Notas iniciais
Mais um cap! Sei que estão suuuuper curiosos, então, aqui vai!

Maysilee Cupper

Abri meus olhos lentamente, piscando. Olhei em volta, confusa. Kayla estava chorando muito, com as duas mãos no rosto, sendo confortada por Emily. Zac estava ao meu lado, encostado na parede, os olhos fechados, obviamente tentando não chorar. Jacke estava sentada no chão, brincando com Kim, seus olhos repletos de tristeza.

Eu estava no quarto em que eu dividia com Hana, Kayla e Jacke. As paredes eram de um rosa clarinho, alguns adesivos de fadas colados nela, o que indicava que antigamente uma menininha dormia ali. Eu estava deitada na única cama do lugar, os três sacos de dormir que usávamos aos meus pés. A caixinha de música com uma bailarina em cima estava na mesinha de cabeceira, recém limpada. Parei para ouvir o que Kayla soluçava.

-É tudo culpa minha! Tudo! Se eu não tivesse quebrado a porcaria daqueles lápis... -Ela falou, se lamentando com a sua voz embargada. Seus cabelos estavam colados ao rosto pelas suas lágrimas, as suas roupas amarrotadas meio molhadas, seu corpo tremendo violentamente. Não estava parecendo a... A Kayla.

-Não, não é culpa sua. Você não sabia que isso poderia acontecer. Não fique se auto torturando, está bem? -Emily respondeu, rouca, como se fosse a centésima vez que repetia a mesma coisa. Ela não estava muito melhor que a amiga. Sua aparência era cansada, os cabelos um ninho loiro e negro. Parecia ter passado várias noites em claro, seguidas.

Não entendia o por quê de estarem daquela maneira. O que acontecera? Eu não me lembrava de nada...

Oh. Lápis quebrados. Roxanne, Andrew e Jacke saindo para comprar novos. Hana tentando ir atrás deles. Eu indo junto. Os adolecentes apontando armas para nossos amigos. Eu pulando as latas de lixo e jogando uma pedra na cabeça de um adolecente. Um som alto ao meu lado. Dor na altura das minhas costelas, enorme. O rosto assustado de Andrew para a minha ferida. Escuro.

Tudo o que acontecera no dia anterior me atingiu em cheio. Ou seria anteontem? A algumas horas? Dias atrás? Não fazia a mínima ideia. Poderia ter se passado anos que eu não teria notado em nada. Mas acho que não, já que todos ainda estavam iguaisinhos como da última vez que eu os vira. Pelo menos na idade.

Me sentei na cama lentamente. Ou melhor, tentei. Uma dor pontiaguda me fez gemer de dor, atraindo os olhares de todos da sala. Uma cobra deslizou sobre o chão, saindo de uma ratoeira na parede, se transformando no meio do caminho em Karina. É sério, ás vezes essa garota da medo. É meio estranho pensar que qualquer animal perto de você pode ser ela. Não era menos assustadora que o irmão dela.

Karina me abraçou com tanta força que me fez soltar um "Ai!". Zac abriu os seus olhos para mim, uma pequena luz neles. Kayla veio correndo em minha direção, e se ajoelhou no chão, pegando a minha mão. Emily sorriu para mim, dali mesmo, pegando Kim em seus braços, porém, percebi que estava feliz. Jacke me olhava como se eu fosse um fantasma, e depois saiu correndo do quarto, gritando algo como "Ela acordou! May está viva!".

-Eu não acredito! -Kayla se pronunciou, chorosa.

-No que? Afinal, por quê todos estavam tão nervosos? Acharam que eu estava morta ou algo do tipo? -Ri, não sendo acompanhada por absolutamente ninguém.

-May, você levou um tiro. -Zac me atualizou, encarando-me intensamente com aqueles olhos azuis estonteantes que ele tinha. Franzi as sobrancelhas, confusa.

-E daí? Lembram do meu poder de cura, certamente? -Sorri, mesmo com todos sérios.

-Quando alguém leva um tiro, a bala se crava no seu corpo, entende? Não sabíamos se seus poderes conseguiriam retirar a bala dali, ou se você... Hum... Morreria antes disso. -Ele engoliu em seco.

-E o que os meus poderes fizeram com a bala? -Tentei imaginar as minhas veias se movendo, cuspindo os pedaços intrusos para fora. Estremeci, torcendo para que fosse algo diferente.

-O seu sangue dissolveu ela. Como ácido. -Emily respondeu, acariciando os pelos de Kim, andando em nossa direção lentamente.

-Você ficou aqui e... Observou? -Perguntei, um pouco incomodada. Olhei para baixo, percebendo que usava um vestido cor de rosa que só chegava até a metade das minhas coxas, fato que fez o meu rosto ficar muito quente, mesmo tendo um lençol me cobrindo.

-Tivemos medo de que o tecido das roupas iria atrapalhar a recuperação de algo tão profundo, portanto, eu e Karina tivemos que tirar as suas roupas... -Nessa parte ela ficou tão vermelha quanto um tomate. -Assim, ambas vimos a bala se dissolver lá dentro. Eu e ela fizemos isso pois já vimos sangue antes. Eu vi uma cirurgia que Kim teve que fazer, fiquei lá dentro assistindo tudo, para verificar se ela estava viva. -Emily estremeceu levemente.

-E eu uma vez tive que ver, em forma de raposa, um leão devorando um cervo no meio de uma floresta. Tirando que somos garotas, é claro. -Karina deu de ombros. Me senti meio estranha sabendo que elas tinham me visto nua, porém, decidi não comentar nada. Aquilo chegava aos extremos do constrangedor.

No momento seguinte, chegaram todos, aparentemente extremamente aliviados. Henri até disse que Zac "se voluntariou a tirar as minhas roupas no lugar de Karina e Emily", o que o fez levar um soco do mesmo, que, explicou, vermelho, que era mentira. Andrew era o único que ainda parecia preocupado. Foi aí que notei que alguém estava faltando.

-Gente, cade a Hana? -Perguntei, e imediatamente todos se calaram, ficando de certa forma, pesarosos. Não, não poderia ter acontecido o que eu estava pensando... -Ela não morreu, não é? Não pode, não... -Comecei a gaguejar coisas sem sentido.

-Hana foi capturada. Vamos planejar algo para tirá-la de onde quer que esteja. -Yuri anunciou. -Eu, Andrew e Emily vamos ir regatá-la.

-Nem pensar! Eu vou junto! -Kayla se levantou, encarando o telepacta sem medo algum. -Não quero continuar sendo somente um depósito, uma fábrica-de-tudo ambulante, não sou só isso. Outra, ela foi capturada por culpa minha. Tenho todo o direito de ir, Broma. -Percebi que os punhos dela estavam cerrados.

-Também irei. E nem adianta discutir, sabe que não vou mudar de ideia. -Karina cruzou os braços, levantando o queixo. -Vou ser útil, nem tente argumentar com isso.

-Alguém tem que cuidar da May! Se todos irem, podemos não sair mais de lá. -Yuri bufou, exasperado.

-Eu adoraria chutar as bundas daqueles homens de terno, mas vou ficar. -Henri suspirou dramaticamente, colocando a mão no coração. -Eu sempre fico de fora da ação.

-Alguém mais quer ir? -Perguntou Karina, olhando em volta.

-Eu. -Falei, sabendo que estava sendo ridícula. De todos ali, eu era a mais incapacitada para ir.

-Você mal consegue andar, May. Nem pensar. -Zac negou, balançando a cabeça para dar ênfase.

-E quanto a localização do lugar? -Roxanne se pronunciou pela primeira vez.

-O tal do Erick sabia aonde fica. -Yuri deu de ombros. Franzi o celho, boiando na conversa.

-Erick?

-Um dos adolecentes. Foi o único que o Dr. Xavier aqui conseguiu "interrogar". -Louis falou.

-Como foi o único... -Quando eu ia completar a pergunta, Yuri a respondeu (como eu disse antes, da medo).

-Um deles fugiu com Hana. E o outro, bem, Hana ficou um tanto furiosa com aquele que atirou em você. Ela o matou. -Mais uma vez, silêncio.

Uau. Hana tinha matado alguém por minha causa... Eu não sabia o que pensar sobre aquilo. Era coisa demais para um dia só. Na verdade, meia hora.

-Vamos deixar a May descansar. -Nate falou. Em seguida, todos saíram, me deixando sozinha com os meus pensamentos. Engraçado como eu os temia naquele momento. Era ridículo.