Nunca em toda a minha carreira pensei que fosse passar por um caso destes. Nada como isso já havia acontecido comigo, cinco mortos em um acidente que não se sabe por qual causa! Esta história esconde segredos, eu sei disso. A mãe de Mark me contratou para que eu investigasse este caso, eu pensei que já tivesse visto de tudo, mas esta historia esconde fatos, mentiras e há controvérsias.

Já passou pouco mais de duas semanas, e como no mundo dos jovens uma novidade passa rápido, este caso já estava quase no fundo do baú, só os próximos ainda se abalavam com isso...

Uma lista de suspeitos será feita. Os melhores amigos dos cinco adolescentes eram eles mesmos, digo, eles tinham um grupo de melhores amigos, e eram estes cinco que morrera. Não facilita na hora do reconhecimento, eles eram “amigos” de todos, eram bastante populares.

Mas, eles levavam uma vida marginal, não faziam tarefas, tinham um baixo boletim, eram fúteis e tinham a mesma quantidade de amigos e inimigos, menos Mark, que era o menos futil e obcecado pela popularidade de todos, eles eram invejados, muitas pessoas queriam ser amigos deles, e já ouvi gente dizer que pagavam para isso, esse mundo dos jovens é extremamente cruel.

Todos eram suspeitos, mas haviam os principais. Victoria tinha duas amigas, estas brigaram com ela um pouco antes da morte, além do que na escola zeladores dizem ter encontrado vestígios de sangue datado do mesmo dia que elas brigaram, claro que limparam, mas numa escola como essa a probabilidade do sangue ser dela é mínimo. Estas duas amigas, continuaram amigas, mas viraram as costas para Victoria. São as principais suspeitas.

Tenho que ir de um por um suspeito, então, com a ajuda de Marta, mãe de Mark, que está se livrando do estado de choque que se encontrava durante onze dias após o falecimento, vou descobrir quem foi o culpado. Então falei:

- Marta, se quer saber por que eles supostamente forjaram este acidente, tem de falar com elas, podem ter alguma informação precisa para nós. – Falei com determinação, mas com um pouco de pena do estado de choque que ainda deixava vestígios no seu jeito de andar e se comunicar.

- Mark me disse que elas brigaram. – Falou cabisbaixa – Elas não devem saber de nada.

- Mark tinha algum amigo? – Falei – Algum de verdade, que contava as coisas.

- Tinha, mas não era daqueles que contava qualquer segredo, contava apenas os menos secretos, entende? – Ela falou com um rosto como se ainda houvesse alguma esperança.

Comecei a pensar comigo o que teriam feito para que eles morressem.

- John, continue, por favor – Falou ela me acordando de meus pensamentos.

- Você vai ter que me ajudar Marta. – Falei num ar de preocupação

- Continue. –

- Fale com este tal amigo, vá embora pelas costas dele e cole um gravador na mochila dele, não é dos melhores gravadores, mas grava por mais ou menos umas 15 horas, se for eles, com certeza ele falará alguma coisa que nos dará pistas ou evidências.

- Mas não é ilegal? – Falou com os olhos arregalados e passando a mão pelo rosto

- Deixe que eu mesmo faça então. – Falei numa voz abafada

- Pelo menos VOCÊ não será preso se houver consequências neste ato.

- Vamos logo então, eu vou me sentar em um banco, normalmente, você acha ele, tira uma foto e me manda! — Falei sentando-me

- Tá bom! – Falou se distanciando com o celular na mão pronto para a foto

Não acredito que este caso vai ser tão demorado quanto penso! Não tenho uma carreira bem sucedida, mas este será um peso enorme em minhas costas!

- Uma vibração foi só o que eu senti. Abri meu celular e vi a foto do garoto, a mensagem dizia: Aqui está a foto, ele está num banco no norte, ao lado do bebedor da escola! Lembre-se, o nome dele é Gim!

Me encaminhei para lá...

- Garoto! Gim! – Falei indo mais perto, ele estava com mais um amigo, me olhou assustado, mas veio até mim. – Soube que era amigo do Mark, e vim apenas fazer algumas perguntas.

- Prazer, sou Gim, como já sabe... Além disso, como sabe quem sou? – Falou assustado

- Olá, sou Ricardo Collins, tio do Mark, prazer é todo meu – Falei e apertamos as mãos.

- Comece logo com as perguntas então, por favor, já tenho que ir para casa. – Falou olhando o relógio.

- Você era amigo de Mark, sabe alguma coisa sobre o acidente? Algo que possa me ajudar.

- Nã... Não sei de na...da — Falou muito assustado

- Não se assuste, não vou lhe fazer nada.

- Ok, tenho que ir, se o senhor me der licença...

- Ok então, tchau... Gim.

Enquanto ele se virava pra ir embora, apenas colei um gravadorzinho minúsculo ebaixo da sua mochila, colei um fino adesivo em cima para que ninguém desconfie e para que não bloqueie o som do que ele vai falar nas próximas horas...

Só sinto uma coisa, eu vou conseguir.