Exposed
2 Meu convívio social
A minha primeira vez com Patrick não foi nada especial, digo, perder a virgindade é naturalmente especial, mas não teve rosas e nem velas, e muito menos um jantar romântico. O que aconteceu, foi numa festa que minha melhor amiga fez quando seus pais viajaram (nesse ritmo meio americano), de qualquer jeito, foi extremamente estranho. Pra ser sincera, não imaginava que ia doer tanto e que ia ser tão incômodo tirar a roupa, por sorte as luzes estavam completamente apagadas e não precisei ficar sempre desconfortável.
Para as garotas virgens, não falando de modo negativo, explicaria a dor como algo rasgando dentro de você, para compreenderem um pouco da situação. De qualquer forma, eu REALMENTE não imaginei tamanha dor, foi necessário parar um pouco para eu conseguir voltar a minha respiração normal. Meu corpo estava grudento, de tanto suor, e minha respiração ofegante. Coitado de Patrick, arranhei suas costas inteiras.
O que eu quis dizer com isso é que a quebra de expectativa vai acontecer uma hora. Patrick já conseguiu deixar-me bastante chateada quando contou para todos seus amigos de quando finalmente conseguira "ganhar seu prêmio" ou outras maneiras que ele usou para se glorificar. Foi uma das brigas mais feias que já tive com ele e nem sei se sou capaz de descrever sem descontar toda minha raiva.
O pior disso tudo, é que se tivéssemos parados por ali, nada disso teria acontecido, mas acontece uma coisa física e emocional com seu corpo que depois da primeira vez, tudo fica incrivelmente lindo, e você quer se agarrar ao rapaz. Provavelmente isso acontece por insegurança de ele te trocar por outra, afinal, ele conseguiu "zerar a vida" (Tanto faz). Então, por causa dessa coisa hormonal, voltei com ele quando ele implorou desculpas com rosas e chocolate.
Já falei que não sou nada popular? Acho que é porque isso não acontece muito por aqui, "popularidade" não algo levado em conta, digo, ela existe, mas não existe. Porque afinal, o mundo não é como os filmes, onde você é a garota bonita e o cara perfeito vai vir correndo atrás de você, e não existe bullying, ou popularidade, ou baile de inverno.* Então, quando essas coisas não participam do seu dia a dia, é muito comum se apaixonar quando o cara vem com flores e um discurso pronto, meu perdão foi quase que imediato.
Essa era a ideia da minha relação com Patrick, e agora vou falar sobre meu convívio social. Minha melhor amiga, apesar de agora sermos muito afastadas, chama-se Kathyrin, a típica loira que mesmo sendo sua melhor amiga e de incrível confiança, você olha torto quando conversa com seu namorado. Kathyrin ficou comigo o tempo todo e me ajudou a desmentir a foto, tentando dizer que era montagem, e foi algo completamente natural nossa separação.
Tirando Kathyrin, minhas outras amigas agiram de forma nada inesperada: Tentaram me apoiar enquanto espalhavam a foto e fofocavam sobre mim. Muitas inventaram história, falando que ainda tinham vídeos meu pagando boquete ou outras milhões de fotos e os próprios amigos de Patrick contribuíram para isso.
Vocês sabem como é entrar na escola e todo mundo te encarar? Parece que uma notícia espalhou tão rápido e você é o único por fora, acontece bastante quando no seu grupo de amigas você fala que nunca ouviu falar sobre a Kim Kardashian ou a Paris Hilton e todas lançam aquele olhar de pena. Aquele olhar dolorido de pena, como se você não merecesse respirar o mesmo ar que elas. Então, foi assim quando eu pisei no corredor da escola: Como se alguém tivesse puxado todo meu oxigênio.
Kathyrin correu em minha direção e puxou meu braço, arrastando-me até o banheiro. Lembro como se fosse algo recente quando seus lábios vociferaram: "Que porra foi aquela?. Ela puxou seu telefone e antes de clicar qualquer coisa, mostrou a minha foto.
A primeira sensação, com toda certeza, foi vergonha. Não fazia a mínima ideia de como criaria forças para sair do banheiro sabendo que tinha um grupo de meninas fofoqueiras tentando saber os detalhes e ouvir as risadinhas dos garotos idiotas do nono ano. Ser exposta é como sair na capa de uma revista e ser o assunto da semana, mas por algo que não era para tomar grandes proporções. É estranho saber que, quando você foi perder sua virgindade você ficou tímida para mostrar seu corpo para o SEU namorado e agora todo mundo sabe como é.
Eu simplesmente saí daquele banheiro como se não tivesse vergonha, tentando contar para Kathyrin o que aconteceu no meio final de semana e minha dificuldade em estudar para prova de biologia, mas toda hora eu quebrava meu raciocínio e ficava repetindo "E aí... E....", numa interminável conversa. Comentários como "vadia" até "gostosa" passaram pelos meus ouvidos e passei uma parte do intervalo chorando em um dos boxes do banheiro (o que gerou mais boatos).
A primeira coisa que eu fiz foi excluir as redes sociais, muitas notificações vieram no twitter, facebook e what's app, e não queria ter que explicar toda a história para velhos amigos ou para primos/primas que ficaram incrivelmente surpresos. Até porque não dá para explicar, nada justifica seu ato de tirar uma foto pelada, porque é uma coisa que você pode evitar e já conhece as consequências.
Um amigo meu, que deu a total liberdade de colocar seu nome na história, Louir Ends (que inclusive tem um perfil aqui no site), serviu de grande apoio para eu superar toda essa história. O conheci quando, em um trabalho de escola, todos formaram suas duplas, deixando-me de lado porque poderia ser constrangedora a situação. Louir (se pronuncia Loui) decidiu que ia fazer comigo, já que seu amigo faltara a aula.
Um caso famoso, que gostaria de comparar, foi dos garotos que atiraram nos alunos no colégio Columbine. Sei que estão pensando qual é a comparação que se pode fazer entre uma garota burra que vacilou e dois garotos que levaram arma pra escola. No entanto, culparam um cantor muito polêmico, chamado Marilyn Manson* por sua influência na música, uma coisa que ele comentou em uma das entrevistas sobre o assunto, foi: "Eu escutaria os meninos, algo que ninguém fez". Conseguem acompanhar um pouco meu raciocínio? Ninguém me escutou. Ninguém procurou meu lado da história e exatamente por causa disso, cheguei a pensar em suicídio. Por isso, querido Louir Ends, você é de incrível importância para a minha vida.
Juro que vou continuar a tentar escrever o que passa na minha cabeça e tentar aliviar a tensão que aconteceu na minha mente. Afinal, tenho que contar para alguém para acalmar a alma e tirar todo o peso que eu carreguei sozinha, afinal, Patrick não levou nem 1/3 da culpa e ficou bem famosinho por isso.
Mas, é a vida.
*O nome que escolhi para substituir os nomes reais são americanos, porque além d'eu ser apaixonada pelos filmes de massa, besteiróis americanos, é melhor para não dar nenhuma outra interpretação.
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