Fé
2 II - The Good Life
Notas iniciais
Enfim, faz muito tempo que não posto e isso me corta o ♥, pq realmente gosto de escrever, mas não estava muito inspirada e/ou com tempo. Hoje finalmente me veio uma idéia na cabeça, e mesmo sem tempo decidi escrever, pq quando escrevo eu relaxo e isso é ótimo! Espero que gostem, não está lá essas coisas e sem revisão, mas foi de coração e eu tenho ótimas idéias para os próximos MUAHAHAHHAHHA parei. Boa leitura.
Música - The Good Life - Jace Everett
Capítulo 2 — The Good Life
Abri a porta com força, a faca estava em minhas mãos e eu estava preparado para lutar com o que quer que fosse. Estava tudo escuro e de repente as luzes acenderam.
- SURPRESA! – gritaram dezenas de pessoas que estavam no quintal de Liz.
- O que diabos...?
- Surpresa Matth! – Liz disse toda feliz atrás de mim – Abaixa logo essa faca que você está sendo indelicado. Preparamos tudo isso pra você.
Sorri igual bobo, nunca ninguém havia feito nada por mim; não alguém de fora da família pelo menos. Ela me pegou pela mão e foi me apresentando pra todo mundo. Ela havia convidado vários caçadores da região e alguns eu até conhecia. Os Vanderbillt, os Jinxsons e até mesmo os introspectivos Baskervilles. Conversei com muitas pessoas e até passei um bom tempo conversando com uns caçadores itinerantes, que haviam acabado de chegar de Iowa.
- Parece que vem ocorrendo uma onda de assassinatos estranhos na região. No Texas foram 5 mortos e no Mississipi já foram contabilizados 6. Não é como nada que eu já tenha ouvido falar durante toda a minha vida – Chris Jinxon falou de modo pensativo – e olha que eu estou no ramo há mais de 40 anos. O velho Loe, de Arkansas, disse que são coisas piores do que as conhecidas – disse e apontou para um senhor alto de cabelos brancos que usava um tapa olho encobrindo seu olho direito – Mas ele está tão louco quanto a minha tia-avó Maddie! – e caiu na gargalhada, no que foi acompanhado por seus colegas. Provavelmente já estavam bem bêbados, pois estavam vermelhos como tomates e falavam bem alto.
- Garoto – Chris voltou a falar e soluçou – Você tem muita sorte! Aquela belezinha ali – e apontou para Liz, que conversava animadamente com Tom e outro garoto – ligou para todos nós e exigiu que viéssemos para o seu aniversário. Ela disse que precisávamos nos juntar ao menos uma vez para comemorar algo que realmente valesse a pena em nossas vidas tristes – falou com voz de falsete e entrecortado por soluços – Se eu fosse você, tratava de ir lá agarrá-la! – e me empurrou com força na direção onde eles estavam.
Sai dali (quase caindo) e fui em direção a eles, pensando em quando minha vida havia mudado tanto (pra melhor). Se meu irmão estivesse aqui, ele riria de mim e diria o quanto sou sensível (leia-se gay) por notar e me importar com esse tipo de coisas.
A festa não durou muito mais tempo, muitos deles estavam só de passagem e teriam de voltar para a estrada logo; os monstros não precisam de descanso afinal. Demos tchau para todos (pense numa procissão de carros antigos), como votos de nos encontrarmos em breve, e só sobramos eu, Liz, Tom e o quintal, com comidas e garrafas de bebidas espalhadas por tudo quanto era canto. Eles foram buscar pás e sacos de lixo, me deixando sozinho no quintal.
Peguei um copo em uma das mesas e tomei o líquido, que desceu queimando tudo – provavelmente era whisky. Ouvi alguém chamando meu nome, bem baixo, como um sussurro; mas ainda assim audível. Olhei para todos os lados e especialmente para a porta, para ver se Liz ou Tom chamava; mas nenhum sinal de alguém. Novamente ouvi o chamado, mais claro dessa vez. O barulho parecia mais intenso perto da saída pela cerca, então segui para lá e vi a sombra de alguém, um homem... Meu irmão.
Ele olhou para mim e fez sinal para que eu ficasse quieto e o seguisse, então saiu correndo e eu acabei indo atrás. Parou depois de um bom tempo que estávamos correndo, nunca respondendo aos meus chamados.
- Qual o seu problema cara? – perguntei cansado – Como diabos você está aqui?
- Qual é Matthew, você realmente achou que eu fosse ficar no inferno pra sempre? – ele disse sorrindo maliciosamente. O mesmo tom de voz, as mesmas expressões de sempre – Eu tinha de sair pra dar parabéns pro meu irmãozinho querido! – e me abraçou.
- Mas como? – perguntei, atordoado.
- Isso não importa agora, o que importa é que estou aqui! – me largou e olhou no meu rosto – Mas você não parece muito feliz com isso... – estreitou os olhos.
- Claro que estou, só não consigo enten...
- Então vamos comemorar! – berrou me cortando e sorriu maléficamente – Tenho duas motos ali atrás , podemos ir até um bar local, beber até cair e levar algumas gatas pra algum lugar.
- Não posso agora, tenho e voltar pra lá; devem estar me esperando – disse calmamente – Você pode vir comigo! – me entusiasmei – Tenho certeza de que eles vão adorar te conhecer!
Seus olhos faiscaram de raiva, algo que nunca vi ser direcionado para mim, e pude sentir uma tensão se formando ente nós.
- EU ACABO DE SAIR DO INFERNO E VOCÊ SÓ SE IMPORTA COM A MERDA DE UMA CAÇADORA E UM VIDENTE? – gritou, com o rosto coberto por um coloração vermelha que distorcia suas feições – E COM O PRÓPRIO IRMÃO, QUE FOI IMPALADO E SOFREU MIL ANOS DE PERDIÇÕES NO INFERNO VOCÊ NÃO PODE SAIR? – bufou – Eu sempre soube, bem no fundo, que quando eu mais precisasse de você Matthew, você iria me largar. Assim foi quando eu morri e assim é agora.
Senti uma onda de indgnação e raiva tomarem conta do meu corpo.
-O QUE VOCÊ QUER DIZER COM TUDO ISSO? QUE FOI MINHA A CULPA DE VOCÊ TER MORRIDO? – perguntei transtornado.
- Mas é claro que foi isso que quis dizer – disse friamente – Quem você acha que deveria ter morrido ali? É claro que era você, maninho. Nossos pais nunca acharam que você servia para os negócios da família; sempre me diziam o quanto você era fraco e tinha compaixão de tudo. Eu sempre relevei, achei que se eu ensinasse melhor, gastasse mais tempo e esforço com você, teria retorno em algo; mas vejo que errei – falou com um sorriso maléfico em seu rosto, uma expressão fria; aquele não era meu irmão falando, não podia ser – Você não é nada mais do que uma criatura patética que tenta conseguir a aprovação de tudo e de todos para obter um pouco de satisfação. Sempre tive grandes planos pra você maninho – dizia enquanto chegava cada vez mais perto, com uma expressão sádica – mas chegou a hora de admitirmos que você não serve pra esse tipo de coisa; a ascensão não pode depender de um ser tão fraco.
Colocou as mãos nos meus ombros e então senti um calafrio; suas mãos estavam geladas como gelo e ele não parecia mais como um humano. Era algo ruim; tentei gritar, mas seus olhos estavam fixos nos meus, fazendo algum tipo de ligação estranha pois eu não conseguia me mexer, somente encará-lo.
- Adeus irmãozinho – disse, com uma voz completamente distorcida – Te vejo no inferno.
E então eu apaguei.
Notas finais
Beijos
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