Exposição de Weiss Guertena
3 Galeria Vermelha
Notas iniciais
O giro de um peão, a pose de uma boneca. Impecável. Perfeito.
Eles não precisavam saber para vê-lo, não necessitavam de conhecimento para perceber que aquilo era algo para se aplaudir estendido, de pé por minutos. Era ovacionado e sorria por isso, era arrogante e insensível, mas por isso ele sorria, o reconhecimento fazia suas veias relaxarem, a pulsação ansiosa se acalmava. O melhor era ser o melhor, ter ciência de que o esforço valeu a pena, admitir que a dor nos pés e as lesões nos músculos eram um pequeno preço a se pagar. As exclamações e exaltações dos companheiros da companhia eram surdas, abafadas e irrelevantes. Encaminhou-se para o camarim, roçando os dedos na parede fria. Tirou as sapatilhas, fazendo alguns exercícios para amainar aflição por permanecerem apertados, alongamentos e estava pronto para deixar o teatro.
A noite se chocou fazendo o ar sair de seus pulmões, arrepios descendo sua coluna. Talvez o tremor fosse em todo o seu corpo e a dor de cabeça apenas mais uma consequência de sua irresponsabilidade.
A meia hora de caminhada até seu apartamento foi traiçoeira, mais do que o normal. Chegou em casa retirando os sapatos e deixando-os na entrada, podia sentir o cheiro cativante do jantar, seu estômago roncou. Apoiou a mochila com as mudas de roupa no chão, indo para a cozinha. Seu companheiro de quarto balançava no ritmo da música muda, ele virou a frigideira na travessa e colocou na mesa. Um arranhar rápido e desajeitado alertou ambos da presença da mascote no cômodo, que correu desajeitadamente pela madeira, derrapando até cair entre os pés do dono que acabara de chegar. Arfando com a língua tombada para fora e os olhos gigantes, latiu dando suas boas-vindas.
O bailarino se agachou, fazendo carinho na barriga dela, mas logo sentiu o peso sobre si o que o fez erguer os olhos e encontrar os olhos nublados lhe observando.
— Está atrasado. — apontou, tirando o avental e apoiando no encosto da cadeira.
— O tempo está horrível. — disse, servindo-se da macarronada.
— Não posso discordar. — franziu as sobrancelhas. — Você está mancando, torceu o pé de novo?
Como a resposta não veio houve apenas um suspiro. O jantar foi silencioso, não era diferente do comum, na verdade os mínimos sons como a quantidade de vezes que o copo era apoiado na mesa, até mesmo o modo de engolir era melhor que longos diálogos, na perspectiva do cozinheiro. O inquilino sempre fora de poucas palavras, suas ações eram naturalmente mais explicativas.
Por isso antes de fazer a pergunta acabou torcendo os lábios.
— Você pode me acompanhar num lugar semana que vem?
O som fraco do cotovelo sendo apoiado na mesa causou um sorriso.
— Uma festa. — o assovio do ar sendo inspirado. — Opa! Deixe eu terminar. Minha família me convidou, não é como se eu pudesse recusar. Eu já lhe expliquei isso algumas centenas de vezes.
— Você nunca fala da sua família.
— Por isso mesmo. — cruzou os braços no pouco espaço entre seu corpo e o prato, e inclinou para a frente tombando a cabeça, brincalhão e ansioso. — Vai me acompanhar, não é? Essa foi a última apresentação do ano. Seus pais vão viajar e sua irmã está em lua de mel, e você prometeu passar o ano-novo comigo.
Olhos cegos inteligentes, eles não mudavam, sempre tinham a vitória cantada antes que ouvisse a resposta. Foi assim quando assinaram o contrato, quando decidiram as contas e os dias de limpeza. Segundo um velho conhecido, aquele homem certamente teria nascido com a bunda para a lua.
— Quão formal é a festa?
— Ah... Achei que você ia perguntar que promessa. — fez um muxoxo. — Nunca segue os clichês da vida, isso é deprimente.
O dançarino se levantou e recolheu os pratos, lavando-os. O cabelo ondulado caia começando a cobrir os olhos cor de amêndoa, alguns fios estavam grudentos por causa do esforço na apresentação.
— Vamos colocar comida para a Cherry. Não é minha fofa? Olha que coisa linda do papai. Não esqueça de tomar banho, Michael! — o proprietário do apartamento riu sabendo que o rapaz estaria corado, era tão previsível.
Deveras, não importava a arrogância e insensibilidade em relação aos outros sumia num piscar de olhos. Tão circular.
— Enzo, você dormiu?
— Ah... Você notou? — uma marca apareceu com o princípio de sorriso. — Achei que passaria batido dessa vez, já que você parece prestes cair desmaiado.
Eram estas estranhas conversas que traziam cores a cidade chuvosa. Não que fossem reclamar, era estranho os dois terem a mesma preferência por climas cinzas e frios, não necessariamente o inverno. Um dia nublado e com uma brisa fresca já era o suficiente para os dois pegarem as bebidas quentes e sentarem na janela, apreciando a melodia da água cadente.
— Escrever até o sol raiar não é saudável.
— Treinar até a lua chegar ao pico também não. Vai no alfaiate comigo amanhã?
Se isso tivesse ocorrido durante os primeiros meses de convivência, a resposta seria imperfectivelmente diferente. A princípio, acompanhar Enzo para todos estes locais para os quais era convidado não passava de uma obrigação mascarada, com os meses que se seguiram acabou se tornando uma preocupação fraterna. No presente, bastava fazer companhia até a entrada do edifício e fazer hora na livraria em frente. Não que fosse um amante de livros, mas tinha curiosidade sobre alguns dos títulos referidos pelo escritos e lançamentos recentes.
Foi por esse motivo que as páginas brilhantes da nova aquisição lhe chamaram atenção, mal passara dez minutos na loja um título saltara em suas mãos. De certo seu colega comentaria a respeito da obra, tendo as opções de ou criticar positivamente ou constatar que jamais lera. Críticas negativas eram raras, tanto quanto reclamações sobre o tempo. A confiança de que suas escolhas estariam sempre corretas era inabalável e admirável.
— Mich, sua vez. Não pode ir na festa da minha família com roupas de balé. — os cabelos estranhamente disciplinados. — Contanto que sua roupa fúnebre sirva, não terá problemas. — o som de uma gargalhada engolida fez seu queixo cair. — Sério que você achou isso engraçado? Caramba, eu deveria me tornar comediante então. Porque palhaço já tem demais.
Palhaços, trapezistas e bailarinas. Não muito distante do que se encontravam, os artistas excêntricos, os artistas lógicos, os artistas amantes. Eram tantas variáveis. A alma de Michael ria ainda mais por ter ciência dos artistas a quem Enzo se referia nas conversas, os ruços tinham compartilhado certas idiossincrasias da família em que cresceram. O mais velho, no entanto, elevara o fato da sua geração ser “fora do eixo”, destacando o primo caçula — cujo nome ainda era desconhecido.
— É... Acho que eles exageraram dessa vez. — Enzo se espreguiçou, o rosto voltado para o caís. — Festa de ano novo no cruzeiro. Que desperdício de dinheiro. Pelo menos somos convidados, não é?
Os braços dados e a bengala em uma das mãos. Os dois andaram pelo longo corredor sentindo o vento salgado pinicar o rosto.
— O Enzo chegou, mãe! — uma criança gritou do alto do navio.
— Quem é aquele?
— Meu querido priminho, se você ver uma garotinha de vermelho correndo perto dele é a minha prima. Eu ainda não a conheci, mas deve ser encantadora. — subiram a rampa em direção a porta. — Só um aviso, Michael. São muitas falácias que escutará, se pensa que viu a loucura em mim e espera por algo similar, irá se decepcionar. Tome cuidado, pois aqui é como gelo na primavera.
Logo foram separados. Incrível.
O bailarino deslizava com cautela pelo salão arrebatado. Tantos vestidos belíssimos, tão encantadores quanto os trajes das mais belas apresentações que presenciara. Estavam no lugar duas irmãs que não esperara encontrar tão cedo, por isso se afastou, próximo da parede e protegido das colunas ele pode esticar ainda mais o cabelo para esconder sob o chapéu. A teia do destino era assim tão traiçoeira para que ele tivesse de encontra-las?
Esgueirou-se para o convés, onde os passageiros e convidados conversavam com gestos exagerados e vozes alteradas, talvez aquela se mostrasse a pior de suas escolhas até o momento, visto que seus pés pareciam presos em areia movediça.
E isso não se dava ao fato de ter o tornozelo quebrado.
Balançou a cabeça a fim de afastar tais pensamentos. Ninguém sabia, estava bem cuidado e tomando os remédios adequados, como das outras vezes. Apenas teria de infiltrar-se na floresta e habituar-se as cobras que examinavam desejosas a nova presa. Uma risadinha invisível na multidão o fez girar em torno de si. Um sino assassino.
— Que lindo cavalheiro, nos fará companhia? — uma mulher com vestido branco perguntou apoiando a mão em seu ombro. — Jamais esperava me apaixonar à primeira vista, mas olhe aqui, como são belas as portas da sua alma, tão radiantes nesta cor indigna que fazem meu coração saltar.
Ela não estava lá antes.
— Concordo com minha irmã. De certo... uma cor um tanto extraordinária. — o homem de vestes douradas se aproximou com passos silenciosos como um predador. — Há a possibilidade de ser um parente? O que você acha, Maine? Será ele o nosso primo desprezível? — os olhos azuis buscaram atrás por outra pessoa. — Faz jus a aparência.
— Formidável de fato. Sente-se conosco, chegou a tempo de experimentar o jantar. — as unhas carmins fincaram em seu braço. — Você irá amar o belo vinho que fizemos em sua homenagem, ele tem um gosto tão doce que o levará as nuvens.
Uma selva. Arrastado para o meio das víboras.
Como que essa família podia ser a primavera?
— Ele não é o nosso primo. — a menina sentada à sua frente falou, levando a xícara fumegante aos lábios.
— Ainda continua saindo com as impuras durante a calada da noite? Imagino que tal passatempo não tenha sido alterado com as teias que o prenderam no lugar. — os três homens à mesa esboçaram um sorriso. — É tão calado, não lembrava essa timidez. Claro que os traumas que me deixou foram suficientes para ter minhas memórias trancafiadas, mas...
— Não se preocupe com tais detalhes, o passado não pode ser mudado, as linhas permaneceram tão vibrantes quando o sangue inocente derramado. Pergunto-me como não foi para a prisão com todos esses feitos. — as vestes verdes pareciam escamas, os olhos afiados reforçavam a imagem de um réptil à espreita.
Idiota. Por que está pensando nisso?
— Pensando o que?
Oh, pensou em voz alta.
— Como vocês parecem cobras.
— Cobras? Preferiria um animal mais... voraz. — a mulher de carmesim fez os dedos andarem pela mesa até sua mão. — Como uma pantera.
— Víbora define vocês perfeitamente. — a menina de vestido marrom comentou virando as páginas do livro.
— Concordo com você, irmã. Os grandes felinos são extraordinários. A maneira como eles se movem entre os galhos, se camuflam e atacam com ferocidade. São gentis e belos tal como nós.
— Cavalheiro, por que ainda usa o chapéu? Não superou o último encontro? Tão decepcionante ver que você apenas aumentou o número do guarda-roupa.
— Foi o mesmo que você fez, irmã. O sujo não deveria reclamar do mal lavado. — o rapaz de olhos escarlates disse, ajeitando a gravata azul. — Está tão desesperada para o casamento que veste o vestido há anos.
Um campo de batalha se formava na mesa, exilado da festa. Como podiam ser uma família tão venenosa?
— Querido, ao menos ela não é como a outra que toma banho nas lágrimas de sua própria dor por não poder dar continuidade a família incestuosa. — o homem de verde continuou. — Acredito que ela e o amado companheiro sol estejam aguardando as dezoito luas da doente para comemorar uma união anormal.
— Critica a união, mas fez ainda pior. Olhe como se refere ao irmão, quem sua vida arruinou! Observe: você é mais podre do que realmente pensa ser. — o dourado defendeu as meninas que sentavam ao seu lado.
— Todos aqui estão murchos no vasto campo após o abandono de Perséfone, não podem ao menos assinar um tratado tal como o deus da morte? — a frase foi proferida quase de maneira distraída e fora ignorada mais uma vez.
— Oh! Não é o pássaro cuco dispondo-se a falar? Cante, cante, rouxinol. Deixe a música chegar ao vento e mostrar sua verdadeira face, não passa de um intruso traiçoeiro que drena a herança restante.
— Felizardo, carregou-a no colo com um sorriso do tamanho do mundo e no dia seguinte já levantava a mão em seu dispor. Oh, terrível, terrível.
Crianças começaram a puxar a manga do dançarino, ele olhou para baixo encontrando duas criaturinhas curiosas de olhos gigantes.
— O tio Enzo está te chamando. — sussurraram, puxando-o novamente. — Vem logo.
No meio do salão de jantar pessoas se reuniram para ver o chefe preparando a ceia, seu manejo com facas voadoras e movimentos bruscos era hipnotizante. Óbvio o fato de Enzo estar lá, afastado da multidão visualizando os sons.
— Tenho a impressão que acabei de te salvar. Obrigado, pequeninos.
— Seus familiares são loucos. — afirmou quando os dois desapareceram.
— Eu disse. Eu tenho que cuidar das crianças, você pode me ajudar?
— Eles acabaram de fugir.
— Ah, não. Os meus pequenos não. “Crianças” é uma maneira carinhosa. Vamos subir que o jantar é só em uma hora, teremos um bom tempo para despendurar as criaturas. — fez um estalo com a língua. — Só não se assuste.
Durante a subida acabaram cruzando com as duas irmãs que não paravam de choramingar e gemer de fome, assim como o som do batimento cardíaco era cantarolado como se fosse uma canção, alguns casais de roupas estranhas — alusão a pinturas abstratas ou animais exibicionistas. Todos os seguranças que circulavam tinham olhos grandes e movimentos rígidos, acompanhando-os sem girar o pescoço, apenas com os olhos.
— Ajude-me. — uma mão segurou seu tornozelo, o aperto era forte. — Por favor. — ela tinha os lábios machucados. — Partiram meu coração.
— Ofélia, ele está lá embaixo, por que não pede desculpas? — sem diminuir o ritmo Enzo continuou subindo os degraus, ela afrouxou e o acompanhante pode correr para alcança-lo.
— Não parecia ser tão grande.
— E não é, só estamos perdidos. Quanto mais tempo demorar para chegar até elas melhor.
Uma risada tintilou no ar, seguida de uma brisa gélida. Era infantil, contudo não parecia natural. Pela expressão, eles deveriam ter chegado ao lugar. Estava muito mais frio que os outros andares, até mesmo o deque aparentava estar mais caloroso que o corredor em que estavam, refletia a exata temperatura do exterior sem o aquecimento das chamas dispersas.
— Deixe-me lhe contar uma história. Há muitos anos nasceram duas crianças, uma teve os pais mortos então entrou para uma nova família, a segunda foi adotada e se tornou prima de renome do próprio irmão, não se engane, ela ainda tinha os pais biológicos vivos quando foi adotada. Melhor dizendo, abandonada. A pequena jamais chegou a conhecer o irmão por tal título, assim como ele sequer soube de sua existência, afinal os pais afirmaram que ela morrera no nascimento. Deixando isso de lado, os dois cresceram e viveram suas vidas, até um acidente acontecer. Quem via pouco, passou a ver nada; quem andava sob a luz, engolfou-se na escuridão. A ligação desconhecida tornou-se laço intocável, apenas ele podia conversar com ela, e ela com ele. Isso acontece até hoje. Dizem que quando ele partir seu coração ela definhará ou se reerguerá. O que você acha?
Ele tocou na maçaneta da porta, os sons inconstantes vinham daquele cômodo com certeza.
— Desculpe mentir para você, eu não sou um escritor. Ao menos não oficialmente.
A porta foi aberta, estava tão escuro que era questionável se realmente existia um quarto ali.
— Hehe... — a risadinha chegou aos seus ouvidos. — É você? Você... veio... brincar?
A cautela de Enzo ao andar era tanta que assustava, até mesmo deixara de usar a bengala, segurando-a para não arrastar no chão. Apenas pode ver quando seus olhos se acostumaram a escuridão, a visão não era o que esperava.
— Um alerta: não se assuste, só irá piorar. — o sussurro não foi reconfortante, e o efeito já tinha começado, era impossível não ficar amedrontado.
Tinham bonecas penduradas, algumas pelo pescoço, outras pelos braços, todas com os olhos negros e vestidos coloridos, parecidos com aqueles que vira no caminho até o quarto. Até mesmo como aqueles pirados do deque, sua mão tremeu, um tique abandonado no passado tinha acabado de retornar. Fechou a mão em punho enquanto analisou a figura que se contorcia no chão.
— Você veio, você veio! Haha! Meu irmãozinho veio brincar! — brindou jogando coisas para o alto, alguns dos objetos fizeram aterrisagens nada delicadas, até mesmo amortecendo no tronco do rapaz. — Ouch! — exclamou colocando a mão sobre os novos machucados, risadas escapando de seus lábios. — Haha... A mamãe pediu para você vir aqui? Você sempre fica na luz, dançando e escrevendo, lendo e morrendo. Nunca fica comigo. Nunquinha. — afinou a voz, podia ser confundido com uma criança. — Oh. A menina desce o rio, cantarolando sobre o mar, na noite vazia caminhando.... Sabe, disseram que a coruja era filha do padeiro... por que o padeiro teria um pássaro? — apoiou-se nos cotovelos, o olhar sem brilho.
— Para comer todo o pão.
— Tem razão. — caiu. — Quem é o seu amigo? — os olhos sem razão se estreitaram. — Quem é? — levantou, apoiando todo o peso nos braços. — Quem é ele! Responda-me! — bradou exigindo uma explicação consistente.
Não foi um simples grito, era um daqueles que destrói a sua garganta, que a arranha e fere, até mesmo os que ouvem sentem dor. Não por sua altura, mas por dar a impressão que o jovem já possuía a garganta machucada seriamente.
— É por que eu sou um erro? Você vai me deixar? Já me abandonou! Apenas fosse embora de uma vez! — rosnou.
Enzo suspirou, o que fez o outro enfurecer-se. Os braços finos como gravetos suportaram todo o peso até que ele pudesse apoiar-se nos próprios pés, resmungara xingamentos suficiente para fazer um dicionário.
— Você é como ele. Eu sou só mais um erro. Desaparecesse para sempre! Não precisava se preocupar com despedidas, afinal você sempre foge. Apenas dá o ar da sua graça em dias de loucura. — se inclinou, perigosamente perto dos dois “intrusos”. — Se vá.
Michael arqueou as sobrancelhas, os olhos se voltaram para si.
— Uma corda me contou... que um cavalheiro precisa de uma bengala. O abajur disse que todos usam um chapéu. — arrancou de sua cabeça, apoiando na de Enzo. — A janela afirmou... desertores merecem dor.
Foi nessa noite que os pesadelos com bonecas começaram.
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