Extraterrestres -interativa
3 Maysilee Cupper
Gargalhei, depois de ouvir mais uma piada da minha amiga Chelsea, juntamente com Adam. Nós três voltávamos do cinema, comendo a pipoca que não conseguimos comer durante o filme. A Lua iluminava a calçada, nos dando boa iluminação do lugar, já que os postes de luz já estavam falhando. Passava de meia noite, tínhamos ido na pré estréia de um filme de comédia muito bom que esperávamos meses a fio. Quer dizer, os dois loucos que eu chamo de amigos esperavam, eu não ficava daquele jeito por causa de um filme, apesar de ter que admitir que fora melhor que eu esperava.
–Bem, gente, já estou indo. Sei que o Diego vai me interrogar, aquele idiota. Não sai do meu pé. -Chelsea bufou, e foi em direção á sua casa, que ficava depois da curva. Eu e Adam morávamos na mesma rua, portanto, poderíamos ir juntos.
Diego era o irmão mais velho de minha amiga, o típico irmão mais velho super protetor. Ele sempre irritava a irmã com as suas manias e os dois viviam brigando, mas qualquer um que visse poderia dizer que no fundo eles se amavam. Mas nenhum dos lados admitia, o que era bem óbvio.
Eu tinha meus irmãos gêmeos, mais novos do que eu, os adorava. Eles eram os filhos biológicos de meus pais adotivos, que eram agentes mobiliários. Eles viviam nos dando atenção, todos tínhamos milhões de motivos para chamar a nossa vida de "perfeita". E aposto que centenas de pessoas se matariam para terem uma vida igual á minha.
O silêncio reinou entre Adam e eu, e tudo o que fizemos foi caminhar. Era desconfortável, pensando na declaração que ele fizera á um mês depois das aulas para mim. Desde aquilo não conseguia mais conversar com ele normalmente como antes, como apenas dois amigos. Apenas isso.
O casaquinho fino xadrez azul escuro e branco e a camisa preta de gola alta que eu usava por baixo não me esquentavam em nada no frio daquela noite, mesmo sendo verão. Adam olhou para mim, preocupado. Preocupado demais.
–Você está com frio? Podemos andar mais rápido, assim vamos chegar mais cedo na sua casa, para você poder se esquentar. -Ele disse, seu olhar era intenso e profundo. A última vez que eu vira aquele olhar fora á exatamente um mês.
–Não, espere. -Meu amigo prendeu a respiração, e eu o olhei á luz do luar, tentando ver se meu estômago iria saltar como eu lia nos livros. Pude ver seu cabelo castanho levemente avermelhado, ondulado. Sua pele alva e clara, os olhos como avelãs. Ficaram claros os músculos suaves sobre sua camisa, seus ombros largos. Ele era um garoto muito bonito, todas as meninas da escola suspiravam quando ele passava. Eu não era cega, conseguia ver sua beleza com clareza.
Mas não tinha nada, eu estava normal, como sempre estive perto dele. Meu coração não acelerou, meu estômago não se encheu de borboletas, minhas palmas das mãos não suaram. Eu ainda pensava nele como um grande amigo. Infelizmente, ele já estava vendo mais do que uma mera amiga em mim.
–Adam, olhe, você é muito legal, bonito, inteligente, forte, compreensivo, bem humorado... -Comecei a falar, e seus olhos brilharam loucamente. Ele estava me entendendo errado. -Mas eu só vejo você como o meu melhor amigo, só isso. Me entende?
–Na verdade, não, May. Eu não te entendo. -Ele disse, sés olhos tão escuros quanto as trevas. -Eu não entendo, eu sou tudo isso o que você disse. E mesmo assim você não me quer. Eu sou tudo isso apenas por você.
–A quanto tempo você gosta de mim? -Perguntei, meu coração apertado pela tristeza de meu amigo. E doía ainda mais saber que eu era a causadora da obscuridade em seus olhos, da raiva em sua voz. Fiquei um pouco arrependida, mais me lembrei de que se eu o iludisse, apenas seria pior.
–Á dois anos e meio. E gostar é dizer pouco, muito pouco. Eu estou completamente apaixonado pela menina mais linda de toda a Springfield. -Ele fechou os olhos, e eu percebi uma lágrima descendo pela sua bochecha. E eu soube que haviam muitas outra esperando para serem derramadas, quando elas não pudessem ser vistas por ninguém.
Naquele momento, um carro de vidros espelhados, preto, derrapou em nossa direção. De lá saíram dois homens grandes, usando óculos escuros mesmo de noite. Um deles empunhou uma arma, e apontou para nós dois, enquanto o outro nos encarava, parecendo muito ameaçador. Me perguntei se esta seria a sua intensão.
–Entre no carro, menina, agora! -O que apontava a arma berrou. Eu e Adam nos entreolhamos e saímos correndo, eu na frente, e ele atrás. Então só eu corria, de um segundo para o outro. Me virei, e vi o que antes estava parado prendendo o moreno com uma chave de braço, os bícepces faziam com que Adam parecesse um magrelo. -Se você não se entregar, ele vai sofrer.
Mordi o lábio inferior, e assenti com a cabeça, colocando uma mecha dourada do meu cabelo que havia caído nos meus olhos esverdeados atrás da orelha.
–Soltem ele primeiro. -Ordenei, mais soando como um pedido.
–Para vocês fugirem? Não, se quiser ele de volta vai ter que vir atrás dele, alienígena. -O que prendia Adam sorriu de escárnio, e o jogou dentro do carro com brutalidade absurda. Corri para ele como um cachorro corre atrás de uma bola de borracha, preocupada. Ouvi trancarem a porta atrás de mim, mas me concentrei em meu amigo. Ele gemia de dor, e, apalpando percebi que seu braço quebrara. Não aguentando ver a cena, coloquei minha mão em cima do osso partido, e os juntei novamente, sentindo um choque elétrico nos dedos, como sempre acontecia.
–Como...? -Ele começou a perguntar, admirado com o braço concertado, mas coloquei um dedo sobre os meus lábios o silenciando. -Você é um E.T?
–Não, mas eles provavelmente sabem do meu poder, ou que eu tenho algum. Temos que sair daqui. -Sussurrei, baixo o suficiente para que os homens não ouvissem.
–Acho que tenho uma ideia. -Os olhos de Adam brilharam, e ele retirou do bolso um spray de pimenta. O encarei confusa por levar aquilo com ele, que logo se pôs a explicar. -Lembra das mortes estranhas que vem acontecendo pela cidade? Desde que aquilo começou minha mãe me obriga a ir com isso onde quer que eu vá.
O moreno me entregou a arma, e fez uma mímica, como se tirasse os óculos. Sorri, esperando que aquilo desse certo, e me virei. Pulei em cima do motorista, que gritou de surpresa, e arranquei seus óculos escuros, espirrando o sapray em seus olhos.
O carro começou a rodar em círculos, o que tornou difícil para o brutamontes de terno me pegar, e seus óculos caírem por conta própria. Espirrei a substância nele também, e abri as portas, fazendo com que eles caíssem do carro. Assumi o controle, peguei o volante, mas antes que eu pudesse tirar a chave da ingnição, Adam me parou.
–Você é especial, May. Se eles estão atrás de você, outros vão vir também. Me deixe aqui, vou dar uma desculpa para todo mundo. Fuja. -Ele mandou, estalou um beijo em minha testa, e saiu do veículo. Liguei o carro mais uma vez, e saí em alta velocidade pela pista.
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