Eyes of a Demon
10 Jealous
Notas iniciais
Castiel me levou para o hotel, os garotos já estavam lá. Pelo o que entendi, depois que fui levada, Castiel começou a me procurar e os meninos trouxeram a Claire para o hotel. Eu ainda estava um pouco cansada, só queria uma boa cama... Mas tinha que contar sobre aquela vida perturbadora para os outros.
– Eles chegaram! — Sam falou quando nós dois surgimos no meio do quarto — Você está bem?
– Nós já estávamos saindo atrás de vocês! — Dean se aproximou.
– Estou bem, foi... Perturbador. — Me sentei na cadeira mais próxima — Minha nossa... Alguém ligue para o Bobby e veja se ele está bem.
– O que houve lá, Meghan? — Castiel perguntou.
– Ele morreu naquela maldita realidade que o Djinn me trancou!
– Como assim? Não deveria ser uma vida perfeita? — Dean questionou.
– Aquilo estava bem longe de ser uma vida perfeita! — Me levantei e comecei a andar de um lado para o outro — Meus pais e meu irmão estavam vivos, ótimo! Mas eu não era mais uma caçadora...
– E isso é ruim? — Claire indagou.
– Calma, vou chegar lá! — Ergui um dedo e todos estavam me olhando, provavelmente porque eu estava com cara de louca — Então o Dean largou as caçadas... Por mim!
– Como é? — Todos perguntaram ao mesmo tempo.
– Nós éramos casados! Foi estranho! O Sam nunca saiu da faculdade, todos abandonaram o Bobby... O Castiel nunca possuiu o Jimmy e então eu... Foi horrível! Eu vi você, mas não era você! — Sacudi o Cass pelos ombros — E aí o Bobby foi morto por demônios, mas o Dean não se importou com ele afinal ninguém mais era próximo do Bobby!
– Espera... Nós éramos casados? Por que?
– Porque não tinha opção melhor, sem ofensas, mas você era insuportável! — Me virei para o loiro — Tínhamos uma filha linda, mas você era muito insuportável!
– Uma filha? — Foi a vez do anjo questionar.
– Foi... Ela era... Fofa! Mas enfim, então o Sam era tão... Cheio de frescuras!
– Não é muito diferente do que é aqui! — Claire deu de ombros e Dean riu — Se você viu meu pai...
– Você também estava lá, com ele e sua mãe.
– Parece mais a minha vida perfeita e não a sua. — A garota cruzou os braços.
De fato, parecia mesmo. Uma vida onde o Castiel nunca precisou possuir alguém e então o pai dela nunca foi tirado da família e consequentemente nunca tiveram que passar por toda aquela situação. Apesar de Claire ter aceitado, não significava que ela tinha superado a perda... Afinal era uma grande perda.
– Bom, o que importa é que trouxemos a Meghan de volta. — Dean anunciou — Ninguém é casado, ninguém morreu e não existem... Filhos!
– Como você saiu de lá? — Sam perguntou.
– Gabriel. — Dei um sorriso ao falar o nome dele — Ele era a única pessoa que poderia acreditar em mim... Ele não acreditou muito, mas me ajudou mesmo assim.
– Aposto que ele deu em cima de você. — Castiel cruzou os braços.
– Não! — Respondi desviando o olhar — Talvez...
– Megh, tenho certeza que o Bobby está bem, nada daquilo aconteceu de verdade. — Sam falou para evitar alguma discussão com o anjo e me assegurou — Acho que você só precisa descansar agora, passou por muita coisa nessa última hora.
– Dois dias em uma hora. — Balancei a cabeça negativamente e me joguei na cama — Estou enferrujada, fui pega por um Djinn.
– Poderia ter sido qualquer um de nós. — Dean me tranquilizou.
– Mas fui eu... — Escondi meu rosto no travesseiro.
– Castiel, que tal ajudar sua garota a se sentir melhor, hein? — Ouvi a voz do loiro e olhei na direção dele, que estava com a porta aberta enquanto Sam e Claire saíam — Voltaremos para casa amanhã.
Dean fechou a porta logo após sair, Castiel ainda estava de pé no meio do quarto sendo... O Castiel.
– Cass? Algo errado? — Perguntei ao notar que ele não olhou para mim.
– Não... Acho que você deveria descansar.
– Castiel! Você está chateado por causa do que aconteceu na realidade do Djinn? — Me levantei e andei até ele — Por causa do Dean?
– Não. — Ele falou travando o maxilar... Adorava quando ele fazia isso!
– Sei... — Eu abri um sorriso brincalhão — Que interessante, um anjo ciumento.
– Não tenho ciúmes! — Ele se virou para mim — Do quê está rindo?
– De você, idiota! — O puxei pela gravata e dei um leve beijo naqueles lábios mal humorados — Eu te amo, Cass...
– Eu sei.
– Essa é a hora que você diz que também me ama! — Levei as mãos até a cintura.
– Ah, desculpe... Eu também te amo. — Ele me deu um meio sorriso.
– Bobinho. — Dei mais um selinho nele — Vou para o banho.
Depois do banho eu fui dormir, estava muito exausta e aproveitei o anjo para relaxar. Apesar de estar um pouco quieto ele ficou ao meu lado durante toda a noite, antes de dormir pensei se tinha feito o certo ao fugir daquela vida sem ver como o Kyle estava, mas devido aos recentes acontecimentos, talvez eu não estivesse pronta. Preferia guardar aquilo em um lugar bem escondido da minha mente.
Pela manhã nós pegamos a estrada de volta para o Kansas, por sorte não tivemos mais aparições desnecessárias de certos demônios. Quando chegamos em casa, todos nos reunimos na sala para resolvermos o que faríamos em relação ao maldito Rei do Inferno.
– Cadê o Gabriel? — Perguntei ao notar que apenas Castiel reapareceu depois de uma visita ao céu.
– Ele não estava lá, disseram que ele anda sumido e bastante ocupado.
– Com o quê? — Dean questionou e Castiel apenas deu de ombros — Tudo bem, vamos continuar.
– Se vocês curaram a Meghan, deviam fazer o mesmo com o Crowley. — Claire sugeriu — E depois matá-lo.
– Por mim, parece ótimo! — Eu concordei — Vocês nem imaginam a raiva que eu estou sentindo dele...
– Temos que bolar um plano para pegá-lo, até mesmo porque ele deve estar tramando contra você agora. — Sam levantou-se e começou a procurar algo entre os livros — Você acha que pode ser fácil para ele conseguir novos demônios como você e o Kyle eram?
– Não sei, ele demorou bastante e ele precisava do sangue de Asmodeus para isso.
– O demônio da luxúria? — Ele se virou para mim novamente.
– Esse mesmo... Talvez ele não possa tirar o sangue sempre que quiser, porque o sangue é o que dá o poder ao demônio... Tanto que foi por isso que o Sam ficou viciado.
– Agora a cura através do sangue humano faz mais sentido também. — Dean comentou — Vamos ter que localizá-lo e prendê-lo.
– Como vamos localizar o Rei do Inferno? — Sam indagou.
– Temos que procurar alguns presságios e achar demônios que nos levem ao Crowley.
– Vamos começar então! — Claire se levantou, impressionante a animação dela pelas caçadas.
– Gente, temos um outro probleminha... — Castiel se virou para mim — A Meghan está bloqueada. Eu não consegui localizá-la até que ela me chamou.
– Será que tem algo relacionado com o Djinn? — Perguntei.
– Acho bem improvável, é mais fácil que tenha relação com o período demoníaco... Temos que pesquisar mais sobre isso. — Sam se encostou na cadeira e começou a pensar — Talvez os Homens das Letras tenham livros sobre isso.
– Que tal finalmente dar utilidade àquele maldito anjo patético que vocês tem trancado no céu e descobrir se ele sabe de algo? — Dean se referiu à Metatron.
– Eu vou até lá, tenho que descobrir o que está acontecendo com o Gabriel também. — Castiel veio até mim e me deu um beijo na testa — Volto mais tarde.
O anjo sumiu e Sam voltou a procurar algo entre as estantes de livros. Claire pesquisava presságios em seu notebook e Dean continuava com cara de idiota olhando para o nada.
– Ei Dean, cuidado para não fritar o cérebro. — Eu ri.
– Nós éramos casados mesmo? — Ele se virou para mim.
– Esqueça isso, por favor! — Pedi e fui ajudar o Sam.
Separamos tudo que encontramos sobre demônios nos livros mas não havia nada muito concreto, até mesmo porque existia apenas um arquivo relacionado á cura demoníaca e ele não falava nada do que ocorreria depois. Foram horas de pesquisas inúteis.
– Precisamos de uma busca mais profunda, será que na internet tem algo assim? -Sam apoiou a cabeça entre as próprias mãos.
– Só um gênio encontraria esse tipo de informação na internet! — Exclamei caindo de cara na mesa.
– Mas nós conhecemos alguém assim. — Dean, que estava comendo um sanduíche, falou de boca cheia.
– Kevin?
– Não, a pessoa que eu estou falando você ainda não conheceu. — Ele colocou o sanduíche no prato e pegou o celular, discou um número, levou ao ouvido e saiu da sala.
– Quem é? — Me virei para o Sam.
– Acho que é a Charlie.
– Quem é essa Charlie? — Ergui uma sobrancelha — Alguma das garotas que o Dean pegou enquanto eu estive longe?
– Ah, não é bem assim. — Ele riu — Nós a conhecemos quando estávamos lidando com os leviatãs e ela nos ajudou desde então, nos encontramos algumas vezes pela estrada... Ela morou em Oz, te contamos essa história, lembra?
– Acho que sim... — Eu lembrava vagamente deles comentando algo sobre Doroth, Oz e uma bruxa.
– Depois voltou para cá divida em duas, uma Charlie má e uma boa, nós a ajudamos e agora ela está toda metida à caçadora por aí... Tentamos avisar que era perigoso, mas a garota não escuta!
– Hum, ela deve ser bem legal para vocês se darem a tanto trabalho por ela... — Comentei tentando não olhar para o Alce, vê se pode? Fazer tanto por uma simples garota.
– Ela é um amor de pessoa, você vai adorá-la... Eu acho.
– Por que "acha"?
– Bom, é que...
– A Charlie vem nos ajudar! — Dean anunciou voltando para a sala — Ela estava bem próximo daqui numa convenção nerd.
– Eu não acho que devemos meter uma pessoa qualquer num assunto tão sério assim. — Eu cruzei os braços — Eu não a conheço.
– Ela é confiável, já nos ajudou várias vezes, Meghan.
– Hum... O Cass a conhece?
– Não, ela nunca chegou à conhecê-lo. — Sam riu novamente — Você não precisa ter ciúmes da Charlie.
– Não estou com ciúmes!
– Nem se eu disser que ela também é ruiva? — Dean perguntou em tom de provocação.
– Como é que é? — Me levantei e Dean deu um passo para trás — Acho que eu fui bem clara quando eu disse que por aqui só existe uma ruiva!
– Megh... Não precisa disso tudo! — Sam falou com receio.
– Quer saber? Agora eu quero conhecer essa daí.
– Sabe o que eu acho? — Claire se pronunciou, quase esqueci que ela ainda estava ali — Que isso vai ser muito interessante, vou fazer a pipoca para assistir. — Ela fechou a tela do notebook e foi para a cozinha.
Me retirei da sala e fui para o meu quarto. Era só o que me faltava! Uma garota metida à sabe tudo, ruiva, que eu não conheço e que provavelmente vai cair em cima do meu anjo... Não tem como não amar aqueles olhinhos azuis. Pelo o que eles falaram, ela parecia ser uma daquelas que força a simpatia e vive sorrindo como se um mundo fosse uma maravilha mas na verdade deve ser uma cobra pelas costas.
No começo da noite, Dean anunciou que a visita estava chegando, mais tarde descobri que nem era tão visita assim já que ela esteve várias vezes no bunker. Castiel havia retornado do céu, Metatron se recusou a falar o que sabia... Mas já era um começo, pelo menos foi confirmado que ele sabia de algo. Gabriel não deu as caras novamente e aquilo estava me preocupando.
– Cheguei, bitches! — Uma voz fina ecoou no topo da escada, logo após a porta ranger.
– Ei, garota! — Dean exclamou bem animado.
A tal Charlie desceu as escadas correndo, ela era totalmente diferente do que eu imaginava; Era baixinha, magra, com cabelos curtos, ondulados e vermelhos, tinha olhos verdes e um sorriso enorme. Ela se jogou em cima do loiro o abraçando, ah sim! Lá estava a danada mostrando as garras.
– Sam! — Ela abraçou o outro e foi uma cena bem engraçada, já que ela tinha praticamente a metade da altura dele.
– Uau! — Ela se virou para nós — Esse é quem eu acho que é?
– Er... Sim. Charlie, esse é o Castiel, Cas, essa é a Charlie. — Sam apresentou os dois.
Castiel deu um sorriso gentil para ela, sem motivos nenhum! Era um sacrifício arrancar um sorriso desse anjo e ele estava lá exibindo os dentes para qualquer uma! Pra completar ela deu um abraço nele, o que o deixou um tanto desconfortável, mas ele retribuiu...
– Achei que você fosse mais baixo! — Ela exclamou ao largá-lo. Ah! Mereço! Cruzei os braços e soltei um tossido falso.
– Ah! E essa é a Meghan! — Dean falou.
– Ah sim! A irmã de vocês! — Ela veio até mim e me abraçou também — Muito bom te conhecer, os garotos me falaram muito sobre você.
– É né? Também ouvi falar de você, Charlie. — Forcei um sorriso — Sou irmã deles e namorada desse aqui. — Puxei o anjo para mim.
– Ah, disso eu não sabia! — Ela sorriu — Vocês são adoráveis.
– Charlie, lembra da Claire? — Sam perguntou.
– Claro, olá Claire! — Ela acenou para a garota jogada na poltrona.
– De onde se conhecem? — Eu perguntei.
– Nos conhecemos no ano passado, a Charlie ajudou os garotos em uma caçada. — Claire deu de ombros.
– Amável... — Eu falei, os garotos estavam bem animados conversando com a recém-chegada. Ela era muito simpática, mesmo! Era uma fofa. Até o Castiel estava rindo com ela... E aquilo me incomodou.
Voltei para o meu quarto e decidi ficar lá até a hora do jantar, precisava pensar em um modo de rastrear o Crowley e não queria ficar sobrando na sala. Peguei o tablet e comecei a pesquisar algo sobre presságios, apenas para me distrair.
– Meghan? — O anjo colocou a cabeça para dentro do quarto — Posso entrar? Está tudo bem?
– Claro! — Exclamei sem olhar para ele.
– Você saiu da sala sem falar nada, nós achamos que poderia ter acontecido algo. — Ele se aproximou de mim.
– Não aconteceu nada, pode voltar lá e se divertir loucamente com a outra ruiva.
– Mas... — Ele parou de falar e soltou um riso — Está com ciúmes?
– Não... — Me virei para ele — Por que eu teria? Afinal ela apenas chegou arrancando sorrisos de você e um abraço!
– Bom... — Ele sentou ao meu lado na cama — Ela parece bem simpática mesmo, achei que deveria retribuiu a simpatia.
– Às vezes você é inocente demais. — Rolei os olhos — Ela deve ter ficado caidinha por você, viu o jeito que ela te olhou?
– Meghan, não foi nada... — Ele estreitou os olhos — Por que você pode ficar irritada quando outra mulher se interessa por mim e eu não posso achar ruim a sua proximidade com o Dean?
– Isso não tem nada a ver! Eu e o Dean somos quase irmãos!
– Posso não ter vivido na humanidade tanto quanto você, mas tenho certeza que irmãos não se beijam. — Ele cruzou os braços.
– Que infantilidade, Castiel!
Ele não me respondeu e nós ficamos nos encarando, ambos de braços cruzados e cara fechada. Eu não podia acreditar que ele estava comparando as situações! Eu e o Dean nunca tivemos nada sério! E aquela coisinha chega do nada e cheia de abraços para cima do meu anjo.
– Gente? — Sam empurrou a porta — Está tudo bem? Dá para ouvir os gritos de vocês lá de fora.
– Estamos bem! — Eu e o anjo respondemos juntos.
– Dá pra notar... — Ele entrou no quarto — Algum problema?
– Eu vou dizer qual é o problema, Alce! — Fui andando até ele — Aquela mocinha recém chegada se jogando em cima do Cass.
– Ah, Meghan, se tem uma pessoa que a Charlie poderia se jogar em cima aqui, não seria o Cass... Seria você. — Ele soltou uma leve risada.
– O quê?
– Ela é lésbica. — Sam falou como se fosse óbvio.
– Por que ninguém me disse isso? — Levei minhas mãos até a cintura — Esperavam que eu adivinhasse?
– Você não deu oportunidade de falar. — Ele voltou para a porta e falou antes de sair — O jantar está pronto.
– Então... — Cass começou a falar — Vai admitir que estava errada?
Eu me virei e o fuzilei com o olhar. Castiel estava me olhando e tentando segurar o riso.
– Não! Estou chateada com você ainda! — Voltei a cruzar os braços.
– O que eu fiz? — Ele se aproximou de mim e pendeu a cabeça para o lado.
– Droga! Pra começar fez essa cara! Se importa de ser menos atraente?
– Isso é errado?
– Cala a boca, Cass!
Revirei os olhos e me joguei contra ele esmagando seus lábios nos meus... Eu nunca admitiria que estava errada e tudo que eu podia fazer era distrair o anjo para que ele não ficasse me lembrando disso.
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