Eyes Of Blood
2 Capítulo 2
Saí do banho e desci as escadas rumo á cozinha. Minha mãe estava lá, preparando nosso café da manhã.
-Bom dia meu filho! – disse alegremente — O dia está tão bonito, o que acha de sairmos para conhecer a cidade? – Minha mãe, sempre querendo ver o lado bom das coisas, mas a única verdade é que eu estava odiando morar naquele lugar. Ela sempre dizia que foi preciso mudar, nessa cidade será mais difícil ele me encontrar. E como sempre, ela estava certa.
— Ah, mãe, não podemos deixar a excursão pela cidade pra outro dia? Não estou muito bem hoje.
— Nada disso Christopher Lockwood!- tentou ser durona, coisa que mamãe não conseguia ser. — Olha querido, tivemos que nos mudar. Sei que você não queria isso, eu também não queria, mas foi preciso, para nossa própria segurança. Temos que nos acostumar com esse novo lar, então vamos sair hoje e fim de papo.
— Que merda! – reclamei baixo, mas fiz que sim com a cabeça.
Depois de tomar meu café da manhã, subi para meu quarto. Peguei a primeira roupa que vi e vesti, não ligava muito pra isso. Liguei o computador, estava entediado. Minha mãe gritou para irmos logo, então desci e fui pro carro com Sophie, minha irmã mais nova. Minha mãe veio logo atrás. Fomos ao Shopping da cidade, passamos o resto da manhã e grande parte da tarde fazendo compras para nossa nova casa. Voltamos no final da tarde, exaustos e famintos. Enquanto minha mãe foi preparar o jantar, eu e Sophie assistimos TV na sala. Depois do Jantar, subi para meu quarto, e liguei o computador para pesquisar sobre a minha nova escola, pois segunda já começariam as aulas. Nova escola. Pesadelo para os novatos, sempre assim. Já me acostumei a ficar sozinho, mas o ruim de ser novato é que você será o centro das atenções por um longo tempo, todos te olhando, não era uma coisa legal para um antissocial como eu. 21h00min da noite. Melhor deitar-me, pois no domingo sairíamos cedo para comprar o material escolar que estava faltando. Entrei no chuveiro antes de me deitar, me preparando para um novo pesadelo. Enfim, deitei. Estava tão cansado que não demorou 10 minutos e peguei no sono.
A mesma floresta de sempre, eu corria desesperadamente, mas dessa vez, lembrei-me de onde ficava a clareira e corri em direção a ela, com os mesmos passos de sempre, atrás de mim. Ao chegar na clareira, simplesmente parei, sem sentir medo, sabendo o que estava acontecendo. A sombra daquele vampiro saiu de dentro da densa floresta, com aqueles olhos vermelho sangue olhando fixamente para mim. Eu conhecia aquele olhar, e eu me lembrei de quem era.
— Oi papai. – disse cautelosamente.
— Achei que ia demorar mais para você me reconhecer, vejo que você continua bom de memória Chris.
— Sempre melhora com você distante. – disse com firmeza. – Já nos achou? Achei que demoraria mais.
— Você sabia que não demoraria – disse ele com aquele sorriso maléfico de sempre. – Cadê o Chris de antes? Não ficou feliz por seu pai estar aqui com você?
— Preferia você longe – tomei coragem para dizer secamente. – Você se tornou um monstro, quis se tornar um monstro! Você decidiu o que queria para sua vida, então, por favor, nos deixe viver a nossa!
Ele chegou tão rápido ao meu lado que meu coração quase saiu pela boca.
— Muito corajoso, ou muito tolo? – disse sorrindo maliciosamente. – Sabe, eu posso te matar tão rápido que você nem saberá o que te matou – chegando cada vez mais perto – ou então, posso te matar tão devagar que você implorará para que eu tenha piedade.
Será que tudo aquilo era mais um pesadelo? Dessa vez, não conseguia acreditar nisso. Tentava parecer calmo, mas o que eu realmente queria era correr dali. Olhei para meu pai, não o reconhecia mais. Agora ele pra mim era somente um estranho, alguém que eu queria muito longe de mim.
— Chris, eu não queria que fosse assim, queria continuar ao lado de sua mãe e de Sophie. Sinto falta de ter uma família. Sinto muita falta de vocês. – seus olhos voltaram ao castanho de sempre e por um segundo achei que ele tinha voltado ao normal. Ele estava chorando. – Desculpa se te vir sentir medo, desculpa se te deixei triste.
Não consegui dizer nada, só consegui abraçá-lo fortemente. Um abraço que só ele podia me dar. Meu pai.
— Dessa vez não vou te fazer pensar que foi tudo um pesadelo. Vamos, te levo para casa. Você vai precisar descansar, amanhã o seu dia será longo. – estava gostando de ter meu pai de volta, mesmo que fosse por pouco tempo. – Lembre-se sempre, estarei com você a todo o momento, sempre que precisar. Eu te amo.
Depois de ouvir isso eu simplesmente apaguei.
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