Eyes Beyond ' Olhos do Além'
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Levantei da cama e percebi que todos já estavam prontos com um uniforme cinza e um símbolo na perna esquerda, o símbolo era como uma moeda e nele desenhado um olho normal com umas flechas ao redor e um grande Y atrás do olho, corri rapidamente ao banheiro, mas Yan me interrompeu.
– Vai há onde mocinha?
–No banheiro, não pode? – retruquei sem paciência
–Claro, arrume-se estamos quase de partida. — falou ele apontando ao seu pulso nele havia um lindo relógio prata com o mesmo símbolo dos uniformes – Todos prontos pra começar? – gritou ele
–Sim senhor Yan – todos falaram igualmente
–Que símbolo é esse?- perguntei virando pra ele
– É o símbolo da Academia Yasi, a nossa academia, hoje à noite você saberá- disse Yan apressado.
–Tudo bem. Não vou participar do treino?
–Hoje não, sabe pra onde vamos – disse ele.
Confirmei com a cabeça e sai em direção ao banheiro, tomei uma ducha quente e vesti a mesma roupa do dia anterior, não estava suja apenas amarrotada não me preocupei com roupa, pois hoje iria fazer toda minha mala e me mudar de vez pra cá.
Quando sai do banheiro não tinha mais ninguém no quarto, então sai do quarto e desci as escadas que davam em direção a sala, encontrei Yan e a senhora Yasi no sofá conversando
–Estou pronta – falei interrompendo os dois
–Que maravilha – disse a senhora Yasi olhando pra mim e sorrindo
–Já vamos, depois retomamos a conversa – falou Yan levantando do sofá
–Tomem cuidado! – alertou ela
–Cuidado é o que não vai faltar – falei e sorri
Yan pegou no meu braço, e andamos até a frente da mansão ele abriu a enorme porta que dava de saída e reparei no lindo jardim com todos os tipos de flores e do lado havia algumas estátuas de todos os membros importantes que haviam falecido da academia.
–Por aqui — sussurrou Yan me levando pro canto do jardim
Ficamos em frente á uma grande arvore, ele pegou o mesmo controle que havia pegado no dia em que me trouxe pra cá e então acionou formando um grande portal.
–Onde os outros treinam?- Perguntei antes de pular
–Agora não é hora pra perguntas querida – disse ele
–Mas eu quero saber.
–Agora não – falou ele e de repente ele me puxou e então pulamos no portal
No mesmo instante estava no meu antigo quarto todo marfim, não cansava de dizer que era lindo e aconchegante.
–Por que fez isso? – perguntei furiosa
–Isso o que? – murmurou ele sentando-se na poltrona de couro ao lado da cama
–Me puxar assim desse jeito, quase quebrou meu braço seu idiota.
–Você estava quieta precisamos de mais agilidade nessas horas, vai que um inimigo resolve pegar a gente? E também não era hora pra perguntas — sussurrou
–Hum- admiti – Você esta certo, mas nunca mais me pegue desprevenida ouviu?
–Tudo bem senhorita – falou rindo – Precisamos descer!
– Mas eles vão perguntar onde eu estava.
–Não Julie, naquele dia eu usei um feitiço pra que eles pensassem que você tinha viajado já te falei – disse Yan mexendo no relógio.
–É mesmo, tinha esquecido — falei me sentando na cama.
–Não se sente, temos que descer, só temos algumas horas antes que o sol se ponha, senão os inimigos irão descobrir que estamos aqui. – falou ele levantando da poltrona
–Arg – murmurei – Tudo bem.
Saímos devagar do quarto, ouvimos um som de TV ligada então descemos as escadas em silencio, não havia ninguém na sala, talvez estivessem na cozinha ou só estava minha ‘mãe’ em casa, pois meu ‘pai’ costumava sair cedo de casa pra trabalhar.
Abrimos a porta de entrada de casa e saímos sem rastro de ninguém
–Pra onde vai? – sussurrei pra Yan
–Temos que fingir que você esta chegando em casa – disse ele andando até o jardim do lado de fora da casa
–Verdade! – afirmei
Então arrumei meu cabelo, puxei meu casaco um pouco mais e amarrei ainda mais os cadarços das minhas botas, Yan pegou um pequeno frasco fininho de dentro de sua jaqueta e esticou o braço pra me dar.
–O que é isso?- perguntei
–Apenas use, vai dar uma boa aparência – piscou ele pra mim num tom animado.
Girei a ponta do frasco e então soltei uma gargalhada
–Batom?
–Sim, mães costumam gostar de ver suas filhas bem arrumadas – Riu ele.
–Se você está dizendo, então vamos lá – soltei outra risadinha e passei o batom meio rosado,
Andamos em direção a porta quando ele alertou
–Espera, falta outra coisa — falou Yan me puxando
Ele tirou uma miniatura de uma mala preta de dentro da jaqueta – nossa suas jaqueta parecia ser enorme pra caber tanta coisa- e girou na mão, era tão pequena e bem fofa.
–Nossa, com isso ela vai achar que eu passei semanas – gabei e ri da pequena mala.
Ele jogou a pequena mala em minha direção, peguei e fiquei girando ela na minha mão.
–Aperte – Ordenou ele.
–O que? – Perguntei.
–Aperte, imprense, ou faça algo que você saiba fazer – Ordenou mais uma vez.
Apenas fiz o que ele disse, apertei a miniatura na palma da minha mão e então a mala foi crescendo como uma bexiga. Joguei rapidamente na minha frente e percebi que ela estava do tamanho de uma mala normal
–Incrível – murmurei surpresa
–Vamos logo – berrou Yan rindo – Serio temos que ir
–Vamos! – afirmei
Andamos em direção a porta chegando lá dei um ultimo retoque no cabelo e toquei a campainha. Esperei um pouco e ela abriu a porta
–Julie querida você veio, vamos entre – falou ela com uma cara de inocente com um pano na mão e usava um avental branco com flores – Quem é ele? – perguntou abismada.
Apenas sorri, quando percebi que tínhamos que inventar algo sobre quem era Yan então menti a primeira coisa que veio a minha cabeça
–Esse é o Yan, um amigo- forcei um sorriso e entrei dentro de casa
–Ah, seja bem vindo. Yan certo? – perguntou ela
–Sim, sim, obrigado senhora...?
–Beth, senhora Beth – sorriu ela.
Ele apenas sorriu e entrou em casa comigo, fomos em direção a cozinha estava um perfume delicioso de cozido de frango com purê de batata, sentamos em frente a mesa e já estava pronta á me despedir da minha ‘mãe’
–Mãe, tenho uma boa e uma má noticia – comecei
–O que foi minha filha? – perguntou ela aflita
–Qual noticia quer primeiro?
–A má, a boa vem depois pra aliviar – sorriu ela
–Bom, eu vou ter que ir embora daqui – rebati e baixei a cabeça – A boa é que quando viajei pra casa da minha prima encontrei uma faculdade muito boa por lá e então resolvi fazer o teste só por curiosidade, e imagina? fui aceita e por isso que tenho que ir
–Nossa filha mais por que você não consultou a gente primeiro? – falou ela com um tom de surpresa
–Por que como eu falei eu fiz o teste só por curiosidade
Yan apenas observava como eu mentia bem, ele mexia a cabeça conforme minha Mãe olhava pra ele.
–Sinto muito mais não vou aceitar que você vá embora assim, você acabou de chegar Julie – falou ela sentando-se na cadeira da frente.
Olhei pra Yan e sussurrei
–Vai ser difícil.
–Acho que não – sussurrou ele de volta olhando pra minha mãe – Senhora Beth, ela merece isso, por favor, compreenda.
Naquele instante os olhos deles ficaram azuis, um azul bastante claro, e ela ficou olhando pra ele como se estivesse hipnotizada, depois que os olhos dele apagaram ela virou-se pra mim e disse aliviada
–Tudo bem querida, vai ser bom pra você.
–Obrigado – sorri e abracei-a, enquanto lhe abraçava olhei pra Yan com um pouco de raiva -Vou pegar minhas coisa, e meu pai como vai ficar?
–Ele vai ficar bem – Interrompeu Yan
Minha mãe afirmou olhando no rosto dele e então sairmos para o meu quarto.
–Você esta louco? – perguntei pegando-o no seu braço
–Era a melhor forma Julie, ela nunca iria deixar você sair assim – disse Yan soltando o braço.
–Não aguento mais você fazendo as coisas por mim, tenho que aprender a fazer tudo isso – Bufei enquanto entravamos no meu quarto
–Calma! Arrume logo as suas roupas temos que partir – ordenou Yan
Arrumei tudo em uma mala cinza, não tinha muitas roupas, pois eles não haviam comprado muitas, mas as que tinham davam pra semanas. Enquanto arrumava avistei minha pulseira em cima da cabeceira da cama, a minha única lembrança. Coloquei de volta no braço e beijei-a com muito carinho
Descemos as escadas e fomos em direção á cozinha, chegando lá minha mãe não estava, então sai correndo, deixando Yan pra trás, em direção ao quarto, ela também não estava lá fiquei apavorada, ouvi o grito de Yan me chamando desci as escadas muito rápido em direção á cozinha ele segurou meus ombros e leu um papel que havia na sua mão
– QUEM SERÁ O PROXIMO? PAPAI? ACHO QUE SIM
CUIDADO COM QUEM VOCÊ AMA JULIE. QUALQUER
UM PODE SER O PROXIMO.
P.S: ACHO QUE SE LEMBRA DE MIM
–Scott
–Quem é Scott? – Perguntei louca – eles pegaram minha mãe?
–O líder dos Wenxs, os nossos inimigos e sim Julie eles pegaram ela – disse ele triste – mas porque ele disse no bilhete que você se lembraria dele?- falou sentando-se
–Eu acho que alguém está por trás disso – falei
–Quem? – perguntou ele
–Ainda temos tempo? — perguntei
–Sim, algumas horas, por quê? – disse ele olhando no relógio
–Por que temos que voltar ao lugar de onde vim, o orfanato, preciso questionar alguém.
–Quem? –Perguntou Yan confuso e irritado
–Stefany – Falei – Uma garota do orfanato, ela esta por trás disso.
Naquele momento lembrei quem era Scott era o homem que havia mandando a mensagem no celular de Stefany naquele dia no orfanato. Precisava saber quem era ele e o que tinha feito com meus pais do presente e minha família do passado.
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