garota mascarada, enquanto aquele estranho gás vinha como uma onda, dominando tudo. Quando vi aquilo se aproximando, me abaixei na hora! Peguei um pote de vidro pra tapar boca e nariz, e me pus embaixo de uma mesa. O som de tosse das pessoas mais próximas se misturava ao berreiro, e esperei a coisa acalmar antes de sair (e respirar de novo).

Quando levantei, nada de mascarada. No lugar dela encontrei as duas garotas com camisa de anime que vi antes, mas agora se pegando. Um beijão de língua daqueles! Confesso que foi até difícil desviar os olhos da cena que eu só tinha visto antes pela internet.

— Essa ilha só vale a pena com você, Paty-chan.

— Como sua boca é gostosa, Lili-sama!

Elas diziam isso em meio a agarração. Doidinhas mesmo.

Fogos no céu, festa na terra. E o gás ainda no ar.

— Nossa, nossa. Assim você me mata. Ai, se eu te pego, ai, ai, se eu te pego!

— Delícia, delícia. Assim você me mata. Ai, se eu te pego, ai, ai, se eu te pegoooo...

Agora eram os dois carinhas coloridos de antes, cantando um para o outro, à um passo do ataque. Bom, era verdade que o pessoal estava mais animadinho...mas até ai, nada demais. Já deviam ser casais mesmo.

— Ae, Marcelão. Teus músculos tão muito show, mano, duros que nem rocha! Ó que delícia...— Dizia um dos marombeiros que estavam bebendo, agora alisando e apertando o peitoral do amigo.

— Pô, mano. Bora lá no quarto que te mostro lá outro bagulho durão.

E ao vê-los saindo, naquele exato momento, fiquei realmente assustado. Dos outros caras, dois tentavam acalmar o mais fortão, que agarrava um outro por trás e dizia:

— Vem monstro! BIRL!!!

O tamanho dos caras e o medo de ser o próximo alvo, me fizeram sair de lá rapidinho. No começo eu tentava prender a respiração o máximo possível e usar o pote, mas conforme o gás foi se espalhando por outros lugares e rareando por onde eu passava, fui ficando mais tranquilo. Durante a fuga, via todo tipo de casais possíveis. Dos mais normais, que deviam ter ido juntos pra lá, aos mais exóticos, que pareciam coisa de pegadinha. E vi coisas como as seguintes:

— Olá, a senhorita está bem? — perguntou um coroa careca e gorducho, para uma morena de vestido apertado e salto agulha, com mais curvas que montanha-russa, ao melhor estilo Panicat.

— Melhor agora, gostosão! — E na sequência, agarrou o coroa, que surpreso mal sabia como reagir a tanta areia caindo sobre seu caminhãozinho.

Ainda pensei "bom, talvez seja rico e ela só queira a grana". Mas daí vieram os outros exemplos. Fosse a loira com um metro e meio de pernas que dava em cima do garçom nativo, baixinho e narigudo. Fosse a negra com perfil de modelo, que disputava um nerd raiz (magricelo, óculos e aparelho) com uma japa tão gata quanto.

É, não haviam mais dúvidas: o gás do vulcão fazia as pessoas gamarem em quem tivesse por perto. Maldito Léo! Só então entendi o motivo dele estar tão confiante que eu deixaria de ser virgem naquela ilha.

Meu raciocínio cessou quando senti mãos delicadas sobre o meu corpo. Arrepiado e travado, apenas um pensamento ocupava minha mente: quesejagataquesejagataquesejagata...

Mas não era.

— Que rapazinho bonitinho temos aqui. — disse a velha de uns setenta anos ou mais. — Vem com a vovó, vem.

— De-desculpa, senhora. Sou comprometido, ó. — Disse eu, apontando para um dedo sem anel nenhum. — Sei que a senhora vai encontrar alguém.

E meti o pé de lá, bem assustado. Ao olhar em volta, decidi que seria eu a fazer minha sorte. Um milagre como aquele não poderia ser desperdiçado, e era hora de ir a caça. Vi um monte de casais como aqueles, com verdadeiras deusas com caras feiosos. Galãs de cinema com garotas feinhas, gays bonitões com gays feios, e coisa e tal. Se eles podiam, eu também poderia.

E foi ai que a vi. Sentada numa mesa afastada de todos, com aquele rosto angelical. Isso sem mencionar o mais belo par de seios que já vi na vida. Era minha chance! Corri para sentar de frente pra ela, do outro lado da mesa, tão ofegante quanto esperançoso. Então ela me viu, abrindo um sorriso lindamente sexy.

Era a magia da ilha agindo a meu favor, só podia. "O amor está no ar", pensei. E sorri de volta, mais confiante (mas nem tanto assim).

— Oi...você, é...quer beber alguma coisa? — foi tudo que consegui perguntar, dado o nervosismo.

— Oi, aceito um suco natural, sim. — respondeu ela, com aqueles lábios que eu já me imaginava beijando.

Então peguei suco pra nós dois, entreguei o dela e fiquei admirando aquele sorriso, fazendo um esforço absurdo pra não descer os olhos para aqueles grandes, belos e convidativos seios. Deus, e que seios eram aqueles!

— Obrigada pelo suco, foi um doce da sua parte. — disse ela, após o primeiro gole. — Mas você ainda não se apresentou.

Era verdade. Como eu sou lerdo.

— Darvim. Meu nome é Darvim. E o seu, é qual mesmo?

— Marta. É um prazer te conhecer, Darvim, você é um fofo.

E sorriu novamente, me derretendo todo.

— Obrigado, Marta. Você é muito linda, sabia? — juntei coragem pra dizer, vencendo a timidez.

— E você é uma gracinha que apareceu na hora certa. Sabe, Darvim, eu estava me sentindo tão sentimental e carente essa noite...precisando de alguém como você.

Nossa...o céu parecia estar mesmo sorrindo pra mim aquela noite. Então eu não podia ficar sem fazer minha parte.

— Eu...posso...te beijar?

— Que fofo, ele pergunta. Já devia ter beijado.

Eu sorri, envergonhado. Ela sorriu de volta. E fomos nos aproximando sobre a mesa, eu fechando os olhos, tão tenso quanto ansioso. Já podia sentir o perfume dela. Sua respiração, seu desejo, seu...

— Bleeerrghh... — seu vômito.

É, ela vomitou em cima da mesa...e de mim. Minha blusa nova já não era mais nova. Foi bem nojento e vergonhoso, então me afastei, pensando em como limpar aquilo, e o mais importante: como reagir aquilo!

— Desculpa, desculpa, desculpa... — ela repetia, tão envergonhada quanto eu.

Tudo bem, pensei, ela devia estar se sentindo mal, assim que melhorasse ia querer me recompensar por aquilo.

— Tudo bem, dá pra lavar. — Respondi, passando um lenço na roupa. — Mas e você, tá se sentindo bem?

— Nada de mais, só o de sempre, já estou acostumada. — Disse ela, limpando a boca com um guardanapo. — Trinta semanas tem dessas coisas.

— Eeerrr..."trinta semanas" de q... — Assim que ela levantou, a pergunta deixou de ser necessária. O tamanho da barriga já dizia mais do que eu queria saber.

— Espero que esse pequeno mal-estar não estrague nossa noite, Darvinzinho. Prometo te recompensar muito bem por isso no meu quarto. — E alisou meu rosto com uma mão, e a barriga de oito meses com a outra.

Céus, uma grávida queria transar comigo! Sabia que tinha algo errado com uma mulher linda e sexy me querendo.

— De-desculpa, Marta. Você é mesmo muito linda e tal, mas acho que não vai poder rolar não.

— Como assim, Darvim!? — Perguntou, elevando a voz e fechando a cara. — Você vem aqui puxar assunto e me dar seu suco. Te achei tão fofo, e até o "Darvinzinho" aqui chutou quando viu o novo papai dele.

"Darvinzinho"? "Novo papai"? Após ouvir essas palavras, eu até que pensei em coisas úteis pra falar. Tentando acalmá-la e abrir os olhos dela sobre aquela loucura toda do gás, dos sentimentos dela sensíveis pela gravidez, ou mesmo do meu medo de machucar o bebê lá dentro. Mas no fim, fiz o mais fácil: corri. Meti o pé pra longe daquela grávida lunática.

— Não me abandona, Darvin! Não abandone sua família, meu amor!

Desculpa, desculpa mesmo, mas eu não podia perder a virgindade com uma grávida. Só podia torcer pra outra pessoa salvar a Marta.

Uma vez longe da bagunça, subi uma escada que levava a uma área com vegetação nativa. Vi que tinha gente lá de máscara no rosto ou mesmo na mão, como se estivessem só observando ao show lá de baixo. Esperava que não tivessem visto o meu show, ao menos. Muitas barracas montadas lá, com gente que vi no hotel, a maioria empregados não nativos.

E a frente deles, sentada no mato com seu notebook e um binóculo, a garota de antes. Ela riu baixinho quando me viu, embora tentasse disfarçar.

— Ia perguntar como se saiu com as mulheres, mas essa mancha ai já responde tudo.

— Nossa, muito engraçada você. Tivesse me explicado o que ia rolar, eu não passaria por isso. — Vendo que me ignorava, decidi mudar de assunto. — Mas o que é que você tanto digita, hein?

Ela levantou o olhar na minha direção, fechando o note e se levantando.

— Escrevo histórias que depois posto na internet. E acredite, não tem nada mais inspirador para o gênero que faço do que o que rola nessa ilha.

— Sei. E que "gênero" seria esse mesmo?

— Escrevo "hot". — respondeu ela, com um sorrisinho safado de canto de boca. — Histórias bem quentes, cheias de safadeza e sexo.

Eu devo ter ficado vermelho, pois ela riu alto da minha cara.

— Tímido assim, aposto que ainda é virgem! — a safada perguntou na lata, me deixando travado.

— Cla...claro que não! Já transei uma penca de vezes. Várias e várias vezes. — menti, tentando passar confiança. — Com garotas, só pra ficar claro.

Ela riu de novo, tão alto quanto antes.

— ...tenho certeza que sim, garanhão. — E me deu tapinhas nas costas, me deixando mais envergonhado ainda.

E quando começava a se afastar em direção as barracas e ao povo chique que nos olhava, parou, se virando pra mim e dizendo:

— Se cuida. Quem sabe você não acaba transando de verdade nessas férias.

E foi embora, me deixando com uma pulga atrás da orelha:

Ela estava mesmo me dando mole?

Notas finais
No próximo capítulo, hora de tirar satisfações com um certo sacana chamado Léo.